Juventude, igreja católica e internet: aproximaçÕes possíveis?



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JUVENTUDE, IGREJA CATÓLICA E INTERNET: APROXIMAÇÕES POSSÍVEIS?

Resumo
O presente ensaio busca entender a relação entre a juventude e a Igreja Católica, especificamente as comunidades de jovens católicos, na sociedade hodierna. Parte da hipótese que a Igreja influencia a juventude, apesar do “desencantamento do mundo” surgido na modernidade. Procurou-se enxergar quais os entendimentos que as comunidades de jovens católicos têm sobre a conceituação da juventude contemporânea brasileira. Para tal, foi realizada uma análise dos sites da Pastoral da Juventude (PJ), do Ministério Jovem da Renovação Carismática Católica (MJ RCC) e do Treinamento de Liderança Cristã (TLC), bem como suas redes sociais, a fim de encontrar o posicionamento destas comunidades católicas a respeito da juventude brasileira.

Palavras-chave: Juventude. Igreja Católica. Desencantamento. Modernidade.
Introdução

O objetivo deste ensaio é discutir sobre religião e juventude. A ideia é refletir sobre as novas configurações da Igreja Católica, mas precisamente a Pastoral da Juventude (PJ), o Ministério Jovem da Renovação Carismática Católica (MJ RCC) e o Treinamento de Liderança Cristã (TLC) e a categoria da juventude na sociedade contemporânea. Nesse sentido, é interessante analisar quais são as especificidades dessa relação atualmente e perceber como se dá a influência da Igreja Católica sobre os jovens brasileiros. Segundo pesquisas realizadas por Camurça, Tavares e Perez (2015) e Camurça (2006), a pertença religiosa na sociedade atual se apresenta de forma diversificada, uma vez que outras manifestações de religiosidade ganham expressão (como os pentecostais, protestantes e espíritas) para além daquelas ligadas ao catolicismo.

Oliveira (2010) relata que, na sociedade atual, tem aumentado o interesse pelas pesquisas referentes ao fenômeno religioso e aos jovens. Para ele, a juventude desse século parece ter dado um diferente significado para o conceito de religião, uma vez que os jovens têm valorizado mais a sua fé pessoal que suas ligações institucionais. Nesse sentido, antes de discutir sobre a relação entre juventude e Igreja Católica, devemos entender como essa relação se deu no período moderno.

Quando Bauman (1993) escreve sobre a sociedade moderna (sólida), o conceito de ordem é sintomático. O surgimento da modernidade trouxe uma proposta de durabilidade, baseando-se na busca da ordem, excluindo e desconsiderando todo o tipo de imprevisto e desordem. A intenção era deixar o lugar limpo, sempre em busca de algo novo, melhor e mais sólido (BUNGENSTAB, 2014, p. 48). Para Bungenstab e Almeida (2014, p. 227)

A modernidade sólida contou, também, com dois aliados no que se refere à manutenção na tarefa de ordem: o Estado jardineiro e os filósofos legisladores. Segundo Bauman (1993), o surgimento da modernidade foi um processo de transformação das culturas-selvagens em culturas-jardins, em que esta última, por meio do Estado jardineiro, buscou expulsar e destruir tudo que a primeira tinha produzido até então, com o intuito de “plantar” em seu lugar novos ideais de projetos e vigiar interminavelmente as ações dos indivíduos. Os filósofos legisladores, de acordo com Bauman, foram personagens importantes da maquinaria moderna sólida e tinham como função sustentar um discurso intelectual no qual apenas eles, dotados de razão, poderiam mostrar o caminho para que os indivíduos alcançassem a felicidade.
A ciência biológica e médica são exemplos de conhecimentos que, no período moderno sólido, se portaram como oráculos a fim de apontar o conhecimento verdadeiro e inquestionável, deixando o conhecimento da religião em segundo plano. De que maneira a presença da religião católica se configura na sociedade atual? Estaria ela, enquanto uma instituição, se enfraquecendo diante dos jovens na sociedade altamente tecnológica?
1. Percurso metodológico

A discussão metodológica sobre pesquisa utilizando a internet ainda é, relativamente, recente. De acordo com Halavais (2011, p. 15), a internet é uma representação das nossas práticas sociais e, por isso, é necessário que os cientistas criem outros instrumentos de análise e novos métodos de observação.


