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LUCIANO REIS

Personalidades

Artísticas

Século XX

1º Volume


Fonte da Palavra

À memória de Maria Helena Reis

e a todos aqueles que amam as

Artes do Espectaculo

PREFÁCIO


UMA NOVA VISÃO DA HISTORIOGRAFIA

A "Enciclopédia - Personalidades Artísticas" de Luciano Reis, no carácter exaustivo da sua elaboração, configura uma nova abordagem da Historiografia do Teatro Português, mais adequada à própria realidade do seu objecto artístico e científico. Quer isto dizer que se assume, nesta obra, uma visão integral do fenómeno teatral para lá, portanto, da matriz iniciática da literatura dramática em si mesma considerada e tantas vezes delimitada. Por outras palavras, a tradição portuguesa de estudos de História do Teatro, para além de relativamente recente e escassa nas suas manifestações concretas, concentra-se predominantemente, para não dizer quase exclusivamente, na dimensão do texto dramático em si. É evidente que esse texto dramático, pela vocação para a realização através dos corpos e das vozes dos actores, se identifica desde logo com uma potencialidade da arte do espectáculo. E se não cumpre essas características dinâmicas, se se realizar fora da capacidade e da obrigatoriedade estética do espectáculo, pode ser literatura, poesia, prosa dialogada de melhor ou menor qualidade - mas teatro, só o será quando for concretizado no quadro do espectáculo. E já agora - espectáculo sem texto também não é teatro, independentemente da qualidade estética da manifestação em si.


Ora, o que tem ocorrido, desde Teófilo Braga até aos nossos dias - e nessa lista, aliás escassa, eu próprio me incluo, com muita honra mas noção exacta das limitações - é uma concentração de estudos, preponderantemente na Literatura Dramática, com menor atenção às componentes do espectáculo. Claro que as Histórias gerais ou sectoriais do Teatro também referem os aspectos a juzante, mas, insista-se, com menor incidência. Algumas excepções que se vão assinalando, são exactamente excepções mesmo quando indiciem uma nova visão da realidade histórica subjacente. Cito, a propósito, o projecto de História desenvolvido pelo Museu Nacional do Teatro, com estudos de autores diversos, algumas obras avulsas sobre Teatros ou companhias, as Memórias de actores, alguns textos vindos das Universidades, ou investigações sobre Ópera. Tudo somado é pouco.
A Enciclopédia que agora se edita, corresponde a uma visão integral da arte do Teatro - espectáculo, vista na contemporaneidade do universo seleccionado e na perspectiva de uma abrangência praticamente exaustiva da componente espectacular, usando agora o termo no sentido literal e no sentido figurado. Literal porque estes nomes são precisamente, nomes do espectáculo e figurado, porque a Enciclopédia constitui em si mesma um impressionante documento de pesquisa histórica e biográfica e um instrumento de trabalho extremamente abrangente, até porque integra autores, músicos, actores, cantores, bailarinos - em suma, todos os que fazem Teatro e, como tal, fazem Espectáculo!

Duarte Ivo Cruz

INTRODUÇÃO

Desde os dezasseis anos que me interesso pelo universo teatral.

O primeiro passo foi ver peças de teatro e, depois, querer saber coisas sobre quem escreve, quem representa e quem ajuda na construção técnica de um espectáculo.

Logo no início do curso de Formação de Actores, pela Escola Superior de Teatro e Cinema, em 1977, comecei a adquirir obras de referência, como dicionários, enciclopédias, monografias, revistas e jornais, e outro material documental, por forma a enriquecer a criação de uma biblioteca específica. Surge, depois, uma fase de pesquisa e consulta em vários arquivos e bibliotecas institucionais, como no Teatro Nacional D. Maria II, Sociedade Portuguesa de Autores, Escola Superior de Teatro e Cinema e Museu Nacional do Teatro.

A ideia desta obra nasceu, portanto, há muitos anos, talvez por 1978 e o seu leit-motiv é a carência de um trabalho desta envergadura.

