João Roberto Moreira e os estudos científicos em educação: Ensaios na sua primeira obra “Os Sistemas Ideais de Educação”



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O INTELECTUAL JOÃO ROBERTO E SUA OBRA “OS SISTEMAS IDEAIS DE EDUCAÇÃO”: UM ESTUDO SOBRE O CAMPO CIENTÍFICO EDUCACIONAL

DANIEL, Leziany Silveira – UFPR

GT: História da Educação / n.02

Agência Financiadora: Não contou com financiamento
Introdução
No período estudado (década de 30 e 40 do século XX), o panorama educacional brasileiro caracterizava-se por uma intensa e efervescente discussão acerca dos rumos a serem traçados para a educação no país, já que esta se apresentava como instrumento decisivo para a constituição da nacionalidade brasileira. Diferentes projetos estavam em pauta, imbuídos, no entanto, de um mesmo anseio de renovação educacional, requerido por um Estado Nacional que se encontrava em franco processo de fortalecimento e consolidação. Foi nesse momento que o campo educacional brasileiro encontrou espaço para se constituir cientificamente e se autonomizar, criando-se, mediante atuação direta dos intelectuais e do governo, mecanismos e veículos próprios de produção, discussão e divulgação científica das principais questões educacionais brasileiras, bem como espaço oficial para a implementação dessas novas diretrizes científicas no sistema educacional brasileiro. Como um “sub-campo” da esfera da cultura, o campo educacional, assim, adquiriu identidade, consolidando, segundo abordagem de Bourdieu (1999), uma autonomização em relação, por exemplo, ao campo econômico, político e religioso.

Muitas foram as questões educacionais analisadas sob uma perspectiva mais racional e científica e que promoveram este crescente processo de cientificização do campo pedagógico brasileiro. Foram as questões em torno da definição dos fundamentos científicos necessários para a formação dos professores que mereceram, no entanto, atenção privilegiada, sendo tema central de discussões, tanto no campo governamental como no campo intelectual.

Ocorreram, então, nesse período, reformas educacionais nos mais diversos estados do Brasil, constituindo-se em experiências singulares que acarretaram mudanças nos cursos de formação de professores. Tais experiências contribuíram, significativamente, para a crescente cientificização do campo pedagógico (Daniel, 2003).

O governo do Interventor Federal em Santa Catarina, Nereu Ramos, mostrou-se, naquele momento, estar atento a estas novas prerrogativas para o campo da educação. Promoveu, nesse sentido, reformas no sistema de ensino catarinense, com iniciativas e medidas que constituíram um projeto para a formação dos professores em Santa Catarina, possibilitando mudanças substanciais na estrutura e nos currículos dos cursos destinados à preparação desses profissionais.

Preocupado em formar e capacitar um professor que estivesse preparado para dar conta dos problemas causados pela presença de muitos imigrantes em Santa Catarina e que promovesse, assim, um intenso processo de nacionalização do ensino, o governo catarinense buscou constituir uma formação de professores com caráter mais científico. Devido a isso, neste período, percebeu-se a constituição, em Santa Catarina, de um espaço de interlocução e de debates educacionais que foram decisivos para a introdução das “Ciências Fontes da Educação” nos currículos dos cursos de formação de professores catarinenses.

Como espaço privilegiado na formação de professores em Santa Catarina no período em estudo, o Curso Normal do Instituto de Educação de Florianópolis mostrou ser o lócus central na fomentação, discussão e divulgação das principais idéias educacionais presentes na realidade brasileira, produzidas pelos mais importantes intelectuais-educadores deste período (Daniel & Nascimento, 2002).

Nesse importante espaço educacional catarinense, intelectuais de projeção nacional se fizeram presentes, como Fernando de Azevedo, Roger Bastide, entre outros, propiciando debates com o governo, professores e alunos, com o objetivo de subsidiar políticas e fecundar discussões científicas na área educacional em Santa Catarina. Comprovando ser um importante espaço de construção das principais discussões educacionais em Santa Catarina, criou-se no Instituto a revista Estudos Educacionais, periódico publicado pelo Curso Normal dessa instituição e financiado pelo governo do estado, que se tornou veículo principal de divulgação de discussões educacionais.

Na análise das discussões e ações de João Roberto Moreira, professor do Curso Normal do Instituto de Educação de Florianópolis, de 1937 a 1943, e Diretor desta mesma instituição de 1941 a 1943, percebeu-se, de forma emblemática, o significado de todo o esforço despendido, tanto por intelectuais como pelo governo, na construção de um campo científico para a área educacional em Santa Catarina.

Não só atuando como professor e diretor Moreira mostrou-se estar se constituindo em destacado intelectual da área educacional já que vamos encontrar em suas discussões produzidas neste período valiosas contribuições para o entendimento de determinados aspectos da formação docente, principalmente, quanto à preocupação latente em construir um campo educacional científico brasileiro. A contribuição desse intelectual catarinense para a ampliação de tais discussões educacionais envolveu a articulação mais ampla dos conhecimentos provenientes da Sociologia e da Psicologia Educacionais, consideradas “Ciências Fontes da Educação", junto com a Biologia, Filosofia e História, para a constituição de uma verdadeira “Pedagogia Científica” (Monarcha, 1992).

As construções teóricas e as ações de Moreira, iniciadas em Santa Catarina, teriam continuidade quando de sua projeção nacional, logo após sua saída do Instituto, quando passou a atuar em órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais e o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, produzindo importantes estudos na área educacional (Paixão, 1999).

Para tanto, como proposta central desse trabalho, está a análise das contribuições teóricas da primeira obra produzida por Moreira, publicada em 1945, pela “Biblioteca Pedagógica Brasileira”, na série “Atualidade Pedagógicas”, intitulada Os sistemas ideais de educação. Embora publicado em 1945, depois de sua saída do Instituto, o livro fora gestado quando Moreira ainda trabalhava no Instituto de Educação de Florianópolis, constituindo-se em artigos na já citada revista Estudo Educacionais.
1. Situando a obra
A figura de João Roberto Moreira destacou-se nacionalmente mediante idéias e concepções defendidas, inicialmente, no nível local. Esta passagem do âmbito local para o nacional ocorreu logo após sua saída do Instituto de Educação de Florianópolis, com a publicação do seu primeiro livro Os Sistemas Ideais de Educação, em 1945, pela “Biblioteca Pedagógica Brasileira”, na série “Atualidades Pedagógicas”, série esta que
constitui-se de obras escriptas especialmente em portuguez ou traduzidas de qualquer língua sobre biologia educacional, hygiene escolar, psycologia applicada à educação, philosophia e histpria da educação; sociologia educacional, didata, administração escola e, em suma, sobre a bases scientificas e os problemas geraes e particulares da educação. É, como se vê, uma collecção de obras especificas destinadas aos professores e aos educadores (Ricardo, 1936).
Evidencia-se, naquele período, uma intensa expansão do mercado de livros, no qual “as coleções, nesse contexto, aparecem com um dos espaços privilegiados para a veiculação do pensamento da época. Por esta razão, devem ser analisadas como um dos ‘requisitos institucionais’ que moldaram o perfil intelectual do período” (Pontes, 1989, p. 368).

Mediante contatos estabelecidos por Moreira com Fernando de Azevedo (relação esta que será evidenciada no decorrer do artigo), que era o diretor da coleção “Biblioteca Pedagógica Brasileira”, fora firmado no ano de 1941 o compromisso de publicação da sua primeira obra, sendo relatado em Diário Oficial do Estado de Santa Catarina, sob o título “Um livro do professor João Roberto Moreira”:


O professor João Roberto Moreira, diretor do Instituto de Educação, assinou, recentemente, contrato com a Companhia Editora Nacional, de São Paulo, para publicação de um livro, que intitulou ‘Os Sistemas Ideais de Educação’. Nesse trabalho, o professor João Roberto Moreira faz um exame histórico e sociológico de formação das teorias pedagógicas, mostrando seu caráter ideal e não científico e apresenta interessante conclusão a respeito da possibilidade de ser a pedagogia transformada em uma técnica de rigorosa aplicação científica. O livro sairá na série ‘Atualidades Pedagógicas’, da “Biblioteca Pedagógica Brasileira’, dirigida pelo prof. Fernando de Azevedo (1941, p.2).
Constituído a partir da reunião de vários dos artigos publicados por Moreira na revista Estudos Educacionais, o livro Os Sistemas Ideais de Educação é dividido em duas partes: a 1ª dedica-se ao estudo da sociologia e da psicologia educacionais e de seu valor nas aplicações pedagógicas; e a 2ª trata de um ensaio sobre a figura de Fernando de Azevedo, enquanto educador e cientista brasileiro.

