Leitura orientada : desenvolvendo a expressão crítica de estudantes de química através da análise de obras literárias



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LEITURA ORIENTADA: UMA PRÁTICA UNIVERSITÁRIA
Profa. Dra. Leilah Santiago Bufrem, Departamento de Ciência e Gestão da Informação, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, UFPR, Rua General Carneiro, 460, Curitiba, Pr, e-mail leilah@coruja.humanas.ufpr.br
Profa. Dra. Izaura H. Kuwabara, Departamento de Química, Setor de Ciências Exatas, UFPR, Centro Politécnico s/n, Curitiba, Pr, e-mail izaura@quimica.ufpr.br
Resumo: Avalia e relata projeto de orientação à leitura e à discussão de obras de cunho literário e artístico, para alunos de graduação. A atividade, atualmente em seu terceiro ano de execução, justifica-se por ampliar a capacidade de leitura de obras de cunho científico, assim como de literatura de fruição, impressa ou não. A leitura de obras sob diversas formas e manifestações enseja a compreensão de textos informacionais, a ampliação do vocabulário e a prática de análise de textos, incentivando o uso de livros e a freqüência a bibliotecas. Visa desenvolver a expressão crítica dos participantes e o conhecimento de obras literárias e de seus autores, contextualizando-os e favorecendo a compreensão dos textos enquanto produtos de trabalho intelectual criterioso. Relata as discussões sobre as obras e as habilidades de redação de formas diferenciadas de textos como resenhas e artigos sobre temas gerais e específicos. A partir de uma seleção de obras, os alunos recebem orientação para leitura e análise. Os elementos de análise são ou não previamente identificados, conforme as características da obra. Esse processo é realizado, inicialmente de forma individual, seguida da participação do grupo. O projeto resultou na leitura de 5 obras no primeiro ano e de nove no segundo, tendo sido avaliado positivamente tanto pelos alunos como pela coordenação. As manifestações positivas referem-se às atividades desenvolvidas, não só pelas obras analisadas, mas também pelo processo de leitura e as práticas utilizadas. O conhecimento de autores e obras e a extensão do referencial adquirido ampliaram os elementos comparativos, aprofundando e tornando progressivamente mais espontâneas as discussões em grupo. A elaboração das resenhas, segundo as coordenadoras, especialmente com base na comparação entre o desempenho nas duas versões do projeto, desenvolveu e ampliou a habilidade de redação e a expressão crítica dos participantes.

Eixo temático: SERVIÇOS DE EXTENSÃO / BIBLIOOTECAS COMUNITÁRIAS

INTRODUÇÃO


O ineditismo de desenvolver um projeto de leitura com alunos do Programa Especial de Treinamento (PET)1 do Curso de Química motivou-nos a estudos para definir os modos de compreender e de executar a proposta.

O PET é um programa financiado pela Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nivel Superior (CAPES), órgão do Ministério da Educação do Brasil, especialmente voltado para atividades de ensino, pesquisa e extensão. Foi criado por iniciativa da Capes em 1979 com três grupos em escala experimental, com o propósito de dar atendimento especial aos melhores alunos do curso, visando uma formação aprimorada. Tais alunos foram tratados como futuros alunos dos cursos de pós-graduação, à época em período de consolidação. Hoje, já consolidado, o programa tem 315 grupos e 3466 alunos (dados do DPE/CAPES de setembro de 1998, constantes no Relatório da Comissão de Avaliação do Programa Especial de Treinamento publicado na “home-page” da Capes)2 e objetivos mais abrangentes, dentre os quais se destaca o de estimular a melhoria do ensino de graduação, além dos que se referem à formação de excelência aos alunos diretamente envolvidos no grupo.

Para que se concretizem tais resultados, são planejadas atividades complementares de estudos, de iniciação à pesquisa, de participação em congressos, organização e apresentação de seminários e visitas e de atendimento aos demais alunos do curso ao qual o PET é vinculado. As atividades são desenvolvidas com a orientação de professores colaboradores e de um professor tutor do grupo, sempre de forma coletiva para desenvolver habilidades de trabalho em equipe. Cada PET é vinculado a um curso e pode agregar até doze alunos que recebem uma bolsa-auxílio para dedicar doze (12) horas por semana às tarefas do grupo.

Desde as primeiras reuniões de trabalho, quando surgiu a idéia de promover a leitura e a discussão de textos, fomos motivadas pelo prazer de realizar uma tarefa, ao mesmo tempo prazeiroza e desafiante. A idéia prosperou, resultando em projeto sob orientação da tutora do grupo e de professora do Departamento de Gestão da Informação. A proposta inicial tem sido sujeita a críticas e sugestões, e consequentemente a mudanças, no decorrer do período que já está em seu terceiro ano, mas permanecem alguns princípios que julgamos significativos para o desenvolvimento dos trabalhos.

