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Vários nobres de Lima constituíram um exército à sua conta e puseram-se a caminho, em 1670, sob as ordens do franciscano, à procura do Pai ti ti.



Foi um fiasco, mas a ilusão nem por isso foi destruída!

Em 1681, o padre Juan Lucero afirmou que havia ido a um país, o dos Piros, e que tivera nas mãos ((pratos, crescentes, brincos de argolas e outras jóias de ouro, fabricados pelos índios».

Nestes relatos lendários, incríveis pelos pormenores exagerados e pelas descrições de tesouros fantásticos, encontra-se no entanto um certo fundo de verdade que leva a reflectir.

Este pais dos Piros, de que fala o padre Juan Lucero, muito provavelmente existiu, mas parece que se lhe perdeu a pista.

«O licenciado Montesinos, que recolheu em 1652 as tradições conservadas pelos Amautas, colégio dos padres e dos astrónomos peruanos, conta que a civilização inca, relativamente recente, teria sucedido a um período de barbárie, sendo este precedido pela antiga civilização dos Pyr-Huas (os Piros do padre Lucero), organizada depois do cataclismo dilúvico, e que possuía hieróglifos misteriosos, como todos os povos que tiveram laços com a Atlântida submersa20.»

O país dos Piros era talvez Tiahuanaco (Bolívia), Machu--Pichu, ou uma das cidades encontradas no Altiplano ou para os lados do Amazonas peruano, mas nós pensamos antes nas ruínas de Caballo Muerto (Peru), onde o professor americano Michael Moseley, da Universidade de Hàrvard, descobriu as ruínas de um templo e uma cabeça colossal com mais de três mil anos.

Tais eram, no século xvi e xvii, as cidades perdidas e os mitos que lançaram os aventureiros nas selvas, nos desertos e nas serras onde, a maior parte das vezes, encontraram a morte e não a fortuna.

» Extracto de Um Continente Disparu, VAtlantide, de Roger Dévigne, ed. G. Frè» et Cie, Paris, 1923.

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A FONTE DE JUVENTUDE



Uma outra crença e uma outra terra desconhecida acalentaram os sonhos dos descobridores do Novo Mundo: a fonte de juventude e a ilha de Bimini.

Quando chegaram às Antilhas, os espanhóis ouviram os índios de Cuba e de Haiti contar que ao norte dessas ilhas se encontrava uma fonte, cujas águas possuíam o poder de rejuvenescer quem nela se banhava.

Em 1514, o teólogo protestante Pierre Martyr contava este boato ao Papa Leão X, e acrescentava: «Que Vossa Santidade não pense que são brincadeiras ou palavras no ar.»

O explorador da Florida Lucas Vasquez d'Ayllon conta que o pai do seu criado, já curvado pela velhice, mas desejoso de prolongar a vida, foi à fonte de juventude. Passou vários dias lá, a tomar banhos, a beber a água e os remédios prescritos para a cura.

Regressou a casa e, tendo recuperado as forças, voltou a casar e engendrou filhos.

A fonte foi localizada na Florida, mas sobretudo em Bimini, «poderosa ilha habitada por diversos povos que tinham a pele mais branca do que os de Cuba)).

As mulheres, em particular, ((eram tão belas que os homens da Terra Firme e da Florida iam viver com elas».

Juan Ponce de Léon, ex-governador da ilha de Boriquen, ((armou duas caravelas e partiu à procura da ilha de Boyuca (Bimini?), onde os índios situavam a fonte que transformava os velhos em adolescentes. Entrou em Bimini e descobriu a Florida, em 1512, mas não encontrou a fonte de juventude.

Apesar de tudo, tem interesse notar que a ilha de Bimini, de grande actualidade desde 1970, esconde nos seus fundos marinhos vestígios de uma civilização desaparecida, talvez atlântida, e que os mergulhadores que os descobriram contam que uma fonte de água doce nasce perto dessas ruínas.

A fonte de juventude foi também localizada no Egipto e na índia, onde Alexandre, o Grande, a procurou.

_ Gilgamesh, o herói da mitologia assíria, empreendeu a sua

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viagem ((ao país dos Grandes Antepassados, no extremo do Ocidente», para aí procurar a planta que rejuvenesce os velhos.



