Masarykova univerzita



Baixar 0.68 Mb.
Página2/28
Encontro15.04.2018
Tamanho0.68 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   28

2. Definição de infância e a relevância da educação pré-escolar

Para uma definição clara do que é a infância é preciso levar em consideração o desenvolvimento histórico da sociedade como tal. Ao longo dos tempos a percepção de infância modificou-se consoante a evolução das sociedades, nas quais aquelas estavam inseridas, entretanto, o papel das crianças em todas estas sociedades sempre esteve ligado às exigências e às necessidades das suas épocas.

No decorrer dos anos o papel da criança alterou-se significativamente, passando a desempenhar nos dias de hoje o destaque de ser considerado o “futuro” de uma sociedade, em cujo futuro se põem as maiores expectativas; mas nem sempre foi assim, no passado, em algumas sociedades, a criança era considerada um ser sem importância, que era necessário integrar na sociedade o mais rápido possível e só daí teria alguma relevância.

As necessidades das novas sociedades levaram a mudanças radicais no que se refere aos padrões sociais. Uma das grandes mudanças deu-se no papel a desempenhar pela criança nestas sociedades e a partir dai a criança ganhou relevância, bem como o reconhecimento das suas qualidades e necessidades.

A educação e a cultura ganharam destaque e importância, a capacidade de aprendizado e as formas de comunicação, linguagens, leitura e escrita começaram a fazer parte dos conhecimentos necessários para estes “indivíduos”. Como efeito, a aquisição da língua materna ganhou também destaque pois tornou-se inevitável a necessidade de se comunicar, absorver e transmitir conhecimentos para as outras gerações.

Ao seu lado, os “indivíduos” logo se aperceberam que a consecução de um domínio completo das línguas possibilitava-lhes o alcance da uma educação em patamares mais elevados e assim, garantia-lhes melhores oportunidades de trabalho e posições sociais.

Por esta razão, no segundo capítulo serão apresentadas, de maneira abreviada, a concepção da infância, uma vez que consideramos importante definir a posição actual da criança na sociedade e, em seguida, o sistema educativo pré-escolar português com o seu contexto legislativo e os pré-requisitos para o ensino da língua materna, já que as crianças passam a maioria do dia no JI e, por isso, este torna-se o local onde certamente aprenderão mais.

2.1 O conceito de infância

Tal como apresentado anteriormente o conceito de infância alterou-se ao longo dos séculos e difere mediante o período da história. Conforme o dicionário Priberam a infância é um período da vida humana desde o nascimento até à puberdade.4 Por outro lado, quando pensamos na etimologia da palavra “infância”, encontramos a sua origem na palavra latina “infans”, que significa “não capaz de falar” 5 e que naquele tempo estava diretamente relacionado à formação, nascimento e crescimento dos dentes das crianças.

Por isso, na idade média, considerava-se que a infância terminava entre os seis ou os sete anos de idade, justamente no mesmo período em que se trocava a primeira dentição. Actualmente, este conceito difere significativamente, pois considera-se a infância o período que antecede a puberdade, ou seja por volta de onze anos de idade.

Porém, independentemente do ponto de vista, o medieval e o actual, podemos ver que a diferença entre o termino do período de infância leva em consideração as mudanças físicas como o factor mais relevante.

O conceito actual leva em consideração os desenvolvimentos físicos e psíquicos da criança e assim, a infância que compreende um período de até 11 anos de idade, foi dividido em três partes:


  • primeira infância: desde o nascimento até aos três anos de idade,

  • segunda infância: dos três aos seis anos de idade, que correspondem ao período pré-escolar e,

  • terceira infância: dos seis aos onze anos de idade, que correspondem em Portugal aos primeiros dois ciclos do ensino básico.

Cada um destes três períodos requer diferentes tipos de educação, que são específicos para cada grau de desenvolvimento psíquico e físico da criança. Esta nova realidade na educação exige das instituições novas e variadas técnicas de educação para cada caso.

Com isto, as instituições de educação pré-primária ganham importância cada vez mais crescente, ao contrário do que foi no passado, onde estas instituições primavam apenas pela luta contra o analfabetismo. No conceito actual, considera-se para as instituições de educação pré-escolar um segundo papel de igual importância, «... reconhecia-se a este nível de ensino o seu contributo para o desenvolvimento da capacidade de raciocínio pela exercitação oral e escrita da língua portuguesa.»6

Assim, considera-se a criança um indivíduo completamente inserido na sociedade cuja visão do mundo e necessidades são diferentes das dos adultos. A sociedade moderna também entende que é necessário garantir às crianças direitos especiais e a partir daí, são criados novos mecanismos (leis, estatutos etc.) de forma a dar estas garantias. Como exemplo, em 1990, Portugal ratificou o documento “Convenção sobre os Direitos da Criança” da Organização das Nações Unidas, garantindo-lhes os direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais.7 Sendo este o documento mais importante a tratar deste tema.

Os estudos no campo da psicologia das crianças na faixa etária de 3 a 5 anos tem despertado o interesse de muitos investigadores e estes estudos abordam os mais variados temas, como por exemplo, o desenvolvimento psicológico, fisiológico ou da personalidade da criança etc.

Igualmente, temos um especial interesse nos estudos psicológicos, pois, além de termos experiência prática, também os consideramos importantes já que estes fundamentam os estudos de aquisição da linguagem, especialmente os da língua materna. Conforme Schirmer, «a produção da fala e linguagem pode ser considerada adequada ou não de acordo com a idade cronológica. Para avaliá-la é necessário levar em conta os processos cognitivos e emocionais do desenvolvimento...»8 Em outras palavras, é necessário ao investigador ter plena consciência sobre esses desenvolvimentos da criança para que assim possa efectuar o seu estudo de forma eficaz.

Uma vez que o nosso estudo é direccionado à linguística não nos poderemos focar na psicologia, porém diante da sua importância, não deixaremos de citá-la em nosso trabalho e para isto a apresentaremos no Anexo B: Desenvolvimento psicológico da criança até aos seis anos de idade.





Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   28


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal