Masarykova univerzita



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4.2 Linguagem, língua e discurso

Após a curta explanação da interpretação sobre o que é a linguagem, a língua e o discurso, vamos enfocar na definição do signo, o constituine básico da linguagem.

Podemos definir signo, como algo que não tem sentido próprio, somente substitui ou denota “diversas coisas”. Portanto, cada signo possui dois lados, que Ferdinand de Saussure interpreta como «unidade indissolúvel de dois constituintes – o significante e o significado...»27 O significante (signifiant) representa a forma do signo, ou seja, a sua forma acústica e, por outro lado, existe o significado (signifié), que representa o sentido ou conceito que o significante “quer dizer”. A relação entre o significante e o significado, porém, é dada pela comunidade linguística a qual se pertence.

Saussure interpreta os signos somente do ponto de vista linguístico, mas temos que admitir, que existem outras abordagens também. Destas mencionamos, por exemplo, a de Charles S. Peirce, que se opõe a Saussere por interpretar o signo não somente como a relação entre o significante e o significado mas também considera indispensável o seu entendimento e relação por parte daquele quem o interpreta.28

Portanto, linguagem, pela qual transmitimos as nossas ideias, é entendida como um código natural, ou seja, um conjunto ou um sistema de signos ou símbolos que possuem regras para serem interligados neste sistema e, que pode ser representado não somente por uma língua (falada ou escrita), como também pode se tratar dum conjunto de gestos, sinais luminosos, de transporte de informação etc.

Por outro lado, a língua é um sistema concreto destes signos, que o falante tem que obedecer enquanto realiza o seu discurso. A linguística considera importantes todos os três níveis da comunicação (linguagem, língua e discurso), mas o maior enfoque dá-se, sobretudo, à língua.

Se já acabamos de explicar o que é a linguagem e a língua, não podemos deixar de lado o acto mais fundamental que decorre na comunicação – o discurso.29 Discurso é o acto concreto de falar (ou de escrever) e que é individual, porque cada um procura «extrair do sistema idiomático de que se serve as formas de enunciado que melhor lhe exprimam o gosto e o pensamento.»30 No discurso é que se encontram todas as camadas linguísticas dos quais vamos falar nos capítulos seguintes.

4.3 Língua materna

Um ser humano pode aprender várias línguas, mas, de facto, só poderá adquirir apenas uma, a língua materna. Desde o seu nascimento as crianças estão expostas à uma língua, que é comum para o grupo que as cerca, este grupo por sua vez possui uma forma própria de usar esta língua, portanto, como explica Sim-Sim, «a vertente oral desse discurso, com todas as suas regras de estrutura e uso, é o que poderíamos chamar a nossa língua materna...»31, e que assim constitui um instrumento social usado em interacções visando à comunicação.

Existem várias vertentes que podemos seguir e que nos demonstrará como obtermos uma visão íntegra sobre uma língua materna; umas são mais teóricas, outras mais práticas, mas todas têm em comum uma palavra, estrutura, ou seja, organização dos vários factores pertencentes nas demais camadas linguísticas tais como fonética, morfologia, sintaxe etc.

Mantendo o ponto de vista linguístico como o primordial, podemos dividir a língua em quatro sistemas de aquisição/desenvolvimento distintos, mas que, ao mesmo tempo, se ligam recíprocamente:



  • desenvolvimento fonológico,

  • desenvolvimento gramatical,

  • desenvolvimento pragmático e,

  • desenvolvimento semântico32.

Portanto, estes quatro sistemas dividem o processo de aquisição, em primeiro lugar, conforme a realização e produção de sons que formam as palavras.

Em segundo, conforme o desenvolvimento gramatical, que corresponde às regras morfológicas e sintácticas, isto é criação das palavras e o seu emprego nas frases particulares.

Em terceiro lugar, destina-se ao desenvolvimento pragmático, que significa como a linguagem e as palavras de uma língua concreta são utilizados ou empregues no seu contexto social. «O léxico de uma língua é condicionado culturalmente e é o que mais varia dentro de cada língua, se comparado à morfologia, à sintaxe, aos fonemas etc.»33 Ao mesmo tempo, o emprego das diferentes camadas do léxico, possibilita identificar-nos com o grupo ao qual pertencemos.

Finalizando, em quarto lugar, temos também o desenvolvimento semântico que trata a aquisição do ponto de vista da compreensão do significado das palavras.

Nos capítulos seguintes apresentaremos este sistema dividido de uma forma que julgamos mais compreensível, diante dos resultados obtidos. Teremos um capítulo específico sobre aquisição fonológica e outros dois sobre a gramática, o qual será dividido em morfologia e sintaxe.

5. Aquisição da linguagem

No capítulo anterior falamos sobre a comunicação e explicamos, que a linguagem é o meio pelo qual transmitimos o nosso pensamento e que a língua, neste caso a portuguesa, é o código “específico” desta transmissão. Porém, a abordagem para a aquisição da linguagem e da língua materna necessita ainda mais uma explicação teórica.

Os primeiros estudos da aquisição da língua materna, investigavam principalmente os processos que estão relacionados com a comunicação humana (não somente o “como” a comunicação ocorre) e que se procedem pelo uso de qualquer tipo de linguagem ou de língua. A partir destes estudos, alguns investigadores passaram a também considerar as estruturas psicológicas, as quais nos capacitam a entender as palavras, expressões e orações, ou seja, os factores que afectam o processo de codificação e descodificação.

Destas estruturas psicológicas, podemos destacar os processos cognitivos como os mais importantes e consequentemente, a relação entre memória, atenção, percepção, raciocínio etc. bem como, a sua aplicação no decorrer do processo de aquisição da linguagem.

Uma das grandes questões que é estudada na psicolinguística (especificamente no caso da aquisição da linguagem) é, se as crianças já nascem com a competência de utilizar o canal de linguagem (com o código concreto da língua materna) ou se a capacidade de falar se desenvolve somente com a interacção com o “mundo”.

Neste capítulo apresentaremos uma breve introdução aos estudos psicolinguísticos e às diferentes correntes que surgiram ao longo dos tempos e os seus representantes principais. De todas estas abordagens diferentes concordamos mais com aquela de Piaget, cuja explicação será apresentada na última parte deste capítulo.





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