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MASTER ESTUDOS

Ensino Médio 2018 – 1º Trimestre 2018

Aluno (a): _______________________Turma: 3º Ano

Professor (a): ERENICE CARVALHO

Data: ___/___/___ Valor: 4,0 Nota: ______










  1. Após estudar na Europa, Anita Malfatti retornou ao Brasil com uma mostra que abalou a cultura nacional do início do século XX. Elogiada por seus mestres na Europa, Anita se considerava pronta para mostrar seu trabalho no Brasil, mas enfrentou as duras críticas de Monteiro Lobato. Com a intenção de criar uma arte que valorizasse a cultura brasileira, Anita Malfatti e outros artistas modernistas, inclusive poetas como Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Manuel Bandeira:




  1. buscaram libertar a arte brasileira das normas acadêmicas europeias, valorizando a originalidade e os temas nacionais.

  2. defenderam a liberdade limitada de uso da cor, até então utilizada de forma irrestrita, afetando a representação artística nacional.

  3. representaram a ideia de que a arte deveria copiar fielmente a natureza, tendo como finalidade a prática educativa.

  4. mantiveram de forma fiel a realidade nas figuras retratadas, defendendo uma liberdade artística ligada a tradição acadêmica.

“Todas as manhãs quando acordo, experimento um prazer supremo: o de ser Salvador Dalí.”


NÉRET, G. Salvador Dalí. Taschen, 1996.


  1. Assim escreveu o pintor dos “relógios moles” e das “girafas em chamas” em 1931. Esse artista excêntrico deu apoio ao general Franco durante a Guerra Civil Espanhola e, por esse motivo, foi afastado do movimento surrealista por seu líder, André Breton. Dessa forma, Dalí criou seu próprio estilo, baseado na interpretação dos sonhos e nos estudos de Sigmund Freud, denominado “método de interpretação paranoico”. Esse método era constituído por textos visuais que demonstram imagens




  1. do fantástico, impregnado de civismo pelo governo espanhol, em que a busca pela emoção e pela dramaticidade desenvolveram um estilo incomparável.

  2. do onírico, que misturava sonho com realidade e interagia refletindo a unidade entre o consciente e o inconsciente como um universo único ou pessoal.

  3. da linha inflexível da razão, dando vazão a uma forma de produção despojada no traço, na temática e nas formas vinculadas ao real.

  4. do reflexo que, apesar do termo "paranoico", possui sobriedade e elegância advindas de uma técnica de cores discretas e desenhos precisos.




  1. (ENEM – adaptada) Leia o texto abaixo para responder à questão seguinte.


Brasil
O Zé Pereira chegou de caravela

E preguntou pro guarani da mata virgem

Sois cristão?

Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte

Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!

Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!

O negro zonzo saído da fornalha

Tomou a palavra e respondeu

Sim pela graça de Deus



Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!

E fizeram o Carnaval
(Oswald de Andrade)


  1. Este texto apresenta uma versão humorística da formação do Brasil, mostrando-a como uma junção de elementos diferentes. Considerando-se esse aspecto, é CORRETO afirmar que a visão apresentada pelo texto é




  1. ambígua, pois tanto aponta o caráter desconjuntado da formação nacional, quanto parece sugerir que esse processo, apesar de tudo, acaba bem.

  2. inovadora, pois mostra que as três raças formadoras – portugueses, negros e índios – pouco contribuíram para a formação da identidade brasileira.

  3. moralizante, na medida em que aponta a precariedade da formação cristã do Brasil como causa da predominância de elementos primitivos e pagãos.

  4. preconceituosa, pois critica tanto índios quanto negros, representando de modo positivo apenas o elemento europeu, vindo com as caravelas.




  1. Em qual das alternativas a correspondência entre o movimento de vanguarda e as propostas estéticas está INCORRETA?




  1. Cubismo - Deformação do real em nome da subjetividade; ausência de cronologia nos textos.

  2. Futurismo - Comunicação rápida e sintética; exaltação da máquina, do perigo e da guerra.

  3. Expressionismo - Representação otimista das imagens geradas no interior do ser humano.

  4. Surrealismo - Preconização da escrita automática; valorização do sonho; irreverência.

  5. Dadaísmo – Negação do passado, do futuro e de qualquer regra norteadora das artes.




  1. Univag 2014/1 - Leia e compare os poemas de Mário Quintana e Paulo Leminski.

 

O poema

 

Um poema como um gole d’água bebido no escuro.



Como um pobre animal palpitando ferido.

Como pequenina moeda de prata perdida para sempre

na floresta noturna.

Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa

condição de poema.

Triste.

Solitário.

Único.

Ferido de mortal beleza.
(Mário Quintana. Aprendiz de feiticeiro, 1950.)

 

Sacro lavoro

 

as mãos que escrevem isto

um dia iam ser de sacerdote

transformando o pão e o vinho forte

na carne e sangue de cristo

 

hoje transformam palavras



num misto entre o óbvio e o nunca visto
(Paulo Leminski. O ex estranho, 1998.)
As duas obras apresentam como temática comum a


  1. perplexidade diante da crueldade humana.

  2. reflexão do eu lírico a respeito do fazer poético.

  3. necessidade de evasão e de isolamento do eu lírico.

  4. exposição de uma angústia irremediável que exaspera o eu lírico.

  5. prática da poesia como caminho para a consciência dos problemas sociais.

A História, mais ou menos

 

Negócio seguinte. Três reis magrinhos ouviram um plá de que tinha nascido um Guri. Viram o cometa no Oriente e tal e se flagraram que o Guri tinha pintado por lá. Os profetas, que não eram de dar cascata, já tinham dicado o troço: em Belém, da Judeia, vai nascer o Salvador, e tá falado. Os três magrinhos se mandaram.



Mas deram o maior fora. Em vez de irem direto para Belém, como mandava o catálogo, resolveram dar uma incerta no velho Herodes, em Jerusalém. Pra quê! Chegaram lá de boca aberta e entregaram toda a trama. Perguntaram: Onde está orei que acaba de nascer? Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo. Quer dizer, pegou mal. Muito mal. O velho Herodes, que era um oligão, ficou grilado. Que rei era aquele? Ele é que  era o dono da praça. Mas comeu em boca e disse: Joia. Onde é que esse guri vai se apresentar? Em que canal? Quem é o empresário? Tem baixo elétrico? Quero saber volta dicavam tudo para o coroa.
VERISSIMO, L. F. O nariz e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1994.


  1. Na crônica de Verissimo, a estratégia para gerar o efeito de humor decorre do(a)




  1. linguagem rebuscada utilizada pelo narrador no tratamento do assunto.

  2. inserção de perguntas diretas acerca do acontecimento narrado.

  3. caracterização dos lugares onde se passa a história.

  4. emprego de termos bíblicos de forma descontextualizada.

  5. contraste entre o tema abordado e a linguagem utilizada.




  1. O poema épico é um dos mais antigos dos gêneros literários. Foi largamente elaborado na Antiguidade greco-latina, tendo sido também produzido em momentos posteriores, a partir do modelo dos poemas homéricos, a Ilíada e a Odisseia, e do poema épico latino A Eneida, de Virgílio. 

    Esse gênero tem como principal objetivo exaltar os feitos dos heróis de um povo, preservando a sua memória e revela que






  1. foi elaborado, no Brasil, no período do Naturalismo, por Aluísio Azevedo.

  2. o principal poeta, na poesia de língua portuguesa, épico é Luís Vaz de Camões, autor de Os lusíadas.

  3. atualmente há uma intensa produção de poemas épicos em nosso país.

  4. o poema épico adota uma postura crítica, comum no Modernismo, nas obras de Oswald de Andrade.

  5. há muitos poemas épicos no Simbolismo brasileiro, exaltando os nossos heróis, de autoria de Cruz e Sousa.




  1. UERJ 2013/1


Recordações do escrivão Isaías Caminha

 

Eu não sou literato, detesto com toda a paixão essa espécie de animal. O que observei neles, no tempo em que estive na redação do O Globo, foi o bastante para não os amar, nem os imitar. São em geral de uma lastimável limitação de ideias, cheios de fórmulas, de receitas, só capazes de colher fatos detalhados e impotentes para generalizar, curvados aos fortes e às ideias vencedoras, e [5]  antigas, adstritos a um infantil fetichismo do estilo e guiados por conceitos obsoletos e um pueril e errôneo critério de beleza. Se me esforço por fazê-lo literário é para que ele possa ser lido, pois quero falar das minhas dores e dos meus sofrimentos ao espírito geral e no seu interesse, com a linguagem acessível a ele. É esse o meu propósito, o meu único propósito.



Não nego que para isso tenha procurado modelos e normas. Procurei-os, confesso; e, agora mesmo, ao alcance [10]  das mãos, tenho os autores que mais amo. (...) Confesso que os leio, que os estudo, que procuro descobrir nos grandes romancistas o segredo de fazer. Mas não é a ambição literária que memove ao procurar esse dom misterioso para animar e fazer viver estas pálidas Recordações. Com elas, queria modificar a opinião dos meus concidadãos, obrigá-los a pensar de outro modo, a não se encherem de hostilidade e má vontade quando encontrarem na vida um rapaz como [15]  eu e com os desejos que tinha há dez anos passados. Tento mostrar que são legítimos e, se não merecedores de apoio, pelo menos dignos de indiferença.

Entretanto, quantas dores, quantas angústias! Vivo aqui só, isto é, sem relações intelectuais de qualquer ordem. Cercam-me dois ou três bacharéis idiotas e um médico mezinheiro, repletos de orgulho de suas cartas que sabe Deus como tiraram. (...) Entretanto, se eu amanhã lhes fosse [20]  falar neste livro - que espanto! que sarcasmo! que crítica desanimadora não fariam. Depois que se foi o doutor Graciliano, excepcionalmente simples e esquecido de sua carta apergaminhada, nada digo das minhas leituras, não falo das minhas lucubrações intelectuais a ninguém, e minha mulher, quando me demoro escrevendo pela noite afora, grita-me do quarto:

- Vem dormir, Isaías! Deixa esse relatório para amanhã! [25]  De forma que não tenho por onde aferir se as minhas Recordações preenchem o fim a que as destino; se a minha inabilidade literária está prejudicando completamente o seu pensamento.

Que tortura! E não é só isso: envergonho-me por esta ou aquela passagem em que me acho, em que me dispo em frente de desconhecidos, como uma mulher pública... Sofro assim de tantos modos, por causa desta obra, que julgo que esse mal-estar, com que às vezes acordo, vem dela, [30]  unicamente dela. Quero abandoná-la; mas não posso absolutamente. De manhã, ao almoço, na coletoria, na botica, jantando, banhando-me, só penso nela. À noite, quando todos em casa se vão recolhendo, insensivelmente aproximo-me da mesa e escrevo furiosamente. Estou no sexto capítulo e ainda não me preocupei em fazê-la pública, anunciar e arranjar um bom recebimento dos detentores da opinião nacional. Que ela tenha a sorte que merecer, mas que possa também,

[35]  amanhã ou daqui a séculos, despertar um escritor mais hábil que a refaça e que diga o que não pude nem soube dizer.

(...) Imagino como um escritor hábil não saberia dizer o que eu senti lá dentro. Eu que sofri e pensei não o sei narrar. Já por duas vezes, tentei escrever; mas, relendo a página, achei-a incolor, comum, e, sobretudo, pouco expressiva do que eu de fato tinha sentido.


LIMA BARRETO Recordações do escrivão Isaías Caminha. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2010
O personagem Isaías Caminha faz críticas àqueles que ele denomina “literatos”. 

No primeiro parágrafo, podemos entender que os chamados literatos são escritores com a característica de:




  1. carecer de bons leitores

  2. negar o talento individual

  3. repetir regras consagradas

  4. apresentar erros de escrita




  1. ENEM 2º dia 2012


Das irmãs

 

os meus irmãos sujando-se



na lama

e eis-me aqui cercada

de alvura e enxovais

 

eles se provocando e provando



do fogo

e eu aqui fechada

provendo a comida

 

eles se lambuzando e arrotando



na mesa

e eu a temperada

servindo, contida

 

os meus irmãos jogando-se



na cama

e eis-me afiançada

por dote e marido

 

QUEIROZ, S. O sacro ofício. Belo Horizonte: Comunicação, 1980


O poema de Sonia Queiroz apresenta uma voz lírica feminina que contrapõe o estilo de vida do homem ao modelo reservado à mulher. Nessa contraposição, ela conclui que


  1. a mulher deve conservar uma assepsia que a distingue de homens, que podem se jogar na lama.

  2. a palavra “fogo” é uma metáfora que remete ao ato de cozinhar, tarefa destinada às mulheres.

  3. a luta pela igualdade entre os gêneros depende da ascensão financeira e social das mulheres.

  4. a cama, como sua “alvura e enxovais”, é um símbolo da fragilidade feminina no espaço doméstico.

  5. os papéis sociais destinados aos gêneros produzem efeitos e graus de autorrealização desiguais.




  1. UNCISAL/2017


Mar português
Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele espelhou o céu
PESSOA, Fernando. Mensagem. In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986.

 

O poema de Fernando Pessoa refere-se à expansão marítima portuguesa. Nele, o poeta enfatiza




  1. os custos humanos que a empreitada marítima legou a Portugal e a coragem desse povo em se aventurar no desconhecido.

  2. as riquezas que as novas colônias da América produziam e sua importância para a economia portuguesa.

  3. a necessidade de se contornar a África e criar uma nova rota marítima para o comércio com as Índias.

  4. a diversidade cultural portuguesa e sua influência sobre os povos colonizados nas novas terras.

