Masarykova univerzita



Baixar 0.68 Mb.
Página5/28
Encontro15.04.2018
Tamanho0.68 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   28

3.3 Fase redacional

Finalizaremos a secção da metodologia com uma breve explicação e informações acerca de como o estudo é organizado e explicaremos como são considerados os discursos particulares das crianças.

Em primeiro lugar, anotamos que, como os discursos das crianças foram registados naturalmente de modo não interventivo (apenas pelo registo das falas espontâneas das crianças sem a intervenção ou indução às respostas), estes podem incorrer em diferentes fenómenos de diferentes camadas gramaticais ao mesmo tempo.

Quando escolhemos uma frase, que possui o conjunto de diferentes fenómenos, enfocamos sempre e somente no problema em vigor e assim, os outros fenómenos tornam-se irrelevantes para nós. Também, por este motivo, algumas frases podem aparecer repetidas ao longo do trabalho, porque exactamente nestas frases podemos confirmar que um fenómeno comprova o processo de aquisição duma regra gramatical e o outro não.

Na apresentação dos exemplos, demos preferência àqueles que consideramos mais interessantes, por esta razão, obviamente, não mencionaremos a todos.

Para finalizar, após a conclusão e análise de cada fenómeno gramatical, apresentaremos de forma abreviada as conclusões extraídas dos resultados.



4. Comunicação

Para podermos falar sobre o processo de aquisição de linguagem, de língua materna e sobre as demais camadas linguísticas, temos que esclarecer primeiro o que é a comunicação e quais são os instrumentos com quais esta pode trabalhar.

Desde os tempos imemorias, os seres vivos comunicam-se para designar, por exemplo, os seus pensamentos, as suas necessidades ou as relações sociais. No capítulo sobre o conceito da criança não tratamos somente sobre a relevância da educação, mas também sobre a importância da capacidade comunicativa como uma das mais fundamentais para que os indivíduos possam integrar-se na sociedade e atingir, assim, um nível social melhor.

As diversas abordagens contribuem para a explicação do termo comunicação e cada uma delas explica a comunicação do ponto de um vista diferente. Mas, em geral, podemos dizer que existem três componentes essenciais para a abordagem da definição da comunicação, que determinam qual destas é a que prevalece.

Em primeiro lugar, podemos pensar na comunicação somente nas suas componentes de transmissão e assim, encontramos uma abordagem mais linguística. (comunicação como o sistema de signos) Em segundo lugar, podemos considerar a comunicação como a transmissão da informação, ou do nosso pensamento e assim, encontramos uma abordagem mais psicológica. Finalmente, podemos entender a comunicação como um instrumento pelo qual criamos as relações e assim, encontramos uma abordagem mais sociológica.

Além destas abordagens gerais, podemos encontrar na definição de comunicação várias considereções ou vários pontos de vista. Por exemplo, podemos pensar somente no processo de transmissão das informações (esquema de comunicação); podemos também considerar somente do ponto de vista da ocorrência (falada ou escrita); ou ainda “entre quem” esta transmissão ocorre (comunicação oficial ou não oficial) e assim por diante.

Por este motivo, na nossa explicação da comunicação, além da definição geral, enfocaremos, também, nas componentes de transmissão. Em vista disso e mantendo o ponto de vista linguístico como o primordial, podemos encontrar três “termos técnicos” básicos que são do nosso interesse, neste estudo e que se interligam com a explicação da comunicação. O primeiro é a linguagem, o segundo é a língua e, por último, o discurso.

4.1 Comunicação

Portanto, se pensamos no caso das crianças, até o primeiro grito, depois do nascimento, é considerado (erradamente) como a manifestação de comunicação. Do nosso ponto de vista, a comunicação é um processo muito mais complexo do que o primeiro grito, que é, na verdade, somente uma consequência da adaptação a um ambiente novo.

Se tomamos como base que se trata dum processo de transmissão e/ou intercâmbio das informações temos que admitir que a língua em si não é o único instrumento de comunicação e, sendo assim, que os seres humanos não são os únicos a comunicar-se. Com o suporte de vários estudos podemos dizer que todos os seres vivos se comunicam e que esta comunicação não se baseia só na produção de língua falada, como habitualmente pode ser entendida.20 Para mantermos o caso dos seres humanos como o primordial, mencionamos a comunicação primária, também entendida como a comunicação não-verbal entre as pessoas, por exemplo com gestos ou mímica. Se acabamos de falar sobre a comunicação primária, parece óbvio, que existem outros níves da comunicação, mas, assim, já estamos a tomar a dianteira a nossa explicação da comunicação, porque primeiro temos que definir o que é a comunicação.

