Lidiane peixoto dos reis



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Mito nº 1: “A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente”

É um mito muito comum encontrado na nossa sociedade de que a língua portuguesa é homogênea. Um fato que comprova esse equívoco é o do nosso país além de ser amplo em território, ser um país amplo quanto às desigualdades sociais e faixas etárias.

No Brasil, em cada cidade que passamos, encontramos uma forma diferente de falar. Um exemplo comum são as diferenças linguísticas de cada região. Além disso, até mesmo dentro de um grupo social (podemos dizer em cada cidade brasileira), existem vários grupos de status sociais que são falantes das variedades do não-padrão brasileiro, como também vários grupos de faixas etárias diferentes que, como sabemos, apresentam uma diferença considerável no modo de falar (um adolescente e um idoso, por exemplo). No campo pedagógico, “esse mito é muito prejudicial à educação porque, ao não reconhecer a verdadeira diversidade do português falado no Brasil, a escola tenta impor sua norma linguística como se ela fosse de fato, a língua comum a todos os 160 milhões de brasileiros, independente de sua idade, de sua origem geográfica, de sua situação socioeconômica, de seu grau de escolarização etc.” (p.15)
Mito nº 2: “Brasileiro não sabe português / Só em Portugal se fala bem português”

Para Bagno, essa concepção é semelhante ao sentimento de que pegamos uma língua “pura” e a “mestiçamos”. Porém, é preciso analisarmos que o português brasileiro é diferente do português de Portugal e que, sabemos falar português, sim. As regras gramaticais é que variam entre o português de Portugal e do Brasil. Um exemplo que nos convence de que o português falado em Portugal não funciona no Brasil é o exemplo citado por Bagno (p.27):

“ [...] É a concepção que impera, por exemplo, no livro Não erre mais!, de Luiz Antonio Sacconi, que na página 64 explica:

A Lua é mais pequena que a Terra

Eis aí uma frase corretíssima, que muitos imaginam o contrário. Mais pequeno é expressão legítima, usada por todos os portugueses, que usam menor quando se trata de ideia de qualidade: poeta menor, escrito menor etc. [grifo meu]”
Bagno também cita um trecho do livro “Emília no País da Gramática”, (ANEXO 1) publicado em 1934, de Monteiro Lobato, onde mostra essa diferença entre o português de Portugal e o português do Brasil e a evolução da língua.

“Numa conversa com as crianças do Sítio do Pica-pau Amarelo, a velha Dona Etimologia lhes diz (pp. 100-101)

[...] Uma língua não pára nunca. Evolui sempre, isto é, muda sempre. Há certos gramáticos que querem fazer a língua parar num certo ponto, e acham que é erro dizermos de modo diferente do que diziam os clássicos. [...] A língua variou muito e sobretudo aqui na cidade nova [o Brasil]. Inúmeras palavras que na cidade velha [Portugal] querem dizer uma coisa, aqui dizem outra. [...] Também no modo de pronunciar as palavras existem muitas variações. [...] A língua desta cidade [Brasil] está ficando um dialeto da língua velha. Com o correr dos séculos é bem capaz de ficar tão diferente da língua velha como esta ficou diferente do latim. Vocês vão ver.”

Apesar de o Brasil ter uma variação linguística considerável, o português não deixa de ser a nossa língua, porém cada indivíduo se adapta linguisticamente ao meio em que ele vive, cada região tem sua variedade e seus vícios de linguagem.

Portanto, devemos desconsiderar esse mito de que temos que ter o nosso olhar voltado para a norma gramatical de Portugal.
Mito nº 3: “Português é muito difícil”
Essa concepção de que o português é difícil é oriunda da afirmação de que o brasileiro não sabe falar bem o português. Para Bagno, um nativo de uma língua sabe a língua. Uma criança de 4, 5 anos comprovadamente já domina as regras gramaticais, porque ela nasceu e cresceu rodeada por ela.

Quando um indivíduo diz: “Português é muito difícil”, provavelmente é fruto de uma concepção de que devemos aprender as normas gramaticais de Portugal que, para alguns, são os mais certos. Por conta disso, é causado um extremo desconforto quanto à aprendizagem do nosso português, já que aprendemos uma norma culta que nunca usamos na língua que realmente falamos.