O sábio Um-Napishtí (o Noé assírio) revelou-lhe que ela crescia no fundo da água. Gilgamesh, coberto de pedras, mergulhou qual pescador de pérolas e colheu no fundo de uma fonte uma planta, o hishkanú ou sihlú, que seria... o nosso agrião21.

Mas o mais espantoso desta lenda, que, de facto, foi uma aventura vivida, é que Gilgamesh foi procurar esse agrião numa fonte de juventude que, segundo os bons mitologistas, se situava na América e provavelmente na Florida ou em Biminil

É difícil não ser tocado por esta estranha coincidência, tão estranha que, a não duvidar, repousa numa verdade histórica.

Há milhares de anos, a fonte de juventude existia algures em Bimini, e os nossos Antepassados Superiores transmitiram a sua história, que há cinco mil anos era ainda viva e bem pormenorizada.

21 Segundo S. Langdon, The Mythology of ali Races, e G. Contenau, La Magie, ed. Payot, Paris.

CAPÍTULO V

CIVILIZAÇÕES MISTERIOSAS: NA ESCÓCIA, EM FRANÇA, NA SARDENHA, EM MALTA

NÃO sabemos muita coisa acerca dos dólmenes, dos menires, de todos os megálitos que, no entanto e em profusão, encheram e enchem ainda o solo de França.

O nosso conhecimento é extremamente reduzido em relação a tudo quanto diz respeito aos druidas e aos «antepassados dos Franceses, os Gauleses», e continuamos a ignorar quem foi o primeiro rei desse país.

E que sabemos nós da misteriosa civilização que edificou em França, na Escócia e também noutros sítios da Europa os numerosos fortes vitrificados que aí se podem ver?

Claro que não se fala deles nos nossos livros de ((história», e intencionalmente (preferimos não precisar porquê), mas esses castelos vitrificados existem e erguem-se como pontos de interrogação para o homem curioso, para aquele que ousa interessar-se pelo passado da França.

A VINGANÇA DO DEUS AZURIA

Estes fortes são na realidade umas muralhas, geralmente em forma de elipse; foram construídos sobre colinas ou, então, cercam promontórios naturalmente abruptos.

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As paredes, na parte inferior, quer de um lado, quer dos dois, são feitas de pedras graníticas vitrificadas, que apresentam aos arqueólogos um enigma quase insolúvel.



Se as muralhas são protegidas por parapeitos, estes têm também marcas de vitrificação.

Podia, numa primeira análise, pensar-se que tinham sido acesas fogueiras ardentes ao pé das muralhas para fundir o granito de maneira a assegurar uma melhor coesão dos elementos.

A explicação torna-se pouco convincente quando se refere ao interior, que só foi vitrificado quando as faces externas, por vezes com um e dois metros de espessura, são construídas de pedra perfeitamente natural.

Finalmente, verifica-se que são explicações satisfatórias, se pensarmos nos mil e trezentos graus necessários para começar a fusão dos materiais.

O arqueólogo inglês James Anderson, num livro editado em 1777, foi o primeiro, segundo se julga, a ter identificado, na Escócia, uns fortes vitrificados onde — escreve — se pode encontrar uma terra ferruginosa que serviu para untar as pedras; o fogo, sobre essa capa, assegurou a vitrificação!

Charles Hoy Fort, em Le Livre des Damnés, propõe uma tese ainda mais absurda: o deus Azuria, porque os Britânicos não queriam pintar a pele de azul, ((descarregou a sua electricidade sobre todos os fortes, cujas pedras, vitrificadas e fundidas, existem ainda».

Os principais fortes vitrificados da Escócia, são: o Craig Phoedrick, o Ord Hill of Kissock, o Barry Hill e o Castle-Spynie, no Invernesshire, o Top-o-Noth, no condado de Aberdeen, e os montes vitrificados das órcades (ilha Sanday)'.

O CRAIG PHOEDRICK

As duas construções mais típicas são o Craig Phoedrick e o Ord Hill of Kissock, «que se erguem como dois imensos pilares sobre colinas distantes entre si três milhas, e situadas na extre-

1 Existem outros fortes desta natureza na Boémia.

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Planta de um forte vitrificado, com sistema de defesa em arestas



Museu de Guéret. Monte de pedras vitrificadas, provenientes do Forte de Ribandelle

midade do golfo de Moray, perto da cidade de Inverness, de que parecem defender o acesso do lado do mar»2.