Depois de 30 anos de pesquisa continuam, deparei-me com o problema de decidir como apresentar a estrutura da obra. Escolhi, pois, a época contemporânea, por ser a que nos é mais próxima, fechando-a no séc. XX. Para tanto, termina o trabalho com as figuras cujo óbito decorreu até finais do século passado.

Assim, esta obra incluirá as biografias de 843 personalidades directa ou indirectamente ligadas ao teatro português. Apresentar-se-á em 3 volumes e incluirá um registo de cerca de 920 imagens.

Espero que os leitores se sintam estimulados por esta enciclopédia, quer seja como objecto de estudo – como, por exemplo, no curso de alunos de teatro -, quer ainda como ferramenta de consulta. Espero, ainda, corresponder às expectativas criadas aos futuros leitores, colocando-me desde já à v/ disposição para recolher as sugestões, informações, críticas e/ou correcção ou adição de dados que certamente me terão escapado, dada a envergadura da obra. E por ser minha convicção de que em Portugal nenhuma outra do género terá sido publicada, tratei esta “história da cultura teatral”, com um carinho especial pensando, assim, estar a contribuir para ampliar e melhorar o nível de conhecimento que dela temos.

Dentro deste propósito, desde já anuncio o meu projecto de publicar oportunamente um volume de biografias de personalidades teatrais do séc. XXI.

Luciano Reis

A., Ruben
Ruben Alfredo Anderson Leitão, nome literário de A. Ruben, nasceu em Lisboa em 1920 e faleceu em Londres em 1975.

Romancista e memoralista, a obra de A., Ruben gravita na órbita do surrealismo. A sua permanência em Londres como professor de cultura portuguesa no “King’s College” fez-lhe despertar o interesse para o teatro, pondo em cena textos de Gil Vicente e Miguel Torres no âmbito universitário.

Para além de um breve apontamento dramático, O Fim de Orestes, datado de 1963, publicou nesse mesmo ano a peça em 2 actos e 4 quadros Júlia, notando-se nessa obra influência do modernismo no teatro inglês em geral e de T. S. Eliot em particular, segundo a análise de Maria Lúcia Lepecki.

Deixou inédita uma peça em 1 acto, Triângulo, e outra em 7 cenas, intitulada Relatos 1453, gravada de improviso, em fita magnética, no ano de 1965.


ABELHO, Joaquim Azinhal
O escritor Joaquim Azinhal Abelho nasceu em Orada, Borba, em 1916 e faleceu em Lisboa, a 20 de Janeiro de 1979.

Formou-se na Faculdade de Letras de Lisboa. Foi poeta de raiz popular e cineasta de feição regionalista. Dedicou-se também à ficção de cunho ruralista e ao estudo do teatro popular. Neste campo publicou seis volumes, através da Editora Pax: Teatro Popular Português (Trás-os-Montes I); Teatro Popular Português (Trás-os-MontesII); Teatro Popular Português (Entre-Douro-E-Minho, III); Teatro Popular Português (Entre-Douro-E-Tejo, IV; Teatro Popular Português (Lisboa e Seus Termos, V); Teatro Popular Português (Ao Sul do Tejo, VI). Publicou também: Auto de Alvura, 1944; Glória ao Deus Menino, 1965 e o drama pós-romântico Na Paz das Herdades, representado pela companhia do actor Alves da Cunha numa digressão pela província. Para o Teatro d’Arte de Lisboa, que fundou em 1955 com Orlando Vitorino, e em colaboração com este, traduziu obras de Grabiam, Greene, A Casa dos Vivos; de Frederico Garcia Lorca, Yerma e de Tchekov, As Três Irmãs.

O seu volume de poemas Solidão…Ai Dão, Confidências de Um Rapaz, obteve em 1936 o Prémio Antero de Quental. Com o filme Alentejo não Tem Sombra recebeu o Prémio Paz dos Reis. Publicou contos, novelas, memórias, peças de teatro, ensaios e histórias populares.


ABRANCHES, Adelina
Margarida Adelina Abranches, nome artístico Adelina Abranches, nasceu em Lisboa, no dia 15 de Agosto de 1866 e veio a faleceu nesta cidade, a 21 de Novembro de 1945.

Com apenas cinco anos de idade deixa-se seduzir pelo Teatro e estreia-se na comédia, Os Meninos Grandes, a 10 de Janeiro de 1872, no Teatro D. Maria II, peça ensaiada pelo mestre José Carlos Santos. Já antes disso tinha tido uma pequena experiência numa peça de Carnaval, intitulada Seis Vinténs Por Cabeça, uma espécie de sátira politica onde intervinham alguns miúdos. Dentre eles, Adelina fazia um “travesti”, género que viria a repetir várias vezes ao longo da sua carreira artística.

Adelina sempre se caracterizou pela sua irreverência, e não satisfeita com os pequenos papéis que lhe eram atribuídos, metia muitas “buchas” para, assim, valorizar as suas interpretações. O seu trabalho foi, logo no início de carreira, notado por alguns empresários da época e isso valeu-lhe alguma disputa.

Adelina matriculou-se no Conservatório Nacional quando tinha apenas 11 anos de idade, mas o seu carácter indisciplinado e rebelde, dificultava-lhe a sujeição às regras ali impostas e, por isso, viria a desistir pouco tempo depois. A sua verdadeira formação passou a ser o contacto com grandes figuras do teatro daquela época, principalmente quando foi trabalhar para o Teatro D. Amélia, em 1902, na empresa “Rosas e Brasão”.

Aos 23 anos casa-se com Luís Ruas, filho do então empresário Francisco Ruas, do qual teve dois filhos, Aura e Alfredo, que seguiram a profissão da mãe.

Ao longo da sua vida representou centenas de peças, todas de assinalável êxito, em Portugal e no Brasil, e até arrojadas para a sua época.

Também nos presenteou com papéis de relevo no cinema, nos filmes de Leitão de Barros, Maria do Mar e Lisboa, realizados em 1930 e na Rosa do Adro, filme de Chianca de Garcia, com realização do ano de 1938.

Franzina de corpo, mas grande na sua condição de artista, foi considerada uma das maiores actrizes no panorama teatral português do seu tempo. Mesmo vivendo numa época em que o cinema, o box, e o futebol, ocuparam as principais atenções da multidão, Adelina Abranches conseguiu ser, ainda assim, um caso de excepcional talento e admiração. Talento esse, maleável e fulgurante pôde demonstrar grandeza nos papéis que lhe foram atribuídos.

Percorreu quase todos os teatros de Lisboa: esteve no Variedades, no Luís de Camões, em Belém, Teatro do Rato, Teatro da Trindade, Chalet da Rua dos Condes, Teatro Dona Amélia, Teatro do Príncipe Real (depois Teatro Apolo) e Teatro Nacional D. Maria II, tendo representado todos os géneros teatrais.

Terminou a carreira no mesmo teatro onde alcançou os seus maiores êxitos, Teatro do Príncipe Real, na temporada de 1941-1942, então no espaço já designado de Teatro Apolo. Aí representou o seu último sucesso, com a peça, A Formiga, da autoria de Alfonso Torrado.

Foi distinguida com a Ordem de Santiago e com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa.

Em resumo no seu percurso artístico participou das seguintes produções teatrais:



