Marsha Alexander Um segredo entre nós



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Um Segredo Entre Nós

(Whispers in Eden)

Marsha Alexander

O amor de Justin resistiria àquela estranha revelação de Carol?!

Carol encostou a cabeça no ombro de Justin, sem conseguir desviar os olhos da dança dos índios navajos. A Lua cheia iluminava a clareira, fazendo brilhar os estranhos adornos que os homens usavam. "Chegou a hora da verdade", ela pensou angustiada.

Naquela noite, precisava revelar a Justin sua verdadeira missão. Não podia mais continuar com a farsa, não podia continuar enganando o homem a quem amava com loucura... Mesmo que fosse perdê-lo.

Digitalização: Tinna

Revisão: Márcia Goto

Título original: "Whispers in Eden"

Copyright: © by Marsha Alexander

Publicado originalmente em 1985 pela Harlequin Books, Toronto, Canadá.

Tradução: Sidney Stancoti

Copyright para a língua portuguesa: 1986

Editora Nova Cultural Ltda. — São Paulo — Caixa Postal 2372

Esta obra foi composta na Artestilo Compositora Gráfica Ltda. e impressa na Companhia Lithographica Ypiranga



Capítulo I

Carol Raintree estacionou o velho Jaguar junto à alameda da mansão, em Beverly Hills, e ficou por um tempo observando aquele prédio famoso. Ali funcionava a sede do jornal Whisper, além de ser a residência do proprietário e editor, Justin O'Neal.

A casa era um monumento ao mau gosto e ao péssimo jornalismo... Carol irritou-se por ficar impressionada com a imponência do lugar, com seus portões trabalhados e um jardim muito bem cuidado. "É isso o que se consegue quando se publica o tablóide mais mexeriqueiro do mundo!", pensou.

A investigação que faria na mansão com certeza lhe daria condições de desmascarar O'Neal e mostrar o difamador e irresponsável que ele era!

Incomodada com o calor forte, típico de Los Angeles, aproximou o Jaguar dos portões em arcadas góticas e pontas de espada.

— Sim? — perguntou a voz vinda do intercomunicador junto ao muro.

— Tenho uma entrevista marcada para as dez e meia com Nedra Linsey, para o cargo de supervisora dos empregados.

Enquanto esperava, Carol sentia o calor com mais intensidade. A falta de experiência na direção de uma casa era evidente e isso poderia pôr sua verdadeira missão em perigo. Mas não podia deixar que nada interferisse no trabalho que se propusera á fazer: encontrar uma prova que havia sido escondida com habilidade.

Casey Merrick, o advogado que lhe conseguira aquele trabalho junto à empresa Música e Vídeo da América e que também providenciara as referências falsas para o emprego certamente não pensou que ela podia ser rejeitada como chefe dos empregados do lugar.

— Por favor, siga a alameda do lado direito. — disse a voz pelo intercomunicador. — A senhorita poderá estacionar junto a um Datsun preto.

O portão automático se abriu. O carro parou na entrada de serviço, onde havia carpinteiros trabalhando com afinco e jardineiros ajudando a descarregar um caminhão cheio de plantas.

— Srta. Carol? — perguntou um rapaz magro e alto de paletó vermelho, calça preta e camisa branca. — Sou Terry, o mordomo encarregado da turma do dia. Espero que não se incomode em esperar um pouco. A sra. Linsey, secretária do sr. O'Neal, está recebendo uma chamada internacional, mas não deve demorar. E, se o sr. O'Neal já levantou, ele mesmo poderá entrevistá-la.

Carol seguiu-o pela alameda, observando os homens que trabalhavam.

— O que é isto?

— Ah, eles estão aumentando a despensa. E uma vez por mês todas as flores plantadas em camadas finas são substituídas.

Entre impressionada e irritada diante daquele desperdício de dinheiro, Carol acompanhou-o para dentro da casa.

Passaram pela despensa e por uma enorme cozinha que parecia mais adequada a um grande restaurante. Dois cozinheiros, um senhor de idade e uma mulher ocupavam-se com o preparo de carnes e massas. Dois assistentes colocavam rolos de massa na geladeira envidraçada. Terry fez as apresentações, com ar brincalhão:

— Pessoal, esta é Carol Raintree. Tomem cuidado com ela, pois vai ser a nova chefe!

Carol notou de imediato duas coisas: a primeira era que Terry parecia mais velho do que ela, que estava com vinte e sete anos; a segunda era que a mansão, conhecida como Whisper West, tinha um clima de trabalho amistoso, pelo menos entre os empregados.

O mordomo já lhe explicava detalhes do funcionamento da cozinha e de outras dependências da mansão quando a detetive o interrompeu:

— Terry, estou aqui apenas para uma entrevista. Ainda não consegui o emprego.

Voltou a olhar para o homem mais idoso, sem dúvida o cozinheiro-chefe. As mãos trabalhavam com competência e confiança naqueles pedaços de carne. "Se há alguém aqui que pode me desmascarar é ele", pensou, um tanto receosa.

