Mestrado profissionalizante em terapia intensiva giovanna tereza raposo nani pereira conhecimento sobre medidas de preven



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I

NSTITUTO BRASILEIRO DE TERAPIA INTENSIVA IBRATI



SOCIEDADE BRASILEIRA DE TERAPIA INTENSIVA SOBRATI

MESTRADO PROFISSIONALIZANTE EM TERAPIA INTENSIVA

GIOVANNA TEREZA RAPOSO NANI PEREIRA


CONHECIMENTO SOBRE MEDIDAS DE PREVENÇÃO DA PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA


TERESINA-PI

2017

GIOVANNA TEREZA RAPOSO NANI PEREIRA

CONHECIMENTO SOBRE MEDIDAS DE PREVENÇÃO DA PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Terapia Intensiva, do Instituto Brasileiro de Terapia Intensiva, servindo como um dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Terapia Intensiva.


Orientador: Prof. Mestre Janderson da Silva Soares

Co-Orientadora: Prof. Mestra Sônia Mª Araújo Campelo


TERESINA-PI

2017

PREVENÇÃO DA PNEUMONIA ASSOCIADA À VENTILAÇÃO MECÂNICA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Terapia Intensiva, do Instituto Brasileiro de Terapia Intensiva, servindo como um dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Terapia Intensiva.
Orientador: Prof. Mestre Janderson da Silva Soares

Co-Orientadora: Prof. Mestra Sônia Mª Araújo Campelo

Aprovada em .


BANCA EXAMINADORA


Prof.º

Instituto Brasileiro em Terapia Intensiva – IBRATI

Presidente (Orientador)

Prof.º Dr. Douglas Ferrari

Instituto Brasileiro em Terapia Intensiva – IBRATI

Examinador


Prof.º

Instituto Brasileiro em Terapia Intensiva – IBRATI

Examinador

NOME. Prevenção da Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica: uma revisão integrativa. 2016. 45fs. Monografia (Curso de MESTRADO DA SOBRATI, Teresina, 2017.



RESUMO
Introdução: A pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) é uma das complicações mais comuns nos pacientes ventilados mecanicamente no ambiente de terapia intensiva, elevando a mortalidade, o tempo de internação e os custos hospitalares. A implementação de medidas especificas para a prevenção da PAVM é baseada em diretrizes para a prática clínica, elaborada por órgãos governamentais e associações de especialistas. Objetivo: Investigar nas bases de dados virtuais cientificas de 2003 a 2013 artigos relacionados ao conhecimento sobre as práticas de prevenção da PAVM. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa, onde através dos critérios de inclusão da pesquisa, apresentou uma amostra de 13 artigos. Resultados: Após avaliação dos artigos observou-se que dentre as temáticas abordadas nos artigos destacou-se duas categorias: os protocolos ou medidas de prevenção da PAVM e o conhecimento dos profissionais de saúde sobre a prevenção da PAVM. Conclusão: Aponta-se a recomendação de que as UTI que apresentem índices elevados de PAVM avaliem a viabilidade de se difundir as medidas preventivas e aplicação do protocolo de prevenção da PAVM, que irá checar e medir a adesão e os resultados do controle desta patologia nas unidades e também a necessidade de um aprofundamento por parte dos profissionais de saúde em especial dos enfermeiros de terapia intensiva sobre as medidas de prevenção da PAVM baseadas em evidencias cientificas para que assim diminua a incidência dessa infecção nas UTI agregados em um cuidado holístico e proposta através de protocolos.
Palavras chaves: pneumonia; ventilação mecânica ;prevenção; Unidade de Terapia intensiva.
ABSTRACT

LISTAS DE ABREVIATURAS E SIGLAS

BVS Biblioteca Virtual em Saúde

CDC Center for Disease Control and Prevention

UTI Unidade de terapia Intensiva

IH Infecção Hospitalar

IHI Institute for Healthcare Improvement

PAH Pneumonia Adquirida no Hospital

PN Pneumonia Nosocomial

PAV Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica

PAVM Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica

FIO2 Fração Inspirada de Oxigênio

PEEP Pressão Positiva Expiratória

Sretângulo 1UMÁRIO

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

1.2 Questão Norteadora

1.3 Objetivo

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Unidades de Terapia Intensiva

