Judith krantz Luxúria



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Até a morte de Ellis Ikehorn, aos 71 anos, Billy Ikehorn não percebera a imensa diferença que existe entre ser a esposa de um homem riquíssimo a ser uma moça riquíssima sem marido. Durante os cinco últimos anos do casamento deles, que durou 12 anos, Ellis esteve preso a uma cadeira de rodas, parcialmente paralítico e sem poder falar, em consequência de um derrame. Se bem que Billy, desde o dia em que se casou com ele, tivesse unido seu destino aos ricos e poderosos deste mundo, nunca firmara realmente uma posição nessa fortaleza de onde organizar a sua viuvez. Durante os anos da doença do marido ela levara, em muitos aspectos, uma vida solitária na mansão deles em Bel-Air, suportando, pelo que sabiam seus conhecidos, a vida restrita de mulher de um homem gravemente inválido.

Então, de repente, ela se viu com 32 anos, sem responsabilidades de família e senhora de uma renda praticamente sem limites. Billy se deu conta, abismada, de que isso a apavorava, todo aquele dinheiro ilimitado. No entanto, não era precisamente o que ela desejara, nos longos anos de sua infância como prima pobre? Mas agora sua fortuna era tão vasta que se tornava profundamente perturbadora. Os potenciais de vastas quantias de dinheiro pareciam espalhar-se, ensombrear-se, tornar-se projetos e perspectivas tão vagas em seus limites que não conduziam a nada.

Naquela última manhã, quando um dos três enfermeiros foi dizer a Billy que Ellis tivera um último ataque enquanto dormia, ela sentiu um alívio misturado de saudade pela parte do passado que fora tão boa. Mas havia cinco anos que ela lamentava o passado; tivera tempo demais para se preparar para a morte dele para poder sentir uma perda pessoal violenta. No entanto, ainda mesmo com a vida reduzida a menos da metade, Ellis a protegera. Enquanto ele viveu, ela nunca se preocupou em pensar em dinheiro. Uma equipe de advogados e contadores tomava conta de tudo isso. Naturalmente, ela sabia que em seguida ao casamento Ellis lhe dera títulos municipais isentos de imposto no valor de dez milhões de dólares, sobre os quais ele pagara o imposto de doação, e que repetira o presente em cada um de seus sete aniversários até ocorrer o primeiro derrame, em 1970. Mesmo antes de tornar-se sua única herdeira, herdando todas as suas ações nas Empresas Ikehorn, a fortuna pessoal dela montava a 80 milhões de dólares, da qual ela recebia uma renda de quatro milhões de dólares por ano, isentos de imposto. Agora um pelotão de fiscais da Delegacia de Rendas passava semanas examinando a declaração de rendas das empresas Ikehorn, mas por mais que fizessem, Billy continuava com cerca de 120 milhões de dólares adicionais. Esse dinheiro novo a confundia e assustava. Teoricamente ela compreendia que podia ir a qualquer lugar, fazer qualquer coisa. Foi só ao pensar que certamente não poderia pagar uma viagem à Lua que Billy conseguiu readquirir o senso da realidade. Seu espelho de aumento a tranquilizou, quando, ela olhou nele para pintar os olhos. Restavam todas as tarefas de sempre. Tomar banho, escovar os dentes, pesar-se, como fazia todas as manhãs e todas as noites, desde os dezoito anos, vestir-se — tudo isso restabelecia a trama da vida. Daria um passo de cada vez, disse ela à sua imagem no espelho, que não refletia nada do pânico que sentia. Para um estranho que a pudesse ver pela primeira vez naquele momento, observando sua altura, seu andar altivo, seu pescoço forte, sua cabeça imperiosa, ela pareceria tão autocrática e forte como uma jovem rainha amazona.

A necessidade imediata era providenciar o funeral. Billy quase apreciou isso, pois lhe dava uma série precisa e limitada de decisões a tomar.

Ellis Ikehorn nunca fora religioso, nem era sentimental, a não ser no que se referisse a Billy. Seu testamento não continha instruções quanto ao enterro, e ele certamente nunca exprimiu qualquer preferência quanto ao seu sepultamento. Essa forma de intimação antecipada da mortalidade lhe agradava tão pouco quanto à maioria dos homens, ricos ou pobres.