Quando do lançamento do seu livro, Moreira concedeu entrevista ao jornal A Manhã, do Estado do Rio de Janeiro. Destacou a reportagem desse jornal que,


certificada de que o jovem estudioso de problemas educacionais acaba de publicar, pela Editora Nacional, seu livro de estréia “Os Sistemas Ideais de Educação”, procurou ouvi-lo. Queríamos obter algumas palavras sôbre o volume que vinha de publicar e, aproveitando êsse ênsejo, fazer com que êle, em simples linguagem de entrevista, falasse sôbre a moderna pedagogia no Brasil. Além do mais, o professor J. Roberto Moreira não é um dêsses teóricos que se circunscrevem ao esplendor de suas próprias teorias. Ele acha que será a prática que nos ensinará a educar (1945, p.3).
Esclarecendo a escolha do título de seu livro, Moreira salienta que não propunha remédios, preocupando-se em aplicar “às teorias pedagógicas um processo de crítica lógica, emprestado à moderna filosofia européia, com o fim de lhes determinar o valor como possível aplicação de caráter científico” (ibid., p. 3). Indagado sobre as críticas recebidas, destaca quanto às divergências de opiniões. Segundo ele, “uns felicitaram-me porque pensaram que eu ataco o tecnicismo; outros me criticaram porque viram no livro uma desmoralização à pedagogia. Nem estes nem aqueles estão certos, como é fácil verificar pela leitura do meu trabalho” (idem). Ao lançar o livro, Moreira destaca sua pretensão ao escrevê-lo, no qual, segundo ele,
procurei ver como as técnicas procuram valer-se das ciências para melhorar os meios de ação e examinar, em seguida, se a pedagogia pode ou não pôr em execução processos semelhantes.Daí ter que percorrer a crítica à sociologia, à psicologia e aos sistemas propostos pelos pedagogos, sistemas que eu considero como ideais.

Para êste fim usei de um método dialético, de discussão e demonstração, que emprestei a León Brunschvieg, filósofo francês contemporâneo, e a que chamo de mediação das antinomias: tomar as doutrinas e teorias que se opõe expô-las como se fossem minhas e, dialeticamente, já que é impossível qualquer matemática em tal pesquisa, determinar a média entre elas. Naturalmente, tive que dispor de fatos para não fugir à realidade concreta. Pedi-os à minha experiência própria e à história.

Ao projetar-se nacionalmente, logo após sua saída do Instituto, Moreira assumiu cargos junto aos principais órgãos públicos federais, atuando no Rio de Janeiro, capital do Brasil naquele momento. Embora não atuando mais em Santa Catarina, muitas das produções posteriores de Moreira são resultados de sua experiência em terras catarinenses, abordando temas como a organização do ensino em Santa Catarina e as feições assumidas pelos cursos de formação de professores catarinenses (Daniel & Nascimento, 2002).

2. “Da crítica à Sociologia e Psicologia educacionais e do seu valor nas aplicações pedagógicas”: A primeira parte

2.1. A construção de uma “Pedagogia Científica”: Indicando o “dever-ser” da ação educativa.

Discussão central na constituição científica do campo educativo, a problemática em torno da aceitação ou não da Pedagogia como ciência tornou-se foco de discussão para Moreira, configurando-se em ponto de partida para suas principais elucubrações teóricas expressas no livro.

Criticando fortemente a predominância dos chamados “pedagogistas intuicionistas” (que resolviam os problemas de forma prática, empiricamente, baseados na intuição) na história da educação, Moreira destaca a importância de se constituir uma Pedagogia que proponha “doutrinas pedagógicas” baseadas no “estudo analítico dos fatos sociais”, não somente criadas a partir de ideais (Moreira, 1945). Colocava-se, assim, como problema central a definição do caráter e do papel da Pedagogia, entendimento que só seria possível após a elucidação do próprio conceito de ciência, para então, considerar se poderia a Pedagogia enquadrar-se em determinados parâmetros de validação científica.

Segundo Moreira, determinada área só poderia ser considerada ciência se possuísse caráter desinteressado e, portanto, não tendo articulação direta com a prática, embora considerasse que a ciência “possa contribuir e realmente contribua para a solução de problemas práticos, sempre, porém, acidentalmente e não por necessidade” (ibid, p. 18).

Para Moreira não é a Pedagogia que faz pesquisa. Essa tarefa se reserva à História e à Sociologia. Além disso, Moreira considera que quem determina os meios educacionais são a Biologia e a Psicologia. Já a definição dos fins cabe à Sociologia. Logo, Moreira desbanca os argumentos dos teóricos que consideram a Pedagogia uma ciência normativa.

Por isso, Moreira não considera a Pedagogia uma ciência, já que essa pressupõe, em sua gênese, a relação direta com o solucionamento de problemas educacionais colocados pela realidade. No entanto, considera que a Pedagogia tem relação direta com a ciência, ao se valer dos mais diversos conhecimentos científicos produzidos para a definição e melhor direcionamento de sua atuação na realidade.

