Março chegou amenizando o calor e atiçando a curiosidade de muitos apoiadores do



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Encontro28.06.2018
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FOI NO MÊS QUE VEM
Alô, todos.
Março chegou amenizando o calor e atiçando a curiosidade de muitos apoiadores do crowdfunding do álbum Foi no mês que vem. Nada mais natural, afinal de contas, em outubro do ano passado previmos os shows de lançamento do disco, e também do songbook, para março de 2013, no Theatro São Pedro. Pois bem, no início do ano, o teatro chegou a divulgar as apresentações em sua programação, mas lamento comunicar que foram adiadas.

As datas agora suspensas (dias 22,23 e 24) tinham sido definidas nos últimos meses de 2012, levando em conta o ritmo forte com que vínhamos tocando a produção do disco e do livro. A segunda quinzena de março parecia estar, então, a uma distância confortável para que os projetos fossem finalizados e o show montado com segurança. Mas 2013 começou para nós com uma série de reveses, inclusive de ordem familiar, que interferiram seriamente em nossos planos. Claro, considerando que o álbum Foi no mês que vem e o songbook são trabalhos grandes e complexos, que têm nos exigido dedicação e cuidado extremos, e que a montagem de um novo show não é coisa simples, a gente deveria ter trabalhado com um prazo mais dilatado, imune aos imprevistos. Por isso pedimos desculpas, mas o fato é que a ansiedade para lançar logo os frutos de mais de um ano do trabalho intenso de muitas pessoas, ansiedade maior do que a do público que vem nos acompanhando, tem nos fustigado.

Enfim, os lançamentos não serão agora, no final de março. O que não significa que foram adiados para daqui a muito tempo. Não vou anunciar aqui qual mês ou dia está em nossos novos planos, mas garanto que é para breve, logo ali. Acredito que nossos apoiadores, por acompanharem de perto o desenrolar do projeto na condição de parceiros, já puderam ter uma boa ideia do tamanho da encrenca que é fazer trabalhos desse porte acontecerem, especialmente se forem produzidos simultaneamente. Por isso não tenho dúvida de que entenderão a circunstância.

Quero aproveitar para falar um pouco da dedicação e cuidado extremos a que me referi acima.

A ficha técnica do disco, vocês verão, é enorme. Usamos vários estúdios de gravação, na Argentina e no Brasil, e muitos foram os engenheiros de som e assistentes envolvidos nesse trabalho. O principal deles foi o argentino Matias Cella, que vocês devem conhecer principalmente dos discos e shows do Jorge Drexler. Um craque. Comandou a maior parte das gravações. Começamos a gravar em março de 2012 e só terminamos perto do final do ano. Foi quando o disco seguiu para uma mixagem analógica na Califórnia, EUA, por Moogie Canazio, um dos grandes em seu ofício, meu amigo de muitos anos. Ele encarou um verdadeiro desafio, e se saiu de forma brilhante. Foi no mês que vem não vai ter só um alto padrão de som, mas também uma unidade sonora difícil de ser atingida num disco acústico com mais de 30 canções, gravado por outros engenheiros em mais de um estúdio, com grande número e variedade de arranjos e intérpretes. Os méritos por esse resultado vão também para a masterização finíssima, literalmente um toque de mestre, de Ron McMaster, nos lendários estúdios da Capitol, em Holywood, EUA, onde o álbum foi finalizado.

Enquanto isso acontecia, a equipe do songbook trabalhava nas mesmas alturas. Há alguns anos atrás, quando Vagner Cunha me propôs a realização do livro de partituras, partiu dele a ideia de convidar o jornalista e crítico musical Juarez Fonseca, o compositor, professor e crítico musical Celso Loureiro Chaves e o escritor, professor e crítico literário Luís Augusto Fischer para colaborarem. Eu não pensaria em outros nomes. Os três são, além de amigos queridos, figuras importantes na minha formação e na minha história profissional.

Para o songbook, o Juarez (cuja coluna na Zero Hora eu li tanto desde guri que terminei fazendo jornalismo) escreveu uma enorme biografia minha. Eu não imaginava que a uma trajetória tão discreta pudesse render tanto assunto. E ele escreve tão bem e fluido, que fiquei com a impressão de que tudo tem sido leve e valido a pena.

O Celso (que conheci como um sujeito excêntrico que fazia arranjos de orquestra para os Almôndegas), companheiro de notas e ideias musicais e, vestido de Monge, parceiro de palco do Barão de Satolep, foi fundo na análise de algumas das minhas canções, entrou na intimidade do casamento entre letra e música que, segundo o relato dele, parece haver em todas elas. Conheço poucos que escrevam com tanta clareza e elegância como ele.

