Língua portuguesa e literatura



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LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA





Série

Número de aulas semanais



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Apresentação da Disciplina


Pensar o trabalho pedagógico com a língua materna, no Ensino Médio implica, necessariamente, pensar que este trabalho se concretiza no terreno das contradições do sistema capitalista e da forma específica como elas se produzem na sociedade brasileira (Frigotto e Ciavatta, 2004)

Pensar o ensino da nossa disciplina, portanto, implica pensar também nestas contradições. Ouve-se muito que a função do Ensino Médio, como final da Educação Básica, é preparar o aluno para o vestibular ou para o mundo do trabalho. Duvidemos das palavras que estão na base dos discursos. Qual é o número real dos alunos de Ensino Médio que prestam o exame vestibular? Há lugar nas universidades para eles? Têm eles as condições financeiras e sociais para se manterem nos cursos após a aprovação? E o que dizer do mundo do trabalho? Estamos preparando nossos alunos para o trabalho ao mesmo tempo em que o trabalho, o emprego, vai desaparecendo nas malhas da sociedade tecnológica.

Acrescentem-se a isto as fortes pressões uniformizadoras exercidas sobre nós pela indústria cultural que propaga o discurso hegemônico neoliberal, recriando-nos não como cidadãos, mas com ordeiros consumidores que em tudo devem se adequar aos padrões do mercado. Pode se dizer que a indústria cultural nivela e uniformiza, apagando assim as diferenças culturais. De norte a sul deste país continental chamado Brasil, nos vestimos de maneira igual, adotamos mais ou menos os mesmos hábitos e a mesma maneira de pensar que mais se assemelham ao padrão norte-americano de ser. A maneira como fomos sendo designados pelos detentores da hegemonia discursiva revela, de certa maneira, a natureza dessa pressão: antes éramos conhecidos como país subdesenvolvido, depois, passamos à categoria de país emergente para sermos, agora, apenas um mercado em desenvolvimento.

O panorama descrito acima deve ser levado em consideração no momento em que propomos um currículo para o ensino de Língua Portuguesa e Literatura. A rapidez das mudanças ocorridas no meio social e a percepção das inúmeras relações de poder constituídas a partir das teias discursivas, estão a requerer de nós, professores, uma mudança de posicionamento no que se refere a nossa própria ação pedagógica.

No que concerne ao domínio do ensino de Língua Portuguesa e Literatura no Ensino Médio, um dos fundamentos teóricos que subjazem com orientação para a elaboração curricular são os postulados construídos a partir das contribuições do teórico russo Mikhail Bakhtin e do chamado Círculo de Bakhtin. Segundo tais postulados, a língua configura um espaço de interação entre sujeitos que se constituem através dessa interação. Ela mesma, a língua, também só se constitui pelo uso, ou seja, movida pelos sujeitos que interagem. Isto significa compreender a língua como “um conjunto aberto e múltiplo de práticas sociointeracionais, orais ou escritas, desenvolvidas por sujeitos historicamente situados. Pensar a linguagem (e a língua) desse modo, é perceber que ela não existe em si, mas só existe efetivamente no contexto das relações sociais: ela é elemento constitutivo dessas múltiplas relações nelas se constitui continuamente”. (Faraco, 2003)

Objetivos Gerais




  • Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes manifestações da linguagem verbal.

  • Compreender e usar a Língua Portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade.

  • Aplicar as tecnologias de comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes da vida.

  • Analisar os recursos expressivos da linguagem verbal, relacionando textos/contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura, de acordo com as condições de produção, recepção (intenção, época, local, interlocutores participantes da criação e propaganda das idéias e escolhas tecnológicas disponíveis).

  • Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização comitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação.

  • Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas.

  • Recuperar pelo estudo do texto literário as formas instituídas de construção imaginária coletivo o patrimônio representativo da cultura e as classificações preservadas e divulgadas, no eixo temporal e espacial.

  • Articular as redes de diferenças e semelhanças entre a língua oral e escrita e seus códigos sociais contextuais e lingüísticos.

  • Considerar a Língua Portuguesa como fonte de legitimação de acordos e condutas sociais bem como de representação simbólica de experiências humanas manifesta das nas formas de sentir, pensar e agir da vida social.