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O arqueólogo Jules Marion descreve estas fortificações como uma acrópole regularmente desenhada, cuja parte superior, rebaixada em terraço de forma oval, está no centro cavada em bacia de dois a três metros de profundidade; é parecida com uma cratera de vulcão.



Na base da acrópole, prossegue J. Marion, o contorno inteiro do cabeço está coberto de blocos de granito vitrificado, de dimensões gigantescas e que devem ter feito, de certeza, parte das construções.

Estas dominam a pino o vale de Ness, do lado este, onde a encosta é mais íngreme.

As pedras do forte, de cor escura, são enormes e ligadas por uma argamassa de espessura inigualável, formando o conjunto um aglomerado compacto, muito duro e impossível de separar.

Alguns blocos, que foram sem dúvida submetidos a um fogo particularmente intenso, estão queimados como lavas de vulcão e apresentam, use os partirmos, umas gotas grossas vitrificadas, bastante semelhantes em cor e consistência ao vidro de garrafa» ou a essa espécie de obsidiana, a que se chamava tectites lunares, antes de os cosmonautas terem demonstrado que esta matéria não existia na superfície da Lua!

Não é certo que o Craig Phoedrick e o Ord Hill o/ Kissock tenham sido fortes, e chegou-se a>. pensar que talvez fossem faróis ou postos de observação, datando da época dos Vikings.

Na realidade, não se conhece absolutamente nada do seu destino e da sua origem.

OS FORTES VITRIFICADOS DA CREUSE

Também nada mais se sabe sobre a antiguidade dos fortes vitrificados que se encontram em França, onde já se contaram uma boa dúzia deles.

2 Les Premiers Hommes et les Temps Préhistoríques, ed. C. Masson, Paris, 1831.

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O Forte de Dun Aengus, em Irishmore, ilhas Aran, Irlanda



Objectos enterrados ou retirados das ruínas foram datados do século v, mas pensamos que a construção é várias vezes milenária, como são disso testemunho os manuscritos irlandeses que falam da torre incendiada de Tory.

De resto, as crónicas históricas não deixariam de mencionar estes fortes, se tivessem sido construídos apenas há mil e quinhentos anos.

No entanto, pode verse, no Museu de Guéret, um bloco de granito fundido, cobrindo uma telha de origem romana, o que complica singularmente o mistério.

Os principais fortes vitrificados da França são, na Creuse: em Châteauvieux, na margem oposta da Creuse, em Ribandelle (em frente de Châteauvieux), em Thauron, em Saint-Georges-de--Nigremont; na Bretanha: em Peran, na Vienne, talvez em Thorus, perto de Château-Larcher, onde o que foi um promontório fortificado domina o vale da Clouère (não tendo as ruínas e as muralhas sido ainda escavadas nem recuperadas, é difícil saber se encerram blocos vitrificados, mas a analogia entre

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Thorus e Châteauvieux deixam-no crer); perto de Agentan (Orne); em Sainte-Suzanne (Mayenne).



A muralha de Châteauvieux é de forma oval e tem cento e vinte e oito metros de comprimento axial; o parapeito é um aterro espesso de sete metros na base e três no cimo.

Sobre estas subestruturas foi edificado um muro, com paredes de granito.

((O espaço entre as duas paredes», escreve M. de Nadaillac, «está cheio de uma camada de granito fundido, largura de quatro metros, espessura de sessenta centímetros, repousando sobre um leito de tufo. Não se encontra nenhum traço do emprego de qualquer argamassa, como na Escócia.»

A parte inferior do muro está portanto completamente vitrificada, enquanto as paredes exteriores não o estão.

A antiga fortaleza da Ribandelle-du-Puy-de-Gaudy, que foi ocupada pelos Celtas, e depois sucessivamente pelos Romanos e pelos Visigodos, é de análoga natureza.

Tem um perímetro de mil e quinhentos metros e uma superfície de treze hectares.

O interior dos muros, de granito vitrificado, está separado das paredes por camadas de terra de esteva. A vitrificação é apenas superficial e tem uma espessura de aproximadamente dois centímetros.