Entraram em seguida numa sala de jantar que lhe pareceu familiar. Sim, já a tinha visto num programa recente de televisão. Havia acontecido ali um banquete beneficente. Entre os convidados figurava o governador, um boxeador famoso e os integrantes de uma comédia musical. O ator favorito de Carol, Adam Mills, também estivera no banquete. Foi mais para observá-lo que assistira ao programa. Não dera atenção ao anfitrião, Justin O'Neal.

— Não se preocupe, a senhorita pode se considerar contratada. Eles não perderiam tempo em entrevistas se já não tivessem chegado a uma decisão — garantiu-lhe o mordomo.

Ela sorriu diante da aprovação de Terry. Não estivera muito certa sobre a escolha que fizera de um vestido fino de algodão azul-claro, mas, considerando o calor, o traje parecia perfeito. Por isso mesmo, aplicara apenas um leve toque de maquilagem e batom rosa suave, preferindo parecer informal. A delicada pele cor de mel nunca se sentia muito bem com o tempo quente, parecia avermelhar-se. E o cabelo castanho liso enrolava-se, quando a temperatura subia. Mas os amigos sempre insistiam em que ela ficava melhor assim com eles mais crespos, especialmente quando o sol os banhava, fazendo destacar os tons vermelhos. O efeito clareava os olhos cor de avelã, deixando-os semelhantes a topázios.

— A sra. Linsey irá vê-la no escritório. Fica logo ali atrás. Acho que o sr. O'Neal já se levantou. Um ou outro irá recebê-la.

Passaram por uma sala de estar suntuosa, com obras de arte de pintores famosos, entre os quais um pequeno Van Gogh e um maravilhoso Matisse. Num divã confortável, um homem olhava, alheio a tudo, o copo de bebida nas mãos. Carol captou apenas o perfil, mas depois, quando o reconheceu, não pôde deixar de parar.

O famoso ator levantou a cabeça e fitou-a. Parecia descuidado e cansado. Os olhos estavam inchados, mas todos os traços de alguém que sofre se transformaram quando ele lhe sorriu.

Carol sentiu os joelhos tremerem, controlou-se, respondeu com um sorriso casual e se afastou.

— Aquele é Adam Mills — disse Terry com discrição ao se aproximarem do escritório.

Carol sentiu-se uma adolescente, olhando na escuridão do cinema aquele ídolo da tela. Era fácil amar ídolos de celulóide. O risco que se corria era bem menor.

Mas ela tinha conseguido não trair o que sentiu quando o avistou. Aprendera a ser controlada e os três quartos do sangue escocês e irlandês não se manifestaram naquele momento. Talvez por causa dos outros ancestrais: os navajos, o povo indígena do avô paterno. Deles herdara a capacidade de manter-se um pouquinho distante, sempre que uma situação pedia.

O pai lhe dissera que esse alheamento salvara os navajos repetidas vezes e, ao contrário de outras tribos, a população não fora dizimada. A herança nativa americana também se manifestava em suas altas maçãs do rosto, dando-lhe uma feição exótica, de surpreendente beleza. Quando o sol ou a chama de uma vela lhe acariciava as faces, sua aparência amadurecia, tornando-se repentinamente mais sensual.

Agora pensava em todas as dúvidas que tivera desde que o advogado Casey Merrick chegara ao seu pequeno escritório em Hollywood para lhe oferecer aquele trabalho.

Haviam sido dez meses difíceis para ela, desde que abandonara a Agência de Detetives John Follett e abrira a C. R. e Associados. Depois de quatro anos de um trabalho intenso como a única mulher num escritório de doze investigadores particulares, Carol iniciara seu próprio negócio. Mas a realidade estava sendo uma decepção.

Até agora, os trabalhos que tinham aparecido eram pouquíssimos, só relatórios rotineiros sobre maridos e esposas adúlteros. Carol sabia que o início não seria fácil. Teria de enfrentar a discriminação sexual, muito grande neste setor. Quantas e quantas vezes trabalhos que poderia realizar muito bem foram entregues a homens? Inúmeras... Como resultado dessa forte pressão, sua secretária Myra se viu obrigada a encontrar um emprego alternativo, pois tinham chegado a um ponto de não poder agüentar nem o aluguel.

Então, como por milagre, Casey Merrick, o advogado com quem trabalhara na Agência Follett, apareceu com um trabalho que renderia um bom dinheiro. Mais que o dinheiro, a participação que teria no caso do jornal Whisper poderia transformá-la no centro das atenções, o que precisava para o sucesso. Justin O'Neal dava manchetes e, se ela conseguisse enquadrá-lo no processo de difamação que a empresa Música e Vídeo da América estava prestes a abrir contra ele e seu jornal, teria o futuro garantido.

