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CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ

JONAS TADEU AMARAL PINTO
Relatório de Pesquisa:

Diálogos no seio da práxis da Teologia da Libertação:

As CEBs a partir de seu cotidiano em São Mateus

(1965-2008)

SANTO ANDRÉ

2012

CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ

Relatório de Pesquisa:

Diálogos no seio da práxis da Teologia da Libertação:

As CEBs a partir de seu cotidiano em São Mateus

(1965-2008)
Relatório final do Projeto de iniciação cientifica apresentado como exigência do edital do Programa institucional de iniciação Cientifica do Centro Universitário Fundação Santo André. Orientador: Profº Dr. José Amilton de Souza


SANTO ANDRÉ

2012
I - Introdução;
Caminhos da Pesquisa
Nada melhor do que a levantar as fontes, para adentrar realmente na problemática de nosso objeto de estudo, olhar as Ceb’s de dentro é uma proposta difícil pela complexidade de articulações e perspectivas possíveis, além do perigo constante de tomar esse ou aquele partido, comprando o discurso dos agentes históricos e esquecendo nosso problema, deixando escapar assim as possibilidades da critica histórica e do próprio balanço histórico do movimento, o que é muito fácil, até pelo fato de ser uma história do presente, onde as lutas ainda estão acontecendo, portanto o historiador que se propõe a tratar dessa questão ainda lida com o fato de estar produzindo “munição” para essa luta cultural e de classes, sendo possível inclusive ele próprio ser alvo de fogo amigo e inimigo.

Não nos propomos a buscar uma neutralidade positivista, pois de fato ela não é possível, como percebemos através dos trabalhos de tantos autores1 o que nós endossamos, pois toda a visão de algo é sempre a visão a partir de certo lugar social, portanto carregado de uma bagagem cultural, além disso, o olhar está transpassado por jogos de poder e representação, onde a análise é também uma construção de discurso sobre o fato, afim de sedimentar essa ou aquela imagem do ocorrido, ou do movimento, pois bem, mas essa ingenuidade positivista à muito superada pela historiografia, também não pode nos induzir a realizar uma análise ao nosso bel prazer, mesmo que fundamentados teoricamente, nossa análise deve buscar entender historicamente o movimento, a partir do nosso olhar, mas também buscando uma contribuição ao problema global das CEB’s como fenômeno religioso e social, extrapolando os jogos de poder que nós estamos envolvidos.

Dito isso, não pensamos em buscar um afastamento de nosso objeto de estudo, inclusive por isso não ser possível, pois de fato mesmo um afastamento das nossas lutas cotidianas dentro das CEB’s não nos faria olhar “de fora” até por que o afastamento físico não quer dizer um afastamento ideológico, além do mais para o desenvolvimento da pesquisa percebemos ser necessário estar cada vez mais dentro do movimento caso contrário dificilmente teríamos acesso aos indivíduos a serem pesquisados, pois além de uma agenda complexa essas pessoas em geral demostram desconfiança quando são entrevistas, pois lembremos que as lutas ainda estão em curso e que a memória da perseguição é recente e forte, ainda a menos de dez anos membros “fortes” das CEB’s de São Mateus foram convidados a se retirar pelo antigo Bispo auxiliar, para não falar do fato das perseguições da ditadura e de empresas, por conta do envolvimento sindical.

Essa visão “de fora”, rejeitamos por ser a nosso ver uma postura fria, racionalista (no sentido dado pelo iluminismo) cientificista, que no geral trata pessoas como objeto de estudo, mas pessoas não são objetos imóveis que possam ser medidos, pesados, classificados, portanto os indivíduos não podem ser medidos totalmente racionalmente, eles têm dimensões, racionais, afetivas, emocionais, culturais, religiosas... Que devem ser levadas em conta para um entendimento do homem como sujeito social, imerso em uma estrutura sistêmica que o influência, sendo ao mesmo tempo, dialeticamente, construtor de novas estruturas, assim como responsável pela manutenção da antiga.

Uma análise “de fora” soa como uma matematização das ações e contradições da pessoa, contudo o ser humano não é um ser que possa ser medido matematicamente em seu aspecto social e humano, pois em síntese o homem está sempre em processo, ele está sendo, ele não é, ou seja temos que estar atentos ao movimento de mudança realizado pelo individuo, nessa perspectiva se distanciar do nosso “objeto de estudo” reduz a possibilidade de análise do discurso construídos pelos indivíduos, pois acaba por criar um olhar global que tem mais dificuldade de percepção em relação as pequenas mudanças, que são fundamentais para entendermos o processo.

Cada entrevista é um discurso, afim da construção de uma imagem de si e das comunidades, portanto estar próximo, nos favorece para que possamos melhor captar os jogos de poder presentes nas realidades das CEBs estudadas, os conflitos com outras pessoas e movimentos, tanto do interior da igreja, como de fora, entender o processo de seleção da memória dos participantes o por que preferiram esquecer ou omitir determinado acontecimento que outros revelam como importantes, além de melhor entender as apropriações culturais que as pessoas fizeram, afim de melhor desenvolver a sua luta por melhorias locais e como esse processo ajudou no aprofundamento de sua consciência de classe.

Para superar então as dificuldades de uma análise “de fora”, assim como de uma análise de dentro perigosamente focada nos detalhes, recorremos a uma abertura maior de nossa lente objetiva, ampliando assim o nosso campo de visão a partir de dentro do movimento, processo colaborado pelas ressalvas do relatório parcial da pesquisa assim como pelos conselhos de nosso orientador e demais professores, para tanto, também nos foi muito importante tomar contato com os estudos da Nova História cultural que tem nos atentado para as questões metodológicas da pesquisa, o cuidado para não comprar o discurso dos militantes sem fazer a devida crítica historiográfica e nos atentar para a construção de auto- representações.

Chegado esse ponto é bom esclarecer que nosso diálogo com essa escola historiográfica não aponta para uma adesão fechada aos seus princípios, mas sobretudo aponta para uma mudança de pensamento, por conta do trabalho com as fontes historiográficas, inicialmente pretendíamos fazer um trabalho mais tradicional, no sentido de realizar uma reconstrução cronológica da história das comunidades para a partir do desenvolvimento cronológico apontar para os diálogos com a teologia da libertação, assim como com o contexto social, a partir de uma perspectiva marxista de luta de classes, através da conjuntura econômica social do período, verificar como essa influenciou a vida das CEB’s, contudo ao realizar as entrevistas percebemos um potencial muito mais rico para análises, a dialética entre a influência do sistema dominante na vida das pessoas e a construção por parte dessas de elementos de personificação e união, quase como um “subsistema” de ralações sociais econômicas e simbólicas, afim de criar uma outra realidade social, além disso, pensar em como os envolvidos se apropriaram de diversos conceitos e experiências de vida nesse processo de construção de uma realidade social alternativa.

Entender então o diálogo das CEB’s com a Teologia da Libertação que era um de nossos objetivos, passou a ser a busca por entender o por que das apropriações feitas por militantes das CEB’s de determinados conceitos da Teologia da Libertação, assim como da apropriação de outros conceitos vindos de correntes de pensamento se não contrastantes, diversas, buscando entender as respostas dadas pelo movimento as situações problemas que enfrentou, de forma que a partir da análise dessas apropriações, feitas a partir da crítica dos discursos dos militantes, criamos o contexto social do vivido, ou seja a partir das pessoas se reconstruir o contexto social, pois o que de fato interessa é o significado e o sentido que os indivíduos atribuem aquele espaço geográfico e aquele contexto histórico e como eles respondem aos desafios encontrados.

Essa mudança de corrente historiográfica não implica uma mudança de percepção ou de concepção de vida, mas sim uma apropriação por parte do historiador de novos conceitos que ajudem a melhor entender o processo, sendo que não nos consideramos fora do marxismo, bebemos em Thompson, assim como aprendemos com Braudell, Le Goff e Chartier, pois na verdade, as ações valem mais do que as etiquetas, portanto, hoje mais do que nunca precisamos de ações e não de palavras, pois são essas quem realmente irão dizer a sua posição politica, não o discurso em si mesmo.


Problematização Teórica
Em nosso projeto de pesquisa nos atentamos a refletir sobre dois problemas fundamentais, qual seria nosso posicionamento no referente ao tratamento dado a história oral e como seria de forma mais ampla a nossa linha de pesquisa, que em seu cerne carrega a nossa concepção de história.

Partindo dessas duas questões nos atentamos a leitura das obras indicadas pelo nosso professor orientador e das indicações de outros professores e colegas, assim tomando contado com as obras de Marx, Marc Bloch, Michel de Certeau, Peter Burke, Fernand Braudell, E.P. Thompson, A. Gramsci, Foucault, Le Goff, Chartier e tantos outros que foram a nós apresentados formalmente ou informalmente e que acabaram por cruzar os caminhos dessa pesquisa, a partir da leitura desses autores construímos a nossa concepção historiográfica, que obviamente não pode ser descrita de forma fechada, até por que, como, nos diz Chartier as pessoas se apropriam de práticas culturais e de certa maneira podemos dizer que nos apropriamos de diversas práticas e conceitos historiográficos, dando a eles uma nova significação ou mantendo a convencional, todo esse processo que continuará a caminhar pelo tempo em que nós nos mantermos vivos, está transpassado pelas nossas concepções de homem e sociedade e que no nosso caso nos leva a aproximação do marxismo, bem certo que muito mais do chamado marxismo cultural, mas também da nova história cultural e suas discussões sobre símbolos e representações que também são importantes para o nosso desenvolvimento teórico, contudo talvez o que nos norteie nesse tempo de indefinições seja a nossa linha de pesquisa, cultura trabalho e relações de poder.

A partir de nossa linha de pesquisa nos apropriamos dos conceitos das diversas escolas, afim de, contribuir para a compreensão de nosso problema, cultura, trabalho e relações de poder foi a nossa escolha por ser a linha que ao mesmo tempo seja mais próxima ao nosso problema, mas que também não limita o nosso olhar apenas a um ponto fechado, a cultura amplia os horizontes para nos atentarmos a vida cotidiana, mas também aos processos globais, da mesma forma o estudo das relações de poder nos leva a pensar as esferas do poder publico constituído e também a microfísica do poder ao estilo de Foucault2, pois as relações de poder também estão presentes no cotidiano essa interação entre macro e micro é a nós muito cara, pois quando pensamos em comunidades organizadas afim de discutir com a sociedade melhorias locais, estamos analisando tanto as relações de poder presentes na comunidade e entre os seus membros, como também as destas com o poder público, de forma que o macro e o micro estão intimamente ligados.

Atentando-nos então as nossas comunidades eclesiais de base podemos perceber que o processo de luta de classes é visível e identificável inclusive pelos membros das ceb’s se auto determinando como pobres, se igualando em comunidades coletivas maiores, como “o povo da baixada, o povo de São Mateus ou as comunidades”3 assumem a identidade de massa, não de massa de manobra, mas de massa organizada com forte sentimento de pertencimento a determinada situação social.

Sendo no nosso caso situação social provocada pelo programa de desenvolvimento da ditadura militar que visava a constituição de um exercito de reserva, afim de assim baratear a mão de obra para que os parques fabris da região metropolitana de São Paulo pudessem aumentar o seu ritmo de produção4.

Nessa conjuntura a exclusão é vivenciada e a luta de classes não é abstração, mas experiência, sabe-se que dentro da classe há diversas singularidades, mas a classe é um fator de pertencimento uma identidade coletiva, assim como uma torcida de um time de futebol é uma identidade coletiva ou a participação em um partido.

Esse sujeito coletivo que transparece nos depoimentos, para nós é melhor compreendido através de uma análise das lutas de classes empreendidas no momento, mas também dos dos processos de apropriação cultural que foram realizados pelos envolvidos, afim de contribuir com esse processo de lutas e transformações pessoais e sociais.

Essas apropriações contribuíram para que aquela população se organizasse para assegurar seus direitos e reivindicar melhorias para o seu local de moradia, contudo há de se pensar também nas consequências desse processo pois uma vez experimentada uma situação nova, como reage o individuo a novas situações problemas? Essa questão pode ser compreendida com ajuda da nova história cultural debatendo as auto representações construídas pelo individuo, afim inclusive de melhor identificar as singularidades do processo, contudo sem fragmentar a história, nem a homogeneizar.

Também temos que reconhecer que as tradições da Escola dos Analles, através dos estudos de Le Goff, nos ajudaram a melhor compreender as relações entre história e memória, através de seu clássico estudo sobre o tema5 sendo fundamental para as nossas análises sobre as entrevistas realizadas e inclusive para a própria elaboração dos questionários, além desse trabalho buscamos em Le Goff o estudo sobre o tratamento historiográfico as fontes em seu também clássico estudo sobre documento-monumento lembramos que “o documento não é qualquer coisa que fica por conta do passado, é um produto da sociedade que o fabricou segundo as relações de força que ai detinham o poder.[...] O documento é monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas para impor voluntariá ou involuntariamente – determinada imagem de si próprias.”6, essa perspectiva nos foi importante para não nos perdermos em meio as relações afetivas construídas com os entrevistados e assim realizar a critica histórica aos documentos orais ou não que nos serviram de base para os estudos da temática.