Assim, “em vez de uma ciência, é, portanto, a pedagogia uma técnica com fundamentos teóricos e baseados em diversas ciências, às quais se costuma dar o impróprio nome de auxiliares” (ibid, p. 19). Ao atribuir à Pedagogia esse conceito, Moreira reavalia a conceituação dada por Durkheim a ela. Moreira entendia que “Durkheim propondo à pedagogia a denominação de teoria prática, deixa de considerar nesse novo conceito, que uma técnica pode resultar da conversão da lei científica em regra de ação” (ibid, p. 20). Apesar dessa crítica, Moreira não deixa de “reconhecer a justeza com que Durkheim tratou do assunto” (idem).

Considerando a Pedagogia uma “atividade de estabelecer normas ou regras segundo as quais se dirigiria a ação educativa”, a cargo da Ciência da Educação estaria “a pesquisa em torno do ser, no sentido do intelegível”, reservando-se à Pedagogia “o estabelecimento do dever-ser, no sentido normativo” (Moreira, 1945, p. 22).

As principais Ciências da Educação, segundo Moreira, para constituir o suporte teórico das ações da Pedagogia seriam a Sociologia e a Psicologia Educacionais. Nesse sentido, consideram-se algumas questões: Por que o papel central dessas duas ciências no estabelecimento dos parâmetros científicos da ação da Pedagogia? Qual a articulação estabelecida por Moreira entre essas duas ciências? Essas questões mostraram-se como centrais neste momento e serão abordadas no próximo item.
2.2. A superação da dicotomia entre o individual e o social: A busca por uma “psico-sociologia educacional”.
A definição do papel central da Sociologia Educacional e da Psicologia Educacional no campo da Pedagogia é assunto destacado por Moreira no seu livro, já que para ele a constituição dos verdadeiros “sistemas ideais de educação” dependia do avanço dos conhecimentos nessas áreas. Suas análises, portanto, ultrapassam a simples configuração dessas disciplinas no campo educacional, perpassando a própria validação destas áreas como ciências.

Moreira evidencia, em vários momentos, estar cônscio da constituição recente e ainda inicial dessas duas áreas científicas. No entanto, procura analisá-las de forma a perceber a contribuição delas para o campo educacional.

Acerca da Sociologia, destaca que “não existe ciência tão nova e que lute com tantas dificuldades (...) Parece mesmo que ela ainda se debate nas questões preliminares e respeitantes ao conceito da sociedade e de fato sociológico, aos métodos e hipóteses de trabalho” (Moreira, 1945, p. 26).

Embora contando com tais restrições, Moreira não desconsidera a contribuição da Sociologia para o campo educacional, já que a Pedagogia, ao necessitar estabelecer suas normas de ação, precisa dos conhecimentos sociológicos.

O entendimento de Moreira quanto ao papel cientifico da Sociologia Educacional no campo da educação provinha da “Sociologia Educacional Francesa”, que tinha como principal teórico Émile Durkheim, sendo divulgada no Brasil, principalmente, por Fernando de Azevedo. No entanto, o caráter científico da Sociologia Educacional não era unanimidade entre os teóricos do período. É o que evidencia Moreira ao criticar a “Sociologia Educacional Americana” (que tinha como principal divulgador no Brasil Delgado de Carvalho), por não se configurar como o “estudo objetivo e científico do fenômeno da educação, como fato social” (ibid, p. 40). Moreira, nesse sentido, compartilhava da crítica que Azevedo fazia à “Sociologia Educacional Americana”. Segundo Azevedo (1954, p. 26),
a concepção de ‘sociologia educacional’, ainda predominante entre os americanos diverge profundamente de nosso modo de ver, sob dois aspectos. Ela tem, em primeiro lugar, um caráter essencialmente descritivo e pragmático e é mesmo dominada freqüentemente menos pela idéia de observar a realidade social e refletir sôbre ela do que pela de empreender a sua reforma ou a sua reconstrução. Esse caráter de estudo utilitário do ‘estado educacional’ americano, dos sistemas, métodos e programas escolares, com objetivo de prática e reforma da educação, provém aliás de certa tendência outrora dominante que levava a considerar a sociologia não como uma disciplina científica de fins desinteressados, mas como um estudo prático das questões de vida social, política e econômica, contemporânea (...) Em segundo lugar, os autores americanos, na sua maioria, entendem por ‘sociologia educacional’ (...) o estudo da sociologia geral com aplicações à educação ou, por outras palavras, sociologia aplicada à educação. Esta consistiria para eles, em fazer passar para o campo das aplicações práticas os princípios, as verdades ou as leis da sociologia que se diz teórica ou racional; quando a verdade é que, para haver uma ‘sociologia educacional’ nesse sentido, seria preciso que, em sociologia, já tivéssemos chegado a um enunciado de leis em certos grau de generalização e de sistematização.
Acrescenta Moreira que, na verdade, a “Sociologia Educacional Americana” é “a aplicação ao trabalho educativo da escola, das conclusões da sociologia, isto é, dos resultados que os estudos sociológicos da comunidade revelam aos educadores” (1945, p. 40).

