Merci, de Daniel Pennac, estréia dia 2 de julho no Oi Futuro Flamengo, com direção de Moacir Chaves



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Merci, de Daniel Pennac, estréia dia 2 de julho no

Oi Futuro Flamengo, com direção de Moacir Chaves
O monólogo "Merci", peça teatral do incensado autor contemporâneo francês Daniel Pennac, com direção de Moacir Chaves, iluminação de Aurélio de Simoni, cenário de Sérgio Marimba, figurinos de Inês Salgado, trilha sonora de Tato Taborda e atuação de Ana Barroso, estréia no dia 2 de julho, no Oi Futuro Flamengo. “Merci” é uma peça saborosa, cheia de humor e tiradas inteligentes, mas para chegar a esta bela reverência simbólica, Pennac desenha uma figura neurótica, complexa e cômica de uma pessoa confusa. Uma pessoa à beira de uma encruzilhada. Esta é a primeira vez que a peça, escrita em 2004, é encenada no Brasil.

Esta montagem conta com patrocínios da Oi, da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro através da Lei Estadual de Incentivo a Cultura e da Funarte, através do Prêmio Myriam Muniz 2008, e realização do Oi Futuro.


A peça
O vencedor de um prêmio literário grita “Obrigado, obrigado!” para a platéia à sua frente que o ovaciona. Está embaraçado e cansado: procura as palavras para agradecer. Mas o problema é: quem, como e por quê agradecer? Ele busca ser sincero, mas vai se tornando cada vez mais meticuloso, e politicamente incorreto. Quanto mais fundo aborda a questão, mais o “obrigado” se agiganta, acabando por tocar em temas morais que vão muito além da ocasião.
Ping-pong com o diretor e a atriz
NM – Do que se trata a peça?
MOACIR CHAVES – Acho que esta é uma peça sobre um mundo, o nosso mundo, em que se crê que a vida é uma batalha que precisa ser vencida. "O Vencedor é..."... "Der Gewinner ist...". Em todas as línguas, como uma praga universal. De alguma forma, Pennac repete Machado de Assis: Ao vencedor, as batatas. O reconhecimento, na questão artística, é uma forma de controle sobre o autor. Uma maneira de domesticá-lo, através da catalogação. A partir dele, não é de bom tom fazer algo diferente daquilo que já foi reconhecido. Outras questões levantadas no texto se referem ao cerceamento, perpetrado por uma pedagogia violenta e utilitária, da criatividade que todo indivíduo traz em si, daquilo que Pennac chama de luz interior, e um autor como Giorgio Agamben  chama de nosso genius (no livro Profanações, editora Boitempo, capítulo Genius).”
NM – O que a levou a escolher esta peça? Você escolheu a peça ou escolheu o autor?
ANA BARROSO – Meu primeiro contato foi com a peça. Tomei conhecimento da montagem italiana, interpretada pelo ator Claudio Bisio, em 2005. Gostei da proposta de se abordar esse universo da competição, de vencidos e vencedores, de escolhidos e preteridos, da criação como sustento e prazer, através do protocolo a ser cumprido numa premiação artística. A obrigação de estar sempre “agradecendo” a esse sistema. A partir daí conheci o autor e sua obra, e descobri a literatura de Daniel Pennac que vai muito além dessa experiência dramatúrgica. Seu último livro “Diário de Escola” é uma delícia.
NM – Como será a encenação?
MOACIR CHAVES – Nossa encenação pretende, em primeiro lugar, fugir da redundância. Por exemplo: sabemos que a circunstância do discurso é a entrega de um prêmio. Assim sendo, não há motivo para que o cenário diga novamente isso. Ele pode trazer outras questões à mente dos espectadores, operar em outro nível de comunicação. Da mesma forma, o figurino, a iluminação, a sonoridade da peça. Sem falar, claro, na atuação da atriz, centro e fundamento do trabalho. Esse deslocamento nos permitirá trazer à tona aquilo que realmente importa na obra, que certamente não é a reação individual de um determinado artista ao receber uma premiação.
Daniel Pennac
Professor de literatura da PUC-Rio e pesquisador do CNPq, Alexandre Montaury, diz que no quadro do contemporâneo, Daniel Pennac se destaca como uma figura "anfíbia", isto é, do intelectual que transita em meios tão diversos como o ensaio, o teatro, a ficção e os quadrinhos.