  5. o avanço tecnológico naval português em comparação ao de outros povos europeus




  1. ENEM 2017


Segundo quadro

 

Uma sala da prefeitura. O ambiente e' modesto. Durante a mutação, ouve-se um dobrado e vivas a Odorico, “viva o prefeito” etc. Estão em cena Dorotea, Juju, Dirceu, Dulcinéa, o vigário e Odorico. Este último, à janela, discursa.



 

ODORICO - Povo sucupirano! Agoramente já investido no cargo de Prefeito, aqui estou para receber a confirmação, a ratificação, a autenticação e por que não dizer a sagração do povo que me elegeu.

 

  Aplausos vêm de fora.



 

ODORICO - Eu prometi que o meu primeiro ato como prefeito seria ordenar a construção do cemitério.

  Aplausos, aos quais se incorporam as personagens em cena.

 

ODORICO - (Continuando o discurso:) Botando de lado os entretantos e partindo pros finalmente, é uma alegria poder anunciar que prafrentemente vocês já poderão morrer descansados, tranquilos e desconstrangidos, na certeza de que vão ser sepultados aqui mesmo, nesta terra morna e cheirosa de Sucupira. E quem votou em mim, basta dizer isso ao padre na hora da extrema-unção, que tem enterro e cova de graça, conforme o prometido.



GOMES, D. O bem amado. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012.

 

O gênero peça teatral tem o entretenimento como uma de suas funções. Outra função relevante do gênero, explícita nesse trecho de O bem amado, é




  1. criticar satiricamente o comportamento de pessoas públicas.

  2. denunciar a escassez de recursos públicos nas prefeituras do interior.

  3. censurar a falta de domínio da língua padrão em eventos sociais.

  4. despertar a preocupação da plateia com a expectativa de vida dos cidadãos.

  5. questionar o apoio irrestrito de agentes públicos aos gestores governamentais.




  1. Unifor/2016


Nasci a vinte e nove de dezembro,

Inda choro do parto deste século,

Em casinha bem perto de um mosteiro,

Entre as névoas e o frio da montanha.

 

Jader de Carvalho



 

Com relação à sua origem, o escritor se situa nesse quarteto, sucessivamente,




  1. no tempo e no modo.

  2. no espaço e no tempo.

  3. no tempo e no espaço

  4. no modo e no tempo.

  5. no espaço e no modo.




  1. Unesp/2015

Cena V – JORGE, MADALENA E MARIA

 

JORGE – Ora seja Deus nesta casa! (Maria beija-lhe o escapulário1 e depois a mão; Madalena somente o escapulário.)



MADALENA – Sejais bem-vindo, meu irmão!

MARIA – Boas tardes, tio Jorge!

JORGE – Minha senhora mana! A bênção de Deus te cubra, filha! Também estou desassossegado como vós, mana Madalena: mas não vos aflijais, espero que não há de ser nada. É certo que tive umas notícias de Lisboa...

MADALENA (assustada) – Pois que é, que foi?

JORGE – Nada, não vos assusteis; mas é bom que estejais prevenida, por isso vo-lo digo. Os governadores querem sair da cidade... é um capricho verdadeiro... Depois de aturarem metidos ali dentro toda a força da peste, agora que ela está, se pode dizer, acabada, que são raríssimos os casos, é que por força querem mudar de ares.

MADALENA – Pois coitados!...

MARIA – Coitado do povo! Que mais valem as vidas deles? Em pestes e desgraças assim, eu entendia, se governasse, que o serviço de Deus e do rei me mandava ficar, até a última, onde a miséria fosse mais e o perigo maior, para atender com remédio e amparo aos necessitados. Pois, rei não quer dizer pai comum de todos?

JORGE – A minha donzela Teodora! Assim é, filha, mas o mundo é doutro modo: que lhe faremos?

MARIA – Emendá-lo.

JORGE (para Madalena, baixo) – Sabeis que mais? Tenho medo desta criança.

MADALENA (do mesmo modo) – Também eu.

JORGE (alto) – Mas enfim, resolveram sair: e sabereis mais que, para corte e “buen retiro” dos nossos cinco reis, os senhores governadores de Portugal por D. Filipe de Castela, que Deus guarde, foi escolhida esta nossa boa vila de Almada, que o deveu à fama de suas águas sadias, ares lavados e graciosa vista.

MADALENA – Deixá-los vir.

JORGE – Assim é: que remédio! Mas ouvi o resto. O nosso pobre Convento de São Paulo tem de hospedar o senhor arcebispo D. Miguel de Castro, presidente do governo. Bom prelado é ele; e, se não fosse que nos tira do humilde sossego de nossa vida, por vir como senhor e príncipe secular... o mais, paciência. Pior é o vosso caso...