Diferentes indícios mostram que a construção estava terminada quando o granito em fusão foi colocado nos muros; ou então a fogueira que os fundiu encontrava-se no interior das paredes.

Outra verificação: a massa vitrificada está dividida em parcelas de mais ou menos três metros de comprimento, como se as operações tivessem sido sucessivas e não realizadas ao mesmo tempo.

Em Thauron, perto de Bourganeuf, as pedras do forte estão por vezes de tal modo cozidas que se tornaram uma espécie de lava. Restos de abóbadas ainda subsistem.

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AS PEDRAS QUEIMADAS



Prosper Merimée escreveu que as muralhas de Péran pareciam ter sido cimentadas com vidro fundido.

O campo de Péran, comuna de Plédran (Côtes-du-Nord), tem cento e trinta e quatro metros de comprimento por cento e dez de largura; chamam-íhe na região As Pedras Queimadas.

Estas pedras não estão ligadas nem por argamassa nem por cimento, mas pela própria fusão, o que é fantástico.

A anterioridade do «campo de Péran» à conquista romana é provada pelas descobertas que se fizeram, as quais demonstraram que a construção dos fortes vitrificados data, pelo menos, de há três mil anos.

Que civilização desconhecida edificou estas fortalezas na França, na Escócia e na Boémia?

Provavelmente a dos Celtas, o que denuncia a traição de certos historiadores e pré-historiadores que, para agradar à Conjura, deliberadamente afastaram, abafaram um povo que sabia, na época-fantasma do bronze, pôr em fusão, a mil e trezentos ou mil e quinhentos graus, uma rocha tão dura como o granito.

O processo da operação é desconhecido, mas pensa-se saber que estes químicos pré-históricos utilizavam soda e potassa para fazer uma espécie de fogo-de-artifício.

É também verdade, mas ainda não se conhece o processo, que os homens de Leinster, da tradição céltica irlandesa, sabiam «construir um muro vermelho». Seria um muro de fogo, ou vitrificado?

Em todo o caso, constituía um tabo intransponível3.

A mesma tradição fala de um fogo druidico de uma extrema potência.

M. de Cessac, que estudou os antigos fortes da Creuse, conseguiu fazer fundir um muro construído com granito e madeira misturados, mas a sua experiência não foi concludente para as grandes superfícies.

3 Jean Markale, VÉpopée Celtique d'Irlande, ed. Payot, Paris.

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A HIPÓTESE DO DRUIDA E. COARER-KALONDAN



No seu apaixonante trabalho Les Celtes et les Extra-T erres-tres4 o druida cego E. Coarer-Kalondan e o ovate Gwezenn Dana dão talvez (2.* parte, cap. VII) a explicação para o mistério dos fortes vitrificados:

Os lança-chamas que incendiaram Tara

Em Dieux et Héros des Celtes, de L. Sjoestedt, fala-se de outra arma científica utilizada nessa época. Todos os anos, na data da solenidade de Saman (1.° de Novembro), aparecia um guerreiro, sozinho, a desafiar a cidade de Tara, na Irlanda. Esse guerreiro, de nome Aillen Mac Neidhna, aproximava-se da cidade aterrorizada e, cuspindo fogo, incendiava um a um todos os bairros.

Finn, o próprio pai de Ossian, pôs fim a este terrorismo com um golpe de lança mortal no incendiário.

Os lança-chamas utilizados no decorrer das duas últimas guerras mundiais dão uma explicação racional do modo como Aillen Mac Neidhna pegava fogo às muralhas e às casas de Tara.

Este episódio tende a demonstrar que os Celtas, pelo seu conhecimento da química, sabiam utilizar líquidos ou gases incendiários.»

Toriniz, a torre vitrificada

A torre da ilha de Toriniz (no extremo norte da Irlanda, no Denegai), hoje ilha Tory, existia ainda no século passado, e os arqueólogos verificaram com surpresa que os-vestígios estavam vitrificados. É possível propor três soluções para o problema:

1. A torre, que pertencia aos Formoré, foi atomizada pelos Tuatha5, no fim da segunda batalha de Mag Tured. O enorme

4 Les Celtes et les Extra-Terrestres, ed. Le Marabout (col. Univers Secrets), 65, Rue de Limbourg, B 4800, Verviers, Bélgica.