O primeiro deles é a crença de que a leitura não deve ser interpretada como ato solitário, que afasta e isola o leitor. Ao contrário, ela permite uma situação dialógica, ou seja, estabelece alguns tipos de interações como a verificada entre leitor e autor, ou entre leitor e contexto do discurso, além de desdobrar-se para outras possibilidades como as relacionadas às repercussões da obra em relação aos procedimentos críticos do leitor. A situação dialógica autor-leitor é ampliada quando se trabalha em grupo pois diferentes perspectivas individuais contribuem para o enriquecimento do processo.

Recorre-se à concepção de GOLDMANN sobre o pensamento como um aspecto parcial da realidade concreta que é o homem e este, como um elemento do grupo social3.

Essa concordância leva-nos ao segundo princípio, ou seja, o de que uma obra literária deve ser apreciada em relação a uma totalidade que é a vida e o comportamento do autor, em relação à realidade concreta em que vive ou viveu. Mas, embora considerando esses fatores, deve-se lembrar que a produção escrita, por sua vez, expressa apenas uma parcela de um comportamento que é ao mesmo tempo individual e social. Assim, ao decifrar essa parcela, o leitor estará descobrindo novas facetas a ela relacionadas.

O terceiro princípio do qual nos valemos é o de que toda a leitura é crítica, ou seja, falar em leitura crítica no contexto estudado seria redundância. Assim é que o estímulo a essa postura reveste-se da crença de que a leitura não é simples fruição ou um mero desfrute do tempo livre. Como atividade de elaboração intelectual e reação emocional, a prática da leitura revela situações ou oposições, suscita concordâncias ou conflitos, descrevendo uma trajetória pela qual se chega ao prazer, não como resultante de uma tarefa fácil ou gratuita. Ao contrário, ela requer esforço e tensão, faz parte de um mundo de cultura viva, onde o leitor penetra de modo crítico, numa espécie de consciência aplicada que, no dizer de ARTAUD, é aquela consciência que dá ao exercício de todo ato da vida sua cor de sangue, sua nuance cruel4. A imagem assemelha-se à metáfora de Whitman, que encontra no ato de ler um significado passível de expansão a qualquer atividade humana vital, numa conjugação em que leitor e escritor passam a ser um só, o livro é de carne e sangue e a leitura desdobra-se em atos como a compreensão e interpretação de contextos e significados.

Nossa tarefa tem como proposta de trabalho desenvolver a expressão crítica de estudantes de química através da análise de obras literárias e justifica-se não somente por ampliar a capacidade de leitura de textos de cunho científico, necessários ao acompanhamento das atividades curriculares, mas também por permitir a familiaridade com obras literárias, impressas ou não.

Aceitamos como pressuposto que a leitura de obras de fruição em suas diversas formas e manifestações enseja a compreensão de textos informacionais, a ampliação do vocabulário e a prática de análise de textos. Daí a crença em que o desenvolvimento da expressão crítica dos participantes também favorece a percepção dos textos enquanto produtos de prática intelectual criteriosa, assim como o conhecimento do outro - autor ou autores - e do valor de seu trabalho.

Além dessas possibilidades, a comparação dos diversos contextos analisados amplia o referencial cultural dos participantes, possibilitando interpretações diversificadas em relação ao espaço e ao tempo. Esse alargamento do referencial cultural, por sua vez, deve contribuir para a redução dos preconceitos e estereótipos presentes no imaginário cultural.

Esperamos, portanto, favorecer no aluno participante o desenvolvimento do gosto pela leitura de textos literários em suas diversas formas e manifestações; proporcionar oportunidade de conhecimento de obras, seus autores e suas edições, assim como de traduções para outras linguagens tais como o cinema, o teatro e a ópera; realizar discussões sobre as obras lidas ou assitidas; estimulando a prática de redação de formas diferenciadas de textos como resenhas, ensaios e artigos sobre temas gerais e específicos. Procuramos com essas práticas desenvolver a expressão crítica dos alunos, favorecendo analogias, comparações e interpretações. Como diria MANGUEL, recordando as possíveis metáforas sobre o ato de ler, é comum ao “saborear um livro, encontrar alimento nele, devorá-lo de uma sentada, ruminar um texto, banquetearmo-nos com poesia, mastigar as palavras do poeta, viver numa dieta de romances policiais”5.

