Literatura infantil brasileira histórias e histórias



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SÉRIE FUNDAMENTOS

Marisa Lajolo


Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo
Professora da Universidade Estadual de Campinas

Regina Zilberman


Doutora em Letras pela Universidade de Heidelberg

Professora da Pontifícia Universidade Católica — RS


LITERATURA


INFANTIL
BRASILEIRA
História ε Histórias

6 edição


editora Ática

Gerência editorial
Jiro Takahashi
Coordenação editorial
Benjamin Abdala Junior
Samira Youssef Campedelli
Preparação de texto
Renato Nicolai

ARTE
Projeto gráfico (miolo)


Antônio do Amaral Rocha
Diagramação, composição e arte-final
Diarte — Composição e Arte Gráfica

CAPA: ARY NORMANHA

lmpressão e Acabamento Prol Editora Gráfica

7ª impressão

ISBN 978 8508 02841-2

2007


Todos os direitos reservados pela Editora Ática.

Av. Otaviano Alves de Lima, 4400 CEP 02909-900

São Paulo, SP Tel.: (11) 3990-2100 Fax:(11)3990-1784
internet: www.atica.com.br

www.aticaeducacional.com.br



Sumário

1. Era uma vez um livro ... [ 9 ] 008



2. Escrever para crianças e fazer literatura [15 ] 014

3. Na República Velha, a formação de um gênero novo [ 23] ........................................ 021
3.1 — República e Abolição no limiar de um novo tempo [24] .............................. 022
3.2 — Belle Époque à brasileira [26] ....................................................................... 024
3.3 — A nacionalização da literatura infantil [30] ................................................... 028
3.4 — O nacionalismo na literatura infantil [32] ...................................................... 030
3.4.1 — As imagens do Brasil [32] ............................................................... 030
3.4.2 — A paisagem brasileira [39] ................................................................ 037
3.5 — O modelo da língua nacional [41] .................................................................. 039

4. De braços dados com a modernização [45] ................................................................... 043


4.1 — Livros e autores [45] ....................................................................................... 043
4.2 — Décadas de reformas [48] ............................................................................... 046
4.3 — Revoluções na cultura brasileira [51] ............................................................ 049
4.4 —A utopia do Brasil moderno e rural [55] .......................................................... 053
4.4.1 — Brasil: um grande sítio? [55] ............................................................... 053
4.4.2 — Aspirações e limites da vida rural [61] ............................................... 059

4.5 — A pressão da fantasia e o motivo da viagem [64] ........................................... 062


4.6 — Da matriz européia ao folclore brasileiro [68] ................................................ 065
4.7 — Os temas escolares [75] .................................................................. ................ 073
4.8 — Observações finais [81] ............................................................ ...................... 079
5. Entre dois brasis [85] ...................................................................................................... 082
5.1 — Escritores em série [85] ................................................................................ 082
5.2 — Décadas de democracia [88] ......................................................................... 085
5.3 — Internacionalização e nacionalismo na cultura brasileira [91] ...................... 088
5.4 — A sobrevivência do Brasil rural [96] ............................................................. 093
5.4.1 — O império do café [96] .................................................................... 093
5.4.2 — Saudades do sertão [98] ................................................................ 096
5.4.3 — Sítio e aventura [101] ..................................................................... 099
5.5 — O segundo eldorado [104] .............................................................................. 101
5.5.1 — A epopéia bandeirante [104............................................................. 102
5.5.2 — A Amazônia misteriosa [10............................................................. 105
5.6 — A infantilizacão da criança [111] ................................................................. 109
5.7 — Os vultos da História [117] ........................................................................... 115
5.8 Observações finais [119] ................................................................................... 117
6. Indústria cultural & renovação literária [123] .......................................................... 120
6.1 — Escritores de hoje [123] .............................................................................. 120
6.2 —Tempos de modernização capitalista [129] ................................................... 126
6.3 — Literatura: artigo de consumo [131] ............................................................. 128
6.4 —A narrativa infantil em tom de protesto [136] ................................................ 134
6.5 — A literatura infantil em ritmo de suspense [141] .......................................... 138
6.6 — A ruptura com a poética tradicional [145] .................................................... 143
6.7 —Em busca de novas linguagens [153] ............................................................. 151
6.8 — Balanço geral [160] ....................................................................................... 158
7. Cronologia histórico-literária [163] ............................................................................. 161
Bibliografia [183] ............................................................................................................... 180

Nota da revisora: os números que aparecem [ 9] referem-se a numeração original das páginas do livro em papel.

