Masarykova univerzita



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3. Metodologia de pesquisa

Antes de começar a tratar propriamente os fenómenos ocorridos na aquisição da língua materna, consideramos importante descrever, na parte introdutória, a forma como a própria pesquisa foi realizada.

Desde o início, procedemos de acordo com a definição da própria metodologia, que «é um esquema teórico-práctico que define procedimento de realização de uma actividade especializada. Tem origem no conhecimento científico e na experiência. Determina precisamente os procedimentos particulares necessários para a execução de dada actividade.»15 Geralmente a metodologia da pesquisa abrange três campos fundamentais:


  • determinação do objecto do estudo: aquisição da língua materna,

  • decurso da investigação: realização da própria pesquisa na instituição selecionada, e,

  • avaliação dos resultados: elaboração do presente trabalho.



3.1 Fase preparatória

Sendo o tema da aquisição da língua materna bastante amplo, era preciso, na primeira fase da pesquisa, determinar o objecto e o lugar do estudo. Portanto, a fase preparatória é definida por dois passos:



  • estudo dos materiais,

  • escolha da instituição.



3.1.1 Pesquisa bibliográfica

A pesquisa documental é uma parte essencial de toda e qualquer pesquisa e tem por fundamento a elaboração das informações referentes ao tema e ao objecto do estudo. Possibilita assim a obtenção do conhecimento sobre a matéria e especifica a forma da investigação.

Baseando-nos na leitura, foram definidas as seguintes questões:


  • Como as crianças adquirem a linguagem e a língua materna?

  • Qual o nível de conhecimento das crianças relativamente à gramática?

  • Quais são os vícios de linguagem mais frequentes proferidos pelas crianças?



3.1.2 Instituição acolhedora

Tendo em conta o objectivo do trabalho era necessário escolher a instituição que respondesse aos pré-requisitos do estudo. A opção pelo jardim de infância (JI) foi feita, tendo em conta, sobretudo, a amostra de crianças que esse pode oferecer. Isto significa que as crianças ainda se encontram no nível inicial de aquisição de língua, não sofreram muita influência da comunidade, têm idade próxima e a divisão nos grupos permite classificar e distinguir a evolução do processo, que pode ser facilmente confirmada tanto entre os grupos como no grupo próprio.



3.2 Fase constructiva

A segunda fase orienta-se na realização e execução de pesquisa. Nesta parte será especificado o carácter do local da investigação, as etapas de pesquisa, o tipo de estudo e de colecta dos dados e, conseguinte, a forma da análise.



3.2.1 Local e tempo de realização

A própria pesquisa foi realizada no Jardim Infantil de SASUC no período de Setembro 2009 a Junho 2010.

Este JI é, em primeiro lugar, reservado para os filhos dos estudantes, funcionários e professores da Universidade de Coimbra. A disposição do local e o número dos funcionários admite a aceitação de aproximadamente 60 crianças, dependendo das possibilidades dos grupos particulares. Nesta instituição são aceites crianças nas faixas etárias entre 3 e 6 anos de idade; explicitamente, começando o ano lectivo em Setembro, é conveniente que a criança faça o 3º aniversário até o mês de Dezembro do respectivo ano e assim, antes de passar para escola primária, visitam o JI os que já têm 6 anos.

As respectivas faixas etárias são divididas em quatro grupos diferentes de seguinte maneira: dois grupos de três anos16, um de quatro e um de cinco. Cada grupo atribui ênfase e pré-requisitos aos objectivos específicos tendo em conta a idade e as capacidades das crianças17.

Ao longo do ano a pesquisa foi dividida em várias etapas e no trabalho em grupos particulares. A presença nos grupos foi influenciada pela assistência de outras estagiárias no JI. Sendo assim, o plano primordial foi alterado de maneira que o programa do grupo não tivesse sido perturbado e, em primeiro lugar, que as crianças não tivessem sido expostas às situações de estresse.

Portanto, a pesquisa ocorreu de forma seguinte:



  • grupo de três anos: meses de Setembro, Outubro, Março, Abril,

  • grupo de quatro anos: meses de Novembro a Fevereiro, Maio, Junho,

  • grupo de cinco anos: meses de Novembro a Junho.



