Jovens no Além Conteúdo Resumido



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Veja-se a propósito a crônica "As Horas", do livro "Lagartas e Libélulas" de Humberto de Campos – 4ª Edição – 1939 Livraria José Olímpio Editora.

O Senhor Abrahão abandonara praticamente as atividades na indústria e desconsolado fazia pouso constante no túmulo do filho, no Cemitério da 4.a Parada. Durante o dia, ia com a esposa, que o aguardava do lado de fora do jazigo, enquanto que ele, sorrateiramente tirava a pedra tumular e se deitava na gaveta imediatamente superior à que abrigava o caixão do filho.

À noite, com muita freqüência, alegando que iria até Sumaré, para supervisionar a fábrica de tecidos ali situada, deixava o lar às 19 horas e buscava o cemitério, onde, ludibriando o vigia, repetia a mesma lúgubre operação: retirava a pedra de cobertura, penetrava no jazigo e se deitava na gaveta vazia contígua à do filho. Assim permanecia madrugada a dentro, fazendo companhia para o filho, pois supunha que seu Wadyzinho tinha medo de dormir sozinho, naquela lápide fria...

Por duas vezes foi surpreendido pelo zelador do Cemitério que ao observar a fumaça saindo do túmulo foi verificar o que ocorria e estupefato viu o Senhor Abrahão recostado dentro do jazigo. A partir dessa noite, o pai do Wadyzinho, por precaução, não mais fumou no cemitério...

De outra feita, sendo novamente surpreendido teve de dar satisfações à Rádio-Patrulha chamada para atender a singular ocorrência.

As visitas continuavam, a tristeza pairava sobre o conjunto familiar e a filha Axima se desdobrava em cuidados para devolver aos pais a paz de espírito enterrada com o filho.

Amigos da família sugeriram a Axima que levasse os pais até Chico Xavier, o que, de princípio, Axima considerou difícil por serem os pais católicos, sem qualquer conhecimento de Espiritismo. Ocasionalmente, dois meses após a morte de Wadyzinho, Francisco Cândido Xavier visitou o Centro Espírita Perseverança, próximo à Água Rasa e dirigido pela Sra. Guiomar de Oliveira Albanese. Axima convidou o pai para conhecer o Chico, naquela oportunidade.

Os cumprimentos foram rápidos e superficiais, devido à multidão que se aglomerava na Casa.

Sensibilizado pela bondade de Francisco Cândido Xavier a irradiar-se de suas palavras atenciosas para com todos que o procuravam, o Senhor Wady se animou a ir até Uberaba e conversar com o médium, fazendo-o em novembro de 1973 - 6 meses após a desencarnação do filho. Impôs como condição aos familiares que ninguém se abrisse com o Chico, para que uma eventual revelação fosse realmente verdadeira.

Reunião de sexta-feira prestes a terminar, com o Chico Xavier atendendo a um grupo de pessoas que dele se despediam, participando dessa fila a família Abrahão que não tivera ainda a oportunidade de cumprimentá-lo. Súbito, Chico começa a falar em voz alta: - Axima, Axima, Axima!!!

Axima e os familiares se aproximaram do Chico, adiantando-se na fila e D. Jandira disse-Ihe:

- Sr. Francisco, Axima é minha filha. Viemos aqui porque perdi meu filho, ao que o Chico retrucou:

- Não, a senhora não perdeu o filho. Seu filho é um apóstolo de Jesus. Não disse mais nada, além de convidá-los para a reunião mediúnica da manhã seguinte.

E, na manhã seguinte, 24 de novembro de 1973, a família se completava com a volta do filho querido que escreveu pelas mãos de Francisco Cândido Xavier longa mensagem de reencontro, seis meses após sua morte.

Como já dissemos, o livro de páginas brancas que se abriu com o falecimento do jovem seria agora preenchido com as suas candentes palavras, voltando para o passado as páginas umedecidas pelas lágrimas da saudade.
1º Mensagem

24 novembro 1973

Meu pai, querida mãezinha. Não chorem mais, não morri como pensam.

O que sinto é a névoa das lágrimas com que me acompanham. Lembremo-nos. É muita atividade a desenvolver: - os outros, papai, pensemos nos outros. Procure com mamãe, auxiliar aos outros rapazes.

Não chorem mais, imploro. Ainda não pude acomodar-me com o trabalho aqui. Melhoro em Espírito, quanto ao ânimo de que preciso para seguir adiante, mas ouço as vozes de meus pais queridos chamando-me em pranto...

Não queiram morrer para ver-me, encontrar-me. Esperar os desígnios de Deus, entregarmo-nos a Deus.

Tudo o que eu tinha era o amor de meus pais e de nossa querida Axima (1), com a fé viva que recebi em casa e não posso admitir que as nossas preces de antigamente sejam hoje lágrimas de inconformação. Estou contente, observando o amor com que procuram Jesus no Templo da Perseverança em Cristo (2), com a nossa irmã Guiomar (3). Também compareço às reuniões, também escuto as preleções e vou aprendendo novos ensinamentos.

Desde a manhã daquela sexta-feira, 6 de julho passado, estou sentindo uma grande transformação. Antes de o coração parar em meus entendimentos com os amigos, já me via como que deslocado do mundo...(4)

Não julguem que vim para cá antes da hora, que poderiam ter evitado o que sucedeu. Meus dias no corpo terrestre não podiam ser mais extensos. Agradeçamos a Deus. Tudo terminou tão bem - tão bem como começou, porque Deus me concede os melhores pais que eu não mereci e que poderia receber.

Meu pai, aqui está comigo o vovó Abrahão (5). Ele e eu pedimos para não Chorarem mais. Preciso melhorar, papai, seguir a vontade de Deus para mim.

Mãezinha, não pense em Natal triste. (6)

Vamos auxiliar as criancinhas o construir um Natal melhor que os anteriores.

Prometo fazer o que puder para ser útil.

Agradeçam por mim o carinho dos amigos no Colégio (7) e nas reuniões (8).

Estou bem.

Beija-lhes as mãos e reúne os dois com a irmãzinha querida em meu coração, o filho reconhecido.

Wady

Comentários


Mensagem-Reapresentação.

É o filho que volta para o abraço saudoso através da psicografia.

Como em todas as outras mensagens deste livro o médium nada sabia a respeito dos nomes e informações citados. Frizamos este aspectos da recepção da mensagem para que o leitor tenha idéia do valor da mensagem para que o leitor tenha idéias do valor da revelação espiritual contida nas páginas psicografadas aos jovens por Francisco Candido Xavier.

Como compreender a imensa relação de citações, revelações e esclarecimentos de problemas aos quais somente tinham acesso aos jovens desencarnados e seus respectivos familiares?

Como na véspera da recepção da mensagem, conforme vimos anteriormente, o Chico pôde pronunciar com insistência o nome Axima, nome próprio aliás pouco conhecido em nosso País?

Para situar o leitor amigo na página ora analisada vamos esclarecer algumas citações

1 - Axima - irmã do Wadyzinho, Axima Abrahão de Oliveira.

2 - Templo da Perseverança em Cristo refere-se o jovem ao Centro Espírita Perseverança, próximo da residência da família Abrahão, na capital paulista. Guiomar

3 - Guiomar de Oliveira Albanese, dirigente do centro acima referido.

4 - Antes do coração parar em meus entendimentos com os amigos, já me via como que deslocado do mundo..." - Estas palavras do Wady corroboram as informações dadas em seus TRAÇOS BIOGRÁFICOS, quando falamos de seu sonho e de sua afirmação aos amigos e familiares que iria partir. Vale mencionar outra passagem impressionante ocorrida na véspera de sua morte, no dia do aniversário da mãe, D. Jandira.

Diz-nos D. Jandira que comprou para o filho uma japona para que ele a usasse no domingo, quando de uma reunião programada com os jovens da querida comunidade. Ao experimentá-la, no dia 5 de julho quinta-feira, véspera de sua morte - a mãe observou estar a japona muito grande para ele e pediu que a tirasse, pois até domingo ela providenciaria a troca por outra menor. Solene, o filho respondeu que não havia razão para tirá-la, pois não sabia se até o domingo estaria vivo. E morreu na sexta-feira...

5 - Vovô Abrahão - Jorge Abrahão pai do Senhor Wady Abrahão. Desencarnou a 10 de agosto de 1945, em Sumaré-SP.

6 - "Não pense em Natal triste. Vamos auxiliar as criancinhas." - Era hábito do Wadyzinho promover campanhas de Natal para Instituições Beneficentes da região, daí o pedido ao pai para que não se esquecesse das criancinhas.

7 - Colégio Lourdes, estudou. Reuniões amigos da de que já gráfico do Wadyzinho.

- Colégio Nossa Senhora de na Água Rasa, onde sempre

- Refere-se - Refere-se às reuniões dos amigos da Comunidade Unida a Cristo comentamos no escorço biográfico do Wadyzinho.


2º Mensagem

16 fevereiro de 1974


Querida Mãezinha,

Meu querido pai,

Querida Axima,

Querido Wilson (1).

Nossa festa de aniversário (2) - a melhor de todas - realmente é aquela em que a oração se faz a nossa luz de alegria.

Vocês lembram o bolo simbólico. As velas acesas. Os doces. As saudações. Os presentes. Os sorrisos. E as bênçãos que Deus nos concede no mundo. Também estou nestas recordações. Entretanto, se posso, convido a todos para o aniversário do novo nascimento. 16 de fevereiro trocado por 6 de julho. Terra e Espiritualidade. Existência e Vida Maior. Ansiedade e realização. Estejamos, assim, alegres e felizes.

Agradeço-lhes o amor com que fizeram a romaria de ternura no dia de hoje. Estas flores de esperança e fé, alegria e paz que me trazem nunca fenecem. Recebo-as no coração em forma de perfume e felicidade.

A melhor notícia de que posso ser portador é a de que estou trabalhando. Minhas idéias se ampliaram. Tenho a certeza de que, com o amparo de Jesus, posso enxergar um tanto mais longe. Depois de haver dormido naquela fria sexta feira em que amanheci preparando lições (3), despertei na luz de conhecimentos mais dilatados - aqueles que hoje vamos entesourando. Mas quem diz meus amados, que o coração se desvincula do amor, quando o amor vem de Deus ?

Reconheci com meus pais e meus irmãos os assuntos novos por estudar, alusivos à morte e aos problemas de que se acompanha semelhante libertação; entretanto, o meu querido Colégio estava, quanto está como sempre, retratado em minha alma. As Irmãs veneráveis, os professores, os meus colegas, a nossa carinhosa Comunidade Unida a Cristo!... Ah! com que lágrimas de alegria, pude voltar a eles! E com eles encontrei outros amigos em minha condição, a servirem também!...

Senti-me tão pequeno, ante uma obra tão grande! A família de Jesus a buscar-nos!...

Os últimos do caminho carregando pesadas necessidades, os irmãos em problemas, os quase-suicidas, as vítimas das drogas descontroladas!...

Ouvi meu nome nas preces e nas lembranças e ajoelhei-me, como noutro tempo, rogando à Nossa Senhora e Nossa Mãe me fizesse digno de retornar à tarefa!...

E vi que as paredes de nosso querido educandário brilhavam de intensa luz!...

E novamente integrado com alguns corações de nossa família, em nosso plano, trabalho com saudade mas com bom ânimo, pequeno mas feliz!...

Louvo a Deus por havermos encontrado o Templo Espírita-Cristão da Perseverança em Jesus e louvo igualmente pela bênção do recomeço no meu Colégio...

Trabalhar e estudar, progredir e auxiliar para melhor servir sempre!...

Agradeçam por mim às Irmãs queridas e benfeitoras (4), digam ao passo querido Cláudio (5), o meu querido amigão e aos outros companheiros que é preciso continuar...

Falem que Deus é misericórdia para todos, que o amor salva sempre, que o serviço é a chave da elevação, que a humildade é a luz do caminho!

Pai querido, meu querido, papai, agradeço a sua transformação, querida mãezinha, não chore mais, Axima e Wilson, muito obrigado!

Aqui comigo meu avô Abrahão e minhas queridas tias Axima e Sara (6) se rejubilam também. A família não se acaba no túmulo. Tanto amor no lar não se destinaria às cinzas da terra! Ressurgimos! Ressurgimos! Não será este com Jesus o novo cântico de Aleluia?

Agradeço o Natal que me deram, distribuindo .felicidade com os protegidos de Jesus e de nossa venerada Maria Albertina (7) ! Agradeço a nossa irmã Guiomar por nos haver incentivado a todos a persistir no trabalho que foi começado! Santas Irmãs, todas essas, as que sustentam os colégios em que nos instruímos para a Terra e essas outras, quais a nossa irmã Guiomar, que nos ajudam para a vida diversa em que hoje respiro renovação!

Não choremos mais! Estamos felizes porque cremos, estamos tranqüilos porque o Senhor nos permite trabalhar para o bem.

Mãezinha, beijo as suas mãos. Ofereço ao seu carinho na data de hoje os anéis dos cabelos que as suas mãos educaram penteando em oração (8).

Obrigado, queridos meus!

Axima, querida irmã, peço a Deus para que você seja uma abençoada Mãe! Nossa Mãe Celeste guardará você em sua formosa missão. Faça nosso querido Wilson feliz. Não pense que me perdeu. Sou mais seu irmão, estamos mais juntos!

Agradeço por tudo, agradeço a Jesus e agradeço a todos.

Papai, não pense em morte, pense na vida e no bem que com a vida na Terra todos nós podemos fazer. Ajude os Amigos, papai, e ajude a todos! Do abençoado dinheiro que a sua bondade me punha nas mãos, sempre destaquei a parte para sustento de nossa querida Comunidade Unida a Cristo. Agradeço o que faz e o que fará por meus companheiros queridos. Não nos faltarão recursos para fazer o bem. Continue trabalhando, papai. Produza sempre. Trabalho em nossas mãos e dar trabalho aos outros é caridade sublime. Procuremos servir.

Queria tanto falar mais, escrever mais; entretanto, não posso, tenho tarefas ainda hoje com os amigos a me esperarem no 2.419 (9). Fiquem felizes, alegres.

Wilson, meu lugar hoje é seu. Prossiga dando a meus pais o amor de filho que você sempre Lhes deu. Oro por você, meu amigo e meu irmão! Abençoe a sua estrada de homem de bem, e sigamos com Jesus para a frente.

Escrevo ainda com os sentimentos que eu trouxe. Depois progredirei para falar melhor.

Meu pai querido, querida mãezinha, querida Axima e querido Wilson, vou terminar - mas terminar só no papel - porque prosseguiremos trocando idéias pelos fios do pensamento e do coração.

Deixo a todos o carinho e a saudade, o reconhecimento e a esperança, com todo amor do

Wady
Comentários
Esta mensagem impressionou-nos vivamente pela numerosa série de citações tão detalhadas que surpreenderam os familiares do Wadyzinho.

Vamos dispor estas citações em ordem de aparecimento na mensagem, facilitando, assim, a compreensão do leitor.

Muitos nomes já nos são familiares, como Axima, Colégio, Comunidade Unida a Cristo, Templo Espírita-Cristão da Perseverança de que já fizemos menção nas páginas anteriores.

Merecem, assim, destaque

1 - Wilson - Wilson Benedito de Oliveira, cunhado do Wadyzinho.

2 - “Nossa festa de aniversário” - 16 de fevereiro – data da recepção desta mensagem - é aniversário de nascimento do Wady.

3 - "Naquela fria sexta-feira em que amanheci preparando lições" Já nos reportamos às elucubrações do jovem que esperava os pais adormecerem para ligar seu quebra-luz e preparar suas palestras, sempre com o tema central girando em torno do Cristo.

4 - "Irmãs queridas e benfeitoras" - Dirigentes do colégio onde estudou o Wady.

5 - Cláudio Marcelino da Silva, realmente chamado pelo Wady, como vemos na mensagem, por amigão!!!

6 - Tias Axima e Sara - irmãs já desencarnadas do Senhor Wady Abrahão. Muito distantes na tela da memória do Senhor Abrahão, pois Axima Abrahão faleceu há 35 anos e Sara Abrahão morreu com apenas três meses de idade, sem que o pai do Wady a tivesse conhecido, pois era a filha mais velha da família...

Maria Albertina - Nome da Instituição para a qual o Wadyzinho programara uma festa de Natal naquele ano. O nome Maria Albertina é homenagem a jovem desencarnada, cujos pais muito favoreceram a entidade. Como nos fala Wady, Maria Albertina é, na Espiritualidade, protetora do referido lar.

Ocorre que os familiares do Wady não sabiam ser este o nome do lar de crianças que conheciam simplesmente como orfanato. Curiosos com o nome Maria Albertina que não conseguiam identificar, chegando a São Paulo, após a recepção desta mensagem, é que descobriram o seu significado.

8 - "Ofereço ao seu carinho na data de hoje os anéis dos cabelos que as suas mãos educaram penteando em oração" - Lembra nestas palavras o jovem desencarnado de um pormenor por demais conhecido do grupo familiar: D. Jandira sempre dizia ao filho que quando pequeno ela gostava muito de pentear os anéis de seus cabelos encaracolados.

9 - 2.419 - é o número da residência da família - Avenida Álvaro Ramos, 2.419!!!


3º Mensagem

06 julho de 1974


Queridos papai e mamãe, queridos irmãos Axima e Wilson.

De pensamento em preces gratidão a Jesus estou aqui.

Aniversário de queda comemorado em levantamento. Graças a Deus, não há motivo para lamentação.. Estou mais vivo do que naquele outro 6 de julho que já passou. E começo esta carta lembrando, acima deste aniversário, aquele outro de paz e amor - o aniversário da querida mãezinha que foi ontem e que será sempre. Querida mamãe, seu carinho perguntou naquela nossa primeira noite de renovação por que tanta alegria na véspera e tanta tristeza depois. Agora, é preciso sorrirmos todos e concluir que não havia razão para a dor.

Nossas flores de ternura e gratidão ao seu devotamento estão mais vivas. Quantos cravos e quantas rosas pude trazer ontem e hoje...

São tantos, querida Mãozinha, que eu mesmo não sei contar. São colhidos no jardim de Cristo e foram adubados com amor e orvalhados de lágrimas. Aquelas boas lágrimas de saudade que nos iluminam, porque nos aproximam de Deus. Venho pedir a todos os meus a continuação do auxílio em apoio de conformação e de paz. Nesse sentido, meu querido papai, não só em meu nome, mas em nome do vovô Abrahão rogo a sua serenidade e paciência.

Papai, auxilie o seu Wadyzinho. Afinal, o seu coração é meu apoio de sempre. Como seguir adiante sem cobertura espiritual? Quando a saudade aumentar, procure o meu resto na face dos rapazes cansados e quase sozinhos em luta pela construção do futuro melhor. Vá, papai, ao Colégio, ao grupo de nossos amigos, à casa de nossas crianças de Jesus e da nossa benfeitora Irmã Albertina, mas não somente passeie. Detenha-se, papai, ao ouvir os rapazinhos que precisam de um amigo e de um benfeitor paternal.

Agradeço as suas preces e as suas visitas ao cemitério. Afinal, temos ali um recinto de silêncio e meditação, mas não se demore tanto, meu paizinho, naquelas pedras respeitáveis mas frias. As vezes é preciso que Amigos Espirituais me procurem para buscá-lo. Ouço as suas palavras e perguntas, pedidos e reclamações. Mas providencio logo aquele abraço e aquele beijo para fazê-lo voltar à casa.

Não pode imaginar quanto dói em seu filho àquelas horas terríveis em que ficamos lutando mentalmente um com o outro. O senhor a sofrer e atormentar-se e eu a tentar consolá-lo sem conseguir. Lembre-se, papai. Seu filho amou a imortalidade e a fé no Cristo enquanto aí esteve. Levantei-me da morte com a ânsia de trabalhar com Cristo e pelo Cristo no exemplo que o senhor e mamãe sempre me deram. Ajude-me agora a destruir o coreto da morte e não apenas a balançá-lo.

Tantos caretas na terra a pregar negação e nós a confirmarmos o que eles dizem? Não se alarme se digo caretas. Não quero ofender a ninguém. No Colégio prometemo-nos uns aos outros, especialmente o amigão e eu, a usar o mesmo idioma dos nossos dias para melhorar a comunicação. E o serviço não é de crás-crás-crás. Tantos companheiros esbanjões de cultura fugindo à Verdade e tanta gente a morrer de fome espiritual!...

Sei que tanto caretas e caras, amizades e ligações, somos todos irmãos em Deus. Quem não crê em Cristo vai crer. Já sei. Não posso me iludir, quanto a isto. Entretanto, a nossa corrente aqui prossegue firme. Temos de trabalhar em renovação Somos muitos. Muitos irmãos unidos, qual acontecia com o Cláudio e seu filho, para levarmos adiante a nossa campanha.

As trevas são quadrilhas de irmãos que fogem de Cristo. Não temos laços para tolher-lhes os movimentos, porque Deus nos fez livres. Mas temos a luz do conhecimento para distribuir.

Não fique parado nas pedras, não, papai querido.

Liguemos pensamento e coração no melhor a fazer. Procuremos sair de nós mesmos. Nosso caro Wilson está entrando agora em mediunidade. Está ajudando e sendo ajudado. Mostra-se espiritualmente e vê em espírito caminhos novos. Papai querido, comunique-se também no grupo dos médiuns, com a experiência de nossa irmã Guiomar na frente dos assuntos.

Agradeço a alegria que me deu. Barbeou-se para o nosso encontro através do lápis e da oração. Seu rosto demonstra o seu revigoramento da alma. Continuemos aniversário sempre. Esqueçamos a morte para fixar-nos na vida. É preciso embarcar no rio da vida. Acontecer, papai, é participar. Viver é conviver. Tenha paciência e creia. Quanto mais conformação, mais ligação. Quanto mais entendimento, mais alegria. Ajude mamãe e Axima, Wilson e os nossos com a sua serenidade. Amamos tanto a você, papai querido, que é impossível ficarmos felizes sem a sua felicidade.

Axima está esperando gente nova. Sou tão pequeno ainda aqui que não posso e nem devo entrar neste assunto, mas precisamos ajudar a irmãzinha a ficar tranqüila. Peço a Deus para que a nossa festa de paz e amor em casa seja completa. Axima, não tema. Estamos com Jesus e Jesus não nos abandona. Descanse com algum exercício nos movimentos regulares. E com a oração e com tratamento dos passes, a assistência médica funcionará com segurança.

Mãezinha e papai, estejamos alegres e tranqüilos. Vejam Axima e Wilson conosco. Dois gigantes de carinho que nos trazem nos braços. Mãezinha, desculpe o papai, quando o papai se mostre aflito e agoniado. É saudade, mamãe, e saudade é doença, enquanto não a entregamos total no Amor Infinito de Deus. Eu também chorei, mas agora é esperança que cultivo em tudo.

Lembranças ao grupo do Colégio e muito amor à nossa Mocidade na luz do Perseverança.

Agradeço o fato de terem analisado o que eu disse. Também ainda estudo e vivo procurando conhecimento e progresso.

Mais uma vez muito carinho e gratidão pela festa de aniversário. Recebi tudo o que vocês leram com minhas pobres mãos. Quereria escrever mais, entretanto, é necessário respeitar as limitações.

Papai querido e querida mamãe, queridos irmãos Axima e Wilson, com as bênçãos de vovô Abrahão e da tia Sara que vieram comigo, peço receberem o coração - todo o coração daquele que sendo filho e irmão - está sempre em casa, tanto quanto possível, rogando ao Cristo nos proteja e nos abençoe.

Wadyzinho
Comentários
Voltado à preocupação de restituir o equilíbrio e a paz ao lar querido, aqui ainda vemos as palavras do Wadyzinho dirigidas ao consenso familiar. Nomes já nos são conhecidos, não havendo necessidade de maior identificação das personalidades envolvidas neste diálogo mediúnico.

Surpreendendo a gravidez incipiente da irmã e o desenvolvimento da mediunidade do cunhado, Wady é sempre o mesmo: carinhoso e solícito.

Quando da explicação sobre o encadeamento dos fatos que levaram a família até o Chico, comentamos as visitas do Senhor Abrahão à lápide do filho, com as noites intermináveis de excogitações à margem do caixão do filho querido. Mesmo após a primeira visita a Uberaba e conseqüente reencontro com o espírito do filho, o pai continuou em suas lúgubres permanências no cemitério. Nesta 3.a mensagem Wadyzinho vem pedir-lhe do Plano Espiritual para que assim não proceda mais, pois em inúmeras vezes ele, em espírito, ia despertar o pai, no próprio túmulo, pedindo que voltasse para casa... ("Às vezes é preciso que amigos espirituais me procurem para buscá-lo").

Sabendo, pelas numerosas informações dos espíritos, sobre as dificuldades que envolvem o retorno dos recém-mortos à Terra, sobretudo, ao contato de seus corpos cadaverizados, podemos entender a grandeza espiritual deste jovem que em sua existência fugaz apenas teve tempo para pregar entre nós a mensagem consoladora do Cristo.

Após o pedido explícito do filho, o Senhor Abrahão não voltou mais ao Cemitério da 4.ª Parada, senão para as visitas rotineiras da família.

Esta página foi psicografada no primeiro aniversário da desencarnação do Wadyzinho, um dia depois do aniversário de sua mãe, D. Jandira, daí no início da mensagem o lúcido espírito do jovem haver dito à mãe: "Querida mamãe, seu carinho perguntou naquela nossa primeira noite de renovação por que tanta alegria na véspera e tanta tristeza depois".

Aliás, podemos observar que nas duas primeiras mensagens o autor assina Wady e nesta Wadyzinho, atendendo a pedido de sua mãe, formulado em prece, sem que ninguém o soubesse.

D. Jandira sempre chamou o filho por Wadyzinho.


4º Mensagem

12 outubro de 1974


Queridos papai e mamãe, queridos Wilson e Axima, Deus nos conceda a sua bênção.

Apenas um bilhete. Umas palavras do coração. Ou será longa carta? Prossigamos na caminhada. Construindo. Fazendo o melhor ao nosso alcance. Não há empecilhos para as boas obras, quando elegemos as boas obras como sendo o nosso clima de lições.

Aqui, não paramos. O tempo está repleto. Atividade plena. Tarefas e deveres a cumprir em auxílio aos outros são alimentos para cada um de nós. "Meu alimento é fazer a vontade do Pai" - disse-nos Jesus. Depois de descer do carro do corpo, nas estradas da Vida Espiritual é que entendemos isso.

Desde o abençoado dia em que vocês perceberam que eu continuava existindo, tenho mais segurança. Estou grato a todos, conquanto ainda preocupado por meu pai querido, cujas tristezas repentinas ainda me alcançam. Sei que alguns centímetros de conformação para ele são muito mais difíceis que muitos quilômetros de serenidade para nós. A morte colheu papai com muito mais força do que a mim que sou o morto desta história de nosso intercâmbio entre dois mundos.

Papai, mais um passo à frente. Adiante, Axima e Wilson já estão na condição de enfermeiros do espírito, doando energias nos passes de socorro aos necessitados e doentes, como quem cede o próprio sangue para as transfusões nos hospitais. Troque a dor por esperança. E todo o tempo que tivermos a nosso favor, façamos dele a moeda do amor com que se compra a felicidade. A felicidade, papai, é dar felicidade aos outros. Sei que o senhor e mamãe fazem tudo por nós, no entanto peço-lhes mais. Ajude-me, ficando robustecido na fé.

Entendemos a importância de suas doações em socorro dos nossos irmãos do caminho. O dinheiro da beneficência circula no câmbio da paz espiritual. Muito mérito, papai, o seu mérito, mas de também a sua presença e palavra.

Coloque uma criança enferma nos seus braços como fazia com seu filho. Imagine-me naqueles que visitar, levando a sua palavra de reconforto e sigamos, papai, movendo as nossas mãos para auxiliar outras mãos. Mamãe, continuemos. O trabalho com Jesus é o que vemos, não só o que sentimos. O serviço do amor nos reformará todas as forças e seremos mais felizes. As oportunidades do Cristo são portas abertas. E abertas constantemente.

Axima e Wilson, não se entristeçam se a vinda do filhinho foi adiada. Foi melhor assim: Rogo à querida irmã para que não deixe a saudade doer tanto no coração.

Estou vivo, sempre mais vivo e, graças a Deus, trabalhando mais. Estamos na condição de trabalhadores de Jesus, nos dois lados da existência na Terra. Os homens cavam daí para cá e nós, os espíritos desencarnados que procuramos o apoio e a inspiração do Cristo, cavamos daqui no rumo de vocês. O túnel luminoso está sendo construído. Um dia, a verdade da vida imperecível será a luz de nosso encontro sem despedida, porque, onde estivermos para cá da morte ou para além do berço terrestre, tudo será vitória do amor para sempre.

Tenho o cérebro repleto de idéias e felizmente não tenho os braços desocupados. Agradeço a irmã Guiomar e aos Benfeitores da nossa casa de fraternidade e bênçãos o ensejo de trabalhar mais que nos foi concedido.

Mãezinha, receba as flores de mear afeto; papai, guarde a confiança em seu filho; Wilson, conte sempre com o meu abraço de irmão; querida Axima, deponho em sua fronte o meu beijo fraterno, agradecendo as suas preces em meu favor.

Continuem ligados na prece. A oração é a chama que não se apaga ante as ventanias do mundo, porque brilha na alma, nas entranhas de nosso próprio ser. E trabalhemos que o serviço é o melhor lugar para receber, sem qualquer extravio, as respostas e as concessões de Jesus.

Queridos meus, papai e mamãe, Axima e Wilson, amigos todos de quem sou devedor, a todos o meu agradecimento.

E recebam, amados meus, o meu tchau em forma de abraço, com todas as alegrias e esperanças do filho reconhecido e do irmão sempre grato,

Wadyzinho
Comentários
Página de transição entre as três anteriores, mais carregadas de apresentações e identificações a caracterizarem a autoria espiritual do jovem, e as três seguintes, onde, sobre os colóquios familiares, se fixam ensinamentos e exposições evangélicas.

Comentando com o Chico, a respeito das mensagens destes quatro valentes jovens, que arrostaram a morte para afirmar-nos que estão mais vivos do que nunca, o nosso querido amigo e orientador disse-nos entender suas mensagens como uma especialização de tarefas.

No Augusto a tônica e a família, abençoando recanto do Céu na Terra.

Carlos Alberto é a consolação, aproximando dois mundos separados, aliás, pelas nossas cristalizações no campo do materialismo.

Jair Presente é a revelação. É o próprio jovem que volta aos jovens da Terra com a farta identificação de sua presença e com a comunicação específica do linguajar giriesco e objetivo.

Wady é a doutrina. Seus conceitos, suas ponderações à luz do Evangelho de Jesus são a pregação autêntica do jovem voltado às questões do Espírito.


5º Mensagem

16 novembro 1974


É isso. Estudando os problemas do sexo nos encontramos. Cremos que unicamente os enfermos são excluídos. O quadro envolve a todos. Nós todos.

Achamo-nos aqui e com todo amor saúdo a meus queridos pais, e aos irmãos. Se pudesse, enfileirava os nomes numa lista em que a limitação desaparecesse. Entretanto, é preciso espalhar o coração e prestigiar o tempo.

Papai e mamãe, pedimos a Deus pela paz de nossa casa. Paz que nasça do coração. Essa paz com Jesus é semelhante à fonte. A corrente surge limpa e harmoniosa, mas depois aparecem as dificuldades; a visitação dos insetos e o assalto de animais grandes; a intromissão da terra e as mil surpresas desagradáveis que alteram o curso da água. Contudo, é possível a filtragem do líquido e mantê-lo com a pureza das horas iniciais. A filtragem no caso da tranqüilidade mais nossa há de ser feita no espírito de sacrifício, uns pelos outros. Renúncia que se defina em atos mesmo diminutos, em que a alegria dos que nos cercam se garanta através da nossa disposição de nos aplicarmos a Cristo, Nosso Senhor.

Pai, meu querido papai, ajude-nos com a sua calma e paciência. Sabemos: do coração paterno surge a segurança do lar. Paternidade é proteção e bênção. Não se aflija, querido papai. Felizmente, vamos superando os problemas. Tudo vai sendo facilitado, compreendido, vivido e aproveitado com a bênção de Jesus, entre nós. Agora, papai, rogo-lhe, como sempre, o apoio de seu carinho para que o seu carinho seja paz de nós todos.

Mãezinha precisa de sua proteção especial nesse sentido e os nossos queridos Wilson e Axima necessitam desse amparo de modo que a nossa paz se processe na base do trabalho que necessitamos desenvolver. E o trabalho, querido papai, é isso ai: luta abençoada em todos os dias pela vitória do bem. Do bem de todos que em seguida se transforma em nosso próprio bem.

Aqui, somos muitos. Vários companheiros anseiam falar. É como se tivesse um telefone nas mãos, expressando-me por muitos usuários dele que ainda não conseguem manejá-lo. Isso, porém, acontece, não porque eu seja melhor e sim porque o amor nos obriga à ginástica em que me vejo desde quando escrevi pela primeira vez, pela mediunidade. Alivio saudades e cumpro ordens.

O tema da manhã é sexo e amor. E nessa dupla se agiganta hoje no mundo uma guerra que congrega conflitos terríveis. Peçamos a Deus nos auxilie a vencer as sombras que obscurecem os problemas em nós e conosco. Tudo quanto pudermos fazer para que o sexo não nos atormente é obrigação. E o amor nos solicita provas de entendimento e abnegação todos os dias.

Realmente, o casamento, a nosso ver, não é apenas a união de duas pessoas, atendendo aos mais nobres fins na experiência Terrestre. Matrimônio é também a conjugação de nossas energias com as luzes das causas nobres que abraçamos. Em suma, estamos todos casados com a Obra de Cristo. Fidelidade e trabalho constituem as margens da estrada em que nos cabe seguir à frente. Enlacemo-nos todos na condição de irmãos em família, nascidos dessa bendita união entre Jesus e aqueles outros amigos que o aceitaram em suas próprias vidas, tutelando-nos por filhos das tarefas abençoadas de que se encarregaram.

Quanto ao estudo do sexo, propriamente considerado, tenhamos bastante força para homenagear o amor na sua mais bela expressão, sublimando as forças que talvez estejamos inclinados: a utilizar, fora dos compromissos naturais, convertendo essas ,forças em bênçãos de serviço aos semelhantes.

Nos exercícios de resistência espiritual, à frente do assunto, quando mais jovens aí no mundo recorremos especialmente aos esportes é o remo, o salto, a bola, a competição digna que, de certo modo, nos exaure as energias, que provavelmente, sem isso, seriam canalizadas para recursos menos felizes. Entretanto, em nosso caso de Evangelho e experiência humana, respeitando o sexo, em sua elevada expressão de vida e estímulo ao trabalho, luz espiritual e entendimento, ser-nos-á possível empregar o excesso de vitalidade que, porventura, nos sobre no esporte da beneficência e da educação.

Nas canchas da Terra, o suor das partidas amistosas e construtivas e nos campos da alma, os testemunhos de sacrifício e caridade, de compreensão e serviço ao próximo representam caminhos de sublimação que nos compete trilhar, em nossa próprio favor.

Aqueles que receberam as tarefas da união no lar, estão igualmente convocados a muito trabalho e dedicação ao bem, como que taxados no imposto natural da abnegação, transformando ainda as bênçãos do sexo em amor aplicado pela melhoria e amparo, em benefício dos outros.

Os que não se casam encontram lutas beneméritas no burilamento próprio e aqueles que se casam surpreendem igualmente dificuldades enormes por superar. E por tudo o que vemos e sabemos que a permanência na Terra é sempre escola, em que os obstáculos do mundo se erguem por lições do cotidiano, saibamos viver com Jesus e Jesus se nos revelará mais intensamente em nós e por nós, elevando a vida em que nos vemos.

Mãezinha e querido papai, Axima e Wilson, trabalhemos e sirvamos. O tempo está voando e a Terra é um grande aparelho cósmico que está voando também conosco, a pleno Espaço, transportando-nos no rumo dos Planos Maiores. O serviço do bem é a área em que nos será possível o encontro permanente com a bênção de Deus. O Senhor nos espera nos outros. Esta é a verdade. E esses outros começam em nossas estações domésticas, porque realmente é sempre em casa que nos achamos na melhor e mais complicada carteira de ensino.

A nossa irmã Guiomar e todos os amigos presentes recebam nosso afeto e reconhecimento. Ao companheiro querido, hoje no São Judas, o meu coração reconhecido.

Em nome de todos aqueles, em nome dos quais uso a oportunidade de ,falar e de exprimir-me transmito a mensagem maior: irmãos, a Seara do bem é a nossa escola, de luz na escola da experiência. Valorizemos as horas, construindo o bem de quantos nos compartilham a vida. Assim, venceremos.

Fé em Cristo, mas fé aplicada, no bem e na .felicidade dos que nos cercam. Nessa base, as dificuldades desaparecerão e unicamente o Sol do Amor de Jesus brilhará sobre nós.

E aqui, a estaca da gratidão, ficou em meu caminho, ante a estrada dos amigos queridos.

E aquele abraço de sempre, com a prece a Jesus por nossa paz no serviço cristão em qualquer lugar é a mensagem do afeto e da gratidão do companheiro e filho reconhecido,

Wadyzinho


Comentários
Como dissemos no capítulo anterior, a partir desta mensagem o Wadyzinho deslancha em ponderações doutrinárias, trazendo-nos a palavra segura, fortalecida pela ampliação dos horizontes espirituais, em conseqüência à sua desencarnação. De suas várias palestras aos jovens, quando entre nós, poucas permaneceram gravadas, mas no fim destes comentários reproduziremos uma dessas gravações, para que o leitor observe a essência de suas preocupações -

a pregação do Evangelho do Cristo.

A mensagem que o Chico psicografou na manhã de 16 de novembro de 1974, ano e meio após a morte de Wady, traz dois pontos a considerar mais detidamente: as ponderações sobre o sexo e a menção ao companheiro presente, amigo e colega de estudos.

Quanto ao colega de estudo há curiosa observação a fazer: muitos amigos do Wadyzinho desolados com sua partida deixaram o Colégio Nossa Senhora de Lourdes, não sabendo os familiares do Wady para que estabelecimento de ensino se transferiram. Um destes rapazes, o Jaime da Silva estava presente em Uberaba, na véspera da recepção desta mensagem. Ficaram surpresos os pais do Wadyzinho, ao dizer o filho:

"Ao companheiro querido, hoje no São Judas, o meu coração reconhecido."

Por que hoje no São Judas? É que junto de outros amigos o Jaime se transferira para o Colégio São Judas Tadeu na Mooca...

As ponderações sobre o sexo se prendem ao fato de ter sido tema lido e comentado na fase preparatória da reunião daquela manhã em Uberaba. Encontramos nos comentários do jovem oportunos conceitos sobre o significado do sexo e do amor em nossas vidas, particularmente no que se refere à condição dos jovens que se debatem nas vigorosas cargas afetivas condensadas no sexo. Assim, valorizando os exercícios físicos, os esportes, na canalização de palpáveis energias do jovem para além da esfera genésica, à semelhança de conceitos expendidos por estudiosos na Terra, como Allers, em sua Pedagogia Sexual, procura também sublimar o sexo condensando-o em atividades nobres do espírito, nos campos da alma, para nesses campos exercitar os testemunhos de sacrifício e caridade, de compreensão e serviço ao próximo.

Lição objetiva a nos mostrar que o sexo deve ser equilibrado, compreendido qual imensa açude, cujas águas represadas não podem romper os diques em destruição maciça, mas derramar-se com disciplina para acionar geradores de sublimes realizações.

Nos estudiosos da Educação sexual na Terra observa-se a mesma preocupação com relação à energia sexual. Não que devamos ver o sexo pelos extremos de interpretação de Neill, com sua incontida ânsia de liberdade. Mas como uma força importante que não pode ser deixada à mercê de sua própria vontade, devendo ser orientada e canalizada em direção correta, a fim de servir ao indivíduo, ao invés de o dominar, conforme pondera o Dr. Isaac Mielnik em sua Higiene Mental do Comportamento Humano.

O Espírito de Emmanuel no livro Vida e Sexo, psicografado por Chico Xavier, traz à luz do Espiritismo considerações esclarecedoras a respeito do sexo responsável, mostrando ser o sexo, com sua carga erótica, inerente a todos nós, mas ensinando-nos que o devemos disciplinar em nossas permutas afetivas, sublimando-o tanto quanto possível, para as grandes conquistas do Espírito.

Transcrevemos, agora, trecho de palestra do Wady, quando encarnado, extraído de uma de suas fitas gravadas em poder dos familiares:

Por que você não tenta reconciliar-se com seu colega? Não tenta viver em Cristo?

Veja o que você já fez de errado. Veja, veja bem! Tente reconsertar, sempre há tempo de você pedir perdão a alguém.

