Memorial descritivo



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CENA - CENTRO DE ENSAIO ABERTO

Circuito Cultural Praça da Liberdade



MEMORIAL DESCRITIVO

Introdução

CENA – CENTRO DE ENSAIO ABERTO é o nome criado por Paulo Pederneiras que define a ocupação prevista para a antiga sede da Secretaria de Viação e Obras, na Praça da Liberdade. O projeto tem por objetivo central oferecer à cidade de Belo Horizonte, na forma mais democrática possível, um espaço dedicado a realização de ensaios de grupos e artistas nos campos do teatro, dança, música, artes plásticas e multimídia, com estrutura física e o apoio necessário para a concretização de seus projetos. Em pesquisas preliminares realizadas com representantes destes campos, verificou-se que a dificuldade recorrente, em especial para os artistas e grupos mais jovens ou em formação, é a disponibilidade de um espaço adequado aos ensaios e experimentos.

Fiel aos mesmos princípios que nortearam a criação do Circuito Cultural da Praça da Liberdade, que revigora o patrimônio e busca novas formas de ocupação que permitem que esse conjunto de edificações se mantenha dinâmico e integrado à vida da cidade, o prédio que abrigou a Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas e, posteriormente, a Secretaria de Viação e Obras e o IEPHA-MG, será transformado num centro de estímulo à produção cultural, bem como à formação de redes entre os frequentadores do espaço.

Com uma intervenção que prioriza a retomada da configuração espacial e os valores arquitetônicos originais do edifício, e que elimina as interferências negativas sofridas ao longo dos anos, será possível transformá-lo nesse centro de ensaios, processos e experimentos artísticos. As amplas salas do projeto original serão restauradas, classificadas e estruturadas, cada uma de acordo com a sua vocação, resultando num conjunto de espaços de tamanhos e configurações diversas, aptos a acolher os grupos e artistas com suas especificidades.

A organização espacial original do edifício favorece a criação das Salas de Ensaios, visto que as dimensões são generosas e adequadas aos usos previstos. Ao mesmo tempo, as circulações horizontais em torno de um pátio central contribuem para o fluxo do público visitante e para o acesso às Salas de Ensaio. A organização espacial original, portanto, é retomada e preservada em todos os pavimentos, contribuindo para as dimensões cultural e pública assumidas agora pelo edifício. Algumas Salas de Ensaio contarão com arquibancadas retráteis para realização de ensaios abertos.

Em todos os pavimentos, como continuidade do percurso de circulação, são reservados espaços de convivência que darão suporte aos grupos, artistas, técnicos e visitantes. O pavimento no nível da Praça da Liberdade será o principal espaço público, e a previsão de cobertura do pátio permitirá seu uso contínuo, mesmo em dias de chuva.

Vestiários, cantina, depósitos de materiais e espaços de convivência darão suporte aos artistas e constituirão o programa do projeto junto às Salas de Ensaio, midiateca, espaços administrativos e restaurante. Será dada importância aos espaços de circulação, sempre definidos a partir da própria estrutura original do edifício, em torno do vazio central. Para permitir uma opção de circulação mais rápida, como atalhos, são propostas passarelas metálicas de ligação no segundo, terceiro e quarto pavimentos, sobre o pátio central. A proposição se assemelha à intervenção realizada no Memorial Minas Gerais, e igualmente contribui para uma experiência mais dinâmica e ampliada do público em relação ao edifício. No caso do CENA, em especial, as passarelas criarão novas condições de visão e participação das atividades ali propostas.

No último pavimento, um palco equipado com todas as condições técnicas para a realização de testes de iluminação e de cenografia poderá ser requisitado pelos grupos nos dias que antecedem a estréia de seus espetáculos.

A cobertura será ocupada por um terraço-jardim, apoio de um pequeno café e com espaços de descanso com uma condição única de fruição do conjunto da Praça da Liberdade.

Acessos

Serão preservados e mantidos em funcionamento os acessos pela Praça da Liberdade, pela Rua Sergipe e pela Rua Gonçalves dias. É proposto novo acesso para carga e descarga com acesso pela Praça da Liberdade, na área junto à divisa entre o CENA e o CCBB.

Uma base metálica instalada junto à edificação permitirá a carga e descarga em nível da carroceria dos caminhões. Os acessos pela Praça da Liberdade e pela Rua Sergipe serão abertos ao público, enquanto os demais terão caráter mais técnico, restrito aos funcionários.

O acesso universal será permitido com a instalação de plataforma de acessibilidade na entrada da Rua Sergipe. A partir deste ponto, a acessibilidade a todos os demais pavimentos será dada pelos elevadores principais, um em cada ala do edifício. Com a criação dos novos núcleos de circulação vertical, o edifício passará a ter uma interligação contínua por escadas e elevadores entre todos os pavimentos, solucionando por fim um problema que acompanhou toda a história do edifício desde sua ampliação para além dos 3 pavimentos construídos inicialmente junto à Praça da Liberdade.



Usos

O projeto é elaborado a partir da concentração de infraestrutura nas áreas destinadas a elevadores, escadas, sanitários e cômodos técnicos, de modo que as Salas de Ensaio e demais espaços de apoio possam ter flexibilidade em seus usos. Em outras palavras, assume-se a planta livre para as principais salas, concentrando os pequenos espaços compartimentados de apoio em apenas dois núcleos.

Assim, os estudos iniciais de ocupação do edifício mostraram uma grande versatilidade, por exemplo, para a localização de espaços administrativos, em maior ou menor área, em um ou mais pavimentos. Assim, o projeto abre a possibilidade de ocupação compartilhada, como foi estudado para a hipótese de receber parte do CEFAR – Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado.

Nesse sentido de um eventual compartilhamento, a existência de dois acessos opostos poderia contribuir como uma forma de orientação e controle de fluxos e públicos distintos. Importa ressaltar o fato de que a arquitetura proposta com este projeto não se deve alterar em função da ocupação, uma vez que a concepção prevê, como já mencionado, um alto grau de adaptabilidade aos usos pretendidos.

Em cada ala do edifício, é prevista a ocupação de um dos cômodos existentes como depósito, para guarda temporária do material de trabalhos dos grupos. Na ala vizinha ao CCBB, os depósitos são interligados verticalmente pelo novo elevador de carga, que se conecta diretamente à área de carga e descarga criada no nível de acesso pela Praça da Liberdade.

No nível da Rua Sergipe, serão criadas as duas grandes Salas de Ensaio nas laterais do hall de acesso; os dois núcleos de circulação vertical, sanitários e cômodos técnicos; e, no alinhamento da Rua Gonçalves Dias, os cômodos de apoio ao restaurante, que podem servir-se do acesso de carga e descarga diretamente a partir desta via.

O piso no nível da Praça da Liberdade será o principal espaço público do edifício, tanto pelo acesso quanto pela destinação proposta aos diversos ambientes. O pátio central terá o piso suspenso com um deque de madeira para articulação mais direta com as circulações ao seu redor e poderá receber usos varados. São definidos dois níveis para configurar um palco na área de menor largura, que terá na passarela que liga as alas do segundo pavimento o suporte de equipamentos de iluminação cênica. É prevista uma nova escada para ligação direta com a cozinha, no nível inferior, integrada a um balcão-copa equipado com pequeno monta-carga, configurando a praça dos garçons. Na grande sala central que se abre para a Rua Sergipe será criado o café-bar, que poderá operar em conjunto com a cozinha do restaurante. O pavimento contará, ainda, com quatro grandes estúdios para teatro e dança e duas salas de exposição, uma em cada ala do edifício.

O segundo pavimento tem uma característica específica: o pé-direito de mais de 5,5m, que supera as alturas dos demais pavimentos, de aproximadamente 4,5m. Por isso, as duas maiores salas deste nível são adaptadas com tratamento acústico especifico para que possam abrigar ensaios de música popular e erudita (orquestras de câmara), além dos ensaios de teatro e dança. Estas salas, assim como as correspondentes nos níveis da Rua Sergipe, Praça da Liberdade e terceiro pavimento, terão arquibancadas retráteis para receber o público, com capacidade aproximada de 60 visitantes em cada sala. Este pavimento abriga também outras duas grandes salas de ensaio de teatro e dança, além de dois conjuntos de estúdios de música. A grande sala central junto à Rua Sergipe será convertida em uma midiateca com conteúdo orientado para os temas de interesse do público profissional envolvido – artes visuais, artes cênicas, arquitetura, design, moda, etc. Na extremidade oposta, a sala voltada para a Praça da Liberdade poderá abrigar a exposição dos registros da memória do edifício, incluindo a memória desde sua criação até o próprio processo da execução da intervenção que é objeto deste projeto.

No terceiro pavimento, repetem-se as salas de ensaio/estúdios para teatro e dança, além das áreas administrativas. É prevista neste nível a cantina para os artistas e técnicos, na grande sala central voltada para a Rua Sergipe.

O quarto pavimento abriga o palco equipado com estrutura cênica completa, em posição central no edifício, onde ensaios técnicos para ajuste de iluminação e testes de cenografia poderão ser realizados. É um espaço de dimensões especiais em que os grupos possam testar suas montagens antes de estrear um espetáculo. A criação deste espaço será possível através de intervenções no edifício, como a remoção da laje do piso do quinto pavimento e da parede sobre a linha de colunas que configuram a boca de cena. Três pequenos volumes são criados em projeção sobre o vazio central, através dos vãos das aberturas existentes para criar o distanciamento necessário à visualização da cena por diretores e técnicos. Além disso, serão oferecidos espaços para apoio técnico à elaboração dos projetos de iluminação e cenografia, com ênfase na segurança das montagens. Além do palco, este pavimento conta com várias outras salas de ensaio/estúdios para teatro, dança e música.

O quinto nível do edifício será ocupado prioritariamente pelo terraço-jardim, pontuado pelos volumes envidraçados, que correspondem aos núcleos de circulação vertical, e pela caixa cênica.

Fonte:

CENA - CENTRO DE ENSAIO ABERTO /Circuito Cultura Praça da Liberdade

Projeto Conceitual | 22 de Julho / 2013

Ficha Técnica:

PROJETO ARQUITETÔNICO: Mach Arquitetos



ARQUITETOS: Fernando Maculan, Camila Fabrini.

IDEALIZAÇÃO: Paulo Pederneiras

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