Provavelmente esse mito não existirá mais quando realmente trabalharmos nas escolas o português que realmente usamos no nosso dia a dia.
Mito nº 4: “As pessoas sem instrução falam tudo errado”


Esse mito se baseia na crença de que “todo aquele que não fala de acordo com a norma culta, fala tudo errado”. É o que Bagno cita no mito nº1. Tudo o que escapa desse triângulo escola-gramática-dicionário é considerado falar errado, e por conta disso acontece o preconceito linguístico.

Como podemos observar, nessa tirinha de Maurício de Souza (Fonte: Link: http://sopadeletrasunip.blogspot.com.br/2012/10/pluralidade-cultural-pluralidade.html), há um caso grave de preconceito linguístico. Há uma crítica quanto à maneira de falar do Chico Bento, sendo vista pela professora como um caso de “falta de estudo” da língua portuguesa. Esse caso de crítica quanto ao modo de falar é mais comum do que pensamos, até pelo fato desses “mitos” descritos por Bagno serem encontrados com facilidade no pensamento do povo brasileiro.

Bagno cita um exemplo de casos de pensamentos preconceituosos quanto à maneira de falar que nos convida a analisarmos sobre esses fatos. O autor questiona o sentido de dizermos que as pessoas que falam Cráudia, chicrete, praca, pranta podem ser realmente consideradas como “ignorantes” linguisticamente.




Português Padrão

Etimologia Origem

Branco > blank germânico

Escravo > sclavu latim

Obrigar > obligare latim

Prata > plata provençal


Como podemos analisar, as palavras que tinham sua origem usando o “l” passaram, em português, a usar o “r”. Magno nos diz:

“Se fossemos pensar que as pessoas que dizem Cráudia, chicrete e pranta têm algum “defeito” ou “atraso mental”, seríamos forçados a admitir que toda a população da província romana da Lusitânia também tinha esse mesmo problema [...] Luis de Camões também sofria desse mesmo mal, já que escreveu ingrês, pubricar, pranta, frauta, frecha na obra que é considerada até hoje o maior monumento literário [...] Os Lusíadas...” (Pág. 41)

Bagno também diz:

“Se dizer Cráudia, praca, pranta é considerado “errado” e, por outro lado, dizer frouxo, escravo, branco, praga é considerado “certo”, isso se deve simplesmente a uma questão que não é linguística, mas social e política – as pessoas que dizem Cráudia, praca, pranta pertencem a uma classe social desprestigiada, marginalizada, que não tem acesso à educação formal e aos bens culturais da elite, e por isso a língua que elas mesmas, ou seja, sua língua é considerada “feia”, “pobre”, “carente”, quando na verdade é apenas diferente da língua ensinada na escola.” (Pág. 42)
Mito nº 5: “O lugar onde melhor se fala português é o Maranhão”

Mais uma vez, esse mito é decorrente da fala mais parecida com a de Portugal. Essa afirmação de que o português onde se fala melhor é o do Maranhão é devido ao fato de no Maranhão se usar muito o pronome “tu” seguido das formas verbais da segunda pessoa: tu vais, tu comias, tu cantavas etc. Como podemos observar, em todo o resto do Brasil o termo “tu” foi substituído pelo “você” e, por conta disso, nos outros lugares, ficou-se mais distante do termo usado em Portugal, considerado, assim, “menos correto”.

“É preciso abandonar essa ânsia de tentar atribuir a um único local ou a uma única comunidade de falantes o ”melhor” ou “pior” e passar a respeitar igualmente as variedades da língua, que constituem uma preciosidade de nossa cultura. Todas elas têm o seu valor, são veículos plenos e perfeitos de comunicação e de relação entre as pessoas que as falam.” (Bagno, pág. 51)
Mito nº 6: “O certo é falar assim porque se escreve assim”
Algo simples e prático que desconstrói esse mito com facilidade é entender que a variedade linguística no nosso país é extremamente grande. Vivemos num país que não só em cada região, em cada cidade, mas além disso, em cada camada social há uma forma diferente de falar. É impossível tentarmos falar igual à maneira que escrevemos.

Magno cita fatos que comumente acontecem em nossas escolas. Por orientação das nossas gramáticas e livros didáticos, o professor considera como errado quando uma criança fala bêjo, bisôro, minino, como se assim o professor conseguisse desconstruir a variação linguística. O autor acrescenta que nós, como professores, precisamos sim ensinar a escrever de acordo com a ortografia oficial, mas não tentando criar um único modo de falar e reprovar as outras como “erradas”.


