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«ROBERT CHARROUX não é só o escritor mais lido na Europa e que maior influência exerce sobre a juventude estudantil, como também um repórter fora de série e um historiador de grande classe.» * NELLY LAVAUD

«ROBERT CHARROUX, um dos mestres da literatura esotérica, descreve apaixonadamente, em O LIVRO DO PASSADO MISTERIOSO, algumas investigações por ele conduzidas, satisfazendo assim a grande maioria dos seus muitos leitores.

A competência de Charroux neste domínio, insólito e particular, é-nos de novo demonstrada neste livro, que deve ser lido urgentemente.»

MARC MICHEL

«O autor faz, nesta obra, uma revisão completa de tudo o que há de estranho, de anormal, de misterioso, de raro, de insólito no nosso mundo de homens. Sem provar nada, mas revendo todas as teorias e denunciando grandes segredos, Charroux faz-nos entrar num mundo que é o nosso, mas analisado segundo uma dimensão de profundidade desconhecida: a quarta dimensão.» * RAFAEL DELGADO

LIVRARIA, ALIANÇA PAPELARIA

Rua de Serpa Pinto, 81

O Livro do Passado Misterioso

Tradução de MARIA JOÃO SEIXAS

LIVRARIA BERTRAND

APARTADO 37 —AMADORA

Título original:

LE LIVRE DU PASSE MYSTÉRIEUX

Capa de JOSÉ CÂNDIDO

© 1973, Éditions Robert Laffont, S. A.

Todos os direitos reservados para a publicação desta obra

em Portugal pela

LIVRARIA BERTRAND, S. A. R. L. —Lisboa

Composto e impresso nas Oficinas Gráficas da Livraria Bertrand (Imprensa Portugal-Brasil) Rua João de Deus t Venda Nova-Amadora

Acabou de imprimir-se em Novembro de 1974

O que procura a verdade e a exige com impaciência deve perguntá-la àquele que sabe. Qualquer impostor o enganará.

I

PREFÁCIO


SENDO a história dos homens e das suas civilizações apenas o que aos historiadores apeteceu contar para edificação e muitas vezes sujeição dos povos, pareceu-nos útil e razoável divulgar factos estranhos e acontecimentos heréticos conscientemente passados sob silêncio, ignorados ou deformados por espíritos muito bem-pensantes.

A nossa história paralela não passa de um ensaio anedótico, por vezes aventuroso, mas sempre fundado, apesar de os elementos de que dispomos terem sido contestados, dissipados, ou pertencerem a esse fenómeno oculto que se chama o ((misterioso desconhecido».

O HOMEM QUE FAZ MILAGRES

O Livro do Passado Misterioso, tal como os nossos livros precedentes, propõe-se abrir, (tão latamente quanto possível», a porta dos mistérios, dos factos honestamente heréticos e das sugestões boas para despertar o sentido crítico e a curiosidade daqueles a quem os ucasses, os dogmas e os slogans1 não satisfazem.

1 O doutor Grégoire Jauvais também se insurge contra as teses oficiais, no seu livro Erreurs Scandaleuses en Matière de Santé, «Série Radieuse», Rue Porte Dijeaux, 34, Bordéus.

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Fala-se aqui das civilizações perdidas, da magia de Cristóvão Colombo, dos retratos mágicos que aparecem na pedra da lareira de uma casa espanhola, de Agpaoa, do {(.cirurgião que mergulha as suas mãos no corpo do doente como se as carnes fossem tão fluidas como a água», como se as leis da nossa ciência terrestre não passassem de imaginações impostas pelos feiticeiros da física clássica...



Fala-se ainda de cem coisas que não convém contar num livro conformista e untado do imprimatur da boa e respeitável conveniência: de feitiçaria, das misteriosas aventuras que se passam no céu e dos inacreditáveis poderes legados aos nossos antepassados terrestres por outros antepassados ainda mais longínquos, que tinham vindo do céu.

Abre-se aqui o que devia ser selado, revela-se o que era preciso calar, a começar, para dar o tom, pela frase misteriosa ouvida na Lua pelo cosmonauta Worden.