Pennac nasceu em 1944 quando o navio em que estavam seus pais fez uma escala em Casablanca. Filho de um oficial colonial, passou a infância viajando pela África, Ásia e Europa. Foi aluno num internato, serviu o Exército e há trinta anos começou a lecionar Literatura, carreira que continua desenvolvendo. Seu primeiro livro foi publicado em 1973, mas foi a partir da trilogia “Au Bonheur des Ogres”, “La Fée Carabine” e “La Petite Marchande de Prose” que se tornou sinônimo de sucesso. “Como um Romance”, ensaio delicioso sobre a leitura, ajudou a fixar o fenômeno Pennac.

O autor, que sempre se interessou pelo destino de todos os imigrantes, vive, desde os vinte anos, em Belleville, bairro de Paris onde se encontra uma grande mistura de raças e atividades. Inspirado por este ambiente, Pennac transformou imigrantes, freiras, marginais de bom coração e prostitutas em personagens de seus romances, onde estão presentes, de maneira leve e irônica, temas como a tolerância e a convivência com a "diversidade”.

Quando começa a escrever, usando um idioma composto de neologismos e de palavras inspiradas em gírias, Pennac descobre uma tendência especial para histórias cômicas, surrealistas mas bem arraigadas nas contradições de nosso tempo. É um autor que agrada igualmente a adultos e jovens, capaz de vender 117 mil exemplares de um único título e colocar reedições da trilogia nas listas de mais vendidos de toda a França. Pennac é um ardoroso aficionado do Brasil desde que morou em Fortaleza, por dois anos, na década de 1980. Aqui, vários títulos de sua autoria foram lançados pela Editora Rocco, mais recentemente “Diário de Escola”, vencedor do renomado prêmio literário francês Renaudot, em 2007.

Escrita em 2004, a peça “Merci” foi encenada por ele mesmo em Paris e na Itália pelo ator Cláudio Bisio. A peça tem o formato de ensaio, porém neste caso, vem filtrado por suas próprias experiências. Trata-se de um originalíssimo monólogo teatral com o estilo típico de Pennac: vivo e irônico, inteligente e realista.
FICHA TÉCNICA
Texto: Daniel Pennac

Tradução: Ana Barroso e Angela Pecego

Direção: Moacir Chaves

Atuação: Ana Barroso

Iluminação: Aurélio de Simoni

Cenário: Sérgio Marimba

Figurino: Inês Salgado

Trilha Sonora: Tato Taborda

Assessoria de imprensa: Ney Motta

Fotos: Guga Melgar

Programação visual: Marcus Moraes

Produção: Roberto Jerônimo e Junior Godim

Assistente de Direção: Danielle Martins

Realização: Ana Barroso/BB Produções Artísticas Ltda.


SINOPSE
“Merci” é uma peça saborosa, cheia de humor e tiradas inteligentes, mas para chegar a esta bela reverência simbólica, Pennac desenha uma figura neurótica, complexa e cômica de uma pessoa confusa. Uma pessoa que, tentando ser sincera, torna-se cada vez mais politicamente incorreta, irônica e envolvente.
SERVIÇO
Oi Futuro

Rua Dois de Dezembro 63, Flamengo - Rio de Janeiro. Tel.: 3131-3060

Estréia: 2 de julho, sexta-feira, às 19:30h

Temporada: 2 a 25 de julho

Horário: Sexta a domingo às 19:30h

Ingressos: 15 reais (inteira)

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Até 25 de julho
ATENDIMENTO À IMPRENSA
Ney Motta | arteContemporânea

Assessoria de Imprensa


tels. (21) 2539-2873 e 8718-1965

neymotta@terra.com.br

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