Mapeamento de jazimentos de argilas do estado da paraíBA



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Anais do 44º Congresso Brasileiro de Cerâmica 0870

31 de maio a 4 de junho de 2000 - São Pedro – S.P.



MAPEAMENTO DE JAZIMENTOS DE ARGILAS DO ESTADO DA PARAÍBA

R. R. Menezes*, R. M. R. Wellen, G. A. Neves1



1e mail: gelmires@dema.ufpb.br

UFPB/CCT/DEMa - Av. Aprígio Veloso 882 Fone: (083) 310 1180 - 310 1011

58 109 - 970 - Campina Grande - PB

* Aluno de Mestrado Bolsista CNPq



RESUMO
O Brasil é um grande produtor de materiais cerâmicos possuindo um grande número de jazimentos de argilas. Essas argilas são de grande importância na fabricação de grés sanitários, porcelanas, cerâmicas de revestimento bem como na produção de tijolos e telhas. Na Paraíba e regiões circunvizinhas é observada uma acentuada atividade industrial nessas áreas. Todavia, mesmo com o grande esforço dos pesquisadores da região na análise e caracterização tecnológica bem como na avaliação da possibilidade de uso destas argilas, não se tem um mapeamento das jazidas do estado já estudadas e analisadas. Assim este trabalho tem por objetivo fazer um mapeamento das jazidas de argilas já estudadas no estado da Paraíba, visando fins de cerâmica vermelha, branca e/ou refratária. Pelo mapeamento efetuado conclui-se que os estudos realizados concentraram-se nas regiões de maior densidade demográfica, e que várias bacias hidrográficas ainda não tiveram as suas argilas analisadas.
Palavras Chave: Argila, Cerâmica, Mapeamento, Qualidade, Paraíba

INTRODUÇÃO
O Brasil é um grande produtor de matérias primas cerâmicas em potencial, em virtude do grande número de jazimentos de argilas que possue nas diversas áreas da indústria cerâmica. todavia a grande maioria destas reservas naturais permanecem sem serem devidamente estudadas, não havendo assim dados técnico-científicos que orientem sua utilização e aplicação comercial bem como propiciem um usufruto de maneira mais racional e otimizada por parte do setor industrial.

O estado da Paraíba não foge a esta regra geral disseminada pelo país, mesmo com todo o esforço dos pesquisadores da região na análise e caracterização tecnológica bem como na avaliação da possibilidade de uso dos jazimentos argiláceos do estado. Um dos pioneiros no estudo de argilas do estado foi Ferreira(1) que realizou ensaios no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, IPT, com argilas tanto da Paraíba como do Rio Grande do Norte, sendo seguido por outros pesquisadores que tiveram sempre por fim sanar a falta de informações técnico-científicas a respeito das reservas naturais do estado.

Recentemente o Departamento de Engenharia de Materiais da UFPB com seu grupo de pesquisadores vem buscando fazer estudos a cerca das matérias primas das indústrias cerâmicas do estado da Paraíba e regiões circunvizinhas e das jazidas de argilas ainda não exploradas. Todavia não se tem um levantamento de todas as pesquisas realizadas com as argilas do estado, que tiveram por fim prever algum possível uso cerâmico e nem um mapeamento do estado quanto as regiões e bacias hidrográficas mais estudadas. Isso impossibilita que pesquisadores saibam com certeza em que microregiões as pesquisas estão se concentrando, que regiões e bacias hidrográficas precisam ter os estudos acentuados, quais tem apresentado os melhores resultados, as que tem indicado maior proporção de argilas para aplicação em cerâmica branca, etc.

Assim esse trabalho tem por objetivo fazer um mapeamento das jazidas de argilas já estudadas no estado da Paraíba, visando fins de cerâmica vermelha, branca e/ou refratária. Serão indicados os trabalhos de caracterização de argilas que usaram a sistemática de ensaios preliminares proposta por Souza Santos (2).



MATERIAIS E MÉTODOS

Foram levantados todos os trabalhos de caracterização de argilas paraibanas que utilizaram sistemática de ensaios preliminares proposta por Souza Santos (2). Com base em mapas políticos e geofráficos do estado da Paraíba, gentilmente cedidos pelo Departamento de Engenharia Civil, Área de Hidráulica da Universidade Federal da Paraíba, e em Atlas do Estado da Paraíba(3) pode-se fazer a correlação entre jazidas estudadas e as regiões do estado.


RESULTADOS E DISCUSSÃO
Com base nos vários trabalhos(4) a (17) de caracterização de argilas do estado da Paraíba, fez-se o levantamento dos municípios que tiveram amostras de argilas estudadas. A Figura 1 ilustra este levantamento evidenciando os locais onde observou-se argilas indicadas como possivelmente adequadas à cerâmica vermelha, branca e/ou refratária.

Através da Figura 1 pode-se observar que 28 municípios paraibanos tiveram amostras analisadas através de ensaios preliminares e que houve uma grande concentração de estudos na faixa que abrange cerca de 80 - 90 km a partir do litoral, faixa esta que compreende o litoral e parte do agreste paraibano e que neste trabalho foi definida como Região I (essa divisão teve por fim facilitar a correlação com áreas referentes as bacias hidrográficas). Esta região deteve cerca de 46,5 % das cidades estudadas, o que pode ser explicado pelo fato de ser uma região de elevada concentração demográfica, requerendo um maior número de olarias e por conseguinte de análises de amostras argilosas.

A Figura 1 ilustra ainda que o restante do agreste paraibano juntamente com o planalto da Borborema, designados aqui como Região II, apresentaram em termos absolutos grande parte dos municípios estudados, 46,5 %. E que o sertão, Região III, não possui uma quantidade representativa de cidades com argilas estudadas. Fatos esses possivelmente explicados em virtude das concentrações demográficas das referidas regiões (maior concentração - maior número de análises).

Figura 1 - Mapa com a divisão política do estado da Paraíba


A Figura 2, apresenta a porcentagem de amostras que foram indicadas para cerâmica vermelha, branca e/ou refratária com relação as três regiões do estado descritas anteriormente. Com base nesta figura pode-se observar que independentemente da região a maioria das argilas tem possível aplicação na indústria de cerâmica vermelha e que na Região I há grande porcentagem de argilas com possível utilização em cerâmica branca.

A Tabela 1 apresenta as proporções de amostras que foram indicadas para cerâmica vermelha, branca e ou refratária com relação aos municípios estudados, bem como faz-se presente a indicação dos trabalhos que estudaram as argilas dos respectivos municípios.

Através da Tabela 1 é possível rastrear os trabalhos já realizados em determinadas áreas a fim de dar prosseguimento a pesquisas bem como confrontar dados e informações obtidos por outros autores.

Figura 2 - Porcentagem de amostras indicadas como possivelmente adequadas as indústias de cerâmica vermelha, branca e/ou refratária de acordo com as regiões do estado da Paraíba.


Na Paraíba as argilas utilizadas para fabricação de tijolos maciços, tijolos furados e extrudados, telhas, lajes, lajotas, etc. são normalmente argilas quaternárias de deposição recente em várzeas e margens de rios (18). Enquanto que a origem geológica das argilas do tipo “ball clay” é sedimentar com estas geralmente encontradas em regiões pantanosas, fazendo parte de sua história um período de erosão subaérea, um período de transporte por águas correntes superficiais e um período de deposição em ambiente lacustre (19).

Assim em virtude da possível influência das bacias hidrográficas nas características das argilas, fez-se o levantamento das argilas estudadas com relação as bacias hidrográficas do estado da Paraíba. A Figura 3 apresenta o mapa das bacias hidrográficas do estado sobreposto ao seu mapa político.

A partir da Figura 3 pode-se observar que bacias importantes como a do Peixe, Piancó, e Alto Paraíba apresentam muito poucos estudos e que bacias como a o Alto e Médio Piranhas, parte da bacia do Seridó e a do Jacu definitivamente ainda não foram estudadas. Fato esse agravado pelo fato da existência de micropolos como Patos, Souza e Cajazeiras fazendo parte destas bacias.

Tabela 1 - Proporção de amostras que foram indicadas para cerâmica vermelha, branca e ou refratária com relação aos municípios estudados.



Cidades Estudadas

Trabalho

Porcentagem de Argilas Indicadas Para Uso (%)







Cer. Vermelha

Cer. Branca

Cer. Refratária

Alagoa Grande

(7 e 9)

100

0

0

Alhandra

(12 e 15)

0

100

0

Antenor Navarro

(14)

100

0

0

Aroeiras

(14 e 16)

0

50

0

Baia da Traição

(17)

25

75

0

Boa Ventura

(14)

100

0

0

Boqueirão

(5)

0

0

0

Campina Grande

(7 e 13)

0

0

75

Conde

(15 e 16)

50

50

0

Cruz do Espírito Santo

(7 e 9)

0

0

0

Frei Martinho

(7)

100

0

0

Guarabira

(7)

33,3

0

0

Jacaraú

(17)

50

0

0

Juazeirinho

(6, 7,8 e 10)

88,9

0

0

Mamanguape

(7)

50

0

0

Mulungu

(7 e 9)

100

0

0

Nova Floresta

(7)

100

0

0

Pedra Lavrada

(7)

100

0

0

Picuí

(7)

0

0

0

Pilões

(17)

100

0

0

Pitimbú

(16)

100

0

0

Puxinanã

(17)

100

0

0

Remígio

(7)

100

0

0

Rio Tinto

(7 e 17)

66,7

0

0

Santa Rita

(7)

100

0

0

São Vicente do Seridó

(7)

100

0

0

Soledade

(7)

66,7

0

0

Sumé

(4)

54,5

0

0



Figura 3 - Mapa das bacias hidrográficas do estado da Paraíba sobre posto ao seu mapa político

Com base na Figura 3 pode-se observar que as bacias do Taperoa, Médio Paraíba e parte da bacia do Seridó apresentam significativo número de pesquisas, embora a grande concentração de estudos, em termos de área física absoluta, esta localizada na bacia do Mamanguape, Baixo Paraíba, Estiva-Camaratuba e Gramame Mamuabe com 42,7 % das amostras estudadas e 46,4 % dos municípios abordados.

A Figura 4 ilustra a proporção de argilas possivelmente adequadas à indústria de cerâmcia vermelha, branca e/ou refratária com relação as mais estudadas bacias hidrográficas do estado.

Partindo da Figura 4 pode-se observar que a bacia Gramame-Mamuaba e a região que engloba parte o Mamanguape e Miriri possuem elevado potencial para a indústria de cerâmica branca, sendo as únicas que apresentaram porcentagem de amostras possivelmente indicadas para cerâmcia branca maior que àquela indicada para cerâmcia vermelha.

Figura 4 - Porcentagem de amostras indicadas como possivelmente adequadas as indústrias de cerâmica vermelha, branca e/ou refratária com relação às mais estudadas bacias hidrográficas do estado

A bacia do Parnaíba apresentou apreciável quantidade de amostras com potencial de uso em cerâmica refratária, diferindo das demais bacias que indicaram, com base nas amostras estudadas, índice zero.

De forma geral a grande predominância em todas as bacias é de amostras indicadas como de possível uso em cerâmica vermelha, tal como mostra a média dos valores das bacias do estado.




CONCLUSÃO
O estado da Paraíba possui grandes jazidas de material argiloso, as quais sustentam a indústria cerâmica local bem como fornecem materias-primas para fábricas de regiões circunvizinhas. Muitas destas reservas ainda não possuem estudos de caracterização tecnológica, em virtude disto vários pesquisadores têm se dedicado à análise das argilas do estado afim de se ter uma maior gama de informações a respeito destas. Partindo-se dos trabalhos nos quais amostras de argilas do estado da Paraíba foram submetidas a ensaios preliminares, foi efetuado um mapeamento das jazidas de argilas já estudadas no estado da Paraíba. Pela análise desses dados conclui-se que os estudos tem-se concentrado nas regiões de maior densidade demográfica, destacando-se a faixa litorânea, o agreste e parte do planalto da Borborema, enquanto o sertão apresenta poucos trabalhos de análise. As bacias hidrográficas mais estudadas são a do Paraíba e a do Manguape, ficando várias outras bacias sem estudos sistemáticos. É observada grande concentração de argilas de possivel uso em cerâmica branca na faixa litorânea, enquanto no restante do estado a grande maioria das amostras estudadas apresentaram características que indicam possível utilziação na indústria de cerâmcia vermelha.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(1) FERREIRA, H. C., Caracterização e Aplicações Industriais de Argilas, Caulins e Feldspatos do Nordeste Brasileiro (Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte). São Paulo - SP, Tese (Doutorado em Engenharia Química), POLI/USP, 1972.

(2) SOUZA SATOS, P., Ciência e Tecnologia de Argilas, 2a ed., V. 1, Edgard Blücher, São Paulo, SP, 1992.

(3) RODRIGUEZ, J. L., Atlas Escolar da Paraíba, 2o ed., Grafset, João Pessoa, 1999.

(4) MACEDO, R. S, FERREIRA, H. S., AMORIM, L.V., et al, Caracterização e Propriedades de Argilas do Carirí Paraibano, Anais do 38o Congresso Brasileiro de Cerâmica, p. 200 - 205, Blumenau, 1994.

(5) FERREIRA, H. S., AMORIM, L. V., NEVES, G. A., Caracterização e Propriedades de Argilas da Paraíba - Municípios se Sumé e Boqueirão, Relatório de Bolsa de Extensão, DEMa/UFPB, Campina Grande, 1994.