Mito nº 7: “É preciso saber gramática para falar e escrever bem”
É comum encontrarmos pessoas que se apegam a esse tipo de afirmação, principalmente os professores de português. Muitos acreditam que a gramática aproxima o sujeito de dominar a língua padrão. Porém, podemos perceber que essa afirmação é duvidosa já que muitos escritores conceituados assumem não ter domínio da língua portuguesa. Podemos destacar escritores como: Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade e Machado de Assis que admitem ter dificuldade na língua.

Mito nº 8: “O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social”
Esse mito, de acordo com Bagno não tem nenhum fundamento, visto que se isso fosse verdade, os professores de português ocupariam o topo da pirâmide social, já que são eles que mais dominam a norma culta. Só que sabemos que isso está longe de ser uma realidade, já que os professores são os profissionais mais mal pagos de nossa sociedade. Sem contar que existem muitos fazendeiros ditos “sem instrução” (são denominados assim por não dominar a norma culta) que são donos de várias cabeças de gado, detentores de grande influência política da região e são falantes de uma linguagem taxada como “caipira”, sintaticamente dita “errada”.

Concluindo, essa é a realidade da sociedade em que vivemos e será muito difícil e demorado mudar essa opinião. Porém, é importante que a sociedade em geral, principalmente os professores, saibam abordar o assunto com afinco e com conhecimento, já que somos importantes como formadores de opinião. É imprescindível que o professor pesquise sobre o tema abordado e entenda o quanto é importante que o aluno não sofra esse tipo de preconceito nas escolas.




3. O ENSINO DE LÍNGUA MATERNA E OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS DE LÍNGUA PORTUGUESA
AULA DE PORTUGUÊS

(Carlos Drummond de Andrade)


A linguagem

na ponta da língua,

tão fácil de falar

e de entender.


A linguagem

na superfície estrelada de letras,

sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,

e vai desmatando

o amazonas de minha ignorância.

Figuras de gramática, esquipáticas,

atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,

em que pedia para ir lá fora,

em que levava e dava pontapé,

a língua, breve língua entrecortada

do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.
Para começar a falar sobre o ensino da língua materna, nada melhor que começar com a poesia de Carlos Drummond de Andrade, que fala sobre a aula de português. No poema, é fácil entender o que Andrade quis explicitar para o leitor. Ele fala sobre a diferença entre a língua falada e escrita, causando um extremo desconforto com relação ao “mistério” da língua escrita exposta pelo professor de português.

A fala, algo que é tão belo e fácil, se torna um “monstro”, quando esses alunos entram no mundo da língua escrita e descobrem que a língua escrita é diferente da língua falada e que tudo o que eles sabem está “errado”. Quando é imposta pelo professor a questão de que a maneira do aluno falar está errada, e que ele precisa se aproximar da língua escrita, esse fato acaba se tornando um choque para o aluno e fazendo com que este tenha dificuldade na aprendizagem.


Só se poderia falar em “erro” se cada cidadão errasse, individualmente e de modo particular, no momento de produzir aquele fonema. Como chamar de erro um fenômeno que se verifica de norte a sul do país? Como milhões de falantes conseguiram “combinar” para “errar” todos da mesma maneira nos mesmos contextos fonológicos e morfossintáticos?

(BORTONI-RICARDO, 2004)


BORTONI-RICARDO (2004) enfatiza a questão de que não se pode dizer que o aluno “erra” na sua forma de falar por não ser escrita daquela maneira. “Se milhares de pessoas dizem “trabaio” e não “trabavo”, “trabazo”, etc - é porque a transformação de “lh” em “i” é uma virtualidade prevista na própria arquitetura fonológica da língua portuguesa”.

Percebemos atualmente que, “a escola é norteada para ensinar a língua da cultura dominante; tudo que se afasta desse código é defeituoso e deve ser eliminado” (BORTONI-RICARDO, 2006, p. 14). Como também afirma Possenti (1998, p.17) “o objetivo da escola é ensinar o português padrão”. Fortalecendo assim o mito de que para saber falar e escrever bem, é preciso saber gramática, como se a língua fosse ligada à gramática.

É importante que o professor de língua materna se atente ao fato de que existem várias formas de dizer a mesma coisa e que essas formas não podem ser ignoradas.

Por pensar nessa possibilidade, muitos podem entender que tudo o que se diz quanto à língua pode-se tudo. Mas precisamos observar que, como diz Bagno (2011, p.154), “tudo vale alguma coisa, mas esse valor vai depender de uma série de fatores”. Tudo vai depender de “quem diz o quê, a quem, como, quando, onde, por que e visando que efeito”. Concordo com Bagno quando ele diz que há tempo para usarmos nossa linguagem, formal ou não, pois há momentos que não podemos usar uma linguagem informal, como uma entrevista de emprego, por exemplo.

É indiscutível que o preconceito linguístico existe e que deve ser trabalhado na escola, e é importante que o professor não alimente essa teoria. É fundamental que o professor se atualize, pesquise e entenda que a língua e gramática não são sinônimos e que a discriminação linguística seja combatida nas salas de aula.

No Brasil, temos os nossos PCN´S que foram elaborados para orientar os nossos professores na busca de novas abordagens e novas tecnologias.


3.1. OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS
Os Parâmetros Curriculares Nacionais são uma coleção de documentos que compõem uma grade curricular de uma instituição educativa. Os PCN´s servem como o “ponto de partida”, para os docentes, norteando assim as suas necessidades para as atividades em sala de aula.

Criados em 1996, estão voltadas principalmente para a estruturação e reestruturação dos currículos escolares de todo o Brasil.


Os PCN´s têm por objetivo

auxiliá-lo na execução de seu trabalho, compartilhando seu esforço diário de fazer com que as crianças dominem os conhecimentos de que necessitam para crescerem como cidadãos plenamente reconhecidos e conscientes de seu papel em nossa sociedade. (BRASIL, 1997, p. 4)


Os PCN´s são dividos em seis volumes, de acordo com cada área de conhecimento: língua portuguesa, matemática, ciências naturais, história, geografia, arte e educação física. Também possuem três volumes com temas transversais sobre ética, pluralidade cultural e orientação sexual, e meio ambiente e saúde.

Os PCN’s estão divididos para o Ensino Fundamental 1, do 1º ao 5º ano, e o documento para o Ensino Fundamental 2, do 6º ao 9º ano.


Vejamos o que os PCN´S de língua portuguesa dizem:

[...]...para poder ensinar Língua Portuguesa, a escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma “certa” de falar [...] além de desvalorizar a forma de falar do aluno, tratando sua comunidade como se fosse formada por incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos, por mais prestígio que um deles tenha em um dado momento histórico.”

(Fonte: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro02.pdf - Pág. 26)

Como podemos ver, os PCN´S defendem que o aluno pense sua língua de forma autônoma e que as variações linguísticas não só devem ser observadas como também trabalhadas com os alunos e que não devem ser trabalhadas como se existisse um conceito de “certo” e “errado” em relação a língua falada.

Porém tem-se trabalhado em nossas escolas a questão da gramática ser o referencial para um bom desempenho da língua falada, como se o conhecimento integral da gramática fosse fazer com que o aluno seja um falante culto da língua. Impõe-se nos nossos alunos o conceito de “falar bem só se for mais próximo da gramática”.

Ao observarmos os PCN´S, temos encontrado um grande avanço com relação a esse tipo de afirmação, visto que eles reconhecem a variação linguística como algo inerente à língua, que essa variação deve ser valorizada nas escolas e trabalhada como um fenômeno social, para que não possam existir ou surgir preconceitos linguísticos em nossas escolas.


“A questão não é falar certo ou errado, mas saber qual forma de fala utilizar, considerando as características do contexto de comunicação, ou seja, saber adequar o registro às diferentes situações comunicativas. (...) É saber, portanto, quais variedades e registros da língua oral são pertinentes em função da intenção comunicativa, do contexto e dos interlocutores a quem o texto se dirige”. (PCN, 1997, p. 31)
Apesar de termos um documento que defende a teoria de que não existe uma única forma certa de falar, e que essas práticas preconceituosas em sala de aula podem acarretar constrangimentos e desvalorização da cultura de cada educando, podemos observar que essa é uma prática que ainda está sendo trabalhada e abordada com os alunos de uma maneira artificial.

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1998), a língua é fundamental para participação social efetiva do indivíduo, por isso, a escola tem o dever de passar aos seus alunos os saberes linguísticos necessários, direito de todo cidadão.

