Jornal da tenda de umbanda cabocla marola do mar



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*** JORNAL DA TENDA DE UMBANDA CABOCLA MAROLA DO MAR***

ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE TENDA DE UMBANDA CABOCLA MAROLA DO MAR

Rua das Juçaras, s/nº Fundos – Biguaçu - SC– CEP: 88160-000 – CELULAR: 991559749

ANO XVI – Nº 01 - JANEIRO/2018 - Distribuição Gratuita

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ABTUCMM – 34 ANOS DE FÉ, AMOR E CARIDADE !

Refletir é um dos atos diários do nosso Viver, Viver Umbandista, não é só Ser, mas Estar Umbandista!


SARAVÁ CABOCLOS!
SARAVÁ CABOCLO LÍRIO BRANCO!





LEMBRETES:
OLHAR O MURAL DE RECADOS SEMANALMENTE.

DIA 19 20:00H  HOMENAGEM AO CABOCLO LÍRIO BRANCO TODOS OS MÉDIUNS DEVERÃO TRAZER FLORES, VELA VERDE, FRUTAS E VINHO QUE DEVERÁ SER OFERTADO NO ALTAR

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 Atendimentos: Sextas – durante a gira.

Segunda-Feira: Tratamento com o Povo do Oriente.

Sexta-feira e sábado  gira

 Segunda feira: Apometria

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A dor é inevitável, o sofrimento é opcional

Nós tendemos a pensar que reagimos aos eventos que trazem consigo a semente de tristeza ou da alegria, mas, na verdade, reagimos ao que os fatos significam para nós. Nós só podemos sofrer por aquilo a que demos importância. Portanto, para evitar sofrimento desnecessário, por vezes, apenas um passo para trás,desanexar emocionalmente e ver as coisas de outra perspectiva. É difícil, mas com a prática você aprende. Na verdade, uma outra frase budista nos mostra o caminho: “Tudo o que somos é o resultado do que pensamos; É fundada em nossos pensamentos e é feito de nossos pensamentos. “

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CALENDÁRIO DE ATIVIDADES PERMANENTES DA A.B.T.U.C.M.M GIRAS DE:
OGUM E POVO D`ÀGUA - Descarrego

POMBA GIRA - Atendimento

XANGÔ - Passes - Logo após, gira de CRIANÇA

PRETO VELHO - Passes, Benzeduras e atendimento

POVO DO ORIENTE - Energização

CIGANOS - atendimento

CABOCLOS - Descarrego - Passes e Atendimento

EXÚ - atendimento

GIRA MISTA - Atendimento

ESTUDO DO EVANGELHO/ UMBANDA

Doutrinação e Atendimento a sofredores desencarnados e Passes nos médiuns e assistência.
O ATENDIMENTO NESTA CASA É TOTALMENTE GRATUITO. AUXILIE NOSSA ASSOCIAÇÃO, TORNANDO-SE SÓCIO.

GIRAS DE JANEIRO/2018:
00/01 –

19/01– HOMENAGEM AO CABOCLO LÍRIO BRANCO

26/01 – CIGANOS




Finge demência, não vale a pena se desgastar por isso,

Ame a todos, confie em poucos. Não seja injusto com ninguém.

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Encontra ânimo na dor e no desafio. Nesta vida só nos são colocados à frente os obstáculos que somos capazes de ultrapassar. Augusto Branco

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Chega um tempo na vida que a gente aprende que ninguém nos decepciona, nós que colocamos expectativa demais sobre as pessoas. Cada um é o que é e oferece aquilo que tem para oferecer

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A Música e a Religiosidade

Em todos os tempos e povos encontramos o uso da música a fim de se manter um contato com o Divino. Nas mais diversas crenças podemos observar sua presença. Vejam que na Igreja Católica entoam-se hinos, ladai­nhas, cantos gregorianos. Os evangélicos também têm através do canto uma forma de agradar a Deus com suas bandas e conjuntos GosjJel. As seitas orientais utilizam-se muito dos mantras (combinações de letras que vibram no Astral). Na Umbanda e cultos africanos, temos os pontos cantados, e até no espiritismo tradicional já existem canções que servem para difundir o Evangelho e os ensinamentos de Kardec.

Na própria Bíblia existem várias menções sobre a utili­zação musical, seja por meio de instrumentos seja por meio do canto.

Apenas para exemplificar, no Antigo Testamento te­mos: "Logo após a travessia do Mar Vermelho, Miriã e as mulheres de Israel adoraram a Deus com cânticos acompa­nhados de danças e tamborins". (Livro do Êxodo, 15: 20-21)

No Novo Testamento, observamos os seguintes textos: "Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escuta­vam". (Atos, 16: 25) "Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores". (Tiago, 5: 13) "Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos e hinos e cânticos espirituais, com gratidão em vosso coração". (Colossenses, 3: 16)


Tambores
De fom1a genérica, podemos afim1ar que tambores são ins­trumentos musicais de percussão, fom1ados por uma armação oca, tendo, sobre essa, uma pele esticada, produzindo o som quando percutido, sendo esse originado pela vibração da membrana, ou seja, da pele, classificando-o assim como um membranofone.

Os primeiros tambores foram encontrados em escava­ções arqueológicas no Período Neolítico. Na Morávia, um desses achados foi datado de 6.000 anos a.C.. Em artefatos egípcios, outros foram localizados, com peles esticadas, data­dos de 4.000 anos a.c. Na Mesopotâmia e na antiga Suméria, alguns tambores de 3.000 anos a.c. ainda têm sido desco­bertos, conforme registro anotados por pesquisadores que estudam os hábitos culturais de antigas civilizações.


Características dos primeiros tambores
Consistiam de troncos ocos, cobertos pelas bordas com peles de répteis ou couro de peixes, sendo percutidos com as r­mãos. Somente mais tarde surgiu o uso de baque tas e também de peles mais resistentes.

Com o desenvolvimento musical do ser humano, a grande variedade de tamanhos, formas, tipos de peles e de métodos de fixação dessas foram surgindo. Num tambor de uma pele, eram usados materiais como pregos, grampos, cola etc. Já nos de duas peles, faziam-se furos atravessando-as, pelos quais passavam cordas a fim de esticá-Ias. Os tambores mais modernos, usando aros que pressionam a pele, surgiram na Europa.


Tambores sagrados
Os tambores sempre tiveram funções diversas, como a de transmitir alegria em festas populares, transmitir mensa­gens à distância e principalmente a função religiosa. Tidos como objetos sagrados, com poderes mágicos, mesmo atual­mente, em certas sociedades, sua confecção envolve um certo ritual.

Em todo o mundo encontramos religiões ou seitas que os utilizam em seus cultos divinos.

Na China, há mais de 2.000 anos, usa-se tais instru­mentos, feitos de bronze, em rituais sagrados e cerimônias de casamento.

No Japão, um gigantesco tambor chamado o-tailw é percutido no ritual "Bate o Coração da Mãe-Terra". Além disso, consideram-no diretamente ligado à história sagrada do Japão e ao culto original do xintoísmo. Encontramos ainda os de menor tamanho, como os pequenos shime-taiko, que emitem um alto diapasão. A manipulação desses instrumentos japoneses implica uma sintonia perfeita de mãos e pés, onde gestos coreografados não são simples espetáculos, mas sim a evocação ritual dos kamis (espíritos universais), invocando­ os para a boa colheita, para a chegada da primavera e a identi­ficação dos homens com a terra.

Nativos norte-americanàs também associam os toques às batidas do coração da Mãe-Terra e ao som do Útero, pois dá acesso à força vital através de seu ritmo. Para os Xamãs, é veículo para invocação de espíritos, para curas e para afastar a força do mal. É () instrumento de comunicação entre o Céu e a Terra.

No Vodu haitiano, empregam-se alguns outros modelos como: o boula, o scconcl e () manman, também chamado de assotor.Existem também os Damarus (instrumentos de Shiva),tumbadoras cubanas, tablas indianas, além dos usados no Tantra e no Budismo Tibetano.

Nos cultos africanos, como o Candomblé e a Umbanda, religião de terras brasileiras, entre muitas derivações, () lnais comum é o conhecido atabaque.

Há ainda outros instrumentos considerados de grande poder, como os maraGÍs e chocalhos, muito utilizados na América do Sul, principalmente pelos indígenas, feitos de cabaça, cascos de tartaruga ou chifres de gado, contendo, em seu interior, sementes ou pedras. São utilizados para que­brar a energia estagnada, para abertura de rituais, exorcismos e trabalhos de cura, além de serem ótimos para a marcação dos ritmos.


Religiões Afro--Brasileiras que Utilizam Tambores
No Brasil, existem diversas seitas e religiões que utilizam esse tipo de instrumento de percussão em seus rituais sagra­dos. Entre elas, destacam-se aquelas que se originaram dos povos indígenas e africanos, como as que seguem:
Umbanda
É uma religião universalista, com diversos detalhes en­contrados nas mais variadas religiões e seitas do mundo. Porém, não é difícil identificar que na Umbanda, três bases religiosas têm papel fundamental em sua forma de atuar: o espiritismo, o catolicismo e os cultos africanos. A tudo isso, somamos ainda o conhecimento e a cultura indígena.

Semelhante ao espiritismo, possui comunicação entre médiuns e espíritos desencarnados, baseando-se na doutrina de Kardec, com relação aos estudos dos fenômeno um fator importante para a sobrevivência do culto às proibições vindas da Coroa Portuguesa, onde, assim como em toda a Europa, o cristianismo imperava, foi a adoção do sincretismo, no qual os negros relacionaram seus deuses aos Santos Católicos.

As principais Nações encontradas são: Ketu, Jeje (ou Gege), e Angola, com algumas características próprias, como o dialeto, a hierarquia, e até a nomenclatura dos Orixás.
Xangô
Muito próximo ao Candomblé, é comum principal­mente no Estado de Pernambuco, sendo também chamado de Xangô de Recife ou do Nordeste.
Batuque
Religião de culto aos Orixás, praticada principalmente no Estado do Rio Grande do Sul, fruto dos povos da Costa da Guiné e da Nigéria, com suas nações Gege, ljexá, Oyó e Nagô. Surgiu no período de 1895 a 1935 e o principal respon­sável por sua difusão foi o príncipe africano Manoel Custódio de. Almeida que, na África, tinha outro nome. Já pode ser encon­trada em países vizinhos como o Uruguai e a Argentina. Entre os instrumentos utilizados, existe um tambor chamado Inhã.
Tambor-de-Mina
Difundida no Maranhão e na Amazônia. A palavra "Tambor" deriva da importância do instrumento nos seus rituais. Já "Mina" vem. do negro da Costa de Mina, denomi­nação dada aos escravos procedentes da "costa situada à leste do Castelo de São Jorge de Mina", conhecidos principalmente como negros mina-jejes e mina-nagôs.
Xambá
Atualmente, embora pouco cultuada, essa Nação ainda vive ativa na região de Olinda, no Estado de Pernambuco.
Omolocô
Difundido pelo Tata Ti Inkice Tancredo da Silva Pinto, é parecido com o Candomblé tradicional, mas com rituais próprios. Com base nos Orixás, tem feitura de santo, sacrifício animal e camarinha (roncá), porém também tem a incorpo­ração de espíritos de caboclos, pretos-velhos e outras entida­des da Umbanda tradicional. Alguns o classificam como Um, banda Primitiva ou de Nação.
O Atabaque
Constitui-se de um tambor cilíndrico, ligeiramente ctmico e comprido, onde apenas a abertura maior é coberta por couro animal (de bode, carneiro ou boi). Instrumento musical de percussão que pode ser tocado somente com as mãos ou ainda com baquetas (varinhas) espe­ciais feitas de galhos de goiabeiras ou araçazeiros, chamadas aguiclavis.

Seu nome tem origem árabe, at-tabag, que significa "prato". Descendentes africanos informam que os primeiros atabaques eram feitos de cerâmica. Depois passaram a usar troncos ocos de coqueiros e palmeiras, e só após algum tempo vieram a construí-Ios com a madeira da gameleira (árvore sagrada do Candomblé).

Pelos materiais utilizados em sua confecção, podemos notar sua importância nas religiões afro-brasileiras, pois temos, na madeira, o Axé de Xangô, nos aros de metal, a força de Ogum e Exu, e na pele de origem animal, a influência do Orixá caçador, Senhor Oxóssi.
Denominação e utilização dos atabaques
São classificados pelo tamanho, chamando-se Run, Rumpi e Lé. Existe também o Contra-Run, porém, esse é pouco utilizado:

Run: o maior deles, de tom grave. Seu nome significa, em iorubá, voz (ohLm) Ol1 rugido (hÜn).

Rumpí: menor que o Run e maior que o Lé, de tom mediano. O nome, também em iorubá, tem o "hLm" (rugido) mais o "pi" (imediatamente), ou seja, indica a sua posição na orquestra de atabaques.

Lé: é o menor do trio e tem o som mais agudo. O nome n8 língua Ewe faz alusão ao seu tamanho, pois significa j)cqucno (lee).


Nos terreiros, em especial no Candomblé, o Run é res­ponsável pelo solo musical e variações melódicas. O Rumpi e o Lé possuem a função de dar o suporte musical e a manu­tenção constante do ritmo. Na Umbanda, nem sempre isso ocorre, pois normalmente os atabaques são tocados ao mesmo tempo, de forma muito parecida pelos instrumentistas, mudando, às vezes, de pessoa para pessoa, a forma de fazê-Io e 8 ordem das passagens (repiques) durante o toque, com igual êxito junto às divindades.

Os atab8ques, também chamados de Uus, Angombas ou Engomas na Nação Angola, como instrumentos sagrados que são, não devem sair do recinto do terreiro a menos que seja para uma obrigação religiosa, como, por exemplo, os trabalhos nas matas, nas praias e nas cachoeiras, ou, ainda, por algo que faça parte da tradiç80, como 8S visit8s entre tendas conhecidas. T8mbém não devem ser percutidos por pessoas n80 preparadas para esse fim, pois isso poderia acarretar numa "quebra de energias" existentes no instrumento ou ainda na transmiss80 de vibr8ções que n80 seri8ln benéficas à pessoa despreparada seu som é condutor do Axé do Orixá. A vibração do couro e da madeira interagindo geram forças capazes de rela­cionar-nos diretamente com os mais altos (ou baixos) campos vibratórios, de acordo com a necessidade ou vontade daqueles que os fazem soar.

A afinação destes tambores tem como aspecto primor­

dial: a diferença de tonalidades entre eles, vindo da grave (mais baixa) à aguda (mais alta). Para um bom equilíbrio, é importante que haja harmonia sonora, ajustando-os de acor­do com as exigências da acustica local.


Instrumentos Auxiliares
Adjá: é uma sineta de metal, usada em especial nos Candomblés e nos Xangôs (Recife) de origem iorubá, cuja finalidade é chamar os filhos-de-santo para reverenciar os Orixás.
Agogô: significa sino em iorubá. É formado por um;) campânula simples ou dupla de ferro, dotada de cabo, tacada por uma baqueta de madeira ou ferro. Existem também os de três ou quatro campânulas. O ritmo padrão normalmente é mantido, mas improvisações de variações podem ocorrer de acordo com os outros instrumentos.
Campa: sineta. Em alguns casos, é confundida com o adjá.
Ganzá: chocalho elaborado por um pequeno tubo fechado com sementes em seu interior. Também conhecido como ame/é. Existem outros formados por pequenos cestos entrelaçados, feitos à mão, em cujo interior trazem areia ou pequenas pedras.
Caxixi: chocalho composto de fios de junco trançados com sementes ou conchas em seu interior, cujo fundo é feito de couro ou por um pedaço de cabaça.
Afoxé: é constituído por unia cabaça redonda que se afunila para formar o cabo. Tem contas de plástico trançadas em sua volta amarradas por fios.
Xequerê: também feito por uma cabaça, porém maior que o afoxé, daí transmitir um som mais forte, sendo que o lado maior da cabaça produz um tom grave. Posso citar três maneiras de tocar esse instrumento (assim como os afoxés): segurar a cabaça reta e sacudi-Ia para frente e para trás, o que produzirá sons agudos e curtos; com o cabo em uma mão, girá-Ia, e, com a outra, pressionar as contas, friccionará as mesmas contra o corpo da cabaça; ou ainda, sacudir a cabaça e tocá-Ia com a outra mão no corpo do instrumento.
Na orquestra ritualística, ainda podem ser encontrados o pandeiro, o berimbau e o reco-reco (estes praticamente não são utilizados).

Devo lembrar que tudo o que for usado nos rituais deve, primeiramente, ser preparado e firmado para que possa real­mente ter sua força divina ativada. Qualquer instrumento (inclusive os auxiliares) sem o devido preparo ministrado dentro do ritual do Candomblé, ou por uma Entidade na Umbanda, não passa de um simples instrumento musical como muitos encontrados em bandas, orquestras, rodas de capoeira e grupos de afoxé.


Os Ogãs
Os ogãs têm um cargo hierárquico de alto escalão den­tro de um terreiro, pois estão logo abaixo dos sacerdotes prin­cipais (Babalaô, Babá, Padrinho, Madrinha ou dirigente espi­ritual, bem como ao Pai ou Mãe-Pequena), sendo assim, por excelência, autoridades na casa, fazendo, de certa forma, parte do corpo sacerdotal.

Não é qualquer um que pode ser Ogã. Na Umbanda, normalmente são indicados pelas Entidades. No Candomblé, o Orixá é quem o indica, ou num termo mais utilizado, o Icvanta, passando esse a ser chamado de Ogc1 Ajxmtado ou SuslJcmo. Sacerdotes de ambas as religiões, através da intuição, também podem determinar se uma pessoa será Ogã.

Os Ogãs também são elementos de extrema impor­tância e confiança do líder espiritual. Possuem a capacidade de ativar energias, sendo então muito importantes para a força vibratória do terreiro, pois devem ser conhecedores de rezas e fundamentos de cada Orixá, além de saber a hora exata de entoar cada canto e toque, de acordo com a neces­sidade do trabalho.

Sacerdotes especialistas no louvor aos Orixás, guias e mentores, são responsáveis também pela alegria e vibração positiva do terreiro.

A Umbanda possui ensinamentos e fundamentos espe­cíficos para a formação e o fortalecimento dos Ogãs, confir­mando assim o que Deus já consagrou, muito embora perce­bamos que, diferentemente do Candomblé, talvez por falta de conhecimento dos adeptos ou até mesmo do dirigente, em algumas casas, seu cargo tem um sentido de nlenor valor em relação aos demais membros da comunidade, o que não é verdade. Como dito anteriormente, são sacerdotes e assim devem ser tratados.

Existem diferentes denominações para esses "esco­lhidos" do astral, como Ogãs-de-couro ou instrumentistas, Ogãs-de-canto e Ogãs honoríficos.

No Candomblé, onde o cargo pertence somente a ini­ciados do sexo masculino, ainda encontraremos o Ogã-Axo­gwn ou Mao-elc-faca, que é o responsável pelos sacrifícios dos animais oferecidos 80S Orixás, Oga-ele-Ofá ou Mc1o-dc­Ofá (aquele que colhe as ervas para os rituais sagrados, nor­malmente são ligados ao Orixá Ossaim), Ogc1 Lcjo e Lere (res­ponsáveis por uma parte do "padê") e Ogã-dc-cntrega (leva as oferendas nos locais de assentamentos determinados pelos Orixás).
Títulos e Cargos dos Ogãs
Mesmo entre os Ogãs, existem denominações próprias de acordo com a função de cada um no terreiro, muitas vezes determinada pelo tempo de iniciação, ou, ainda, por ordem do mentor espiritual. São elas;

Ogã Alabê (ou Alabé): é o comandante dos Ogãs, responsável direto pelos atabaques e instrumentos auxiliares dentro da casa. Na Umbanda, normalmente é escolhido pelo guia chefe da tenda para essa função. Na hierarquia, é o ter­ceiro sacerdote, ficando diretamente abaixo dos dirigentes.

Deve ser grande conhecedor da religião, suas ações e mirongas, além de também saber tocar todos os instrumentos musicais consagrados para os diversos rituais do terreiro.

Tem o dever de ensinar os Ogãs mais novos os toques e cânticos apropriados a cada sessão. O termo deriva do iorubá e significa ala (dono) agbe (tambor), ou seja, "dono dos tam­bores", Algumas casas subdividem esse cargo em duas catego­rias: Otun,Alabê (mais velho em iniciação e conhecimento) e o Ossi,Alabê (mais jovem), sendo que essa disposição só pode ser alterada pela morte de um dos representantes ou através da interseção direta do guia chefe do terreiro (ou do guia responsável pelos Ogãs).

O Alabê deve conhecer a magia dos pontos cantados, além dos toques corretos, sabendo utilizá-Ias no momento mais apropriado. Normalmente os Alabês possuem a facili­dade de receber intuitivamente várias cantigas que deverão ser adotadas dentro das necessidades dos trabalhos espirituais.

A ele cabe a responsabilidade de preparar os instru­mentos antes do início dos trabalhos religiosos, bem como o de fazer certas obrigações de reenergização dos mesmos, sendo que algumas delas são feitas em conjunto com os outros Ogãs. Em muitos terreiros, o Alabê deve tocar o Run; porém essa não é uma Lei dentro do ritual umbandista. Se um Ogã que integra o terreiro for destinado à função de Alabê e já estiver acostumado a outro atabaque (Rumpí ou Lé), não será necessário proceder a troca de instrumento pelo fato de adquirir a função de chefia entre os Ogãs da tenda. Na Nação Jeje o chefe dos Ogãs chama-se Pegigã (Se­nhor que zela pelo Altar Sagrado), e na Nação Angola, Tata.

Ogã Calofé (ou Kolofé): nome dado ao Ogã tocador de atabaques. Deve conhecer os toques e cânticos utilizados nos trabalhos, sua forma correta de aplicação e, também, dentro do possível, saber tocar os instrumentos auxiliares e cantar os pontos de acordo com as necessidades do terreiro. Na hierarquia, está logo abaixo do Alabê e, na sua au­sência, atua como seu substituto direto. Na Nação Angola é denominado Xincarangoma e na Jeje como Runtó. Os Calofés são muito importantes para o terreiro, pois fazem

tempo de iniciação de cada Ogã, ou, ainda, o tempo na casa.

Ogã Berê: em fase de iniciação e aprendizado. Vai, aos poucos, dentro de um certo período e de acordo com a confiança conquistada junto ao corpo de Ogãs, em especial ao Alabê, adquirindo conhecimentos como os toques, cantos, fundamentos e obrigaçÔes. Hierarquicamente está abaixo dos Calofés, ao lado dos Ogãs auxiliares.

Ogãs auxiliares: são aqueles que tocam os outros ins­trumentos que acompanham os atabaques, como o ganzá e o agogô. Devem ser tão responsáveis quanto os Ogãs-de-couro, pois seus instrumentos também são preparado~ e, por isso, tão consagrados quanto os tambores.

Ogã-de-canto (ou Curimbeiro): é o responsável pelos pontos cantados no terreiro. Deve ser um exímio conhecedor da magia dos pontos e seu uso correto, pois um ponto puxado de forma errada poderá acarretar sérios problemas num traba­lho espiritual. Necessariamente não precisa saber tocar instru­mento algum. Um Ogã de canto bem preparado, que conhece aquilo que faz, está num patamar hierárquico equivalente ao dos Ogãs Calofés.

Ogã honorífico: este título pode ser concedido a uma pessoa que não participe efetivamente da casa, mas que tenha importância na sociedade como um todo. É um cargo que não implica em nenhum tipo de iniciação.

No Candomblé e demais cultos de origem africana, onde a utilização de sacrifício animal faz parte da maioria das obrigações, há um indivíduo que tem um papel funda­mental: o Ogã,Axogum, popularmente conhecido como "Mão-de-faca".

Seu conhecimento é de extrema importância, pois deve saber qual o animal a ser sacrificado para cada Orixá, além de algumas das suas características, que são muitas vezes indis­pensáveis, como: a cor, o sexo, o número de patas, e assim por diante. A forma correta em que processa a matança tam­bém deve ser levada em conta, pois se o Orixá recusar a oferta, poderá cobrá-Ia em dobro.

Para cumprir com essa missão, antes de tudo deverá receber o lJreceito ele "Meio-ele-faca", dentro de uma cerimônia especial.

É imprescindível que fique claro que o Axogum é um cargo que não deve fazer parte na hierarquia de Umbanda, até porque essa não é adepta ao sacrifício de animais, utili­zando, em suas ofertas, outro tipo de matéria como, por exem­plo, flores e fru tos.


Importante: a ascensão dos Ogãs dependerá principal­mente do seu conhecimento relacionado ao ritual e à liturgia umbandista (ou dos cultos afros). O mais importante é o Ogã ter amor, dedicação e buscar sempre o conhecimento. Lembre-se de que, humildemente, é o Ogã que deve pedir aos Orixás para que escutem nosso chamado e que tenham a misericórdia de respondê-1o, pois nada é mais prazeroso do que a vinda dos Orixás, guias e mentores à Terra para nos abençoar, trazendo ° axé e ° conforto de que tanto precisamos.
Ogã e Sua Mediunidade
Eis uma frase muito comum nos terreiros: "Não sou médium, sou Ogã", ou então... "Ele não é médium, é só Ogã".

Pois bem, aqueles que assim pensam, com certeza fica­rão surpresos, pois posso afirmar que o Ogã tem mediunidade. O que lhe difere da maioria dos médiuns é que a mediunidade se manifesta através do "Dom Musical".

