Laboratório de Química Experimental



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Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
Departamento de Física e Química


Laboratório de Química Experimental



  • Engenharia Mecânica – Contagem


Índice



Prática 1: Informações Gerais


03


Prática 2: Medidas e Erros


17


Prática 3: Propriedades Físicas do Materiais


31


Prática 4: Pilhas Galvânicas ou Voltaicas


40


Pratica 5: Células Eletrolíticas (Eletrólise)


55


Prática 11: Corrosão química e atmosférica


68


Prática 12: Corrosão II - Corrosão galvânica e Aeração Diferencial


76


Prática 13: Corrosão III - Corrosão Seletiva e do Alumínio


85


Prática 15: Proteção Catódica


90


Bibliografia


101


1.Trabalho Experimental

Informações Gerais




1.1 Introdução


As atividades propostas para a parte experimental da disciplina Química Experimental visam proporcionar ao aluno a oportunidade para trabalhar com autonomia e segurança em um laboratório. Procurar-se-á, para isto, não apenas desenvolver a habilidade no manuseio de reagentes e aparelhagens, mas também criar condições para uma avaliação crítica dos experimentos realizados.

1.2 Dinâmica das aulas práticas


  • Leitura com antecedência, pelos alunos, do assunto a ser abordado na aula;

  • Discussão inicial, com o professor, de aspectos teóricos e práticos relevantes;

  • Execução pelos alunos dos experimentos utilizando a apostila;

  • Interpretação e discussão dos resultados juntamente com o professor;

  • Apresentação dos resultados de cada experimento.

O aproveitamento de uma aula prática depende de maneira geral do cumprimento destas etapas. Como trabalho complementar, os alunos são estimulados a responder aos questionários referentes a cada um dos assuntos estudados, visando uma revisão dos conhecimentos adquiridos e preparação para os testes programados para o curso.


1.3 Recomendações aos alunos

  • O uso da apostila é imprescindível a partir da primeira aula.

  • O aluno deverá tomar conhecimento, a partir da primeira aula, das instalações do laboratório, bem como de suas normas de funcionamento.

  • É recomendável, por razões de segurança, o uso de avental durante as aulas. Não é permitido o uso de short, mini-saia, mini-blusa, camiseta tipo regata e sandálias tipo havaiana.

  • O material do laboratório deve ser usado sempre de maneira adequada e somente aqueles reagentes e soluções especificados.

  • Não é permitido fumar, comer ou beber nos laboratórios.

  • Todo material usado deve ser lavado ao final de cada aula e organizado no local apropriado (mesas, bancadas).

  • A bancada de trabalho deve ser limpa.

  • Após o uso, deixar os reagentes nos devidos lugares.

  • O laboratório não é local para brincadeiras e conversas em voz alta, principalmente sobre assuntos alheios à aula.

  • As normas de segurança relacionadas no texto “SEGURANÇA NO LABORATÓRIO” devem ser lidas atentamente.



1.4 Segurança no laboratório

É muito importante que todas as pessoas que lidam num laboratório tenham uma noção bastante clara dos riscos existentes e de como diminuí-los. Nunca é demais repetir que o melhor combate aos acidentes é a sua prevenção. O descuido de uma única pessoa pode por em risco todos os demais no laboratório.

Por esta razão, as normas de segurança descritas abaixo terão seu cumprimento exigido. Acima disto, porém, espera-se que todos tomem consciência de se trabalhar em segurança, do que só resultarão benefícios para todos.

Será recomendado a todos os estudantes e professores o uso de avental ou guarda-pó no laboratório. A falta do guarda-pó pode gerar roupas furadas por agentes corrosivos, queimaduras, etc.

Os alunos não devem tentar nenhuma reação não especificada pelo professor. Reações desconhecidas podem causar resultados desagradáveis.

É terminantemente proibido fumar em qualquer laboratório.