(6) FIGUEIREDO, F. E. O., SANTANA, L. N. L., COSTA A. C. F. M., Caracterização de Argilas, Programa de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - PATMA, IEL/SEBRAE/CNPq, Campina Grande 1996.

(7) MACEDO, R. S, GALDINO, A.G.S., MORAIS, C. R. S., et al, Estudo Preliminar de Argilas do Estado da Paraíba Para Utilização Como Matería-Prima em Cerâmica Vermelha - Parte I, Cerâmica, V. 41, no 275, p. 259, 1996.

(8) COSTA, A. C. F. M., SANTANA, L. N. L., NEVES, G. A., Caracterização Física dos Tijolos Cerâmicos, Programa de Apoio Tecnológico às Micro e Pequenas Empresas - PATME, SEBRAE/FINEP, Campina Grande, 1996.

(9) MACEDO, R. S., Estudo das Matérias-Primas e Tijolos Cerâmicos Furados Produzidos no Estado da Paraíba, In 41o Congresso Brasileiro de Cerâmica, São Paulo 1997.

(10) NEVES, G.A., SANTANA, L. N. L., COSTA, A. C. F. M., et al, Caracterização de Argilas do Município de Juazeirinho - Paraíba, Anais do 41o Congresso Brasileiro de Cerâmica, p. 294-299, São Paulo, 1997.

(11) COSTA, A.,C. F. M., NEVES, G. A., SANTANA, L. N. L., et al, Caracterização e Propriedades de Argilas Para Uso em Cerâmica Branca dos Estados da Paraíba e Piauí, 41o Congresso Brasileiro de Cerâmica, p. 288 - 293, São Paulo, 1997.

(12) CARTAXO, F. S., NEVES, G. A ., COSTA, A . C. F. M., Caracterização e Propriedades das Argilas Ball Clays do Estado da Paraíba, Relatório Técnico Final de Iniciação Científica, UFPB/PIBIC/CNPq, Campina Grande 1997.

(13) BARBOSA, A .C. L., NEVES, G. A ., PATRÍCIO, S. M. R., Caracterização de Argilas Para Fabricação de Tijolos Refratários Isolantes Visando o Aproveitamento de Resíduos Vegetais (Pó de Serra), Relatório Final de Bolsa de Extensão, UFPB/CNPq/REENGE, Campina Grande, 1997.

(14) MENEZES, R. R., NEVES, G. A., PATRÍCIO, S. M. R., Caracterização de Argilas do Estado da Paraíba - Parte I, Anais do 13o Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais, p. 2755 - 2761, Curitiba, 1998.

(15) WELLEN, R. M. R., NEVES, G. A., SILVA, M. C., Estudo das Argilas da Região Costeira do Estado da Paraíba, Anais do 13o Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais, Curitiba, 1998.

(16) NEVES, G. A., COSTA, A. C. F. M., WELLEN, R. M. R., Estudo das Argilas da Região Costeria do Estado da Paraíba, Anais do 42o Congresso Brasileiro de Cerâmica, Poços de Caldas, 1998.

(17) MENEZES, R. R., NEVES, G. A., PATRÍCIO, S. M. R., Caracterização de Argilas do Estado da Paraíba - Parte II, Submetido a publicação.

(18) MACEDO, R. S., Estudo das Matérias-Primas e Tijolos Cerâmicas Furados Produzidos no Estado da Paraíba, Campina Grande - PB, Dissertação de Mestrado CCT/UFPB/UFPB, 1997.

(19) GOMES, C. F., Argilas: O que são e para que servem, Fundação Cauloustre Gulbenkian, Lisboa, 1988.




MAP OF CLAY DEPOSITS OF THE PARAÍBA STATE


ABSTRACT
Brazil is a great potential producer of ceramic materials, because of the large number of clay deposits. These clays are very important to the production of porcelains, sanitary ware, glazed tile, bricks and tiles. Paraíba has several areas where can be observed a intensity activity in ceramic industry. Although, the great number of publications about caracterization and technologic information of these clays, we do not have a map of the deposits of the studied clays. So, the aim of this work is to obtain a map of these clays deposits already study in the state of Paraiba, that can be used in the ceramic industry. All the characterization works was made by a systematic preliminaries tests, according to Souza Santos. It can be concluded that the majority of the works were done in the more dense areas of the state and some basins do not have clays analyzed yet.
Key Words: Clay, Ceramic, Map, Quality, Paraíba

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