Discordando, pois, da “Sociologia Educacional Americana” e seguindo os princípios da “Sociologia Educacional Francesa”, Moreira parte do entendimento de que a Sociologia Educacional constituía-se em ciência fundamental para a definição dos fins da educação e do seu vir-a-ser, já que sendo “a ciência auxiliar por excelência da pedagogia (...) é a ela que cabe explicar os fenómenos educacionais, de cuja posterior interpretação finalista resultará a determinação de meios e fins para as práticas pedagógicas” (ibid, p. 118). Além disso, segundo Moreira, seria mediante os métodos desenvolvidos no campo da Sociologia que se analisariam os fatos educacionais, resgatando e analisando sua história para que, de forma comparada, se estabelecessem novos parâmetros de ação pedagógica. Moreira, assim, atribuiu significativa importância ao método histórico-comparativo desenvolvido por Durkheim, entendendo, desta forma, que a Sociologia,


do modo como foi concebida por Durkheim, não deve ser entendida como mais uma disciplina, e sim como o corpus do conjunto das Ciências Sociais, a ciência social por excelência que englobaria, de uma certa forma, todas as outras. Isto é, a Sociologia francesa na acepção durkheiminiana não é uma disciplina isolada mas acima de tudo um método, com a ajuda do qual os fenômenos adquirem inteligibilidade (Lévi-Strauss apud Massi, 1989, p. 428).

Em relação ao campo da Psicologia, Moreira também admitia dificuldades quanto à definição do “seu campo próprio de pesquisas e de estudo”, fato esse em decorrência, segundo ele, da discrepância entre as várias escolas quanto à melhor definição dos princípios de cientificidade dos estudos psicológicos. Todavia, como argumenta quanto à validade da Sociologia, Moreira também salienta o valor científico da Psicologia, conseguido, segundo ele, a partir do afastamento da Psicologia do campo filosófico e de sua aproximação à Biologia.

Tendo a Psicologia surgido para “explicar a atividade psíquica, isto é, nossos atos mentais, sentimentos e volições” (Moreira, 1945,p. 63), não se pode, no entanto, reduzi-la ao simples estudo fisiológico do ser humano. Nesse sentido, estabelece a relação entre os aspectos sociais e psicológicos, destacando “o mútuo condicionamento entre fenômenos sociais e os psíquicos” (ibid, p. 81). Colocava-se, então, como tarefa “estabelecer as bases psíquicas da vida social e, vice-versa, no estudar a influência do comportamento do grupo sôbre o psiquismo” (ibid, p. 81). Nesse momento, o campo de estudos apontado por muitos teóricos como ideal para realizar tal propósito era a Psicologia Social ou Psicologia Coletiva. No entanto, para Moreira, valendo-se dos estudos desenvolvidos por Johan von Schmid, psico-sociologia “seria o nome mais adequado para designar uma secção de estudos que estaria para a psicologia e as ciências sociais, como a psico-fisiologia para aquela e para a fisiologia” (ibid, p. 82).

Assim, Moreira compreende que, se de um lado, a Sociologia Educacional permite que se conheça o como e o porquê da educação como fator social, de outro, a Psicologia da Educação possibilita a compreensão de como o indivíduo recebe e reage à ação educativa (Henriques, 1998).

Moreira demonstra partilhar da compreensão de Durkheim quanto ao fato de que é através da Sociologia que se podem estabelecer os fins educacionais e que, mediante a Psicologia, definem-se os meios pelos quais se dá uma determinada educação1. Contrapõe-se, nesse sentido, a qualquer “psicologismo” ou “sociologismo”, termos que designam quando os conhecimentos oriundos de determinada área predominam sobre o outro na definição das finalidades da educação, destacando, então,
a necessidade e a importância da psico-sociologia. Sem negar o valor dos estudos psicológicos ou dos sociológicos em si, pode-se afirmar a impossibilidade de uma exata e total compreensão da natureza e da atividade humana, sinão (sic) à luz de uma estrita associação entre tais estudos. Não significa isso que as duas ciências se devam fundir em uma só, mas que, para se estudar o social sem exclusivismo de escola, da mesma forma o psiquismo, é preciso ter em vista o mútuo condicionamento entre as duas ordens de fatos: os que constituem a vida interior do homem e os que constituem a vida das sociedades. Tal condicionamento seria o motivo de estudos e pesquisas da psico-sociologia (Moreira, 1945, p. 101).