É proibido trazer comida ou bebida para o laboratório, por razões óbvias. Da mesma forma, não se deve provar qualquer substância do laboratório, mesmo que inofensiva.

Não se deve cheirar um reagente diretamente. Os vapores devem ser abanados em direção ao nariz, enquanto se segura o frasco com a outra mão, conforme Figura 1 .



Figura 1 – Técnica de laboratório

Evitar o uso de sandálias no laboratório. Usar sempre algum tipo de calçado que cubra todo o pé.

Nunca acender um bico de gás quando alguém no laboratório estiver usando algum solvente orgânico. Os vapores de solventes voláteis, como éter etílico, podem se deslocar através de longas distâncias e se inflamar facilmente.

Não deixar livros, blusas, etc., jogadas. Ao contrário, colocá-los longe de onde se executam as operações.

Nunca despejar água num ácido, mas sim o ácido sobre a água. Além disso, o ácido deve ser despejado lentamente, com agitação constante. Discutir a razão desta norma com o professor.

Não leve as mãos à boca ou aos olhos quando estiver trabalhando com produtos químicos.

Fechar cuidadosamente as torneiras dos bicos de gás depois de seu uso.

Não deixar vidros, metais ou qualquer outro material, em temperatura elevada, em lugares em que possam ser tocados inadvertidamente.

Não aquecer tubos de ensaios com a boca virada para o seu lado, nem para o lado de outra pessoa.

Não aquecer reagentes em sistemas fechados.

Planeje o trabalho a ser realizado.

Finalmente, lembrar que a atenção adequada ao trabalho evita a grande maioria dos acidentes. É muito importante ter a certeza de que se sabe perfeitamente bem o que se está fazendo.

1.5 Química experimental

A disciplina química experimental tem como efeito, objetivos imediatos. Dentre estes, o primeiro coincide com um dos objetivos do ciclo básico, presentemente introduzido no quadro da reforma universitária. Visa colocar o aluno, oriundo da escola secundária, em condições de seguir um curso de nível superior. De imediato, pretende-se igualmente melhorar a apresentação dos trabalhos escolares e, sobretudo, elevar o nível de aperfeiçoamento dos estudos, despertando no aluno um senso crítico suscetível de colocá-lo em condições de reagir, de ser ativo ou de participar das atividades universitárias. Esse senso crítico deverá evoluir, tornando-se o espírito científico fecundo e criador.



A longa evolução da Química

A diferença fundamental entre a revolução ocorrida no campo da Física e a revolução da Química está no fato de esta última ter requerido um tempo muito maior para se completar. Mas essa longa duração teria sido absolutamente necessária porque o processo implicou uma aliança da química com a medicina, seguida de sua gradual independência em direção ao caráter de ciência física, que prevalecia ao tempo da revolução de Lavoisier. Nenhum fenômeno análogo ocorreu no campo da física ou da astronomia.

Em oposição à historiografia predominante, que considera a revolução química de Antoine Lavoisier(1743-1794) o fenômeno marcante e decisivo na constituição da química moderna foi, com efeito, a terceira etapa de um processo denominado revolução química de longo termo, que se desenrolou no decorrer de aproximadamente 250 anos.

