Ladislau Dowbor Os Mecanismos Econômicos São Paulo, 29 de março de 2014



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Ladislau Dowbor

Os Mecanismos Econômicos


São Paulo, 29 de março de 2014

Sumário


Sumário 2

I – OS SETORES DE ATIVIDADE ECONÔMICA 5

1 - A produção material 5

Agricultura e pecuária 5

Exploração florestal 7

Pesca 8


Mineração 9

Construção 11

Indústria de transformação 12

2 - As Infraestruturas 15

Transportes 15

Energia 17

Telecomunicações 19

Água 21


3 - Serviços de intermediação 23

Intermediação financeira 24

Intermediação comercial 27

Intermediação jurídica 30

Intermediação da informação 32

4 - As políticas sociais 35

Saúde 36

Educação 38

Cultura e informação 40

Turismo, lazer e esporte 42

Habitação social 43

Segurança 45

Considerações sobre a primeira parte: os setores de atividade econômica 48

II – O CICLO DE REPRODUÇÃO SOCIAL 51

1 - Fatores de produção 51

O Capital dinheiro 51

O Capital trabalho 52

O Capital natural 54

O Capital construído 55

O Capital conhecimento 56

O Capital social 57

2 – O processo produtivo 59

Produto Interno Bruto - PIB 59

Investimentos e consumo 61

As trocas externas 62

3 – A alocação de recursos 64

Os salários 65

Os lucros 69

A Fiscalidade 72

4- A conjuntura econômica 75

Os preços 77

O crédito 79

O câmbio 81

5 -A distribuição desigual 82

A renda familiar 84

A riqueza 85

O controle corporativo 87

Considerações sobre a segunda parte: o ciclo de reprodução social 89

III – RESGATANDO A GOVERNANÇA
95

1 - Os modelos 96

A república representativa 96

Para uma análise das formas de financiamento das eleições e das deformações decorrentes, ver o nosso Os Descaminhos do Dinheiro: a compra das eleições – 2012, http://dowbor.org/2012/10/os-descaminhos-do-dinheiro-a-compra-das-eleicoes-parte-i-outubro-2012-5p.html/ ; para uma visão mais ampla dos desafios e das alternativas para resgatar a representação política, ver Lawrence Lessig, Republic, Lost: How Money Corrupts Congress--and a Plan to Stop It (Oct 2, 2012) 97

A social democracia 97

A democracia participativa 98

2 – O fim das simplificações 101

O “trickling down” 101

Os mecanismos de gestão e de regulação 103

A governança 107

Considerações sobre a terceira parte: resgatando a governança 110

CAMINHOS 115




Não basta dizer que um outro mundo é possível.

Precisamos mostrar que uma outra gestão é possível.

O que propomos tem de funcionar.

Estamos acostumados a entender muito pouco de economia. O que é estranho porque somos diariamente bombardeados com análises econômicas, com doutas explicações sobre por que o mercado “está nervoso”, sobre por que as coisas dão certo ou não, ou por que de repente nos encontramos sem emprego e sem renda. Mas os mecanismos, finalmente, não são tão complicados assim. O que complica, é que segundo os interesses e a vontade de se apropriar de um pedaço maior do bolo, ouvimos explicações contraditórias para cada coisa que acontece. O banqueiro diz que precisa subir os juros para ganhar mais, pois isto vai lhe permitir investir e dinamizar a economia para o bem de todos. O trabalhador diz que precisa ganhar mais, pois isto estimula a demanda, o que por sua vez gera investimentos e dinamiza a economia para todos. Todos querem, evidentemente, o bem de todos, se possível justificando a apropriação do maior pedaço possível para si.

Neste emaranhado de interesses, é possível explicitar como as coisas realmente funcionam? A mídia sem dúvida não ajuda, e curiosamente, ainda que a nossa vida dependa tanto do andamento da economia, nunca na escola tivemos uma só aula sobre os seus mecanismos. Este pequeno livro busca ajudar quem quer entender sem querer se tornar um comentarista de cabelos ralos e óculos imponentes. Vale a pena, pois se trata do nosso bolso.

Como a economia não é propriamente um “setor” de atividades, como educação ou agricultura, mas sim uma dimensão de todas as nossas atividades, é útil começar, como o famoso esquartejador de Londres, por partes. Estas partes, por sua vez, se articulam. Para usar uma imagem, o movimento do carro depende do motor, das rodas, da transmissão e outros componentes, que precisam ser entendidos individualmente – por exemplo como funciona um pistão – mas o movimento só existe na interação do conjunto. A economia neste sentido constitui um movimento que resulta do conjunto de iniciativas dos mais variados setores, e temos de ter uma noção da contribuição de cada um.

A ideia, aqui, portanto, é de vermos as partes, que chamaremos de setores, para depois ver como se articulam no ciclo econômico, e finalmente analisar os instrumentos de intervenção sobre o funcionamento do conjunto. É mecânica mesmo. O carro tem peças (os setores de atividade), estas peças se articulam para produzir movimento (o ciclo), e temos instrumentos como freio, direção e acelerador para obter o que desejamos – e frequentemente o que apenas alguns desejam (as políticas econômicas). Todos, aparentemente, querem o bem de todos, Mas a briga por quem fica no volante é feia, e em matéria de motorista então, a verdade é que temos muitos aprendizes.

I – OS SETORES DE ATIVIDADE ECONÔMICA

O mecanismo aqui é relativamente simples de entender. Como a economia não é uma atividade em si, mas uma dimensão de todas elas, antes de entender a economia temos de entender as próprias atividades. Trabalharemos aqui com quatro grandes áreas de atividade: produção material, infraestruturas, serviços de intermediação e políticas sociais. Para dar um exemplo, um produtor de melancia exerce o seu esforço numa unidade agrícola de produção, mas depende de infraestruturas de energia e transporte para atingir o mercado, precisará de intermediários para o financiamento e a comercialização, e nenhuma destas atividades funcionaria se não houvesse políticas sociais, como educação e saúde, para tornar as pessoas informadas e produtivas. Segundo onde dói o calo, as pessoas dizem que a grande solução está nas infraestruturas, outras dizem que é na educação, outras ainda que é na saúde, mas a realidade é que as quatro grandes áreas têm de funcionar de maneira equilibrada para que o conjunto funcione. Não adianta dizer para quem quer usar o seu carro, que está tudo bem, só falta o tubinho de combustível. A economia é um sistema de peças articuladas. Até o para-choque é importante.





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