Você tem que pedir perdão a Cristo, porque Ele é a salvação. Entenda isso, Ele é a salvação!

Olhe, se cada um de nós pensasse no Cristo, o que seria do Mundo ? Se todos pensassem assim, não haveria mais discórdias, não haver mais guerras, mais nada, só paz, amor!

Mas o negócio não é você levantar o dedo e sair por aí dizendo: paz e amor, bicho!

Não, não é isso. É você viver a paz e o amor. É você chegar em casa e dar um beijo no seu pai e na sua mãe, pois no lar você começa a viver o amor de Cristo.

Você tem que viver o amor de Cristo, porque Ele é a salvação. Eu vivo, pelo menos tento viver, o amor de Cristo. Não vou dizer que sou perfeito, pois ninguém é perfeito. Só um foi perfeito o Cristo!

Mas vamos tentar fazer a nossa imagem à Sua semelhança, vamos tentar, não nos igualar a Ele, mas Dele nos aproximar. Quando os homens O puseram na cruz, Ele levantou os olhos e pediu para perdoar. Siga isso, perdoe e será perdoado.

Você tem que também ser um cristo, porque cada um de nós tem um cristo dentro de si. Antes de julgar, olhe para dentro de si mesmo e ache o Cristo dentro de você. Depois você saberá ensinar, não ensinar, e sim, viver o Cristo!


6º Mensagem

16 fevereiro de 1975


Querido pai, querida mãezinha, meus queridos irmãos Wilson e Axima, Jesus nos abençoe.

Festa de aniversário (1). Lembranças. Flores. Preces. Agradeço por tudo, diante do nosso dia dezesseis, e peço a Deus os recompense. Agradeço, acima de tudo meu pai, as bênçãos que espalharam os meus queridos, com a nossa seara de amor.

Os amigos presentes desculparão se volto a escrever. Não se trata unicamente de nosso caso festivo em família. Estou no caminho da renovação. Caminho de todos. Estou feliz, apoiado pelos corações que a Divina Providência me concedeu. Melhoro aos poucos, porque vou aceitando a obrigação de trabalhar.

Querido pai, agradeço a bondade com carinho me acolheu a solicitação (2). Sei que ainda sente, muitas vezes, o desejo de ficar ali, noite inteira, naquelas pedras de nossas últimas lembranças, em nos referindo á separação aparente, mas vejo que a sua lembrança assinala o pedido que fiz e as horas de contato com as relíquias do Brás (3) vão ficando mais curtas.

Mãezinha, beijo as suas mãos. Axima e Wilson, meu abraço a vocês.

Não nos acreditemos numa entrevista espiritual, a pedaços de intercâmbio, como se nos víssemos num filme em série. Estamos em escola diferente, na qual somos alterados para melhor, pouco a pouco. Renovação gradativa, com base na saudade convertida em esperança. Continuemos ativos, na dedicação ao nosso novo modo de ser.

Compreendo que as tarefas da Comunidade e do Colégio sofreram modificações (4), mas o serviço permanece.

Aqui, a nossa equipe de ligações vai crescendo. De minha parte, vou fazendo quanto posso. Impossível crer em Jesus e não segui-lo, aceitar as lições do Mestre e ficar inerte. Temos um mundo à frente e Ele à frente desse mundo chamando-nos a servir.

Meu pai, não julgue seu filho entusiasmado em excessos. (5) Tenho a cabeça mergulhada nas idéias que vertem do Alto e o coração que o seu carinho e o carinho de minha mãe plasmaram no meu peito. Não descansaremos, papai.

Mãezinha, seguiremos. Wilson e Axima a luta construtiva nos pede continuar.

Mãezinha, nossa Glorinha (6) no Hospital Modelo é mensagem que lhes pude endereçar. Antes que suas mãos a acariciassem, fora levado ali, a convite de nossos familiares. E o Senhor permitiu que a pequenina, à frente da morte, me observasse e reconhecesse, transmitindo minhas notícias. E a bênção de agir com a bênção de Jesus brilha conosco. É preciso trocar o tempo que é dádiva de Deus por algo que fique nos domínios do Bem.

Venho cooperando em auxílio da tia Jacira (7) da tia Jamile, do tio Manoel (8), do tio Azis (9) e, afinal, os nossos laços do coração não terminam. Hoje, tenho comigo nesta noite o meu avô Abrahão e a tia Clotilde (10) que deixa ao nosso Wilson todo o coração de mãe amorosa e abnegada. E depois de nosso entendimento, peço ao nosso querido Wilson muita serenidade ao tratar com o volante. A máquina não precisa comer chão para chegar ao destino. Wilson, a vida é um tesouro de Deus que nunca se deve arriscar a perder sem motivo justo. As rodas correm por si, desde que o motor as garanta, sem necessidade de acelerar-lhes o movimento.

Evite as competições nas estradas e não atravesse à frente desse ou daquele companheiro de caminho, a não ser quando a frente se descortine, claramente ampla e limpa, convidando ao avanço sem prejuízo. E assim como se prepara o corpo, a fim de que se possa viver no mundo, não use o veículo sem anotar-lhe condição e eficiência. Você sabe que sapatos desnivelados favorecem queda e problema e, de igual modo, pneus em desequilíbrio são riscos graves.

Perdoe, irmão, as palavras que digo. Falo por sua mamãe que é também nossa mãe. Agradeço as lembranças de Sumaré (11), mas não me creiam fora da obrigação de entregar a Cristo qualquer vantagem que nos venha desse ou daquele campo da vida. Por muito fizéssemos ou por muito façamos nas áreas do bem, tudo que se faça é do. Cristo, em nome de Deus.

Temos aqui hoje um amigo que desejava escrever mas não conseguiu recursos emocionais para isso. É um amigo respeitável, que nos solicita transmitir um recado. Meu pai e minha mãe, Wilson e Axima atendam a isso por mim. Trata-se de um grande amigo do bem e da justiça, da cultura e do progresso, que se nos apresenta com o nome de Akl Jorge (12) que deseja exprimir à esposa, nossa irmã senhora Jamile, as suas saudades e agradecimentos.

Ele pede à esposa e às filhas ouço os nomes de Elza e Marlene para que se consolem e promete escrever quando estiver mais refeito. Roga à esposa para que se alimente e procure viver. A tristeza dela e dos familiares queridos lhe impõem difíceis preocupações. Pede o apoio de dois corações que nomeia por Adriana e Gito (13) para sustentarem a senhora Jamile no esforço de viver e sobreviver à separação. Diz ele que a esposa é católica, iluminada por imensa bondade repleta de compreensão e fé. Roga a Jesus fortaleça a esposa querida e insiste em que ela pense nele na condição de vivo e não morto e agradece o amor com que o seu ambiente foi conservado.

Papai e mamãe, Axima e Wilson conversem com a senhora Jamile por nós. Ninguém precisa mudar de pensamento religioso para a conquista da paz. Onde estiver o Cristo está Deus. A senhora Jamile será amparada tanto quanto tem sido amparada sempre. Estimaria ser mais claro e preciso; entretanto, sou tão pobre de expressões para mostrar os nossos sentimentos deste lado da vida!

Querida Axima atenda à saúde e esperemos. Você espera a maternidade como quem aguarda a luz de Deus e ,fico feliz com isso. Cogitemos de criar as melhores condições para recebermos o melhor da Bondade de Deus e a Bondade de Deus nos concederá sempre o melhor.

Envio abraços aos caros companheiros Cláudio, Wellington, Walmir (14) e a todos os nossos que são hoje, tanto quanto ontem, companheiros na construção da vida melhor com o Cristo, sempre nas bênçãos d'Ele, nosso Mestre e Senhor.

As tarefas com a nossa querida irmã Guiomar, no Perseverança, continuam abençoadas pelos nossos Maiores. Trabalhemos no bem dos outros e os outros se farão instrumentos de nosso próprio bem.

Agradeço à nossa irmã Guiomar e a todos os corações queridos da nossa casa de fraternidade e de paz, tudo de bom e belo que realizam por nós.

Querido papai e querida mamãe abençoem-me. Axima e Wilson recebam o meu abraço de gratidão.

