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5.1 Psicolinguística

A psicologia estuda a língua em sua particularidade (p. e. psicologia da linguagem que estuda o relacionamento entre o pensamento/comportamento e linguagem), onde o centro do interesse é o resultado da manifestação, ou seja, o discurso “final”. Assim, a língua torna-se apenas mais um dos instrumentos para a percepção da mente humana. Já a linguística, considera esta manifestação, seja escrita ou falada, como material do qual pode-se estudar o sistema linguístico e a estrutura de linguagem.34

O que, então, estas duas ciências têm em comum? Focalizando em pontos diferentes, a psicologia e a linguística, são duas ciências que se dedicam a estudar a língua. Por esta razão estas duas ciências convergem para uma outra ciência, a psicolinguística, a ciência, na qual se aproveitam conhecimentos de ambas, de psicologia e de linguística.

A psicolinguística pretende estudar o processo da aquisição da linguagem e, também, como estes processos cognitivos (psicologia) influenciam na aquisição da língua materna e o desenvolvimento das estruturas gramaticais (linguística).

Ao longo da história começaram a distinguir-se três diferentes pontos de vista ou concepções de como a psicolinguística explica o processo de aquisição da linguagem (falada). Estas concepções podemos também chamar de modelos, que «pretendem explicar os processos de aprendizagem, os facotres linguísticos, psicológicos e cognitivos que interveêm na aquisição da língua, na percepção, na compreensão e na produção das frases.»35

Estes três modelos têm em comum o facto de se fundamentarem em pré-requisitos, cada um com a sua devida importância dentro de cada modelo.

Entendemos como os pré-requisitos na aquisição da linguagem:


  • os adquiridos pela interacção dum indivíduo com o ambiente que o rodeia,

  • os congénitos para a aquisição da linguagem e, finalmente,

  • os aspectos sociais da linguagem.36

O primeiro tipo de pré-requisito é explicado pelo modelo behaviorista37, que tem B. F. Skinner como um dos seus representantes. Em geral os estudos behavioristas baseiam-se nas respostas do indivíduo aos estímulos externos fornecidos pelo ambiente, sem no entanto levar em consideração o que ocorre na sua mente (psíquico) durante o processo de aprendizagem.

O modelo proposto por Skinner fundamenta-se no fato de que a aprendizagem é basicamente uma mudança de comportamento que ocorre através de reforços imediatos e contínuos a uma resposta emitida pelo sujeito. Fortalecidas por sucessivas aproximações, as respostas serão emitidas cada vez mais adequadamente, até chegar ao comportamento desejado.

O resultado de aprendizagem, nas considerações behavioristas, também é o desenvolvimento da fala da criança e assim, podemos dizer, que se trata duma capacidade ou habilidade de falar.

O segundo modelo de pré-requisitos é baseado na gramática generativa e tem como principal representante Noam Chomsky. Ao contrário do modelo behaviorista, Chomsky acredita, que além das disposições que a criança aprendeu, devia ser posicionado no mesmo nível a importância dos factores congénitos.

Assim, a criança nasce com uma competência linguística (gramática universal) à qual adiciona só as características da sua língua materna e que adquirindo a esta língua somente “aprende” o mecanismo congénito.

Como a prova deste modelo surge mais o facto que as crianças adquirem a língua de maneira muito rápida, mesmo que o sistema seja muito complexo. Uma criança, em geral, ouve poucas frases, entretanto ela é capaz de desenvolver a aquisição gramatical, Chomsky exemplifica-o através do problema de Platão e justifica que esta pode desenvolver uma gramática não sendo explicitamente instruídas para tal e pode fazer isto partindo de dados linguísticos fragmentados.

Outro factor, que deve ser levado em conta é que prova que as crianças nascem com esta competência, é necessário considerar que indiferentemente do seu país de origem e de diferentes meios socioculturais, as crianças no mundo inteiro «parecem seguir o mesmo percurso global de desenvolvimento da linguagem.»38 Para esta realidade apontam nos seus estudos por exemplo Eliseu, Mezari ou Schirmer que «os cientistas de vários países observam o mesmo processo de aquisição em suas crianças.»39 Assim, confirmou-se, que as crianças começam por produzir primeiro somente as palavras, depois, juntam uma ou duas palavras, em seguida frases constroem simples e, muito mais tarde, as frases mais complexas. Também podemos dar um exemplo do campo fonológico, quando os diversos estudos demonstram que a aquisição dos fonemas em diferentes línguas segue o mesmo padrão.

O terceiro e último modelo, opõe-se ao modelo da teoria generativa por este não considerar o contexto social no qual ocorre o emprego da linguagem. Assim, começou a surgir uma nova corrente, a psicolinguística comunicativa. Os psicolinguístas entendem o emprego da língua como uma das manifestações da interacção activa do indivíduo com a sociedade. Neste caso, podemos dizer, que o ponto de vista linguístico é substituído pelo ponto de vista mais psicológico. Por este motivo, o surgimento deste modelo tem como um dos antecessores principais Vygotsky, que acredita que «... a relação entre o desenvolvimento e a aprendizagem está atrelada ao fato de o ser humano viver em meio social, sendo este a alavanca para estes dois processos.»40

Como podemos concluir, todos estes modelos tiveram os seus prós e os seus contras, pois todos os três levam em consideração somente um pré-requisito. Por este motivo, surgiu uma nova corrente, um novo concenso, o qual denominamos de psicolinguística cognitiva.

A psicolinguística cognitiva enfoca tanto nos pré-requisitos adquiridos pela interacção com o ambiente como nos congénitos. Os psicolinguístas cognitivos acreditam, que durante a sua vida os indivídios criam uma estrutura mental que lhes permite orientar-se no mundo que os cerca. Esta criação ocorre tanto por meio das experiências com o ambiente como pelo desenvolvimento dos processos cognitivos.

Dessa forma, a língua é entendida, por um lado, como o resultado das experiências e, por outro, o meio pelo qual os indivíduos ganham as experiências e conhecimentos, que podem também compartilhar com os outros.41.Certamente o mais destacatável representante desta corrente é Jean Piaget. .

Na Tabela 2: apresentamos as etapas de desenvolvimento da psicolinguística segundo a sua ordem cronológica e o seu foco de interesse.


Tabela 2 Etapas de desenvolvimento da psicolinguística42

Período

Corrente

Centro de interesse

Anos 50

Teoria da informação

O processo de codificação e descodificação, aplicação dos métodos de linguística quantitativa, estatística.

Anos 60

Teoria de Chomsky

O mecanismo congénito de aquisição e de emprego da língua.

Desde o final dos anos 60 até aos nossos dias

Crítica de Chomsky

A relação entre o locutor e o ouvinte, influência do contexto e da situação na fala.

Desde os anos 70 até aos nossos dias

Psicologia cognitiva

Transformação das informações – percepção, análise, memória etc.

Ao observarmos o centro de interesse de cada uma das etapas, podemos verificar que cada uma delas opõe-se à etapa anterior. No caso do modelo behaviorista e a oposição do Chmosky até podemos dizer que estes encontram-se nos lados opostos da percepção da aquisição da linguagem.

A corrente mais actual leva em consideração o conceito da psicolinguística comunicativa e da psicolinguística cognitiva43, sendo aberta para as diferentes abordagens, que tem base o esquema da comunicação (cap. 4.1 Comunicação) e assim, para a explicação da linguagem, são importantes todos os factores que contribuem na comunicação.



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