E o Fischer (que conheci quando morei em Porto Alegre nos anos 80), o provocador que me encorajou a levar adiante e a publicar meu primeiro romance e, depois, a desenvolver e trazer à tona a estética do frio, escreveu com a desenvoltura de sempre sobre uma produção de livros e canções que ele muitas vezes viu no nascedouro, e lançou sobre o solitário Vitorino de La Mancha um olhar sagaz cultivado no ensaio e na ficção.

Que alegria ter os três reunidos no mesmo livro, alegria para mim e para os leitores do songbook, músicos ou não.

Quando fizemos uma compilação das referências ao meu trabalho publicadas na imprensa através dos anos (pesquisa a ser disponibilizada no meu site como complemento do material do songbook), é que me dei conta do tempo que havia passado desde a primeira vez em que se falou num songbook com canções de minha autoria: 13 anos. O ano era 2000, começo do século. A ideia vinha do século anterior, mas, que eu saiba, era a primeira vez que se falava publicamente nela. Se pensarmos que em 2000 eu estava recém lançando o disco Tambong, ou seja, que ainda tinha muito o quê compor e gravar pela frente, de modo a dar mais substância ao livro, essa demora parece ter sido providencial, mesmo que tenha ocorrido graças a algo triste, o desmantelamento do departamento cultural da Unisinos e, consequentemente, da editora da universidade, na ocasião, responsável pelo lançamento. O projeto do songbook só foi retomado anos depois, com a entrada em cena do bravo Gustavo Güertler, da editora Belas Letras, determinado a lançar o livro.

Nessa retomada, o Vagner convidou o músico e compositor Fabrício Gambogi para trabalhar com ele nas partituras. Um acerto. O conhecimento de violão do Fabrício, que é um supermúsico, foi fundamental na elaboração das partituras. Os trabalhos dele e do Vagner se somaram de tal maneira que, finalmente, o songbook deslanchou. Se o Vagner foi determinante para a coisa andar lá no início, o Fabrício o foi no final. Coube a ele ajustar as partituras nos mínimos detalhes, dando ao livro um padrão de qualidade dos mais altos para esse tipo de publicação. O Luque Barros, músico gaúcho radicado em São Paulo, e eu entramos como revisores de um trabalho desde sempre muito bem feito.

O Vagner Cunha, idealizador do songbook, meu compadre, um dos grandes compositores e arranjadores dos nossos dias, é o único do time de colaboradores citado até agora que está presente tanto no songbook como no Foi no mês que vem. São do Vagner os poderosos cinco arranjos de cordas do disco, gravados com a Orquestra Theatro São Pedro no próprio teatro, com regência do maestro Antônio Borges-Cunha. Além dele, só outros dois profissionais aparecem no disco e no livro: Felipe Taborda e Lygia Santiago. Felipe, grande amigo desde A paixão de V segundo ele próprio, foi o designer responsável pela capa desse disco de nome comprido lá dos meus 21 anos, e, depois pelas dos discos À beça, Ramilonga, Satolep Sambatown e délibáb. Já se vê que sou fã dele. A Lygia trabalha com o Felipe, e como trabalha! Os dois são tão bons que os convidei para assumir o projeto gráfico de Foi no mês que vem e do songbook. Vocês vão ver só a beleza que eles criaram para o disco (a partir das impactantes gravuras em metal da jovem artista gaúcha Nara Amelia) e para o songbook (a partir de fotos antigas, manuscritos, textos e partituras).

Comecei a escrever sobre esse pessoal e não parei mais... É que sou muito grato a eles, por tudo o que fizeram por estes dois trabalhos. Foram superexigidos e corresponderam além do esperado, sempre com a melhor onda. Sinto-me um afortunado por poder contar com profissionais desse gabarito, tendo a oferecer em troca pouco mais que minhas composições e minha amizade.

Antes de me enfurnar no trabalho, principalmente de finalização do disco, eu vinha escrevendo sobre os músicos e cantores que participaram das gravações. Considerem este texto a retomada daqueles relatos. Quis falar agora só da turma com que convivi intensamente nos últimos meses e que, digamos, nos bastidores, fez tudo acontecer.

Voltando ao tópico inicial: aguardem os lançamentos para breve. Para quem ficou frustrado com o adiamento dos shows dos dias 22, 23 e 24 de março no Theatro São Pedro, aviso que vocês saíram ganhando: o Nei Lisboa vai ocupar as minhas datas.


Até a próxima
Abraços

Vitor Ramil

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