Os Meninos Grandes, de Enrique Gaspar, 1872; A Revista de 1878; Gaiato de Lisboa, de Bayard, 1882; A Pérola, de Marcelino de Mesquita, 1885; Rosa Enjeitada, de D. João da Câmara, 1901; À Procura do Badalo, revista de Baptista Dinis 1902; Ressurreição, de Leon Tolstoi, 1903; O Segredo de Polichinelo, de Peter Wolff, 1904; A Cruz da Esmola, de Eduardo Schwalbach, 1904/5; O Avô, de Galdós, 1905; Missa Nova, de Bento Faria, 1905 e Oresteia, de Ésquilo, em teatro de Ar Livre; Afonso de Albuquerque, de Henrique Lopes de Mendonça, 1906; As Pupilas do Senhor Reitor, de Ernesto Biester, drama extraído do romance de Júlio Dinis, 1909; Num Rufo, revista de Machado Correia, 1911; Uma Anedota, de Marcelino de Mesquita; O Grande Amor, de Niccodemi, 1920; O Lodo, de Alfredo Cortez, 1923; Fogo Sagrado, de Eduardo Schwalbach, 1924; Justiça, de Ramada Curto, 1924; A Taberna, de Zola, 1925; Auto das Barcas e Pranto de Maria Parda, de Gil Vicente; O Gebo e a Sombra, de Raul Brandão, 1926; Rosas de Portugal, revista de Silva Tavares, A. Carneiro, Feliciano Santos e José Clímaco, 1927; O Domador de Sogras, de O. Schwartz e G. Lenbach, 1928; Feira da Luz, revista de Félix Bermudes, João Bastos e Pereira Coelho, 1930; A Bisbilhoteira, de Eduardo Schwalbach, 1934; Tá-Mar, de Alfredo Cortez, 1936 e A Formiga, de Afonso Torrado 1941/2.

ABRANCHES, Aura
Aura Abranches nasceu em Lisboa no dia 9 de Maio de 1896 onde veio a falecer a 22 de Março de 1962.

Filha da actriz Adelina Abranches, seria com esta que viria a estrear-se aos 12 anos de idade, no Teatro D. Maria II, na peça em 1 acto Zefa, de autoria de Maximiliano de Azevedo.

Em 1911, numa adaptação de Coelho de Carvalho, fez uma experiência de teatro ao ar livre, designada de Teatro da Natureza, onde interpretou o Corifeu, de Orestes. Esta iniciativa levada a cabo pelo actor Alexandre de Azevedo, teve lugar no Jardim da Estrela.

Em 1913 foi ao Brasil com a mãe, onde obteve o seu primeiro êxito, na peça, Menina de Chocolate, de Gavault. Seguem-se outros êxitos, como no ano seguinte no Teatro Politeama com A Garota. Nesse mesmo teatro, em 1917, fez o papel principal de Blanchette, ao lado do actor Chaby Pinheiro.

Com a comédia O Conde Barão, que foi à cena 100 vezes em 1918, de autoria da parceria Ernesto Rodrigues, Félix Bermudes e João Bastos, Aura Abranches alcança outro enorme êxito, num elenco onde figurava também Chaby Pinheiro, Jesuína de Chaby, Estêvão Amarante, Luísa Satanela, Hermínia Silva e Araújo Pereira.

Casa-se em 1916 com o actor Pinto Grijó. Em 1921 forma uma companhia com a mãe e o marido.

A sua carreira sofre alguns interregnos e só por volta de 1950 estabiliza quando integra a companhia Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro. Aí recria alguns êxitos interpretados pela mãe e interpreta papéis noutras peças, como Outono em Flor, de Júlio Dantas, e As Meninas da Fonte da Bica, de Ramada Curto.

Aura Abranches também actuou em teatro radiofónico, na antiga Emissora Nacional e na RTP chegou a ter um programa infantil.

A sua paixão passou igualmente pela escrita: traduziu algumas peças e publicou outras de sua autoria, como: Madalena Arrependida, 1922; Aquele Olhar, 1924; Três Cães a um Osso, 1929; Comédia da Vida, 1930, escrita em colaboração com Branca de Gonta; Cinema, 1937; Quantas Vezes a Mãe Canta, escrita com Alice Ogando, 1939. Com Madalena Arrependida, em 1922 estreia em S. Paulo, no Brasil, e no ano seguinte no Teatro Sá da Bandeira no Porto. Coligiu também um volumoso livro de memórias de sua mãe.