Encontramos duas definições que nos parecem mais apropriadas, a primeira é a definição de Schirmer e a segunda de Palma, a comunicação, por Schirmer:



«Pode ser definida como um sistema convencional de símbolos arbitrários que são combinados de modo sistemático e orientado para armazenar e trocar informações.»21

Assim, como já acabamos de dizer a comunicação representa uma transferência/um intercâmbio das informações entre dois ou mais sujeitos que, para este acto utilizam um canal pelo qual transmitem um código específico. Para que os dois lados participantes na comunicação entendam-se um ao outro, o código (sistema de símbolos) tem que ser conhecido entre eles. Isto é o que chamamos de esquema de comunicação básica. A Teoria da informação22 deu à linguística o modelo básico de comunicação.

Como podemos ver no Desenho 1: Esquema de comunicação, por um lado temos o emissor e no outro o receptor. O canal representa como a mensagem é transmitida para o receptor e, se falarmos em geral, o canal pode ser representado de maneira falada ou escrita. O código da mensagem representa, na sua maiorira, uma língua (portuguesa, inglesa etc.). Assim a mensagem “chega” ao receptor, que tem que descodificá-la. Sabemos se o processo de comunicação ocorreu com bons resultados quando conferimos pelo “feedback”.

Desenho 1 Esquema de comunicação23

Na comunicação utilizam-se vários instrumentos desta transmissão de informações, mas, basicamente, podemos dividir estes canais em escrita e falada. Por conseguinte, esta comunicação não necessáriamente tem que ocorrer somente entre duas pessoas. E assim, voltamos à questão dos níveis de comunicação. Enquanto que na primária não é exigido nenhum outro “aparelho” para a percepção da mensagem (bastam somente os sentidos) no caso da secundária a da terciária não podemos dizer o mesmo. As duas já requerem que o canal de transmissão seja mais concreto. Se falamos sobre a comunicação secundária, como o mais concreto consideramos que o emissor da mensagem tenha como o meio a escrita – os jornais, livros etc. A diferença para a terciária encontra-se no facto que não somente o emissor como também o receptor necessitam ter o mesmo meio pelo qual recebem a mensagem e, na maioria das vezes, refere-se à comunicação falada como p. e. rádio ou televisão etc.24

A definição de Schirmer, que acabamos de descrever, ve a comunicação somente do ponto de vista sistemático. Por outro lado, podemos encontrar definições de comunicação mais complexas, tal como a de Palma:

«... verifica-se que a comunicação, troca de informação entre subjetividades, é um processo complexo que acompanha o ser humano na sua vida em sociedade, determinando o desenvolvimento de várias competências como a comunicativa, a discursiva, a textual, a gramatica e a estratégica o que faz com que essa atividade seja distintiva dos humanos, estando marcada pela imprecisão e pela negociação de sentidos.»25

Segundo este autor, a comunicação é um processo complexo que se constrói dia após dia à medida que o ser humano cresce. Esse desenvolvimento está sujeito a todas as interferências do seu meio de vida e da sua sociedade. Por esta razão cada ser humano individualmente desenvolve suas competências comunicativas, discursivas e gramaticais, bem como a textual de forma distinta. Todas estas dependem do desenvolvimento dos seus sentidos o que faz com que ocorram de maneira aleatória.

Para o nosso estudo é mais interessante a comunicação cujo canal é a língua falada e o código é a língua portuguesa (em processo de aquisição) que ocorre entre duas ou mais pessoas. O decorrer do processo é o mesmo como em qualquer nível de comunicação ou com utilização de outro instrumento comunicativo. Como ele ocorre entre duas pessoas podemos ver no Desenho 2: Comunicação entre duas pessoas 2.


Desenho 2 Comunicação entre duas pessoas




Portanto, o processo de comunicação sempre é composto de dois processos importantes: alguém que dá a informação e alguém que recebe a informação. Este processo tem que ser feito de forma clara para que os dois possam comunicar-se, como revalida também Trindade: «...a capacidade de expressar ou produzir as nossas ideias de forma a que outrém possa captar essa informação, e a capacidade de compreeender a informação que, para nós, alguém expressou.»26

Como mencionado, a comunicação humana é um processo complexo e como queremos focar no ponto de vista linguístico, podemos dividí-la em três níveis:


  • a linguagem, que, em geral, significa a capacidade humana de fazer-se compreender e também de transmitir o seu pensamento, as suas emoções etc. atrvés do uso de uma língua,

  • a língua, que é um sistema de signos e de regras determinadas, ou seja, o código que é comum para uma comunidade linguística a qual se pertence e , finalmente,

  • o discurso, que é um enunciado concreto baseiado no sistema de uma língua.



Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   28


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal