Masarykova univerzita



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5.2 Teoria de Piaget

Como vimos, existem diversas abordagens dedicadas a explicar como as crianças adquirem a língua materna. Concordamos com a corrente actual, que leva em consideração todos os factores que contribuem para a aquisição da língua materna e somos de opinião que a teoria do Piaget explica melhor este processo.

Para sermos mais claros precisamos em primeiro lugar definir a inteligência, pois o desenvolvimento do pensamento e dos processos cognitivos gera também o desenvolvimento da inteligência. Para Piaget «a inteligência é essencialmente uma capacidade de adaptação à realidade interna e externa.»44 Esta adaptação dá-se através do processo de assimilação e da acomodação.

Entendemos por assimilação, a “incorporação” dos objectos e das suas relações nos esquemas de comportamento das crianças. A criança participa de maneira activa na assimilação e assim, aprende. Por outro lado, a acomodação é o processo contrário à assimilação. Como o próprio nome diz, neste processo a criaça acomoda-se ao ambiente.45

Piaget, como um dos principais representantes da psicologia cognitiva, apresentou a sua teoria sobre o desenvolvimento do pesnamento da cricança como o desenvolvimento dos processos cognitivos. Consequentemente, a teoria piagetiana considera que o desenvolvimento da linguagem depende do desenvolvimento da inteligência, ou seja, de quatro etapas as quais mencionaremos a seguir:

Piaget acredita, que todos os factores do desenvolvimento, o físico, o intelectual e o psíquico, acompanham o processo do amadurecimento da criança. Esta sua teoria foi elaborada na Epistemologia Genética, a qual «procura investigar as origens do conhecimento desde suas formas mais elementares, de modo a compreender os diversos níveis das estruturas e processos cognitivos...»46

Os seus trabalhos também contribuíram para constituir uma base científica para as diversas investigações sobre a aquisição do conhecimento. No seu método clínico para evidenciar os seus resultados Piaget confere maior importância ao estudo de caso e dos factos presentes «Através de uma observação rigorosa e exaustiva atenta ao mais ínfimo pormenor...»47 dos estudos do carácter do pensamento infantil.

Piaget dividiu o desenvolvimento cognitivo em quatro etapas distintas (que também podemos entender como o desenvolvimento do pensamento) pelas quais cada ser humano tem necessariamente que passar, e que ao longo do seu decorrer provoca uma série de mudanças ordenadas:48



  • inteligência sensorial-motora,

  • inteligência pré-operatória,

  • inteligência operatória concretaa e,

  • inteligência operatória formal.

Em geral podemos dizer que o desenvolvimento em cada um dos períodos pode ocorrer «se exigirmos da criança uma aquisição dentro das possibilidades do seu período de pensamento.»49

Porém, ao mesmo tempo, que a passagem por esta etapa é comum a todos nós, tanto o seu início como o seu termino difere dum indivíduo para outro. Piaget explica esta “diversidade” quando considera os factores biológicos e o meio sócio-cultural que é particular a cada um.50

O período sensorial motor ocorre nos primeiros dois anos de idade e também se considera que o indivídio ao nascer já possui uns padrões de comportamento (reflexos). Para este período é característica a descoberta do mundo pelos cinco sentidos e o desenvolvimento da coordenação motora.

Nesta fase, dá-se a maior importância à interacção da criança com o ambiente que a cerca e assim, ela está preparada para começar a construir os esquemas, ou seja, elaborar «o conjunto de subestruturas cognitivas ou esquemas de assimilação, que servirão de base para a construção das futuras estruturas.»51

Assim, a criança passa para o segundo período pré-operacional. Este período ocorre entre 2 e 7 anos de idade e, por isso, é do nosso maior interesse, porque interfere com as crianças estudadas no JI.

Neste período surge o começo da aquisição da linguagem. Para isto contribui, em primeiro lugar, o facto que a criança consegue criar as imagens mentais na ausência do objecto, o que Piaget denomina como função simbólica.52

O próprio período pré-operacional podemos dividir ainda em duas fases particulares, período da a inteligência simbólica (de 2 a 4 anos) e período intuitivo (de 4 a 7 anos).