A primeira fase da revolução química teria resultado da união entre a química e a medicina(iatroquímica), ocorrida a partir do suíço alemão Paracelso(1493-1541) e seus seguidores, no século XVI. Esse fenômeno incluiu uma combinação de química, medicina e misticismo e se opunha às teorias galênicas dos humores, que consideravam as doenças uma perturbação do organismo como um todo, sem etiologia definida. Esse novo ponto de vista atribuía causas específicas para cada doença, que poderiam ser combatidas por agentes específicos, como preparados químicos. No século XVII, Paracelso foi ‘modernizado’ pelo flamengo Jan van Helmont(1577-1644), que procurava dar explicações químicas para processos fisiológicos. Desse modo, a química médica, anteriormente banida das universidades, foi-se tornando respeitável em círculos acadêmicos, especialmente à medida que se despia do misticismo. Durante a segunda fase da longa revolução, na virada do século XVII para o século XVIII, a química tornou-se independente da medicina. Nesta etapa, em que se destacaram o holandês Hermann Boerhaave(1668-1738) e o alemão Gerg Stahl(1660-1738), a influencia do mecanicismo sobre a química e a medicina ainda era marcante. Em nítida oposição à iatroquímica de Paracelso, essa química foi perdendo gradualmente sua estreita ligação com a medicina e firmando-se como um a ciência autônoma. Se esse divórcio não tivesse ocorrido, Lavoisier – fulcro da terceira fase da revolução química, nas décadas de 1770 e 1780 – possivelmente teria tido que lidar com uma química de natureza muito mais farmacêutica do que a aquela com características de ciência física.

Os trabalhos de Lavoisier contra o Flogíston que sistematizou a Química, e de Dalton, que (re)criou a teoria atômica, baseado em suas experiências reprodutíveis, marcaram o fim da era alquímica. A partir do Século XIX, as Ciências, física, química, biologia, etc., estariam todas baseadas no empirismo (experimentalismo reprodutível), com o total abandono das filosofias gregas de Aristóteles e de Platão, o que marginalizou a alquimia, considerada irrelevante frente à emergente atitude científica.

    1. Riscos químicos em um laboratório

Um laboratório químico apresenta vários riscos aos seus usuários, tais como: máquinas, manuseio de material de vidro, uso da eletricidade, incêndio, explosão e exposição a substâncias químicas nocivas ao organismo humano.

Todo laboratório deve possuir uma capela, para operações que liberem vapores prejudiciais à saúde, bem como chuveiro de emergência e lava-olhos para o caso de um acidente. O laboratório deve ser mantido em perfeita ordem, tendo todos seus frascos rotulados. Outro aspecto que deve ser de conhecimento dos usuários são os efeitos das substâncias sobre o organismo, a forma correta de manuseio, e inclusive as medidas de primeiro socorro.

A seguir, como exemplo, estão apresentados os riscos associados a alguns produtos químicos regularmente utilizados em laboratórios. Outros exemplos são encontrados em literatura especializada.


Ácido acético(CH3COOH)

O ácido acético é classificado como uma substância cáustica e irritante, podendo causar queimaduras, lacrimação e conjuntivites. Ele ataca facilmente a pele, podendo causar dermatites e úlceras. Por inalação, causa irritação das mucosas. Em presença do ar, ataca a uma grande quantidade de metais.

Os vapores do ácido acético podem formar misturas explosivas com o ar, constituindo um risco de incêndio.

As pessoas que trabalham com o ácido acético puro devem usar roupas protetoras, além de elementos de proteção para o rosto, olhos, braços e mãos. É particularmente perigoso quando em contato com ácido crômico, peróxido de sódio e ácido nítrico.

Deve ser armazenado longe de fontes de ignição e de substâncias oxidantes. As zonas de armazenagem devem ser bem ventiladas para evitar a formação de concentrações perigosas.
Ácido clorídrico(HCl)

O risco especial do ácido clorídrico é a sua alta ação corrosiva sobre a pele e mucosa, podendo produzir queimaduras cuja gravidade dependerá da concentração da solução.

O contato do ácido com os olhos, pode provocar redução ou perda total da visão, se o ácido não for removido imediatamente, através de irrigação de água. Os vapores do ácido produzem efeito irritante sobre as vias respiratórias.

O ácido clorídrico, em si, não é um produto inflamável, mas quando em contato com certos metais libera hidrogênio, formando uma mistura inflamável com o ar.

Este ácido não deve ser armazenado próximo de substâncias inflamáveis ou oxidantes, como por exemplo, ácido nítrico ou cloretos, e nem próximo de metais.

As pessoas que lidam com o HCl devem lavar-se antes das refeições. Quando houver contaminação ocular, deve-se irrigar os olhos com grande quantidade de água. Nos casos de contaminação cutânea, deve-se lavar a área afetada com um pedaço de pano e água abundante, tratando-se posteriormente com solução de trietanolamina a 5%.


Ácido fosfórico(H3PO4)

É um ácido corrosivo que pode causar queimaduras, quando em contato com qualquer parte do corpo. Pode causar danos se ingerido, sendo, neste aspecto, menos perigoso que outros ácidos minerais. Quando aquecido, decompõe-se, liberando fumos tóxicos de óxidos de fósforo.




Ácido nítrico(HNO3)

As soluções de ácido nítrico são fortemente corrosivas e produzem lesões cutâneas, oculares e das mucosas, cuja gravidade dependerá da duração de contato e da concentração do ácido.

Os fumos ou vapores de ácido nítrico podem-se constituir de uma mistura de vários óxidos de nitrogênio e de vapor de ácido nítrico, dependendo de fatores como umidade, temperatura, contato com outros materiais, sendo que o vapor de ácido nítrico é altamente corrosivo e é irritante das mucosas dos olhos, das vias respiratórias e da pele.

Entre os óxidos nitrosos, o mais importante, do ponto de vista toxicológico, é o NO2, que é um irritante das vias respiratórias superiores e produz uma reação intensa no pulmão, de conseqüências geralmente fatais.

Conforme a quantidade e a sua concentração, o ácido nítrico deve ser armazenado em recipientes de aço inoxidável, alumínio ou vidro, que deverão ser mantidos hermeticamente fechados.
Ácido oxálico

A intoxicação aguda ocorre por ingestão de uma solução do ácido. Há então uma marcante corrosão da boca, esôfago e estômago, com sintomas de vômito, queimadura abdominal, colapso e algumas vezes convulsões. O pó de ácido oxálico irrita o sistema respiratório e os olhos. Tem uma ação corrosiva sobre a pele e mucosa, podendo produzir ulcerações. Os efeitos sistêmicos do ácido oxálico são devidos ao fato de ele retirar cálcio do sangue. Os canais renais ficam obstruídos pelo oxalato de cálcio insolúvel, originando uma profunda perturbação dos rins.


Ácido sulfúrico(H2SO4)

O ácido sulfúrico é classificado como um irritante primário. Tem ação corrosiva sobre a pele, produz severa inflamação das mucosas dos olhos e das vias respiratórias superiores e causa danos aos dentes. Produz também rápida destruição dos tecidos e severas queimaduras, quando em contato com a pele. Repetidos contatos com soluçõe diluídas podem ocasionar dermatites. O ácido em si não é inflamável, mas quando em altas concentrações, pode causar ignição por contato com sólidos ou líquidos combustíveis. Quando aquecido, emite fumos altamente tóxicos.


Álcool etílico absoluto(CH3CH2OH)

O álcool etílico, se comparado com o álcool metílico, é uma substância não tóxica. É rapidamente oxidado no corpo para CO2 e H2O, e ao contrário do álcool metílico, não produz efeitos cumulativos.

Exposição a concentrações acima de 1000ppm pode causar irritação dos olhos e mucosas das vias respiratórias superiores e, se as exposições forem repetidas, ocasionarão lassidão, perda de apetite e falta de concentração. Concentrações ao redor de 1000ppm, normalmente, não produzem sinais de intoxicação.

O álcool etílico tem risco de incêndio, quando em contato com calor ou faísca, podendo reagir violentamente com materiais oxidantes.


Amoníaco

O contato com o amoníaco líquido anidro ou com suas soluções aquosas é intensamente irritante para as membranas mucosas dos olhos e da pele. Os sintomas oculares vão desde a lacrimação, edema da pálpebra, até à ulceração da córnea e cegueira. Pode haver queimaduras corrosivas da pele ou formação de bolhas. O amoníaco gasoso é também irritante para os olhos e para a pele úmida.

