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Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT

Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP

Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico - PADCT

_____________________________________________________________________________________________
Estudo da Competitividade

da Indústria Brasileira


RELATÓRIO FINAL

O conteúdo deste documento é de exclusiva responsabilidade da coordenação técnica. Não representa a opinião do Governo Federal.


Dezembro de 1993

CONSÓRCIO

Instituições Consorciadas


INSTITUTO DE ECONOMIA/UNICAMP

INSTITUTO DE ECONOMIA INDUSTRIAL/UFRJ

FUNDAÇÃO DOM CABRAL

FUNDAÇÃO CENTRO DE ESTUDOS DO COMÉRCIO EXTERIOR


Instituições Associadas
SCIENCE POLICY RESEARCH UNIT - SPRU/SUSSEX UNIVERSITY

INSTITUTO DE ESTUDOS PARA O DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL - IEDI

NÚCLEO DE POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA - NACIT/UFBA

DEPARTAMENTO DE POLÍTICA CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA - IG/UNICAMP

INSTITUTO EQUATORIAL DE CULTURA CONTEMPORÂNEA
Instituição Colaboradora
Comissão Econômica para América Latina e Caribe - CEPAL
Instituições Subcontratadas
INSTITUTO BRASILEIRO DE OPINIÃO PÚBLICA E ESTATÍSTICA - IBOPE

ERNST & YOUNG, SOTEC

COOPERS & LYBRAND BIEDERMANN, BORDASCH
Instituição Gestora
FUNDAÇÃO ECONOMIA DE CAMPINAS - FECAMP

Contratado por:


Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT

Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP

Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico - PADCT
EQUIPE DE COORDENAÇÃO TÉCNICA
Coordenação Geral: Luciano G. Coutinho (UNICAMP-IE)

João Carlos Ferraz (UFRJ-IEI)

Coordenação Internacional: José Eduardo Cassiolato (SPRU)

Coordenação Executiva: Ana Lucia Gonçalves da Silva (UNICAMP-IE)

Maria Carolina Capistrano (UFRJ-IEI)

Coord. Análise dos Fatores Sistêmicos: Mario Luiz Possas (UNICAMP-IE)

Apoio Coord. Anál. Fatores Sistêmicos: Mariano F. Laplane (UNICAMP-IE)

João E. M. P. Furtado (UNESP; UNICAMP-IE)

Coordenação Análise da Indústria: Lia Haguenauer (UFRJ-IEI)

David Kupfer (UFRJ-IEI)

Apoio Coord. Análise da Indústria: Anibal Wanderley (UFRJ-IEI)

Coordenação de Eventos: Gianna Sagázio (FDC)

COMISSÃO DE COORDENAÇÃO


Luciano G. Coutinho (UNICAMP-IE) Abílio dos Santos (FDC)

João Carlos Ferraz (UFRJ-IEI) Pedro da Motta Veiga (FUNCEX)

COMISSÃO DE SUPERVISÃO
O Estudo foi supervisionado por uma Comissão formada por:
João Camilo Penna - Presidente Júlio Fusaro Mourão (BNDES)

Lourival Carmo Mônaco (FINEP) - Vice-Presidente Lauro Fiúza Júnior (CIC)

Afonso Carlos Corrêa Fleury (USP) Mauro Marcondes Rodrigues (BNDES)

Aílton Barcelos Fernandes (MICT) Nelson Back (UFSC)

Aldo Sani (RIOCELL) Oskar Klingl (MCT)

Antonio dos Santos Maciel Neto (MICT) Paulo Bastos Tigre (UFRJ)

Eduardo Gondim de Vasconcellos (USP) Paulo Diedrichsen Villares (VILLARES)

Frederico Reis de Araújo (MCT) Paulo de Tarso Paixão (DIEESE)

Guilherme Emrich (BIOBRÁS) Renato Kasinsky (COFAP)

José Paulo Silveira (MCT) Wilson Suzigan (UNICAMP)