A cremação, obviamente, pensou Billy. Sim, cremação seguida de um ofício fúnebre na Igreja Episcopal de Beverly Hills. Fosse qual fosse a religião de Ellis, e ele sempre se recusara a falar a respeito, ela fora criada na Igreja Episcopal de Boston e isso teria de servir. Felizmente, havia um número suficiente de funcionários lotais das empresas Ikehorn e homens com quem ele fizera negócios no passado para encher a igreja. Se Billy tivesse de depender de seus próprios amigos pessoais para constituir um grupo apreciável de gente, ela calculava que poderia realizar o ofício na sala dos fundos do Restaurante La Scala e ainda sobraria lugar para um grande coro e um conjunto de três instrumentos.

Ela telefonou para o advogado, Josh Hillman, para pedir que tomasse as providências necessárias e depois deu atenção ao item seguinte, um vestido apropriado para o enterro. Luto. Mas ela eslava morando na Califórnia havia tempo demais, mesmo para uma mulher que durante anos figurara na lista das Mais Elegantes. Não havia nada em seu guarda-roupa, embora imenso, que se parecesse com um vestido preto e fino, apropriado para aquele dia de setembro de 1975, com a temperatura pelos 32 graus, acentuada pelos ventos quentes e secos de Santa Ana. Se ao menos a Luxúria estivesse pronta ela poderia ir lá, pensou, com pena, mas a loja ainda estava sendo construída.

Escolhendo entre vários pretos de linho de seda de Galanos na Amélia Gray, seu olhar voltou ao espelho. Ela era atormentada por tanto encanto desperdiçado. Billy não era modesta quanto à sua beleza. Fora terrivelmente sem atrativos durante seus primeiros dezoitos anos, e agora que era linda, adorava isso. Nunca usava sutiã. Tinha os seios altos e quase viçosos. Qualquer sugestão de suporte, que sempre alteava, a teria tornado peituda demais para ser chique. Ela dava graças aos céus porque sua bunda era chata até um palmo abaixo da cintura, só enchendo bem depois do ponto em que teria destruído a linha das roupas. Nua, ela era inesperadamente cheia de carne. Carne, pensou Billy, com um peso seco e quebrado de frustração, que não sentia o toque de uma mão de homem havia muitos e muitos meses. Desde o Natal, quando a decadência de Ellis se tornara mais terrível a cada dia, ela, por pena ou um sentimento de respeito, se privara propositadamente da vida sexual secreta que mantinha havia quase quatro anos.

Enquanto vestia a roupa e esperava que embrulhassem os vestidos novos, desviou os pensamentos de sua pessoa e dedicou-se ao problema seguinte: a questão das cinzas. Só sabia que tinha de fazer alguma coisa com elas. Quando conhecera Ellis, ele provavelmente desejaria ser espalhado levemente pelos fones do maior número de telefones possível, pensou ela, sorrindo ligeiramente à recordação. Ele então ainda não tinha sessenta anos, e era um vigoroso imperador no mundo da fortuna internacional, que fizera o seu primeiro milhão do que chamava "dinheiro de guardar" seguramente trinta anos antes. Talvez ele preferisse que suas cinzas fossem esfregadas, uma pitada de cada vez, nos forros das pastas do seu batalhão de executivos. Sempre gostara de mantê-los aturdidos. A vendedora olhou para ela de um modo esquisito e Billy de repente se deu conta de que tinha dado uma risadinha em voz alta. Ela não devia começar com isso. À hora do almoço, a cidade toda saberia que Billy Ikehorn estava rindo na manhã da morte do marido. Mas não havia alguma coisa, além da vida conjunta deles, sobre a qual Ellis se mostrara sentimental, antes de ficar doente? Dizia que um cálice de bom vinho e os últimos números das revistas Fortune e Forbes eram a sua maneira predileta de passar uma noite tranquila — claro, tinha que ser nos vinhedos, em Silverado. Talvez ela estivesse mais abalada do que imaginava. Normalmente, teria pensado logo nisso.