Ao se valer dessas duas, ele não sobrepunha os princípios de uma em detrimento da outra. Ao contrário, ele buscava uma integração nos seus estudos, conservando a peculiaridade e a especificidade de cada área de conhecimento. Para tanto,

a psicologia e a sociologia, compreendidas em seus exatos sectores, nos mostram ou podem mostrar o que é individual e o que é social. Uma não absorve o domínio da outra e são distintas, embora se apoiem mutuamente. A primeira nos poderá mostrar as condições psíquicas da vida social, e a segunda nos mostrará o condicionamento (ibid, p. 128).

O interesse de Moreira por constituir o campo de estudos por ele chamado de “psico-sociologia”, demonstra a preocupação de um educador e um intelectual de estabelecer vínculos entre os conhecimentos nos estudos desenvolvidos na área educacional. Fugindo de extremismos teóricos, Moreira propunha a interlocução dos conhecimentos da área social para a promoção dos avanços científicos necessários no campo da Pedagogia, que, para ele era a técnica responsável pela aplicação dos conhecimentos oriundos das “Ciências Fontes da Educação”.

A propriedade intelectual com que Moreira abordou estes assuntos demonstra que ele se preocupava com o processo de cientificização do campo pedagógico brasileiro. Não deixando de fazer críticas, ele procurou apontar possibilidades para que esse avanço no campo de estudos educacionais se efetivasse. As análises realizadas nesse primeiro estudo de Moreira contribuem para o entendimento de como eram tratados tais temas, principalmente, do entendimento que se tinha acerca do papel da Sociologia e da Psicologia Educacionais para o processo de constituição científica da Pedagogia.
3. “Configuração de uma consciência (ensaio suplementar sobre a figura de um grande educador e cientista brasileiro de nossos dias” : A segunda parte.

O estudo realizado por Moreira acerca de Fernando de Azevedo foi publicado na segunda parte do livro. Uma abordagem mais detida sobre este estudo realizado por Moreira acerca de Fernando de Azevedo será realizada a seguir. No entanto, aproveita-se esse momento para se destacar três dados relativos a esse livro e que explicitam, ainda mais, a influência e a importância de Fernando de Azevedo nas análises e discussões realizadas por Moreira. O primeiro ponto refere-se às obras de Fernando de Azevedo utilizadas por Moreira na feitura do livro e indicadas na referência bibliográfica. São elas: Sociologia Educacional, Princípios de Sociologia e Novos Caminhos e Novos Fins. O segundo ponto a destacar é que, ao final das referências, Moreira faz alguns comentários sobre a bibliografia utilizada, explicitando que dentre as principais influências teóricas brasileiras destaca a de Fernando de Azevedo “cujas palestras, cartas e livros se têm constituído em excelentes guias dos meus estudos atuais” (1945, p. 169). E o terceiro e último ponto trata dos motivos que levaram Moreira a dedicar parte de seu livro ao estudo da obra Fernando de Azevedo. Na entrevista que concedeu ao jornal A Manhã, de 12 de abril de 1945, por ocasião do lançamento de seu livro, quando perguntado acerca dessa escolha, Moreira salientou que,

de fato, achei que não podia escrever sôbre educação, sem tocar no problema brasileiro. A moderna pedagogia no Brasil está ligada a três nomes principais, entre outros: o de Fernando de Azevedo, o de Anísio Teixeira e o de Lourenço Filho.

Creio que é possível distinguir entre êles como entre o sociológico, o idealista democrata, e o psicólogo. Fernando de Azevedo, com a reforma do ensino no Distrito Federal, de 1926 a 1930, com os seus múltiplos trabalhos e pelas possibilidades de sua cultura fabulosamente vasta, prendeu-me a atenção. Por isso, terminei o livro com um ensaio sôbre a sua personalidade de educador e sua obra (Moreira, 1945, p. 3).