5 Os Tuatha Danann eram um povo misterioso, perito em magia, que tinha invadido a Manda. Vinham do Pais dos Tertres, situado «para além do mar das Tormentas». Foram os Iniciadores dos Celtas, há cerca de quatro mil anos.

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calor libertado pelas suas armas científicas (lança-chamas, ou nuvens atómicas) vitrificou o granito da fortaleza.



2. A torre tinha sido revestida por uma matéria isolante vítrea, que a protegia contra as radiações de armas ofensivas...

3. Só a base da construção está construída em duro. Por cima de um rodapé de granito ergue-se o corpo da torre, composto inteiramente de matéria vitrificada. Um grande incêndio, uma atomização ou o emprego da energia solar pode fornecer uma explicação do fenómeno.

Tal é o mistério dos fortes vitrificados da França, da Escócia e da civilização—provavelmente céltica—que os edificou, talvez para intrigar os arqueólogos do século xx, caso eles se possam interessar pelo nosso património ancestral.

OS BROCHS

Os brochs da Escócia, nas ilhas Shetland e nas Órcadés, são construções de pedra seca, com a forma de dedais gigantes, nos quais se entra por um corredor comprido e estreito.

Pensou-se que estas habitações, de difícil acesso, haviam servido aos ilhéus para se defenderem das incursões dos Vikings, no século xi.

É mais plausível a tese que os remonta às primeiras migrações dos Celtas no Ocidente, a dos Pictos (e dos Píctões de Poitou), mas não temos qualquer certeza a esse respeito.

Os Pictos ocupavam a Escócia há quatro mil anos, pelo menos, e talvez se lhes deva referir a civilização das ilhas de Shetland e das Órcades.

Os brochs têm geralmente uma muralha idêntica à dos fortes vitrificados de Dun Aengus.

DUN AENGUS

Construído sobre uma falésia a pique, dominando o oceano do alto de sessenta metros, Dun Aengus, nas ilhas Aran, a oeste

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da Irlanda6, é um dos mais belos e dos mais enigmáticos fortes da Europa Ocidental.



Há três muralhas de defesa, de forma semicircular, sendo a mais pequena no interior e tendo um caminho de ronda e salas de habitação.

Fora do forte, o solo está salpicado por um caos de pedras grandes levantadas — cavalos de friso — destinadas a tornar o acesso difícil e perigoso a um eventual invasor.

O arqueólogo Peter Harbinson7, que é um especialista, calcula que Dun Aengus data de alguns séculos antes da nossa era, mas que foi utilizado como bastião até ao século xvn.

Uma tradição atribui aos Firbolgs8, povo pré-céltico da epopeia irlandesa, a construção desta estranha «Babilónia», que talvez não fosse há três mil anos como nós hoje a vimos.

Pensa-se, efectivamente, que a erosão do oceano ou um desabamento da falésia tenham conseguido levar metade das fortificações.

Outras teses, mais arrojadas, indicam que Dun Aengus poderia ter sido uma escala fenícia na rota do estanho — mas sendo assim, porquê uma fortaleza? —ou então um sistema de defesa dos antigos povos da Irlanda contra os seus poderosos vizinhos... os Atlantes!

É sem dúvida ir muito longe em conjecturas, mas, referin-do-nos à mitologia céltica, pode pensar-se que o forte inclinado sobre «o mar ocidental», o Oceano Tenebroso dos Antigos, constituía um posto de vigia e de defesa contra os Tuatha Danann, que invadiram a Irlanda para aí levar a sua civilização e quebrar a hegemonia dos gigantes Fomorés.

4 Dun Aengus fica em Innishmore, uma das três ilhas de Aran, em frente de Galway (Irlanda).

7 Peter Harbinson, Guide lo the National Monuments of Ireland, ed. Gill e Macmillan, Dublin.

• Os Firbolgs, ou Homens Bolgs, segundo o Livres des Invasions, invadiram a Irlanda por volta de 2400 a. C. Não se sabe donde vinham.

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A VÉNUS DE QUINIPILY



O antigo Castelo de Quinipily erguia-se na comuna de Baud (Morbihan), não longe do rio Evel, e a quatro quilómetros da margem esquerda do Blavet.

Era a residência senhorial dos senhores de Langouéouez, uma estranha família de que seria interessante conhecer a história, pois parece estar na origem conhecida das atribulações da Vénus de Quinipily.

Esta Vénus está agora no pátio do castelo, mas não se parece nada já com o que outrora era, pois foi retalhada, profanada, cristianizada por mãos sacrílegas.

A propriedade passou, no século xv, para a casa de Lannion, e depois para os Rochefoucauld-Liancourt.

Curioso castelo este de Quinipily, talvez antes museu da estatuária arcaica, talvez ainda templo secreto da religião gaulesa durante as perseguições do cristianismo...

Duas cariátides provenientes de uma chaminé foram noutros tempos transportadas para a aldeia vizinha de Botcoet; representavam, diz-se, uns Hércules gauleses, ou o deus iniciador Ogmios9.

Mas ainda mais extraordinário era a estátua «cuja origem excitou a atenção do mundo conhecedor».

Estava grosseiramente esculpida em pedra e, segundo alguns arqueólogos, representava uma deusa gaulesa; para outros, era uma figura romana ou uma ísis10.

Até ao século xvn, manteve-se no cimo da «montanha» do Castennec, situada a norte de Baud.

' Estas cariátides ornam agora a entrada do castelo de Plessis (Ille-et--Vilaine).

10 Para alguns esta estátua tem um vago perfil egípcio. Conta uma lenda «que os soldados mouros (?) da ocupação romana a colocaram no monte Castennec». Trata-se, sem qualquer dúvida, de uma deusa gaulesa; Baud, cuja etimologia lembra o deus céltico Belin, Balin, Bélinus, era certamente, há dois mil anos, um importante local sagrado.

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A FEITICEIRA DA GUARDA



A estátua tinha então um nome gaulês: Groach en Gouard (a Feiticeira da Guarda); era objecto da veneração geral e representava o papel atribuído por Francis Mazière u aos gigantes da ilha de Páscoa: irradiar o mana (saúde, poder, felicidade) sobre a região e arredores.

Em reconhecimento dos seus bons serviços, que eram reais, os camponeses levavam-lhes oferendas de trigo e flores, em ex voto.

Aos pés da Groach en Gouard havia uma grande piscina talhada na massa de um bloco de granito e que, milagrosamente, estava sempre cheia de água.

As mulheres, depois dos partos, vinham aí tomar banho, o que lhes assegurava um bom restabelecimento e um tónus maravilhoso. Finalmente, reportando-se sem dúvida a uma tradição muito antiga, jovens namorados da região vinham celebrar aos pés da estátua um ritual erótico bem preciso.

Tinham então a certeza de se casar durante todo esse ano!

Em 1661, uns missionários de passagem por Baud «vieram pedir a Claude de Lannion, castelão de Quinipily, para usar a sua autoridade e fazer cessar aqueles escândalos imorais e ridículos» !

A religião era então todo-poderosa e era altamente louvável destruir os manuscritos e os monumentos legados pelos antepassados celto-gauleses, para que não aparecesse a filiação à Palestina que a Conjura impunha.

A Feiticeira da Guarda foi lançada ao Blavet na presença das autoridades civis e religiosas; o cura pronunciou uma oração e assegurou aos fiéis, que vieram em massa assistir ao sacrilégio, que «Jesus, nosso Senhor, e sua veneranda Mãe, a Virgem Maria» estavam tão contentes com aquele ((acto piedoso» que para o futuro toda a região gozaria de uma bênção particular: ((As crianças nasceriam sãs e fortes, as colheitas seriam abundantes e o tempo favorável a qualquer empreendimento.»

11 Francis Mazière, Fantástica Ilha de Páscoa, ed. Livraria Bertrand, Lisboa.

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A Vénus de Quinipily, em Baud, Morbihan, nio era uma fsú gaulesa, mas sim uma Mater céltica



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O estranho monumento erigido por Pierre de Lannion em honra

da Mater de Quinipily. Em baixo vê-se a grande piscina onde as

parturientes vinham banhar-se

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A MATER GAULESA CONTRA A VIRGEM SANTA



Os camponeses voltaram para casa, vagamente atormentados no seu subconsciente, como se tivessem queimado uma santa, ou mais exactamente «afogado o seu anjo da guarda».



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