UMA PRÁTICA CRÍTICA
Os textos foram selecionados com apoio de duas obras, La Biblioteca ideal, da Editorial Planeta, uma seleção comentada das obras mais representativas da literatura e do pensamento, e O cânone ocidental, de Harold BLOOM, um estudo de vinte e seis escritores obrigatórios, segundo o autor, para a compreensão de nossa cultura. A partir dessa seleção foi oferecida uma lista, cujos títulos estavam acessíveis em bibliotecas ou livrarias locais.

Nas primeiras reuniões de cada início de ano letivo tem sido realizada a auto-apresentação do grupo de trabalho e da professora coordenadora, quando são identificados os principais objetivos do programa, discutidas as atividades e propostas de leituras assim como das formas alternativas para análise e interpretação.

São realizadas leituras individuais de cada uma das obras escolhidas, sucedidas por análises em pequenos grupos sobre temas ou aspectos previamente selecionados (personagens, época, local, objetos, cenários, foco narrativo), somente após o que são ampliadas as discussões em grupos sobre as obras lidas ou assistidas.

Procuramos privilegiar alguns aspectos nesse processo.

Um dos aspectos é a relação do texto com o autor, ou seja, destacar o que o autor quis transmitir, em que contexto ele se situa, quais as circunstâncias e condições em que escreveu.

Outro aspecto é a relação dos textos com outros textos, o que eqüivale a dizer em que o texto difere ou se aproxima de outros já conhecidos. Essa experiência tem sido surpreendente, de modo especial porque revela a capacidade de analogias possíveis entre obras, tanto em relação ao contexto, quanto aos personagens ou ao estilo dos autores.

Uma terceira possibilidade é a análise da relação do texto com seu referente, o que o texto diz de si e por fim, a relação do texto com o leitor: ou o que foi compreendido, considerando-se em relação a esse aspecto a multiplicidade de contribuições, de referenciais e possibilidades pessoais. Desenvolvidas com as habilidades e estratégias cognitivas, ou mecanismos de processamento mentais, essas possibilidades expressam-se em formas de representar a leitura, de modo diferenciado e criativo.

A redação de resumos e anotações para apresentação preliminar em pequenos grupos e posteriormente no grande grupo constitui-se em importante prática, não somente para exercitar e desenvolver a expressão escrita, mas como suporte aos alunos para, organizadas as estruturas do pensamento, realizar a exposição oral de seu trabalho crítico.



RESULTADOS


Para a primeira versão do projeto, desenvolvida no ano de 1997, foram definidas cinco obras representativas de nossa literatura, sendo duas de autores brasileiros e três de autores não brasileiros, privilegiando-se apenas os gêneros romance e conto: Trapo, de Cristovão TEZZA, O pequeno príncipe, de Antoine SAINT-EXUPÉRY, A ilha, de Aldous HUXLEY, A mãe, de Maximo GORKI e O vampiro de Curitiba, de Dalton TREVISAN.

Em 1998 foram escolhidos pelos alunos quatro livros para leitura comum e um para leitura individual. Das obras de leitura comum, duas foram analisadas também em suas respectivas versões para o cinema, As meninas de Lygia Fagundes Telles e Hamlet de William Shakespeare. Foram lidas, além dessas, as obras Cem anos de solidão, de Gabriel García Marquez, O caso dos dez negrinhos, de Agatha CHRISTIE, Noites brancas, de Fedor DOSTOIEVSKI, Amor de perdição, de Camilo CASTELO BRANCO, Ei! Tem alguém aí?, de Jostein GAARDER e A morte no Nilo, de Agatha CHRISTIE.

Em 1999, uma obra foi escolhida para a leitura individual e duas para leitura comum, O Guarani e Ubirajara de José de ALENCAR, Contos de Rubem BRAGA,.Amor de perdição de Camilo CASTELO BRANCO, A incrível e triste história de Erendira de Gabriel GARCÍA MARQUEZ, O inspetor geral, de GOGOL, A hora da estrela, de Clarice LISPECTOR, O avarento, de MOLIÈRE, Campo geral, de João Guimarães ROSA, A metamorfose de Franz KAFKA e Breve espaço entre cor e sombra, de Cristóvão TEZZA.

Cada aluno apresentou um resumo ou resenha das obras lidas e discutidas, conforme as recomendações e normas da ABNT e da UFPR. Além desse trabalho, têm sido organizados seminários com análise mais completa de uma das obras de livre escolha apresentados individualmente ou por grupos.

Uma adaptação da obra O pequeno príncipe foi criada para teatro pelos alunos que a dirigiram, produziram e representaram diante dos demais participantes do grupo e de professores e alunos convidados.