João Roberto Moreira dedica 64 páginas, de um total de 239, para realizar um estudo acerca de Fernando de Azevedo. Embora não se pretenda fazer aqui um estudo minucioso desse texto, indicar qual a abordagem dada por Moreira a este ensaio significa enriquecer ainda mais a compreensão dos fatos e nuances que foram decisivos para a construção da relação intelectual entre ele e Fernando de Azevedo. No início tímida, essa relação, no decorrer da própria formação intelectual de Moreira, tornou-se primordial para a definição dos rumos tomados por ele em sua vida profissional na área educacional.

Intitulado de “Configuração de uma consciência – Ensaio suplementar sobre a figura de um grande educador e cientista brasileiro de nossos dias”, o estudo realizado por Moreira na segunda parte de seu livro foi dividido em cinco capítulos.

No primeiro capítulo, “Um ponto de vista (A crítica, tendo em consideração a personalidade em si e sob as influências ambientais)”, Moreira frisa que, apesar de Fernando de Azevedo dirigir a série na qual seu livro estava sendo publicado (“Atualidades Pedagógicas”), não interferiu na sua produção.

Moreira inicia o capítulo II, sob o título “O educador e o homem de ação (Da pesquisa à organização universitária)”. Nesse texto, Moreira narra como ocorreu seu primeiro contato com Fernando de Azevedo, quando era ainda estudante no Estado do Paraná, das impressões que teve acerca da palestra pronunciada por esse intelectual naquela instituição, da primeira carta que lhe enviou em 1937, da entrega, em 1941, dos originais de seu livro, do convite feito para que Fernando de Azevedo visitasse Santa Catarina, aspectos todos já explicitados neste estudo.

Moreira não trata, no entanto, no segundo capítulo somente da forma como foi se aproximando de Azevedo. Ele aproveita para indicar algumas das principais ações de Fernando de Azevedo no campo educacional no Brasil. Destaca o Inquérito realizado por Azevedo em 1926, no qual reuniu opiniões de intelectuais, professores e técnicos, configurando-o como um “planejamento, uma orientação nova” para a educação no país.

Segundo Moreira, esse inquérito foi decisivo para a definição da vocação pedagógica de Azevedo. Vocação por ele seguida em 1928, quando assumiu a Direção da Instrução Pública do Distrito Federal. Nessa reforma, Moreira destaca que Azevedo seguiu os mais fiéis preceitos da Escola Nova, colocando-os em prática. Ainda sobre este período de atuação de Azevedo no Distrito Federal, Moreira elogia a elaboração, em 1928, do “Código de Educação”, ressaltando que sua implementação havia sido prejudicada “por uma série de pequenas podas extemporâneas e de enxertos hibridantes” (ibid, p. 102). Acrescenta Moreira que “a Fernando de Azevedo, eu penso que não lhe foi dado, nunca, realizar até suas conseqüências máximas, o quanto projetou e iniciou. Não tenho elementos para informar até que ponto isso dependeu-lhe da vontade, ou foi-lhe imposto de fora, por circunstâncias extraordinárias” (ibid, p. 193).

Moreira também aproveita esse capítulo para abordar os problemas enfrentados por aqueles que estudam cientificamente os fatos sociais, como Fernando de Azevedo, mas que não vêem possibilidade de sua aplicação direta na realidade. Salienta a própria falta de pesquisa científica no Brasil para este propósito mais prático. No entanto, não deixa de destacar o papel e a contribuição da Universidade de São Paulo para o avanço das pesquisas no Brasil, elogiando a iniciativa de Fernando de Azevedo, em 1934, de incorporar à universidade o Instituto de Educação, numa tentativa de contribuir para a criação de um espírito universitário no país 2.

Para Moreira, Fernando de Azevedo havia se destacado primeiramente como um ensaísta. Por isso, trata no terceiro capítulo denominado “O ensaísta (Divagação pelo mundo da arte; antigas e novas estesias; preparação à Sociologia)” das produções de Fernando de Azevedo como crítico literário

Moreira escolhe algumas das produções de Azevedo para tecer comentários. Dentre elas estão: “A outra face da questão” (ensaio sobre humor); “A Poesia Social no Brasil” (ensaio sobre a arte moderna); e “No tempo de Petrônio” (ensaio sobre a arte moderna).

É só então, no capítulo IV, “O sociológico”, que Moreira trata da atuação de Azevedo no campo dos estudos sociais. Para ele, ainda como ensaísta, anunciava-se em Fernando de Azevedo “a preocupação pelo estudo das condições ambientais do trabalho intelectual do homem, o que era prenúncio de que, cedo ou tarde, a sociologia o conquistaria de uma vez, transformando-o no mais representativo de seus estudiosos brasileiros” (p. 214). Embora principal divulgador da sociologia de Durkheim no Brasil, segundo Moreira, o teórico francês foi para Fernando de Azevedo somente “o seu ponto de partida” já que este não “é um servidor apaixonado da escola francesa” (p. 216), reconhecendo, todavia, a importância de Durkheim para o avanço dos estudos no campo da Psicologia Social e do estabelecimento das regras do método sociológico.