CONSULTORES

Achyles Barcelos da Costa José Rubens Dória Porto

Alessandra Genu Dutra Amaral Josef Barat

Ana Célia Castro Leda Gitahy

André Furtado Lucia Helena Salgado

Anne Posthuma Márcia Leite

Armênio de Souza Rangel Márcio Wohlers de Almeida

Azuete Fogaça Margarida Baptista

Carlos Eduardo Carvalho Maria Angélica Covelo Silva

Carlos Kawall Leal Ferreira Maria Lucia Werneck

Carlos Medeiros Maria Tereza Leopardi Mello

Carlos P. Monteiro Bastos Mario Ferreira Presser

Celso Luis Rodrigues Vegro Martin Bell

Claudio Schuller Maciel Maurício Mendonça Jorge

Claudio Salm Mike Hobday

Clélio Campolina Diniz Newton Muller

Denis Barbosa Nilton A. Naretto

Edson Peterli Guimarães Octávio de Barros

Eduardo Rappel Odair Lopes Garcia

Eduardo Strachman Oswaldo Ferreira Guerra

Eli Roque Diniz Pablo Fajnzylber

Elizabeth Loiola Pedro da Motta Veiga

Fernando Sarti Peter Rohl

Flavio Rabelo Reinaldo Gonçalves

Francisco Teixeira Renato Baumann

Germano Mendes de Paula Renato Dagnino

Helena Lastres Ricardo Bielschowsky

Hélio Nogueira da Cruz Roberto de Souza

Jacob Frenkel Roberto Vermulm

Javier Alejandro Lifchtz Ronaldo Seroa da Motta

João Bosco M. Machado Ruy de Quadros Carvalho

João Luiz Pondé Sebastião José Martins Soares

João Paulo Garcia Leal Sergio Francisco Alves

John Wilkinson Sergio Luiz M. Salles Filho

Jorge Nogueira de Paiva Britto Sergio Robles Reis de Queiroz

José Carlos Miranda Simão Copeliovitch

José Eduardo Pessini Sonia Dahab

José Maria F. J. da Silveira Sulamis Dain

José Roberto Ferro Vahan Agopyan

José Roberto Rodrigues Afonso Vicente Bastos


CONSULTORES AD HOC

Álvaro de Lima Veiga José A. Ortega

Alvaro Manoel José Carlos de Souza Braga

Andrea Calabi Joseph Ramos

Arturo Huerta Gonzalez Luis O. Façanha

Christopher Freeman Luiz Afonso Simões

Eduardo Pereira Nunes Maria da Conceição Tavares

Eros R. Grau Mauro Arruda

François Chesnais Michael Mortimore

Howard Rush Nelida Jessen

Hyman Minsky Paulo Eduardo Velho

Ian Miles Raul Green

Jacques Mazier Ricardo Ffrench-Davis

Jorge Katz Wilson Peres


COORDENAÇÃO DOS SERVIÇOS DE APOIO


Rosângela de Oliveira Araújo Marcia Rodrigues Barbosa

Susete Regina Cação Ribeiro Luiz Antonio M.B. Galvão
SUMÁRIO

PREFÁCIO i


APRESENTAÇÃO 1
- Os Objetivos e o Processo de Elaboração do Estudo

da Competitividade da Indústria Brasileira 2

- Competitividade Sistêmica e Empresarial 3

- Fatores Determinantes da Competitividade 5

- Análise da Indústria e Análise dos Fatores Sistêmi-

cos 7


- Desenvolvimento dos Trabalhos 9

- Apresentação dos Capítulos 10


INTRODUÇÃO: POR QUE POLÍTICA DE COMPETITIVIDADE HOJE? 13
- A Indústria Brasileira no Início dos Anos 90 14