Foram realizados encontros com dois autores. O escritor Cristovão Tezza, autor de duas das obras discutidas, participou em duas atividades em forma de evento de extensão, organizadas pelas professoras coordenadoras e pelos alunos, com a exposição de seus livros e de painéis com os respectivos dados biográficos e bibliográficos.

Outro escritor, professor aposentado da área de Química da Universidade, Arthur Barthelmess, também foi convidado para um debate sobre a sua obra, da qual fazem parte títulos especializados em Química, além de livros de ficção, em prosa e verso.

Nessas oportunidades ficou evidenciado o interesse despertado pelas obras, especialmente levando-se em conta um dos aspectos privilegiados no projeto, a relação do texto com o autor, ou seja, a oportunidade de destacar o que o este quis dizer, em que contexto se situou e as circunstâncias e condições em que escreveu.

Paralelamente às atividades do projeto, foram desenvolvidas orientações sobre as formas de elaboração de resumos, resenhas e seminários, assim como indicada leitura complementar necessária para subsidiar as discussões e análises das obras.

A seleção de alguns títulos e de suas versões em filmes permitiu que fossem realizadas leituras diferenciadas, de acordo com as traduções intersemióticas possíveis, graças ao poder criativo dos autores e à imaginação e criatividade dos leitores.

Além da discussão em grupo sobre a obra, os textos escritos pelos alunos permitiram a análise das impressões da leitura, como o impacto causado pelas dúvidas iniciais. Destacam-se impressões relativas ao foco narrativo tais como: os narradores eventualmente mudavam, ora em primeira pessoa, ora em terceira pessoa (...) no decorrer da leitura, tornando-se mais acessível a identificação do narrador pelo perfil bem delineado de cada personagem (Ana Flórida Bozza).

Outra marca deixada pela leitura foi a criação de momentos de grande divagação dos personagens... (Ana Flórida Bozza). Os pensamentos, emoções, delírios e divagações dos personagens são narrados ora em primeira, ora em terceira pessoa (Angela Cristina Raimondi).

O que mais impressiona em uma das obras (As meninas), segundo Cristiane de Ramos, é a simultaneidade com que a autora consegue contar várias histórias diferentes relacionadas diretamente, além da descrição tanto exterior quanto interior das personagens. O impacto causado pela obra destaca-se em frases como: o livro contagiou-me de um modo tão especial que fez com que Lorena deixasse em mim sua paixão, Lia seu espírito de luta e Ana Clara suas experiências como lição de vida.

A leitura de Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez, exigiu que concedêssemos maior intervalo de tempo para a apresentação dos resultados da análise e do resumo.

Sobre o ambiente em que se desenvolve a trama, um grupo de alunas considerou que o autor descreve alguns cenários com detalhes que dão ao leitor a impressão de estar lá, principalmente quando se trata da casa dos Buendía (Bozza, Raimondi e Kasprzak). Outro grupo, responsável pelo estudo dos personagens, expressou graficamente a árvore genealógica dos Buendía (Raeder e Ramos).

A leitura de um policial, O caso dos dez negrinhos de Agatha Christie, provocou unanimidade entre os leitores petianos. Obra mestra em termos de arquitetura narrativa, nela domina o aspecto lúdico sobre qualquer pretensão de verossimilhança ou mesmo de realismo. A famosa pergunta Quem terá sido o assassino? é o desafio constante que nos impõe a autora, denominada muito justamente de dama do crime. O desfecho do mistério se dá de forma extraordinária e inesperada, como outras obras da autora (Angela Raimondi).

Assim se expressa Cristiane de Ramos: A expectativa presente a todo momento da leitura, o desejo de desvendar o mistério nos momentos em que os fatos vão ocorrendo, o clima de tensão, medo, suspense e desconfiança são alguns dos elementos que fazem com que o leitor se prenda ao romance a partir do momento em que o mistério é lançado, até o desvendamento de toda a trama.



O estímulo dado às formas de expressão pessoais teve como resultado a elaboração de trabalho analítico conduzente à postura crítica que justificou a trajetória eleita para realização do programa. Além disso, revelou que faz sentido a proposta inicial de tornar as obras inesquecíveis.

AVALIAÇÃO
A avaliação foi realizada por meio da análise dos trabalhos produzidos nas formas de resenhas, resumos, textos e seminários, assim como dos depoimentos escritos e orais dos alunos. A elaboração das resenhas, segundo critérios das coordenadoras, especialmente com base na comparação entre o desempenho nas três fases do projeto, desenvolveu e ampliou a habilidade de redação e a expressão crítica dos participantes. Estes passaram a ser, pelo próprio ato de ler, também produtores de textos.