2.2 Infecção Hospitalar e pneumonia nosocomial

2.3 Ventilação Mecânica

2.4 Pneumonia Associada à Ventilação mecânica

2.5 Fatores de riscos....................................................................................

2.6. Epidemiologia

2.7. Prevenção................................................................................................



3. METODOLOGIA

4. RESULTADOS

5.ANÁLISE DOS RESULTADOS

REFERÊNCIA

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um ambiente hospitalar altamente especializado para onde são encaminhados os pacientes em condições criticas de saúde e risco eminente de vida. Neste sentido, necessitam da assistência continua de uma equipe treinada e capacitada para atender as mais diversas complexidades, mantendo vigilância constante, evitando os eventos adversos e beneficiando o paciente com o melhor atendimento. Os pacientes de alta complexidade que são encaminhados à UTI, podem ser submetidos a procedimentos invasivos, pois podem estar hemodinamicamente instáveis, precisando de monitorização por 24 horas, além da utilização de todo aparato tecnológico e capacitação profissional especializada (SILVA, H.G., 2010).

Os pacientes mais graves da terapia intensiva são submetidos a diversos procedimentos invasivos como: cateteres venosos profundo, cateteres arteriais, sondas vesicais de demora, suporte ventilatório entre outros. Com o objetivo de monitorar e acompanhar o paciente de forma mais eficiente e segura. No entanto estes procedimentos citados anteriormente podem ser prejudiciais, pois dependendo do paciente e da sua hemodinâmica, os dispositivos utilizados para monitorar podem favorecer a proliferação de microorganismos patogênicos, agravando ainda mais o estado clínico do doente. As infecções hospitalares (IH), ou nosocomial, nesta situação estão caracterizadas como evento adverso (SILVA, H.G., 2010).

De acordo com dados do Center for Desease Control and Prevention (CDC), a pneumonia é a segunda IH mais comum nos EUA, representando 15% de todas elas, e 27% das infecções adquiridas nas UTIs. A taxa de letalidade por pneumonia hospitalar é de 20% a 33%, sendo que alguns mostraram ate 60% (TABLAN OC et al, 2003.

A pneumonia é uma inflamação do parênquima pulmonar causada por diversos microorganismos, incluindo bactérias, micobactérias, clamídias, micoplasmas, fungos, parasitas e vírus. De modo indistinto, a pneumonia é um distúrbio que acontece em pacientes internados e ambulatoriais, gerando custos para seu tratamento (BRUNNER & SUDDARTH, 2009).

Vários sistemas são empregados para classificar as pneumonias, mas classicamente tem sido categorizada em quatro tipos: bacteriana ou típica, atípica, anaeróbica/cavitária e oportunista. Um esquema de classificação mais amplamente utilizado categoriza as principais pneumonias como pneumonia adquirida na comunidade (PAC), PAH ou nosocomial, pneumonia no hospedeiro imunocomprometido e pneumonia por broncoaspiração (BRUNNER & SUDDARTH, 2009).

Entre outros procedimentos invasivos importantes para assegurar a estabilidade hemodinâmica do paciente encontra-se o uso do suporte ventilatório. Apesar de salvar muitas vidas, a aplicação de uma pressão positiva nos pulmões, através de uma prótese colocada nas vias aéreas, pode gerar uma série de efeitos adversos. São bem reconhecidas: a instabilidade hemodinâmica, principalmente nos pacientes hipovolêmicos; a maior freqüência de infecções respiratórias, devido à redução dos mecanismos de defesa locais pela presença do tubo; e, mais recentemente, a lesão induzida pela ventilação mecânica, que está associada às altas pressões alveolares que são atingidas em algumas unidades decorrentes de um pulmão doente, bastante heterogêneo (CARLOS, 2006).

Nesse contexto, a pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM) é uma das complicações mais comuns nos pacientes ventilados mecanicamente no ambiente de terapia intensiva, elevando a mortalidade, o tempo de internação e os custos hospitalares (KOENING, S; TRUWIT, J.D., 2010; ANVISA 2009).

A implementação de medidas especificas para a prevenção da pneumonia associada à ventilação (PAV) é baseada em diretrizes para a prática clínica, elaborada por órgãos governamentais e associações de especialistas. Algumas estratégias são recomendadas e aplicadas na pratica clínica para prevenir esta infecção, como, por exemplo, o uso de protocolos de sedação mais adequados com pacientes mais interativos, a interrupção diária da sedação, a manutenção de posição semirrecumbente (30 a 45 graus) e a higiene bucal. Nesse sentido, é importante destacar a necessidade de atualização permanente dos profissionais de saúde (HUTCHINS et al. 2009).

Diante desse panorama, é fundamental que ações de prevenção da PAV sejam prioritárias nas instituições de saúde, afim de promover segurança aos pacientes que necessitam de assistência ventilatória invasiva durante sua internação em UTI.(SILVA, et al.2014)

Diante desse contexto considera-se esta pesquisa de suma importância no que se refere à prevenção da PAVM, que tantos danos financeiros e morais trazem ao paciente e ao Sistema de saúde. É importante também, no sentido de que ao identificar como estes pacientes estão sendo cuidados e como podemos montar estratégias para melhoraria da qualidade da assistência. Assim, espera-se que os resultados deste estudo possa subsidiar aos profissionais de saúde uma assistência de qualidade a pacientes que necessitam de ventilação mecânica e com isso prevenir infecções respiratórias, principalmente as pneumonias que são muitas vezes decorrentes dessa terapêutica.
1.1 QUESTÃO NORTEADORA

O conhecimento dos profissionais de saúde em relação à prevenção e medidas de controle da PAVM.



1.2 OBJETIVO

-Investigar nos bancos de dados científicos virtuais de 2003 a 2013 sobre o conhecimento dos profissionais de saúde em relação as medidas de prevenção e controle da PAVM.



2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Unidade de Terapia Intensiva

As UTIs são historicamente consideradas como um setor hospitalar onde permanecem internados pacientes graves, com ou sem instabilidade hemodinâmica, que necessitam de assistência à saúde ininterrupta nas 24h por uma equipe variada de profissionais de saúde onde, em função do estado deles, estão propensos a incorporar rapidamente tecnologias, especialmente, relacionadas a equipamentos e medicamentos, necessários e importantes para o desenvolvimento do seu trabalho (CAMPOS; MELO 2011).

A terapia intensiva surgiu a partir da necessidade de aperfeiçoamento e concentração de recursos materiais e humanos para o atendimento a pacientes graves, em estado critico, mas tidos ainda como recuperáveis, e da necessidade de observação constante, centralizando os pacientes em um núcleo especializado. A UTI dispõe de assistência médica e de enfermagem especializada, cujos profissionais são chamados de intensivistas (CHEREGATTI; ALLINE LAURENTE, 2010).

Portanto, é uma luta incansável a busca pela manutenção da vida dos pacientes críticos que necessitam de monitorização e suporte contínuo para preservação de suas funções vitais, na qual a maioria absoluta deles é submetida a procedimentos invasivos, tais como tubo orotraqueal, traqueostomia e ventilação mecânica, que prejudicam os mecanismos de defesa do trato respiratório, tendo como conseqüências as infeções hospitalares (GRAP et al. 2005).


2.2 Infecção Hospitalar e pneumonia nosocomial

A IH, institucional ou nosocomial, segundo o Ministério da Saúde (MS) é qualquer infecção adquirida após a internação do paciente e que se manifeste durante sua permanência no hospital ou mesmo após a alta, uma vez que possa ser relacionada com a hospitalização (BRASIL, 1998).

Sendo a mais comum a pneumonia adquirida no hospital (PAH) que é aquela que ocorre após 48 h da admissão hospitalar, geralmente tratada na unidade de internação (enfermaria/apartamento), não se relacionando à intubação endotraqueal e Ventilação Mecânica; podendo, entretanto, ser encaminhada para trata­mento em UTI, quando se apresenta ou evolui de forma grave. Dentro deste conceito, deve ser consi­derado o tempo de incubação médio característico de cada germe (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, 2007).

Ainda segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, 2007 devido a implicações etiológicas, terapêuticas e prognósticas, a PAH tem sido classificada quanto ao tempo decorrido desde a admissão até o seu apare­cimento. A PAH precoce é a que ocorre até o quarto dia de internação, sendo considerada tardia a que se inicia após cinco dias da hospitalização.