- Políticas de Competitividade nos Países da OECD 21

- Políticas de Competitividade nos Países em Desenvol-

vimento 27

- A Construção Deliberada da Competitividade como

Objeto de Políticas Públicas 29

- O Desafio do Aprendizado Competitivo no Contexto de

Acelerada Mudança Tecnológica 31

- Estabilização Macroeconômica e o Desafio do Desen-

volvimento Competitivo 33

- Estilo e Requisitos da Política de Desenvolvimento

Competitivo 35

- Novos Temas e Desafios 38

- A Contribuição do ECIB para uma Política de Competi-

tividade 40
PARTE I: DIMENSÃO SISTÊMICA DA COMPETITIVIDADE 44
1. CAPACITAR-SE PARA ENFRENTAR UM CENÁRIO GLOBAL COM-

PETITIVO 45

- A Integração da Economia Mundial: Obstáculos e

Oportunidades para o Brasil 45

- O Mercado Financeiro Global e os Países em Desen-

volvimento: Os Riscos de Sobrevalorização Cambial 47

- O Novo Perfil e os Novos Determinantes dos Inves-

timentos Diretos 49

- O Jogo Complexo e Difícil das Negociações Glo-

bais 50


- O Brasil em Face da Globalização Financeira 52

- O Brasil em Face das Novas Formas de Investimento

Direto 54

- O Impacto dos Processos de Regionalização sobre

as Exportações Brasileiras 55

- Mercosul 57

- Abertura Comercial, Papel das Importações e seu

Monitoramento sob uma Política Comercial Equili-

brada 58

- Os Desafios da Diplomacia Econômica e o Papel do

Setor Privado 61

- Recomendações de Política 62


2. OS FUNDAMENTOS SOCIAIS DA COMPETITIVIDADE 67

- Introdução 67

- Competitividade e Qualidade dos Mercados Internos

nos Países Desenvolvidos 69

- Crise e Degradação da Base do Mercado Brasileiro 71

- A Coesão Social como Fundamento da Competitivi-

dade 74

- Educação 77



- As Relações de Trabalho 85

- O Papel dos Consumidores e da Qualidade do Mercado 88

- Os Novos Desafios 89
3. SUPERAR A FRAGILIDADE TECNOLÓGICA E A AUSÊNCIA DE

COOPERAÇÃO 91

- Estágios de Industrialização Brasileira e Capaci-

tação Tecnológica 91

- Contraste com os Requisitos de Capacitação Tecno-

lógica Decorrentes das Transformações em Curso

nos Países Desenvolvidos 98

- Superação da Fragilidade Tecnológica e da Ausên-

cia de Cooperação 102
4. INFRA-ESTRUTURAS E COMPETITIVIDADE 108

- Papel das Infra-Estruturas na Promoção das Condi-

ções Sistêmicas de Competitividade 108

- Fatores de Estrangulamento 110

- Superação dos Principais Obstáculos à Competiti-

vidade nas Infra-Estruturas 114


5. A CONSTRUÇÃO DE UM NOVO PADRÃO DE FINANCIAMENTO:

REFORMA TRIBUTÁRIA E FINANÇAS INDUSTRIALIZANTES 119

- Reorganização do Financiamento para Sustentar a

Retomada do Investimento Público e Privado 119

- Recuperação das Finanças do Estado 120

- A Articulação de um Novo Padrão de Financiamento 125

PARTE II: DIMENSÃO EMPRESARIAL DA COMPETITIVIDADE 136
1. INTRODUÇÃO 137
2. O NOVO MODELO DE EMPRESA 138
3. ESTRUTURAS VITORIOSAS E AS DEFICIÊNCIAS BRASILEIRAS 140
4. O SENTIDO DEFENSIVO DAS ESTRATÉGIAS 144
5. RECOMENDAÇÕES ÀS EMPRESAS E PROPOSTAS DE POLÍTICA:

AVANÇAR EM DIREÇÃO À GESTÃO COMPETITIVA 148

- Organização e Gestão 148

- Capacitação para Inovação 149

- Capacitação e Desempenho Produtivo 156

- Recursos Humanos 166

PARTE III: DIMENSÃO ESTRUTURAL DA COMPETITIVIDADE 173
1. Fundamentos Estruturais da Competitividade 174

- O Estímulo de Mercados Dinâmicos e Exigentes 174

- A Necessidade de Configurações Industriais Compe-

titivas 177

- A Importância da Promoção da Concorrência 184
2. competitividade estrutural da indústria brasilei-

