Meu caminho para a fenomenologia



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MEU CAMINHO PARA A FENOMENOLOGIA

(Mein Weg in die Phanomenologie – 1963)

In Gesamtausgabe Nº 014 – Zur Sache des Denken

(Sobre o Assunto do Pensar)

 Trad. Ernildo Stein



MARTIN HEIDEGGER

 

Meus estudos acadêmicos começaram no inverno de 1909/10, na faculdade de Teologia da Universidade de Freiburg. A prioridade do trabalho teológico deixava, no entanto, tempo suficiente para a filosofia que, de qualquer modo, fazia parte do programa de estudos. Assim desde o primeiro semestre, os dois volumes das Investigações Lógicas de Husserl estiveram na minha mesa de estudos no teologado. Pertenciam a biblioteca da Universidade. O prazo sempre podia ser renovado com facilidade. Provavelmente a obra era pouco procurada pelos estudantes. Como, porém, chegou até o estranho ambiente de minha mesa de estudos?



Soube, por diversas indicações de revistas filosóficas, que a maneira de pensar de Husserl era determinada por Franz Brentano. A dissertação deste ultimo “Sobre o Significado Múltiplo do Ente Segundo Aristóteles” (1862) construía, desde 1907, o principal auxilio, nas minhas desejadas alternativas para penetrar na filosofia. Bastante indeterminada, movia-me a seguinte idéia: se o ente é expresso em múltiplos significados, qual será, então, o determinante significado fundamental? Que quer dizer ser? Nos últimos anos de meu ginásio topei com a obra do então professor de Dogma da Universidade de Freiburg, Carl Braig: Sobre o Ser, Compêndio de Ontologia. Fora publicado no ano de 1896, quando seu autor era professor extraordinário de filosofia na Faculdade de Teologia de Freiburg. As seções maiores do texto sempre trazem no fim passagens de Aristóteles, Tomás de Aquino e Suarez, além da etimologia das palavras designantes dos conceitos ontológicos fundamentais.

Das Investigações Lógicas de Husserl esperava um estímulo decisivo com relação ás questões suscitadas pela dissertação de Brentano. Porém, era vão o meu esforço, porque, somente mais tarde o descobriria, eu as questionava de maneira inadequada. Contudo a obra de Husserl marcara-me de tal modo, que nos anos subseqüentes sempre a li, sem compreender suficientemente o que me fascinava. O encanto que emanava da obra estendia-se até o aspecto exterior da paginação e da pagina-titulo.Nesta, ainda hoje tenho-a diante de meus olhos como naqueles tempos, encontrei o nome da Editora Max Niemeyer. Vinha ligado ao nome estanho “fenomenologia”, que aparece no subtítulo do segundo volume. Assim como naquele ano pouco sabia da Editora Max Niemeyer ed e seu trabalho, precário e insegura permanecia também minha compreensão do termo “fenomenologia”. Todavia, muito breve, mostrar-se-ia, de maneira mais nítida, em que medida os dois nomes – Editora Max Niemeyer e Fenomenologia – formam uma unidade.

Após quatro semestres, abandonei o estudo teológico e dediquei-me inteiramente à filosofia. Freqüentei, porém, ainda anos após 1911, uma aula de teologia; era a aula sobre Dogma de Carl Braig. Levava-me a este o interesse pela teologia especulativa, mais sobretudo a maneira penetrante de pensar que o professor desenvolvia em cada aula. Dele ouvi, pela primeira vez, por ocasião de alguns passeios a pé em que me foi dado acompanha-lo, algo sobre a importância de Schelling e de Hegel para a teologia especulativa, em contraste com o sistema doutrinal da escolástica. Desta maneira , a tensão entre ontologia e teologia especulativa como estrutura da metafísica passou ao horizonte de meu questionamento.

Temporariamente, contudo, este domínio foi sendo abandonado, devido aquilo que, Heinrich Rickert tratava nos exercícios do seminário: eram os textos de seu discípulo Emil Lask, que em 1915, tombou como simples soldado na frente da Galícia. Rickert dedicou “ao querido amigo” sua obra. O Objeto do Conhecimento. Introdução à filosofia Transcendental, que aparecera, naquele mesmo ano, em terceira edição inteiramente reelaborada. A dedicatória tinha, ao mesmo tempo, como função, testemunhar os impulsos que o professor recebera do aluno. Ambos os escritos de Emil Lask: A Lógica da Filosofia e A Doutrina das Categorias. Um Estudo sobre o Âmbito de validez das formas Lógicas (1911) e A Doutrina do Juízo (1912) manifestam, por sua vez, com bastante evidência, a influência das Investigações Lógicas de Husserl.