Quem nunca viu uma criança que, mesmo sem nunca ter assistido a uma aula de mÚsica ou percussão, sabe tocar vários ritmos, dos mais variados encontrados num terreiro, mesmo que inconscientemente ela não saiba o que está fazen­do? Este é um fato até certo ponto comum entre famílias que são da religião.

Classificada como Mediunidade de Lucidez Artística~ Musicista, age em especial nas mãos e braços (chakra br8­Cluial) em Ogãs-de-couro, ou nas pregas vocais (chakra larín­geo) nos Ogãs-de-canto. Quando preparadas pelas Entidades, est8s regiões são irradi8das e iluminadas pelas forças astrais.

Como qualquer médium, veio a este orbe com uma missão predeterminad8 pelas forças superiores (Senhores do Karma), para que nesta encarnação pudesse auxiliar no Exér­cito de Oxalá, nosso Mestre Jesus Cristo, e dentro da magni­tude de Deus, foi-lhe indicada a função de tocar e cantar para os Orixás Sagrados e para as Entidades que auxiliam na Umbanda.

Todo Ogã tem a obrigação de cuidar e de buscar o apri­moramento de seu dom, que é muito importante dentro de um terreiro, pois é ele o responsável pelo toque ou canto que vibrará na Aruanda, como um elo de ligação entre os mem­bros da gira e as Entidades de Luz.

Seu desenvolvimento e crescimento mediÚnico depen­derão exclusivamente de si próprio, pela disciplina, força de vontade, fé e respeito par8 com as obrigações. Dessa forma, poderá, com o tempo, obter maior facilidade no aprendizado de novos toques, bem como terá aumentada a sua recepção intuitiva, usada pelos Guias na transmissão de novos pontos cantados a serem adotados nos trabalhos espirituais. Assim, já deixo claro que os Ogãs também podem manifestar mais de um tipo de mediunidade.

No Candomblé, nenhum Ogã pode manifestar Orixá, ou, numa linguagem mais comum ao povo-de-santo, não "bola no santo", bem como as Ekédis, que são as mulheres que cuidam do terreiro e de tudo relacionado aos Orixás. Se, por acaso, passam a desenvolver esta comunicação, mudam de cargo na hierarquia. Esta talvez seja a principal diferença entre o Ogã de Umbanda e o de Candomblé.

Na Umbanda, de certa forma, é natural encontrarmos Ogãs que, além do dom musical, possuem a medi unidade de incorporação. Lógico que fazem parte de uma minoria, porém é possível, pois as pessoas podem desenvolver vários pontos receptivos ao mundo da espiritualidade (chakras), muito em­bora, normalmente, desenvolvam um tipo de mediunidade mais marcante e outras de menor intensidade, além de algu­mas m8nifestações mediÚnicas que podem ocorrer esporadicamente.

É importante salientar que, quando começam a sentir a irradiação de seus Guias, devem pedir autorização para dei­xar o atabaque e incorporar-se aos outros membros da gira, prevenindo assim acidentes ou outros problemas durante a sessão.

Muitas vezes, este pode ser o início de uma nova missão enviada do Astral, pois não é nada incomum encontrarmos dirigentes que um dia foram Ogãs-de-terreiro.

Outros tipos de mediunidade também podem se desen­volver (como de cura, intuição, vidência etc.) , pois para Deus tudo é possível, mas é bom saber que não é a quantidade de dons que a pessoa possui que a fará melhor ou pior do que as outras. O mais importante é cumprir seu dever da forma mais correta possível, com amor no coração. Às vezes, um médium que ainda não descobriu o tipo de mediunidade que vibra com maior intensidade sobre si tem mais força que aquele cheio de dons, que não sabe usá-Ios, ou pior ainda, que não tem disciplina ou respeito por seus deveres espirituais.

Todo médium tem sua utilidade dentro do terreiro, desde os dirigentes, os cambonos e médiuns de incorporação aos outros auxiliares que ajudam na curimba ou ainda segu­rando alguém que poderia cair. Assim digo aos Ogãs para que levantem suas mãos aos céus e agradeçam a Zambi pelo dom divino que têm, pois é através de suas mãos e canto que os sons sagrados fluem na Aruanda dos Orixás.
Iniciação do Ogã
Existe uma grande diferença entre a iniciação do Can­domblé e da Umbanda. Ambas são cerimônias muito especiais dentro do terreiro, com suas magias e mirongas, próprias de cada segmento.

Os rituais podem mudar de terreiro para terreiro, pois sabemos que a Umbanda não é uma religião que segue uma codificação, um modo de agir igual em todas as tendas, até porque trabalham com mentores que possuem conheci­mentos e fundamentos diferente.


Comportamento e Disciplina
Conforme já foi citado, o Ogã é um médium com cargo sacerdotal dentro do ritual umbandista. Sendo assim, qual deve ser a sua postura?

Sua conduta precisa pautar-se na lisura e na retidão. Lógico que os Ogãs, bem como todos os outros médiuns, possuem uma vida própria e têm o direito de aproveitar as coisas boas que ela lhes oferece. Porém é sempre bom lembrar que, certas atitudes e principalmente, alguns ambientes, não são condizentes com pessoas que possuem uma abertura à recepção e transmissão de energias.

Médiuns de modo geral obrigam-se a evitar o uso cons­tante de palavras de baixo calão, bem como freqÜentar locais como bares, casas de jogo, prostíbulos, pontos de drogas e tantos outros lugares afins, já que, neles, as vibrações negati­vas são constantes devido à presença de espíritos atrasados, verdadeiros "vampiros astrais" que estarão sempre prontos a sorver o máximo de energia dos que lá estiverem.

Um Ogã que frequenta esses locais "pesados" poderá trazer uma carga negativa para dentro do terreiro. Sem contar o perigo que seria ele tocar o atabaque, pois suas mãos, que são os elos de ligação com o Mundo Espiritual, poderiam irradiar energias desastrosas, abrindo uma entrada para seres dos mais baixos Planos dos Umbrais. Dentro da casa, ele deve dar o bom exemplo disciplinar. Como certas obrigações devem ser feitas antes do início

dos trabalhos, é aconselhável que, dentro do possível, ele também se antecipe à chegada dos outros médiuns, para que haja total concentração e tranquilidade neste momento tão importante ao bom andamento da sessão. O inverso deve ocorrer nas obrigações realizadas depois do ritual litúrgico, onde os outros médiuns saem do recinto sagrado para que os Ogãs possam ficar a sÓs. Toda obrigação deve ser realizada sem pressa, com muito cuidado e respeito.

