Masarykova univerzita



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6. Aquisição lexical

Nos últimos anos, os estudos sobre a aquisição lexical pautados em observações e experimentações interventivas, tem devotado especial atenção ao rápido crescimento do vocabulário das crianças ainda no seu princípio do desenvolvimento da liguagem (entre 3 e 5 anos).

Características importantes como as que influenciam este desenvolvimento bem como as semelhanças e diferenças entre cada indivíduo mediante as suas progressões no processo de aquisição, são factores determinantes para estes estudos.

Conforme Gândara, estudos recentes comprovam que o processo de aquisição lexical das crianças ocorre em duas etapas diferentes, uma lenta e outra rápida. O processo lento ocorre nos primeiros anos da aquisção, o vocabulário das crianças evolui muito lentamente devido a aquisção de poucas palavaras, entretanto, numa segunda etapa a criança progride rapidamente, incorporando diáriamente muitas palavras. 57

Diversos investigadores têm-se deparado com o problema em justificar porque o segundo processo de aquisição lexical é rápido. Podemos, assim, citar duas vertentes distintas para esta problemática.58

Na primeira, atribui-se a mudança da fase lenta para a rápida, à mudança da aquisição do que chamamos “proto-palavras” (padrões so­noros inespecíficos com objectos específicos após apresentações simultâneas repetitivas) com as palavras propriamente ditas (sequência fonética específica e uma categoria de objetos não nomeados). Desta forma, a rápida evolução do vocabulário seria resultado da mudança de um modo de aquisição associativo para um modo referencial, no qual a criança usaria a linguagem para explicar e representar o mundo que a cerca.

Já a segunda vertente sugere que a mudança da aquisição lexical da fase lenta para a rápida demonstra a compreen­são mais complexa das coisas, bem como uma estruturação hierárquica que reflecte o conhecimento de mundo. Este modelo considera que a criança cria hierarquias que partem dos níveis mais básicos mais geral para os mais elevados ou mais específicos, podendo ainda oscilar de um para o outro.

Apesar destes estudos convergirem para esta conclusão sobre as duas fases, não existe um consenso sobre a determinação das idades em que elas ocorrem, os a autores no entanto concordam que estas variações de idades e dos processos são singulares a cada criança.

Neste capítulo vamos falar sobre as tendências gerais na aquisição lexical que os estudos recentes provaram.

Não se trata somente dos estudos portugueses como também dos estudos baseados na comparação de aquisição de duas línguas diferentes. Nos seus estudos os linguistas portugueses confirmaram assim, que «salvaguardando as variações individuais de cada criança, o crescimento lexical nos primeiros tempos de vida parece regular-se por padrões universais.»59



6.1 Aquisição lexical

Foram observadas algumas tendências quanto a compreensão e produção das palavras. Segundo alguns estudos a compreensão procede a produção em um intervalo longo de tempo, em alguns casos até cinco meses entre a compreensão e a produção de cerca de cinquenta palavras.

Isto implica que as habilidades das crianças em classificar objectos numa ordem espacial ou temporal não dependem de seus progressos na aquisição e aumento do vocabulário. Embora o aprendizado de categorias específicas dos objectos seja a base do desenvolvimento da categorização e nomeação de objectos, estes não são os únicos factores que influenciam o desenvolvimento, outros factores como as experiências pessoais da criança e o contexto no qual ela se insere.

Desta forma, o processo de aquisição de palavras é resultado de diversos factores sociais, conceituais e linguísticos que podem ser compreendidos da seguinte forma.

As crianças ouvem e dividem as sentenças e palavras diferentes, são capazes de perceber as intenções de quem as falam e assim, ao que estas se referem. Nesta fase da vida elas entendem o mundo que as cerca como um conjunto de eventos, processos e objectos. São capazes de generalizar e associar as palavras aprendidas com acções ou outros objectos, distinguindo-lhes das palavras referentes aos indivíduos e «por isso se compreende que as primeiras palavras da criança estejam intimamente ligadas ao seu concreto vivencial e ao ambiente que a envolve.»60

Com a evolução da aquisição as crianças progridem e passam a explorar também o contexto linguístico, utilizando-se de propriedades sintáticas e semânticas para adiquirir novas palavras.

O mecanismo de aprendizado de palavras feito por uma criança utiliza um intricado mecanismo que usa as características semânticas das palavras que ela já adquiriu para assim adicionar novos itens lexicais.

Segundo os estudos recentes a criança cria uma rede interconectada de traços semânticos bastante diversa e diferentes em características. Há redes com maior número de traços semânticos que as outras e desta forma estas se distinguem na capacidade de incorporação de novos itens lexicais, sendo as de maior número as que facilitam mais a incorporação.

Para que ocorra a aprendizagem das palavras, a criança necessita codificar e associar os traços semânticos a uma forma fonológica. Assim, a criança os armazena e organiza consoante as suas características. Na literatura esta rede de relacções construídas entre as palavras com base nas semelhanças fonológicas é chamada de “vizinhança lexical“,61 que pode ser determinda pela quantidade de palavras que podem ser criadas quando um fonema é adicionado, apagado ou apenas modificado.

6.2 Frequência das palavras

Estudos recentes sugerem que as crianças utilizam a aquisição de nomes de objectos como método mais comum pelo qual adicionam um grande número de palavras ao seu vocabulário, desta forma, elas consguem num período relativamente curto de tempo incorporar inúmeras palavras, para isso também contribui, como alguns estudos mostraram «que o número de palavras referentes a objectos é maior do que o número de palavras relativas a ações.»62 Esta visão porém não é compartilhada por todos os investigadores.

Outros estudos apontam que a aquisição lexical refere-se à influên­cia da frequência com que uma palavra é utilizada na língua, o que indica que, palavras de alta frequência tendem a ser identificadas e reconhecidas mais rapidamente, o que por sua vez explica o facto de serem menos sujeitas aos erros.

Seja qual for a abordagem, é consensual que a aquisição lexical está relacionada ao referencial das palavras aprendidas, ou seja, as crianças nesta faixa etária têm maior facilidade em adquirir substantivos, verbos e adjetivos, pala­vras de classes abertas que apresentam referenciais mais concretas e palpáveis, como também confirmam Lima e Bessa. «Independentemente das diferenças individuais, as primeiras produções lexicais da criança são muito semelhantes, incluindo nomes de pessoas, objectos ou acontecimentos importantes para a criança.»63

(Neste sentido, alguns estudos demonstraram que palavras referentes aos objetos são mais passíveis de aquisição que as palavras referentes as acções.



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