Esta situação obrigou-me obrigou-me a voltar novamente à obra de Husserl. Entretanto, também esta abordagem repetida permaneceu insatisfatória, pois não conseguia superar uma dificuldade capital. Esta referia-se a simples questão de como se deveria realizar os modos de proceder do pensamento denominado “fenomenologia”. O elemento inquietante desta questão resultava na ambigüidade que a obra e Husserl revela à primeira vista.

O primeiro volume, aparecido em 1900, traz a refutação do psicologismo na lógica, procurando mostrar que a doutrina do pensamento e do conhecimento não pode fundar-se na psicologia. Opondo-se a isto, o segundo volume, aparecido no ano seguinte, e três vezes maior, contém a descrição dos atos conscientes essenciais para a edificação do conhecimento. Portanto, parecia impor-se uma psicologia. A que outra finalidade serviria o § 9 da Quinta Investigação sobre: O significado da delimitação dos ‘fenômenos psíquicos’ de Brentano”? conseqüência lógica: Husserl recai, com sua descrição fenomenológica dos fenômenos conscientes, na posição do psicologismo que precisamente procurara antes refutar. Se, no entanto, erro tão grosseiro não pode ser atribuído à obra de Husserl, que é então a descrição fenomenológica de atos conscientes? Em que consiste o elemento individualizador da Fenomenologia, já que esta não é nem lógica nem psicológica? Manifesta-se aqui uma disciplina filosófica inteiramente nova e que possui dignidade e nível próprios?

Não encontrava uma solução para estas questões; perplexo sem em orientação, nem mesmo era capaz de articula-las com a clareza com que aqui formulo.

Então, o ano de 1913 trouxe uma resposta. Na editora Max Niemeyer começou a ser publicada o “Anuário de Filosofia e Pesquisa Fenomenológica”, editado por Husserl. O primeiro volume é inaugurado com o tratado de Husserl que já manifesta, no titulo, o elemento caracterizador e o alcance da Fenomenologia: Idéias a Propósito de uma Fenomenologia Pura e de uma Filosofia Fenomenológica.

A “fenomenologia Pura” é a “ciência básica” da filosofia por ela marcada. “Pura” significa: “fenomenologia transcendental”. “Transcendental” é a “subjetividade” do sujeito que conhece, age e valora. Ambos os títulos, “subjetividade” e “transcendental”, indicam que a “fenomenologia” se encaminhava, consciente e decididamente, na esteira da tradição da Filosofia Moderna; fazia-o, não há duvida, de tal maneira, que a “subjetividade transcendental” atinge, através da fenomenologia, uma possibilidade de determinação mais original e universal. A Fenomenologia retém as “vivências conscientes” como área temática; mas, já agora no âmbito da pesquisa da estrutura dos atos vivenciados, sistematicamente projetada e garantida, e isto conjugado à pesquisa dos objetos vivenciados nos atos, sob ponto de vista de sua objetividade.

Neste projeto universal de uma filosofia fenomenológica, podia ser apontado o lugar sistemático das Investigações Lógicas que haviam como que permanecidos neutras do ponto de vista filosófico. Aparecem, ao mesmo ano, 1913, em segunda edição, na mesma editora. A maioria das investigações havia sido submetida a “profundas reelaboracões”. A sexta investigação, “a mais importante no que se refere à fenomenologia” (prefácio da segunda edição), foi, entretanto, mantida. Por outro lado, o ensaio Filosofia como ciência a Rigor (1910/11), publicado no primeiro volume da recém-fundada revista Logos, recebeu, somente com a publicação das Idéias para Uma Fenomenologia Pura, a devida fundamentação de suas teses programáticas.

Ainda em 1913, apareceu, na Editora Max Niemeyer, a significativa analise de Scheler: “A propósito da fenomenologia dos sentimentos de simpatia e ódio. Com um apêndice sobre a razão da aceitação da existência de um eu estranho”.

A edição das obras citadas colocou o trabalho editorial da Niemeyer na primeira fila de editoras de Filosofia. muitas vezes, ouviu-se naquele tempo a afirmação, que parecia impor-se, de que com a “fenomenologia” surgira um novo movimento no seio da filosofia européia. Quem teria ousado negar a veracidade de tal afirmação?

Mas um cálculo histórico desse tipo não precisa que com a “fenomenologia”, isto é, já com as Investigações Lógicas, acontecera, Isto permanece inexpresso desde aquela época e dificilmente também hoje deixa-se dizer. As explicações programáticas e as exposições metodológicas de Husserl reforçaram antes o equivoco de que com a “fenomenologia” se reivindicava um começo para a filosofia, começo que negaria todo pensamento anterior.

Ainda após o aparecimento das Idéias para uma Fenomenologia Pura, manteve-se fascinado o encanto insistente que as Investigações Lógicas irradiavam. Provocavam uma inquietação que desconhecia sua razão de ser, ainda que deixasse pressentir que se originava da incapacidade de chegar, pela pura leitura da literatura filosófica, a realizar o processo de pensamento que se designava como “fenomenologia”.