  • Entender os impactos das tecnologias da comunicação em especial da língua escrita, na vida, nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social.

  • Compreender, através dos textos literários e romances o vir a ser eterno do ser humano, ampliando o conhecimento de si mesmo e do mundo como realidades mutantes e plurais.

  • Conhecer o sabor da diversidade revelado pela arte literária.

  • Compreender a literatura como recriação do real.

  • Observar a diversidade cultural como marcas indicativas da heterogeneidade de nossa formação: música, religião, costumes, literatura, empréstimos lingüísticos, etc.

  • Conhecer o desenvolvimento da produção literária: brasileira, portuguesa, africana.

Conteúdos por Série




  • 1ª SÉRIE

  1. Prática de leitura e interpretação

    1. Idéia central e informações implícitas dos textos (textos ficcionais, não-ficcionais, literários)

    2. Estrutura da narrativa (tipos de discurso)

    3. Linguagem verbal e não-verbal (charges, cartuns, quadrinhos...)

    4. Variedades linguísticas

    5. Linguagem formal e informal




  1. Prática de Produção de Textos

    1. Gêneros textuais.

    2. Paragrafação, períodos argumentativos

    3. Textos práticos: carta, notícia, paródia, relatório, resumo, provérbio...

    4. Recursos coesivos

    5. Textos argumentativos/persuasivos




  1. Prática da Reflexão ou Análise Linguística

    1. Origens da Língua Portuguesa e desdobramentos no território lusófono.

    2. Estrutura textual: morfologia- estrutura e formação das palavras; classes de palavras: substantivo, adjetivo, artigo, numeral; sintaxe: frase, oração, período.

    3. Controle da norma padrão: fonética – letra, fonemas, sílaba, tonicidade; acentuação gráfica; ortografia; significado das palavras; homônimos e parônimos

    4. Domínio dos recursos expressivos:

  • Ciência da linguagem: língua, linguagem, discurso, contexto, interlocutor, enunciado e enunciação.

  • Figuras de linguagem

  • Contribuições dos afrodescendentes e demais nacionalidades (empréstimos linguísticos, música, religião, costumes, etc)


4. Concepções Teóricas e Práticas da Literatura

4.1 Conceito de Literatura

4.2 Linguagem literária: verso e prosa

4.3 Gêneros e estilos literários

4.4 Contextualização literária: Idade Média- Trovadorismo, Humanismo/Era Clássica: Classicismo Português

4.5 Manifestações literárias em Portugal

4.6 Literatura de Informação

4.7 Literatura Barroca

4.8 Literatura Árcade

4.9 Literatura de origem africana em Língua Portuguesa e de autoria de brasileiros afro-descendentes. diversos: contos, crônicas, romances, poesias



4.10 Leitura de autores diversos: contos, crônicas, romances, poesias.


  • 2ª SÉRIE

  1. Prática de Leitura e Interpretação

    1. Idéia central e informações implícitas do texto

    2. Reelaboração de idéias com pontos de vistas diferentes

    3. Debates relacionados à realidade dos jovens em fase de formação e transformação, subsidiando-os para a escrita, pesquisa e apresentação de seminários

    4. O sentido lógico e o sentido abstrato das palavras




  1. Prática de Produção de Texto

    1. Gêneros textuais

    2. Textos práticos: carta, notícia, paródia, relatório, resumo, provérbio, informativo, publicitário

    3. Marcas da oralidade

    4. Qualidade do texto: coesão, coerência

    5. Retextualização (oralidade/escrita formal)




  1. Prática de Reflexão da Língua (Análise Linguística)

    1. Norma culta: acentuação gráfica, ortografia, pontuação, concordância

    2. Classe de palavras: verbo, pronome, advérbio, preposição, interjeição

    3. Sintaxe- Termos da oração




  1. Concepções Teóricas e Práticas da Literatura

    1. Contextualização literária (revisão)

    2. Romantismo

    3. Poesia e prosa romântica

    4. Realismo (transição)

    5. Realismo e naturalismo

    6. Parnasianismo

    7. Simbolismo

    8. Literatura de origem africana em Língua Portuguesa e de autoria de brasileiros afro-descendentes

    9. Leitura de autores diversos



  • 3ª SÉRIE

  1. Prática de Leitura e Interpretação

    1. Seleção, organização e análise de argumentos

    2. Debates utilizando conhecimentos e informações de diferentes áreas e indicação de soluções que conciliem interesses e necessidades de toda humanidade

