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MASARYKOVA UNIVERZITA V BRNĚ

Filozofická fakulta
Ústav románských jazyků a literatur

Portugalský jazyk a literatura

Lucia Bíziková

Importância das línguas tupis para o português brasileiro
Bakalářská diplomová práce

Vedoucí práce: Mgr. Iva Svobodová, Ph.D.


Brno 2008

Prohlašuji, že jsem bakalářskou diplomovou práci vypracovala

samostatně s využitím uvedených pramenů a literatury.

V Brně dne …………………………………….

Agradecimento

Agradeço a Mgr. Iva Svobodová, Ph.D. tanto pelos seus conselhos e apoio, quanto pelo tempo dedicado à orientação do meu trabalho. Sou grata também a todos aqueles que me ajudaram a arranjar os materiais necessários para elaborar este tema, sendo eles PhDr. Simona Binková, CSc. (Centro de Estudos Ibero-Americanos, Praga), Dr. Eunícia Barros Barcelos Fernandes (PUC-RJ), Prof. Jonathan Morris, e outros.


ÍNDICE


ÍNDICE 4

INTRODUÇÃO 5

1. BREVE HISTÓRIA DA FORMAÇÃO DO PORTUGUÊS BRASILEIRO 6

2. AS LÍNGUAS TUPI 9

2.1. Alguns dados básicos 9

2.2. Classificação das línguas indígenas 10

2.2.1. Tupi na classificação de Loukotka 12

2.2.2. Classificação segundo Rodrigues 15

3. KAMAIURÁ 16

3.1. Povos do Alto Xingu 16

3.2. Linguagens da região 17

3.3. Língua Kamaiurá 19

4. INFLUÊNCIA DAS LÍNGUAS INDÍGENAS NO LÉXICO DO PORTUGUÊS BRASILEIRO 21

4.1. Nomes indígenas na nomenclatura brasileira 21

4.2. Palavras indígenas no vocabulário brasileiro 24

4.2.1. Gladstone Chaves de Melo 24

4.2.2. Antenor Nascentes 25

4.2.3. Luísa Galvão Lessa 25

4.2.4. Paulo Hernandes 27

4.2.5. Sílvio Elia 28

4.3. Vocábulos incorrectamente qualificados como tupinismos 29

5. EXTINÇÃO DAS LÍNGUAS INDÍGENAS 32

CONCLUSÃO 34

BIBLIOGRAFIA 36


INTRODUÇÃO


O objectivo do trabalho apresentado será aludir a importância das línguas indígenas na variedade brasileira do português, sobretudo a das línguas tupis. Escolhemos este tema para realçar o factor que tem tanto enriquecido o idioma no Brasil e que é muitas vezes esquecido.

Visto que ainda hoje há, no Brasil, mais de 180 línguas indígenas, dirigiremos a nossa atenção às línguas tupis que do ponto de vista histórico foram as mais divulgadas, tiveram o maior contacto com o português e assim têm nele deixado o maior legado.

O nosso trabalho compor-se-á de cinco capítulos principais, dos quais três são repartidos em outros sub capítulos que procuram tratar alguns aspectos mais específicos de cada conjunto.

O primeiro capítulo dedica-se a história do português no Brasil. Esboça os factos principais de contacto entre os colonizadores e os povos indígenas. Refere-se aos elementos que mais influenciaram o português brasileiro.

No capítulo seguinte falamos sobre as línguas tupis. Apresentamos as informações básicas sobre os falantes dessas línguas, quer do passado, quer do presente e completamo-las por alguns dados estatísticos. Incorporamos nele também as classificações de dois linguistas mundialmente reconhecidos.

O terceiro capítulo é dedicado a uma das línguas da família Tupi-Guarani, Kamayurâ, o idioma da região de Alto Xingu. Caracterizamos os povos e as línguas desta zona. Tentamos delinear os factos mais importantes sobre a língua de povo Kamayurâ. Temos escolhido este grupo e a sua língua por uma simples razão de ser o único acessível dos restantes do grupo linguístico Tupi.

O quarto capítulo descreve a influência das línguas indígenas, na maior parte das tupis, na variante brasileira do português. Os sub capítulos demonstram a sua influência tanto na nomenclatura, quanto no vocabulário diário e incluímos neles exemplos de vários linguistas. Além disso anexamos uma outra parte que trata de falsos tupinismos, palavras incorrectamente classificadas como oriundas de Tupi.

E, por fim, no último capítulo dedicamo-nos à extinção das línguas indígenas salientando a importância de preservá-las e incluindo dados das pesquisas recentes sobre as línguas vivas, as em vias de extinção e as extintas.


1.BREVE HISTÓRIA DA FORMAÇÃO DO PORTUGUÊS BRASILEIRO


O português foi trazido para o Brasil pelos navegadores lusitanos em 1500. Naquela época havia mais de 1 000 línguas indígenas de várias famílias linguísticas no território brasileiro. O contacto de cada uma destas famílias com o português variava. Por exemplo, o numeroso povo da família Jê foi-se deslocando para o interior do país e assim chegou a conhecer o português apenas nos fins do século XVII. As comunidades das famílias Aruak e Karib permaneceram isoladas por mais tempo ainda, principalmente aquelas amazónicas.