Não podiam usar o Learjet, explicou-lhe Hank Sanders, o piloto chefe. Para a finalidade que ela lhe descreveu, precisavam de um avião que pudesse voar devagar, de janela aberta. O jovem piloto era empregado dos Ikehorn havia pouco mais de cinco anos. Ele é que os levara a todos de Nova Iorque para a Califórnia, depois do primeiro derrame de Ellis, ele que ocupara o lugar da esquerda nas muitas viagens que o velho doente e sua jovem esposa retraída fizeram aos seus vinhedos em St. Helena ou a Palm Springs ou San Diego. De vez em quando Hank entregava os controles ao co-piloto e ia até a cabina para comunicar as condições do tempo ao Sr. Ikehorn, sentado junto à janela, em sua cadeira de rodas; uma formalidade, já que ou ele não prestava atenção a isso ou parecia não fazê-lo. Mas a Sra. Ikehorn sempre lhe agradecia, muito séria, parando de ler algum livro ou revista para perguntar o que ele achava de sua nova vida na Califórnia e dizer quantos dias deviam passar no Vale Napa, e até sugerir que ele experimentasse uma garrafa de determinada safra enquanto estivesse lá. Ele admirava muito a distinção dela e sentiu-se lisonjeado porque, ela olhava nos olhos dele enquanto conversavam brevemente. Pensou também que ela deveria ser uma trepada fabulosa, mas procurava não se deter nisso.

Mas agora, com a Sra. Ikehorn sentada a centímetros de distância, no Bonanza Beeohcraft alugado, ao decolarem do Aeroporto de Van Nuys quatro dias depois da cerimônia de cremação, ele se «entra meio nervoso à frente dos controles. Seu nervosismo não se devia a qualquer desconhecimento do pequeno avião. Aliás, Hank Sanders possuía uma Sierra Beech para viagens de fim-de-semana a Tahoe e Reno. Não havia nada, descobrira ele, como levar uma pequena para um fim-de-semana de avião para ter certeza de poder comê-la quanto quisesse. Não, o nervoso era por estar sentado ao Indo da Sra. Ikehorn, tão séria, tão preocupada, e tão irracionalmente sexy — perto demais para seu conforto, considerando-se as circunstâncias. Ele evitou com cuidado olhar para ela. Se ao menos da tivesse alguns parentes consigo, irmãs ou coisa assim.

Ele apresentara um plano de voo para Sr. Helena, num total de cerca de 650 milhas aéreas ao todo, viagem que o Bonanza poderia realizar em não mais de quatro horas e meia, talvez menos, dependendo do vento. Ao se aproximarem de Napa, Billy por fim rompeu o silêncio.

— Hank, não vamos pousar na pista. Quero que você acompanhe a Estrada 29 direto, perdendo altitude até chegar a St. Helena. Aí dê a volta para a direita. Por favor passe ao voo lento quando chegar aos nossos limites em Silverado. Depois plane o mais baixo possível, 150 metros é legal, certo?, e depois dê a volta pelas vinhas.

O Vale Napa não é largo, mas é extremamente belo, especialmente quando o sol de setembro se derrama sobre os milagrosos alqueires da base do vale, densamente plantados, e os morros íngremes e arborizados que o protegem de todos os lados. Os melhores vinhos dos Estados Unidos, considerados por muitos especialistas comparáveis e até superiores aos melhores vinhos da França, provêm desses poucos 10.000 hectares, onde os vinhedos se esbarram numa proximidade semelhante à de Bordeaux, embora cada qual seja várias vezes maior do que os franceses.

Em 1945 Ellis Ikehorn, que, por princípio, detestava os franceses, princípio que ele preferia não revelar, comprou a velha propriedade de Hersent e de Moustiers, perto de St. Helena. Esse belo vinhedo passara por um mau período e fora muito abandonado, quando a Lei Seca, a Depressão e a Segunda Guerra Mundial golpearam sucessivamente a fabricação americana de vinhos. Seus 1.200 hectares compreendiam uma casa sede de pedra, com dois torreões, vasta, com um telhado complicado e em estilo inconfundivelmente vitoriano, que Ikehorn restaurou e rebatizou Château Silverado, em homenagem à velha estrada, antes caminho de diligências, que acompanhava a extensão do vale. Ele seduziu Hans Weber da Alemanha, o célebre mestre de adegas, dando-lhe carta branca. A compra do vinhedo e o interesse que Ellis Ikehorn mostrava em consumir o grande Pinot Chardonaay e o igualmente esplêndido Cabernet Sauvignon, que foram produzidos no devido tempo, uns sete anos e nove milhões de dólares depois, foram o que mais se aproximou de um passatempo, para ele.