    3. Intenção textual

    4. Reelaboração de idéias com pontos de vistas diferentes, considerando a articulação temática, associações lexicais ou estilísticas




  1. Prática de Produção de Texto

    1. Texto dissertativo, expositivo ou polêmico

    2. Carta argumentativa e persuasiva: e-mail e anexos

    3. Artigo de opinião/resenha crítica/sinopse/relatório

    4. Redação a partir de coletâneas de textos

    5. Padrões de aceitação: nível de conteúdos, nível estrutural, nível expressivo

  2. Prática de reflexão da Língua

    1. Norma culta: acentuação gráfica, crase, ortografia, pontuação, ortoepia e prosódia

    2. Classe de palavras: conjunção (revisão das demais)

    3. Concordância verbal e nominal

    4. Regência verbal e nominal

    5. Uso dos pronomes oblíquos

    6. Sintaxe: coordenação e subordinação




  1. Concepções teóricas e práticas da literatura

    1. Revisão dos séculos de XV a XIX

    2. Pré-Modernismo

    3. Vanguardas européias

    4. Modernismo: verso e prosa(1ª, 2ª e 3ª fase)

    5. Literatura de origem africana em Língua Portuguesa e de autores brasileiros afr-descendentes

    6. Leitura de autores modernos e contemporâneos



  • 4ª SÉRIE

1. Prática de Leitura e Interpretação

    1. Seleção, organização e análise de argumentos

    2. Debates utilizando conhecimentos e informações de diferentes áreas e indicação de soluções que conciliem interesses e necessidades de toda humanidade

    3. Intenção textual

    4. Reelaboração de idéias com pontos de vistas diferentes, considerando a articulação temática, associações lexicais ou estilísticas




  1. Prática de Produção de Texto

    1. Texto dissertativo, expositivo ou polêmico

    2. Carta argumentativa e persuasiva

    3. Artigo de opinião/resenha crítica/sinopse/relatório

    4. Redação a partir de coletâneas de textos

    5. Padrões de aceitação: nível de conteúdos, nível estrutural, nível expressivo




  1. Prática de Reflexão da Língua

    1. Norma culta: acentuação, ortografia, pontuação, concordância verbal e nominal, regência verbal e nominal, fonética, morfologia, sintaxe

    2. Morfossintaxe: que e se

  2. Concepções Teóricas e Práticas da Literatura

    1. Contextualização Literária - século XV ao XX

    2. Obras e autores contemporâneos (brasileiros, portugueses, africanos)



Observações:

  1. Na relação de conteúdos foram relacionados os eixos norteadores. Sabemos que o fator, ler e escrever constituem o próprio conteúdo da língua, sendo assim não poderiam ser fragmentados em séries, no entanto, para efeitos puramente didáticos optamos por organizar os conteúdos e estabelecer momentos para se enfatizar este ou aquele item da proposta curricular.

  2. Farão parte do currículo as atividades complementares: palestras, concursos, desfiles, jogos, exposições, projetos específicos e interdisciplinares.


Relação de leituras: gênero lírico, épico e dramático

  • Coletânea de poemas de diferentes autores e momentos literários.

  • Odisséia, Homero.

  • Os Lusíadas, Camões.

  • Morte e vida severina, João Cabral de Mello Neto.

  • Senhora, José de Alencar.

  • Iracema, José de Alencar.

  • A Moreninha, Joaquim Manuel de Macedo.

  • O Seminarista, Bernardo Guimarães.

  • Dom Casmurro, Machado de Assis.

  • Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis.

  • Quincas Borba, Machado de Assis.

  • O Cortiço, Aluísio Azevedo.

  • Triste Fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto.

  • Vidas Secas, Graciliano Ramos.

  • São Bernardo, Graciliano Ramos.

  • Fogo Morto, José Lins do Rego.

  • Laços de Família, Clarice Lispector.

  • Terras do sem fim, Jorge Amado.

  • Capitães da Areia, Jorge Amado.

  • O Vampiro de Curitiba, Dalton Trevisan.

  • A Escrava Izaura – Bernardo Guimarães

  • A cabana do pai Thomaz – Harriet Elizabeth Stowe

  • A canção de Salomão e O olho mais azul - Toni Morrison

  • Casa Grande e Senzala – Gilberto Freyre

  • Acervo da Biblioteca do Ensino Médio- Programa Venha Ler.

  • Acervo Complementar- Biblioteca do Ensino Médio.

Encaminhamento Metodológico


A oralidade: a escola tem agido, tradicionalmente, como se a escrita fosse a língua, ou como se todos os que ingressam na escola falassem da mesma forma. Na escola, nossa racionalidade se exercita com a escrita, desconsiderando a oralidade como se no discurso oral inexistisse esta racionalidade. O fato de a oralidade ter uma característica fugidia, leva a não se perceber que, ao contrário de ser não é simplória, mas que realiza operações lingüísticas bastante complexas, utilizando-se de meios como a entonação, por exemplo.

O fosso entre a escrita e a oralidade precisa ser superado e, nessa perspectiva, é necessária a compreensão da vinculação histórica entre escrita e poder, tendo em vista, entre outros fatores, a possibilidade de acúmulo de informações e conhecimento.

As possibilidades de trabalho com a oralidade são muito ricas e nos apontam diferentes caminhos: debates, discussões, transmissão de informações, exposição individual, contação de histórias, declamação de poemas, representação teatral, etc. Além disso, podemos analisar a linguagem em uso, em programas de televisivos como jornais, novelas, propagandas; em programas radiofônicos, no discurso privado, na literatura oral, enfim, nas mais diversas realizações do discurso oral. Comparar as estratégias específicas da oralidade e as estratégias da escrita são componentes da tarefa de ensinar nossos alunos e sentirem-se bem para expressarem suas idéias com segurança e fluência, nos diferentes contextos de sua inserção social.

Leitura: a leitura, aqui, compreende o contato do aluno com uma ampla variedade de textos, produzidos numa igualmente ampla variedade de práticas sociais; o desenvolvimento de uma atividade crítica de leitura, que leve o aluno a perceber o sujeito presente nos textos; o desenvolvimento de uma atitude responsiva diante dos textos. Assim, compreendemos o ato de ler como o de familiarizar-se com diferentes textos produzidos em diferentes práticas sociais – notícias, crônicas, piadas, poemas, artigos científicos, ensaios, reportagens, propagandas, informações, charges, romances, contos, etc., percebendo em cada texto a presença de um sujeito histórico, de uma intenção, Se nosso trabalho central são os textos verbais, contemplando o que se falou acima sobre o multiletramento.

Escrita: a escrita, enquanto prática de linguagem, é prática sociointeracional. E capacidade de escrita, criatividade e outros fatores comumente relacionados ao ato de escrever, só aprendemos quando a praticamos em suas diferentes modalidades genéricas. Isto significa, como já se disse a respeito da leitura, o contato do aluno com a produção escrita de diferentes tipos de texto, a partir das experiências sociais que todos nós vivemos tanto pessoalmente quanto profissionalmente. O exercício da escrita, da produção textual deve levar em conta relação pragmática entre o uso e o aprendizado da língua; percebendo o texto como elo de interação social e os gêneros como construções coletivas.

Na articulação destes três conteúdos – ou práticas – estruturantes, estão os gêneros do discurso e a reflexão sobre a linguagem, as operações com a língua a serem realizadas pelos alunos. Esta reflexão tanto vai abordar as variações lingüísticas que caracterizam a linguagem na manifestação verbal dos diferentes grupos sociais dos falantes, como possibilitará aos alunos a reflexão sobre a organização estrutural da linguagem verbal, num caminho que, difere das práticas normativistas tradicionais.

No entanto a escola precisa encontrar um caminho alternativo para lidar com a questão gramatical, um caminho que não ponha a gramática no centro do ensino, mas que não deixe de oferecer ao aluno a oportunidade de refletir sobre a organização estrutural da linguagem verbal, onde os tópicos sejam desenvolvidos sempre subordinados ao domínio das atividades de fala e escrita, isto é, sejam sempre pensados por um critério de efetiva relevância funcional.

O professor deve, também, demonstrar o trabalho literário existente por trás dos textos, contribuindo assim para desfazer o mito do escritor como alguém superior em relação ao mundo dos homens ditos normais.

As aulas de literatura, embora tenham um curso planejado pelo professor, estarão abertas a mudanças súbitas do seu rumo, atendo às relações textuais por eles estabelecidos. Assim ela partirá dos textos selecionados que colocará o aluno em face de textos sugeridos pelos alunos (a lembrança de um filme, de uma música, de outras leituras relacionadas, mesmo a lembrança de fatos vividos ou a produção do próprio aluno) como ponto de lançamento para a leitura de outros textos num contínuo texto puxa texto que leve o aluno à reflexão, ao aprimoramento de pensar e a um aperfeiçoamento no manejo que ele terá de suas habilidades de falantes, leitor e escritor.

O caráter que tem a Língua Portuguesa como suporte para a construção dos conhecimentos nos outros domínios do saber coloca o professor desta disciplina numa posição privilegiada entre os diferentes campos da ciência e das artes, tornando-o um alavancador potencial de relações interdisciplinares, como já se disse acima. Neste aspecto peculiar, o professor de Português pode e deve ampliar o potencial expressivo dos seus alunos, ajudando-os a entender e a construir as funções inerentes a cada ciência ou os perceptos e afetos inerentes à criação artística.

Enfim, o professor de Língua Portuguesa e Literatura do Ensino Médio, será capaz de se valer de todos os meios de que dispõe para, ao aperfeiçoar a expressão e a compreensão dos seus alunos nos níveis da oralidade, leitura e escrita, fazer com que o pensamento prolifere, permitindo que os alunos façam suas próprias escolhas ante as oportunidades que a vida colocar na sua frente e assim possam caminhar de maneira autônoma.

Um professor de Língua Portuguesa e Literatura educa para a criatividade. Um professor de Língua Portuguesa e Literatura educa para a liberdade.

Sabemos, que o objetivo maior do Ensino Médio é formar o leitor crítico, capaz de discriminar intenções e assumir atitudes ante o texto com independência. Para tanto alguns princípios básicos norteiam o ensino de Língua Portuguesa e Literatura: o atendimento aos interesses do leitor; a provocação de novos interesses, que lhe agucem o senso crítico e a preservação do caráter lúcido do jogo literário.

Na área educacional, lugar privilegiado de aprimoramento da cidadania e da personalidade, é onde a maior diversidade deve ocorrer, não se pode conceber a uniformidade de posições nem quanto a conteúdos nem quanto a métodos de trabalho.

Dentro da especificidade do professor, ele organizará a situação de aprendizagem ocupando à sua função de orientador do processo educacional.

Os conteúdos estruturantes contemplarão na forma de pesquisas, análises, leituras...as questões ligadas à cultura e História Afro-Brasileira e Africana como questão que contempla a educação para a pluralidade e a diversidade da nação brasileira.

A concepção de educação que ora defendemos está ligada à noção de transformação sócio-cultural que só se viabiliza através de um ensino eminentemente voltado para a realidade do aluno e que deseja alcançar, como dividendo final, uma postura crítica ante o mundo e a práxis social. Toda a atividade de Língua Portuguesa e Literatura deve em conseqüência dessas premissas, resultar num fazer transformador: numa leitura em que o aluno descobre sentidos e reelabora aquilo que é e o que pode ser.

Critérios de Avaliação


Uma concepção diferente de linguagem e do ensino de português; práticas metodológicas renovadas, tudo isso implica alteração nos critérios e instrumentos de avaliação.

A avaliação mais condizente com os fundamentos da presente proposta é aquela que se dá contínua e acumulativamente, já que não se pode fragmentar (dividir em rígidas gavetas), o processo de domínio das práticas sócio verbais, o qual envolve tempo e diversidade de práticas para se concretizar, além de nunca resultar de mera exposição do aluno a conteúdos pré-formados.

Essa perspectiva de avaliação costuma perturbar o formalismo das rotinas escolares. Logo se começa a dizer que agora vale tudo; que não se cobra nada; o que é evidentemente uma distorção (mal intencionada) do princípio da avaliação contínua.

A avaliação pressupõe, então, uma clara articulação entre objetivos, práticas metodológicas e instrumentos, articulação que deve estar clara não só pare o professor, mas também para o conjunto da turma, lembrando que uma das metas de nossa ação pedagógica é viabilizar a autonomia de quem aprende, garantida, entre outros fatores, pela interiorização de parâmetros de monitoração das próprias ações. Nesse sentido, a avaliação deve ter uma clara função formativa.

Por outro lado, costuma-se dizer que tal forma de avaliação é impraticável nas atuais condições, com o professor tendo número excessivo de aulas e de alunos por turma. As formas de conviver com essa realidade (enquanto não se puder mudá-la) e, ao mesmo tempo, de não trair concepções gerais e opções de princípios depende novamente de ações coletivas, de partilha de informações.

Por último, não se pode esquecer que as atividades de avaliação não se esgotam em sim mesmas: elas não servem apenas para cumprir calendário e para dar nota. Elas têm de ser vistas como uma reflexão sobre o processo de ensino e seus resultados, não só para verificar o desenvolvimento do aluno, mas principalmente para verificar o rendimento das práticas docentes. Nesse sentido, a avaliação deve subsidiar o professor para eventuais ajustes na programação e no encaminhamento pedagógico de certo tema ou de certa prática.

As obrigações de calendário (provas mensais ou bimestrais) podem ser cumpridas sem prejuízo da filosofia de avaliação que acabamos de delinear. As provas podem perfeitamente se centrar na leitura de textos e na resolução de questões de compreensão e/ou breve atividade de escrita, de análise e reflexão da língua.

Forma, Critérios e Metodologia de Avaliação
A prática de leitura será avaliada sob a ótica das Diretrizes Curriculares Estaduais (DCEs) como ato concreto, diálogo entre leitor e obra sendo consideradas para isso dissertações orais e escritas sobre os gêneros lidos.

As práticas de escrita permanecerão todo o processo de ensino-aprendizagem com produções que considerem a evolução do aluno e seu domínio dos recursos que compõem forma e conteúdo.

A oralidade é sem dúvida conteúdo estruturante complexo quando falamos em avaliação. Seguindo a orientação de Irandé Antunes (2005) e a teoria bakhtiniana oportunizar momentos para que o educando dialogue em sala em atividades de organização do discurso, das idéias suas e de outros, dos recursos da Língua Portuguesa e suas linguagens é caminho coerente.

Porém afirmamos que as nova teorias do discurso não prevêem a compartimentação de leitura, oralidade e escrita porque há dependência entre os três conteúdos. O que exige que o educador avalie continuamente o educando, observando seu crescimento intelectual.


A avaliação será diagnóstica, formativa e somativa, priorizará a qualidade e o processo de aprendizagem, ou seja, o desempenho do aluno ao longo do ano letivo(Lei 9394/96), considerando a capacidade de observar, interpretar o conteúdo estudado através de comparações com a realidade, estabelecendo relações e criando, a partir da teoria, alternativas de soluções para sua prática cotidiana.

As notas serão semestrais com aprovação e reprovação no final do ano letivo. Nota mínima 6.0(seis), conforme resolução 3794/04 de 23/12/04 na escala de 0 a 10.0

Instrumentos: leitura (compreensão, opinião, análise, síntese crítica); produção de texto; provas subjetivas e objetivas; atividades(individual e ou em dupla); observação(avaliação sócio-afetiva); participação (atividades complementares do currículo) e projetos interdisciplinares.
Estudos de recuperação
Para os alunos de baixo rendimento serão proporcionados estudos de recuperação paralela através de atividades extraclasse: leituras, resumos, produções, interpretações, exercícios linguísticos, explicações sobre os acertos e erros das provas e atividades, reelaboração das atividades e reescrita de textos, com reavaliação, se necessário, no mesmo período letivo.

Caso o aluno não obtenha a nota mínima de aprovação em até duas disciplinas, será proporcionado nova oportunidade, em período não letivo, considerando:



  • Seleção de conteúdos da disciplina;

  • itens para estudos e leituras;

  • atividades complementares;

  • atendimento individual, se solicitado.



Referências Bibliográficas
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BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
BARTHES, Roland. Aula. In: Aula: aula inaugural da cadeira de Semiologia Literária do Colégio de França. São Paulo: Cultrix, 2004.
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BRASIL/MEC/SEMTEC. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília, 1999.
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PEREIRA, Gil Carlos. A palavra: expressão e criatividade. São Paulo: Moderna, 1997.
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