Lista de exercícios – Profa. Flávia Gramática Pontuação (Pucrj 2016)



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Lista de exercícios – Profa. Flávia - Gramática

Pontuação


  1. (Pucrj 2016)

De acordo com as épocas históricas, ideias filosóficas e conquistas científicas, os valores éticos sofrem modificações. As situações práticas necessitam de diretrizes efetivas que determinam o caminho a ser seguido. Os códigos, as normas, os princípios, as tradições são critérios que se propõem a dirigir a ação humana.

À medida que avança o conhecimento humano sobre o próprio viver e tudo aquilo que sobre ele interfere, também aumenta a capacidade humana de intervir sobre a vida individual, coletiva e planetária e, portanto, maior é a necessidade de formas de controle social e ético sobre os produtos e as atividades da ciência, ou seja, sobre tudo o que se pratica em nome da ciência e de seus desdobramentos tecnológicos.

Embora possamos nos reportar à história da antiguidade, tomando o exemplo do juramento hipocrático (Hipócrates é considerado o pai da Medicina e foi quem introduziu as bases do juramento médico), é a partir do início do século XX que algumas regulamentações de experimentos científicos começam a surgir em iniciativas de países isolados (EUA, 1900; Prússia, 1901; Alemanha, 1931). Somente quando as atrocidades cometidas na 2ª Grande Guerra em campos de concentração nazistas se tornaram públicas, é que a humanidade se defrontou, de forma drástica, com o lado “terrível” da ciência. Deste confronto foi gerado o Código de Nüremberg, em 1947, considerado o grande marco em termos de movimento para manter a prática científica sob um controle ético e de definição dos pilares desta ética na pesquisa em humanos. Sob os pilares da “utilidade”, “inocuidade” e “autodecisão do participante”, buscou-se coibir toda forma de abuso e crueldade, toda finalidade política ou eugênica, preservando os interesses da pessoa sobre os da ciência.

Texto modificado de PADILHA, M. I. C. S., RAMOS, F. R. S., BORENSTEIN, M. S., MARTINS, C. R.. A responsabilidade do pesquisador ou sobre o que dizemos acerca da ética em pesquisa. Revista Texto & Contexto Enfermagem, 2005 Jan-Mar; 14(1). UFSC. p. 97-98. Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2015.


a) Quanto ao texto, explicite a que se refere...

i) o pronome possessivo seus no 2º parágrafo;

ii) o substantivo confronto no último parágrafo.
b) Tendo em vista a tessitura textual, explique a relevância das informações apresentadas entre parênteses no 3º parágrafo do texto.



  1. (Faculdade Albert Einstein 2016) Médicos expõem pacientes em redes sociais

Giuliana Miranda - De São Paulo - 20/08/2014 01h50
Médicos e outros profissionais da saúde registram cada vez mais suas rotinas nas redes sociais. O problema é que, frequentemente, expõem também os pacientes, algumas vezes em situações constrangedoras.

No aplicativo de paquera Tinder - em que os usuários exibem uma seleção de fotos para atrair a atenção do potencial pretendente -, é possível encontrar imagens de profissionais em centros cirúrgicos, UTIs e outros ambientes hospitalares.

Em busca feita pela reportagem, foram encontradas fotos em que era possível ver o rosto dos pacientes, incluindo de um homem sendo operado e uma criança que fazia tratamento contra um câncer.

"Colocar foto de jaleco e dentro do hospital é 'ímã de mulher' no Tinder", diz um médico de 30 anos da rede pública de São Paulo que costuma usar o aplicativo.

Ele diz que já usou uma foto sua operando, mas agora tem apenas imagens em que não é possível identificar outras pessoas ou a instituição de saúde em que trabalha. "Fiquei com medo de que desse problema", explicou.

Segundo o CFM (Conselho Federal de Medicina), o registro de pacientes, identificando-os ou não, é irregular.

"É proibido tirar essas fotos. Existe uma resolução bem rígida sobre o assunto", diz Emmanuel Fortes, coordenador do departamento de fiscalização do CFM.

Ele diz que a única situação em que o registro de pacientes é permitido é para fins científicos, como a exibição em congressos médicos.

"Mas tem de haver consentimento do paciente, além da preservação de sua imagem."

Médicos que desrespeitarem a norma estão sujeitos a punição, inclusive com a perda de registro profissional, em casos julgados graves.



Folha de S.Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/08/1503001-medicos-expoem-pacientes-em-redes-sociais.shtml. Acesso em: 5 set. 2015.

No segundo parágrafo da matéria da Folha de S.Paulo, os travessões são empregados de modo a

a) enaltecer o problema da exposição nas redes sociais.

b) destacar a ideia que os usuários têm a respeito do aplicativo.

c) direcionar a opinião do leitor para as implicações das redes sociais.

d) explicitar a finalidade do aplicativo.




  1. (Fgv 2016)

Havia já quatro anos que Eugênio se achava no seminário sem visitar sua família. Seu pai já por vezes tinha escrito aos padres pedindo-lhes que permitissem que o menino viesse passar as férias em casa. Estes porém, já de posse dos segredos da consciência de Eugênio, receando que as seduções do mundo o arredassem do santo propósito em que ia tão bem encaminhado, opuseram-se formalmente, e responderam-lhe, fazendo ver que aquela interrupção na idade em que se achava o menino era extremamente perigosa, e podia ter péssimas consequências, desviando-o para sempre de sua natural vocação.

Uma ausência, porém de quatro anos já era excessiva para um coração de mãe, e a de Eugênio, principalmente depois que seu filho andava mofino e adoentado, não pôde mais por modo nenhum conformar-se com a vontade dos padres. Estes portanto, muito de seu mau grado, não tiveram remédio senão deixá-lo partir.

(Bernardo Guimarães. O Seminarista, 1995)
Observe as reescritas do texto e responda conforme solicitado entre parênteses.


  1. Seu pai já por vezes tinha escrito aos padres pedindo-lhes à permissão para que o menino viesse passar as férias em casa. / ... opuseram-se formalmente à ideia, e responderam de forma negativa inicialmente. (Justifique se os usos do acento indicativo da crase estão ou não de acordo com a norma-padrão.)




  1. Para um coração de mãe porém uma ausência de quatro anos já era excessiva... (Pontue o texto e justifique a pontuação realizada.)