Contornando as vinhas, salpicadas de lavradores nos últimos dias antes da colheita, Billy abriu a janela à sua direita. Tinha na mão uma caixa de ouro maciço, de uns 30cm por 30cm, com o contraste de Londres de 1816-1817 e a marca do fabricante, o grande artífice Benjamin Smith. Dentro da caixa estavam gravadas as palavras:
Oferecido a Arthur Wellesley,

Duque de Wellington,

por ocasião do primeiro aniversário da

Batalha de Waterloo.

Com os Respeitos da Companhia de Comerciantes

e Banqueiros

da Cidade de Londres.

"O Duque de Ferro viverá eternamente

em nossos corações."

Billy pôs a mão com cuidado para fora da janelinha, firmando o punho contra a pressão do ar. Enquanto o Bonanza volteava baixo sobre as vinhas de Silverado, a 140 Km por hora, Billy soltou de leve a mola da tampa da caixa e, aos pouquinhos, deixou as cinzas de Ellis Ikehorn se espalharem sobre as fileiras de pesados cachos de uvas escondidas sob as folhas de um verde forte.

— Dizem que será um ano especialmente bom — murmurou ela para o piloto, que estava mudo.

Na viagem de volta, Billy ficou num silêncio estranho e vibrante, que, na imaginação tensa de Hank Sanders, parecia prenunciar algo de sua parte. No entanto, pousaram em Van Nuys sem novidades e, enquanto levava o Bonanza de volta aos seus calços, na pista e entrava no Aero Club Beech para devolver as chaves do avião, ele achou que a estranheza do episódio devia-se apenas ao motivo da viagem. Mas quando chegou no estacionamento, encontrara Billy a sua espera, sentada no lugar do motorista do imenso Bentley verde-escuro que Ellis apreciara e que ela nunca vendera.

— Pensei que podíamos dar uma voltinha, Hank. Ainda é cedo.

Suas sobrancelhas escuras estavam erguidas, numa expressão divertida, enquanto ela olhava para a cara dele, confusa. Aquele na era convite para o qual ele estava totalmente desprevenido.

— Uma voltinha! Por quê? Quero dizer, claro, Sra. Ikehorn, como quiser — respondeu ele, lutando entre o constrangimento e a boa educação.

Billy riu-se dele delicadamente, pensando como o piloto parecia um camponês jovem, com suas feições frescas e rudes, sardentas, os cabelos de um louro de palha e uma total ausência de interesse, ao que ela pudera perceber, através dos anos, por qualquer coisa além de aviões.

— Então entre. Não se importa se eu guiar, não é? Sou uma feiticeira na direção à direita. Não é divertido, nesta relíquia? Eu me sinto como se estivéssemos a uns três metros da rua.

Ela parecia natural e alegre como alguém que está indo para a praia.

Billy dirigia bem, parecendo saber para onde ia, cantarolando um pouco para si, alegremente, enquanto Hank Sanders tentava descontrair-se, como se sair com a Sra. Ikehorn fosse uma coisa que fizesse sempre. Ele estava terrivelmente sem jeito, tão preocupado com a etiqueta da situação que mal notou quando Billy saiu da rodovia, seguindo por Lankershim por alguns quilômetros e depois passou da rua larga para uma estrada estreita. Ela fez uma volta à direita, abruptamente, e entrou num pequeno motel. Parou o Bentley em um dos abrigos de carro, construídos junto de cada quarto.

— Volto já, Hank. Acho que está na hora de beber alguma coisa, portanto não vá embora.

Ela desapareceu no escritório do motel um instante e depois voltou, segurando com displicência uma chave e um balde de plástico com cubos de gelo. Ainda cantarolando, entregou o gelo a ele, abriu a mala do carro e tirou uma mala de couro grande. Ela abriu a porta do quarto do motel e, rindo, fez sinal para que ele entrasse.