E apoiando-me no trabalho e na fé viva em nosso querido lar, peço a Deus pela felicidade de todos e rogo aos meus queridos Papai e Mãezinha, Wilson e Axima, receberem todo o coração do filho e irmão sempre reconhecido,

Wadyzinho


Comentários
Supúnhamos não mais haver revelações a fazer, da parte do Wady, e eis que a psicografia abençoada do Chico nos traz informações desconcertantes.

Debruçado sobre os pais, pela pena do Chico, Wady lhes capta anseios íntimos e serve também de intérprete para a palavra de irmãos desencarnados que ainda não podem comunicar-se.

O episódio envolvendo a mãe de Wady e a pequena Glorinha no Hospital Modelo de São Paulo - acompanhado e vivido também pelo Wady no Plano Espiritual, o "puxão de orelhas" que Tia Clotilde mandou o Wady dar no cunhado Wilson e o recado do Senhor Akl Jorge Chakur à esposa presente à reunião, são alguns dos pontos de objetiva identificação que encontramos nesta mensagem.

Pela acentuada riqueza de dados a mencionar, vamos proceder ao recurso da seqüência cronológica para do início ao fim da comunicação psicografia situarmos os leitores nos fatos e detalhes mencionados:

1 - Festa de aniversário - 16 de fevereiro - aniversário de nascimento do Wady. Os pais estavam em Uberaba, à semelhança do que fizeram no ano anterior.

2 - Aqui o Wadyzinho agradece ao pai o ter concordado em não mais pernoitar no cemitério, junto de seu túmulo (ver capítulos anteriores).

3 - Relíquias do Brás - Refere-se ao cemitério do Brás, onde foi sepultado. Mais conhecido como Cemitério da 4.ª Parada.

4 - "modificações" - praticamente as tarefas da Comunidade foram esquecidas pelos jovens, desconcertados com a perda do amigo.

5 - "Não julgue seu filho entusiasmado em excesso" Alusão do Wadyzinho às constantes ponderações do pai, antes de sua morte, no sentido de que estava prejudicando a saúde com o excessivo entusiasmo nas campanhas beneficentes e nas programações da Comunidade Unida a Cristo. Wady tinha preocupação insistente em mostrar aos jovens o caminho da virtude e da retidão, através de Jesus. Buscava esclarecer sobretudo os jovens voltados ao vício e à ociosidade.

6 - Nossa Glorinha - Ao visitar a irmã, internada na Terapia Intensiva do Hospital Modelo, em São Paulo, a mãe de Wady, D. Jandira, travou amizade com uma criança, a Glorinha, ali internada, cumulando-a de mimos. Logo no início desta amizade, D. Jandira mostrou a fotografia do filho morto, dizendo a Glorinha este é o Wady, seu primo.

Na véspera da morte da menina, uma semana antes da psicografia da mensagem ora considerada, Glorinha disse a D. Jandira ter sido visitada pelo primo Wady que a beijou na fronte. Pelo Chico, o Wady confirma este simples episódio de que poucos tinham conhecimento. E o Chico não era um destes poucos...

7 - Tia Jacira - Jacira do Amaral, irmã de D. Jandira.

8 - Tia Jamile e tio Manoel - Jamile Abrahão Braga e seu marido Manoel Braga, residentes na capital paulista. Jamile é irmã do Sr. Wady Abrahão.

9 - Tio Azis - Azis Abrahão, irmão do Senhor Wady, residente em Campinas.

10 - Tia Clotilde - Passagem curiosa. D. Clotilde Eugênia Briguente de Oliveira é a mãe do Wilson, cunhado do Wadyzinho, desencarnada em junho de 1973. Atendendo ao pedido mental que a nora Axima lhe endereçou quanto aos excessos do filho no volante, solicitou ao Wady que lhe puxasse as orelhas em seu nome.

11 - Lembranças de Sumaré - Agradecimento à homenagem prestada pela cidade, denominando Wady Abrahão Filho uma de suas praças.

12 - Akl Jorge Chakur - Comerciante desencarnado na capital paulista, cuja esposa Jamile Sarhat Chakur e filhas Elza Chakur Abduch e Marlene Chakur Vargas Amaral estavam presentes à reunião. ("Ouço os nomes Elza e Marlene", diz Wady).

Muito católicas, daí a observação do Wady de que “ninguém precisa mudar de pensamento religioso para conquistar a paz.”

13 - Adriana e Gito - Gito é o apelido do genro do Sr. Akl - Sr. Jorge Benjamim Abduch, marido de D. Elza. Adriana Chakur Abduch é a filha de Gito, neta do Sr. Akl.

14 - Cláudio - Já aprece em mensagens anteriores.

Wellington - Wellington Gloedem Soares.

Walmir - Walmir Carotnuto.

Amigos de escola do Wadyzinho.

Observemos que as citações acima são na mensagem ligadas por expressivos pensamentos do jovem, sobretudo a respeito de sua nova condição de vida, em demonstração de sensível maturidade espiritual, como igualmente ocorre também com os outros três autores espirituais, corajosos porta-vozes do Além.


7º Mensagem

17 abril de 1975


Pais queridos, meus irmãos. Jesus nos ilumine os corações.

O pessoal perdoará se falo ainda. Gente que passa no rumo do Além muito verde parece que não falou na Terra quanto queria.

Talvez seja isso. Não sei bem. No entanto, estão aqui professores de cá. Dr. Bezerra, venerável amigo, traça normas. Decerto porque veja minha turma conosco, fui eu designado. Sem mérito algum, é claro. Mas alguns minutos diz o benfeitor - devem ser preenchidos. "Fale, Wady; você precisa externar o amor de Cristo que nos uniu ". Foi ouvir e obedecer. E obedecer , com alegria.

Minha saudação aos de casa precedeu minhas próprias palavras, porque o meu coração funcionou antes do lápis. E nessa saudação, não me esqueci de incluir os amigos queridos do nosso querido Perseverança. Nossos caros irmãos Albanesi, Guiomar e Benjamin, recebam a confirmação dos meus votos de paz e alegria.

Venho com a tarefa específica de explicar qualquer cousa. Explicar envolve presunção em meu caso. Quem esclarece possui competência, e isso me falta. Devo informar que não é assim tão fácil mover o braço de um médium e começar o papo. É muita engrenagem para ser movida. E movida com precisão. Na maioria das circunstâncias, é preciso que a pessoa aqui se habitue a construir um braço com tanta exatidão quanta seja possível, construir com as .forças de que se possa dispor. Semimaterialização de recursos em elementos que, de mim mesmo, não sei classificar. E esse braço artificial deve calçar o outro que emana do médium como sendo uma luva. Sem isso, é necessário muito apoio do lado de cá para que o companheiro desenfaixado do corpo físico possa escrever.

Depois disso, temos as afinidades e os processos harmônicos da hora. Por processos harmônicos definimos o ambiente, com as suas composições. Se os pensamentos na reunião não estiverem integrados na mesma vibração de confiança ou se não tivermos grande maioria de pessoas que nos ajudem na sustentação desse clima vibratório, o comunicado, mais ou menos pessoal, é quase impossível.

Não se impacientem, por isso, as mães e os pais, os filhos e irmãos que não recebem de pronto as mensagens que desejam. O negócio não é pegar o fone e discar. Muita complicação deve ser atendida. Pensamos que em futuro próximo a cabeça do homem decidirá muito problema desse setor com a Eletrônica. Até que isso aconteça, não temos outras vias.

Nossos irmãos Ruberley e Benedito estão presentes e desejam entrar no esquema gráfico. Entretanto, não conseguem isso. O primeiro nosso amigo Ruberley pede à mãezinha coragem e fé. Acertará, quem sabe?, em outros modos de ação, até que fale escrevendo. O sonho é uma bela aproximação do prêmio em que consideramos o intercâmbio individual. Nossa irmã senhora Maria do Carmo continue orando e aguardando, mas na certeza de que o filho querido não está distante.

Nosso Benedito ainda luta e bastante para sentir-se plenamente integrado em si mesmo. Quando nos reaproximamos dos entes queridos no Plano Físico, sem realizar a façanha do desprendimento com amor, é muito difícil não se retomar as sensações que nos marcaram a vinda para este outro lado. O cara se esforça, lança prodígios de força mental para fora de si para a empresa legal da comunicação, que se tenta, mas a visão do corpo se associa à lembrança dos parentes e a tarefa se torna embananada, sem técnicos que nos garantam conserto.