A primeira fase caracteriza-se ainda pelo término da interiorização dos esquemas da fase sensorial-motor e podemos dizer que ainda assim as crianças apresentam-se como indivíduos egocêntricos e portanto, têm dificuldade nas abstrações e na percepção do mundo que as cerca (cap. 8.2).

Por sua vez, a inteligência simbólica que se divide em cinco categorias diferentes contribui fundamentalmente para o surgimento da linguagem. Das cinco categorias destacamos em primeiro lugar o surgimento da imitação diferida (a criança começa imitar um padrão, p. e. gestos). Em seguida surge o jogo simbólico e o desenho (Anexo B), que são intermediários para a imaginação. Por último, surge a linguagem. Portanto, «é a construção de experiência mental, que irá, aos poucos, substituindo a experiência física.»53

A segunda fase, intuitiva, é característica pela “busca” das explicações dos fenómenos que as crianças não entendem.

Assim, como também observamos no JI, as crianças passam por o período dos “porqués” (cap. 9.3) e já demonstram um desejo pessoal de descobrir (cap. 10.).

No período pré-operacional as crianças já distinguem a realidade da fantasia, porém a fantasia desempenha um papel importante no seu desenvolvimento (Anexo B).

Mesmo no final deste período a forma do pensamento ainda está centrada no “eu” e como também observamos, enquanto as crianças falam, a 1ª pessoa da desinência verbal tem o maior emprego na sua fala (cap. 8.2).

O terceiro período que Piaget distingue é o das operações concretas e é característico para as crianças entre 7 e 11 anos de idade. O acto mais importante deste período é a consolidação da noção do tempo, espaço, velocidade, ordem etc. (ao contrário do observado com as crianças do JI, que demonstraram não terem estas noções desenvolvidas, por exemplo, empregam somente de alguns tempos verbais).54

O quarto e o último período é o das operações formais, no qual é atingida a independência do real e que ocorre anter os 11 e 15 anos. «Seu carácter é o modo de raciocínio, que não se baseia apenas em objectos ou realidades observáveis, mas também em hipóteses, permitindo, dessa forma, a construção de reflexões e teorias.»55 O nível de desenvolvimento dos processos cognitivos já permite atingir o nível de pensamento mais elevado possibilitando a aplicação do raciocínio lógico a todas as classes de problemas.

Nesta altura, os indivíduos adquirem a capacidade de abstração e não são limitados mais a representação imediata (ao contrário das crianças no JI, que não conseguiram ligar uma coisa com a outra se não lhes for dado um exemplo concreto) e a partir desta idade, já os adolescentes, são capazes de pensar de forma lógica e solucionar os problemas.

Para finalizar a explicação da teoria piagetiana, consideramos importante explicar como estas quatro etapas distintas do desenvolvimento da inteligência são influenciadas.

Piaget explica que para ele existem 4 factores principais, que influenciam o desenvolvimento. Trata-se da maturação, da experiência, da trasmissão social e, como o mais importante, a equilibração.

Nenhum destes factores pode ser considerado isoladamente, porém, o papel mais importante representa a equilibração, que «depende da acção do sujeito ativo sobre os distúrbios externos e, ao mesmo tempo, da ação desses sobre aqule.»56 O equilíbrio também pode ser entendido como a adaptação, anteriormente mencionada.

Como indicamos na parte do período pré-operacional, o nível do desenvolvimento do pensamento das crianças corresponde ao nível comunicativo delas. Por este motivo, o vocabulário, a fala, o emprego de diferentes classes de palavra e, consequentemente, a sua composição nas frases corresponde às suas capacidades cognitivas atingidas neste período.

No capítulo sobre a metodologia de pesquisa falamos como ocorreu o nosso estágio no JI, porém, admitimos que para a elaboração do trabalho presente a teoria piagetiana e as suas considerações foram determinantes.



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