A Leonardo Arroyo.
mestre e planalto
dos estudos de literatura infantil brasileira,


dedicamos este livro.

Fornecendo dados, emprestando livros,

franqueando arquivo, enviando xerox,

dando entrevistas e,
principalmente,


dando ouvidos e opiniões,
pessoas e instituições nos auxiliaram muito.



Para elas nossos agradecimentos,
especialmente dirigido a



Alcyr Bernardes Pécora
Ana Maria Domingues de Oliveira
Clementina Chaikovske
Déa Portanova Barros
Enid Yatsuda
Glória Maria Fialho Ponde
Ilka B. Laurito
Ivete Zietlow Duro
Isa Silveira Leal
João Wander/ey Geraldi
Laura Constância Sandroni
Jesus Antonio Duringan
Magda Helena dal Zotto
Márcia Cruz
Maria Beatriz Meurer Papaléo
Maria da Glória Bordini
Maria Marlene Sirângeio e Silva
Mirna Dietrich
Nézia Helena Riccardi da Silva
Norma Soares Pinto
Odette de Barros Mott
Rosa Maria Martins T. J. Der
Regina Porto Castro
Ruth Rocha
Vera Teixeira de Aguiar



Biblioteca Infantil Lucília Minssen
Biblioteca Infantil Monteiro Lobato
Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico
CNpq
Editoras Ática, Brasil-América (EBAL),
Francisco Alves, Moderna, Pioneira e Vertente
Fundação de Amparo à Pesquisa do

Estado do Rio Grande do Sul — FAPERGS

Fundação Nacional do Livro
Infantil e Juvenil
Museu Pedagógico Caetano de Campos


1.

Era uma vez um livro...


O historiador e o agente histórico escolhem, partem e recortam, porque uma história verdadeiramente total os confrontaria com o caos. (...) Na medida em que a história aspira à significação, ela se condena a escolher regiões, épocas, grupos de homens e indivíduos nestes grupos, e a fazê-los aparecer, como figuras descontínuas, num contínuo, bom, apenas, para servir de pano de fundo. (...) A história não é, pois, nunca a história, mas a história-para. Parcial mesmo quando se proíbe de o ser, ela continua a fazer parte de um todo, o que é ainda uma forma de parcialidade
CLAUDE LÉVI-STRAUSS*

No momento em que a produção de livros para crianças converte-se num dos segmentos economicamente mais relevantes da indústria editorial brasileira e que a literatura infantil começa a integrar muitos currículos universitários e a tornar-se objeto de teses, congressos e seminários pareceu-nos oportuno um balanço do que se tem feito ao longo de quase um século, em termos de literatura infantil brasileira. Não são outros os objetivos e horizontes deste livro, que se propõe a sistematizar reflexões em tomo das obras para crianças publicadas no Brasil nos últimos cem ano.

Se cotejado com a longa história da literatura infantil européia,
tema já de vários e profundos ensaios, e levando em conta que estudos
[9]

nacionais sobre literatura infantil são bastante recentes, seria de se esperar que o projeto deste livro esbarrasse em alguns impasses: uma quase completa ausência de bibliografia de apoio, falta de tradição de pesquisa do assunto, o desaparecimento e/ou a dificuldade de consulta a muitos textos.

Pareceu-nos interessante, como início de conversa, franquear ao leitor alguns recantos da oficina, na expectativa de que, explicitando o percurso, tais informações o deixem à vontade para estabelecer seu próprio itinerário no livro.

Uma análise cuidadosa da produção literária infantil brasileira (disponível em bibliotecas), em circulação desde o fim do século passado, permitiu-nos agrupar os textos em grandes ciclos, delineados de acordo com as relações que se podem

_________

* LÉVI-STRAUSS, Claude. O pensamento selvagem. Trad. Maria Celeste da Costa e Souza e Almir de Oliveira Aguiar. São Paulo, Ed. Nacional/Edusp 1970.

propor entre essa produção literária infantil e seu contexto que, ainda que de forma vaga, podemos chamar de cultura brasileira.

Assim, cada uma das quatro unidades — do capítulo 3 ao capítulo 6 — se ocupa de um desses ciclos, associados a um plano histórico e cultural a que se integram e de onde se puxam os fios necessários para compreender os livros infantis nele surgidos. Esse panorama sócio-cultural, temos certeza, é tanto mais provisório, quanto mais nos aproximamos do presente, quando a vizinhança com o objeto pode empanar e distorcer a visão do observador. Assumir o risco do provisório, no entanto, foi necessário, porque um dos desafios era exatamente este: pensar nas obras infantis contemporâneas, sem seccioná-las dos textos que as antecederam. Acreditamos ser da dialética de uma perspectiva sincrônica e diacrônica que o trabalho do historiador e do crítico se enriquece.

Trata-se então de um itinerário longo, cheio de idas e vindas, para o qual convidamos os leitores. A história da cultura brasileira, principalmente no que toca à literatura, já se cristalizou em rótulos de períodos e movimentos, que se tornam mais ortodoxos e monolíticos, quanto mais se recua para o passado. Nessa medida, as indefinições do presente são fecundas: podem matizar e relativizar um pouco as feições por demais definidas do passado imediato ou remoto. No sentido inverso, o discurso crítico e histórico já consagrado para períodos anteriores pode emprestar sugestões mais seguras para a interpretação deste presente movediço e vivo. Mas este presente vivo e polimorfo, que transborda de critérios e conceitos, é ponto de chegada do que o antecedeu; e, se sua identidade específica não se entrega mediante uma contemplação microscópica, pode também ser alcançada através de avanços e recuos.

Ancoramos o percurso diacrônico cumprido pela literatura infantil brasileira no horizonte mais amplo da cultura nacional, privilegiando, no interior desse contexto mais amplo, a produção literária. Percorre por isso, todo este texto, um contraponto entre a literatura infantil e a não-infantil, na medida em que ambas compartilham a natureza de produção



[10]

simbólica que faz da linguagem sua matéria-prima e, dos livros, seu veículo preferencial.

Se esse contraponto não é comum, isto é, se todas as histórias literárias brasileiras até agora deixaram de incluir em seu campo de estudo a literatura infantil, nunca é demais frisar o peso circunstancial que o adjunto infantil traz para a expressão literatura infantil. Ele define a destinação da obra; essa destinação, no entanto, não pode interferir no literário do texto.

As relações da literatura infantil com a não-infantil são tão marcadas, quanto sutis. Se se pensar na legitimação de ambas através dos canais convencionais da crítica, da universidade e da academia, salta aos olhos a marginalidade da infantil. Como se a menoridade de seu público a contagiasse, a literatura infantil costuma ser encarada como produção cultural inferior. Por outro lado, a freqüência com que autores com trânsito livre na literatura não-infantil vêm se dedicando à escrita de textos para crianças, somada à progressiva importância que a produção literária infantil tem assumido em termos de mercado e de oportunidade para a profissionalização do escritor, não deixam margens para dúvidas: englobar ambas as facetas da produção literária, a infantil e a não-infantil, no mesmo ato reflexivo é enriquecedor para os dois lados. Constitui uma forma de relativizar os entraves que se opõem à renovação da perspectiva teórica e crítica da qual se debruçam estudiosos de uma e outra. Se, por um lado, o paralelo entre a literatura para crianças e a outra pode funcionar como legitimação para a primeira, reversamente, o paralelo pode iluminar alguns traços da literatura não-infantil que, por razões várias, têm se mantido à sombra.

Os trabalhos sobre literatura infantil, via de regra, desconsideram que o diálogo de qualquer texto literário se dá, em primeiro lugar, com outros textos e tendem a privilegiar o caráter educativo dos livros para crianças, sua dimensão pedagógica, a serviço de um ou outro projeto escolar e político. Nossa perspectiva foi inteiramente outra: em momento nenhum levamos em conta a adequabilidade deste ou daquele livro para tal ou qual público ou faixa etária. Valendo-nos do contraponto entre a literatura infantil e a não-infantil, nossa hipótese é que, no diálogo que se estabelece entre as duas, a especificidade de cada uma pode ajudar a destacar o que a tradição crítica, teórica e histórica não tem levado em conta na outra. E como se a literatura infantil e a não-infantil fossem pólos dialéticos do mesmo processo cultural que se explicam um pelo outro, delineando, na sua polaridade, a complexidade do fenômeno literário num país com as características do nosso.