As IH preveníveis, em geral, estão relacionadas ao uso de equipamentos e/ou procedimentos específicos, apresentando, em sua origem, algum evento possivelmente alterável. Logo, atribui-se a falhas nos cuidados dispensados ao paciente, sendo freqüentemente causadas por microorganismos adquiridos no hospital. Tem-se como exemplo de infecção hospitalar a pneumonia nosocomial (CAVALCANTE et al, 2000).

A PAH ocorre quando existe pelo menos uma das três seguintes condições: as defesas do hospedeiro estão comprometidas, um inóculo de organismos alcança o trato respiratório inferior e supera as defesas do hospedeiro, ou um organismo altamente virulento está presente (BRUNNER & SUDDARTH, 2009).

Além dessas condições citadas há outros fatores de risco responsáveis para o desenvolvimento de pneumonias nosocomiais, são estes: idade acima de 70 anos, desnutrição, doenças de base, depressão do nível de consciência, doenças pulmonares e cardiológicas, uso de sondas ou de cânula nasogástrica, suporte nutricional enteral, posição do paciente e a elevação insuficiente da cabeceira, suporte ventilatório, intubação (presença do tubo orotraqueal) ou reintubação orotraqueal, traqueostomia, macro ou microaspiração de secreção traqueobrônquica, uso prévio de antimicrobianos, broncoscopia e broncoaspiração de microorganismos da orofaringe (AMARAL, 2009).

2.3 Ventilação mecânica

Alguns procedimentos invasivos importantes para assegurar a estabilidade hemodinâmica do paciente, como a ventilação mecânica (VM), que apesar de trazer a garantia da respiração para o paciente, tem relação direta com os altos índices de pneumonias nas UTI (TABLAN et al. 2003).

A VM se dá com a inserção de um tubo endotraqueal que é inserido pela boca ou nariz do paciente até a traquéia a fim de fornecer um via área permeável para pacientes que por si próprios não conseguem manter uma via aérea adequada. Os exemplos incluem os pacientes com dificuldade respiratória, pacientes comatosos, pacientes submetidos à anestesia geral ou pacientes com edema extenso das vias aéreas superiores (TIMBY, 2005).

2.4 Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM)

A PAVM é um processo infeccioso do parênquima pulmonar que acomete pacientes submetidos à intubação endotraqueal e VM por mais de 48-72h e para as quais a infecção não foi o motivo para iniciar a ventilação. De modo similar, a PAVM também é classificada em precoce e tardia. A PAVM precoce é a que ocorre até o quarto dia de intubação e início da VM, sendo a PAVM tardia a que se inicia após o quinto dia da intubação e VM (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, 2007; MENDONÇA, 2009).

É a infecção nosoco­mial mais comum no ambiente de cuidados intensivos. Tem prevalência variável, com taxas desde 6 até 50 casos por 100 admissões na UTI( American Thoracic Society., 2005, RELLO; DIAS , 2003).

A pneumonia associada à intubação endotraqueal e a VM ocorre em cerca de 10 a 25% dos pacientes que necessitam de suporte ventilatório mecânico invasivo por mais de 24 horas, com sua taxa de prevalência densa variando de 9 a 15 casos por 1.000 dias de ventilação mecânica. As taxas de mortalidade associada à PAVM variam de acordo com os critérios utilizados para seu diagnóstico: menores, se utilizados somente critérios clínicos, como presença de secreção purulenta, febre ou hipotermia, leucocitose ou leucopenia e infiltrado radiológico novo ou progressivo; e progressivamente maiores se associados critérios microbiológicos, como cultura de lavado broncoalveolar quantitativo positivo e deterioração da troca gasosa com necessidade de aumento da fração inspirada de oxigênio (FIO2) e níveis de pressão positiva expiratória (PEEP) (KLOMPAS et al. 2012; TORRES; BASSI; FERRER, 2012).


O diagnóstico de PAVM à beira do leito leva em consideração uma combinação de achados clínicos, radiológicos e laboratoriais. Dados micro­biológicos são utilizados como uma tentativa de refinar a acurácia diagnóstica, dada a baixa especificidade dos critérios clínicos isoladamente. Esses critérios incluem: presença de infiltrado persistente novo ou progressivo ou consoli­dação ou cavitação; E pelo menos dois desses critérios: febre (temperatura axilar acima de 38°C), sem outra causa OU leucopenia (<4.000 cel/mm3) ou leucocitose (>12.000 cel/mm3) OU surgimento de secreção purulenta ou mu­dança das características da secreção OU aumento da secreção (DALMORA et al.2013).