  1. (Pucrj 2015)

O uso da palavra amigo inicia aos quatro anos de idade; melhor amigo, a partir da infância média e adolescência. A amizade infantil caracteriza-se por afeto, divertimento e reciprocidades: mútua consideração, cooperação, bom manejo de conflito, benefícios equivalentes em trocas sociais; gostar um do outro, ou seja, desejar passar mais tempo na companhia prazerosa um do outro. As amizades de crianças mais velhas e adolescentes incluem lealdade, confiança e intimidade, requerem interesses comuns e comprometimento, tanto para manter os amigos como para formar novas amizades (Bukowski et al., 1996; Hartup, 1989).


Amizades adultas caracterizam-se por homogeneidade de traços de personalidade, interesses, sexo, idade, estado civil, religião, status ocupacional, etnia, renda, escolaridade, gênero, número de amigos, duração da amizade e tipos (Bell, 1981; Blieszner & Adams, 1992; Fehr, 1996). A maioria das pesquisas aborda adultos jovens, geralmente estudantes universitários entre 18 e 30 anos. Esta tendência não decorre apenas da facilidade para coletar dados nas universidades, mas também do fato de que, nesta etapa, as amizades são mais evidentes. Na adolescência a amizade amadurece, passa a envolver confiança, lealdade e intimidade. Na adultez jovem, torna-se mais importante no contraste com o restante da vida adulta, que a restringe com demandas profissionais, românticas e familiares (Fehr, 1996; Rawlins, 1992).
SOUZA, Luciana Karine de & HUTZ, Claudio Simon. Relacionamentos pessoais e sociais: amizade em adultos. Psicologia em Estudo. Maringá, PR, v. 13, n. 2, abr./jun. 2008. p. 257-265. Disponível em: . Acesso em 3 ago. 2014.


  1. Justifique o emprego da vírgula em “O uso da palavra amigo inicia aos quatro anos de idade; melhor amigo, a partir da infância média e adolescência.”



  1. Reescreva os trechos abaixo atendendo às modificações propostas em cada item a seguir. Faça as alterações necessárias.

I. As amizades de crianças mais velhas e adolescentes incluem lealdade, confiança e intimidade, requerem interesses comuns e comprometimento. Inicie o trecho com Talvez.


II. “Esta tendência não decorre apenas da facilidade para coletar dados nas universidades, mas também do fato de que, nesta etapa, as amizades são mais evidentes.” Substitua o verbo decorrer por ocorrer, mantendo a ideia expressa no trecho. (Esta tendência ocorre...)


  1. (Pucrj 2015)


Texto 1

A imaginação
A imaginação é provavelmente a maior força a atuar sobre os nossos sentimentos – maior e mais constante do que influências exteriores, como ruídos e visões amedrontadores (relâmpagos e trovões, um caminhão em disparada, um tigre furioso), ou prazer sensual direto, inclusive mesmo os intensos prazeres da excitação sexual. O que esteja realmente acontecendo é, para um ser humano, apenas uma pequena parte da realidade; a maior parte é o que ele imagina em conexão com as vistas e sons do momento.

A imaginação constitui o seu mundo. O que não quer dizer que seu mundo seja uma fantasia, sua vida um sonho, nem qualquer outra coisa assim, poética e pseudofilosófica. Isso significa que o seu “mundo” é maior do que os estímulos que o cercam; e a medida deste, o alcance de sua imaginação coerente e equilibrada. O ambiente de um animal consiste das coisas que lhe atuam sobre os sentidos. Coisas ausentes, que ele deseje ou tema, provavelmente não têm substitutos em sua consciência, como as imagens de tais coisas na nossa, mas aparecem, quando por fim o fazem, como satisfações de necessidades imperiosas, ou como crises em seu espreitar e reagir mais ou menos constante. [...]

No centro da experiência humana, portanto, existe sempre a atividade de imaginar a realidade, concebendo-lhe a estrutura através de palavras, imagens ou outros símbolos, e assimilando-lhe percepções reais à medida que surgem – isto é, interpretando-as à luz das ideias gerais, usualmente tácitas. Esse processo de interpretação é tão natural e constante que sua maior parte decorre de modo inconsciente.

LANGER, Suzanne K. Ensaios filosóficos. São Paulo: Cultrix, 1971. p.132-133; 135-136. Apud ARANHA, M. L. de Arruda & MARTINS, M. H. Pires. Filosofando: introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2003. p. 367.


Texto 2
Sobre que você está pensando agora? Como minhas palavras estão sendo comunicadas a você pela página impressa, que é um meio de mão única, esta é uma pergunta difícil para eu responder. Se, porém, eu estivesse apresentando essa pergunta sentado em uma mesa à sua frente, eu já teria uma resposta, ou pelo menos uma suposição – mesmo que você ficasse calado o tempo todo. Suas expressões faciais, os movimentos dos olhos, a linguagem corporal estariam enviando um constante fluxo de informação sobre seu estado interno – sinais que intuitivamente eu perceberia e interpretaria. Veria suas pálpebras se abaixarem durante uma argumentação mais complicada, notaria a risada durante uma das minhas tentativas de fazer humor, registraria o modo como se senta empertigado na cadeira quando minhas palavras prendem sua atenção. Eu não poderia proibir minha mente de fazer essas inferências, nem você poderia proibir sua mente de interpretar minhas palavras como linguagem. Estamos ambos ligados em uma dança de comunicação de extraordinária profundidade – e, por incrível que pareça, temos pouca consciência do processo como um todo.

Os seres humanos são leitores de mente inatos. Nossa habilidade de imaginar os estados mentais das pessoas situa-se em um patamar tão elevado quanto a nossa aptidão para a linguagem e o nosso polegar opositor. É uma característica tão natural para nós e engendrou tantos efeitos colaterais, que é difícil pensarmos sobre ela como uma habilidade especial. Ainda assim, a maioria dos animais não é capaz de ler mentes como uma criança de quatro anos.

[...]

JOHNSON, Steven. Emergência. A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares. Trad. de M. C. Dias. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p. 145.


a) Os dois textos acima tratam da imaginação - o primeiro, em relação à interpretação da realidade, e o segundo, em relação à interpretação da mente das pessoas. Aponte e explique qual é o aspecto comum a essas duas habilidades.

b) Reescreva o texto abaixo, pontuando-o de acordo com as regras da norma culta.

Segundo Einstein criador da teoria da relatividade a imaginação é mais importante do que o conhecimento pois enquanto este é limitado a imaginação dá volta ao mundo.


  1. (Ita 2015)

1José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. E falou dos equívocos de nossa política imigratória. 2As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas. Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial, Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo 15gente para o asfalto, “para entulhar as grandes cidades”, como diz o repórter.

6O repórter tem razão. 3Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz, essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja única experiência na vida parece ter sido vender bombons 11– não, essa gente não vai aumentar a produção de batatinhas e quiabos nem 16plantar cidades no Brasil Central.

7É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. 8A humanidade não vive apenas de carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras, esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa12: emigraram. Trazem pelo menos o patrimônio de sua inquietação e de seu 17apetite de vida. 9Muitos se perderão, sem futuro, na vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para 18fazer um mundo; e cada pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem pergunta hoje, 10e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, 4e quem nos garante que uma legislação exemplar de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da pessoa humana: 5o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste momento está saltando assustado na praça Mauá13, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma política de imigração sábia, perfeita, materialista14; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da fantástica 19loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória.

(BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963)


De acordo com as normas gramaticais de pontuação,
I. o travessão da referência 11 serve para realçar uma conclusão do que foi dito anteriormente.

II. os dois pontos da referência 12 podem ser substituídos por ponto e vírgula.

III. a vírgula, em “está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe”, referência 13, pode ser excluída.

IV. o ponto e vírgula da referência 14 pode ser substituído por ponto final.


Estão corretas apenas

a) I, II e III.

b) I, III e IV.

c) II e III.

d) II, III e IV.

e) III e IV.





  1. (Uemg 2015)

“Cruéis convenções nos convocam: estar em forma, ser competente, ser produtivo, mostrar serviço, prover, pagar, e ainda ter tempo para ternura, cuidados, amor. O curso da existência começa a ser para muitos uma ameaça real. A sociedade é uma mãe terrível, a vida um corredor estreito, o tempo um perseguidor implacável: belos e competentes, ou belos ou competentes, atordoados entre deveres e frestas estreitas demais de liberdade ou sonho.

Nós construímos isso.

Só não prevíamos as corredeiras, as gargantas, os redemoinhos, a noite lá no fundo dessas águas. É quando toda a competência, a eficiência, o poder, se encolhem e ficamos nus, e sós, na nossa frágil maturidade, sob o império das perdas que começam a se apresentar sem cerimônia.”

LUFT, 2014, p. 79


Em gramáticas e em manuais de língua portuguesa, costuma-se recomendar o uso da vírgula para indicar a elipse (omissão) de um verbo, como neste exemplo: “Ele prefere filmes de suspense; a namorada, filmes de aventura”.
Com base nessa regra, seria necessário alterar a pontuação da seguinte passagem:

a) “Cruéis convenções nos convocam: estar em forma, ser competente, ser produtivo, mostrar serviço, prover, pagar, e ainda ter tempo para ternura, cuidados, amor.”

b) “A sociedade é uma mãe terrível, a vida um corredor estreito, o tempo um perseguidor implacável (...)”

c) “Só não prevíamos as corredeiras, as gargantas, os redemoinhos, a noite lá no fundo dessas águas.”

d) “É quando toda a competência, a eficiência, o poder, se encolhem e ficamos nus, e sós, na nossa frágil maturidade (...)”



  1. (Uemg 2015)

“De repente chegou o dia dos meus setenta anos.

Fiquei entre surpresa e divertida, setenta, eu? Mas tudo parece ter sido ontem! No século em que a maioria quer ter vinte anos (trinta a gente ainda aguenta), eu estava fazendo setenta. Pior: duvidando disso, pois ainda escutava em mim as risadas da menina que queria correr nas lajes do pátio quando chovia, que pescava lambaris com o pai no laguinho, que chorava em filme do Gordo e Magro, quando a mãe a levava à matinê. (Eu chorava alto com pena dos dois, a mãe ficava furiosa.)

A menina que levava castigo na escola porque ria fora de hora, porque se distraía olhando o céu e nuvens pela janela em lugar de prestar atenção, porque devagarinho empurrava o estojo de lápis até a beira da mesa, e deixava cair com estrondo sabendo que os meninos, mais que as meninas, se botariam de quatro catando lápis, canetas, borracha – as tediosas regras de ordem e quietude seriam rompidas mais uma vez.

Fazendo a toda hora perguntas loucas, ela aborrecia os professores e divertia a turma: apenas porque não queria ser diferente, queria ser amada, queria ser natural, não queria que soubessem que ela, doze anos, além de histórias em quadrinhos e novelinhas açucaradas, lia teatro grego – sem entender – e achava emocionante.

(E até do futuro namorado, aos quinze anos, esconderia isso.)

O meu aniversário: primeiro pensei numa grande celebração, eu que sou avessa a badalações e gosto de grupos bem pequenos. Mas pensei, setenta vale a pena! Afinal já é bastante tempo! Logo me dei conta de que hoje setenta é quase banal, muita gente com oitenta ainda está ativo e presente.

Decidi apenas reunir filhos e amigos mais chegados (tarefa difícil, escolher), e deixar aquela festona para outra década.”

LUFT, 2014, p.104-105


Assinale a alternativa que contém uma afirmação adequada em relação ao texto.

a) Os parênteses foram empregados toda vez que a locutora queria se dirigir diretamente ao seu interlocutor, ou seja, o leitor do texto.

b) Em todas as ocorrências, as palavras no diminutivo apresentam o mesmo valor semântico: demonstrar depreciação em relação ao que se diz.

c) Em “O meu aniversário: primeiro pensei numa celebração...” os dois pontos podem ser substituídos por uma vírgula sem que haja alteração sintática e/ou semântica.

d) A linguagem empregada se aproxima do registro coloquial, o que se comprova pelo emprego das palavras botariam, badalações, mais chegados e festonas.



  1. (Fgvrj 2015)

Eram tempos menos duros aqueles vividos na casa de Tia Vicentina, em Madureira, subúrbio do Rio, onde Paulinho da Viola podia traçar, sem cerimônia, um prato de feijoada - comilança que deu até samba, "No Pagode do Vavá". Mas como não é dado a saudades (lembre-se: é o passado que vive nele, não o contrário), Paulinho aceitou de bom grado a sugestão para que o jantar ocorresse em um dos mais requintados italianos do Rio. A escolha pela alta gastronomia tem seu preço. Assim que o sambista chega à mesa redonda ao lado da porta da cozinha, forma-se um círculo de garçons, com o maître à frente. [...]

Paulinho conta que cresceu comendo o trivial. Seu pai viveu 88 anos à base de arroz, feijão, bife e batata frita. De vez em quando, feijoada. Massa, também. "Mas nada muito sofisticado."

Com exceção de algumas dores de coluna, aos 70 anos, goza de plena saúde. O músico credita sua boa forma ao estilo de vida, como se sabe, não dado a exageros e grandes ansiedades.