Após essa breve discussão sobre as linhas mestras dessa pesquisa é importante que situemos a posição e o tratamento dado a história oral em nosso trabalho de pesquisa. De início gostaríamos de citar uma definição que nos pareceu produtiva em referência ao tema:

“[...] a história oral é um procedimento integrado de metodologia que privilegia a realização de entrevistas e depoimentos com pessoas que participaram de processos históricos ou testemunharam acontecimentos no âmbito da vida privada ou coletiva. Objetiva a construção de fontes ou documentos que subsidiam pesquisas ou formam acervos de centros de documentação e pesquisa7

Partindo dessa concepção geral do que é a história oral refutamos logo de inicio qualquer tipo de hierarquização entre as formas de produção historiográfica, pois a verdade é que todas as formas de produção historiográfica são válidas, desde que, bem amparadas conceitualmente, além do mais com relação ao embate sobre a cientificidade da história oral, acreditamos que a própria história como ciência deve muito a essa forma de produção, pois se a virada positivista ou metódica do séc. XIX prendeu a história aos documentos oficiais, Heródoto que é tido como o “pai da história” afirmava “escrevo aquilo que me contaram” baseando seu trabalho em testemunhos, o fato é que a produção historiográfica sempre será refém de suas testemunhas, sejam elas jornais, documentos oficiais, vídeos ou entrevistas, pois a construção de discurso e as lutas por manter essa ou aquela representação, assolam todos os tipos de documento, sendo que o que de fundo importa, são os questionamentos que nós iremos fazer a aquelas fontes, pois os documentos não falam, o passado não vem até nós nos dizer o que aconteceu, nós perguntamos a nossas fontes a partir de nossos problemas atuais para realizar a crítica historiográfica, de forma que o que vale mesmo é a nossa conduta com as fontes e não a sua origem, obviamente que a sua origem deve ser levada em conta no processo de análise, como um fator de influência, mas não como um determinante.

Quanto ao “status” da história oral, de certa maneira refutamos a sua marginalização com os mesmos argumentos dispostos acima, até por conta de ser hoje um fato já bem menos corrente ao menos no plano teórico a história oral já passou suas provações sendo incorporada em diversos planos de mestrado e doutoramento de grandes universidade nacionais e internacionais8

Superando as relações de poder do universo acadêmico, nos atentamos as relações de poder de uma forma mais ampla, nos atentando as construções de discurso dos indivíduos afim de manter ou construir uma ou outra imagem do que teria ocorrido, não estamos dispostos a nos perder buscando a verdade, mas entendemos que seja interessante e importante entender o por que dos indivíduos buscarem se auto representarem dessa ou daquela forma, como uma maneira de assim entender os meandros do processo, ou a microfísica do poder ali presente.

Essas análises nos ajudam também a pensar em como foi o processo de apropriação cultural, o por que dessas pessoas, escolheram se apropriar dessa ou daquela prática cultural, provinda dos religiosos, dos sindicatos, das associações católicas, da cultura urbana e de tantos outros espaços de difusão cultural informal existentes nos lugares por onde viveram, assim como, do outro lado do processo como essas mesmas instituições foram dialeticamente influenciadas pelas experiências da base.

Escolhemos trabalhar com o conceito de apropriação cultural,9 pois como exposto acima a apropriação é uma escolha do individuo que está em busca de suprir uma necessidade, diferente da circularidade que nos parece um processo natural de transmissão cultural, sugerindo quase uma passividade do processo, assim como trocas culturais nos parecem que há uma obrigatoriedade de dar para receber algo, quando o que ocorre é que escolhemos conscientemente ou não o que iremos aproveitar da vivência e da fala do outro, assim como, escolhemos partilhar essa ou aquela experiência, de forma que nos parece mais condizente então dizer que as pessoas se apropriam de práticas culturais, como parte de um processo de luta de classes, tanto no plano interno da classe quanto no externo.

Nesse ponto a semiótica vem a nós, através dos estudos sobre a câmera e o cinema nos fazer pensar sobre as mudanças do individuo frente à câmera o seu desejo de se portar de determinada forma ou de aparecer em determinado lugar e até mesmo de não querer gravar, como também indicio desse jogo de poder consciente ou não, sendo componente importante para o estudo, por nos apresentar elementos da amplitude desse jogo e dessa construção do auto retrato, o que a nós ficou também muito claro quando por diversas vezes nos foi solicitado para não gravar certas coisas ou para que excluíssemos tal parte do seu depoimento, de forma a registrar um determinado retrato e não todos os elementos que lhe veio a memória.