Foi comparada pela crítica francesa à actriz italiana Anna Magnani, quando o Teatro Nacional D. Maria II levou à cena em Paris, a peça de Alfredo Cortez, Tá Mar.

Fez ainda cinema, estreando-se no filme de Leitão de Barros Lisboa, crónica anedótica e em O Primo Basílio, na versão de António Lopes Ribeiro, realizada em 1960.

Aura Abranches foi considerada uma artista culta, de grandes qualidades e boa presença.

A sua participação estende-se às seguintes produções teatrais:

Zefa, de M. Azevedo, 1907; Prisão Celular; O Assalto; Esta Mascara; Oresteia, de Ésquilo, 1911; Primerose, de Flers e Caillavet, 1912; Menina de Chocolate, de P. Gavault, 1913 e Madalena Arrependida, de sua autoria; A Garota, de P. Veber e S. Grosse, 1914; Cruz de Clarinha; O Gaiato de Lisboa, de Bayard; Blanchette, de Brieux, 1917; O Conde Barão, 1918; O Modelo; Eva, de Paulo Barreto (João do Rio), 1919; Alma Forte, de Niccodemi, 1919; O Grande Amor e A Migalha, também de Niccodemi, 1920; A Caminho do Sol, de Niccodemi, 1921; Fogo Sagrado, de Eduardo Schwalbach, 1924; O Feitiço, de Oduvaldo Viana, 1932; A Senhora das Brancas Mãos, de A. Casona, 1950; As Meninas da Fonte da Bica, de Ramada Curto, 1950; Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, 1952; O Senhor Roubado, de Chagas Roquette, 1953; Tá-Mar, de Alfredo Cortez, 1955; Para cada um sua verdade, de Pirandello, 1955; Bruxas de Salém, de Arthur Miller, 1957; Maribel e a Estranha Família, de M. Mihura, 1960; O Pranto de Maria Parda, de Gil Vicente 1961.

No teatro de revista, integrou a remodelação da revista Sardinha Assada, de Aníbal Nazaré, M. Marques, Amadeu do Vale e Santos Carvalho, 1935.

No cinema, participou nos filmes: Lisboa, crónica anedótica, de Leitão de Barros, 1930; Rosa de Alfama, de Henrique de Campos, 1953; e O Primo Basílio, de Afonso Lopes Ribeiro, 1960.

ABREU, Carlos
Carlos de Oliveira Abreu nasceu em Lisboa em 10 de Janeiro de 1888, onde faleceu a 23 de Junho de 1932.

Filho de pais brasileiros, foi no Brasil que iniciou a carreira de actor, em 1911.

Durante várias temporadas, a partir de 1921, trabalhou em Portugal, integrado nas companhias dos actores Chaby Pinheiro e Alves da Cunha. Com Mário Duarte traduziu as peças italianas: Triste Amor, de Giacosa e O Antepassado, de C. Veneziani, esta representada no Teatro Nacional D. Maria II.

Com a sua mulher, Maria de Sottomayor e Abreu traduziu as comédias francesas de P. Géraldy e R. Spitzers, Se eu Quisesse e Meu Marido. É também de sua autoria a tradução da comédia de Shaw O Homem do Destino, representada no Teatro Politeama em 1927.




ABREU, Pepita de
A actriz Pepita de Abreu nasceu em 1889 e faleceu no ano de 1962.

Estreou-se no Teatro da Rua dos Condes, numa revista de autoria de Sousa Bastos, com música de Rio de Carvalho, intitulada Fim de Século. Na estreia entrava pelo palco adentro, montada numa bicicleta, a cantar e que o público fazia bisar e trisar, sob a influência carinhosa de uma desconhecida manifestação de pasmo.

Depois desta estreia Pepita nunca mais parou de representar, ao mesmo tempo que ia estudando. Representou nos teatros de Lisboa, Porto, Ilhas e Brasil, muitas peças que foram estrondosos êxitos, como: Cigana, Cega, Cigarra, Piratas da Savana, Voluntário de Cuba, Ano em Três Dias, Flor do Tojo, Noite de Núpcias, Testamento da Velha, Dragões de El-Rei, Filha do Ar e Semana de Nove Dias.