Nas dependências da engira, o Ogã deve estar concen­trado naquilo que faz, evitando conversas alheias aos traba­lhos realizados.

O respeito às Entidades é primordial. Quando uma delas estiver passando uma mensagem aos membros da casa, os atabaques devem ser silenciados, de modo que se facilite a compreensão de todos. Os Guias têm muito a nos ensinar; por isso, ouça e aprenda.

Deve ser PROIBIDO o uso dos couros por pessoas embriagadas, pois estas não estarão aptas a uma boa concen­tração, sem contar que, muitas vezes, sequer vão conseguir tocar o ritmo correto.

Também não deve ser permitido que os Ogãs toquem tambores de outros terreiros sem uma autorização prévia do Mentor da casa, do Guia responsável por eles, ou ainda do Alabê e do dirigente espiritual. Sair por aí tocando um couro aqui e outro ali, poderá acarretar num grande problema, pois, como já foi falado, cada terreiro tem seu fundamento e sua forma de trabalhar. Não custa nada avisar previamente da pretensa visita e solicitar ao seu responsável que lhe explique quais medidas devem ser tomadas para sua proteção antes e depois de tocar em ou tro terreiro. Agindo de acordo com as instruções recebidas, aí sim estará apto a fazer seu toque de forma que não traga quizilas nem para si próprio e nem para o instrumento de sua casa. Se você já conhece a casa visitada e sabe que se trata de um lugar sério, onde não estaria cor­rendo nenhum risco de envolvimento com cargas negativas, e se não houver jeito de permanecer como um mero expec­tador, caso seja convidado a assumir um dos instrumentos, solicite ao seu Mentor (em pensamento) para que lhe dê pro­teção e depois faça um banho de descarrego para se livrar de possíveis cargas ou miasmas que possam vir a se impregnar em sua aura.

A hierarquia funcional deve ser respeitada, sendo que, entre aqueles que possuem o mesmo cargo, o mais novo na função deverá sempre respeitar e acatar as orientações do mais antigo, pois ele já reÚne maior experiência e se encontra melhor adaptado e integrado aos fundamentos do terreiro.

Além do regulamento interno, normalmente encon­trado nas tendas e que deve ser obedecido, pode também existir um outro exclusivo para o corpo de Ogãs. Este deve ser elaborado pelo Alabê, incluindo das mais simples obriga­ções até deveres quanto à manutenção dos instrumentos.
Saudações aos Orixás e Linhas
É dever de todo Ogã saber as saudações corretas aos Orixás e outras Linhas que atuam na Umbanda. Elas podem diferenciar de terreiro para terreiro porque existe mais de lima para cada Corrente, de forma específica.

Segue abaixo a lista dos Orixás e povos com suas respec­tivas saudações:


. ZAMBI: Zambi-iê!

. rUPA: Tupã-iê!

. OXALÁ: Exê-Babá!, Epa-Babá!, Exê-uê-Babá!

. OXÓSSI: Okê-Caboclo!, Okê-Arô!, Okê-Bambi-o-clime!,

Okê-Odé!

. YORIMÁ ou IOFÁ: Adorei as Almas!, É pras Almas! .

OGUM: Ogunhê!, Ogunhê meu Pai!, Ogum-iê!, Batacorê

(Patacori) Ogum!

. IEMANJÁ: Odô-si<í!, Odô-sia-bá!, Odô-iá!, Odô-fê-iabá! .

OXUM: AieieÔ Mamãe Oxum!, Oraie-iê-ô!

. IANSÃ: Eparrei!, Eparrei-Oiá!

. NANÃ: Saluba Nanã!

. XANGÔ: Caô-Cabiecilê!, Kawo-Kabyecilé!

. IBE]I ou YORÍ: Amin-Ibejí!, Ori-Ibejí!, Amim-Bejada!,

Salve os Anjos!

. OBALUAÊ ou OMULU: Atotô!

. BOIADEIROS: ]etruá!, Xetuá!, Xetruá!, Xêto-Maromba-Xêto! . BAIANOS: Keodé a Bahia!, É pra Bahia!, Odê-o-dé Bahia! . MARINHEIROS: Mari-Babá!

. ORIENTAIS: Ori-Babá!

. ALMAS: Adorei as Almas!, É pras Almas!

. EXÚ: Laroiê!, Exú é Mojubá! Exu-ê!

. POMBA-GIRA: Laroiê Bombo-Gira!, Tala Talaia!
Outros Orixás
. OSSAIM: Eu-eô!

. OXUMARÉ: Arô-Boboi!, Arô-Moboi!, Aô-Boboi! . TEMPO: Tempo-iô!

. OBÁ: Obá-xireê!

. LOGUNEDÉ: Logun!, Ou-oriki!


O termo SARA VÁ, ou SALVE, poderá substituir todas as saudações, e ainda deve ser usado quando for saudar a Um­banda, o Divino Espírito Santo, a abertura e encerramento dos trabalhos etc. Assim, quando houver necessidade de saudar alguém, algum ritual ou uma linha qualquer, e não se souber a forma correta, deve-se fazer uso desses termos que estarão plenamente de acordo com a exigência, pois uma saudação fun­ciona como uma espécie de mantra sagrado que nos comunica diretamente com o Astral; daí a importância de não inven­tarmos termos e louvações. Sendo o SARA VÁ ou SALVE genéricos, vibram direto na Aruanda, permitindo que as Enti­dades das mais diversas linhas possam ouvir o nosso chamado.
Pontos Cantados
Tudo no Universo vibra e evidentemente possui um som próprio.

Verdadeiros mantras, os pontos cantados põem em movimento ondas vibratórias, produzindo assim uma maior afinidade entre os planos da matéria e do espírito.

Através de pesquisas científicas, já ficou provado que os sons possuem uma freqÜência peculiar, têm cor e emitem, atraem ou dissipam certas energias.

Assim, podemos afirmar que os pontos ou "curimb:1s" são verdadeiras preces cantadas que mostram a fé e a magia da Umbamb, bem como despertam a harmonia vibratória de uma gira, dinamizando forças da natureza e fazendo-nos entrar em contato com as Forças Celestiais que nos regem. São, sem nenhuma dúvida, importantíssimos para a harmoni­zação e a eficácia dos trabalhos dentro do terreiro.

Esses cânticos não devem ser entoados apenas da boca pra fora, mas sim, com a "voz do coração". É preciso, antes de tudo, sentir em sua Alma aquilo que está sendo entoado.