A internet nos permite ver mais interações sociais do que jamais esperávamos, e agora, no deparamos, em muitos casos, com o excesso de uma coisa boa. Que esperança temos de fazer sentido de dados tão complexos? Esta agora é uma questão que atravessa todas as ciências – todos nós compartilhamos o novo mundo dos sistemas complexos.

Compreendemos a internet aqui como um artefato cultural. Para Hine (2000), há uma relação importante entre a internet e a vida cotidiana na qual a primeira é um elemento da cultura que pode interferir e sofrer interferências da vida real. Utilizar a internet como artefato cultural torna-se importante para a presente pesquisa, já que estou tentando entender os discursos que são produzidos nos sites das comunidades católicas e como eles influenciam os jovens.

Segundo Fragoso, Recuero e Amaral (2011), a internet pode se caracterizar como um local de pesquisa e um instrumento da mesma. Para este artigo ela é local de pesquisa porque é dentro de seu ambiente virtual que a pesquisa foi realizada, utilizando sites e redes sociais. Além disso, a internet também é instrumento de pesquisa, pois é a partir dela que serão coletados os dados a respeito da relação entre juventude e Igreja Católica.

Sendo assim, foi realizada uma análise de conteúdo dos sites da PJ, do MJ RCC e do TLC, bem como suas redes sociais twitter e facebook.1 A análise de conteúdo, para Bardin (1988), se caracteriza pela interpretação dos sentidos atribuídos às comunicações e as mensagens (que podem aparecer de forma escrita ou não). A análise de conteúdo é dividida em três etapas: pré-análise, exploração do material e interpretação dos dados. Na fase da pré-análise foram analisados os sites e as redes sociais das comunidades católicas. Na fase de exploração do material, separou-se todos aqueles materiais (escritos ou não) que versavam especificamente sobre juventude. Por fim, na fase de interpretação de dados foi feita uma análise crítica e interpretativa dos materiais colhidos.


2. Caracterizando a juventude

As instituições modernas e as pessoas que nela estavam inseridas realizaram o trabalho de dizer sobre aquilo que era a juventude e os jovens. Entender esse processo é importante para realizar o exercício de refletir o que vem sendo o jovem (e a juventude) na sociedade contemporânea e qual relação que ela estabelece com a Igreja. Feixa (1998), ao descrever o surgimento da juventude na sociedade ocidental, diz que esse fato ocorreu no século XVIII com a revolução industrial.

O autor ainda mostra que o surgimento das instituições – escola, família, Igreja, exército e trabalho – foram fundamentais para o desenvolvimento da juventude como categoria. Fica claro o vínculo existente entre a modernidade e juventude. Groppo (2000) mostra, na transição do século XIX para o século XX, que a concepção de juventude era fortemente marcada por aspectos institucionais, etários e pela ciência moderna.

A época moderna voltada para a ideia de projetos futuros, de classificações de pessoas, padrões, lugares, do dualismo entre o certo/errado e, principalmente, das ciências modernas, acabou criando e transformando a juventude em um estágio de transição perigoso e frágil para a maturidade e a vida adulta. A juventude passou a ser classificada como uma função social de maturação do indivíduo para o alcance da idade adulta. Era preciso intervir e agir sobre esse jovem para que ele pudesse se adequar aos moldes modernos de socialização. (BUNGENSTAB, 2014, p. 63)

Segundo Sousa (2010), entre os anos de 1950 e 1970 o conceito de juventude se voltava basicamente para as correntes classistas e/ou geracionais.

Em comum, ambas as correntes, geracional e classista, defendiam o surgimento das culturas juvenis por oposição a uma cultura dominante: a cultura dominante das gerações mais velhas na corrente geracional e a cultura da classe dominante na corrente classista (SOUSA, 2010, p. 80).

A sociologia funcionalista2, fortemente influenciada pelos escritos de Eisenstadt (1976), passou a analisar os jovens pautados pela perspectiva geracional, isso significou enxergar os jovens tentando entender também como se comportam as outras gerações, como os adultos. Influenciada pela teoria da socialização, essa corrente discute principalmente a ideia de continuidade/descontinuidade dos valores intergeracionais.

Desse modo, como bem ressalta Pais (1990), a socialização contínua da juventude se daria pela integração desses jovens ao sistema já existente no seio social. A geração jovem, então, viveria sua etapa da vida de modo a se adaptar e se preparar para sua entrada na vida adulta sem conflitos, se adequando ao que foi construído e estabelecido pelas gerações anteriores (geração dos seus pais, por exemplo).

De influência marxista, os defensores da corrente classista consideram que a transição dos jovens para a vida adulta sempre irá ocorrer baseadas em questões de reproduções classistas. Assim, se é jovem e, também, se pertence a uma classe. Todas as manifestações e ações de grupos juvenis são analisadas sob o ponto de vista da classe pertencente por esses jovens.

Nesse sentido, jovens pertencentes a diferentes classes sociais têm diferentes modos de viver suas juventudes. Isso faz com que as análises se voltem, quase sempre, a discussão a respeito da resistência (ou não resistência) juvenil diante das culturas dominantes. No entanto, ela apresenta limitações quando pensa todas as questões juvenis como resultante de processos de dominação e de posicionamento de classe.

Aluno importante da escola de Birmingham, Paul Willis, em entrevista a Martinez (2005), destaca algumas questões referentes à juventude. Foi na Universidade de Birmingham, influenciado por Richard Hoggart e utilizando técnicas da literatura, da etnografia e do pensamento marxista que Willis começou a investigar as culturas juvenis, principalmente aquelas ligadas aos jovens trabalhadores que optavam por participar de subculturas que perpassavam a cultura dominante.

Para Willis (1991), os estudos culturais juvenis devem, empiricamente, se atentar para questões que envolvem a resistência e a dominação. Determinadas culturas juvenis podem ser consideradas superiores (de elite), marginalizando as outras manifestações culturais (por exemplo, as advindas da massa). A importância da etnografia de Willis mostrou que os jovens criam seus próprios modos de resistência e cultura em reação aos impositivos institucionais.

Ao longo dos últimos dois séculos, a juventude deixou aos poucos de ser caracterizada exclusivamente como problema social. Os jovens começaram a ser considerados como sujeitos de direitos que necessitavam de intervenções por parte das instituições para desenvolver e viver suas juventudes de forma plena e prazerosa. A imagem da juventude se transformou. Eles viraram o modelo social a ser seguido. A sociedade passou a buscar a juventude no que tange ao corpo, aos modos de vida e ao consumo.

Para Pais (2009) os jovens pertencentes à sociedade contemporânea teriam como traço característico de suas condições juvenis uma situação de impasse diante do futuro. É a partir disso que Pais (2009) concebeu umas das mais interessantes reflexões sobre a juventude contemporânea: pensar a juventude por meio dos ritos de impasse.

Os ritos de impasse, segundo ele, surgem de situações anômicas, quando a sensação de segurança se enfraquece ou quando a pertença identitária se fragiliza, se tornando efêmera e fluida. Para justificar os ritos de impasse, Pais (2009) vai lançar mão dos ritos naturais de passagem que ocorrem na sociedade. Esses ritos se referem à passagem da fase juvenil para a idade adulta e são marcados por características como a entrada no mercado de trabalho, a saída da casa dos pais, o casamento e o término dos estudos. Ao passo que essas características acontecem, o rito de passagem para a idade adulta se configura de forma linear.

Hoje, na sociedade fluida, as certezas de linearidade se desmancham e o adulto empregado, casado, com sua casa própria, vê-se, em muitas ocasiões, afetado pelo desemprego, tendo que retornar aos bancos escolares e, muitas vezes, precisando de ajuda da família de origem e das instituições. (BUNGENSTAB, 2014, p. 63) Como podemos pensar a religião nesse contexto?