Entrou também na última revista escrita por Sousa Bastos em 1909, intitulada A Nove, levada à cena no Teatro Avenida. A música foi de Assis Pacheco e Del Negro.



ABREU, Solano de
Francisco Eduardo Solano de Abreu, nome artístico Solano de Abreu, nasceu em Abrantes em 1858 onde faleceu no ano de 1941.

É autor de uma revista académica intitulada O País das Arrufadas, levada à cena em Coimbra no ano de 1882, bem como das peças: Madrugada Redentora, em 1 acto, escrita em 1909; Do Alto da Cruz, 1924; O Espectro e Irmã da Caridade.


ABREU, Vasconcelos
O escritor Guilherme Augusto de Vasconcelos Abreu, nome artístico Vasconcelos Abreu, nasceu em 1842 e faleceu no ano de 1906.

Tendo estudado no estrangeiro, com os mais destacados professores e frequentado vário cursos, foi nomeado lente da cadeira de Língua e Literatura Sânscrita, Clássica e Védica no Curso Superior de Letras, vindo depois a representar Portugal em vários congressos internacionais, destacando-se a tal ponto, que lhe originou, em 1875, as palmas de oficial da Academia de Paris, de cujo Congresso de Ciências Geográficas, naquele ano, foi um dos Secretários Gerais. Anos depois adquiriu em Londres um dos nove únicos diplomas de honra, dados pelo Congresso Internacional de Orientalistas que ali se reuniu em 1891, que lhe foi conferido pelo seu notável trabalho, intitulado Sumário das investigações em Sânscrito desde 1886 até 1891.

Entre o grande número de obras que escreveu, contam-se: Fragmentos de uma Tentativa de Estudo Escolástico da Epopeia Portuguesa; Passos dos Lusíadas, esboçados à luz da mitologia e do orientalismo; Crestomatia Clássica; Chand-Bibi ou A Sultana Branca do Amenagara, conto indiano; Contos, apólogos e fábulas da Índia, com influência indirecta no Auto de Mofina Mendes, de Gil Vicente – curioso estudo sobre este autor e uma História da Literatura e da Civilização Africana em que punha todo o seu cuidado e saber, mas que ficou, infelizmente, inédita.

Encarregado pelo duque de Ávila de escrever um Curso de Literatura e Língua Sânscrita, Clássica e Védica, traduziu por essa ocasião o primeiro acto do drama Xacuntalá, que foi impresso na Imprensa Nacional em 1878 e do qual se fez uma pequena tiragem em edição de luxo, acompanhada do original em caracteres próprios.



ACÚRSIO, Óscar
O actor Óscar Acúrcio nasceu em Lisboa no dia 7 de Agosto de 1916 e faleceu também nesta cidade, a 11 de Junho de 1990.

Em 1935 iniciou a carreira cinematográfica como assistente de Leitão de Barros no filme As Pupilas do Senhor Reitor. Participou em mais de três dezenas de películas, evidenciando-se principalmente a partir de João Ratão, realizada em 1940 por J. Brum do Canto; Pão Nosso, 1940 de Armando de Miranda; e Ala-Arriba, 1942 de Leitão de Barros. Também actuou sob as ordens de realizadores estrangeiros, como Perla, José Ferrer e Clift Owen, entre outros.

Distinguiu-se sobretudo no teatro de revista.

ADELAIDE, Emília
A actriz Emília Adelaide nasceu numa aldeia próxima de Castelo Branco, no dia 1 de Novembro de 1836 e faleceu em 11 de Setembro de 1905.

Aos 18 anos veio para Lisboa. Estreou-se no Teatro D. Maria II, em 1856, na comédia A Chávena Quebrada.