ra 187


- Panorama Geral 187

- Classificação dos Setores Analisados 192


3. Setores com Capacidade CompetitivA 196

- Diagnóstico 196

- Proposições - Dinamização das Fontes de Competi-

tividade 221


4. SETORES COM DEFICIÊNCIAS COMPETITIVAS 236

- Diagnóstico 236

- Proposições - Elevação Contínua e Generalizada

da Competitividade 261


5. SETORES difusores de PROGRESSO TÉCNICo 272

- Diagnóstico 272

- Proposições - Especialização Competitiva 291

PARTE IV: DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO COMPETI-

TIVO DA INDÚSTRIA BRASILEIRA .. 305
1. INTRODUÇÃO 306
2. SÍNTESE DAS PRINCIPAIS RECOMENDAÇÕES PARA A COMPE-

TITIVIDADE SISTÊMICA 308

- Estabilização: O Primeiro Passo em Direção a uma

Trajetória de Desenvolvimento Competitivo 308

- Reformas e Recuperação da Capacidade de Orde-

nação 309

- A Recuperação dos Investimentos Infra-Estruturais

e a Construção da Confiança 310

- Finanças Industrializantes para Reduzir os Custos

de Capital 310

- Zelar pela Convergência entre Eqüidade e Competi-

tividade 311


3. O NOVO PAPEL DO ESTADO 312

- O Estado Promotor da Competitividade 312

- O Novo Estilo: Parceria, Participação e Transfe-

rência 313

- O Desenvolvimento de Agências e Quadros Técnicos

Capacitados 314

- Restauração da Capacidade de Planejamento 315

- Desenvolvimento da Capacidade de Regulação 315

- Reorientação dos Instrumentos de Fomento 318

- Aperfeiçoamento do Programa de Privatização 320


4. A REESTRUTURAÇÃO DO SISTEMA EMPRESARIAL 323

- Um Balanço dos Ajustes Efetuados 323

- Avançar em Direção à Gestão Competitiva 324

- Um Caminho Realista de Transformação 326


5. ESTRATÉGIAS DE COMPETITIVIDADE PARA OS SETORES DA

INDÚSTRIA 331

- Reativação do Mercado Interno: Alavanca para a

Competitividade 331

- O Escopo do ECIB e a Natureza das Estratégias Se-

toriais 332

- Os Setores com Capacidade Competitiva 333

- Os Setores com Deficiências Competitivas 335

- Os Setores Difusores de Progresso Técnico 336

- Estratégias Competitivas e Intensidade das Polí-

ticas Públicas 339
6. EPÍLOGO 341

ANEXO I - SÍNTESE DA PROPOSTA DO SISTEMA DE INDICADO-

RES DA COMPETITIVIDADE 342

ANEXO II - RELAÇÃO DAS NOTAS TÉCNICAS DO ESTUDO DA

COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA BRASILEIRA 380
ANEXO III - QUADROS-RESUMO DE RECOMENDAÇÕES DIRIGIDAS

AOS ATORES SOCIAIS 385

BIBLIOGRAFIA 496

PREFÁCIO


A cultura empresarial fruto do desenvolvimento industrial orientado para a substituição de importações vem sofrendo profunda adaptação para fazer face às mudanças introduzidas pela política de inserção competitiva. O processo de abertura, resposta à necessidade da globalização em competitividade, revelou disfunções oriundas da forte intervenção governamental no sentido de promover a industrialização do país. Muitas das conseqüências eram antecipadas, pois crescemos sim, mas em falta de visão estratégica e integrada dos complexos componentes responsáveis pelas vantagens competitivas da indústria.

A capacidade competitiva se estabelece no contexto de um ambiente competidor e próximo às regras do livre mercado. A compreensão desse fenômeno e suas interações é fundamental para orientar as empresas ameaçadas de perderem a capacidade de sobrevivência em virtude da queda dos mecanismos protetores.

As alterações nos mecanismos e instrumentos de política industrial, a partir de 1990, criariam ambiente, estranho à maioria das empresas, no qual as forças da competitividade se manifestaram de foram intensa. O Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade - PBQP e o da Capacitação Tecnológica, que refletem anos de experiências, introduziram novas conceituações no uso da tecnologia de processo, produtos e serviços. Apesar da efetividade das ações, era necessário avaliar as fraquezas do sistema e tirar vantagens dos fatores e culturas existentes no ambiente industrial.