T. Cardoso, Valor, 28/06/2013. Adaptado.


Considere estas afirmações sobre elementos linguísticos presentes no texto:
I. O verbo “traçar” pertence a um registro linguístico diverso do que predomina no texto.

II. No trecho "um dos mais requintados italianos do Rio”, ocorre elipse de um substantivo.

III. Com as aspas em "Mas nada muito sofisticado", o autor do texto imprime, a essa expressão, um tom irônico.
Tendo em vista o contexto, está correto apenas o que se afirma em

a) I.


b) II.

c) III.

d) I e II.

e) II e III.




  1. (Fuvest 2014)

A civilização “pós-moderna” culminou em um progresso inegável, que não foi percebido antecipadamente, em sua inteireza. Ao mesmo tempo, sob o “mau uso” da ciência, da tecnologia e da capacidade de invenção nos precipitou na miséria moral inexorável. Os que condenam a ciência, a tecnologia e a invenção criativa por essa miséria ignoram os desafios que explodiram com o capitalismo monopolista de sua terceira fase.

Em páginas secas premonitórias, E. Mandel* apontara tais riscos. O “livre jogo do mercado” (que não é e nunca foi “livre”) rasgou o ventre das vítimas: milhões de seres humanos nos países ricos e uma carrada maior de milhões nos países pobres. O centro acabou fabricando a sua periferia intrínseca e apossou-se, como não sucedeu nem sob o regime colonial direto, das outras periferias externas, que abrangem quase todo o “resto do mundo”.

Florestan Fernandes, Folha de S.Paulo, 27/12/1993.

(*) Ernest Ezra Mandel (1923-1995): economista e militante político belga.

O emprego de aspas em uma dada expressão pode servir, inclusive, para indicar que ela
I. foi utilizada pelo autor com algum tipo de restrição;

II. pertence ao jargão de uma determinada área do conhecimento;

III. contém sentido pejorativo, não assumido pelo autor.
Considere as seguintes ocorrências de emprego de aspas presentes no texto:

A. “pós-moderna” (L. 1);

B. “mau uso” (L. 2);

C. “livre jogo do mercado” (L.05);

D. “livre” (L. 06);

E. “resto do mundo” (L. 08).


As modalidades I, II e III de uso de aspas, elencadas acima, verificam-se, respectivamente, em (1.0)

a) A, C e E.

b) B, C e D.

c) C, D e E.

d) A, B e E.

e) B, D e A.




  1. (Unesp 2014) Tablets nas escolas

Ou seja, não é suficiente entregar equipamentos tecnológicos cada vez mais modernos sem uma perspectiva de formação de qualidade e significativa, e sem avaliar os programas anteriores. O risco é de cometer os mesmos equívocos e não potencializar as boas práticas, pois muda a tecnologia, mas as práticas continuam quase as mesmas.

Com isso, podemos nos perguntar pelos desafios da didática diante da cultura digital: o tablet na sala de aula modifica a prática dos professores e o cotidiano escolar? Em que medida ele modifica as condições de aprendizagem dos estudantes? Evidentemente isso pode se desdobrar em inúmeras outras questões sobre a convergência de tecnologias e linguagens, sobre o acesso às redes na sala de aula e sobre a necessidade de mediações na perspectiva dos novos letramentos e alfabetismos nas múltiplas linguagens.

Outra questão que é preciso pensar diz respeito aos conteúdos digitais. Os conteúdos que estão sendo produzidos para os tablets realmente oferecem a potencialidade do meio e sua arquitetura multimídia ou apenas estão servindo como leitores de textos com os mesmos conteúdos dos livros didáticos? Quem está produzindo tais conteúdos digitais? De que forma são escolhidos e compartilhados?

Ou seja, pensar na potencialidade que o tablet oferece na escola — acessar e produzir imagens, vídeos, textos na diversidade de formas e conteúdos digitais — implica em repensar a didática e as possibilidades de experiências e práticas educativas, midiáticas e culturais na escola ao lado de questões econômicas e sociais mais amplas. E isso necessariamente envolve a reflexão crítica sobre os saberes e fazeres que estamos produzindo e compartilhando na cultura digital.

(Tablets nas escolas. www.gazetadopovo.com.br. Adaptado.)


No último parágrafo, os travessões

a) deixam o período principal menos longo.

b) acrescentam dados desnecessários ao parágrafo.

c) especificam virtualidades dos tablets.

d) sugerem que o leitor deve prestar mais atenção ao argumento.

e) sinalizam a necessidade de reflexão crítica.





  1. (Fgv 2013) Leia o seguinte texto.

Se alguma dúvida paira ainda, depois dos últimos acontecimentos, sobre o caráter e a natureza do Mercosul, a Copa Libertadores da América está aí para ajudar a dissipá-la. Mercosul e Copa Libertadores são duas instituições da América Latina. Atuam em ambientes diversos, cada qual com os próprios personagens e os próprios instrumentos, mas se unem na essência. Uma espelha e explica a outra.

Os locutores chamam de "espírito da Libertadores" o conjunto de eventos que caracterizam o torneio. Eles dividem os times entre os que têm e os que não têm "espírito da Libertadores". Classificam as partidas mais tomadas pelo afã sanguinário dos contendores como "típicas da Libertadores". E se animam com isso. Os jogadores se estraçalham em campo, a plateia ulula, e os locutores entoam: “É o es-pí-ri-to da Li-ber-tado- res!!!". O Mercosul é uma instituição de livre-comércio que permite a seus membros impedir o livrecomércio entre si por meio de medidas protecionistas. Quando as medidas protecionistas não bastam, inventam-se papéis necessários à circulação das mercadorias e bloqueia-se a passagem dos caminhões nas fronteiras. "É o es-pí-ri-to do Mer-co-sul!!!", comemoraria o locutor, se locutor houvesse como há no futebol.

Roberto P. de Toledo, Veja, 11/07/2012.


a) Qual o principal argumento utilizado pelo autor para afirmar, comparando a natureza do Mercosul com a da Copa Libertadores: “Uma espelha e explica a outra”?

b) Qual é o efeito de sentido produzido pelos hífens e exclamações usados nas frases “É o es-pí-ri-to da Li-ber-ta-do-res!!!" e "É o es-pí-ri-to do Mer-co-sul”?




  1. (Ita 2013)

Edison não conseguia se concentrar de jeito nenhum. Tinha sempre dois ou três empregos e passava o dia indo de um para outro. Adorava trocar mensagens, e se acostumou a escrever recados curtos e constantes, às vezes para mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Apesar de ser um cara mais inteligente do que a média, sofria quando precisava ler um livro inteiro. Para completar, comia rápido e dormia pouco – e não conseguia se dedicar ao casamento conturbado, por falta de tempo. Se identificou? Claro, quem não tem esses problemas? Passar horas no twitter ou no celular, correr de um lado para o outro e ter pouco tempo disponível para tantas coisas que você tem que fazer são dramas que todo mundo enfrenta. Mas esse não é um mal do nosso tempo. O rapaz da história aí em cima era ninguém menos que Thomas Edison, o inventor da lâmpada. A década era a de 1870 e o aparelho que ele usava para mandar e receber mensagens, um telégrafo. O relato, que está em uma edição de 1910 do jornal New York Times, conta que quando Edison finalmente percebeu que seu problema era falta de concentração, parou tudo. Se fechou em seu escritório e se focou em um problema de cada vez. A partir daí, produziu e patenteou mais de 2 mil invenções. [...]

(Gisela Blanco. Superinteressante, julho/2012)


O emprego da vírgula no trecho, “A década era a de 1870 e o aparelho que ele usava para mandar e receber mensagens, um telégrafo.”, é semelhante em:

a) Para quem busca uma diversão na tarde de domingo, este filme é o mais recomendado.

b) Ainda que não sejam os de menor custo, os alimentos orgânicos são os mais indicados pelos nutricionistas.

c) O professor de desenho prefere os alunos criativos e o de lógica, os ousados na teoria.

d) Os testes de QI (Quociente de Inteligência), atualmente, são desacreditados por diversas correntes teóricas da Psicologia.

e) Pôr circuitos eletrônicos em envoltórios é uma prática comum, conhecida como encapsulamento.





  1. (Mackenzie 2012)O leão e a raposa


Um 11leão envelhecido, 1não podendo mais procurar alimento por sua própria conta, julgou que devia arranjar um jeito de fazer isso. E, então, foi a uma caverna, deitou-se e se fingiu de doente. Dessa forma, quando 8recebia a visita de outros 13animais, ele 4os pegava e 5os comia. Depois que muitas 14feras 6já tinham morrido, uma 12raposa, ciente da armadilha, parou a 9certa distância da caverna e perguntou ao leão como ele estava. Como ele 2respondesse: “Mal!” e lhe 3perguntasse 10por que ela não entrava, disse a raposa: “Ora, eu entraria 7se não visse marcas de muitos entrando, mas de ninguém saindo”.

Esopo - escritor grego do século VI a.C.


Assinale a melhor paráfrase do trecho abaixo, considerando a manutenção dos sentidos, a clareza, a concisão e o uso da norma culta.
Depois que muitas feras já tinham morrido, uma raposa, ciente da armadilha, parou a certa distância da caverna e perguntou ao leão como ele estava.

a) Consciente da armadilha, uma raposa depois que muitas feras morrerão parou de perto da caverna para ver como o leão estava e o perguntou sobre a saúde.

b) Uma raposa, após a morte de muitos outros animais, atenta às artimanhas do leão, aproximou-se um pouco do local em que a fera estava, indagando a respeito de seu estado.

c) Após a morte de feras, uma raposa medrosa, das artimanhas do leão, se deparou com uma caverna que ficava a uma certa distância do leão para ver como ele estava.

d) Uma raposa perguntou ao leão como ele estava, pois ela sabia que haviam armadilhas que ficava a uma certa distância da caverna aonde muitas feras já tinham morrido.

e) Uma raposa que viu a morte de muitas feras na armadilha que ficava à uma distância da caverna perguntou para o leão como ele estava e era ciente da armadilha.





  1. (Unesp 2012) Leia uma passagem do livro A vírgula, do filólogo Celso Pedro Luft (1921-1995).


A vírgula no vestibular de português
Mas, esta, não é suficiente.”

Porque, as respostas, não satisfazem.”

E por isso, surgem as guerras.”

E muitas vezes, ele não se adapta ao meio em que vive.”

Pois, o homem é um ser social.”

Muitos porém, se esquecem que...”

A sociedade deve pois, lutar pela justiça social.”
Que é que você acha de quem virgula assim?
Você vai dizer que não aprendeu nada de pontuação quem semeia assim as vírgulas. Nem poderá dizer outra coisa.
Ou não lhe ensinaram, ou ensinaram e ele não aprendeu. O certo é que ele se formou no curso secundário. Lepidamente, sem maiores dificuldades. Mas a vírgula é um “objeto não identificado”, para ele.
Para ele? Para eles. Para muitos eles, uma legião. Amanhã serão doutores, e a vírgula continuará sendo um objeto não identificado. Sim, porque os três ou quatro mil menos fracos ultrapassam o vestíbulo... Com vírgula ou sem vírgula. Que a vírgula, convenhamos, até que é um obstáculo meio frágil, um risquinho. Objeto não identificado? Não, objeto invisível a olho nu. Pode passar despercebido até a muito olho de lince de examinador...
A vírgula, ora, direis, a vírgula...
Mas é justamente essa miúda coisa, esse risquinho, que maior informação nos dá sobre as qualidades do ensino da língua escrita. Sobre o ensino do cerne mesmo da língua: a frase, sua estrutura, composição e decomposição.
Da virgulação é que se pode depreender a consciência, o grau de consciência que tem, quem escreve, do pensamento e de sua expressão, do ir-e-vir do raciocínio, das hesitações, das interpenetrações de ideias, das sequências e interdependências, e, linguisticamente, da frase e sua constituição.
As vírgulas erradas, ao contrário, retratam a confusão mental, a indisciplina do espírito, o mau domínio das ideias e do fraseado.
Na minha carreira de professor, fiz muitos testes de pontuação. E sempre ficou clara a relação entre a maneira de pontuar e o grau de cociente intelectual.
Conclusão que tirei: os exercícios de pontuação constituem um excelente treino para desenvolver a capacidade de raciocinar e construir frases lógicas e equilibradas.
Quem ensina ou estuda a sintaxe — que é a teoria da frase (ou o “tratado da construção”, como diziam os gramáticos antigos) — forçosamente acaba na importância das pausas, cortes, incidências, nexos, etc., elementos que vão se espelhar na pontuação, quando a mensagem é escrita.
Pontuar bem é ter visão clara da estrutura do pensamento e da frase. Pontuar bem é governar as rédeas da frase. Pontuar bem é ter ordem, no pensar e na expressão.
As frases abaixo correspondem a tentativas de corrigir o erro de virgulação apontado por Celso Pedro Luft na série de exemplos que apresenta.
I. “Porque as respostas não satisfazem.”

II. “E, muitas vezes, ele não se adapta ao meio em que vive.”

III. “Pois o homem é, um ser social.”

IV. “A sociedade deve, pois, lutar pela justiça social.”


As frases em que o problema de virgulação foi resolvido adequadamente estão contidas apenas em:

a) I e II.

b) I e III.

c) I, II e III.

d) I, II e IV.

e) II, III e IV.





  1. (Fuvest 2010) Em qual destas frases a vírgula foi empregada para marcar a omissão do verbo?

a) Ter um apartamento no térreo é ter as vantagens de uma casa, além de poder desfrutar de um jardim.

b) Compre sem susto: a loja é virtual; os direitos, reais.

c) Para quem não conhece o mercado financeiro, procuramos usar uma linguagem livre do economês.

d) A sensação é de estar perdido: você não vai encontrar ninguém no Jalapão, mas vai ver a natureza intocada.

e) Esta é a informação mais importante para a preservação da água: sabendo usar, não vai faltar.



  1. (Fgv 2009) Leia o texto.

Amorim, pede pra sair


O fracasso das negociações comerciais de Doha ecoa a falência verbal que levou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a entrar nas reuniões com o pé esquerdo e a sair delas com a autoridade destroçada por duas declarações de natureza intrinsecamente perversa.

("Veja", 06.08.2008)


a) Explique o título do texto, associando-o às informações apresentadas.

b) Se fosse retirada a vírgula do título do texto, haveria alteração de sentido? Justifique a sua resposta.


Tipos de Discurso


  1. (Uerj 2016) FELICIDADE


1Olhou para o céu, certificando-se de que não ia chover.

– Passa já pra dentro, Jaú. Olha a carrocinha!

Jaú, costelas à mostra e rabinho impertinente, continuou impassível a se espichar ao sol, num desrespeito sem nome à sua dona e numa ignorância santa das perseguições municipais.

2Clarete também teve o bom senso de não insistir, o que aliás era uma das suas mais evidentes qualidades. Carregou mais uma vez a boina escarlate sobre o olhar 3cinemático, bateu a porta com força – té logo, mamãe! – e desceu apressada, sob um sol de rachar pedras, a extensa ladeira para apanhar o bonde, pois tinha de estar às oito e meia, sob pena de repreensão, na estação Sul da Cia. Telefônica.

No bonde, afinal, tirou da bolsa o reloginho-pulseira e deu-lhe corda. Era um bom relógio aquele. Também, era Longines e no rádio do vizinho, que se mudara, um sujeito mal-encarado, ouvira sempre dizer que era o relógio mais afamado do mundo inteiro. Fora presente de seu Rosas quando ela morava na avenida. E, à falta de outra coisa, foi remexendo o seu passado pequenino com a lembrança do seu Rosas.



4Rosas. Que nome! Não lhe entrava na cabeça que uma pessoa pudesse se chamar Rosas. Nem Rosas, nem Flores. Que esquisitice, já se viu?

Arregalou os olhos fotogênicos.

– Que amor!

Uma senhora ocupava o banco da frente, com um chapéu, rico, de feltro, enterrado até às

sobrancelhas. O solavanco da curva não a deixou ter inveja. Calculou o preço, assim por alto: cento e poucos mil-réis, no mínimo. Quase seu ordenado. Quase... E sem querer voltou a seu Rosas.

Fora ele quem lhe dera aquele reloginho. A mãe torcera o nariz, nada, porém, dissera. Devia contudo ter pensado dela coisas bem feias. Clarete sorriu. 5O rapaz da ponta, com o Rio Esportivo aberto nas mãos e os olhos pregados nela, sorriu também. Clarete 6arrumou-lhe em cima um olhar que queria dizer: idiota! e o rapaz zureta afundou os óculos de tartaruga na entrevista do 7beque carioca sobre o jogo contra os paulistas.

(...)

Praia de Botafogo. Meu Deus! Pendurou-se nervosamente na campainha, saltou e atravessou a rua sob o olhar perseguidor da rapaziada que ia no bonde.



Houve tempo em que Clarete se chamava simplesmente Clara. Tinha, então, os cabelos compridos, pestanas sem rímel, sobrancelhas cerradas, uma magreza de menina que ajuda a mãe na vida difícil e um desejo indisfarçável de acabar com as sardas que lhe 8pintalgavam as faces e punham no narizinho arrebitado uma graça brejeira.

Trabalhava numa fábrica de caixas de papelão e vinha para a casa às quatro e meia, quando não havia serão, doidinha de fome e recendendo a cola de peixe.

Quando ela passava, os meninos buliam na certa:

– Ovo de tico-tico! Ovo de tico-tico!

Ela arredondava-lhes um palavrãozinho que aprendera na fábrica com a Santinha e continuava a subir a ladeira comprida, rebolando, provocante. (...)

Verdade é que eles a chamavam de ovo de tico-tico, menos pelas sardas do que por despeito. Ela não dava confiança a nenhum – vê lá!... – e no coração deles andava uma loucura por Clarete. Ai! se ela quisesse!... – suspiravam todos intimamente. Ela, porém, não queria, estava mais que visto. E eles ficavam se regalando amoravelmente com o palavrãozinho jogado assim num desprezo superior, pela boca minúscula que todas as noites aparecia, tentadoramente se ofertando, nos seus sonhos juvenis.

Marques Rebello

Contos reunidos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.
3cinemático − que se movimenta em várias direções

6arrumar-lhe − dirigir-lhe

7beque − zagueiro

8pintalgar − pintar
Rosas. Que nome! Não lhe entrava na cabeça que uma pessoa pudesse se chamar Rosas.

Nem Rosas, nem Flores. Que esquisitice, já se viu?

Arregalou os olhos fotogênicos.

Que amor!



Uma senhora ocupava o banco da frente, com um chapéu, rico, de feltro, enterrado até às sobrancelhas. (ref. 4)
No trecho acima, o autor utiliza tanto o discurso indireto livre quanto o discurso direto.
Transcreva uma frase que exemplifica o emprego do discurso indireto livre. Indique, ainda, a cena desse mesmo trecho que motivou o uso do discurso direto pela personagem.


  1. (Unesp 2016) Leia o excerto do conto “A cartomante”, de Machado de Assis, para responder à questão.

Hamlet observa a Horácio que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

– Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: “A senhora gosta de uma pessoa...” Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade...

– Errou! interrompeu Camilo, rindo.

– Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...

Camilo pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito, que os seus sustos pareciam de criança; em todo o caso, quando tivesse algum receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu-a; disse-lhe que era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e depois...

[...]

Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava imoral e pérfido, e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo, e, para desviar as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este notou-lhe as ausências. Camilo respondeu que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Candura gerou astúcia. As ausências prolongaram-se, e as visitas cessaram inteiramente. Pode ser que entrasse também nisso um pouco de amor-próprio, uma intenção de diminuir os obséquios do marido, para tornar menos dura a aleivosia do ato.



Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que a cartomante restituiu-lhe a confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas, tão apaixonadas, que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas, formulou este pensamento: – a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo.

Nem por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela, e a catástrofe viria então sem remédio.

(Contos: uma antologia, 1998.)
O trecho do quinto parágrafo “[Ele] disse-lhe que era imprudente andar por essas casas” foi construído em discurso indireto.
Reescreva-o em discurso direto, substituindo os pronomes sublinhados pelos nomes das personagens e efetuando os demais ajustes necessários.


  1. (Ufu 2015) Em uma entrevista à revista Veja em 17 de janeiro de 2015, Edward Frenkel, um dos maiores pensadores da matemática moderna, ao ser questionado sobre a razão de tanta gente detestar matemática, afirmou:

- Existem vários fatores. A principal razão de grande parte das pessoas não gostar de matemática é porque não sabe do que se trata. Mas pensa que sabe, o que é pior ainda, pois foi apresentada na escola a uma fração minúscula do tema, de forma muito ruim, e ficou com um gosto amargo na memória. Uma das missões que me proponho é diminuir o estrago causado pelo sistema de ensino. Seria muito mais fácil se meus leitores nunca tivessem ouvido falar do assunto e eu pudesse explicá-lo partindo do zero.


a) Transcreva para o discurso indireto a resposta dada por Frenkel ao jornalista da Veja, de modo que tanto a pergunta quanto a resposta constituam um único texto com sentido completo.

b) Parafraseie a resposta dada por Frenkel e, na sequência, redija um exemplo real ou fictício, que corrobore com a ideia de que "Seria muito mais fácil se meus leitores nunca tivessem ouvido falar do assunto e eu pudesse explicá-lo partindo do zero".




  1. (Fuvest 2010) Leia o seguinte texto:


Um músico ambulante toca sua sanfoninha no viaduto do Chá, em São Paulo.

Chega o “rapa”* e o interrompe:

Você tem licença?

Não, senhor.

Então me acompanhe.

Sim, senhor. E que música o senhor vai cantar?
*rapa: carro de prefeitura municipal que conduz fiscais e policiais para apreender mercadorias de vendedores ambulantes não licenciados. Por extensão, o fiscal ou o policial do rapa.
a) Para o efeito de humor dessa anedota, contribui, de maneira decisiva, um dos verbos do texto. De que verbo se trata? Justifique sua resposta.

b) Reescreva o diálogo que compõe o texto, usando o discurso indireto. Comece com: O fiscal do “rapa” perguntou ao músico...


GABARITO – PONTUAÇÃO
1) a) i. O pronome seus refere-se à ciência

ii. O substantivo confronto refere-se ao fato de a humanidade ter se defrontado com o lado “terrível” da ciência


b) Elas têm o propósito de explicar e exemplificar termos mencionados anteriormente no texto – o adjetivo hipocrático e a expressão países isolados respectivamente.
2) [D] O travessão é um sinal de pontuação utilizado para indicar início de sentenças ou interlocuções explicativas, como acontece no segundo parágrafo da matéria da Folha de S. Paulo, em que a frase intercalada apresenta a principal função do aplicativo Tinder: “os usuários exibem uma seleção de fotos para atrair a atenção do potencial pretendente”. Assim, é correta a opção [D].
3) a) Em “Seu pai já por vezes tinha escrito aos padres pedindo-lhes à permissão para que o menino viesse passar as férias em casa”, o uso do acento indicativo de crase não está de acordo com a norma-padrão, uma vez que o verbo “pedir”, em tal ocorrência, apresenta bitransitividade: seu objeto indireto é o pronome oblíquo “lhes”, em referência a “aos padres”, e o objeto direto é “a permissão”. Desse modo, não há acento indicativo de crase, posto ocorrer apenas artigo antes do substantivo “permissão”; o correto é “pedindo-lhes a permissão”.

Em “... opuseram-se formalmente à ideia, e responderam de forma negativa inicialmente.”, o emprego do acento indicativo de crase está de acordo com a norma-padrão, uma vez que o verbo “opor-se” é transitivo indireto, cujo termo regido apresenta preposição “a”; considerando que o núcleo do objeto indireto é um substantivo feminino acompanhado por artigo, há ocorrência de acento indicativo de crase: “opuseram-se (...) à ideia”.


b) O texto pontuado é “Para um coração de mãe, porém, uma ausência de quatro anos já era excessiva...”. A primeira vírgula é justificada pela inversão dos termos da oração: o complemento nominal “para um coração de mãe” antecede o sujeito e o predicado; já a segunda vírgula é justificada pelo emprego da conjunção “porém”, coordenada adversativa, que requer tal pontuação logo em seguida a ela.

4) a) O uso da vírgula serve para indicar a elipse do verbo iniciar.
b) I. Talvez as amizades de crianças mais velhas e adolescentes incluam lealdade, confiança e intimidade, requeiram interesses comuns e comprometimento.

II. Esta tendência ocorre não apenas pela facilidade para coletar dados nas universidades, mas também do fato de que, nesta etapa, as amizades são mais evidentes.


5) a) Um aspecto comum entre os dois textos é mostrar capacidade natural do ser humano para interpretar sinais, situações, expressões faciais e gestos bem como criar a sua própria realidade a partir dessas interpretações. Trata-se de uma habilidade inata e inconsciente.

b) Segundo Einstein, criador da teoria da relatividade, a imaginação é mais importante do que o conhecimento, pois, enquanto este é limitado, a imaginação dá volta ao mundo.


6) [B] Apenas a proposição [II] é incorreta, pois, no período “ Eles estão procurando alguma coisa: emigraram.”, os dois pontos introduzem a conclusão do que foi postulado anteriormente, podendo ser substituídos pela locução conjuntiva “por isso”. Já o ponto e vírgula assinala separação de orações, mas sem explicitar a relação estabelecida entre elas. Como [I], [III] e [IV] são corretas, é válida a opção [B].
7) [B]
[A] Neste exemplo as vírgulas estão corretas por pontuarem uma enumeração.

[B] Correta. Considerando a regra da elipse para vírgulas, o verbo ser no presente é aparece elíptico e sem vírgulas nos dois parênteses destacados na oração abaixo:

“A sociedade é uma mãe terrível, a vida (é) (,) um corredor estreito, o tempo (é) (,) um perseguidor implacável (...)”

