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MASARYKOVA UNIVERZITA V BRNĚ


Filozofická fakulta
Ústav románských jazyků a literatur

Portugalský jazyk a literatura

Nikola Štěrbová

O Medo na Poesia de Al Berto
Bakalářská diplomová práce

Vedoucí práce: Mgr. et Mgr. Vlastimil Váně


Brno 2008

Prohlašuji, že jsem bakalářskou diplomovou práci vypracovala


samostatně s využitím uvedených pramenů a literatury.

V Brně dne 8. 1. 2008 …………………………………….

Za cenné připomínky, věnovaný čas, trpělivost a především vstřícné vedení mé bakalářské práce bych velmi ráda poděkovala Mgr. et Mgr. Vlastimilu Váňovi.




ÍNDICE





MASARYKOVA UNIVERZITA V BRNĚ 1

Prohlašuji, že jsem bakalářskou diplomovou práci vypracovala 2

ÍNDICE 4

INTRODUÇÃO 5

1. O CONTEXTO CULTURAL E LITERÁRIO DOS ANOS 70 E 80 DO SÉCULO XX 7

2. BREVE APRESENTAÇÃO DE AL BERTO 10

3. OS MODELOS E PILARES DA POESIA DE AL BERTO 14

3.1. Os modelos literários e culturais 14

3.1.1. Camões 16

3.1.2. Cesário Verde 17

3.1.3. Pessoa/ Álvaro de Campos 18

3.2. A função de escrita na obra al bertiana 19

4. O MEDO – TRABALHO POÉTICO 1974-1997 22

4.1. À Procura do Vento num Jardim d´Agosto 24

4.2. Trabalhos do Olhar 26

4.3. Horto de Incêndio 28

5. O TEMA DO MEDO N´O MEDO 30

5.1. Medo do tempo 32

5.2. Medo da perda 34

5.3. Medo de permanecer 36

CONCLUSÃO 38

BIBLIOGRAFIA 40

PRIMÁRIA 40

SECUNDÁRIA 40

PÁGINAS DE INTERNET 41



INTRODUÇÃO

O presente trabalho quer oferecer uma análise da obra poética do escritor português Al Berto. A delimitação deste trabalho consiste na investigação acerca da temática da poesia al bertiana, principalmente do medo e das suas manifestações nos versos na reunião da poesia publicada do autor intitulada O Medo. Vamos também aludir à vida do poeta, mencionando os factos da sua vida que consideramos relevantes e importantes para perceber a sua produção literária.

A obra poética al bertiana é tão extensa que seria impossível fazer um estudo pormenorizado da temática do medo e das suas manifestações que abrangesse todas as colectâneas publicadas n´O Medo. As proporções deste trabalho são limitados e por isso somos obrigados a fazer certa selecção e dirigimos a nossa atenção às colectâneas que consideramos mais relevantes para o estudo do tema.

Neste lugar ainda cabe um breve comentário que indique os poucos trabalhos críticos existentes respeito da obra de Al Berto. Trata-se dos trabalhos mais importantes e exaustivos sobre a producção literária al bertiana. A primeira referência significativa registra-se em Joaquim Manuel Magalhães no texto Alguns aspectos dos últimos anos. O autor continua com a crítica mais acadêmica no livro Os Dois Crepúsculos – sobre a poesia portuguesa actual e outras crônicas. Logo Fernando Pinto Amaral no estudo O Mosaico Fluido contempla a modernidade e pós-modernidade na poesia dos anos 70 e 80 e dedica um capítulo exclusivo à poesia de Al Berto. Entre os ensaios curtos sobre a poesia de Al Berto destacam-se trabalhos de Eduardo Prado Coelho e António Ramos Rosa, entre outros. Os pesquisadores Mário César Lugarinho e Mark Sabine têm contribuído à crítica da obra de Al Berto à luz das teorias de estudos gay e lésbicos e da teoria queer, aludindo ao facto de que a obra do poeta ofecere ajuda na compreensão da cultura gay lusitana. É importante mencionar os trabalhos do poeta e ensaísta português Manuel de Freitas, Noite dos Espelhos e Me, Myself and I (Autobiografia e Imobilidade na Poesia de Al Berto). E por último, no Brasil, surgiram recentemente Dissertações, primeira escrita por Tatiana Pequeno Silva, Al Berto: Um Corpo de Incêndio no Jardim da Melancolia, e segunda por Emerson da Cruz Inacio, A Herença Invisível: Ecos da “Literatura Viva“ na Poesia de Al Berto.

O nosso trabalho está dividido em cinco capítulos principais. No âmbito do primeiro capítulo vamos fazer a introdução ao tema, apresentando o contexto cultural e literário das décadas da maior produção literária de Al Berto.

No segundo capítulo pretendemos brevemente apresentar o escritor Al Berto cuja obra revela, como mostraremos, forte tendência autobiográfica. Vamos apoiar-nos na única biografia de Al Berto, escrita pela pesquisadora romena Golgona Anghel.

O capítulo seguinte vai convocar os “fantasmas“ de Al Berto, quer dizer os modelos culturais e literários relevantes à leitura intertextual da sua poesia e, segundo, vai tratar da função de escrita na sua poesia, sendo a escrita contra o medo.

No capítulo quarto vamos apresentar a reunião das colectâneas do autor, intitulada O Medo e vamos escolher colectâneas significantes para fazer o estudo pormenorizado e assim para mostrar a evolução na obra al bertiana, no mais de vinte anos de escrita.

E, finalmente, o objectico do último capítulo é tentar encontrar as manifestações do tema do medo nos versos de Al Berto, de acordo como aponta o próprio título do presente trabalho.

1. O CONTEXTO CULTURAL E LITERÁRIO DOS ANOS 70 E 80 DO SÉCULO XX

Em Portugal, a época dos 70 e 80 é marcada e inseparávelmente ligada com a Revolução dos Cravos e com a liberdade assim conseguida; encontrando-nos no campo artístico, podemos falar sobre a liberdade de expressão novamente atingida. Emergem os novos discursos literários que já não têm que obedecer a máxima salazarista “Deus, Pátria e Família“. Isso constitui o certo rompimento com a tradição, quer social, quer cultural, quer literária.

Neste contexto há-de considerar também relevante o movimento que surgiu nos Estados Unidos e Europa na década dos 60. É muito difícil de denominá-lo, mas significou uma liberação total das ideias, do pensamento, do moral. Tratou-se de um ataque profundo na sociedade conservadora do mundo occidental. Podemos falar sobre underground, sobre cultura alternativa, marginal, até podemos chamá-lo contracultura, o nome tanto faz. O que é importante é o impacto que tinha na cultura da civilização occidental. Os precursores, que influirão mais tarde também o autor do corpus deste trabalho, eram já nos anos 50 os jovens intelectuais, que nos Estados Unidos contestavam o consumismo da sociedade daquela época, formando a chamada Geração Beat. Logo se segue o movimento Hippie que negou radicalmente todos os valores que a sociedade tinha considerado importantes. Não podemos esquecer também a rebelião estudantil ocorrida na França em 1968.

Acabámos de citar os acontecimentos importantes que depois da caída da dictadura em Portugal influirão consideravelmente o campo cultural e literário português. Também os artistas portugueses vão buscar as novas expressões artísticas, já que, com a desaparição da censura, se abrem novas possibilidades temáticas. Os ambientes de underground da Europa representaram os ideais democráticos e libertários e o clichê de aquel então, “sexo, drogas e rock’n’roll“, significou a fonte de inspiração para muitos artistas.