A língua Tupi-Guarani foi conhecida como a língua mais divulgada. Esta subclassificava-se em três grupos essenciais; o amazónico chamado também de Nheengatú, o Tupi usado no litoral, denominado língua geral, e o Guarani ou Abaneenga, que era falado na zona do sul. Os três grupos mencionados foram divididos, consequentemente, em dialectos.1

O estabelecimento das capitanias hereditárias em 1532 deu início à colonização efectiva dos portugueses que começou pelo litoral brasileiro. Naquela altura o território entre a Bahia e o Rio de Janeiro foi ocupado por distintas etnias da família Tupi e Guaraní, semelhantes tanto do ponto vista cultural como também linguisticamente. Precisando os colonos comunicar com os nativos, foram obrigados a aprender os dialectos e idiomas deles. Os grupos mais abertos ao contacto com os portugueses falavam a língua Tupinambá, que serviu de base para a língua geral criada para a melhor comunicação entre os colonizadores e os indígenas. Os que mais estudaram a língua geral foram os jesuítas porque a língua servia-lhes para a evangelização dos nativos. O jesuíta, padre José de Anchieta documentou-a no seu livro de 1595 titulado Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil. A língua geral foi o primeiro factor que tinha influido o português trazido para o Brasil pelos navegadores. 2

Uma outra influência marcante na variedade brasileira do português foi a das línguas africanas trazidas pelos negros, no período da escravatura. Os escravos precisavam de aprender o português para poderem comunicar com os seus donos. Também eles aprendiam a língua geral baseada em línguas indígenas já que esta foi a língua mais divulgada naquele tempo. Tradicionalmente a língua falada em São Paulo era a língua geral enquanto o português servia, por exemplo, para os fins de ensino escolar.

Nos finais do século XVII levantou-se, no Brasil, uma grande onda de imigração dos portugueses que habitaram os novos centros económicos fundados em consequência da exploração do interior do país e o descobrimento do ouro e das pedras preciosas. Com a elevação de número dos portugueses, o uso das duas línguas, do português e da língua geral, nas famílias diminuía-se. A partir da segunda metade do século XVIII, a importância do português cresceu até ao ponto em que se tornou a língua predominante e finalmente o idioma oficial. Este estatuto foi garantido pelo decreto de Marquês de Pombal datado de 17 de Agosto de 1758, que não só declarou o português a língua oficial, mas também proibiu o uso da língua geral. Naquela altura o português já tinha sofrido várias mudanças, o que corresponde a etimologia natural de todas as línguas. Porém, a variante brasileira tinha se evoluído de uma maneira diferente em comparação com o português europeu.

O tráfico negreiro diminuiu depois de 1822, o ano da proclamação da independência do Brasil, e, finalmente, terminou por volta de 1888.

Durante o Romantismo, na segunda metade do século XIX, havia tendências dos autores brasileiros de distinguir o Brasil, a antiga colónia, do império europeu. Para isso servia a figura do índio, que se tornou o símbolo da brasilidade, e também as expressões das línguas indígenas, como foi o caso exemplar das obras do romancista José de Alencar.

Já no começo do século XX, os modernistas reavivaram a ideia do regresso aos raízes nacionais, publicando vários manifestos e obras que tratavam do tema da criação de uma identidade própria dos brasileiros. Entre outros conta-se o escritor Mário de Andrade e o seu trabalho chamado Gramatiquinha da Fala Brasileira.

Desde a época da colonização portuguesa no Brasil, o português recebeu muitas influências. A língua geral foi-se tornando uma língua isolada o que foi ainda mais intensificado quando chegaram ao país os imigrantes da Europa e da Ásia e com eles também muitas línguas, como por exemplo, as línguas alemã, italiana, francesa, japonesa, cujo contacto com o português foi uma das razões da diversificação da língua portuguesa.

Até hoje perdura a questão da divergência das variedades brasileira e europeia do português. A forma brasileira mantém a estrutura gramatical quase idêntica à variedade europeia. No que diz respeito ao vocabulário do português brasileiro, este continua idêntico, na maior parte ao europeu, mas já dele podemos deduzir que foi influenciado não só pelas línguas indígenas e africanas, como também pelo francês, espanhol, italiano e inglês. A diferença mais notável é evidente, sobretudo, no campo da fonética e apesar dela existem ainda algumas divergências semânticas entre as duas variedades.3

O processo de evolução da língua, que traz consigo mudanças, é natural. Quando dois grupos linguísticos se afastam do ponto de vista geográfico, como foi o caso da antiga colónia e do império, podem se separar também linguisticamente. Por isso é possível que a variante brasileira um dia chegue a ser considerada uma língua distinta do português europeu.4



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