UMA FRASE MISTERIOSA PRONUNCIADA NA LUA

A 3 de Agosto de 1971, terça-feira, precisamente às oito da manhã, em France-Inter, o locutor Renè D. recebia o jornalista científico Lucien B., que, excepcionalmente, vinha comentar a alunagem da Apolo XV.

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Estávamos a ouvir o programa, e asseguramos que o diálogo que se segue decorreu logo de entrada:



— Bom dia, Lucien B.! Pode, com certeza, traduzir-nos a frase misteriosa que Worden ouviu, quando estava no nosso satélite?

René D. pronunciou distintamente oito ou dez palavras e Lucien B., um pouco embaraçado, respondeu, apesar de tudo:

— Não posso, infelizmente, traduzir-vos essa extraordinária e nobre divisa.

É muito possível que, embora o jornalista cientifico fosse sincero, a expressão empregue não quisesse dizer que se tratava de uma divisa nobre e extraordinária.

O incidente ficou por ali, mas, contudo, aquela frase misteriosa, vinda em linha directa da Lua, deveria apaixonar a opinião pública e picar a curiosidade dos jornalistas.

Toda a imprensa deveria tomar conta dessa informação, que era uma dádiva inesperada!

Pois não! A imprensa, dita de informação, acusou um mutismo que se parecia com uma conspiração do silêncio.

Várias tentativas junto de René D., de Lucien B. e dos outros jornalistas científicos da ORTF chocaram com uma parede de ignorância ou de má vontade.

Ninguém tinha ouvido a frase maldita, Lucien B. já não se lembrava (o que era normal) e René D. escapava como areia.

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UMA EMISSÃO DE ORIGEM DESCONHECIDA



No entanto, um dos nossos colegas também tinha escutado a France-Inter, no dia 3 de Agosto, às oito da manhã: Alain Ayache, editorialista do semanário Le Meilleur, no n." 33 da seu jornal, página 4, publicava um artigo a sete colunas com os seguintes títulos: «Por que razão NINGUÉM falou da mensagem misteriosa captada na Lua — vinte palavras intraduzíveis que espalham verdadeiramente o pânico. Talvez seja a prova de que existem outros homens — o que a N.A.S.A. quis esconder.))

O artigo, ao longo da página inteira, enfeitado com uma fotografia de Worden, contava em pormenor o extraordinário incidente que acontecera na Lua.

Estava tudo a correr pelo melhor, nesse dia, no satélite, até que, às onze e quinze, aconteceu um fenómeno de fading: tinha-se perdido o contacto com Houston!

Worden, encarregado das telecomunicações, foi atraído por um sopro, que se transformou, no seu posto de escuta, num longo assobio.

«O seu receptor estava a captar uma emissão, cuja origem era impossível de definir.))

Houve em seguida uns murmúrios abafados e uma espécie de modulação de palavras pronunciadas numa língua desconhecida, e depois uma frase «constantemente repetida num tom que

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ia do grave ao agudo, com pontos ligeiramente estridentes seguidos de exclamações roucas».



A frase tinha sido, felizmente, registada no magnetofone do Lem e Worden retransmitiu-a à N.A.S.A.

«Depois de alguns segundos de confusão — lê-se no Le Meil-leur—, o diálogo entre Houston e Apolo XV foi desviado para um altifalante que dava para um gabinete secreto.

A recepção e discussão da mensagem misteriosa prosseguiram à porta fechada.))

Em seguida, como dissemos já: black-out, total sobre o assunto, tanto nos Estados Unidos como em todos os países do mundo.

Como ê que o Le Meilleur teve notícia destes detalhes, que desconhecemos se são exactos, mas um facto é verdade: uma conjura proibiu a divulgação da frase «lunar)).

EIS A FRASE PROIBIDA

Foi preciso muito tempo e esforço para, finalmente, podermos parcialmente conhecer as palavras do enigma, e por meios que, como os jornalistas gostam de dizer, relevam do «segredo profissional))!

Quando ouvimos, percebemos ou julgámos perceber duas palavras do texto: lamma, porque esta palavra é uma das últimas

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pronunciadas por Jesus na cruz (Eli, Eli, lamma sabacthani) e rabbi, de fácil identificação, o que nos autoriza a concluir que a frase que nos foi transmitida foneticamente é conforme à original.



Ela aqui está, distribuída aleatoriamente por oito palavras:

Mara2 rabbi allardi dini endavour esa conus alim.

Parece que há palavras de hebreu misturadas com outras, de origem incerta.

Em hebreu, mar pode significar: senhor; ou mara; amarga; rabbi: mestre, rabino; dini: lei, sentença.

Se envadour é inglês: endeavour (pronuncia-se enndeveus), a significação è: esforço.

O mistério total envolve allardi, esa, couns e alim.

Talvez que filólogos astuciosos encontrem a chave do enigma!

Um prefácio é sempre de leitura aborrecida, mas se o nosso não vos desagradou muito podem então começar na nossa companhia a viagem insólita para a qual vos convidamos.

2 É possível que não tivéssemos ouvido bem a primeira palavra da frase, que seria mara e não lamma.

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A PRIMISTÓRIA



CAPÍTULO I 0 INSÓLITO TERRESTRE

Os nossos antepassados acreditaram, desde tempos imemoriais, em países fabulosos, em planetas gémeos da Terra e em seres sobrenaturais do género dos elfos, gigantes, génios ou fadas. Nos nossos dias, os homens cobrem-se de racionalismo esclarecido, já não têm fé nesses mitos mas falam da Atlântida, do planeta transmarciano, de Terras idênticas à nossa gravitando muito longe no cosmo. Acreditam nos profetas, nos astrólogos, no Menino Jesus e no bom Santo António, que faz encontrar os objectos perdidos. Dizem, enfim, ter a percepção de mundos invisíveis, que se interpenetram e a que chamam: universos paralelos.

As crenças mudam de facto de nome, mas nem por isso de natureza; põem-se à moda, vestem um certo ar crítico e científico, mas não são, por isso, mais racionais. Nem menos, temos de acrescentar!

ESCADARIAS MISTERIOSAS

O mundo é apaixonante de percorrer, tão apaixonante que vocações de arqueólogos selvagens são cada vez mais suscitadas pela ausência e carência dos arqueólogos oficiais.

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As pistas ou desenhos gigantes da pampa da Nazca, no Peru, são um exemplo-tipo da arqueologia ignorada por aqueles que, precisamente, são pagos para saber.



Estas pistas, estes caminhos, estas estradas marcadas... porquê e para quem eram construídos?'

Mas não há só a Nazca a apresentar estas espécie de enigmas: em Inglaterra, na Irlanda, em França, na Checoslováquia, no Ceilão, etc..., outros rastos solicitam explicações, que não se encontram nos manuais clássicos.

Quem é que, antes de 1973, se interessou por estas pequenas «escadas» talhadas na rocha das montanhas e que sobem, se entrecruzam, escalam vertentes abruptas, rodam sobre os cabeços de grés?

Os degraus ora param diante de um esquema de porta, ora diante de uma espécie de patamar ou de uma cova cavada na rocha; por vezes não vão dar a parte alguma ou terminam numa fenda.

Na Checoslováquia, ((arqueólogos» oficiais afirmam que se trata de erosão natural, tese que nem sequer merece a sombra de uma discussão.

É evidente que estes degraus foram escavados por mão de homens. As suas dimensões variam conforme os lugares; no Ceilão, onde são mais numerosos, têm uma superfície, ou piso, que anda à volta de vinte por quinze centímetros e a altura de um degrau, ou contramarcha, é só de dez centímetros.

Por vezes estão gravadas no rochedo duas ou três escadarias, paralelamente ou não, sem nenhuma utilidade aparente. Uma escada pára bruscamente, uma outra continua, a terceira junta-se à primeira.

O plano geral é ou parece incoerente, e pode garantir-se que não corresponde a qualquer necessidade ou comodidade humana de utilização.

De resto, o pé humano encontra em cada piso uma base

1 Em 1968 apresentámos teses sobre a Nazca em O Livro do Misterioso Desconhecido, cap. III: «A Ciência Anterior», pp. 41-57, e em O Livro dos Senhores do Mundo, cap. I: «A Central da Contraverdade», pp. 15-33, ambos editados pela Livraria Bertrand, Lisboa.

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Sigirya (Ceilão). Escadarias para elfos, fadas ou, simplesmente, seres misteriosos, escalam os flancos de um grande rochedo



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difícil, e para se servir da escada (mas será realmente uma escada?) é necessário subir os degraus a quatro, de tal forma eles estão próximos.

