Mestrado profissionalizante em terapia intensiva livia martins dantas a enfermagem e os cuidados paliativos na terminalidade em uti: R



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SOCIEDADE BRASILEIRA DE TERAPIA INTENSIVA

SOBRATI

MESTRADO PROFISSIONALIZANTE EM TERAPIA INTENSIVA
LIVIA MARTINS DANTAS

A ENFERMAGEM E OS CUIDADOS PALIATIVOS NA TERMINALIDADE EM UTI: Revisão Bibliográfica

JOÃO PESSOA-PB

2014
L

IVIA MARTINS DANTAS



A ENFERMAGEM E OS CUIDADOS PALIATIVOS NA TERMINALIDADE EM UTI: Revisão Bibliográfica

Tese de Mestrado apresentado à Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva- SOBRATI como requisito final para conclusão do mestrado profissionalizante em terapia intensiva.



Orientador: Professora Mestre Kércia Vitória de Moura Rêgo.

JOÃO PESSOA-PB

2014

D


ANTAS, L. M. A Enfermagem e os Cuidados Paliativos na Terminalidade em UTI: Revisão Bibliográfica. 15 Págs. Tese de Mestrado orientada pela professora Mestre: Kércia Vitória de Moura Rêgo. Mestrado Profissionalizante. João Pessoa, 2014.
LIVIA MARTINS DANTAS¹

KÉRCIA VITÓRIA DE MOURA RÊGO²
RESUMO

O objetivo deste estudo foi mostrar o avanço nas discussões na literatura sobre UTIs e a enfermagem e os cuidados paliativos, além de contribuir para que estes sejam implementar na forma de cuidar. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica feita através da busca eletrônica no banco de dados SCIELO, abrangendo publicações nacionais no período de 2006 a 2014. Para o levantamento dos artigos, foram utilizadas as palavras-chave “enfermagem”, “paciente terminal”, “UTI” e “cuidados paliativos”, como descritores. Como critérios de inclusão foram eleitas as publicações na forma de artigos. Identificou-se um total de 27 publicações, das quais apenas 16 preenchiam os critérios de inclusão. Programas de cuidados paliativos têm sido reconhecidos como estratégias fundamentais para melhorar a qualidade de vida de pessoas, cujas doenças as levam a vivenciar a fase terminal. Controle dos sofrimentos físico, emocional, espiritual e social é essencial nesta modalidade de cuidado, que tem a pessoa doente, desde o diagnóstico até o momento da morte, como focos de atenção na busca pela melhor qualidade de vida.



Descritores: Enfermagem. Paciente terminal. UTI. Cuidados paliativos.

ABSTRACT

The objective of this study was to raise articles on palliative cares whitin UTIs given by the Nursing the patients in terminal phase and to describe the focus of these publications. One is about a bibliographical research made through the electronic search in the data base SCIELO, enclosing national publications in the period of 2006 the 2014. For the survey of articles, nursing”, “terminal patient”, “UTI” e ““palliative” cares” had been used the word-key “and, as describing. As inclusion criteria the publications in the article form had been elect. A total of 27 publications was identified, of which only 16 filled the inclusion criteria. Programs of palliative cares have been recognized as basic strategies to improve the quality of life of people, to whose they take them illnesses to live deeply the terminal phase. Control of the sufferings physical, emotional, social spiritual and is essential in this modality of care, that has the sick person, since the diagnosis until the moment of the death as focos of attention in the search for the best quality of life.



Describers: Nursing. Terminal patient. UTI. Palliative cares.

Livia Martins Dantas¹ Enfermeira. Pós-graduada em Gestão em Saúde pela Universidade Estadual do Piauí. Mestranda em Terapia Intensiva pela SOBRATI.

Kércia Vitória de Moura Rêgo² Enfermeira. Mestre em Terapia Intensiva pela SOBRATI. Especialista em Terapia Intensiva pela UNINOVAFAPI.

SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................05

1.1 Justificativa...............................................................................................................06

2. OBJETIVOS...............................................................................................................07

3. METODOLIGIA......................................................................................................07

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO..............................................................................08

4.1 Cuidados paliativos na UTI......................................................................................09

4.2 Enfermagem e o paciente Terminal..........................................................................10

5. CONCLUSÃO...............................................................................................................13

REFERENCIAS.............................................................................................................14


  1. INTRODUÇÃO

O verbo paliar, do latim palliare, pallium, significa em seu modo mais abrangente, proteger, cobrir com capa. No entanto, paliar é mais usado no âmbito da saúde, como sinônimo de aliviar provisoriamente, remediar, revestir de falsa aparência, dissimular, bem como adiar, protelar. (HOUAISS, 2006).