3.2.2 Amostra

O modo de escolha da amostra já foi dado pela preferência da instituição e pela própria divisão dos grupos nela existentes. Apesar de que se tratarem de grupos de crianças fechados é possível afirmar que a amostra é acidental porque, com antecipação, não era possível prever quais crianças fariam parte deste grupo. Assim, cada criança tinha a oportunidade de ser incluída na amostra. Por outro lado, conhecendo as certas condições do JI é preciso constatar que para a amostra não foram incluídas todas as crianças.

Desta amostra não fazem parte as seguintes crianças: crianças com problemas de capacidade de comunicação perturbada, crianças cuja língua materna não é o português e crianças das famílias bilíngues.

No caso presente, as crianças nascidas nos países da expressão portuguesa não foram excluídas da investigação mas a sua participação é limitada. Para o estudo não se consideram relevantes certos fenómenos que ocorrem na aquisição de língua materna, tais como a pronúncia, vocabulário ou construção das frases que é típica para a comunidade donde a criança provém e, nela, são considerados linguísticamente correctos. Para a compreensão mais fácil apresenta-se este exemplo:



  • C1G4I5: «O comboio já partiu-se.» Esta frase não é linguisticamente correcta nem em português europeu nem no país de origem da criança e, por isso, valida-se no estudo.

  • C1G2I3: «... já comprei o negocinho...» Neste caso, a utilização de palavra “negocinho” não é típica para o falante português mas no país de origem é comum e, por isso, não se valida neste estudo.

Destacamos que o estudo foi feito durante toda a invetigação conforme as regras éticas sendo levada em consideração e sendo respeitada sempre a privacidade dos participantes na publicação. Os responsáveis das crianças citadas neste trabalho deram a autorização para podermos publicar as citações. A fim de proteger a confidencialidade das informações todos os participantes receberam códigos alfanuméricos de seguinte forma: C1G2I3 – C1 significa o número da criança que pertence no grupo G2 que é de faixa etária I3.

Foi tomado o devido cuidado de preservar o sigilo dos nomes das crianças nas suas falas e citações pessoais, as quais envolvam eventualmente os seus nomes e/ou os de seus colegas. Para tanto, todas as crianças de ambos os sexos, feminino e masculino, foram identificadas respectivamente como “Ana” e “David”.



3.2.3 Instrumentos de colecta dos dados

O método elementar na colecta dos dados foi a observação dos acontecimentos no JI e participação nas actividades particulares. Para a observação é característico que «examinamos as pessoas e as suas manifestações sem interferência intencional...»18

Apesar da presença diária no JI e no programa dos grupos particulares, pode-se dizer que o processo da observação entrou a evoluir sem planejamento prévio e sem condições controladas devido às diferentes actividades diárias.

Por outro lado, esta presença diária possibilitou a participação nas actividades cotidiánas de tal maneira que as crianças começaram a considerar a investigadora como a parte do grupo e criaram uma relação pessoal com ela. Devido a esta interacção a investigadora teve «...a experiência imediata com as situações e com os fenómenos observados.»19 Neste caso fala-se da observação participada.

Ainda que se tratasse duma observação participada a colecta dos dados ocorreu na forma passiva. As informações acerca da comunicação entre as crianças e entre elas com os educadores e a investigadora foram apenas registadas sem intervenção e/ou correcção. Assim as acções e manifestações das crianças ocorreram espontaneamente, sem que estas aperceberam-se do estudo, sem as expor às situações constrangedoras e, também, sem induzir as situações.

O segundo método determinante foi a análise dos resultados das actividades das crianças. Neste caso falamos da interpretação das proclamações que foram registadas pelos educadores na forma escrita e dão explicação daquilo que a criança pintou, criou ou achou sobre as experiências feitas no JI. Por exemplo o registo escrito da experiência “Sentimos o ovo”, quando as crianças falaram o que achavam e sentiam quando tocavam num ovo.





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