Como bem ressaltou Fernandes (2011, p. 663) os jovens brasileiros que iniciam na vida religiosa possuem maior faixa etária, são estudantes, tem um estilo de vida modesto e podem facilmente serem confundidos com jovens não religiosos. Em outro estudo, Fernandes (2011, p. 121) conclui:
Tanto católicos quanto pentecostais consideram a religião muito importante para uma dada sociedade. Desse modo, há que se refutar a tese do indiferentismo religioso da juventude ou, ao menos, há que se considerar que no Brasil, diferentemente da Bélgica ou de outros países europeus, não ocorre uma necessária passagem de “religião instituída” para uma “religião recomposta” (Hervieu-Léger 2005:48), mas a religião instituída se recompõe no ato mesmo de sua incorporação pelos fiéis e a juventude apenas reproduz a essência valorativa da religião.

A religião parece pautar valores e ideias nos discursos dos jovens, constituindo-os como sujeitos. Contudo, Fernandes (2011) reconhece que em vários aspectos a religião não é determinante para configurar os valores juvenis, como, por exemplo, no que tange a política. Estudando o contexto específico do Estado de Minas Gerais, Camurça, Tavares e Perez (2015) concluíram que os jovens pesquisados têm suas consciências religiosas bem claras e definidas. Desse modo, a religião continua influenciando a vida dos jovens, sendo fonte de sentido e experiência. Camurça, Tavares e Perez (2015, p. 425), no entanto, afirmam que essa influência da religião não se dá mais de modo formal ou simplesmente voltado para o consumo.

Ela faz parte das referências culturais mais imediatas desses jovens. Talvez fosse mesmo plausível dizer que não se trata mais da religião, mas de religiosidades, ou mais ainda, de sensibilidades religiosamente fundadas que acionam o sagrado, sobretudo em sua a propriedade de colocar coisas e/ou ideias antes separadas em contiguidade, criando um amplo campo de possibilidades de modulações e articulações. (p. 425).

Outros estudos realizados por Mariz (2005) e Cardozo (2013) confirmam a forte presença da pertença religiosa que os jovens estabelecem com as chamadas “novas comunidades” religiosas. Interessante se torna, então, entender como a internet pode ser uma ferramenta importante para fortalecer (ou não) a relação juventude/religião.


3. A religião e o desencantamento do mundo

Desencantamento do mundo foi um conceito cunhado pelo sociólogo Max Weber (2004) para descrever sobre a relação que a religião possuía com a sociedade moderna e, além disso, para ajudar a explicar esse mundo desencantado. Para esse autor a religião era uma das formas de contribuição à sociologia do racionalismo.

Desencantamento do mundo para Weber (2004) pode ser entendido em dois sentidos. O primeiro, em relação à “desmagificação”. O segundo, “perda de sentido”. Pierucci (2003), em sua obra “Desencantamento do mundo”, realiza um exercício de elucidar e tornar a palavra “desencantamento” como um conceito nítido. Assim, é interessante colocar que o “desencantamento do mundo” surge como metáfora e se apresenta em toda obra de Weber.

Pierucci (2003), ao dizer que Weber elege dois significados à ideia de “desencantamento”, demonstra que esses significados aparecem tanto de formas separadas como de formas concomitantes nas obras weberianas. A primeira ideia de “desmagificação” da religiosidade está relacionada à retirada da magia na religião, ou seja, sua moralização. Assim, a religiosidade se liga a vida mundana e real, sobretudo em relação à ação religiosa do ser humano, que é ligada a sua vida no mundo terreno.

Já a ideia de “desencantamento do mundo”, em relação à perda de sentido, refere-se ao desencanto no que tange a desilusão pessoal com o mundo, com o protagonismo da racionalidade e das ciências modernas. As pessoas, assim, não mais se agarrariam as explicações religiosas e fantasiosas do mundo, passando a creditar os fatos intramundanos à ciência moderna racionalizada.

Pierucci (2003) conta todos os passos de onde o sintagma “desencantamento do mundo” aparece nas obras de Weber; ora como “perda de sentido”, ora como “desmagificação” ou os dois significados. Esse movimento de secularização tratado por Weber (2004) não elimina a religião da vida sociocultural, senão, transforma as relações que os indivíduos terão com a religião na modernidade. Assim, a religião se desloca do eixo central com seu status de outrora e passa a ser tratada no interior da vida familiar e individual.

A religião era (é) uma instituição que, até o “desencantamento do mundo”, era a principal instituição que influenciava e dava explicações para todos os acontecimentos cotidianos da vida dos indivíduos. Consequentemente, ela também participava da vida dos jovens, seja de uma maneira educacional, punitiva e/ou explicativa. Com o advento do “desencantamento do mundo”, a religião perdeu seu status e passou a dividir com outras instituições - como a escola e a ciência - essas funções que outrora eram delegadas exclusivamente a ela.

Coisas relativas ao período da juventude que eram explicadas pela religião com justificativas extramundanas (como, por exemplo, as mudanças corporais) passam, na modernidade, a serem explicadas pela ciência com bases extremamente científicas e biológicas. Isso modificou o próprio trato que a sociedade passou a dar para essa categoria. Um dos principais motivos talvez seja o próprio conceito de juventude: originado no período moderno pautado, exclusivamente, pela ciência médica/biológica. Segundo Groppo (2000), a juventude nessa época era caracterizada pela fase de mudanças relativas à fisiologia e aos hormônios, como o crescimento do corpo.

Ainda hoje a Igreja Católica reforça o pensamento de que algumas condutas não podem ser tomadas por indivíduos jovens, pois estariam contra as palavras promulgadas na Igreja. Uma delas é o uso de preservativos, que é tido como ato pecaminoso para a Igreja Católica. Camurça, Tavares e Perez (2015) dizem que a pertença religiosa hoje no Brasil é pautada pela diversidade, pelo declínio da hegemonia católica e pelo acréscimo dos jovens que se dizem sem religião. As características que a Igreja Católica possui já não são tão atrativas para os jovens?
4. A religião católica e os jovens no Brasil

De acordo com o censo religioso de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1872, 99,7% da população brasileira era católica. Praticamente 100 anos depois, em 1970, esse número diminuiu para 91,8%. No início dos anos 1990, esse número caiu para 83%. Já no último censo realizado, em 2010, o quantitativo de católicos no Brasil era de 64,6%. A religião católica historicamente influenciou a sociedade brasileira, apesar de, nas últimas três décadas, estar claramente perdendo fiéis para religiões protestantes. Esperandio e Lopes (2012) dizem que, desde os anos 80 do século XX, há um crescimento de novas expressões religiosas dentro da instituição católica.

Esse processo resultou no surgimento de três grandes segmentos de grupos de jovens católicos. São eles: a Pastoral da Juventude (PJ), o Ministério Jovem da Renovação Carismática Católica (MJ RCC) e uma organização de retiros de Treinamento de Lideranças Cristãs (TLC). Abaixo, a tabela 1 mostra esses três segmentos de forma detalhada:



Comunidade de jovens católicos

Surgimento (no Brasil)

Objetivo

O que espera dos jovens

TLC


1967

Formar líderes cristãos


Que seja líder. Tenha humildade, generosidade e dedicação à causa de Cristo.

MJ RCC

1970


Evangelizar, formar, orientar e motivar os jovens a partir da identidade da RCC, inserindo-os na vida da Igreja.

Que se forme no plano espiritual, humano e vocacional e seja protagonista na Igreja.

PJ

1970


Evangelizar os jovens da classe popular no meio em que eles vivem e atuam, anunciando a Pessoa e o Projeto de Cristo. 

Protagonismo de sua evangelização, com o intuito de promover o encontro pessoal e comunitário com Cristo.


Tabela 1 – Comunidades de jovens católicos e suas características
Fonte – Dados do pesquisador
O TLC, segundo Esperandio e Lopes (2012), é um movimento que surgiu depois de 1960, fundado pelo padre Harold Rahm. Esse movimento é caracterizado pelo forte apelo à emoção, arte e alegria, potencializando o papel do jovem, transformando-o em protagonista dentro da Igreja.

De acordo com o site3 do movimento, o TLC tem como principal carisma ser a “porta” de entrada para os jovens na Igreja. As frases que dão rumo a esse movimento são: “Deus é alegria” e “Por melhor e mais eficiente que eu seja jamais serei tão eficiente quanto todos nós juntos”. Durante os encontros, muitas músicas e dinâmicas ajudam os participantes a aderirem à proposta do movimento e modificarem seus valores pessoais em prol do grupo. O Treinamento de Lideranças Cristãs, por meio de seus mentores, deixa bem claro quais são os jovens que podem (ou não) participar de suas atividades. Segundo Rahm (2007, p. 116):


Jovens sobre pressão de um grande trauma ou que, por qualquer circunstancias, não estejam em condições de assimilar a doutrinação do curso, podendo mesmo causar perturbação nos outros. Em determinados estados psicológicos, a imensa atividade espiritual e emotiva pode ser prejudicada.
Também não podem participar aqueles jovens superficiais, irresponsáveis e sem capacidade de liderança. Assim, apenas jovens católicos que tenham características morais e qualidades humanas adequadas e esperadas pelo TLC. Por meio disso é que eles ajudarão para a cristianização do mundo moderno e a renovação crista da sociedade.

O Ministério Jovem é apontado como uma das áreas que mais cresce no seio da Renovação Carismática Católica. Seu sucesso entre os jovens está relacionado ao fato de que nos grupos de orações juvenis são abordados temas polêmicos que interessam aos jovens, como sexo e drogas. O MJ RCC, de acordo com Esperandio e Lopes (2012), surgiu no início do século XX e é uma das maiores agremiações da juventude católica brasileira. O Ministério4 tem como objetivo evangelizar, formar, orientar e motivar os jovens, inserindo-os na vida dentro da Igreja.

Ao definir o papel do jovem dentro do Ministério, eles dizem: “A formação humana, espiritual e vocacional são as bases para que o jovem se torne protagonista na Igreja e na sociedade. Tudo isso a fim de proporcionar a oportunidade de ter o encontro pessoal com Jesus Cristo, permitindo assim que o jovem responda ao chamado de Deus e sejam construtores da civilização do amor”. Principais condutas que os grupos do Ministério devem tomar são: o Batismo no Espírito Santo, a abertura e o uso dos carismas, o louvor, a centralidade da Palavra e a vivência comunitária no grupo de oração.

Já as PJs5, segundo Sofiati (2012), tiveram em sua gênese o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), defendendo a tese de que os jovens devem ser protagonistas de sua evangelização, com o intuito de promover o encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo. As PJs foram consideradas, de acordo com Esperandio e Lopes (2012), as únicas expressões válidas e oficiais na evangelização dos jovens no período de 1980 até os anos 2000. Isso proporcionou embates com as outras expressões católicas juvenis.

Na década de 1970 as PJs valorizavam a emoção, a poesia e o sentimento em detrimento da ação. Já nos anos de 1980, a nova juventude militante que aflorou, alimentada pela Teologia da Libertação (TL), influenciou de forma significativa o pensamento da PJ. Sofiati (2012) lembra que foi a partir da influência do evangelho que a PJ optou por abarcar os jovens pobres, acreditando que eles necessitavam de cuidados e ajudas pelas injustiças cometidas pela sociedade. Como bem ressalta Sofiati (2012, p. 339):
Portanto, a opção pelos jovens empobrecidos tem como significado olhar a sociedade a partir do olhar social do pobre. Essa tomada de decisão leva a PJ a formar seus jovens na perspectiva de transformação das estruturas sociais que oprimem o empobrecido.

A PJ é constituída por grupos de base que se reúnem frequentemente para reflexão e oração, acreditando no protagonismo dos grupos juvenis e na evangelização. Em uma de suas publicações na internet, a PJ fala sobre o projeto “a juventude quer viver”. 6

Entendendo os objetivos do TLC, do MJ RCC e da PJ, podemos pensar algumas pistas sobre o que esses movimentos acreditam ser a juventude atual. A primeira e a mais evidente é a ideia de pensar o jovem como protagonista, ou seja, um protagonismo juvenil. De acordo com Costa (2000), a ideia de protagonismo juvenil se fundamenta na participação dos jovens em atividades que extrapolam o seu interesse individual ou familiar, voltando-se para diferentes espaços da vida cotidiana, como a escola, Igreja, clube e movimentos sociais.