Para Moreira, ao contrário da obra Sociologia Educacional de Delgado de Carvalho, que se inspira na sociologia de caráter prático dos americanos, as obras Princípios de Sociologia e Sociologia Educacional de Azevedo, fundamentadas nos princípios da Sociologia durkheiminiana, têm méritos ao tratar da educação de forma objetiva, constituindo-a num estudo científico desinteressado, que a trata mediante os conhecimentos provenientes da sociologia, ciência a serviço dos estudos do campo educacional.3

Ao final desse capítulo, Moreira comenta acerca da obra A cultura Brasileira, também de Fernando de Azevedo, que recém havia sido lançada naquele momento.

No quinto e último capítulo, “Configuração de uma consciência”, Moreira retoma aspectos tratados por ele acerca de Fernando de Azevedo, destacando sua importância ao avanço dos estudos sociológicos no país

Ao escrever sobre Fernando de Azevedo, Moreira demonstra seu forte vínculo intelectual com ele. Contudo, durante seu texto, Moreira não deixa de analisar suas teorias, discordando, muitas vezes, de algumas posições do referido intelectual.

Além de Fernando de Azevedo, o sociólogo francês Roger Bastide estabeleceu especial relação com Moreira no período em que este atuou em Santa Catarina. Roger Bastide tornou-se o principal revisor crítico do seu primeiro livro, fato que fica evidenciado no texto de introdução de Os sistemas Ideais de Educação, intitulado “Palavras Necessárias”, em que Moreira agradece a Bastide pela “longa e precisa carta de crítica que me dirigiu, depois de ler os originais” (Moreira, 1945).

Naquele momento, Roger Bastide representava a própria tradição francesa nos estudos científicos, principalmente, no campo das Ciências Sociais, ciências recém institucionalizadas no país e que influenciavam fortemente o pensamento educacional brasileiro. Moreira, ao destacar na referência bibliográfica de seu livro publicado quais eram suas principais fontes teóricas de análise, salienta que “constitui prazer o referir a influência recebida, em minha formação cultural, através de livros, artigos e críticas, de mestres como Brunschvicg, Lalande, Gablot, Meyerson, Durkheim e Ribot, que, para mim, são gênios modernos da França pensante e eterna [grifos do autor](1945, p. 169).



Algumas considerações finais necessárias
O texto ora apresentado constituiu-se numa tentativa primeira de re-visitar e resgatar uma obra pouco citada e analisada pela historiografia educacional brasileira. Publicada nos meados dos anos 40 do século XX, a obra de Moreira situa-se num ambiente intelectual de intensa preocupação com a constituição científica do campo educacional e que se intensificaria na década de 50 do século XX, com a criação, por exemplo, do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais. Nesse importante órgão Moreira atuaria e publicaria, em 1954, o livro A educação em Santa Catarina, inaugurando uma série de estudos feitos sobre o sistema educacional nos estados brasileiros.

As análises que Moreira realizou no seu primeiro livro, ainda que incipientes e fruto de seus estudos ainda introdutórios sobre o campo científico educacional, foram primordiais para sua projeção nacional, demonstrando um rigor científico que o credenciaria a realizar estudos mais amplos sobre a educação nacional (Daniel, 2003).



Referências Bibliográficas
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1 Moreira, embora considere que Dewey trate a Psicologia e a Sociologia Educacionais como ciências privilegiadas no fornecimento do conteúdo científico à educação, o critica por não estabelecer distinção entre a Sociologia e a Psicologia na definição dos meios e fins educacionais (Cunha, 1995).

2 Ver EVANGELISTA, Olinda. A formação do professor em nível universitário – O Instituto de Educação da Universidade de São Paulo (1934-1938). Florianópolis: NUP/CED/UFSC / Editora da Cidade Futura, 2002.

3 Embora tendo divergências quanto ao papel da Sociologia nos estudos desenvolvidos pela Pedagogia, tanto Fernando de Azevedo como Delgado de Carvalho integravam o grupo de pioneiros que propunham maior cientificização nos estudos do campo educacional. Combatidos pelos católicos, eles eram acusados de ser cientificistas e modernistas, ao atribuir Sociologia a função de definir os fins da educação. Para os católicos esta função cabia à filosofia e à ética católica (Daros e Pereira, 2002).



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