2.5 Fatores de riscos

Conforme a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (2007) há alguns fatores de risco específicos que predispõem ao desenvolvimento de PAVM, como o uso prévio de antimicrobianos, antiácidos, bloqueadores de receptores H2, necessidade de reintubação, posição supina, uso de cânula nasogástrica, presença de traqueostomia e transporte dentro do hospital.

Os fatores de risco podem ser divididos em modificáveis e não modificáveis. Os não modificáveis são: idade, escore de gravidade quando da entrada do paciente na UTI e presença de comorbidades. Os fatores modificáveis estão relacionados à microbiota da própria UTI, justificando a importância de conhecer os agentes mais frequentes em cada local específico (CARVALHO, 2006).

Ainda podem ser considerados fatores importantes a presença de compro­metimento funcional (hipoxemia, com piora da relação pressão parcial de oxi­gênio/fração inspirada de oxigênio - PO2/FiO2), o aumento de biomarcadores, confusão mental ou surgimento de sepse grave/choque séptico. (DALMORA , 2013).



2.6- Epidemiologia

As PN são desenvolvidas em ambiente hospitalar e não estão presentes, ou incubadas, no paciente no momento do seu internamento. Por ser uma das principais causas de morbimortalidade em indivíduos internados, e ainda impor altos custos à população, na medida em que aumenta a demanda terapêutica e tempo de permanência hospitalar, tem sido reconhecida como importante problema de saúde pública no mundo (LISBOA et al. 2007)

Os organismos comuns responsáveis pela PAH incluem patogenos como espécies de Enterobacter, Escherichia coli, H. influenzae, espécies de Klebsiela, Proteus, Serratia marcesces, P. aeruginosa, Staphilacocus aureus e S. pneumoniae. Alguns fatores de riscos para a infecção são compartilhados e outros são próprios para organismos específicos; no entanto muitos pacientes com PAH são colonizados com múltiplos organismos (BRUNNER & SUDDARTH, 2009).

Na dependência da doença de base e do agente causal, pode atingir 25 a 50% dos pacientes que necessitam de ventilação mecânica, a despeito dos avanços na terapia antimicrobiana, da melhoria dos cuidados de suporte e das medidas de diagnóstico e de prevenção (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia 2007).

Vários estudos demonstram que a incidência dessa infecção aumenta com a duração da ventilação mecânica e apontam taxas de ataque de aproximadamente 3% por dia durante os primeiros 5 dias de ventilação.O desenvolvimento de pneumonia nosocomial e no ambiente de cuidados intensivos, especificamente da PAVM, tem morbidade significativa as­sociada, prolongando o tempo de ventilação mecânica, bem como o tempo de permanência na UTI, com todos os custos associados a esse prolongamento(RELLO; DIAZ, 2003; RELLO . et al. 2002; BEKAERT et al 2011).

Existem poucos estudos acerca da epidemiologia das PAVM no Brasil. Em estudos conduzidos em 99 hospitais do Brasil, as pneumonias foram responsáveis por 28,9% de todas as infecções nosocomias e, destas, 50% estavam relacionadas à ventilação mecânica. Assim é difícil definir a exata incidência da PAVM, devido à superposição com outras infecções do trato respiratório inferior, como traqueobronquites em pacientes ventilados (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia 2007).



2.7 Prevenção da PAVM

O cuidado com o paciente em ventilação mecânica é foco prioritário por se tratar de uma população com altos índices de morbimortalidade. Nesta perspectiva, foi criado pelo Institute for Healthcare Improvement (IHI) o Bundle de Ventilação onde são instituídas medidas para a prevenção da PAV baseados em evidências científicas (INSTITUT FOR HEALTHCASE IMPROVEMENT, 2010).