Cuidados paliativos são aqueles que valorizam a vida dos pacientes e familiares, ajudando-os a viver a doença na sua fase final, mediante a prevenção e alívio do sofrimento, identificado precocemente. Estabelece, ainda, assistência ampla, com foco no tratamento da dor e de outros problemas físicos, psicossociais e espirituais (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2007).

O cuidar envolve atos humanos no processo de assistir ao indivíduo, à família ou à comunidade, de tal forma, que envolve de maneira igualitária o relacionamento interpessoal baseado em valores humanísticos e em conhecimento científico. O cuidar do outro por sua vez apresenta procedimentos de maior complexidade do que a cura. Entretanto, apesar dessa prática não ser prerrogativa de uma única profissão, inegavelmente a Enfermagem possui mais oportunidade de efetivação do cuidar, em virtude de ser os profissionais que passam ás 24 horas do dia junto ao paciente (SILVA ; CAMPOS; PEREIRA, 2011).

Nesta proposta, a assistência de enfermagem é fundamental para o sucesso das intervenções prestadas, pois os cuidados devem ser integrais, centrados nas necessidades do paciente, com ações efetivas, respeitando a autonomia do paciente. Porém, é evidente a carência de unidades hospitalares que possibilitem a oferta desse cuidado prestado de forma individualizada, bem como uma notória deficiência no ensino ao tratar-se da atuação do enfermeiro diante da temática “paciente terminal” (BARROS et al, 2012).

O paciente fora de possibilidades terapêuticas é rotulado como “terminal”. Isso traz a falsa idéia de que nada mais pode ser feito. Porém, o paciente em fase terminal está vivo e tem necessidades especiais que, se os profissionais de saúde estiverem dispostos a descobrir quais são, podem ser atendidas e proporcionarão conforto durante essa vivência (SUSAKI; SILVA; POSSARI, 2006).

Com o incremento das tecnologias na área da saúde, ao longo dos tempos, a morte do indivíduo passou do ambiente domiciliar para hospitalar com o intuito de tentar evitar a morte e promover maior tempo de sobrevida. No âmbito hospitalar é na Unidade de Terapia Intensiva – UTI, que se concentra o maior número de pacientes críticos e dentre estes há pacientes com situações clínicas reversíveis, como também pacientes com doenças crônicas, sem perspectiva terapêutica de cura e que evoluem para estágio de terminalidade.

No contexto da UTI, a luta pela vida de pacientes criticamente enfermos tem sido permeada por técnicas e aparatos tecnológicos especializados, porém diante da terminalidade há evidências do despreparo de profissionais ao implementar ações que se sobrepõe ao conforto do paciente que está morrendo, com condutas fúteis que só lhe causam dor e prolongamento do sofrimento (BARROS et al, 2012).

O enfermeiro acompanha e participa desse processo inevitável da vida chamado morte, prestando cuidados de enfermagem de qualidade e ao mesmo tempo vivenciando angústias, desconforto, insegurança de pacientes e familiares até que finalize o ciclo vital. A morte é uma possibilidade presente na vida de todos, principalmente em pacientes com estado de saúde grave nas UTIs. Para Associação de Medicina Intensiva Brasileira AMIB (2009, p.3) “Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é uma unidade destinada à internação de pacientes graves, que requerem atenção profissional contínua, materiais específicos e monitorização” (SILVA et al, 2014).

Apesar do debate, de âmbito mundial, visando à definição do melhor atendimento ao paciente com doença terminal, esse questionamento ainda permanece sem resposta definitiva. Porém não há dúvidas que as práticas de final de vida devem priorizar o melhor interesse do paciente, respeitando seus sentimentos e desejos de seus familiares e a adequada comunicação entre todos os envolvidos no processo (MORITZ, et al., 2009).

1.1 Justificativa

Os complexos problemas que emergem com os cuidados no fim da vida dentro de UTIs colocam-nos diante da necessidade de aprofundar o debate em torno deste momento crítico da existência humana.

Os cuidados paliativos, por terem pouca articulação nacional, têm pela frente um árduo caminho de legitimação em nosso país.