Casey explicara o caso com cuidado, e a apresentara a Raymond Fullerton, o proprietário da MVA. Dera-lhe o exemplar do Whisper que trazia o artigo difamatório, no qual acusava a companhia de vídeo de enganar seus artistas e o público. Segundo a reportagem, os relatórios de lucro da empresa não coincidiam com os índices reais de venda. Haviam citado números, bem como as fontes, dando a entender que o repórter obtivera uma cópia dos relatórios financeiros da MVA.

— Com esse documento nas mãos deles, estamos com problemas— explicou-lhe Fullerton. — Podemos dizer que trabalharam com cifras falsas, mas levaremos meses para concluir um relatório financeiro completo, que abranja nossos últimos dois anos. Antes que possamos ir aos tribunais e comprovar a fraude, a MVA já terá aberto falência. Ninguém fará negócios conosco, graças a esse amontoado de mentiras! Mas, se você puder se infiltrar naquela fortaleza de O'Neal e encontrar a cópia roubada, poderemos provar que os números foram adulterados para nos colocar em maus lençóis.

Raymond expeliu uma baforada de cigarro desviando o rosto da detetive e do advogado. Suspirou e, então, continuou com a explicação:

— O'Neal deve ter uma cópia! Ele citou dezenas de nossas contas e tem as datas das transações certinhas. O único meio de demonstrar que o artigo não é resultado de uma investigação cuidadosa é provar que ele fraudou nosso material. Se não for assim, levaremos tempo demais para esquadrinhar as cifras e convencer nossos clientes de que não os estamos roubando. Mas, com a prova de que eles furtaram nossos relatórios, iremos para a imprensa e conseguiremos nossas próprias manchetes. Talvez até consigamos salvar o negócio, antes mesmo que o processo comece.

Carol sentiu-se grata a Casey Merrick por ter se lembrado dela e convencido Raymond Fullerton de que.era a pessoa indicada para investigar aquele caso. Sabia que o apoio de Casey não se baseara só na sua competência profissional, mas também na atração mal disfarçada que sentia por ela. Apesar de se considerar uma profissional competente, não conseguiu dissipar certas dúvidas que tinha na consciência. Acompanhou Casey até um barzinho de Sunset Strip para dizer o que pensava.

— Estou me sentindo um pouco insegura, e isso não é bom. Acho que não sou a pessoa indicada para a função. É que tenho uma questão pessoal contra Justin e contra o Whisper. Detesto todos esses jornalecos da imprensa marrom. Eu não poderia agir com frieza neste caso e temo que isso prejudique minha objetividade.

— Por quê? — perguntou o advogado.

— Meu tio... e de certa maneira toda minha família... foi prejudicado por um artigo cheio de calúnias de uma publicação do tipo do Whisper. Lembra-se do Quests? Fechou vários anos atrás. O tio Joe foi envolvido no que poderia ter sido uma monumental tramóia imobiliária. A participação dele foi totalmente inocente, seu "crime" foi investir um pequeno capital num fundo de ações gerido por pessoas inescrupulosas. Mas quando o caso veio a público, pelo Quests, a fotografia dele estava na primeira página, estampada ao lado dos grandes aproveitadores. O artigo estava tão distorcido que ele morreu para o mundo social e dos negócios. Foi tão ruim, tão injusto...

Casey a observava de vez em quando, sem prestar muita atenção no que dizia, concentrado em mergulhar a azeitona do coquetel.

— Ele saiu quase ileso do julgamento, mas, graças ao Quests, acabou sendo tratado por todos que o conheciam como se fosse o principal instigador do golpe. Foi um pesadelo ver como perdeu o interesse pela vida depois disso. Ainda me lembro de ver minha mãe chorando até tarde da noite, inconformada por o irmão morrer um pouquinho a cada dia. A esposa o abandonou porque não conseguiu agüentar a pressão de sua própria família e, quando minha mãe adoeceu, o tio Joe desmoronou de vez. Tivemos de mandá-lo para uma casa de repouso e parece que aos poucos conseguiu se esquecer do fato. Mas eu não esqueci! — Carol estava nervosa. — E cada vez que vejo a capa do Whisper, meu sangue começa a ferver!

Casey abanou a cabeça, desolado, tendo ficado mais atento à medida que se desenrolava o drama.

— Que tristeza, Carol. O sr. Joe deveria ter consultado um bom advogado. Mas não vejo como isso vai afetar sua capacidade de realizar um bom trabalho para a MVA. No mínimo, vai ajudar! De todos, você é quem mais pode compreender como as calúnias contra a MVA podem destruir até um inocente.

Carol refletiu sobre esse ponto de vista, mas, ainda assim, sentiu-se pouco à vontade.

— Olhe, o que vou lhe dizer não gosto de admitir, mas sei que a justiça não é um ponto essencial no meu ramo. Os detetives íntegros são típicos dos seriados de televisão, mas na vida real é outra coisa. Porém, eu sempre consegui ser decente e, ainda assim, realizar um bom trabalho. Faço com que as provas condenem o culpado, não meus interesses. Não estou certa de que poderia fazer o mesmo neste caso.