O Estudo da Competitividade da Indústria Brasileira foi viabilizado pelo Governo, no âmbito do Ministério da Ciência e Tecnologia através do PADCT da Secretaria de Tecnologia Industrial, com objetivo de identificar a participação das condicionantes da competitividade dentro de um horizonte do princípio do século 21. Embora guarde semelhança com estudos como Made in USA e Made in France, sua engenharia foi moldada na experiência brasileira através de discussão aberta dos temas, e mecanismos especiais de disseminação dos resultados e das sugestões geradas ao longo de mais de 2 anos de trabalho. O Consórcio autor dos estudos, selecionado por licitação entre outros candidatos competentes, foi acompanhado, durante os trabalhos, pela Comissão de Supervisão, de amplo espectro de experiência, que emitiu diretrizes, debateu e avaliou todos os trabalhos. O Estudo foi contratado pela FINEP com recursos da parcela nacional do PADCT.

Os resultados, já debatidos em seminários, são agora, consolidados, trazidos a público. Espera-se que sejam analisados e utilizados pelo Governo, empresas, sindicatos, associações de classe, educadores, imprensa, academia, etc. O tema, é evidente, não se esgota. O Estudo não pretende ser completo nem final. Continuados estudos e debates, inclusive sobre setores a montante e a jusante, movimentarão novos fachos de luz iluminando os cenários.

A introdução descreve a metodologia e aponta a estatística dos trabalhos, trazendo o que acreditamos dará a confiança que se buscou no Estudo.

São tantos os temas envolvidos que não se tentou hierarquizá-los e queremos aqui destacar alguns deles.

A competitividade pode ser vista como a produtividade das empresas ligada à capacidade dos governos, ao comportamento da sociedade e aos recursos naturais e construídos, e aferida por indicadores nacionais e internacionais, permitindo conquistar e assegurar fatias do mercado.

O Estudo analisa os fatores formadores da competitividade e apresenta propostas para ações de governo, das empresas, dos trabalhadores e da sociedade. A abertura comercial e o fim do controle de preços criaram uma política de competição. Mas, como verifica-se nos países da OECD e nos "Tigres Asiáticos", medidas de governo suplementaram as forças de mercado, e impõe-se no Brasil tornar a política de competição em política de competitividade.

O Estado Brasileiro está doente e urge a sua reestruturação para termos uma Nação que abrigue empresas competitivas. A Constituição de 1988, a ser revista em 1994, enfraqueceu a União, particularmente pelo enfraquecimento do Poder Central versus Estados e Municípios e pelo enfraquecimento do Executivo versus o Legislativo e o Judiciário. Esta é importante causa da atual instabilidade. A reconstrução política-fiscal-administrativa-ética da União é fundamental, para que haja um Governo Central capaz de criar um ambiente estrutural, legal e conceitual, favorável à economia com eqüidade e capaz de gerir, com burocracia equipada e competente, o processo de abertura. Sem moeda estável e sem voz ativa nas mesas internacionais, corremos o risco, em vez de avançarmos, de percorrermos o caminho de volta.

A Constituição de 1988 traz na Ordem Econômica problemas onerosos à competitividade. Assim, a diferenciação do trato do capital nacional e estrangeiro, a configuração dos monopólios de empresas estatais, as dificuldades da previdência, o sistema tributário oneroso e desequilibrado, são temas a serem revistos para que a Constituição, além de cidadã, seja competitiva.

O Estudo analisa ainda a necessidade de maior privatização de funções produtivas e de serviços públicos conjugada com aperfeiçoamento das funções reguladoras do Estado, para tratar dos interesses públicos versus os oligopólios.

A carência de dados estatísticos e de indicadores de desempenho confiáveis limita o acompanhamento da evolução industrial, da distribuição social dos benefícios e do estado da arte da tecnologia. Os dados disponíveis no geral estão defasados, refletindo um período ultrapassado. Não dispomos de matriz - "insumo-produto" - atualizada.

Muitos dos dados foram coletados na década de 70 ou no início de 80, quando o tecido industrial era distinto do atual. O País necessita, urgentemente, ter um sistema atualizado de informações que instiguem indagações e inovações, embasem estudos e possibilitem comparações dos nossos resultados com os dos nossos competidores. A visão prospectiva é essencial para criar e preservar vantagens competitivas de nossas empresas, particularmente do ponto de vista tecnológico.

A inovação é motor do desenvolvimento. É o fator de grande peso na sobrevivência das empresas em um ambiente competitivo. A inovação agregada a processos, produtos e serviços só trará resultados favoráveis se acompanhada da tecnologia de gestão. Essa tecnologia "soft" permitirá maximizar seu potencial e conseqüentemente redução de custos. O PBQP tem oferecido resultados positivos às vezes surpreendentes. Entretanto, seus ganhos são limitados na origem. Neste estágio precisamos estar preparados para a reestruturação do processo.

A reestruturação produtiva depende fortemente da incorporação contínua dos conhecimentos em produtos e processo. Rompe a barreira da estagnação. É impensável a modernização da indústria se não forem ampliadas as bases geradoras do conhecimento. Investimentos em ciência e tecnologia são caminhos seguros para a capacidade de reestruturação. O Brasil necessita recompor seus investimentos em C&T de modo a alcançar níveis compatíveis com aqueles feitos pelos países desenvolvidos e os "tigres asiáticos". Os conhecimentos e a tecnologia se tornam cada vez mais restritos e de difícil acesso. As empresas devem aumentar sua presença como geradoras de conhecimentos e sua aplicação. É necessário ultrapassar a barreira de 1% do PIB em investimentos em C&T e estabelecer a meta de 2% na virada do século. Novos instrumentos precisam ser agregados aos incentivos fiscais para promover maior participação das empresas.

A reestruturação industrial levará à inserção das empresas no mercado competitivo aproveitando nichos para os quais apresentam vantagens competitivas. Essa reestruturação precisa ser considerada com a visão abrangente e holística da modernização, tecnologia e emprego. Nesse aspecto, o Brasil agora é privilegiado pois encontra-se em transição entre a otimização produtiva pela gestão da qualidade total e a reestruturação. O nível de desemprego causado pela modernização é baixo se comparado com aquele observado em países desenvolvidos. A automação rígida não foi ainda incorporada ao processo de produção, sendo tempo para a adoção da automação preservando postos de trabalho. O maior ou menor impacto ficará na dependência da formação do trabalhador qualificado e polivante. Neste campo de idéias, o Estudo analisa a baixa formação de capital fixo no Brasil, necessário à criação de empregos, e propõe medidas indutoras para voltar este nível a 25% do PIB. Observa-se que o aumento da produtividade, baixando custos, aumentará as vendas, e os novos lucros, reinvestidos, possibilitarão novos empregos, aliviando a tensão "produtividade-desemprego".

A política industrial executada ao longo dos anos desconheceu o papel relevante das micros, pequenas e médias empresas na inovação tecnológica e como geradora de empregos. A massificação do atendimento às MPME permitirá a criação de novos empregos, aproveitamento da mão-de-obra excedente fruto da modernização, maior flexibilidade produtiva e viabilização da cadeia de fornecedores qualificados. O enfoque do MPME exigirá nova postura e instrumentos adequados para aumentar esse importante requerente na área produtiva e de serviço. O SEBRAE, após a reformulação, deverá desempenhar relevante papel nessa tarefa.

A educação é o foco de nova política orientada para a competitividade, com ação voltada para a qualidade de vida do trabalhador e melhor distribuição de renda. Desnecessário seria ressaltar que a capacitação tecnológica existe nas pessoas e não só nos equipamentos. Essa compreensão deveria ser o "leitmotif" de um país que busque um desenvolvimento equilibrado e socialmente justo. A valorização dos recursos humanos, através da educação básica, técnica e continuada dos trabalhadores, é o elemento central da mobilização para a competitividade. Todos os países que romperam a barreira do desenvolvimento atribuíram especial atenção à educação. Precisamos reconhecer a nossa falha. Temos mais de 20 milhões de analfabetos ou com deficiência educacional na população trabalhadora.

Estes baixos níveis educacionais exigem, de imediato, ação corretiva para manter a capacidade de enfrentar os novos tempos no ambiente competitivo. Convém recordar que a mão-de-obra necessária na primeira década do século 21 já está no mercado. A sociedade como um todo, não só o Governo, deverá ser mobilizada para garantir o acesso à educação básica a todos os brasileiros, ao mesmo tempo em que colabora com o aprimoramento da qualidade do ensino. Sem mudança não haverá justiça social e o preço a ser pago poderá ser elevado.


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