Os pacientes ventilados mecanicamente apresentam altos riscos para sérias complicações como: PAV, trombose venosa profunda (TVP) e sangramentos gastrintestinais induzidos por estresse. Foi considerado que um pequeno conjunto de intervenções preventivas, baseadas em evidências para pacientes em ventilação mecânica, reduziu a PAV. Uma revisão feita pelo IHI identificou cinco elementos de cuidado para prevenir esses eventos em pacientes ventilados que são sustentados por ensaios clínicos nível 1 de evidência, são eles: elevação da cabeceira do leito entre 30º e 45º; interrupção diária da sedação e avaliação diária da possibilidade de extubação; higiene oral com clorexidina a 0,12%; implementação da profilaxia da úlcera péptica; e, implementação da profilaxia da trombose venosa profunda (INSTITUT FOR HEALTHCASE IMPROVEMENT, 2010).

A seleção de intervenções para um programa de prevenção da PAVM depende da avaliação dos pacientes, dos recursos disponíveis e da habilidade da equipe de saúde de agir em concordância com o programa, para prevenir a ocorrência de colonização do trato aerodigestivo e a aspiração de secreções contaminadas para as vias aéreas superiores, que são os dois fatores principais para a patogenese da PAVM (BRASIL, 1999; GUIMARÃES; ROCCO, 2006).



3 METODOLOGIA

3.1 Tipo de pesquisa


Trata-se de uma revisão integrativa sobre o conhecimento e prevenção da pneumonia associada à ventilação mecânica , visto que ela possibilita sumarizar as pesquisas já concluídas e obter conclusões a partir de um tema de interesse. Uma revisão integrativa bem realizada exige os mesmos padrões de rigor, clareza e replicação utilizada nos estudos primários conforme a definição de Beyea (1998).
A revisão integrativa da literatura permite que pesquisas ante­riores sejam sumarizadas e conclusões estabelecidas a partir do delineamento das pesquisas avaliadas, possibilitando a síntese e análise do conhecimento científico acerca do tema investigado. Assim, seguimos as etapas: identificação do problema, seleção da amostra, definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados, análise, apresentação e discussão dos resultados, bem como apresentação da revisão (BROOME, 2000; WHITTEMORE, KNAFL, 2005).
De acordo com Lakatos e Marconi (2010), pesquisa bibliográfica ou de fontes secundária é aquela desenvolvida com base em materiais já publicados em livros, revistas, redes eletrônicas, e que estão acessíveis à população em geral. Para Gil (2009), a pesquisa bibliográfica é aquela desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos.
3.2 Descritores

A busca dos descritores se deu através da consulta a base de dados Descritores em Ciências da Saúde (Decs) e foram selecionados os seguintes descritores: Pneumonia, Ventilação Mecânica; Prevenção; UTI.

3.3 Busca eletrônica

A busca dos artigos utilizados no presente estudo se deu por meio da base eletrônica BIREME ou Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) com artigos indexados em bases de dados Scielo (Scientific Eletronic Library online) o u BNDF e foi realizada de 10 a 18 de novembro de 2016. O levantamento foi feito a partir dos descritores para selecionar os artigos que respondessem ao objetivo.A busca foi feita a fim de selecionar e filtrar artigos que interessassem a pesquisa.

As buscas nas bases de dados eletrônicas proporcionaram a obtenção de 2.726 publicações relacionadas com os descritores Pneumonia, Ventilação Mecânica, quando selecionado texto completo reduziu para 1.052 publicações, e por fim escolhendo idioma português surgiram 138, dos quais 91 estavam disponíveis. Desses, 28 publicações se relacionavam a temática escolhida. Porém, como o foco da pesquisa é prevenção da PAVM utilizaram-se outros descritores mais específicos na BVS: pneumonia, ventilação mecânica e prevenção. Dessa busca encontrou-se 17 artigos, sendo 4 repetidos. Desse modo restaram apenas 13 publicações como amostra desse estudo por estar inserido na limitação temporal de 2003 a 2013, adequar-se aos critérios de inclusão e responder a questão norteadora.

3.4 Critérios de inclusão e exclusão

Foram incluídos na pesquisa artigos encontrados na Bireme ou BVS, indexados nas bases Lilacs ou BNDEF e Scielo, disponíveis em texto completo, idioma em português, nos anos de 2003 a 2013, incluídos na temática e respondendo o objetivo do estudo. Os artigos que não se relacionavam à temática, bem como os que se apresentavam em outro idioma e fora do limite de tempo traçado ficaram fora da pesquisa.



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