Foi uma actriz de grande mérito. Trabalhou em muitos teatros de Lisboa, Porto, província e Brasil, onde permaneceu muito tempo. Representou, entre muitas outras, as seguintes peças: Caridade na Sombra, drama de Ernesto Biester; Fidalgos de Bois Doré; Vida Dum Rapaz Pobre; Nobres e Plebeus; Morgadinha de Vale Flor; Judia; Frei Caetano Brandão; Ângelo; Antony; Aventureira; Maria Antonieta; Tartufo; Amor Molhado; Sinos de Corneville; Barba Azul; Fernanda; Fortuna e Trabalho; Homens Ricos e Dama das Camélias.

Estava no apogeu da sua glória quando decidiu formar a sua própria companhia com a qual percorreu as províncias, ilhas e o Brasil. No Rio de Janeiro trabalhou na empresa de Furtado Coelho. Foi acompanhada pelo escritor dramático Ernesto Biester, seu amante durante muitos anos. Teve por lá grandes sucessos, mas não alcançou a fortuna que ambicionava. Quando regressou a Lisboa e foi representar nos teatros dos Recreios e Príncipe Real, deixou o público desapontado. Voltou mais tarde ao Brasil, onde nada mais fez e por lá ficou vivendo da reforma que o governo português lhe concedeu pelos serviços prestados no Teatro Nacional D. Maria.



ADELAIDE, Hermínia
A actriz e empresária Hermínia Adelaide nasceu em Braga e faleceu a 3 de Março de 1923.

Estreou-se no Teatro Príncipe Real em 27 de Setembro de 1874, na empresa de Pinto Bastos, na opereta em 1 acto Amor e Dinheiro, original de Costa Braga, com música de Alvarenga, onde obteve um sucesso formidável. Passou logo para o Teatro da Trindade, onde se estreou no mesmo ano, na opereta Três Dragões, estreada a 10 de Dezembro. No dia 29 do mesmo mês substitui a actriz Ana Pereira e Florinda no Príncipe Encantador da mágica A Gata Borralheira. Fez depois variados papéis em muitas outras produções teatrais, sobressaindo na Filha da Senhora Augot, Duquesinho, Sinos de Corneville, Gata Borralheira, Rouxinol das Salas, Barba Azul, Marselhesa, Fausto e Petiz, Paródia da Lucrécia Borgia, a comédia A Botija, e muitas outras.

Durante cinco anos, Hermínia, que cativara o público com a sua engraçada fisionomia, com a sua desenvoltura, com a sua bela voz, foi o ídolo da plateia do Teatro da Trindade. Partiu para o Rio de Janeiro em 1879 e lá alcançou grande sucesso, que se prolongou até ao momento do abandono de cena, de que esteve retirada muito tempo.

No final da sua vida reapareceu em Lisboa, no Teatro D. Amélia, mas sem conseguir mostrar o seu valor.

Morreu na miséria, no Brasil, albergada pela Casa dos Artistas.

AFONSO, José
O cantor José Afonso nasceu em Aveiro, no dia 2 de Agosto de 1929 e faleceu em Setúbal a 23 de Fevereiro de 1987.

Formou-se em Ciências Histórico - Filosóficas na Universidade de Coimbra, tendo exercido o magistério em diversos estabelecimentos de ensino particulares. É em Coimbra que começa a cantar e a compor. Integra o Orfeão Académico, a Tuna, o Coral de Letras. Tem o seu primeiro casamento, o serviço militar (1953-1955), o nascimento de dois filhos. Apesar de não fazer da canção uma actividade profissional grava alguns discos de baladas, o primeiro datado de 1958 e actua em público, em colectividades, em sessões de índole recreativa e cultural, actividade de militância que fez de José Afonso o primeiro andarilho da canção da resistência.