Na ideia de protagonismo juvenil que esses segmentos da Igreja Católica promulgam parece que ficam claras suas intenções de se fundamentarem enquanto espaços que fazem diferença na vida do jovem, indo muito além daquela ideia de religião na modernidade do desencanto na qual a influência se encontrava apenas no âmbito particular, residencial e familiar. Assim, tornar o jovem protagonista é ajudá-lo a ser autônomo e comprometido socialmente e, se isso acontece no seio desses segmentos católicos, esse comprometimento social estará fortemente ligado à religião.

A segunda característica presente no discurso do TLC, MJ RCC e PJ sobre a juventude, aparece quando elas pensam o jovem como um indivíduo pertencente a uma geração. A PJ se baseia, em seu site, pelas análises de Novaes (2005), para dizer que a geração jovem é marcada por três características essenciais e comuns, quais sejam: o medo de morrer (referente ao alto índice de jovens que são assassinados), o medo de sobrar (por causa dos altos índices de exclusão social e econômica) e o medo de ficar desconectado (referindo ao medo de não pertencimento nos grupos juvenis).

Duas reflexões são importantes: ao se falar em geração, esses segmentos da Igreja Católica deixam claras suas posições de que a juventude é uma fase da vida e para que a passagem para a fase adulta seja realizada da melhor forma possível, é necessário tomar alguns cuidados. Assim, a Igreja Católica é uma instituição que tem na PJ, TLC e MJ RCC comunidades que atuam no seu meandro com o intuito de cuidar dos jovens, dando-lhes direito à vida e a garantia da juventude, para que eles vivam essa fase sem se preocupar com as três características geracionais supracitadas.

Essa ideia de cuidado da juventude e auxílio na conquista de direito remete à ideia de moratória social. Para Groppo (2009, p.10) a moratória social é um modelo que vê os jovens a partir dos direitos sociais e também como integração social no qual o momento de ser jovem é direcionado a livre experimentação e proteção.

Vale lembrar que essa ideia da juventude como uma etapa que necessita de proteção, cuidado, liderança e protagonismo (participação em políticas públicas) é sempre acompanhada da ideia de que, de acordo com esses três segmentos da Igreja Católica, esses caminhos não podem ser percorridos sem as palavras de Jesus Cristo e o acompanhamento da Igreja. Parece que a PJ, o TLC e o MJ RCC remam na contramão da ideia de uma juventude consumista, individualista e voltada para o presente, que aceita o enfraquecimento de algumas instituições. Nesse sentido, se apresentam também como um polo de resistência político e educacional.


5. Considerações sobre juventude, Igreja Católica e internet

Se outrora, na modernidade, o desencantamento do mundo forçou a instituição religiosa (Igreja Católica) a influenciar as vidas dos indivíduos “apenas” no plano familiar e residencial, se retirando das participações no campo das explicações políticas, sociais e culturais do mundo, hoje, parece que a Igreja Católica, por meio da PJ, da MJ RCC e da TLC, realiza um exercício inverso. Além de claramente se posicionarem a respeito do que acreditam ser a juventude, utilizam essa posição para justificarem as suas importâncias enquanto espaço fundamental para a formação da juventude (católica). Diferente daquilo que destacou Fernandes (2011), notou-se nos sites da PJ, da MJ RCC e da TLC o intuito de participarem da vida política, educacional e social dos jovens, se posicionando na sociedade.