Quando há uma exposição intensa, pode ocorrer bronquite, pneumonia ou até morte. Quando aquecido, emite fumos tóxicos.

Prevenção e controle: ventilação adequada, protetores faciais, respiradores com filtro químico, quando não se consegue manter a concentração abaixo do limite de tolerância.

Roupas protetoras de borracha, incluindo luvas, avental e botas.

Chuveiros de emergência e banho para os olhos nas proximidades da área de exposição.

Excluir da exposição habitual pessoas com enfermidades dos olhos e pulmões.
Bicromato de potássio, amônia e de sódio

Estas substâncias químicas podem causar irritação local das mucosas e pele e podem produzir efeito prejudicial, se ingeridas ou inaladas em quantidade excessiva. Não são absorvidas pela pele intacta, mas podem causar ulceração em peles machucadas. Ingestão de grande quantidade pode ser fatal.

O bicromato de potássio tem alto poder de oxidação e o bicromato de amônia reage com agentes redutores.
Carbonatos de potássio e de sódio(K2CO3) – (Na2CO3)

São altamente cáusticos, podendo causar lesões profundas na pele e mucosas.

Quando ingeridos, produzem dor intensa e sensação de queimadura nas mucosas da boca, faringe e estômago. Há impossibilidade para a deglutição e imediatamente sobrevêm vômitos sanguinolentos. Pode haver colapso e conseqüente morte por choque.

Quando age sobre a pele, pode produzir queimaduras que serão tanto mais graves, quanto maior a concentração do álcali.

Nos olhos é possível a destruição da córnea e conseqüente cegueira.
Chumbo e seus compostos

O chumbo ocasiona uma das doenças profissionais mais comuns. Ele pode penetrar no corpo: por inalação de poeiras, fumos neblinas; por ingestão traiçoeira pela via respiratória superior ou introduzido na boca através de comida, cigarro, dedos ou outros objetos; através da pele(compostos inorgânicos praticamente não têm esta penetração).

Quando o chumbo é ingerido, a parte não absorvida é eliminada pelas fezes. Grande porção de chumbo absorvido é eliminado pela bílis. Por isso, são necessárias grandes quantidades para causar intoxicação e um grande período é necessário, para que os sintomas apareçam. Tem ação cumulativa.

O chumbo produz uma fragilidade das células vermelhas do sangue, e devido a isso estas células são destruídas mais rapidamente do que o normal, produzindo uma suave anemia.

O chumbo metálico é menos tóxico que o carbonato, monóxido e sulfeto de chumbo.

Todos têm moderado risco de incêndio e explosão, na forma de poeiras, quando expostos ao calor ou faísca.

Quando aquecido, o chumbo emite fumos altamente tóxicos. Pode reagir violentamente com materiais oxidantes.
Cianetos de potássio e de sódio(KCN e NaCN)

Os cianetos de potássio e sódio são os sais tóxicos de uso mais difundido. Uma quantidade de 0,15 a 0,20g é capaz de provocar a morte de um adulto. Estes sais perdem espontaneamente seu poder letal no decorrer do tempo, pois se auto transformam em carbonatos de potássio e sódio.

São solúveis em água e reagem com ácidos para produzir HCN, sendo que ambos, solução de cianeto e HCN podem ser absorvidos pela pele intacta.

Todos os cianetos, suas soluções e o HCN são extremamente tóxicos.

Os primeiros sintomas de intoxicação são: peso e fraqueza nos braços, dificuldade na respiração, náuseas, vômitos, podendo ser seguidos rapidamente por inconsciência, cessação da respiração e morte.

Prevenção e controle: Deve-se manter um asseio rigoroso do local de trabalho. A limpeza freqüente e completa do chão, paredes, janelas, bancadas e de todo lugar que tenha possibilidade de acumular partículas, deve ser efetuada por pessoal próprio. A limpeza deve ser feita fora do expediente normal. Os utensílios manuais usados durante o serviço devem ser lavados diariamente, e a água utilizada, tratada, antes de ser posta fora.

Recomenda-se extrema cautela no sentido de evitar o contato de ácidos ou soluções ácidas com os cianetos, pois nessas reações há produção de ácido cianídrico; também deve-se estender este cuidado aos locais de armazenamento e almoxarifados.
Cloreto de alumínio

O cloreto de alumínio tem ação corrosiva. Inalação da poeira de cloreto de alumínio produz irritação ou queimadura das membranas mucosas.

O AlCl3 poderá causar, também, queimaduras dolorosas nos olhos. Quando esta substância está sobre a pele, a área de contato é aquecida, resultando numa queimadura térmica e ácida. Se ingerido, a reação local causa queimaduras graves instantaneamente.
Cloreto de zinco

Inalação de altas concentrações de cloreto de zinco pode causar danos aos pulmões. A exposição aos fumos de cloreto de zinco pode causar danos às mucosas, membranas da faringe e vias respiratórias e dar surgimento a uma cianose cinza pálido.

Devido à sua ação cáustica, ele pode também causar ulceração dos dedos, mãos e antebraços daqueles que o usam como um fluxo em soldagem.

É muito irritante para os olhos, nariz e garganta, podendo ocorrer perfuração do septo nasal.




Cobre metálico e sais de cobre

Poeiras finas de cobre metálico ou sais de cobre inflamam espontaneamente. A inalação do fumo, poeira ou neblina contendo sais de cobre, causa irritação da via respiratória superior, náusea e possível pigmentação da pele e cabelo. Febre pode advir da exposição ao fumo.

Inalação prolongada dos sais de cobre pode causar perfuração do septo nasal. Sulfato de cobre e o cloreto de cobre são classificados como irritantes da pele e conjuntiva e podem ser alergênicos. O óxido de cobre é irritante para os lhos e vias respiratórias.

A ingestão de 27 gamas de sulfato de cobre pode ser fatal ao indivíduo. Quando ingeridos, os sais agem como irritantes, produzindo salivação, náusea, vômito, diarréia e gastrite hemorrágica.

Prevenção e controle: ventilação adequada. Quando a concentração for superior ao limite de tolerância, é necessário o uso de respirador com filtro mecânico.
Cristais de enxofre

Tem baixa toxidez. Oferecem pequeno risco de incêndio, quando expostos ao calor ou faísca ou quando ocorrem reações químicas com agentes oxidantes. Quando aquecidos, queimam emitindo fumos tóxicos de óxidos de enxofre.


Ferricianeto de potássio(K3Fe(CN)6)

Não é uma substância tóxica poderosa, como são os cianetos simples. Quando aquecido ou em contato com ácidos ou fumos ácidos, emite fumos de cianeto, que são altamente tóxicos. A toxicidade do cianeto está descrita nos cianetos de potássio e sódio.


Gasolina

A gasolina é irritante para a pele, olhos e membranas mucosas das vias respiratórias superiores. A gasolina tem alto risco de incêndio, quando exposta ao calor ou à chama. Tem risco moderado de explosão, nas mesmas condições.


Manganês e seus compostos (permanganato de potássio, sulfato de manganês e dióxido de manganês) A inalação de fumos ou poeiras contendo manganês pode causar enfermidades profissionais, sendo o sistema nervoso central o local mais afetado.

Os sintomas iniciais da intoxicação crônica por Mn são languidez e sonolência, seguidos de fraqueza nas pernas, voz lenta e ocasionalmente câimbra noturna nas pernas.

O KMnO4 é um irritante muito forte, devido às suas propriedades oxidantes.

Prevenção e controle: ventilação adequada para conter a poeira, emprego de processos úmidos sempre que possível, respirador filtro mecânico, quando a concentração ambiental for elevada, ao final da exposição, deve-se tomar banho completo, exame médico semestral do pessoal exposto continuamente com atenção especial para as alterações neurológicas, excluir da exposição repetida indivíduos com alterações neurológicas e psicológicas.


Mercúrio e seus compostos inorgânicos

O mercúrio é um tóxico protoplásmico geral. Depois de absorvido, ele circula no sangue e é fixado no fígado, rins, baço e espinha.

A intoxicação industrial é normalmente crônica, sendo que o principal efeito é sobre o sistema nervoso central e sobre a boca e gengivas. É comum ocasionar colites. Os primeiros sintomas são excessiva salivação e esforço para mastigação; nos casos graves pode aparecer uma gengivite com perdas dos dentes.

Os músculos da face, mãos e braços são principalmente afetados. Nos casos graves, a escrita se torna ininteligível. Os distúrbios psíquicos incluem, entre outros, perda da memória, insônia, irritabilidade e depressão. O contato direto com a pele pode causar dermatites.

Prevenção e controle: a medida mais importante de controle é a de se prover o local de uma ventilação adequada. Rigorosa limpeza do local.
Cloreto Férrico

A inalação de cristais finamente divididos, produz irritação ou queimaduras das mucosas. Por contato, pode causar queimadura nos olhos. Deve-se evitar o contato com a pele e olhos. Quando aquecido se decompõe, emitindo fumos altamente tóxicos de ácido clorídrico. Pode reagir com água, produzindo fumos tóxicos e corrosivos.


Querosene

As manifestações tóxicas incluem depressão do sistema nervoso central e pneumonia. A ingestão acidental do líquido causa irritações no estômago e intestino. Se é seguida de uma aspiração, originara problemas pulmonares.



Soda cáustica(NaOH)

Este material, tanto no estado sólido como em solução, tem uma ação corrosiva marcante sobre todos os tecidos do corpo. Esta ação corrosiva pode causar queimaduras e ulcerações profundas. Contatos prolongados com soluções diluídas têm efeito destrutivo sobre os tecidos.

A ingestão da soda cáustica em solução ou em forma sólida causa danos graves às mucosas e a outros tecidos com os quais o produto esteja em contato, podendo até perfurá-los.

A inalação de poeira ou névoa concentrada pode lesar as vias respiratórias superiores e os tecidos dos pulmões.

Dependendo da severidade da exposição, os efeitos podem variar desde pequena irritação até graves pneumonias. Pode causar, também, dermatite irritante.
Cloreto de mercúrico (sublimado corrosivo, HgCl2)

O mercúrio é classificado como um tóxico protoplasmático geral; após a absorção, ele circula no sangue e é armazenado no fígado, rins, baço e espinha. O seu principal efeito ocorre no sistema nervoso central, boca e gengiva. Quando aquecido, decompõe-se produzindo fumos de mercúrio altamente tóxicos.


Sulfato de cobre

O sulfato de cobre tem ação local, como irritante da pele e conjuntiva. A ingestão de grande quantidade de sulfato de cobre pode causar vômitos, vertigens, exaustão, anemia, convulsões, choque, coma e morte. São-lhe atribuídos também danos no sistema nervoso.


Sulfato ferroso

É usado como suplemento dietético alimentar. Quando ingerido ou inalado, tem efeito tóxico local leve. É também um irritante local leve.


Sulfitos (bissulfito de sódio, hipossulfito de sódio, metabissulfito de sódio e potássio e sulfito de sódio)

Grandes doses de sulfitos podem ser toleradas, já que eles são rapidamente oxidados em sulfatos, mas irritações no estômago podem ser causadas pela liberação do ácido sulfuroso. Deve-se evitar contato do sulfito de sódio com os olhos e pele, pois quando em estado sólido ou em solução pode causar severas queimaduras nos olhos, irritação e queimaduras na pele. Se ingerido, é irritante e tóxico.

Quando aquecidos os sulfitos se decompõem, emitindo fumos de dióxidos de enxofre altamente tóxicos.

Este gás, SO2, é perigoso para os olhos, podendo ocasionar irritação e inflamação da conjuntiva. Ele tem um odor sufocante e é um material corrosivo. Concentrações de 6 a 12 ppm causam imediatamente irritação do nariz e garganta. Concentrações de 3 ppm já têm um odor facilmente notável.

Ele afeta principalmente as vias respiratórias superiores e os brônquios. Pode causar edema nos pulmões ou glote e pode produzir paralisação respiratória.


1.7 Modelo de Relatório

Os relatórios devem ser redigidos pelos alunos considerando que outras pessoas, além do professor, estão interessados em obter informações sobre os fatos observados. Estes leitores não conhecem a priori o resultado previsto de cada experiência e precisam ser convencidos da validade das conclusões tiradas. Desta forma, é importante que todas as etapas do experimento sejam descritas e discutidas de modo claro e conciso.

As anotações feitas no caderno de laboratório devem ser completas, claras e exatas. Você deve se habituar a relatar todo procedimento técnico e nunca confiar na memória. Escrever exatamente o que ocorreu e não o que deveria ocorrer. As anotações devem ser feitas diretamente no caderno. Todos os cálculos devem ser indicados no relatório.

Um bom relatório deve ser curto, de linguagem correta e não prolixo ou ambíguo. As idéias devem ser expressas de maneira clara, concisa e em bom estilo de linguagem.

O relatório deve conter os seguintes itens:

IDENTIFICAÇÃO DO ALUNO - Nome, turma, nome do professor e data.

TÍTULO DA EXPERIÊNCIA

INTRODUÇÃO - Apresentação do assunto, procurando demonstrar sua importância e interesse.

OBJETIVOS - Descrição sucinta dos objetivos da experiência.

PARTE EXPERIMENTAL - Reagentes e materiais - Procedimentos

MODIFICAÇÕES DA PARTE EXPERIMENTAL - Quando pertinentes, indicar as alterações de volume, massa, concentração, equipamentos, substâncias, etc.

RESULTADOS - Tratamento dos dados obtidos, construindo-se tabelas ou gráficos, quando necessário. Os cálculos feitos devem ser incluídos. No caso de sínteses de compostos, por exemplo, é preciso colocar sempre dados referentes aos rendimentos teóricos e práticos. As mudanças macroscópicas observadas (mudança de cor, evolução de gás e/ou formação de precipitado) devem ser relatadas. As reações químicas devem ser descritas na forma de equações químicas balanceadas, onde figurem os estados físicos dos reagentes e dos produtos.

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS - Os resultados quantitativos devem ser analisados tanto em relação à precisão quanto à exatidão (peculiaridades do sistema estudado, limitações do método empregado, erros operacionais, qualidade dos aparelhos de medida, concordância com os valores teóricos ou esperados, etc.). Os resultados qualitativos devem ser explicados baseando-se nos conhecimentos teóricos (leis, propriedades físicas e químicas, equações químicas, etc.).

CONCLUSÕES - A conclusão deve ser uma apreciação global dos experimentos, avaliando se os objetivos propostos foram alcançados.

BIBLIOGRAFIA

QUESTIONÁRIO - Resoluções dos problemas propostos na Apostila ou formulados pelo Professor.

OBSERVAÇÕES: Este modelo de relatório é apenas uma sugestão, que deve ser adaptada às necessidades de cada aula prática. Assim, quando o roteiro da aula descreve detalhadamente o procedimento e relaciona os materiais e os reagentes usados, não é necessário transcrever todos estes dados para o relatório, bastando mencionar a página da Apostila onde eles podem ser encontrados.



Consultar o site www.pucminas.br/biblioteca para obter as normas técnicas aplicáveis.

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