CAMINHOS PARA O DESCONHECIDO

Como para as pistas da Nazca, só o irracional pode dar .uma explicação ao que não pertence ao nosso universo de razão.

É preciso imaginar construtores dos tempos antigos, animados por pensamentos cujo mecanismo, muito diferente do nosso, misturava estreitamente as contingências do nosso mundo às de um outro mundo sobrenatural.

Na mitologia dos Celtas, vê-se este maravilhoso psíquico e intelectual nos castelos perigosos, nas paredes que se abrem e fecham para deixar entrar o herói num universo regido por dimensões desconhecidas, onde o espaço-tempo não tem qualquer medida comum com o da nossa ciência.

É por esta razão que pensamos que as escadarias de Ceilão devem ter sido talhadas para servir as personagens ou entidades de um mundo do Além, para fantasmas, deuses, ou para os seres estranhos e estrangeiros, que sabem ladear os precipícios, passar através das portas de rocha... que conhecem a rede que faz comunicar os outros universos com o nosso.

Nesta hipótese, as portas desenhadas, esboçadas em paredes de rocha, ((abrem» para um país encantado, proibido aos humanos, salvo se, por graça excepcional, tiverem sido convidados a lá entrar.

Em França, encontramos dessas portas na Dordonha; no Peru, vimos escadas largas e bem trabalhadas parar diante da montanha ou, nalguns casos, no topo de blocos cuja altura não ultrapassava um metro.

Em Petra, na montanha de Hor, na fronteira ocidental da actual Jordânia, abre-se uma autêntica cidade sobre um circo2.

No SUl de Arequipa, no Peru, o rochedo de Ylo tem uma

2 Le Livre des Mondes Oubliés, cap. VII: «Civilisations Mysterieuses», ed. Robert Laffont, Paris.

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Na ilha de Ceilão, uma civilização enigmática escavou estes degraus que levam não se sabe aonde



inscrição que dá uma chave mágica: «A porta da entrada secreta do socoban (túnel), que leva aos mistérios e ao ouro do mundo antigo perdido, está atrás de um dos três cumes e protegida por emanações mortais.»

É incontestável que os homens do nosso século já não possuem a psicologia do maravilhoso, que outrora permitia acreditar num outro universo paralelo, dessa natureza.

É talvez ao segredo perdido dos Antigos, perdido com a palavra, ao elixir de iniciação e à faculdade de entrar no mundo em igualdade de plano que agora damos o nome de sobrenatural, com o sentido de impossível e de mítico.

Em certas rochas do Ceilão, em Sigirya, as «escadas», quando

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sobem por encostas a pique, não passam de ranhuras, como varões de escada, mas talhadas bem fundo.



Os rochedos com escadas estão, por vezes, salpicados de buracos quadrados de quinze por quinze centímetros, dispostos como escadas de um tabuleiro de xadrez.

Também aqui o espírito racional não consegue encontrar uma explicação, mas está fora de dúvida que estes curiosos trabalhos pertencem a uma civilização antiga, cujo rasto desapareceu na bruma dos tempos e da indiferença.

A PORTA COM UMA CRUZ

Num passado longínquo, os Iniciados sabiam ultrapassar as leis físicas que nos querem fixar a uma realidade, que, em termos absolutos, não é verdadeira.

Pitágoras sabia passar pela «falsa porta» e viajava no tempo, não por meios físicos — análogos aos nossos automóveis, aos nossos aviões, aos nossos foguetões — mas através da geometria.

Segundo a tradição, há no Himalaia iogas que, por vezes, ainda recebem um desenho representando uma porta fechada, simbolizada na nossa escritura pela letra A = porta barrada.

Algumas linhas acompanham a mensagem: «Vem juntar-te a nós.»

O ioga sabe abstrair-se, torna-se letra, número, equação; desliga o seu eu superior da sua matéria e dos imperativos terrestres e universais.

É então que passa a ser um Outro. O seu eu imponderável sobe as escadas da montanha do encontro, abre a porta desenhada na rocha e entra no granito compacto, hermético, onde, com uma precisão maravilhosa e matemática, encontra aqueles que o esperam numa brecha do nosso espaço-tempo.