MADALENA – O meu!

JORGE – O vosso e de Manuel de Sousa: porque os outros quatro governadores – e aqui está o que me mandaram dizer em muito segredo de Lisboa – dizem que querem vir para esta casa, e pôr aqui aposentadoria2.

MARIA (com vivacidade) – Fechamos-lhes as portas. Metemos a nossa gente dentro – o terço3 de meu pai tem mais de seiscentos homens – e defendemo-nos. Pois não é uma tirania?... E há de ser bonito!... Tomara eu ver seja o que for que se pareça com uma batalha!

JORGE – Louquinha!

MADALENA – Mas que mal fizemos nós ao conde de Sabugal e aos outros governadores, para nos fazerem esse desacato? Não há por aí outras casas; e eles não sabem que nesta há senhoras, uma família... e que estou eu aqui?...

(Teatro, vol. 3, 1844.)


Focalizando eventos do final do século XVI e início do século XVII português, a passagem procura destacar


  1. os abusos de poder da aristocracia governante.

  2. as sábias e justas decisões dos governantes.

  3. o desejo das pessoas de agradar os poderosos.

  4. a tranquilidade e a despreocupação da existência.

  5. a admiração indiscriminada dos súditos pelo poder real.




  1. UNIFESP 2015

Então começou a minha vida de milionário. Deixei bem depressa a casa de Madame Marques – que, desde que me sabia rico, me tratava todos os dias a arroz-doce, e ela mesma me servia, com o seu vestido de seda dos domingos. Comprei, habitei o palacete amarelo, ao Loreto: as magnificências da minha instalação são bem conhecidas pelas gravuras indiscretas da Ilustração Francesa. Tornou-se famoso na Europa o meu leito, de um gosto exuberante e bárbaro, com a barra recoberta de lâminas de ouro lavrado e cortinados de um raro brocado negro onde ondeiam, bordados a pérolas, versos eróticos de Catulo; uma lâmpada, suspensa no interior, derrama ali a claridade láctea e amorosa de um luar de Verão. [...]

Entretanto Lisboa rojava-se aos meus pés. O pátio do palacete estava constantemente invadido por uma turba: olhando-a enfastiado das janelas da galeria, eu via lá branquejar os peitilhos da Aristocracia, negrejar a sotaina do Clero, e luzir o suor da Plebe: todos vinham suplicar, de lábio abjeto, a honra do meu sorriso e uma participação no meu ouro. Às vezes consentia em receber algum velho de título histórico: – ele adiantava-se pela sala, quase roçando o tapete com os cabelos brancos, tartamudeando adulações; e imediatamente, espalmando sobre o peito a mão de fortes veias onde corria um sangue de três séculos, oferecia-me uma filha bem-amada para esposa ou para concubina.

Todos os cidadãos me traziam presentes como a um ídolo sobre o altar – uns odes votivas, outros o meu monograma bordado a cabelo, alguns chinelas ou boquilhas, cada um a sua consciência. Se o meu olhar amortecido fixava, por acaso, na rua, uma mulher – era logo ao outro dia uma carta em que a criatura, esposa ou prostituta, me ofertava a sua nudez, o seu amor, e todas as complacências da lascívia.

Os jornalistas esporeavam a imaginação para achar adjetivos dignos da minha grandeza; fui o sublime Sr. Teodoro, cheguei a ser o celeste Sr. Teodoro; então, desvairada, a Gazeta das Locais chamou-me o extraceleste Sr. Teodoro! Diante de mim nenhuma cabeça ficou jamais coberta – ou usasse a coroa ou o coco. Todos os dias me era oferecida uma presidência de Ministério ou uma direção de confraria. Recusei sempre, com nojo.

(Eça de Queirós. O mandarim, s/d.)

Ao descrever a sua vida de milionário, o narrador


  1. reconhece que as pessoas se aproximam dele com mais respeito e cautela, fato que o deixa desconfortável, por sua natureza humilde.

  2. sente-se lisonjeado pelo tratamento cerimonioso de que é alvo constante, sobretudo porque as pessoas são honestas em seu proceder.

  3. ironiza as relações de interesses decorrentes da sua nova condição social, deixando evidente que as pessoas se humilham perante ele.

  4. ignora a forma como os mais pobres o interpelam, pois não consegue identificar os contatos sem interesses monetários.

  5. despreza a falta de veneração à sua pessoa, principalmente pelos mais bem nascidos, que não o veem como pertencente à aristocracia.




  1. ENEM PPL 1º Dia 2015



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