Circunscrever os recortes internos desses cem anos de literatura teve, por sua vez, outros problemas. Em primeiro lugar, foi necessário acompanhar o desenvolvimento da literatura infantil brasileira do ponto de vista da produção, tentando delimitar os pontos de contato entre aquele conjunto e as outras modalidades de objetos culturais. Por conseqüência,



[11]

deixamos de levar em conta os textos traduzidos que, majoritários ainda na década de 70, são absolutamente fundamentais para uma história da leitura infantil brasileira. Contudo, para este projeto, eles ingressam apenas como as fontes mais remotas ou mais próximas, dependendo do momento, que inspiraram os textos nacionais.

Além disso, por mais cuidado que se tome, a proposição de épocas ou períodos que pretendam balizar qualquer fenômeno, cuja manifestação transcorra e se altere ao longo do tempo, acaba, no limite, sendo arbitrária. As discussões ainda em pauta a respeito da periodologia da literatura brasileira exemplificam o que queremos dizer.

No caso, entretanto, deste estudo da literatura infantil, porque a vemos no contexto maior das manifestações culturais brasileiras, não houve como fugir à aura que certos episódios, certas datas e certos acontecimentos ganharam no discurso, que, perfazendo a crítica, a teoria e a história da literatura não-infantil, torna impossível ignorar o magnetismo que exerce, por exemplo, o ano de 1922, atraindo e afetando quase tudo que se produziu nas suas imediações.

Exemplo eloqüente disto no discurso histórico e crítico sobre a literatura brasileira não-infantil é a impropriedade de denominações como, por exemplo, a de pré-modernismo Etiquetando um período que abarca uma produção tão díspar quanto a de Euclides da Cunha, o último Machado de Assis, Lima Barreto, Augusto dos Anjos, Olavo Bilac e Monteiro Lobato (para ficarmos só nos nomes com garantia de ingresso na história oficial da literatura brasileira), ela dilui, na generalidade de sua denominação e na ótica necessariamente parcial que vê a Semana de Arte Moderna, de São Paulo, como ponto de chegada, o que quer que de divergente possa haver em cada um e em todos esses autores.

Mas infelizmente a consciência desses desvios é insuficiente para a ruptura com os códigos, as grandes datas, os marcos históricos e os mapas já traçados para o patrimônio cultural brasileiro. Rupturas como essas geralmente desembocam em outros códigos, datas, marcos históricos e mapas, por sua vez sujeitos às mesmas críticas.

Assim, se as segmentações propostas para o acervo literário nacional para crianças têm marcos muito vizinhos de algumas segmentações vigentes na diacronia da literatura brasileira não-infantil, vale apontar que, menos do que o desejo fútil da inovação, guiamo-nos pela especificidade de nosso objeto, extraindo do bojo mais interno de sua evolução os momentos em que as rupturas se configuraram possíveis e perceptíveis. A vizinhança de fronteiras, então, parece dever-se antes à identidade dos processos gerais de cultura e de história da qual compartilham os livros, infantis e não-infantis, que uma adesão inicial nossa à periodologia já consagrada.

É mister deixar claro também que o projeto de traçar uma história da literatura infantil brasileira não assume o compromisso de mencionar,


[12]

um a um, autores e títulos que perfazem essa mesma história. Mais do


que um inventário de nomes, a história é uma interpretação. O ato de
escolha que preside ao trabalho do crítico e do historiador da literatura já de per si excluiria — não do percurso de nossa reflexão, mas da citação, do estabelecimento de marcos e dos pontos de ruptura — muitos títulos e muitos autores.

