Mariana aydar e nuno ramos consolidam em cd parceria bem sucedida no palco



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MARIANA AYDAR E NUNO RAMOS CONSOLIDAM

EM CD PARCERIA BEM SUCEDIDA NO PALCO
Projeto especial, primeiro lançamento do selo da cantora,

traz composições do celebrado artista plástico e compositor
Músicas serão disponibilizadas em serviços de streaming

no mesmo dia que disco físico chegar às lojas, em 21/08
PARA FOTOS EM ALTA RESOLUÇÃO: WWW.CANIVELLO.COM.BR

Por Marcio Debellian



Agosto de 2015
De modo sumário, Pedaço duma asa pode ser descrito como o disco em que Mariana Aydar dá voz às canções de Nuno Ramos. Na prática, é muito além. Trata-se de um disco que alcança rara densidade poética, destes que surgem apenas de tempos em tempos, depois da artista percorrer caminhos não-convencionais e burilar sentimentos à exaustão até finalmente apresentar o resultado ao público.
O percurso de Nuno como compositor, por si só, também é digno de nota. Antes de começar a compor, Nuno já apresentava diálogos com a canção em seus trabalhos de artista plástico, como na instalação Choro Negro, uma alusão à composição de Paulinho da Viola, a quem, diga-se de passagem, dedicou um dos mais belos ensaios já escritos sobre a obra de um compositor popular.
O Nuno compositor, tal como o termo costuma ser usado, aparece primeiro em discos de Romulo Fróes, que foi seu assistente por 16 anos. Nuno, Romulo e Clima – artista plástico e coautor de metade das canções de Pedaço duma Asa – passaram a compor juntos, o ateliê ganhou ares de barracão e dali surgiram sambas tortos, tradicionais, melancólicos, divertidos. Sambas de amigos.
Mariana estava atenta ao movimento no barracão. Já havia sido arrebatada pelo samba Atrás dessa amizade, composição solitária de Nuno que habitava o disco de Romulo. O primeiro encontro entre Mariana e Nuno foi em 2007 e não tardou para tornarem-se parceiros também. Ela passou a gravá-lo em seus discos e emprestou sua voz à sonorização de Bandeira Branca, instalação de Nuno exposta na Bienal de 2010.
Acredito que, silenciosamente, este Pedaço duma Asa vinha se formando desde aí. Em 2013, quando convidei Mariana para participar do projeto Palavras Cruzadas e perguntei com quem gostaria de criar um espetáculo inédito, ela foi rápida e direta: Nuno Ramos.
Combinamos os espetáculos para agosto de 2014, com a gravação do disco logo em seguida. Nos primeiros ensaios, Mariana já mostrava grande propriedade do repertório, íntima daquelas palavras. A sintonia se estendia a Duani, produtor do disco, que se lançou obstinado a encontrar uma sonoridade original para aqueles sambas, combinando percussão, guitarra, baixo e efeitos eletrônicos. Incansável, a cada momento propunha uma nova ideia a ser testada. Numa dessas, disse com a voz mansa: Kavita (apelido de Mariana), meu amor, você vai tocar baixo.
O espetáculo estreou no Rio de Janeiro e lá estava Mariana, logo na primeira música empunhando o baixo e cantando: Mamãe, Papai, dá licença de eu tentar, eu cantar, mal não faz. Aqui, como no Paulinho da Viola esmiuçado por Nuno, o eu-lírico é filho. Mariana conta que sente as canções impregnadas da experiência da maternidade. Nuno diz que muitas delas foram compostas a partir do impacto da perda de sua mãe. As canções se movem nestas beiradas entre algo prestes a nascer ou morrer.
Para cada palco, Nuno criou uma instalação diferente para as canções acontecerem. No Rio, estátuas vivas – um saci e um soldado de chumbo – se equilibravam em cima de instrumentos de percussão e, imóveis, misturavam-se aos músicos em cena. Em São Paulo, o cenário era formado por um jardim com 365 girassóis e duas toneladas de terra. A pedido de Nuno, Mariana entrava no palco andando sobre latas até adentrar o jardim.
O disco Pedaço de uma Asa nasce depois desta trajetória que amplia o que se entende por parceria e composição. Não se trata aqui do tradicional caso de uma cantora que grava um disco homenageando um compositor, mas sim de dois artistas que se ofereceram o lugar do teste, colocaram em diálogo canção e instalação, e pactuaram alcançar toda a potência poética do repertório que criaram.
Certa vez, numa entrevista, Nuno classificou canção brasileira como “uma espécie de utopia realizada”. Aqui está.
Linha torta do tempo
2007
Mariana e Nuno se conhecem no Festival de Arte da Serrinha, em Bragança Paulista (SP). Ela não sabia que ele era artista plástico, tampouco achava que fosse brasileiro. Imaginava ser português o autor de Atrás dessa amizade, samba marejado de fado que a arrebatou logo que foi lançada no disco Cão (2006), de Romulo Fróes.
Atrás dessa amizade / Andei pela cidade / Irmão do chão, do cão e da saudade.
2004
Romulo Fróes foi assistente de Nuno por 16 anos. Lançou o seu primeiro EP em 2001, com músicas compostas em parceria com o artista plástico Clima. A partir do seu segundo disco, Calado, Nuno entrou na roda. Misturou a sua obra com a de Romulo e Clima. Do seu ateliê-barracão, entre poeira e destroços, começam a surgir os primeiros sambas.

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Nuno expõe Choro negro, uma escultura de mármore e breu contendo resistências elétricas que aquecem a superfície do mármore até que o breu derreta, alterando a obra diante do público. O nome é uma alusão ao choro de Paulinho da Viola, a quem ele dedicou o trabalho.
Um rio sem eu, rio, ninguém / Um rio que eu te dei / Não sei dizer, não sei...
2008
Mariana grava Carcará para a instalação Bandeira Branca de Nuno Ramos. A obra foi exposta pela primeira vez no CCBB de Brasília, mas ficou famosa na Bienal de 2010, por conta da polêmica envolvendo o uso de urubus. Além de Carcará, a instalação era sonorizada com trechos de Bandeira branca e Acalanto.
Se o dia fez o que fez, brincou comigo, eu tô de bode /

Matar de fome e sede o meu brinquedo, como é que pode /

Botar uma ave preta na miséria, ninguém acode
2009
Mariana lança o disco Peixes Pássaros Pessoas, que apresenta a sua primeira parceria com Nuno, a canção Tudo o que trago no bolso. O disco traz ainda Manhã Azul, parceria entre Nuno e Duani, provocada por Mariana, que ao acordar mandou a música de Duani para Nuno e se surpreendeu ao receber a letra oito horas depois, sintonizada com o que estava sentindo: Manhã / Manhã de azul / Manhã de céu / Manhã de só / Manhã de quem sou eu?

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Se eu deixar de sofrer / como é que vai ser / para me acostumar?
Esses são versos de Hora da Razão, samba de Batatinha e J. Luna, que empresta o nome e a poesia à instalação de Nuno - Hora da razão (Choro negro 2). Estruturas de vidro abrigam monitores onde Nina Becker, Clima e Romulo Froes interpretam o samba enquanto pouco a pouco o vidro é coberto por breu derretido.
2013
Nasce Brisa, filha de Mariana e Duani.

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Mariana convida Nuno Ramos para ser seu parceiro na criação de um espetáculo dentro do projeto Palavras Cruzadas.

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Eu vi o amor brilhar / Pedaço duma asa
2011
Nuno publica um ensaio poético intitulado Ao redor de Paulinho da Viola, em que disseca o fazer artístico do compositor. O texto é dedicado aos seus parceiros Romulo e Clima.

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Morre Dulce Ramos, mãe de Nuno.

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Eu sei fiquei sozinho / Um eu pequenininho / Lá no jardim de sal / sem mãe
2012:
Mariana lança o disco Cavaleiro selvagem aqui te sigo que traz a gravação de Porto, parceria de Romulo Fróes e Nuno Ramos.

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Nuno expõe no SESC Pompéia duas peças feitas de madeira e areia formando a inscrição Solidão, Palavra.

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Só me deixe falar / Só me deixe só / Só me deixe não
2014
Espetáculos do Palavras Cruzadas no Rio e em São Paulo apresentam o repertório do disco pela primeira vez ao público.
Mariana entra em estúdio para gravar o disco.

(*) Marcio Debellian é diretor do projeto Palavras Cruzadas e do documentário (O vento lá fora). Reúne seus trabalhos em www.marciodebellian.com


SERVIÇO:


Pedaço duma asa

Mariana Aydar

Selo Brisa

Preço médio: R$ 25,00

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