A perplexidade desapareceu muito lentamente, trabalhosadamente solveu-se a confusão, a partir do momento em que pude entrar pessoalmente em contato com Husserl em seu centro de trabalho.

Husserl veio para Freiburg im Bresgau em 1916, como sucessor de Heinrich Rickert, que assumira a cátedra de Windelbvand, em Heidelberg. A atividade docente de Husserl consistia no progresso exercício e na aprendizagem do “ver” fenomenológico; ele exigia tanto a renúncia a todo uso não critico de conhecimentos filosóficos como impunha não trazer-se, para o diálogo, a autoridade dos grandes pensadores. Eu, entretanto, menos podia separar-me e Aristóteles ed e outros pensadores gregos, quanto mais claramente a crescente intimidade com o ver fenomenológico fecundava a interpretação dos textos aristotélicos. Na verdade, não conseguia ainda abranger, de imediato, que conseqüências decisivas traria o repetido retorno a Aristóteles.

Desde 1919 passei a dedicar-me pessoalmente às atividades docentes na proximidade de Husserl; nestas, aprendia o ver fenomenológico, nele me exercitando e ao mesmo tempo experimentando uma nova compreensão de Aristóteles; foi ai que meu interesse se voltou novamente às Investigações Lógicas, sobretudo à Sexta Investigação da primeira edição. A distinção que Husserl ai constrói entre intuição sensível e categorial revelou-me seu alcance para a determinação do “significado múltiplo do ente”.

Por isso insistimos – amigos e alunos – para que o mestre reeditasse a Sexta Investigação, naquela época dificilmente encontrável. Numa comprovada disponibilidade aos interesses da fenomenologia, a Editora Max Niemeyer publicou, em 1922, a última parte das Investigações Lógicas. Husserl nota no prefácio: “Na situação atual, cedi à insistência de amigos da presente obra, e decidi-me a possibilitar novamente o acesso à sua parte final, na forma primitiva”. Com a expressão “amigos da presente obra” Husserl quis ao mesmo tempo significar que, desde a publicação das Idéias, ele próprio não mais se sentia tão ligado às Investigações Lógicas. Pois, com dedicação sem igual, empenhava, na nova sede de sua atividade acadêmica, sua paixão pelo pensamento e seu esforço na elaboração sistemática do projeto apresentado nas Idéias. Por isso Husserl pode escrever no prefácio à Sexta Investigação acima referido: “Também minha atividade docente em Freiburg orientou meu interesse aos elementos-guias da uinversalidade e ao sistema”.

Assim pois, Husserl, compreensivo, mas no fundo reciente, observava como eu, paralelamente às minhas aulas e exercícios de seminário, aprofundava, todas a s semanas,com alunos mais adiantados, as Investigações Lógicas, em grupos privados de trabalho. Principalmente a preparação deste trabalho foi-me muito fecundo. Nela descobri – antes conduzido por um procedimento do que orientado por uma compreensão fundada – o seguinte: o que para a fenomenologia dos atos conscientes se realiza como o automostrar-se dos fenômenos é pensado mais originalmente por Aristóteles e por todo o pensamento e existência dos gregos como Alétheia, como o desvelamento do que se pré-senta, seu desocultamento e seu mostrar-se. Aquilo que as Investigações redescobriram com a atitude básica do pensamento revela-se como o traço fundamental do pensamento grego, quando não da Filosofia como tal.

Quando mais decisivamente esta convicção se defina, tanto mais insistente tornava-se a questão: De onde e de que maneira se determina aquilo que, de acordo com o principio da fenomenologia, deve ser experimentado como “a coisa mesma”? É ela a consciência e sua objetividade, ou é o ser do ente em seu desvelamento e ocultacão?

Deste modo fui levado ao caminho da questão do ser, iluminado pela atitude fenomenológica, sempre de novo e cada vez de maneira diferente, inquietado pelas questões emanadas da dissertação de Brentano. O caminho do questionamento tornou-se, porém, bem mais longo do que presumia. Exigia muitas paradas, desvios e sendas perdidas. Tudo aquilo que foi tentado nas preleções da primeira fase de Freiburg, e nas de Marburg, mostra, embora de maneira indireta, qual foi o caminho.

“Colega Heidegger, agora torna-se necessário que o senhor publique algo. Dispõe de um manuscrito pronto?” Com estas palavras entrou em minha sala de estudos o decano da Faculdade de Filosofia de Marburg, em certo dia do semestre de inverno de 1925/26. “certamente”, respondi-lhe. E o decano novamente: “Há de imprimi-lo com urgência”. A faculdade havia-me proposto unico loco como sucessor de Nicolai Hartmann no ordinário I Encontro e Filosofia. O Ministério de Cultura de Berlim recusara, entretanto, a proposta com o argumento de que eu havia (estava) dez anos (que) nada publicado.