Outro tipo de investigação, comprometido com rastrear em detalhe quem escreveu o quê — trabalho indiscutivelmente relevante, aqui não cogitado, — poderá encontrar neste livro o mapa inicial para uma excursão pioneira de garimpo a textos e autores. Nesse sentido, nossa texto é uma espécie de armação provisória, andaime a ser refeito, à medida que outras pesquisas vierem completar lacunas e apontar distorções de interpretação. Nossa preocupação maior foi a análise de determinados momentos e certas tendências da produção literária brasileira para crianças. Por sua vez, as interpretações aqui propostas correspondem à investigação que foi possível fazer, nas quais apostamos até prova em contrário. E, ainda a propósito do mesmo assunto, uma última explicação: dada a fecundidade de escritores para crianças, sobretudo nos últimos trinta anos, a inclusão deste ou daquele autor, neste ou naquele ciclo, leva em conta o momento inicial de sua produção, ou então os momentos de ruptura de sua obra, sem se deter na totalidade de seus títulos.

A literatura infantil, orientada de antemão a um consumo muito específico e que se dá sob a chancela de instituições sociais como a escola, cria problemas sérios para o teórico e o historiador que dela se aproximam munidos dos instrumentos consagrados pela história e pela teoria literárias. Sem entrar nos aspectos teóricos da literatura infantil, assunto do próximo capítulo, vale notar que ela talvez se defina pela natureza peculiar de sua circulação e não por determinados procedimentos internos e estruturais alojados nas obras ditas para crianças. Na história da literatura infantil européia, são muitos os exemplos de obras, hoje consideradas clássicos para a infância, que, na sua origem, não continham essa determinação de público. Robinson Crusoé e Viagens de Gulliver são exemplos que ilustram a tese aqui colocada.

Mas, se o caráter infantil de uma obra talvez não se defina necessariamente por seus elementos internos, à medida que os livros para crianças foram se multiplicando, eles passaram a ostentar certas feições que, pela freqüência com que se fazem presentes, parecem desenhar uma segunda natureza da obra infantil. E o caso, por exemplo, da ilustração.

Se a literatura infantil se destina a crianças e se se acredita na qualidade dos desenhos como elemento a mais para reforçar a história e a atração que o livro pode exercer sobre os pequenos leitores, fica patente a importância da ilustração nas obras a eles dirigidas.

Ao lado disso, o visual, na vida contemporânea, ganha cada vez maior importância, tendo a vanguarda poética dos anos 50 incorporado à


[13]

literatura a dimensão ótica do signo e o cuidado artesanal com a diagramação. Ou seja, no requinte da poesia concreta, faz-se presente o novo estatuto do visual não só no mundo moderno, como nas representações dele que se querem modernas.

Por sua vez, nos cem anos aqui estudados, o livro infantil brasileiro sofreu transformações, desde a importação pura e simples dos clichês com que se ilustravam as histórias traduzidas, até os sofisticados trabalhos gráficos de Ziraldo, Gian Calvi ou Eliardo França.

Todas essas são razões para que, ao refletirmos sobre a ilustração nos livros para crianças, esses passem, graças a ela, a constituir uma espécie de novo objeto cultural, onde visual e verbal se mesclam. No entanto, e apesar de tudo isso, este livro privilegia exclusivamente o nível verbal dos textos analisados. Incluir na nossa reflexão a dimensão gráfica dos livros exigiria o recurso a outros especialistas, o que tornaria o projeto inexeqüível.

Este livro, embora autônomo, se complementa por outro, em vias de publicação: uma antologia de documentos e textos, ilustrando, os primeiros, a tênue e esgarçada linha dos estudos históricos e teóricos da literatura infantil brasileira e exemplificando, os segundos, as tendências mais marcadas destes cem anos de literatura para a infância.

No entanto, as freqüentes citações de textos, no interior das análises, são suficientes para preservar a melhor tradição do ensino e pesquisa de literatura, que aponta o texto como ponto de partida e de chegada da teoria e história literárias.

Com o objetivo de facilitar consultas e reforçar visualmente a contemporaneidade de fatos históricos e culturais, o livro se encerra com um pequeno quadro cronológico que alinha episódios históricos, lançamentos de obras relevantes da literatura infantil brasileira e da não-infantil. Fica a critério do leitor não só ampliar o quadro, como proceder aos múltiplos inter-relacionamentos que ele sugere entre a série histórica e a literária, em particular a literária infantil.

A bibliografia, por último, elenca as obras consultadas durante a execução do trabalho de pesquisa. Colocada ao final, evita a recorrência contínua às notas de rodapé, reservadas apenas para a referência bibliográfica dos textos, de literatura infantil preferentemente, citados ao longo da exposição.




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