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Jornal do Brasil

Rio de Janeiro

15 de maio de 1998

Nayse López



O RIO É DANÇA

Balé carioca ganha projeto que garante às companhias apoio financeiro, espaço e uma premiação criteriosa.

Mil novecentos e noventa e oito nem chegou ao meio e já é um ano histórico para a dança carioca porque foi anunciado ontem, numa entrevista da Secretária Municipal de Cultura, Helena Severo, o Projeto Rio Dança, um complexo de iniciativas estudadas em conjunto com o Comitê Carioca de Dança (um grupo de representantes da classe) aqui inclui, além dos apoios já dados a companhias de dança, um arquivo de imagens, um prêmio bem organizado e com critérios claros – raridade ao panorama brasileiro – e a perspectiva, até o fim do ano, ser definido um espaço dedicado à dança, onde companhias terão salas de ensaio, palcos e estrutura de pesquisa e trabalho. Para o Brasil, porque a política cultural municipal para a dança, que já era citada como sucesso em outros estados, agora é mesmo um modelo mais próximo dos centros mundiais do balé. Para completar a festa, os teatros da rede municipal vão receber, em junho e agosto, mais de 20 companhias cariocas, entre elas as de Lia Rodrigues e Paula Nestorov, no Circuito Rioarte de Dança.

“O Rio Dança não partiu de um gabinete. Foi discutido, proposto e formulado em conjunto com a própria classe. Isso é um avanço e vem confirmar que a dança está organizada, profissional e com muito público”, comemorou a produtora Gilda Almeida, articuladora do projeto. A mestra da dança carioca Angel Vianna elogiou. “É isso que deve ser. Nunca fomos assim tão unidos pela dança. Eu elogio este projeto de coração, porque é só com ele que eu trabalho”, disse Angel. “Tenho tranqüilidade de ter um projeto legítimo, proposto pelos próprios artistas e discutido com eles. O sucesso das companhias já apoiadas nestes últimos quatro anos nos dá a certeza de que estamos no caminho certo”, avaliou Helena Severo.

A emoção das dezenas de profissionais presentes ao encontro no Centro Cultural Hélio Oiticica já era grande quando Helena Severo, sem fazer suspense, avisou que, além das companhias de Lia Rodrigues, Regina Miranda, Rubens Barbot, Márcia Milhazes (em cartaz no CCBB, no Dança Brasil) e Carlota Portela, agora seriam também favorecidas com uma ajuda mensal as companhias de Paulo Caldas e João Saldanha.

O anúncio pegou de surpresa os próprios contemplados e uma salva de palmas e gritos irrompeu no salão. “Na hora fiquei pasmo. A gente tinha esperança de que o apoio da prefeitura fosse ampliado e algumas pessoas faziam torcida para nós, mas eu não sabia de nada”, disse João Saldanha, abraçado por seus bailarinos. “Na hora, só pensei em meses de continuidade de trabalho garantidos. Foi uma enorme sensação de alívio”, comemorou Paulo Caldas com a mulher e bailarina Maria Alice Poppe.



Com um crescimento de público maior do que qualquer outra arte na cidade, a dança hoje é certeza de casa cheia e a oferta de espetáculos de qualidade internacional é cada vez maior. O Dança Brasil, por exemplo, festival em seu segundo ano no Centro Cultural Banco do Brasil, lota todos os dias e tem uma programação marcada pelos novos talentos da coreografia carioca. Por lá já passaram várias companhias apoiadas pela prefeitura e os dois novos contemplados, Saldanha e Caldas. No segundo semestre, o Panorama RioArte de Dança deve consolidar o sucesso do ano passado, quando levou mais de 5 mil pessoas ao Carlos Gomes.

O Prêmio Rio Dança já começa a valer este ano e a premiação em sete categorias fixas, mais um prêmio especial, está marcada para dezembro. O Projeto Memória começa imediatamente, recolhendo acervo das companhias para catalogação e recuperação.



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