[C] Neste exemplo as vírgulas estão corretas por pontuarem uma enumeração metafórica para a descrição de uma ideia.

[D] Neste exemplo as vírgulas estão corretas por pontuarem uma enumeração metafórica para a descrição de uma ideia.
8) [D]
[A] Os parênteses cumprem o papel de um quase cochicho com o leitor, são pormenores que só interessaria aos mais íntimos. É um artifício para aumentar a cumplicidade com o leitor.

[B] O diminutivo está sempre ligado a gostosas lembranças da infância.

[C] Embora sintaticamente os dois pontos e a vírgula possam ser substituídos sem alterações, semanticamente há uma diferença, a pausa criada pela locutora aumenta a relevância do que será colocado depois dos dois pontos, ou seja, trocasse pela vírgula, a informação posterior não teria o destaque que se quis ao optar pelos dois pontos. Haja vista, que depois dos dois pontos ela fala do tema que norteará todo o conto, o dia do aniversário de setenta anos.

[D] Correta. A linguagem empregada no conto é coloquial, informal, por ser uma reflexão pessoal, quase um desabafo.


9) [D] As aspas em "Mas nada muito sofisticado" têm a função de indicar a fala de Paulinho da Viola.
10) [A] A modalidade I verifica-se na expressão “pós-moderna” indica uma restrição. Já a modalidade II encontra-se em “livre jogo do mercado” pertence ao jargão da economia. E, por fim, a modalidade III está em “resto do mundo” apresenta caráter pejorativo, não assumido pelo autor.
11) [C] É correta a alternativa [C], pois, no último parágrafo, os travessões exercem a função de um aposto explicativo do substantivo “potencialidade”, especificando as suas virtualidades.
12) a) O autor faz uma comparação entre o espírito que norteia os participantes da Copa Libertadores e os da instituição de livre-comércio Mercosul. O primeiro expressa as emoções da competição como se tratasse de uma luta entre guerreiros em campo de batalha (“Os jogadores se estraçalham em campo, a plateia ulula, e os locutores entoam: “É o es-pí-ri-to da Li-ber-tado- res!!!") e o segundo, a defesa de interesses de circulação de mercadorias que beneficiam apenas um dos parceiros do grupo. Assim, em ambos os casos, contraria-se o espírito da conjunção de interesses mútuos que deveria ser a base de entendimento dos grupos ou partes envolvidas.
b) O uso de hífens imprime sonoridade enfática às silabas, ao mesmo tempo em que as exclamações expressam envolvimento de sentimentos e emoções no momento da elocução da frase.
13) [C] Na frase “A década era a de 1870 e o aparelho que ele usava para mandar e receber mensagens, um telégrafo”, a vírgula é utilizada para indicar a elipse do verbo. O mesmo acontece na alternativa [C].
14) [B] A opção [B] é a única que conserva o sentido da frase original e apresenta coesão, correta estrutura sintática e pontuação adequada.
15) [D] Na proposição III, é inadequado o uso da vírgula, que nunca deve ser usada entre verbo de ligação e o predicativo do sujeito. A frase correta seria: Pois o homem é um ser social.
16) [B] A vírgula aparece para marcar a omissão do verbo ser em: “os direitos, reais.”
17) a) O título do texto remete ao filme "Tropa de Elite", que foi um fenômeno de popularidade em 2007.

No filme, sempre que o personagem Capitão Nascimento queria tirar do seu grupo um integrante incompetente, gritava: "Pede pra sair!". Sugere-se, dessa forma, a incompetência do mencionado ministro, que teria demonstrado inépcia ao fazer declarações que teriam comprometido sua autoridade nas negociações de Doha.


b) Sim, pois, da maneira como o título foi apresentado, entende-se uma exortação para que Celso Amorim peça para sair - das negociações de Doha ou do Ministério. Sem usar a vírgula, o verbo deixaria de estar no imperativo (pede, segunda pessoa do singular) e passaria a ser uma forma do presente do indicativo (terceira pessoa do singular); Amorim, por sua vez, deixaria de ser um vocativo e passaria a sujeito de pede. Assim, a frase deixaria de ser exortativa e passaria a ser declarativa.
GABARITO – TIPOS DE DISCURSO
1) Neste trecho, tem-se o discurso indireto livre:

- Que nome!

- Nem Rosas, nem Flores.

- Que esquisitice, já se viu?


Cena: a visão do chapéu da senhora no banco da frente.

Arregalou os olhos fotogênicos:

- Que amor!
2) O trecho do quinto parágrafo “[Ele] disse-lhe que era imprudente andar por essas casas”, passado para o discurso direto, substituindo os pronomes sublinhados pelos nomes das personagens, fica:

“Camilo disse a Rita:



– É imprudente andar por essas casas.”
3) a) Edward Frenkel, questionado por que tanta gente detestava matemática, afirmou que para tanto existiam vários fatores. A principal razão de grande parte das pessoas não gostar de matemática era porque não sabia do que se tratava. Mas pensava que sabia, o que era pior ainda, pois fora apresentada na escola a uma fração minúscula do tema, de forma muito ruim, e ficara com um gosto amargo na memória. Uma das missões a que ele se propunha era diminuir o estrago causado pelo sistema de ensino. Teria sido muito mais fácil se os leitores dele nunca tivessem ouvido falar do assunto e ele pudesse explicá-lo partindo do zero.
b) Frenkel acredita que o desgosto relacionado à Matemática se deve prioritariamente à falta de conhecimento sobre o assunto, ou então à crença de que se sabe Matemática, quando o conhecimento se restringe às aulas da disciplina, mal dadas. Ele se predispõe a minimizar tal problema, apesar de salientar que a situação ideal seria que seus leitores não tivessem conhecimentos matemáticos prévios. Apesar de ser uma resposta pessoal, na segunda parte da questão o aluno deve mencionar um caso em que o conhecimento prévio sobre um assunto não gera empatia, dificultando, inclusive, a continuidade de seu estudo.
4) a) A polissemia do verbo acompanhar instaura o humor da anedota, pois o ambulante que tocava sanfona depreende que a ordem “Então me acompanhe” se refere à execução de um tema musical que deveria acompanhar o canto do policial e não ao sentido mais provável: ir junto.
b) O fiscal do “rapa” perguntou ao músico se ele tinha licença ao que ele respondeu que não. O policial, então, ordenou-lhe que o acompanhasse. O ambulante respondeu afirmativamente e perguntou-lhe que música iria cantar.




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