Os cuidados paliativos têm como objetivo a prevenção e o alívio do sofrimento, melhorando a comunicação e o sinergismo com a terapêutica curativa. Esta filosofia de tratamento conjuga os valores dos pacientes e de seus familiares, facilitando as transferências entre os vários setores intra-hospitalares, que possam estar conduzindo um paciente com grave risco de vida.

Apesar de ainda estar se desenvolvendo em todo o mundo, os cuidados paliativos estão progressivamente integrando-se aos cuidados curativos.

Entretanto, várias evidências têm demonstrado que esta abordagem ainda precisa melhorar, seja para os pacientes com sintomas de desconforto significativos ou dores físicas, ou na percepção dos familiares, que também é falha, sobretudo no que concerne às recomendações básicas como as intervenções diagnósticas, prognósticas e terapêuticas.



  1. OBJETIVOS

Desta forma, os objetivos do presente estudo são: mostrar o avanço nas discussões na literatura sobre UTIs e a enfermagem e cuidados paliativos, além de contribuir para que estes sejam implementados na forma do cuidar.

  1. METODOLOGIA

O presente trabalho utiliza o referencial da pesquisa bibliográfica como meio de obtenção de dados relativos ao assunto em discussão. Para a elaboração do estudo, seguiu-se o percurso metodológico sugerido por Marconi et al. (2000), que consiste nos seguintes passos: escolha do tema; elaboração do plano de trabalho; identificação; localização; compilação; fichamento; análise e interpretação; redação.

A busca eletrônica foi feita no SCIELO (Scientific Eletronic Library Online), abrangendo apenas publicações nacionais feitas no período de 2006 a 2014. Para o levantamento dos artigos, foram utilizadas as palavras-chave “enfermagem”, “UTI”, “paciente terminal” e “cuidados paliativos”, usadas isoladamente e em combinação como descritores. Como critérios de inclusão foram eleitas as publicações na forma de artigos (ensaio, revisão, pesquisa, relato de experiência e estudo de caso), independentemente da formação profissional do autor, publicados no período de 2006 a 2014. Ao utilizar as palavras-chave citadas no banco de dados SCIELO, encontraram-se 27 trabalhos publicados no período escolhido, mas ao analisar as listas de referências, realizando a leitura seletiva dos artigos, somente 16 trabalhos se enquadraram nos objetivos do presente estudo. Foi utilizado como fonte de pesquisa também um livro que aborda questões metodológicas para melhor confecção de uma revisão bibliográfica. A análise se deu através da construção subjetiva dos principais focos apresentados nas publicações selecionadas.



  1. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Dos 16 artigos selecionados a partir do banco de dados SCIELO, verificou-se que todos tratam os cuidados paliativos como uma abordagem que melhora a qualidade de vida dos indivíduos e familiares na presença de doenças terminais dentro de uma UTI.

Aspectos culturais, associados aos fatores sociais, como a dificuldade do tratamento de um doente terminal em seu lar, levaram à morte institucionalizada. No mundo atual, mais de 70% dos óbitos ocorrem nos hospitais e, mais especificamente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) (MORITZ et al., 2008).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) conceitua cuidados paliativos como uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias ao enfrentar problemas associados a doenças terminais. Essa abordagem é realizada por meio da identificação precoce, avaliação religiosa e alívio da dor com base nos aspectos de ordem física, espiritual e psicossocial.

O cuidado paliativo preocupa-se com as necessidades do paciente e não com o seu diagnóstico. São cuidados integrais aos pacientes e familiares, realizados por profissionais membros de uma equipe multidisciplinar, todos com sua importância, já que tal cuidado planeja diminuir o sofrimento humano (BRASIL, 2008)

Os cuidados prestados a pacientes sem possibilidades de cura terapêutica integram uma proposta de assistência humanizada. Neste sentido, o paciente deverá ter sua dor amenizada, seu bem-estar priorizado e suas crenças consideradas, para que ele possa aceitar sua condição como um processo natural da finitude. Para tanto, é indispensável que todas as ações terapêuticas sejam planejadas com a participação do paciente, família e da equipe de saúde (BARROS et al, 2012).

Ao tratar do tema, as publicações são unânimes em afirmar que estes cuidados baseiam em seis princípios: valorizar a vida e considerar a morte como um processo natural; não acelerar a morte nem prolongar a vida; promover alívio da dor e outros sintomas; integrar aspectos psicossociais e espirituais; prover suporte para a família durante a doença e no período de luto.

No Brasil dispomos de poucas unidades dedicadas aos cuidados paliativos dentro de hospitais. O pioneiro foi iniciado em 1983, pela Dra. Miriam Martelete, do Departamento de Anestesiologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 1986, na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, surgiu o Serviço de Dor e Cuidados Paliativos (FILHO et al., 2008).

4.1 Cuidados paliativos na UTI
A UTI tem sido palco da terminalidade humana nos dias atuais, decorrente dos avanços técnico-científicos que permeiam esta assistência. No entanto, diante de sua característica de resgatar vidas, há um indiscutível conflito entre a obstinação terapêutica e a prática dos cuidados paliativos neste cenário, principalmente pela dificuldade da equipe de profissionais intensivistas e dos familiares do paciente de reconhecer que este não tem mais perspectivas de cura e que agora precisa de cuidados que o possibilite ter uma morte digna, respeitosa e confortável (BARROS et al, 2012).

A UTI foi criada e mantém-se com o objetivo de concentrar três componentes críticos: os doentes mais graves, o equipamento técnico mais caro e sofisticado e a equipe com conhecimento e experiência para cuidar desses pacientes e lidar com essa aparelhagem específica.

O emprego dos avanços tecnológicos na manutenção da vida do paciente internado na terapia intensiva necessita de um repensar por parte da equipe que atua nesse setor. Deve ser levado em conta, até que ponto estes avanços tecnológicos são benéficos para o paciente e seus familiares. Não se trata de afastar a tecnologia no processo assistencial nas UTIs, mas o que merece ser enfocado é a maneira do emprego desses recursos de forma mais ética, humana e paliativista, percebendo o paciente em todas as suas dimensões, respeitando os limites de intervenções terapêuticas e a autonomia do paciente.

Apesar de existir nas UTIs muitos pacientes com potencial de recuperação, há aqueles mais graves com baixas perspectivas e que necessitam de um cuidado e um tratamento adequado no final de suas vidas.

Têm sido cada vez mais discutidos os códigos civis em relação à autonomia dos pacientes, onde se conclui que o paciente tem o direito de escolher ser ou não submetido a tratamentos quando seu estado está crítico, sem grandes chances de cura (SANTANA et al, 2012)

Nas UTIs existem três fases no processo da assistência com recomendações quanto aos cuidados paliativos a serem prestados a todos os pacientes admitidos na unidade. Na primeira fase o paciente apresenta uma condição clínica na qual a equipe percebe uma maior possibilidade para recuperação do que para o desfecho de morte ou para a condição de irreversibilidade. Na segunda fase percebe-se uma falta de respostas ou uma resposta insuficiente aos recursos utilizados, com uma crescente tendência ao desfecho de morte ou irreversibilidade e na terceira fase é reconhecida a irreversibilidade da doença e morte eminente, aceitando o desfecho para a morte.

Os cuidados paliativos em ambientes intensivos devem ser aplicados em todas as fases, é importante manter os cuidados individualizados, suficientes para garantir o tratamento físico, psicoemocional e sociocultural do binômio paciente-família, respeitadas as perspectivas bioéticas, deontológicas e legais (SANTANA et al, 2012).

O enfoque maior dos cuidados paliativos não é a “cura” da doença, e sim acrescentar qualidade de vida para os pacientes em fase terminal na terapia intensiva. Dessa maneira, são evitados tratamentos que prolonguem a vida desnecessariamente, tais como: procedimentos invasivos e dolorosos, exames desnecessários. Os profissionais envolvidos nesse cuidado devem dar a esses pacientes apoio emocional, psicológico e espiritual, amenizando a dor, melhorando os sintomas e diminuindo o sofrimento, tanto do doente quanto da família (FALCO et al, 2012)

Refletir sobre a importância da comunicação em cuidados paliativos é resgatar as ações afetivas em um ambiente de saúde em que o seu fazer é pautado em ações efetivas e, em relação à UTI, ancorado no aparato tecnológico.