Hank Sanders olhou em volta do quarto com uma apreensão misturada com assombro, enquanto Billy abria o bar portátil, feito sob encomenda em Londres dez anos antes, para corridas e caçadas em casas de campo, uma relíquia de uma era de sua vida que parecia tão arcaica quanto as garrafas de tampas de prata que ela dispôs numa fileira no tapete, em falta de mesa. O chão do quarto refrigerado era coberto de parede a parede por um tapete espesso, de um suave tom de framboesa, que também cobria três das paredes até o teto, o qual, como a quarta parede, era todo de espelhos. Hank, nervoso, andou pelo quarto, notando que não havia janelas, nem cadeiras, nada a não ser uma pequena cômoda num canto. A luz vinha de três postes, do chão ao teto, ao qual estavam presos pequenos spots com lâmpadas rosadas, e podiam ser dirigidas para qualquer direção. Uma cama grande e baixa ocupava quase metade do espaço. Era coberta por lençóis de cetim rosa e cheia de travesseiros. Ele estava investigando o banheiro imaculado, sem saber o que fazer, quando Billy o chamou.

— Hank, o que você quer beber?

Ele voltou para o quarto.

— Perfeitamente. Por favor, não se preocupe. Então, o que lhe posso oferecer?

— Uísque, por favor, só com gelo.

Billy estava sentada no chão, encostada na cama. Ela deu-lhe um copo com a mesma naturalidade com que o faria num coquetel. Hank sentou-se no tapete, era isso ou a cama, pensou ele, alucinado, e tomou um bom trago da bebida, que ela servira num copo de prata. De blusa branca de cambraia de linho e saia de enrolar de algodão azul, as pernas compridas e bronzeadas esparramadas no tapete, ela parecia estar num piquenique. Billy também bebeu, batendo o copo no dele, brincando.

— Ao Motel Essex, jardim do Vale San Fernando, e a Ellis Ikehorn, que aprovaria — brindou ela.

— O quê! — disse ele, profundamente chocado.

— Hank, você não precisa compreender, é só acreditar em mim.

Ela aproximou-se mais dele e com o mesmo gesto displicente e, no entanto preciso que podia usar para apertar-lhe a mão propositadamente estendeu a mão elegante e colocou-a bem sobre o V apertado da calça Lee dele. Seus dedos, com perícia, procuraram o contorno do pênis do rapaz.

— Jesus! — Numa reação elétrica, ele tentou sentar-se reto, mas só conseguiu derramar a bebida.

— Acho que você gostaria mais disso se ficasse quieto — murmurou Billy, abrindo o fecho eclair da calça dele.

O pau dele estava completamente murcho com o choque, enroscado num tapete largo de pêlos louros, Billy respirou fundo, encantada. Ela adorava ver aquilo assim, mole e pequeno. Era assim que podia metê-lo todo na boca com facilidade e segurá-lo ali, sem nem lambê-lo, só sentindo-o crescer e crescer no calor molhado, experimentando o seu poder sem mover um músculo. Até mesmo o cabelo naqueles globos apertados entre as pernas dele era cor-de-palha. Com delicadeza, ela roçou o nariz neles, aspirando o cheiro secreto. Até que uma mulher cheire o homem exatamente aí, pensou ela, divagando, não o pode conhecer. Ela ouviu o piloto gemer em protesto sobre a sua cabeça exploradora, mas não lhe deu atenção. Ele estava se recuperando da surpresa e seu pau começava a contorcer-se e a crescer. Ela encaixou os culhões dele com mão livre, o dedo do meio furtivamente deslizando e apertando para cima na pele esticada do escroto. Então seus lábios e língua passaram a trabalhar juntos em volta do pênis quase ereto, que, embora bem curto, era grosso, forte como ele todo. Ele recostou-se na beirada da cama, entregando-se inteiramente à novidade do papel passivo, sentindo o pau sacudir e saltar com um movimento latejante enquanto cada vez mais se enchia de sangue. À medida que ele ia ficando cada vez mais grosso, ela mexeu um pouco a boca e trabalhou só na ponta inchada, fazendo-lhe uma sucção forte e inalterável, enquanto os dedos de ambas as mãos passaram a deslizar para cima e para baixo do membro molhado e tenso. Com um gemido, não querendo gozar depressa demais, ele levantou a cabeça escura do seu colo e enterrou o rosto nos cabelos dela, beijando aquele pescoço lindo, pensando que ela era apenas uma garota, só uma garota. Levantou-a para a cama e jogou a calça no tapete. Logo desabotoou a blusa dela. Os seios nus eram maiores do que os tinha imaginado, os bicos escuros e sedosos.

— Você pode imaginar como eu estava molhada, nesta última hora? — murmurou ela, junto da boca de Hank. — Não, não creio que possa, vai ter de ver por si, vou ter de mostrar-lhe.