A memória como um acervo a ser acessado pelo nosso entrevistado não é um arquivo que podemos acessar livremente esse arquivo nos é dado a viajar em busca de informações e conhecimentos, contudo o capitão da embarcação é sempre o nosso entrevistado e ele se reserva ao direito de nos levar a essa ou a outra vivência, o que é muito interessante de se notar, por exemplo, de como há uma mudança de tom e discurso antes e depois da câmera ser ligada e como a produção de documento também está ligada a produção de acusações, portanto há sempre desconfianças principalmente quando pensamos que nosso trabalho se dá em comunidades que já sofreram perseguições tanto do Estado, quanto da própria Igreja.

Partindo então de nossa linha de pesquisa cultura, trabalho e relações de poder, a história oral é entendida como uma ferramenta de construção de um acervo historiográfico, assim como, uma metodologia de pesquisa que associada com as nossas concepções historiográficas nos ajudam a melhor compreender os processos de apropriação cultural, assim como o da construção e manutenção de práticas culturais, como, também o de suas mudanças, tudo isso pensado em relação às lutas de classes estabelecidas entre os envolvidos das comunidades eclesiais de base por nós estudadas.

Atividades desenvolvidas, comparando-as com o previsto no cronograma;

Ao longo de todo o processo de pesquisa alguns locais tem se mostrado como chaves para a construção da mesma, como visitas ao arquivo do Estado de São Paulo, Centro cultural Vergueiro, Memorial da Resistência, CEDIC PUC-SP e em especial as visitas dedicadas a entrevistas dos membros das Ceb’s.

Essas atividades foram realizadas seguindo o calendário apresentado a comissão responsável pelo projeto de iniciação cientifica, sendo apenas redistribuídas por conta da disponibilidade das pessoas a serem entrevistadas, a leitura e problematização das fontes foram de fundamental importância, para se criar uma base sólida para as entrevistas, assim como a participação em eventos das próprias Ceb’s, como o Paulistão das CEB’s realizado em julho em Santo André, congregou representantes de todo o estado de São Paulo, foram importantes para que o pesquisador pudesse chegar mais próximo dos agentes a serem entrevistados, assim como possibilitar os contatos, sendo para tanto fundamental os contatos já existentes por conta do trabalho pastoral do pesquisador e de sua mãe.

O único rearranjo necessário em termos de calendário se deve a questões externas, impossibilidade de militantes por conta do horário, já que muitos entrevistados trabalham durante o dia tendo apenas a noite disponível, contudo sendo esse um horário de aulas ficava difícil para a realização da entrevista, por isso pedimos que cada comunidade escolhesse representantes, realizando em alguns casos entrevistas em grupo.

O processo foi dificultado, também por conta de vários militantes exercerem atividades nas diversas campanhas eleitorais, pessoas importantes, como diretores, ex-diretores, fundadores das obras sociais, assim como pessoas que militam nas comunidades desde a suas respectivas fundações, trabalharam nas campanhas de alguns candidatos, o que nos levou a algumas reflexões sobre o processo de aliciamento dos movimentos sociais pelos partidos políticos, assim como da importância da base para o desenvolvimento politico, mas nesse momento não iremos nos aprofundar no caso, pois será de mais valia analisa-lo como parte do processo de entrevistas durante o texto monográfico.

As entrevistas superando esses entraves tem sido produtivas e até longas superando as nossas expectativas, mas não nos preocupamos em conter o entrevistado, pelo contrário buscamos dar a eles espaço para levantar o máximo de informações, constituindo assim um acervo considerável, com muita informação a ser refletida e problematizada, referente a discussões pertinentes a diversas temáticas especificas dentro da vida das Ceb’s, destacando-se a possibilidade de estudo sobre o papel das canções na vida dessas comunidades, assim como seu caráter pedagógico na formação da consciência de classe, os trabalhos da pastoral da criança e do menor, lutas sociais, protagonismo juvenil, ditadura e repressão, todas essas possibilidades que se apresentam, não pretendemos esgota-las e nem mesmo dar conta de todos os caminhos que surgem, mas pretendemos dar conta de uma análise da apropriação de conceitos pelos indivíduos e isso nos remete a pensar e observar todos esses caminhos como sinais e pistas dessas apropriações, assim como da construção de um discurso.



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