Nossos amigos, no entanto, os companheiros de Itapeva que lhe foram pais estejam tranqüilos. Benedito é um construtor de raça. Está progredindo, sem reclamação e sem choro. Tem saudade sem moleza. Foi socorrido na Europa, ante a desencarnação predeterminada, por vários amigos que o esperavam.

Por aqui, é a corrente das lágrimas acompanhando esses fatos que a imprensa especialmente qualifica de trágicos. No entanto, no Plano Espiritual, a hospitalização carinhosa dos que perdem o corpo em acidentes do mundo é simples rotina. Quase isso, se o pessoal na Terra pudesse encarar a morte com menos gritos. Gasta-se demais com aflição sem propósito e o assunto é esse aí: sofrimento nos dois lados, lamentos e protestos que parecem não ter fim. Mas, não se pode mudar depressa o que existe.

Isso deve ser uma lei de Deus. Tudo o que é, é porque deve ser para modificar-se um dia para melhor. Um espinheiro não fere porque goste e sim porque vive armado de lâminas pequeninas. A pedra não é dureza porque viva satisfeita de receber marteladas e chutes e sim porque precisa cumprir a tarefa em que foi colocada.

Assim, o nosso Benedito desceu nos arredores de Paris, para separar-se imediatamente do carro físico porque isso devia suceder com ele. Foi transferido, no mesmo dia da libertação para os campos alemães, onde bondade e família espiritual lhe estavam reservados. Do que motivou isso falará ele em tempo oportuno. Transmito apenas o noticiário de que ele me fez portador para reconforto dos pais queridos.

E muita gente se vê à bica de comunicações a parentes e amigos. Uma dessas pessoas amáveis é a nossa irmã, senhora Maria que abraça as filhas presentes - Ginete, Odete, Maria Lúcia, Tereza e a outra cujo nome não ouço corretamente dos lábios maternos que o pronunciam. Espera que Jesus Ihe ampare as filhas abençoadas no empreendimento de amor e paz a que se inclinam. Mas, é preciso encerrar esta carta.

Wilson, estou alegre vendo os seus melhores cuidados no volante. Brasileiro gosta de brincar com a vida. Isso sempre me pareceu uma verdade. Carros a mais de cem, caminhões balançando, ônibus, às vezes, em torneios competitivos e motos em disparadas. Flagelos para os nossos guardas que, honra lhes seja feita, são sempre os nossos melhores amigos quando policiam marchas e faixas, corridas e sinais. Mas você está melhorando. Nota dez você ainda não tem nas estradas de asfalto aberto, entretanto, já está com cinco e seis à mostra. Tenhamos todos, o cuidado preciso, Wilson e vocês todos, os caras que se responsabilizam por velocímetros. Tanto se morre aí pelo carma do resgate, como também pelo carma da imprudência. E ninguém deve chegar aqui verde demais.

Axima, atenda à saúde. É preciso que você se fortifique. Ouça o médico amigo e trabalhemos no bem pensando no futuro.

Mãezinha e meu pai, rogo a bênção.

A todos os amigos, no recinto, os meus agradecimentos.

Para vocês, meus amados, o coração total do...

Wadyzinho


Comentários
Nesta mensagem, atendendo á determinação do Dr. Bezerra de Menezes, coordenador espiritual das atividades mediúnicas em questão, o Wady é o porta-voz do grupo de jovens desencarnados ali presentes.

Pelas suas palavras compreendemos ser necessário no comum das comunicações psicográficas, que o espírito comunicante semimaterialize o seu braço perispiritual, ou seja, condense mais o braço de seu perispírito ou corpo espiritual. A semimaterialização de órgãos ocorre sem que os vejamos e exemplo prático desse mecanismo são os fenômenos de voz direta, com a semimaterialização da laringe do corpo espiritual, de que o médium inglês Leslie Flint nos tem fornecido numerosas experiências.

Assim o braço semimaterializado seria encaixado no braço do médium como uma luva, no dizer do Wadyzinho.

Ainda outra faceta da comunicação mediúnica é o que Wady chama de processos harmônicos da hora, compreendido como sendo o ambiente com suas composições. Daí a necessidade de muito respeito e confiança no ambiente da reunião para que o espírito que se propõe a comunicar, sinta-se à vontade para ligação tão sensível, no campo das relações psíquicas.

Surpreendentes revelações são a presença de dois jovens desencarnados, Ruberley e Benedito, ao lado do Wady.

Ruberley Boaretto da Silva, médico, desencarnou em Campinas a 13 de abril de 1974, com 27 anos. Confirma na mensagem que os sonhos de sua mãe, Maria do Carmo Gonçalves da Silva são encontros reais de ambos no Plano Espiritual, quando a mãezinha se desprende do corpo, pelo sono.

Benedito Chimidt de Barros, desencarnou em julho de 1973, com 17 anos, no acidente com o Boeing da Varig em Orly, vítima de provável intoxicação por gases deletérios. Seus pais, Jorge de Barros e Terezinha Chimidt de Barros, residem em Itapeva, interior paulista.

Maria e suas filhas...

D. Maria Correa desencarnou em São Paulo no ano de 1969, com 69 anos de idade. Suas filhas presentes na reunião e identificadas pelo Wady são: Ginete Correa, Odete Correa, Maria Lúcia Correa e Tereza Correa. A filha cujo nome Wady não entendeu corretamente é a Sra. Catarina Maria da Glória Correa.

Albanese, Guiomar e Benjamin, nomes citados no início desta 7ª mensagem do Wady, são os Srs. Serafim Antonio Albanese, Guiomar de Oliveira Albanese e Benjamin Soares Silva, do Centro Espírita Perseverança.


Considerações Finais
Diante de tantos nomes, de tantas citações, perguntamos como poderia o médium escrevê-los com rapidez incrível, devorando o papel em letra firme e clara - como qualquer pessoa que já presenciou a psicografia de Chico Xavier pôde observar - sem conhecer nada a respeito daquelas famílias presentes, numerosas, cada qual trazendo o seu problema, dramas diversos, situações específicas.

De que modo nomes como Ruberley, Benedito, Ginete, Odete, Maria e suas revelações confirmadas pelos pais e familiares presentes poderiam ser escritos em grafia célere e escorreita por quem nunca os conheceu - nem aos encarnados, nem aos desencarnados?

Assim ponderamos na certeza de que o amigo leitor conseguiu se situar no realismo de nossas descrições, muitas vezes enfáticas e talvez cansativas, mas absolutamente fiéis.

Nas dezenove mensagens deste livro, foram revelados cerca de oitenta nomes, todos confirmados por seus familiares, sendo que em algumas vezes nem os presentes à reunião sabiam identificar os nomes citados, o que somente pôde ser feito posteriormente, como no caso do jovem Aníbal, lembrado em uma das mensagens de Jair Presente.

Numerosos dramas e situações foram relatados pelos jovens autores espirituais, sendo que todos foram também confirmados, com surpreendente riqueza de dados, que chegaram a surpreender o próprio Chico. Apelidos, apocorísticos vedados aos familiares mais chegados, foram citados.

Enfim, os quatro autores não regatearam esforços para evidenciar que estão vivos - muito vivos - no Plano Espiritual, em comovente apelo aos pais queridos, para que divisassem, no alto dos céus, a presença de uma justiça que jamais poderia permitir a separação definitiva, e em advertência direta aos jovens da Terra para que despertem de ilusões, muitas vezes comprometedoras, diante da certeza de que para todos nós a vida e a morte são etapas naturais, transformações a que estamos sujeitos no longo jornadear entre Plano Espiritual e Terra.

Mostraram-nos, Augusto, Carlos Alberto, Jair e Wady, que aqui como lá a vida é uma só, sendo a morte uma ilusão que criamos para fugir aos imperativos de nossa consciência. Nosso corpo é tão-somente um escafandro com que nossos espíritos mergulham na Terra, em prosseguimento ás lutas redentoras que vimos enfrentando ao longo dos séculos, pelas bênçãos da Reencarnação.

A

Augusto César Netto,



Carlos Alberto da Silva Lourenço,

Jair Presente e

Wady Abrahão Filho,

Jovens que aprendemos a estimar no contato de suas páginas maravilhosas, escritas muitas vezes com a pena do médium embebida em lágrimas de saudade, o nosso reconhecimento.



Deus os recompense, em nome dos pais que na Terra, através de suas palavras, compreenderam que seus filhos, desencarnados, como vocês, também não morreram!


FIM

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