Vemos que muitos professores ainda estão voltados unicamente para a supervalorização da norma culta, desconsiderando a variedade linguística nas salas de aula.

4. A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL
4.1. UM BREVE HISTÓRICO

Atualmente, o ensino de jovens e adultos é assumido pelo Governo, em caráter político e social, mas durante a colônia e o Império, não era dada importância à educação de jovens e adultos.

As iniciativas governamentais para a educação de jovens e adultos só começaram nos anos 40/50, quando o censo mostrou altos índices de analfabetismo (55%, considerando a população maior de 18 anos).

Por conta disso, o Estado criou o movimento de redemocratização do país, após a ditadura de 1937-1945, aliado à UNESCO, criando assim a primeira Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA). Em 1945, a aprovação do Decreto 19.513, faz a educação de adultos tornar-se oficial. (OLIVEIRA e PAIVA, 2004)

Em 1952 foi criada a Campanha Nacional de Educação Rural (CNER), ligada a Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos - CEAA. A CNER foi uma das instituições promotoras do processo de desenvolvimento de comunidades no meio rural brasileiro. O processo de alfabetização tinha a duração de três meses, e assim esses alunos estavam aptos a exercer atividades que não exigiam um saber elaborado.

Em 1958, foi fundada a Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo (CNEA), em que o objetivo era fazer com que todos tivessem acesso à alfabetização, independentemente da faixa etária, minimizando o analfabetismo em todas as idades.

Com o Estado ligado à Igreja Católica, um novo impulso foi dado à educação de jovens e adultos, como o MEB (Movimento de Educação de Base). A alfabetização de adultos seria realizada por meio desse Movimento de Base usando a rede de emissoras católicas para esse fim. Em 1966, esse programa chegou ao fim devido a pressões do governo militar. Em 1970, o MEB, apesar de ter diminuído sua atuação, continuou tentando firmar-se no Norte e Nordeste do país.

Em 1961, surge o CPC (Centro Popular de Cultura), fundado pela UNE. Seu maior objetivo era levar cultura às classes mais desfavorecidas. Em 1963, foi criado o Departamento de Alfabetização de Adultos, onde seriam utilizados livros de literatura para o ensino, entre outros materiais. Em 1964, acabou-se o CPC, devido ao incêndio nas dependências da UNE, decorrente do Golpe Militar. Na década de 60, Paulo Freire foi o precursor da referência principal para a constituição de um novo paradigma teórico e pedagógico. Seu papel foi fundamental para o desenvolvimento da EJA no Brasil, pois ele lutou pela participação do povo na vida pública e influenciou a conscientização à educação popular.

Em 1964, Paulo Freire revolucionou com o seu método de alfabetizar jovens e adultos. Para Freire, o “be-a-bá” não tinha nenhum fundamento. Seu pensamento se voltava contra as metodologias educacionais trabalhadas naquela época como “bancárias”, onde o professor era o conhecedor de tudo e transferia para o aluno (o que não sabe de nada) todo o conhecimento necessário.

Freire diz que,

“a educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador o depositante.” (FREIRE, 1983, p. 66).
Ele também defendia a ideia de que o aluno e o professor aprendem juntos, e não que o professor é o dono de todo o conhecimento. Para ele, a escola deve ser democrática e preparadora.

O método Paulo Freire foi um método revolucionário, onde toda a experiência de vida do aluno pode e deve ser explorada. Incentivava a vida cotidiana dentro da escola, como usar palavras do conhecimento dos alunos para assim trabalhar com eles (palavras geradoras).

Freire alfabetizou 300 alunos em 45 dias. Devido ao resultado tão eficaz, João Goulart (Presidente brasileiro na época) criou e aprovou o Plano Nacional de Alfabetização, que fazia com que todos os programas de alfabetização do Brasil fossem orientados pela proposta de Paulo Freire.

Freire foi o que maior defensor da ideia de que o aluno deveria ter interesse e conhecimento acerca da realidade, tornando-os mais humanos e não somente objetos de sua história. Sua pedagogia visava articular educação popular e consciência política. Com o golpe militar de 1964, qualquer manifestação a favor de uma educação democrática foi censurada e qualquer pessoa que defendesse essa prática foi perseguida. Acusado de subversão, Freire foi preso por 70 dias e logo depois exilado. No Chile, trabalhou no Instituto Chileno para Reforma Agrária (ICIRA), onde recebeu o reconhecimento da UNESCO pelo combate ao analfabetismo. Foi aí também que ele escreveu sua principal obra “Pedagogia do Oprimido”.