Carol sentiu que os seus escrúpulos não impressionaram o advogado. Casey riu com afeição.

— Certo, Carol. Mas tudo o que você deve fazer é encontrar algumas provas que Raymond acredita que estão escondidas em algum lugar da Whisper West. Seus sentimentos não vão se envolver no caso. Se eu achasse que você não daria o melhor de si neste trabalho, nunca a teria indicado. Deixe as emoções de lado, encontre o relatório e relate apenas os fatos quando for depor no tribunal. Você não poderá ferir Justin se ele for inocente, mas se não for... então merece o que vai receber.

Sentada no confortável escritório da secretária particular de Justin, Carol sentiu que fizera a escolha certa. Havia até os benefícios paralelos àquele trabalho, como encontrar-se com pessoas interessantes e artistas famosos. Também sentiu certa curiosidade a respeito daquele homem a quem condenara sem mesmo conhecer.

Como seria? O que, além do dinheiro, motivaria um homem inteligente e de extremo bom gosto a se utilizar dos instintos mais baixos das pessoas, e com uma arma tão poderosa como a imprensa?

Estava se lembrando do que vira na televisão: ele era alto, bem vestido, rosto aristocrático, os cabelos escuros com um ligeiro toque grisalho nas têmporas. Mas, pelo que lera nos últimos dias, sabia que Justin era mais jovem do que pensava: um milionário que fizera fortuna com o próprio esforço e que não tinha muito mais de trinta e cinco anos. De repente percebeu que estava se preocupando à toa. Logo o veria e, aí sim, tiraria as próprias conclusões. No lugar em que se encontrava reinava a mais perfeita ordem. As paredes recobertas por madeira brilhavam com suavidade, o tapete oriental com certeza era autêntico, mas tinha alguns pontos que apresentavam uma ligeira descoloração. Sabia que dali a pouco aquele serviço seria dela e teria de se preocupar com tais imperfeições. Uma voz profunda e masculina, vinda de trás, fez com que Carol saísse de súbito daquelas considerações.

— Bem, bem. Como vai?

Ela teve um sobressalto na cadeira e levantou-se. Ao virar-se, deparou com um homem de olhos cinzas e não teve nenhuma dúvida: estava na presença de Justin O'Neal.



Capítulo II

Mesmo com a expressão sonolenta e um tanto cabisbaixo em seu pijama de seda e roupão de veludo, Justin parecia encher todo o aposento com sua presença no limiar da porta.

— Oh! — Carol quase não conseguia articular uma palavra, surpresa sem saber por quê. — Não o ouvi chegar — acrescentou, por fim.

— Desculpe, se a assustei. Está aguardando por Nedra? Mas é claro... Você está aqui para a entrevista. Terry disse algo a respeito, mas ainda estou um pouco zonzo, acabei de acordar. Nedra logo estará aqui, mas, enquanto isso, podemos conversar. Gosto de conhecer as pessoas que trabalham para mim. — Justin fez uma pausa e começou a examinar Carol com mais atenção, passando os olhos pelo rosto e depois pelos cabelos. — Veja só! Então eu não estava sonhando!

— Sonhando? — Carol não tinha a menor idéia do que ele falava.

— Quando acordei, olhei pela janela do meu quarto, e o sol devia estar batendo nos seus cabelos enquanto você caminhava para a casa. A cor era incrível, esfreguei os olhos e quando olhei de novo você já havia desaparecido. Pensei que estivesse sonhando. Aqui dentro é de um castanho bem suave, mas lá fora... a cor era tão intensa... Dá vontade de tocar... — ele fez um gesto como se fosse satisfazer a curiosidade e Carol instintivamente recuou.

Sem se abalar, Justin levou a mão para os próprios cabelos. Mesmo sem conhecê-lo, Carol sentia que ele era um homem especial. Percebia o magnetismo e a energia daquele corpo forte. "É o tipo de pessoa que muda tudo o que toca", pensou, alarmada.

— Bem, fico feliz por você estar aqui. Às vezes esta casa é uma verdadeira confusão. Precisamos de alguém que possa tomar conta de tudo. Nedra me disse que se os mordomos continuarem mandando, como eles têm tentado fazer, logo vamos ficar com uma dúzia de capitães e nenhuma tripulação.

— Espero não desapontá-lo — Carol sabia que isso não seria possível. Afinal, era uma detetive e ele o objeto das investigações. Tudo uma questão de prioridades. Justin O'Neal se empenhara em arruinar a MVA com um artigo de jornal. Gente como ele destrói pessoas, como o tio Joe, e não merece o mínimo de consideração.

— Você não irá me desapontar. Fiquei bastante impressionado com sua firma Men's Work — disse, lendo as referências. — Foi uma idéia criativa, mas a sociedade ainda não está pronta para ela.