Atrás dos iogas, todas as portas da montanha têm uma barra em cruz.

O Livro dos Mortos dos antigos Egípcios diz que no grande quadrado do conhecimento, de infinitos ângulos, a cruz é o sinal negativo: proibição de entrar.

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(



Por vezes a escada é representada apenas por uns entalhes. É absolutamente impraticável para um ser humano

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É também o sinal do esquecimento: pôr uma cruz sobre alguém ou sobre alguma coisa.



A cruz e o punhal têm um simbolismo idêntico: morte.

É o sinal das conjuras de contraverdade.

O sinal das conjuras de verdade é um círculo, um triângulo ou um rectângulo.

CHAVE PARA ABRIR AS PORTAS PROIBIDAS

É a exploração e a análise do insólito no mundo inteiro que permitem ao observador lógico construir um sistema e adiantar explicações, por mais ousadas que possam parecer.

A este processo de investigação acrescentamos, pelo nosso lado, uma confrontação com os fenómenos da actualidade, porque pensamos que o «misterioso desconhecido» humano comporta uma central de informações, uma espécie de computador onde estão inscritas todas as experiências passadas. Por outras palavras, toda a história do homem, desde a sua criação, está gravada nos cromossomas-memórias, como o código genético está para cada espécie.

Um carvalho continua a sua longa tradição de árvore, com o conhecimento e as aquisições registadas pelos seus antepassados; um gato, uma andorinha, um goivo, têm nos cromossomas, ou nos mensageiros da sua evolução as qualidades, os tabos, as manifestações de vida, de sobrevivência e de defesa que constituem o seu carácter de vivos.

É por este processo que é possível, parece, explicar o fenómeno hippy e Jesus Superstar, confrontando-o com o fenómeno Jesus, de há dois mil anos.

Pensamos que, do mesmo modo, o mistério das pirâmides do Egipto só se pode explicar pelo estudo das pirâmides de França, da Irlanda, do Peru, da China e pela criogenia3.

A criogenização actual dos mortos no azoto líquido a

3 Ler O Livro do Misterioso Desconhecido, ed. Livraria Bertrand, Lisboa, cap. XII: (cO Mistério das Pirâmides». Endereço da Association Cryonics Fran-çaise: 6, Rue de Marseille, 69, Lião 7.°, e Rue de Thibouméry, 10, Paris 15.°.

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cento e sessenta e nove graus negativos, para permitir uma eventual ressurreição no futuro, é a explicação das câmaras de imortalidade que são as pirâmides de Gizeh, onde a múmia devia permanecer intacta, à espera de ressuscitar pela graça de Osíris.



Portanto, só fazendo um recenseamento, tão completo quanto possível, do insólito terrestre é que podemos experimentar abrir as portas proibidas do misterioso desconhecido.

Em França, o enigma da Rocha das Pés está talvez em correlação com o das escadarias para fantasmas de Sigirya, no Ceilão.

A ROCHA DOS PÉS

Esta rocha, perto de Lanslevillard, na Sabóia, é um enorme bloco com as marcas que justificam o seu nome.

Os nossos amigos e colaboradores do Grupo de Estudos dos Amigos do Insólito e Leitores Amigos de Robert Charroux4 foram ao local partindo da garganta da Madeleine, a mil setecentos e cinquenta metros de altitude, e seguiram o caminho GR5.

O tempo do percurso foi de três horas e meia.

A Rocha dos Pés está situada entre os contrafortes do Grand Roc negro e o rochedo de Pisselarand; apresenta-se como um tabuleiro de granito na vertente da montanha, em posição inclinada, embora a sua escalada seja fácil.

De forma oval, tem um diâmetro de aproximadamente cinco metros; o lado mais íngreme tem dois e meio a três metros de altura e domina o vale, para poente.

São perfeitamente visíveis na pedra umas marcas de pés — uns cinquenta — e a maior parte, à excepção de poucos, parecem ter sido traçados por um instrumento, segundo o contorno dos sapatos.