Billy desprendeu a saia com um só movimento; por baixo, estava despida. Ela sentou-se e o fez deitar na cama, prendendo os ombros dele no lençol com as palmas das mãos. Passou um joelho por cima dele e subiu um pouco, montando-o, de modo que seu sexo "ficasse bem sobre a boca dele. A língua dele estendeu-se para captá-lo, mas ela ficou ondulando de um lado para outro em cima dele, de modo que ele só conseguia lambê-la de segundo em segundo. Por fim, alucinado, sem poder suportar a provocação, ele agarrou a bunda dela e puxou-a para baixo, plantando a boca com firmeza entre as bordas entumescidas e cheias, chupando e lambendo e puxando-a cegamente. Ela retesou-se, as costas arqueadas e com um grito abafado gozou, quase instantaneamente. O pau dele estava tão-duro que teve medo de gozar no ar. Freneticamente, pegou-a pela cintura, puxou-a para baixo, sobre ele, e penetrou-a selvagemente, enquanto ela ainda estremecia com seus próprios espasmos.

As horas que se seguiram nunca tornaram a acontecer, mas Hank Sanders se lembraria delas pelo resto da vida, mesmo sem a caixa Georgiana, outrora propriedade de Duque de Wellington, que Billy lhe deu naquela noite, tarde da noite, ao se despedir dele na mansão da colina de Bel-Air.

Subindo a escadaria ampla, a casa parecia deserta, embora estivesse cheia de uma dúzia de empregados que dormiam. Ellis agora realmente desaparecerá, pensou ela, lembrando-se do homem vigoroso com quem se casara doze anos antes. Quando disse a Hank Sanders que Ellis teria aprovado o que eles tinham feito naquela noite, ele não compreendera, mas ela dissera a verdade. Se fosse ela a morrer, velha, e Ellis o sobrevivente, rapaz jovem, ele provavelmente teria comido a primeira mulher que aparecesse, numa comemoração particular do passado, um passado em que eles se tinham amado totalmente. Podia não ser o tipo de coisa que muita gente faria como tributo sentimental a uma memória, mas adaptava-se perfeitamente a ambos. As cinzas dele presas às uvas maduras, o cheiro do pau nos seus cabelos, a sensação dolorida e bem-vinda que sentia entre as pernas — Ellis não teria apenas aprovado, mas aplaudido.

Quando Wilhelmina Hunnenwell Winthrop nasceu, em Boston, vinte e um anos antes de se tornar Billy Ikehorn, as pessoas que davam importância à genealogia (e Boston é para árvores genealógicas o que o Périgord é para os amantes de trufas e Monte Cario para os proprietários de iate) a consideravam uma pequena de muita sorte mesmo. Sua vasta parentela incluía o número indispensável de Lowells, Cabots e Warrens, um bom punhado de Saltons-talls, Peabodys e Forbes, bem como um respingo de sangue Adams, imperial misturado em cada duas gerações. Sua linhagem paterna começava com um Richard Warren, que estava no Mayflower em 1620, não se podia propriamente querer mais que isso, e, do lado da mãe, havia não apenas impecável sangue bostoniano, como ainda ela podia fazer remontar suas origens aos fundadores do Vale do Rio Hudson, bem como a alguns dos muitos Randolphs da Virgínia.

As fortunas das antigas famílias de Boston, em geral, eram fundadas sobre os navios a vela, os escritórios de casas comerciais e o comércio com as Antilhas. Essas fortunas, conservadas e economizadas pelos prudentes supervisores dos clãs, agora formam uma rede de fundos interligados, que praticamente garantem que toda criança bostoniana digna desse nome nunca terá de se preocupar com dinheiro e, aliás, se criará sem saber por que os problemas monetários figuram de modo tão proeminente na cabeça da maioria das pessoas. Enquanto os fundos prosperam e progridem tranquila mas poderosamente, muitos bostonianos simplesmente vivem além do dinheiro, assim como uma pessoa de saúde perfeita está além de pensar em inspirar e expirar. Felizmente, a antiga Boston tem produzido, em cada geração, homens de dotes excepcionais como administradores de dinheiro, homens que vigiam os investimentos de seus parentes com o mesmo brilhantismo com que cuidam dos investimentos das grandes instituições a seu cargo. Esses homens permitem que o restante de Boston considere vulgar falar de dinheiro.



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