Os cuidados paliativos na UTI devem ter suas ações terapêuticas planejadas com a participação da equipe, do paciente e de seus familiares, devendo manter uma forma adequada de comunicação. Deve ser oferecido apoio aos familiares e flexibilização no horário de visitas ou permissão para que um acompanhante permaneça com a pessoa doente, caso seja o seu desejo. Todas as ações visam ao conforto e ao bem-estar do paciente (FALCO et al, 2012)


4.2 A Enfermagem e o paciente terminal

É errônea a suposição de que não há mais nada a se fazer pelo paciente sem possibilidades de cura: enquanto há vida, existe a necessidade do cuidado de enfermagem. Neste sentido, a atuação da equipe de enfermagem é primordial e indispensável para proporcionar o máximo de conforto ao paciente sob cuidados paliativos, ajudando-o a vivenciar o processo de morrer com dignidade, para que utilize, da melhor forma possível, o tempo que lhe resta. Isto significa ajudar o ser humano a buscar qualidade de vida, quando não é mais possível acrescer quantidade (ARAÚJO; SILVA, 2006)

Este é um desafio para as equipes de saúde responsáveis pelos cuidados paliativos, pois elas devem promover mudanças no sentido de abandonar sua visão paternalista de que é a detentora do saber e única responsável pela tomada de decisões. Elas devem, então, inserir o paciente e a família no processo, adotando-se uma abordagem mais participativa e simétrica, possibilitando que estes possam propor intervenções que melhorem aspectos da qualidade de suas vidas. (REMEDI et al., 2007)

Algumas das publicações antagonizam cuidados paliativos dos cuidados curativos, afirmando que o cuidado paliativo distingue-se do curativo pela noção médica de paciente “terminal” ou “fora de possibilidades terapêuticas”, porém outras fontes deixam claro que o maior desafio dos cuidados paliativos é integrar-se aos curativos e que podem e devem ser oferecidos concomitantemente, pois não são excludentes para a prevenção e tratamento do sofrimento de pacientes e seus familiares.

Portanto, uma das consequências da utilização do modelo médico predominantemente curativo para pacientes com doenças avançadas e terminais é a perpetuação de intervenções e de tratamentos que não agregam benefícios substanciais para estes pacientes.

Nos artigos pesquisados há um consenso no tocante à necessidade de implantação ou de aperfeiçoamento de um programa específico para cuidados paliativos em instituições hospitalares ou não. De acordo com Silva; Hortale (2006), quando não inseridos em uma instituição hospitalar, os programas de cuidados paliativos podem estar inseridos em asilos, casas de repouso, moradias assistidas, clínicas e no domicílio (home care). Porém todos os artigos são enfáticos em afirmar que modelos de programas para adultos não são considerados adequados para atender às necessidades de crianças e adolescentes.

Já no contexto da interdisciplinaridade, é imprescindível que haja interação de pessoas, com linguagem e objetivos comuns, reconhecimento de possíveis diferenças, domínio de conteúdos específicos e síntese das questões abordadas, por meio de troca de saberes e opiniões entre as competências (BENARROZ et al., 2009).

Para Salamonde et al. (2006), os cuidados paliativos exigem um tipo de acompanhamento feito por uma equipe multiprofissional (anestesiologistas, psiquiatras, clínicos, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros, assistentes sociais, farmacêuticos) com o objetivo de proporcionar melhor qualidade de vida ao paciente. Postulam a qualidade do viver, em confronto com a quantidade de vida, objetivando uma diminuição do sofrimento. O grau progressivo da dependência física, que acompanha o avanço da doença (perda da mobilidade, alterações urinárias), piora a dificuldade em lidar com a dor, influenciando de forma negativa a sua qualidade de vida.

Mas a discussão atual não se limita ao que foi posto pelo autor anteriormente, e volta-se para a possibilidade de entender cuidados paliativos como um conceito que permeia todo o cuidado, ou seja, do diagnóstico à morte, incluindo o processo de luto, compreendendo-se então, que os cuidados paliativos transcendem um modelo assistencial, pois descrevem uma abordagem holística.

Nos cuidados paliativos a ação não é movida apenas pela competência técnico-científica, apoiada no processo diagnóstico e terapêutico; a ação é, também, determinada por questões políticas, éticas, culturais, sociais e subjetivas. Assim, o desafio das equipes é encontrar no trabalho cotidiano, junto aos que recebem cuidados paliativos, um equilíbrio harmonioso entre a razão e a emoção (SILVA; HORTALE, 2006)

Os textos enfatizam também a importância da autonomia do paciente terminal na elaboração do seu próprio programa de cuidados. Oliveira et al. (2006), afirma que a autonomia do paciente é um direito que pouco faz parte da história da ética médica, pois a idéia que norteava os médicos no início do século XIX, é a de que eles é que decidiam o que devia ser feito e só a partir do segundo terço do século XX que os códigos de deontologia médica e de enfermagem indicam a obrigação do profissional de conseguir o consentimento do doente e, portanto, de informá-lo previamente.

Desta forma, ao não aceitar a autonomia dos pacientes fora de possibilidades terapêuticas e agir segundo os próprios preconceitos religiosos e pessoais, o enfermeiro reproduzirá o que foi denominado “próprio referencial”, de forma a limitar a possibilidade de individualização do cuidado, o que produz a descaracterização do doente e, consequentemente, as falhas observadas no respeito à sua autonomia, além de configurar-se como um obstáculo à operacionalização prática dos cuidados paliativos. Então, se faz necessário trazer à consciência que a participação do paciente no tratamento é de fundamental importância, pois o tratamento não pertence aos profissionais de saúde, mas sim, ao próprio paciente.

Ao valorizar o processo de comunicação entre a equipe de saúde e o paciente terminal Araújo; Silva (2006), afirmam que manter o otimismo não significa que conversas sérias ou a expressão de sentimentos negativos ou pessimistas não devam ocorrer. Essas situações podem e devem acontecer, mas precisam ser seguidas pela busca construtiva e partilhada do lado positivo da situação. No entanto, alguns dos estudos mostraram que profissionais de saúde estão fechados à comunicação quando se sentem incapazes de oferecer ajuda prática ou quando percebem sua incapacidade em administrar a preocupação do paciente.

Portanto, manter a esperança e o otimismo sem mentir, fingir ou ignorar as reais preocupações e riscos do paciente sem possibilidades de cura e seus familiares é, provavelmente, um dos aspectos mais difíceis do trabalho da enfermagem ao cuidar destes doentes.

Quintana et al. (2006), dizem que o despreparo da equipe de saúde para lidar com situações de terminalidade tem duas consequências para os profissionais. A primeira representa a sensação de fracasso do que seria a sua missão: curar o doente, do qual decorre o abandono do paciente a seu próprio destino. A segunda consequência se manifesta no afastamento que impede o profissional de conhecer o universo desse paciente, suas queixas, suas esperanças e desesperanças, em suma, tudo o que ele sente e pensa nesse período de sua vida e cujo conhecimento o ajudaria a se aproximar do terminal.

Estes fatos tornam-se preocupantes ao lembrar-se que o enfermeiro e sua equipe são os profissionais da área de saúde que interagem mais direta e constantemente com o paciente durante sua estadia em uma instituição hospitalar.



  1. CONCLUSÃO

À conclusão deste trabalho, identificamos que o foco das publicações está voltado ao como devem ser prestados os cuidados paliativos nas Unidades de Terapia Intensiva, deixando evidente por parte da equipe de saúde e de gestores, na elaboração de um programa efetivo para a prática dos cuidados paliativos no Brasil. Esta prática, quando executada, é feita de forma não sistematizada, negligente, discriminativa e até mesmo empírica.

Os estudos demonstram que os profissionais priorizam um cuidado humanizado aos pacientes terminais, proporcionando uma melhor qualidade de vida ao tempo que lhe restam, porem por não estarem totalmente preparados para o enfrentamento da morte, esse cuidado pode ser confundido com sentimentos pessoais.

Foi possível observar que os cuidados paliativos são reconhecidos como uma importante questão de Saúde Pública, pois envolve o sofrimento, a dignidade, o cuidado das necessidades humanas e qualidade de vida das pessoas afetadas por uma doença crônica e degenerativa ou que está em fase final de vida. Com isso a preocupação deve ser não só com o paciente que está sob nossos cuidados, mas também com seus familiares.

Chama à atenção nos trabalhos a supervalorização dada aos cuidados técnicos, em detrimento de um cuidado envolvendo as dimensões psicosocioespirituais. Vale ressaltar que o conteúdo programático fornecido por muitas graduações multiprofissionais não integra de forma significativa todos os conhecimentos necessários ao cuidado destes pacientes fora da possibilidade de cura e que portanto venham a requerer cuidados paliativos.

Ressaltamos a urgência de se intensificar as investigações sobre estes cuidados para pacientes terminais, com objetivo de trazer subsídios que permitam viabilizar a introdução dessa ação nos serviços de saúde, e ainda, que os gestores e produtores de políticas públicas utilizem evidências científicas no planejamento dessas ações em saúde.

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