Ao menos Carol poderia ter o mérito de haver pensado naquilo. Ao inventar algumas boas referências para conseguir o emprego de supervisora na mansão, acabara tendo a idéia de citar a Men's Work, uma firma de limpeza de residência, formada de uma equipe masculina, e que atendia supostamente a mulheres independentes, que trabalhassem fora. Casey concordara que Justin ficaria interessado em empregar alguém de criatividade comprovada.

— Bem, sempre acreditei que os homens são mais adequados para o trabalho doméstico. O senhor sabe, vocês têm maior resistência física...

— Isso não parece conversa de uma mulher liberada — brincou Justin.

— Sou realista, sr. O'Neal. Limpar casas é um trabalho físico como outro qualquer e muito difícil, por sinal. O que se precisa é o uso freqüente dos músculos, que são, até por uma questão hormonal, mais desenvolvidos no macho da espécie.

— Sabe que você tem razão? Pena que a empresa não tenha dado certo. De qualquer maneira, mostra que você tem criatividade e disposição de tentar coisas novas. É dessa mentalidade que ando precisando nas pessoas de negócios que me cercam. Seria ótimo contar com a mesma atitude da parte delas.

Carol olhou para Justin com mais interessei tentando compreender a inegável fascinação que sentia por ele. "Não se trata de gostar dele", disse para si. Nunca poderia gostar de um homem que ganhasse a vida explorando os outros. Contudo, sabia que a atmosfera de envolvimento que se criara no aposento se devia única e exclusivamente a Justin O'Neal. Podia sentir no próprio corpo o pulsar daquele magnetismo.

Sim, Justin era muito atraente. Os olhos emoldurados por cílios espessos, o sorriso meigo, as feições que traduziam uma maturidade agradável, tudo aquilo atraía Carol. Embora o roupão fosse folgado, os músculos poderosos dos braços e das costas apareciam através do tecido. Mas, apesar dos músculos, era um homem magro. De repente, o peito amplo despertou em Carol o impulso de repousar ali a cabeça. Não entendia o que estava lhe acontecendo.

Controlou-se, vendo que podia perder a. objetividade. Na verdade ele era uma espécie de falcão: hábil, incisivo, predatório. Porém, tinha também algo de águia: orgulhoso e distante. Até nobre, admitiu, já um tanto irritada com a análise que fazia dele. Parecia contraditório Justin dar alguma mostra de decência quando era proprietário de um jornal que podia ser considerado o mais escandaloso do mundo.

Perturbada, Carol reconheceu que se sentira mais à vontade com a interpretação inicial que fizera de Justin. "Mas não tenho de me sentir à vontade. Não, quando a realidade indica que talvez centenas de famílias foram abaladas como a minha."

Afastando os olhos dele, concentrou-se num certificado de mérito concedido pela prefeitura ao Whisper. O que o jornal fizera para conseguir um diploma de honra ao mérito? Por um instante, ponderou se não estava sendo injusta. Afinal, limitara-se a passar os olhos pelas manchetes do jornal na banca e ao estudo cuidadoso do artigo a respeito da MVA. Fora isso, nunca se dera ao trabalho de ler o tablóide. Todas as deduções que fizera estavam baseadas apenas na comparação visual entre o Quests e o Whisper. E isso por enquanto lhe bastava, sua função ali restringia-se apenas a encontrar os papéis incriminadores.

Mesmo assim, decidiu que compraria um exemplar do jornal assim que saísse da mansão, nem que fosse para provar a si mesma que Justin era um homem que merecia ser desprezado.

— Suas referências são excelentes, srta. Carol. A senhorita foi uma perda para Forest View — disse Justin, citando uma outra referência falsa que tinha nas mãos.

De acordo com a história inventada, ela teria ajudado a administrar Forest View, um centro de férias nas montanhas, antes de dedicar-se à organização da Men's Work. Justin continuou:

—: Segundo esta carta, a senhorita deverá considerar esta casa bem dentro de sua capacidade. Pelo papel que tenho nas mãos, deduz-se que muitas vezes ficou quase que sozinha a cargo do local. Gosto disso. Seu ex-empregador diz que é uma pessoa experiente no trato com os funcionários e com o público. Tudo isto a torna perfeita para o cargo de chefe dos empregados da Whisper West.

Carol sentiu que os elogios naquela voz suave e sincera tornavam-se fáceis de aceitar. Só que não eram merecidos, lembrou-se, inquieta.

— Como talvez saiba, Whisper West é minha residência e também sede do meu jornal há cinco anos. Nossa base original, em Washington, hoje serve apenas para hospedar os redatores de lá. Toda a parte administrativa do jornal está aqui e por isso vou lhe adiantando que o trabalho é duro. Tenho de receber muita gente e com freqüência há hóspedes noturnos.

"Aposto que a maioria desses hóspedes é mulheres", ela pensou com maldade. Pelo jeito, Justin O’Neal nunca havia se casado, possivelmente por falta de tempo. Talvez não merecesse mesmo uma família, concluiu, visualizando um sem-número de hóspedes noturnas.