A abertura política e cultural que procedeu da Revolução dos Cravos possibilitou a escrita sobre o desejo erótico, particularmente sobre a homossexualidade masculina. Neste lugar é preciso aludir a António Botto e Mário de Sá-Carneiro e, consequentemente, à homossexualidade destes escritores. Na primera metade do Século XX a sua producção literária revelou a “estética pederástica“ que significou o impulso importante para a escrita sobre o desejo homoerótico em Portugal. Não podemos deixar Al Berto de parte, sendo denominado por alguns críticos literários “poeta queer1. O conceito “queer“ neste contexto empleou na literatura William S. Burroughs em 1953 com a publicação da novela do mesmo nome. Literalmente significa “estranho“, o seu significado actual está ligado com movimentos gays, lésbicos e transgêneros e podemos traduzi-lo como “gay“. A disseminação global da consciência gay surge nos anos 60, sobretudo depois dos motins de Stonewall em 1969, uma série de conflictos violentos entre polícia e grupos de homossexuais no bar chamado Stonewall In em Nova Iorque. Como já afirmamos, é somente depois da Revolução de 1974 quando as vozes que nomeiam o desejo homoerótico tornam-se audíveis em Portugal. E é próprio Al Berto quem introduz à literatura portuguesa pontos cardeais da subcultura queer, motivos como é o uso da droga ou ambiente dos bares nocturnos e quartos de hotel por hora, e também vocábulos chaves pertencentes ao calão homossexual. O poeta assim oferece auxílio para a compreensão da cultura queer portuguesa.

Neste lugar queremos descrever o ambiente literário em Portugal, principalmente o campo da poesia. O que pretendemos com este pequeno resumo da época determinada da poesia portuguesa é uma introdução ao corpus deste trabalho. É preciso dizer que fazer aquel resumo é sempre um trabalho incompleto e bastante artificial, ora pelo número dos artistas a referir, ora pelas fronteiras muitas vezes vagas entre estéticas e modelos. Queremos indicar só as tendências e estéticas que achamos relevantes no contexto deste trabalho.

De acordo com Fernando Pinto do Amaral2, podemos mencionar características básicas do período dado. Trata-se da noção da pósmodernidade; da ausência de grupos homogéneos e emergência de obras individuais; do regresso a um certo lirismo e a uma expressividade mais próxima das sensações e dos sentimentos individuais. Nos anos 70 surge na poesia um discurso emocional, como explica outro crítico literário, Joaquim Manuel Magalhães na sua obra Os dois crepúsculos: (…) Assim irrompe uma explicitação dos lugares do corpo, uma afirmação dos desejos e das intenções, uma narração dos confrontos com a ordem do lugar, ligados a um discurso mais empenhado em declarar do que em sintetizar ou visualizar. Daqui, igualmente, um novo impulso ideológico, pelo qual o político regressa ao claramente exprimido. Não já o da ordem burocrática do neo-realismo, mas o da agressão, da sexualidade, da droga, da desordem.(…)“3

Dentro deste período também surgem duas estéticas que consideramos bastante antinómicas. Paula Cristina Costa, ensaísta e crítica portuguesa, fala no seu artigo chamado “Algumas tendências da poesia portuguesa contemporânea desde os anos 50 até 2000“4 sobre um novo realismo na década dos 70, sobretudo após 25 de Abril. Este novo realismo é representado por exemplo pelos chamados poetas do Cartucho: Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge, António Franco e Helder Moura Pereira. Trata-se duma crónica dos acontecimentos banais e quotidianos, tentativa de fixar-se a realidade que nos rodeia, regresso ao real. É relacionado com a certa inclinação à narratividade.

Por outro lado, podemos observar outra tendência, de teor neo-romântico, como afirma Fernando Pinto Amaral: “(…)Em todo o caso, convém referir que alguns autores regressaram a um certo lirismo e a uma expressividade mais próxima das sensações e dos sentimentos individuais, onde avultam grandes obsessões do amor, da morte, do tempo, etc. Tal retorno aparece recortado num pano de fundo onde se verifica o recrudescimento de um pathos irracional, fruto das emoções e por isso associado ao eclodir de uma subjectividade por vezes mesmo confessional ou intimista, que se oferece à partilha afectiva do leitor e recorre com alguma frequência a imagens ou símbolos de teor neo-romântico.(…)“5

Achamos que essas duas características da poesia, a narratividade por um lado e o lirismo confessional por outro lado, podemos detectar na obra do autor do corpus deste trabalho e vamos tratar disso nos capítulos que seguem.





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