Tamanha é a importância dos pontos cantados que encontramos, por aÍ, diversos templos umbandistas que não adotam o uso de instrumentos, mas apelam para as batidas de palmas a fim de facilitar sua cadência. Outros nem isso adotam, mas todos, sem exceção, utilizam-se destas cantigas e suas irradiações, às vezes entoando-os num ritmo diferente, mas com a fé necessária para vibrar a energia cósmica por eles gerada.

Quando uma Entidade ensina um ponto aos membros do terreiro, este é chamado de raiz, e não deve de forma alguma ser modificado, pois possui uma ligação direta com o Guia que o passou. Aliás, sequer conseguimos nos lembrar de muitos desses cânticos depois de tenninados os trabalhos espirituais, pois foram entoados para um motivo em especial, uma mironga ou, ainda, uma louvação da Entidade aos Ori­xás. Para os demais que nos são ensinados, é nosso dever usá-Ias da forma mais correta possível. Às vezes, esse ponto de raiz é transmitido por intuição e posteriormente confir­mado pelo Guia responsável por sua inspiração ou ainda pelo Mentor da casa.

Quanto aos pontos cantados, cuja autoria pertence à algu­ma pessoa ligada à Umbanda, e que têm a finalidade de louvar ou ajudar a casa, esses são aceitos pelo Plano Espiritual, desde que se tenha tido o cuidado, bom senso e fé em sua elaboração.

Em certos lugares, infelizmente, deparamo-nos com uma variedade de "curimbas" sem nexo, que chegam a assus­tar, tamanha a falta de sentido em suas mensagens moldadas, com frases ilógicas, sem o menor fundamento espiritual, ridi­cularizando a própria religião. Isso sem contar com terreiros que resolvem cantar mÚsicas populares como se fossem pontos sagrados (excetuando-se, naturalmente, os pontos de terreiro que posteriormente foram gravados por cantores profissionais; obviamente estes podem e muitas vezes devem ser usados dentro do ritual).

.Existem curimbas com as mais diversas finalidades: de abertura e encerramento dos trabalhos, para defumação, para bater cabeça (saudar o altar), para louvar linhas e Orixás, para quebrar demanda, para cruzamento de um médium na Lei-de-Pemba, para coroação (confirmàção), para cura, para o ritual do Amací (banho de ervas para revitalização da mediunidade) e tantos outros conforme for a necessidade.

Assim, segue uma breve explicação de alguns tipos de pontos usados durante uma sessão umbandista:
. Pontos de louvação: cantados em homenagem aos Orixás, Guias e Mentores espirituais.
. Pontos de saudação: para homenagear a religião, o Pegí (Altar, Congá) ou ainda em homenagem aos sacerdotes, Ogãs ou outros convidados do terreiro.
. Pontos de firmeza: solicitam as energias provenientes do Astral Superior.
. Pontos de descarrego: cantados durante as defu­mações, os passes, os descarregos da casa ou ainda nas limpezas fluídicas através de trabalho com fundanga (pólvora). Este último utilizado para quebra de energias negativas ou a destruição de larvas astrais que às vezes se impregnam no corpo áurico de determinados in­divíduos.
. Pontos de chamada: entoados para a evocação das Enti­dades de Luz que deverão se manifestar nos trabalhos espi­rituais por meio de incorporações mediúnicas, ou simples­mente pelo espargimento de suas energias sobre os campos vibratórios dos terreiros.
. Pontos de demanda: usados para "quebrar" uma força negativa que queira agir sobre o terreiro. Muitos desses pontos são de raiz, pois as Entidades sabem, mais do que ninguém, o que é necessário para se anular as ener­gias do mal.
. Ponto sotaque: é um desafio, ou um alerta que indica que alguém (encarnado ou não) mal-intencionado está presente nos trabalhos (pode ser um visitante ou, pior ainda, um adepto da casa). Muitos destes pontos, de forma indireta (ou não), deixam claro que a pessoa (ou espírito maligno) deve se retirar do local.
. Pontos cruzados: são cantigas que irradiam energias de duas ou mais linhas diferentes ao mesmo tempo.
. Pontos de subida: entoados para que as entidades desin­corporem de seus médiuns, indo ao Oló (embora), ou seja, fazendo seu Achirê de forma harmoniosa.
. Pontos de encerramento: cantados no final da sessão.
. Pontos especiais: para visitar uma casa, para agradecer uma visita, para um Amací etc.
. Cantigas das folhas: objetivam agilizar o axé contido nas espécies vegetais. Mais usado no Candomblé.
Quanto aos pontos do povo da esquerda, principal­mente quando atuamos com Exus de Lei, é importante evitar aqueles que têm muito mais o objetivo de impressionar ou assustar o público do que uma real função espiritual. Aliás, muitas destas cantigas, ao invés de vibrarem boas energias, contribuem para a atração de impurezas astrais, chamandoos Q uiÚmbas (espíritos malévolos) para o ambiente do terreiro e n50 verdadeiros Exus, que ali estariam se os pontos adequados fossem entoados. Quando pronunciamos algo que fala de "forças do Inferno, morto que geme, Exu que mata" etc., ou ainda utilizamos palavras de baixo calão ou duplo sentido voltado à sexualidade, não podemos trazer boas energias. Cabe especialmente ao Og5 usar a curimba correta para que se alcance a perfeita firmeza dos trabalhos ao qual estêí se propondo.

De acordo com as linhas, as freqÜências sonoras mudam nÓ plano espiritual, conforme destacado abaixo:


. Linha de Oxalá: predispõem à paz e coisas do espírito. . Linha de Oxóssi: harmonia da natureza.

. Linha de Ogum: vibrações fortes.

. Linha de Yorimá: dolentes, às vezes melancólicos.

. Linha de XangÔ: graves e baixos.

. Linha de Iemanjá: suaves, renovando o emocional.

. Linha de Ibejís: alegres, predispõem ao bom ânimo.


Na Umbanda, os pontos são cantados em português, ou numa mescla deste com dialetos indígenas ou africanos. Já no Candomblé são pronunciados de acordo com a Nação base do Barracão, sendo as mais conhecidas a do Ketu ou a de Angola, ressalvando que, nesta Última, encontramos tam­bém alguns cânticos entoados na língua portuguesa, em espe­cial nas chamadas Roças de Caboclos, onde trabalham os Caboclos Boiadeiros e alguns Caboclos de Oxóssi.

No ritual do Candomblé, para cada momento ou ritual existe uma cantiga correspondente. Aí então teremos pontos para Padê de Exu, para raspagem de cabeça de uma iaô, para a catulagem, para os sacrifícios, para a saída da camarinha, e para muitos outros tantos cultos ou tradições existentes nessas organizações religiosas.