Chegara, pois, a hora de enfrentar o publico com o trabalho longamente cultivado. A Editora Max Niemeyer estava disposta, através da meditação de Husserl, a imprimir logo os primeiros cinqüenta cadernos do texto, que deveriam aparecer no “Anuário” de Husserl. Sem demora, a Faculdade encaminhou ao ministério dois exemplares do que estava impresso. Após certo tempo foram, contudo, devolvidos a Faculdade, com a observação: “insuficiente”. Em fevereiro do ano seguinte (1927) apareceu então o texto completo de Ser e Tempo, no oitavo volume do “Anuário” de Husserl, e com separata. Após meio ano, o ministério retirou seu juízo negativo, efetivando meu chamado à cátedra.

Por ocasião da singular publicação de Ser e Tempo, entrei pela primeira vez em contato direto com a Editora Max Niemeyer. O que no primeiro semestre de meus estudos acadêmicos era apenas um nome na página-título da fascinante obra de Husserl mostrava-se, agora e daí em diante, amplamente no trabalho editorial realizado com cuidado e segurança, com generosidade e simplicidade.

No verão de 1928, durante meu ultimo semestre em Marburg, foi preparado o volume comemorativo dos setenta anos de Husserl. No inicio deste semestre, morreu inesperadamente Max Scheler, um dos co-responsáveis pela edição do “Anuário” de Husserl, que havia publicado no primeiro e segundo volumes (1916) seu grande tratado O Formalismo na Ética e a Ética Material dos Valores. Ao lado das Idéias de Husserl constitui esta a mais importante contribuição para o “Anuário”, o qual, através de sua ampla repercussão, também mostrou sob nova luz a grande visão e eficiência da Editora Max Niemeyer.

O volume comemorativo do aniversário de Edmund Husserl saiu pontualmente a lume no dia natalício, como volume complementar do “Anuário”. Tive a honra de entrega-lo ao professor festejado, no dia 08 de abril de 1929, em meio ao circulo de seus discípulos e amigos.

Nos anos seguintes evitei toda publicidade maior, até que a Editora Max Niemeyer arriscou imprimir, em 1941, minha interpretação do hino de Hölderlin “Como num dia de Festa...”, sem entretanto, indicar a data da edição. Eu havia proferido esta conferência, em maio do mesmo ano, como professor visitante na Universidade de Leipzig. O proprietário da Editora, Hermann Niemeyer, veio de Halle para assistir a ela, e logo combinamos a sua publicação.

Ao me decidir, doze anos mais tarde, a editar parte de minhas antigas aulas, não tive duvida em escolher para tal empresa a Editora Max Niemeyer. Mais agora não se lia mais nas primeiras paginas de seus livros, “Halle a.d. Saale” – cidade em cuja Universidade lecionou, na última década do século passado, o então livre-docente Edmund Husserl. Muitas vezes contou mais tarde, em Freiburg, a história que está nas origens das Investigações Lógicas. Nunca esquecia de, nestas ocasiões, lembrar com gratidão e admiração, Max Niemeyer que, na passagem do século, assumiu o risco de publicar a volumosa obra de um desconhecido livre-docente, que enveredava por caminhos inusuais, provocando, com isto, estranheza no seio da filosofia contemporânea; muita coisa aconteceu a esta obra, no decurso dos anos seguintes, até Dilthey reconhecer sua importância. Naquela época a editora não podia saber que, no futuro, seu nome permaneceria ligado à Fenomenologia, a qual muito em breve passou a determinar o espírito da época, nas mais diversas áreas e em geral de maneira silenciosa.

E hoje? Parece que o tempo da filosofia fenomenológica passou. Já é julgada como algo passado, que é apenas consignado ainda historiograficamente ao lado de outros movimentos filosóficos. Entretanto, a Fenomenologia não é nenhum movimento, naquilo que lhe é mais próprio. Ela é a possibilidade do pensamento – que periodicamente se transforma e somente assim permanece – de corresponder ao apelo do que deve ser pensado. Se a Fenomenologia for assim compreendida e guardada, então pode desaparecer como expressão, para dar lugar à questão do pensamento, cuja manifestação permanece um mistério.

Post scriptum de 1969

O sentido da ultima frase já vem expresso em Ser e Tempo (1927) pás. 38:

“O essencial para ela (a Fenomenologia) não consiste em realizar-se como ‘movimento’ filosófico. Acima da atualidade está a possibilidade. Compreender a Fenomenologia quer unicamente dizer: capta-la como possibilidade”. 1[1]



 




1[1] Na tradução brasileira de Ser e Tempo por Márcia de Sá Cavalcante Schuback encontra-se no § 7 página 69-70.


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