Parte para Moçambique como professor do ensino oficial (1963-1966), onde lecciona em Lourenço Marques e na Beira. Continua a compor e na Beira tem a sua primeira experiência teatral ao musicar as canções da peça A Excepção e a Regra, de Bertolt Brecht, para o Teatro de Amadores da Beira, dirigido por Cardoso dos Santos. Casa pela segunda vez em 1964. De regresso a Portugal, em 1967, fixa-se em Setúbal onde é professor do liceu. A actividade antifascista de José Afonso começa a ser notória e, para o fascismo, intolerável. É expulso do ensino e sujeito a uma atenta vigilância policial.

A partir de 1969 dedicou-se em exclusivo à actividade musical, como compositor e intérprete. Começa a gravar álbuns com regularidade, sempre com carácter de militância e recusando radicalmente transformar-se em artista de variedades.

O seu nome impôs-se com Baladas e Canções, 1964. A Casa da Imprensa galardoou-o em 1969, 1970 e 1971 como o melhor compositor de música ligeira. A sua canção Grândola, Vila Morena, utilizada como sinal para o arranque da Revolução de 25 de Abril de 1974, tornou-se uma espécie de hino do Movimento das Forças Armadas. Entretanto começa o reconhecimento internacional e José Afonso faz espectáculos em Portugal, em Espanha e em França. Em 1974 e 1975, com a Revolução na ordem do dia, José Afonso desenvolve importante actividade política na extrema-esquerda, intensifica as suas actuações de carácter militante e também os espectáculos no estrangeiro. Em 1976 apoia a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho à Presidência.

Para além dos espectáculos e dos discos, José Afonso teve várias incursões em música para cinema e para teatro, nomeadamente: Zé do Telhado, peça de Hélder Costa com encenação de Augusto Bual, em 1978; e Fernão Mentes?, também de autoria de Hélder Costa com encenação do próprio, levada à cena por A Barraca, em 1981 e As Guerras de Alecrim e Manjerona, de António José da Silva com encenação de João Mota, estreada na Comuna em 1979. Para o cinema fez música para: Continuar a Viver ou Os Índios de Meia-Praia, de António da Cunha Telles, 1975; Antes do Adeus, de Rogério Ceitil, 1977; e fez de actor em Ninguém Duas Vezes, de Jorge Silva Melo, 1983.

A sua discografia comercial é, entre outra: Cantares de Andarilho, 1968; Cantigas do Maio, 1971; Venham Mais Cinco, 1973; Como Se Fora Seu Filho, 1983 e Galinhas do Mato, 1985.

AGUILAR, Eduardo de

Eduardo de Aguilar nasceu no Porto no ano de 1875 e faleceu em Lisboa em 1942.

Jornalista, crítico tauromático, romancista, escreveu para o teatro Uma Noite de Consoada, em prosa rimada, imitada da Ceia dos Cardeais; Juramento de Amor, em verso, 1920; Serenata de Arlequim, também em verso e Lágrimas e Roas, 1921; A Casa em Ruínas, drama em 3 actos, 1921 e O Toque das Trindades.

AIRES, Cristóvão
Cristóvão Aires de Magalhães nasceu em Lisboa, no dia 19 de Dezembro de 1880, onde faleceu a 16 de Janeiro de 1944.

Foi crítico teatral em vários jornais, designadamente no Jornal do Comércio, Novidades, Diário de Notícias e Século.

Colaborou com Matos Sequeira, Pereira Coelho e Vasconcelos e Sá na revista Fogo de Vistas, musicada por Venceslau Pinto e Raul Ferrão, levada à cena no Teatro Avenida em 1933, com a interpretação de Beatriz Costa, Corina Freire, Teresa Gomes, Álvaro de Almeida, Ricardo Santos Carvalho e Erico Braga.

Traduziu as peças O Senhor Sereno, de A. Vély e L. Miral, levada à cena no Teatro Nacional D. Maria II em 1913; O Príncipe João, de C. Méré, em parceria com Acúrsio Pereira, representada no Teatro de S. Carlos em 1925; D. Formiga, dos irmãos Quintero, estreada também no Teatro Nacional em 1932; e Era uma vez.., de F. de Croisset.



ALBERGARIA, António da Costa Sá de


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