Espero ter deixado claro que o ponto cantado é sagrado e deve ser usado no momento correto, transmitindo as energias certas de acordo com o motivo do trabalho e que se for entoado na hora errada poderá acarretar sérios problemas para um bom desempenho da sessão religiosa.
Toques e Ritmos
Existe uma grande variedade rítmica encontrada num terreiro. Na Umbanda e no Candomblé de Angola os ataba­ques são tocados somente com as mãos, enquanto que no Candomblé Ketu em muitos ritmos utiliza-se o aguidavi, que é uma baqueta (varinha) especial para o uso litÚrgico.

Os atabaques e os instrumentos auxiliares devem estar integrados, na mais perfeita sincronia musical.

Os Ogãs obrigam-se a aprender o maior número possí­vel de ritmos, facilitando a harmonização entre canto e toque, pois é terrível ouvirmos uma melodia em que as palavras não se ajustam corretamente aos sons produzidos pelos instru­mentos, sem contar que as vibrações a que elas se destinam sempre acabam sofrendo alterações que redundam em sérios problemas na ligação com os Seres de Luz. Para evitar esse tipo de contratempo, um bom conselho é o treinamento, ou seja, o ensaio habitual entre aqueles que fazem parte da curim­ba da casa.

O som produzido pelo bater das palmas também ajuda na marcação e produz uma forte irradiação no local. Assim, o bom senso determina que os integrantes da gira aprendam a acompanhar cada toque do ogã, criando uma harmonia geral entre canto, instrumentos e palmas, completando o conjunto de sons que vibram as forças dos Orixás.


Cobertura dos Atabaques
Quando não estão sendo empregados nos cultos, os tambores devem estar cobertos pelo Dossel de Oxalá. Esse tecido deve ser na cor branca, pois é a que traz as energias divinas representativas de Oxalá, o Mestre Supremo.

O ato de cobri-Ios é, acima de tudo, um sinal de respeito aos instrumentos de maior vibração do terreiro, que só devem ser descobertos no momento em que for iniciado seu uso no ritual litÚrgico ou em certas obrigações.

Um atabaque danificado (com a pele rasgada, por exemplo), também deve ficar coberto até que o problema seja sanado.

Antes de abrir qualquer couro, os Ogãs devem ter a confirmação de que a firmeza já foi preparada pelo Alabê (ou outra pessoa au torizada).

O Dossel pode ficar junto ao tambor do Ogã-chefe, ou ainda ser guardado cuidadosamente durante todo o período da sessão.

Ao término dos trabalhos, os instrumentos voltam a ser cobertos.


Cruzamento do Couro
Quando um Ogã for cruzado no terreiro e um ataba­que for a ele destinado, existirá, a partir daí, uma troca de energia entre ambos, ou seja, é como se um fosse uma extensão do outro.

Porém, isso não lhe dá o direito de chegar e ir tocando o tambor sem nenhuma preparação anterior. Em primeiro lugar, deverá estar limpo de corpo e mente para poder usar um instrumento sagrado. Depois, já caracterizado com sua roupa branca, deve, antes de tudo, dirigir-se ao Congá e bater cabeça, solicitando aos Orixás e em especial a Oxalá para que lhe dê muita força, permitindo assim que cumpra sua missão. Só então irá de encontro ao seu instrumento.


Guias e Colares

Como já sabemos, os instrumentos consagrados traba­lham numa troca constante de energias com o Astral. Porém, nem sempre apenas as boas vibrações recaem sobre eles.

Muitas vezes o tambor funciona como uma espécie de pára-raios, atraindo forças que certamente atrapalhariam o terreiro, e apesar de toda a preparação, firmeza e proteção que neles possam existir, ainda assim, seus operadores poderão sofrer certas influências.

E aí é que se verifica o verdadeiro sentido da necessi­dade das guias (colares). Assim como o dirigente espiritual tem uma guia especial, preparada de acordo com sua posição hierárquica, os Ogãs também deverão tê-Ias, devidamente firmadas e moldadas de forma a identificá-Ios conforme o grau ou função ocupados na casa.

Procure saber com seu Mentor Espiritual a maneira correta de preparar esses "fios-de-contas". Muitas vezes, quando os montamos tendo como material de preparo miçan­gas de cristal, louça ou simplesmente plásticas (estas últimas menos recomendáveis), a Guia de Ogã deverá ter as cores correspondentes aos Orixás que vibram nos três couros da casa. Por exemplo: se os tambores são dedicados a Oxalá, Ogum e Oxóssi, os colares terão contas brancas, vermelhas e verdes. Se forem de Oxalá, Xangô e Iemanjá, elas serão nas cores branca, marrom e azul, e assim de acordo com o funda­mento de cada couro.

Dê preferência aos produtos naturais (sementes, pedras, conchas); porém, na impossibilidade, não há nenhum proble­ma se você usar as miçangas, pois todas as guias deverão ser irradiadas e preparadas pelas Entidades antes de serem utili­zadas, caso contrário, terão o mesmo poder de uma bijuteria qualquer, ou seja, nenhum.


Manutenção dos Instrumentos
A boa conservação dos instrumentos sagrados de um terreiro, além de promover um melhor desempenho dos mes­mos, pode evitar custos indesejáveis, devido a peças danificadas. Para isso, é necessário que o Ogã tenha zelo e desejo em preservá­[os, através de ações muito simples, como as que seguem:
Atabaques
. Couro: para preservá-[o sempre seco, basta colocar o ataba­que sob a luz do Sol, pois o calor vai evaporar qualquer sinal de umidade, evitando assim a ação dos fungos. Nesse momento, se desejar amaciá-Ia, aplique uma pequena ca­mada de azeite-de-dendê, espalhando por toda a pele. Um detalhe importante é afrouxar o couro ao final dos trabalhos (principa[mente nos dias mais frios), pois a umidade, agindo no couro esticado, facilita o seu rompimento.
. Madeira: passar um produto que proteja a madeira da umi­ dade e da ação dos fungos.
. Tarraxas e tirantes: devem ser untados com óleo antifer­rugem. Quando apresentarem defeitos ou, ainda, se as roscas fiCarelTl "cegas", devem ser trocados com o lTláximo de urgência.
. Ganzás e agogô: por serem instrumentos metálicos, para uma boa conservação, devem ser pintados com tinta espe­cial, se possível com ação antiferrugem.
. Caxixi: para evitar fungos e insetos (cupins), coloque-o sob a luz solar e, se necessário, aplique um produto com ação inseticida.


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