Para tal, a internet se torna uma ferramenta importante de artefato cultural já que todo conteúdo inserido no mundo virtual pode ter impacto no cotidiano dos jovens. Além do site, essas comunidades católicas também estão presentes nas redes sociais: no facebook e no twitter. Vejamos com a tabela 2 abaixo:


Comunidade de jovens católicos

Número de curtidas no facebook

Número de seguidores no twitter

PJ

118.246

3.531

MJ RCC

32.964

7.129

TLC

12.806

1.140

TOTAL

164.016

11.800


Tabela 2 – Comunidades de jovens católicos e seus seguidores nas redes sociais

Fonte: pesquisa do autor (2017)


No facebook, vemos que a PJ possui o maior número de curtidas e a TLC tem o menor número de curtidas, com 12.806. Já no twitter, a MJ RCC tem o maior número de seguidores, com 7.129 e, novamente, o TLC tem o menor número de seguidores com 1.140. O alto número de seguidores dessas comunidades católicas nos mostram que as informações e materiais produzidos/publicados nessas redes sociais são visualizados e podem ser reconfigurados por seus usuários/seguidores. Contudo, característica interessante é que, nas redes sociais, basta um clique para o jovem deixar de seguir a página para curtir outra.

Nesse sentido, podemos nos remeter à sociedade líquida teorizada por Bauman (2001) para pensarmos que nada consegue manter sua forma por muito tempo. Assim, nessa sociedade que vive do presente, as relações entre os indivíduos e instituições se enfraquecem e, aquelas instituições que outrora eram as únicas para auxiliar e levar os indivíduos aos caminhos seguros e corretos, cedem espaço, agora, para tantas outras “instituições”. Essas são chamadas por Bauman (2001) de “novas conselheiras”. Esses novos conselheiros estão ai, espalhados, cada um com um conselho diferente e mais atrativo para os indivíduos, principalmente aqueles que são jovens.

Apesar do discurso e do entendimento que os jovens de hoje tem dificuldade de se apegarem a ideia de evangelização missionária e buscarem a religião para resolver seus próprios problemas, acredito que a Igreja Católica ainda participa da vida de uma parte da juventude brasileira. Talvez essa influência esteja se enraizando por outros motivos como, por exemplo, o educacional e político. No mundo de insegurança e individualismo, será que essa instituição, ao remar contra a maré, não se apresenta como um porto para os jovens buscarem a segurança e mais um conselho? A juventude quer viver, mas para a Igreja Católica não é qualquer vida. É a vida que ela delega ser a mais adequada para essa categoria.
YOUTH, CATHOLIC CHURCH AND INTERNET: APPROACHES POSSIBLE?
Abstract
This article seeks to understand the relationship between the youth and the Catholic Church (specifically the community of young catholic) in today's society. Assuming that the Church influences the category of youth, despite the "disenchantment of the world" emerged in modernity. We tried to see what the understandings that the Youth Ministry (as Catholics) has on the conceptualization of contemporary Brazilian youth. This requires an analysis of the Youth Ministry (PJ), the Youth Ministry of the Catholic Charismatic Renewal (CCR MJ) and Christian Leadership Training (TLC) website has been performed as well as their social networks in order to find the position of this about today's youth.
Keywords: Youth. Catholic Church. Disenchantment. Modernity
Notas


  1. O levantamento foi feito durante o segundo semestre de 2017.

  2. Influenciada pelo sociólogo Emile Durkheim, esta corrente acreditava na sociedade como um organismo no qual cada grupo deveria agir de forma a seguir as normas sociais, caso contrário, os comportamentos anômicos ou desviantes seriam passiveis de punições.

  3. http://tlc.org.br/

  4. http://rccjovem.com.br/

  5. http://www.pj.org.br/

  6. Este projeto tem como intuito lutar pela vida do jovem aproximando-o das palavras de Jesus. Busca atuar publicamente tratando de temas do cotidiano juvenil, como violência e drogas. Busca a garantia dos direitos juvenis por meio de ações afirmativas e intervenções políticas.


Referências
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
______. Ética da pós-modernidade. São Paulo: Paulus, 1993.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1988.
BUNGENSTAB, Gabriel Carvalho. Zygmunt Bauman: da juventude sólida para a juventude líquida. Cadernos Zygmunt Bauman, São Luis, vol. 4, n. 8, p. 47-68, dez. 2014. Disponível em http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/bauman/article/view/2758/1104 .

Acesso em: 5 fev. 2016.


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