— Como deve imaginar, meus convidados estão acostumados a serem mimados — ele continuou. — A senhorita deve providenciar para que se sintam em casa enquanto estiverem conosco. Nedra irá informá-la sobre os detalhes.

Justin pôs as referências na mesa e sorriu:

— Estou satisfeito por tê-la conosco, srta. Raintree. Não é como estar nas montanhas, mas esta parte de Los Angeles é excelente. Num dia claro, pode-se ver Rodeo Drive. O que mais se poderia querer? — acrescentou, tocando-lhe a mão.

Carol sentiu um calor subir pelo braço e afastou a mão com o máximo de calma que conseguiu, ciente de que ele não estava com pressa em interromper aquele pequeno contato.

— Obrigada, sr. O'Neal.

Ela sabia que Casey ficaria contente pelo fato de ter obtido o emprego, mas nem pensou muito nisso naquele instante. Toda a atenção parecia concentrada na mão que ele havia tocado.

— O que acha disto, srta. Carol? — Justin perguntou, abrangendo com um gesto todo o aposento.

— Ha? Ah, desculpe. Estava pensando em outra coisa. É que vi Adam Mills na sala de estar quando entrei. Ele estava bebendo e não parecia muito feliz.

— É mesmo?

— Isso me surpreendeu. Sempre imaginei que Adam Mills fosse o homem mais feliz do mundo; afinal, um ator como ele, cujos filmes levaram tanto prazer a milhões durante todos esses unos... Eu o admiro demais, acho que tem um talento incontestável, além de ser muito bonito. Por isso fiquei chocada de vê-lo tão deprimido.

— É, ele não está bem — Justin deu um suspiro e contou a Carol o que se passava.

Adam era um homem bom, mas sem estrutura emocional para enfrentar o que estava passando agora. Lutara muito para tornar-se um ator de sucesso, mas agora atingira uma idade em que não podia mais desempenhar os mesmos papéis e não havia se preparado para mudar uma imagem que passara a vida inteira criando. A mulher o abandonara, incapaz de compreendê-lo e, depois do divórcio, o ator entrara numa fase de grande depressão.

— A idade parece que o está afetando — continuou Justin. — Sente-se desesperado, quer encontrar uma maneira de se tornar jovem outra vez. Foi isso que o fez perder a esposa. Agora bebe muito e, se não se controlar, logo terá de dizer adeus à carreira.

Carol sentiu-se indiscreta por estar ouvindo tais confidencias c tentou pôr um ponto final no assunto.

— Acho que ele tem sorte em poder contar com um amigo como o senhor, alguém em quem possa confiar.

— Não estou conseguindo ajudar muito. Tudo que posso fazer é lhe dar uma oportunidade de desabafar e também tentar consolar Catherine, a ex-esposa dele.

Carol visualizou Catherine Endicott Mills, uma mulher belíssima. O divórcio fora amplamente noticiado pelos jornais.

— Por que ela se divorciou, se ainda o ama? — perguntou, desistindo de encerrar o assunto.

— Porque deixou que o orgulho e o ciúme lhe dominassem a alma. Não posso culpá-la, mas hoje os dois estão comprometidos com suas próprias vidas e vai ser difícil se reencontrarem.

Ele voltou à questão inicial; queria saber o que Carol achava da casa.

— O senhor se sente à vontade neste ambiente e é isso que importa, não?

— Ah, o ambiente... Bem, houve uma época em que precisei ostentar a minha riqueza, acho que era mais um problema de auto-afirmação. Depois, tudo isso perdeu sua importância. Mas a imagem da vida opulenta já havia sido criada, e era bom para o Whisper que eu a mantivesse. Às vezes, é muito confortável, mas nem sempre. Tem horas que sinto vontade de largar tudo.

A conversa foi interrompida quando uma loira alta vestida com um impecável conjunto branco entrou no escritório.

— Estou tendo uma conversa informal com Carol Raintree — ele explicou.

Nedra Linsey passou os olhos verdes sobre o pijama e o roupão de Justin.

— Bastante informal — comentou quase divertida. — Adam quer falar com você, antes de ir embora. Ele deverá avistar-se com o agente em uma hora. Está na sala de jantar. — Só então Nedra dirigiu-se a Carol: — Ah, sim, srta. Carol. Sou Nedra Linsey, a assistente do sr. Justin. Vejo que chegou na hora. Excelente.

— Muito prazer.

— Lembre-se. — Nedra voltou-se para Justin. — O prefeito às duas horas. Tudo foi providenciado, o sr. Gulessarian e o pessoal da Texaco deverão chegar às cinco. Jon já chegou para o tênis. Trouxe o instrutor e os dois estão numa disputa firme há meia hora. Ele está prestes a iniciar o novo filme, de forma que esta poderá ser a última oportunidade de vê-lo nos próximos meses. E, se não se apressar, eles acabarão a partida antes que você saia daqui.

Justin murmurou um "tudo bem", resignado diante de todos aqueles compromissos.

Carol sentiu-se fascinada com a importância das pessoas citadas, mas ficou ainda mais interessada em pensar no tipo de relacionamento que haveria entre Justin e sua assistente. Carol se pôs a pensar na aparência elegante da mulher loira e sua atitude quase maternal diante dos compromissos de Justin. Parecia que as duas coisas não combinavam.

— Nedra, já cuidei da entrevista com a srta. Carol. Apenas lhe dê os detalhes desta casa de loucos, sim? — Sorrindo, Justin foi para a sala, expressando a Carol o prazer que havia sido conhecê-la.

Carol constatou que Terry, o mordomo, estava certo: no que se referia ao sr. Justin, ela tinha o emprego. A entrevista tinha sido simples formalidade. "Ou talvez eu tenha passado em algum li pó de teste", considerou. Deixando para trás a magia do charme de Justin O'Neal, voltou toda a atenção para Nedra Linsey.

A secretária apanhou as referências que o editor estivera lendo.

— O sr. Justin explicou quais seriam suas funções aqui?

— De forma rápida.

— Suas referências são aceitáveis, srta. Carol. O sr. Justin parece ter ficado impressionado com sua experiência. Não estou negando que a senhorita tenha feito um bom trabalho como assistente do administrador do Forest View, mas sua função aqui será mais complexa e delicada. Como chefe dos empregados, dependerá da senhorita contratar e demitir todo o pessoal da manutenção e da cozinha. Temos um rigoroso sistema de segurança, mas os serviçais têm grande liberdade de movimentos na propriedade. Às vezes essa liberdade prejudica um pouco.

Carol mostrava-se atenta às palavras de Nedra. Precisava causar boa impressão.

— Como sabe, aqui funciona também o escritório central do Whisper e por isso grande parte do material é de natureza confidencial. Exige tanta proteção quanto as obras de arte. E, naturalmente, a senhorita será a intermediária entre o sr. Justin, os hóspedes e o resto da casa. Se as refeições não forem perfeitas, a culpa será sua. Se um dos hóspedes gosta de sanduíches e chá às três horas, terá de avisar os serviçais; se não for bem atendido, o deslize será seu.

Carol não ficou intimidada com as advertências, já que sua missão naquela casa seria bem diferente da proposta. Mas, apesar de tudo, sentiu-se preocupada. "Como é que vou dar conta de tudo isto?" Pensou nas investigações que realizara com os companheiros da Agência Follett e recuperou parte da confiança. Por causa de sua profissão já trabalhara até num estábulo. Tivera de aceitar alguns tipos de serviço sobre os quais sabia muito pouco. Certa vez, trabalhando na companhia telefônica, quase fora eletrocutada. Mas tudo não tinha passado de ocupações passageiras, não era como a permanência na mansão, que iria exigir-lhe um tempo maior. A convivência com Nedra e o chefe da cozinha deveria ser a mais perigosa; tinha medo de que um deles acabasse por desmascará-la.

Agora, Nedra falava sobre a instabilidade dos empregados. E voltava a empregar o termo serviçais de uma maneira um tanto arrogante. Carol se pôs a imaginar se a responsabilidade pelas demissões não seria da própria Nedra.

Pelo que havia entendido, seu trabalho seria parecido à organização de um campo de férias, só que para um grupo de pessoas ricas e famosas. Imaginou por que Nedra duvidaria de alguém com tanta experiência, mesmo que as referências fossem todas falsas. Talvez não quisesse outra mulher por perto. Ou, quem sabe, a relação entre ela e Justin não fosse apenas uma questão de trabalho.

Depois de descrever em detalhes as tarefas que o cargo exigia, Nedra anunciou o salário e os benefícios a que ela teria direito. Era uma soma respeitável e Carol pôs-se a divagar. Até que não seria mal: um chalezinho só para si, o contato constante com astros de cinema e o patrão mais sensual que já vira. Controlou uma vontade de sorrir. De repente, lembrou-se de novo o que a trouxera ali: tinha de encontrar o exemplar do relatório da MVA, precisava provar que o Whisper se apropriara indevidamente do documento e assim ajudar a desmascarar o jornal.

Ciente do súbito silêncio no escritório, Carol percebeu que Nedra estava aguardando uma resposta. Quando pensou em falar alguma coisa, a secretária a interrompeu:

— Posso ver que a senhorita preferiria uma atividade menos complicada, não é? Esta função é exigente demais! Estou certa de que o sr. Justin compreenderá...

— Ah, não. O emprego parece ótimo. Estava só imaginando o tamanho da mansão, o número de pessoas com quem estarei trabalhando.

À medida que Nedra lhe respondia às perguntas, Carol indagou-se por que a secretária estaria tentando desencorajá-la.

Viu com o canto dos olhos Justin subir correndo uma escada do mármore no saguão. A posição em que estava na cadeira só lhe permitiu notar que se movia como um atleta, com a agilidade de uma pantera.

— Mais alguma pergunta, srta. Carol?

— Apenas uma: quando gostaria que eu começasse?

— Tão logo seja conveniente.

— Então, posso começar assim que me mudar.

— Ótimo — a assistente de Justin sorriu, embora não parecesse feliz. — Terry irá mostrar-lhe as dependências.

— Ela já foi? — perguntou Justin do topo da escada. Ele acabara de arrumar a gola da camisa branca de tênis e sorria para Nedra. — Carol Raintree, ela já foi?

— Estão lhe mostrando o chalé.

— Muito bem — disse, descendo a escada.

— Justin, você está certo de que ela é adequada para esta posição? Fiquei muito impressionada com a sra. Dennis, a mulher que trabalhou para Lord Welks.

— Não se preocupe, Nedra, sei o que estou fazendo. — Justin percebia que a assistente estava perturbada porque tinha tomado a decisão de contratar a supervisora da casa sem seu consentimento e, pior ainda, sem mesmo lhe pedir a opinião. — Está tudo bem com você? Dormiu o suficiente a noite passada?

— Sim para a primeira pergunta e não para a segunda. Foi uma noite ruim. Mas hoje será melhor. Obrigada por haver perguntado, Justin.

— Você sabe que me importo, Nedra. Mas agora a situação vai melhorar.

— Vai mesmo? — duvidou ela, saindo logo do saguão para evitar que Justin respondesse.

Justin lembrou-se dos dias em que sua própria mãe sofrerá a dor que a assistente sofria agora. O filho de Nedra era muito pequeno. No caso de Justin, ele tinha cinco anos quando o pai abandonou a família. Como Nedra, a mãe dele era orgulhosa demais para demonstrar ao mundo sua infelicidade. E, como Nedra, dividira o tempo entre um emprego exigente e as responsabilidades para com a criança, ao mesmo tempo lutando para superar a sensação de perda e traição.

Justin sabia que Nedra trabalhava demais. Oferecera-lhe férias, mas ela havia recusado. O fato de cuidar de uma criança depois de um dia cheio na mansão começava a afetar seu trabalho. Reconhecendo esse fato e, sensível como era, Nedra mal escondera o desapontamento por ver que Justin tinha contratado Carol sem seu conhecimento. "Bem", pensou, "isso não pôde ser evitado."

Ele tinha visto Carol Raintree entrar no chalé com Terry. Estava curioso a respeito daquela mulher que invadira sua casa com um falso pretexto. Um informante lhe havia trazido a notícia de que a MVA tentaria processá-lo por danos, devido ao artigo publicado. Para isso precisariam de uma prova, o que seria conseguido através de uma investigadora particular.

Logo intuiu que seria vantagem deixar que a MVA prosseguisse com o plano. Assistiria o desenrolar dos acontecimentos sem interferir, correndo menos riscos.

Carol... Justin sentiu uma grande solidão, uma solidão tão forte que de repente sentiu-se frágil. Pensou de novo nos cabelos de Carol... uma coroa de fogo sob o sol... Se aquela mulher linda tivesse entrado em sua vida de outra forma... Com um suspiro, abandonou esses pensamentos e foi ao encontro do amigo no salão.

— Adam, desculpe tê-lo feito esperar. — Justin apertou a mão do ator, com um sorriso franco, embora não lhe escapasse o copo de uísque que acabara de ser servido e as feições contraídas do outro homem.

— Na verdade, não posso ficar. Tenho de ver meu agente, ele está a minha espera.

— Talvez devesse ir para casa e descansar um pouco, Adam. Você não vai querer que ele lhe veja do jeito que está. Vou pedir para alguém ligar para o escritório. O que me diz?

— Esta bem. Droga, Justin, não sei por que faço isto! — evitando o olhar do amigo, o ator continuou a observar a liquido cor de âmbar à sua frente.

— Olhe, você precisa sair dessa situação e pensar nas propostas tentadoras que o estúdio está lhe oferecendo. Já é hora de acreditar que existem excelentes papéis, além daqueles dos eternos galãs adocicados. Você tem talento, rapaz! E ninguém vai conseguir lhe derrubar! Tem de pensar agora em trabalhos melhores, que lhe dêem chance de mostrar o quanto você é grande!

— Trabalhos melhores? Talvez. Mas e daí? Nada disso me importa, se ela se foi. Sabe, Justin? Nada disso tem sentido, se a vida é vazia... se não há ninguém para partilhá-la.

O dono da casa fez um gesto para que um mordomo que estava passando ajudasse o astro a subir para o quarto.

Depois que Adam saiu, Justin lembrou-se de Jon, que ainda devia estar aguardando pelo jogo de tênis prometido. Correu para fora, sorriu e acenou para Jon e o treinador. Entretanto, a mente voltara-se outra vez para Carol Raintree. Uma ânsia de vê-la tomou conta de todo o seu corpo.




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