Conscientes de seu crescimento, manifestaram-se positivamente impressionados com as atividades desenvolvidas, não só pelo conteúdo das obras lidas e analisadas, mas também pelo processo de leitura e os modos como desenvolveram as atividades. O conhecimento de autores e obras, a discussão sobre suas diversas edições e a extensão do referencial adquirido ampliaram os elementos comparativos, aprofundando e tornando mais espontâneas as discussões sobre as obras.

Pode-se considerar que, em consonância com as expectativas, o processo tem demonstrado que a leitura, em sua historicidade, é fenômeno de natureza, condições, modos de seleção, trabalho e produção de sentidos.

Solicitados a indicar as obras mais apreciadas, os alunos citaram Cem anos de solidão de García Marquez, O caso dos dez negrinhos, de Agatha Christie, As meninas, de Lygia Fagundes Telles e Hamlet, de Shakespeare.

Destacaram-se como sugestões para o futuro:

a manutenção da leitura de obras que tenham adaptações para o cinema, assim poderemos fazer uma comparação destes;

a formação de um grupo de discussão mais heterogêneo, incluindo pessoas de outros cursos;

a ampliação do número de participantes para maior enriquecimento dos encontros;



Seria também importante, segundo os alunos, continuar vendo filmes relativos a alguma obra discutida, sempre quando possível, a fim de acrescentar mais um elemento comparativo nas discussões;

a continuidade das leituras em conjunto e pelo menos uma obra individual.

Os resultados e as sugestões elencadas permitem algumas considerações à guisa de conclusão. Sem que se pretenda apresentar uma avaliação definitiva do programa, acreditamos que os propósitos selecionados como diretrizes do projeto vêm sendo alcançados e que a leitura e compreensão dos textos escolhidos implica em processos cognitivos múltiplos, justificando as atividades e estratégias desenvolvidas.

A descrição e análise do trabalho até agora executado permite concluir que foram alcançadas duas finalidades. A primeira, de oferecer subsídios aos interessados em processos de leitura e formação de leitores em instituições de ensino superior, uma vez que a descrição e a crítica da prática tornam possível o planejamento de outras atividades e projetos similares que envolvam esse campo de atividades. A outra finalidade seria o aprimoramento da própria prática e das estratégias desenvolvidas e, consequentemente, o desempenho de todos os atores nela e com ela envolvidos.

Os testemunhos sobre o desenvolvimento das leituras mostram a inter-relação entre o crescimento das habilidades dos alunos na compreensão dos textos e o desenvolvimento de sua capacidade de interpretação de sistemas conceituais utilizados para a categorização dos conhecimentos das áreas específicas de seu campoo de estudo.

Essa observação leva-nos, portanto, a esperar que esse processo de aquisição de habilidades e consequente absorção de conceitos poderá gradualmente liberar os leitores da imediatez do seu contexto, favorecendo transferências e transposições de conhecimentos para outras áreas e outros contextos de expressão científica, literária ou artística.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS





  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR-6023.

  2. BLOOM, Harold. O cânone ocidental. Rio de Janeiro : Objetiva, 1995.

  3. COELHO NETO, José Teixeira. Usos da cultura. Rio de Janeiro : Paz e Terra, 1986.

  4. FRAISSE, Emmanuel; POMPOUGNAC, Jean-Claude; POULAIN, Martine.

Representações e imagens da leitura. São Paulo : Ática, 1997.


  1. GOLDMANN, Lucien. Dialética e cultura. Rio de Janeiro : Paz e Terra, 1979.

  2. LA BIBLIOTECA ideal. Barcelona : Editorial Planeta, 1993.

  3. LANCASTER, F.W. Indexação e resumos: teoria e prática. Brasília : Briquet de Lemos/

Livros, 1993.


  1. MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. São Paulo : Companhia das Letras,

1997.


  1. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal

de Ensino Superior. Programa Especial de treinamento – PET – Orientações básicas.

1995.



  1. NORMAS para elaboração de resumos. Boletin Snicty, Quito, v. 3, n. 34, p. 12-16,

jul./dic. 1984.


  1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Biblioteca Central. Normas para apresentação de trabalhos. 3. ed. Curitiba : Ed. da UFPR, 1994. 8 . v.


1 MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO. Programa Especial de Treinamento- Orientações Básicas, 1995, p.1


2 http:www.capes.br

3 GOLDMANN, p. 8

4 COELHO, José Teixeira. Usos da cultura, p. 105

5 MANGUEL, p. 198.






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