Estas marcas, de três dimensões: dezasseis, vinte e vinte e cinco centímetros (números vinte e seis, trinta e dois c trinta e

4 Groupe d'Études des Amis de 1'Insolite et Amis Lecteurs de Robert Charroux, presidido por Giibert Bovard; 15, Rue des Róis, 1204, Genebra (Suíça). O exame da pedra foi feito por Giibert Bovard, Claude Berney e Yvonne Gugger.

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A Rocha dos Pés, perto de Lanslevillard (Sabóia)



nove), sugerem pés de homens de pequena estatura ou então de mulheres e de crianças; a profundidade do traço é da ordem de dois a três centímetros.

«Com uma única excepção, estão orientadas na mesma direcção», diz Gilbert Bovard, «a do Sol e do vale. As pedras cupulares são numerosas nesta região, entre outras as de Chantelouve; a vinte minutos do refúgio de Vallonbrun, mostraram-nos uma rocha onde está gravado um sol.»

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A Rocha dos Pés. As marcas, salvo duas, dirigem-se todas para poente



SINAIS DE PERTENÇA

Resta encontrar uma explicação deste enigma.

Deve pensar-se que homens de pequena estatura, de raça ' desconhecida, subiram para a rocha e, em posição de espera, traçaram o contorno dos pés.

Em seguida, gravaram mais ou menos grosseiramente os limites marcados na pedra.

A maioria desses seres usavam sapatos, embora alguns estivessem descalços, como testemunham as marcas.

Levando em conta os lugares e aquilo que se supõe serem ritos das religiões antigas, a Rocha dos Pés, pela sua situação

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insólita, deve ter motivado uma superstição ou uma fé. Uma tribo, ligada a um culto solar, teve a ideia de fazer dela um posto de observação do sol-poente, de algum modo um altar ou um templo.



Os homens ficavam de pé, em atitude de respeito, voltados para o deus.

Mas o lugar não é de todo habitável; o culto neste alto lugar devia ser celebrado por ocasião de peregrinações, difíceis em todas as estações, impossíveis no Inverno.

Daí a ideia de substituir a presença real por uma presença fictícia e mágica.

Nas cavernas dos tempos pré-históricos, em Glozel e em numerosos locais do mundo, os homens imprimiram a marca das suas mãos para atestar a sua presença e a sua identidade de proprietários ou de testemunhas; a maior parte das vezes, para sublinhar a sua soberania sobre uma região e dar ao mesmo tempo uma ideia de quantidade e de força.

No Grand Roc, a tribo teria portanto traçado e gravado a marca dos pés de cada membro, de cada fiel, o que explicaria as diferentes medidas e formas de pés.

Deste modo, cada proprietário das marcas era suposto ficar sempre em adoração ou em guarda, sempre presente e representado pela sua marca, o que é habitual nos ritos antigos de magia, e mesmo na vida moderna5.

As cúpulas, junto das marcas, têm uma relação com o mito da água sagrada, sem dúvida de propriedades maravilhosas.

Duas marcas, as do chefe, estão situadas na ponta do rochedo; outras duas, transversais, implicam ou uma intenção de sacrilégio—talvez por obra de um inimigo—ou a dessacralização do lugar.

Bem entendido, são apenas hipóteses: o local da Rocha dos Pés é um caso bastante raro na arqueologia conhecida6.

5 A bandeira nos navios, a insígnia, a cor, o bivaque, o número marcado sobre o animal, etc, eram e são ainda hoje marcas de propriedade.

6 A revista Phénomènes Inconnus, n.° 3, Estrada de Béthune, 62, Lestrem, menciona a existência de marcas deste género em Cetateni e em Slon (Roménia), na Jugoslávia, em Espanha e na Escandinávia, mas em nenhum outro lado as marcas são tantas e tão nítidas como no Grand Roc.

CAPÍTULO II ILHAS E PAÍSES DE UM OUTRO MUNDO

ESTAS civilizações primárias que desapareceram deixando apenas traços enigmáticos da sua passagem ligam-se indirectamente aos continentes, às ilhas e às regiões submersas pelos oceanos, com cidades e templos de que os homens do século xx, por racionalismo exaltado, negam a autenticidade de existência.

No entanto, a descoberta de construções ciclópicas e de enva-samentos submarinos ao largo da ilha de Bimini (oitenta quilómetros a leste de Miami, Florida) acaba de trazer um sério apoio aos partidários da Atlântida'.



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