Em 1967, começa o Movimento Brasileiro de Alfabetização, o MOBRAL. Esse movimento tinha por objetivo acabar com o analfabetismo em 10 anos.

Abaixo, dois comerciais do Mobral. Uma iniciativa das revistas Abril de apoio ao Mobral.



(Fonte: http://ludy-quadrinhosdisney.blogspot.com.br/2011/04/uma-viagem-bordo-do-almanaque-disney-1_23.html


Fonte: http://memoriasoswaldohernandez.blogspot.com.br/2012/10/anuncios-dos-anos-70-de-diversos.html

O MOBRAL tinha o interesse de acabar com o analfabetismo, independente da formação pedagógica do educador. Para ensinar, bastava saber ler e escrever.

Tinha influência do método Paulo Freire, pois era utilizada a “palavra geradora” sendo que, no MOBRAL, a escolha era decidida pelos tecnocratas, que escolhiam a partir de estudo de necessidades humanas básicas, ou seja, era padronizado no país inteiro, e não partindo da particularidade de cada aluno. Normalmente eram palavras que não condiziam com a realidade política do país e nem com a problematização que continha nela. Sua função era somente ensinar a ler, escrever e contar. Já o método Paulo Freire partia do concreto, da realidade desse aluno, visando o mundo que ele vive e não um mundo abstrato.

Dentro do MOBRAL, existiam outros programas, como estes:

- Programa de Alfabetização Funcional – Desenvolver habilidades de leitura e escrita, como também desenvolver um vocabulário que favorecesse a inserção desses alunos na sociedade. Para isso, precisava desenvolver as seguintes habilidades:

*Aprender a ler, escrever e contar;

*Enriquecer o vocabulário;

*Desenvolver o raciocínio;

*Criar costumes em relação ao trabalho;

*Incentivar a criatividade;

*Obter um senso de responsabilidade.

- Programa de Educação Integrada – Equivalente às quatro primeiras séries do ensino fundamental, ou seja, o programa tinha o objetivo de dar procedimento à formação acadêmica dos alunos.

- Programa MOBRAL Cultural – Este tinha o objetivo de promover atividades culturais, como teatro e outras manifestações artísticas.


Na época do MOBRAL, a canção “Você também é responsável” de Dom e Ravel, foi transformada em “Hino do Movimento Brasileiro de Alfabetização”, pelo ex-ministro da educação Jarbas Passarinho. A música relata sobre o analfabetismo no Brasil e fala também sobre o incentivo à leitura e a importância da qualidade da educação e não na quantidade. (ANEXO 2)

Em 1971, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (n.º 5.692/71), foi implantado o ensino supletivo.

Com o fim do período militar o Mobral foi extinto e, em 1985, ocorreu a implantação da Fundação Nacional para Educação de Jovens e Adultos, chamada assim de Fundação Educar.

Abaixo, um dos livros editados pelos poderes públicos.


(Fonte: Link: http://acervohistoricodolivroescolar.blogspot.com.br/2011/05/mobral.html)

O objetivo da EDUCAR era “promover a execução de programas de alfabetização e de educação básica não-formais, destinados aos que não tiveram acesso à escola ou dela foram excluídos prematuramente” (ZUNTI, 2000:11)

Abaixo, uma matéria referente ao Plano Municipal de Jovens e Adultos (o PLAMEA), tendo por objetivo trabalhar paralelamente à Fundação Educar.


(Matéria da Nova Escola, publicada em 1986, sobre a Educação de adultos em Osasco-SP, falando sobre um material alternativo à extinção do MOBRAL) – Fonte: http://www.doniotimismo.com.br/alfabetizacaodeadultos.asp


Na matéria publicada, o secretário de educação apresenta esse material como uma forma de melhorar o ensino de jovens e adultos, acreditando que o MOBRAL “não funcionava muito bem e colocou no lugar essa fundação (Fundação Educar) que até agora, não disse para que veio” – Secretário Rubens. (Matéria completa no ANEXO 3)

A Fundação Educar foi extinta em 1990, que logo após foi substituída pelo PNAC (Plano Nacional de Alfabetização e Cidadania), que durou somente um ano.





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