Ministério da Cultura lança Prêmio Cultura Viva



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Encontro12.05.2018
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Vencedores do Prêmio Cultura Viva
Com a presença do Ministro Gilberto Gil, em cerimônia no Circo Voador,

no Rio de Janeiro, o público conheceu os vencedores
O Circo Voador, no Rio de Janeiro, transformou-se em palco da diversidade cultural brasileira, durante a cerimônia de entrega do Prêmio Cultura Viva, realizado pelo Ministério da Cultura, com patrocínio da Petrobras e apoio técnico do Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária. As iniciativas vencedoras (vide pg. 3) são originárias de sete estados: Amapá, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco e Rio de Janeiro.
As iniciativas vencedoras passaram por um criterioso processo de análise e seleção que envolveu a participação de cerca de 130 avaliadores de todo o país. O grupo é composto por diversos perfis de profissionais do campo da cultura, representantes de governos, de universidades e da sociedade civil.
O Prêmio Cultura Viva, realizado pela primeira vez, visa tirar do anonimato e jogar luz sobre a diversidade cultural brasileira. Lançado em dezembro de 2005, o Prêmio recebeu mais de 1.500 inscrições de todos os estados do Brasil, em três categorias (Tecnologia Sociocultural, Manifestação Tradicional e Gestão Pública). Aberto para grupos informais e organizações legalmente constituídas, significou um amplo processo de mobilização, articulação e formação, cujo sentido maior é o reconhecimento e o incentivo às iniciativas que, por meio da cultura, fazem o Brasil.
“O Prêmio Cultura Viva deseja destacar a importância para o desenvolvimento cultural do povo brasileiro de uma gama enorme de experiências, manifestações, processos e ações que acontecem pelo Brasil afora e que adquiriram significados que vão além do fazer cultural: práticas efetivas, ações, ao mesmo tempo culturais, políticas, sociais e estéticas para além do mero discurso sobre direitos e deveres”, destaca Juca Ferreira, secretário-executivo do MinC.

Premiação – Os nove vencedores recebem aportes financeiros. Na categoria Tecnologia Sociocultural, o primeiro colocado recebe R$ 80 mil, o segundo R$ 50 mil e o terceiro R$ 30 mil. Nas categorias Manifestação Tradicional e Gestão Pública, os primeiros colocados recebem R$ 20 mil, os segundos R$ 15 mil e os terceiros R$ 10 mil cada, totalizando R$ 250 mil em prêmios.

Tecnologia Sociocultural

1º. O museu na aldeia: comunicação e transculturalismo/ Museu Dom Bosco (Aldeia Bororo de Meruri/ General Carneiro – MT)


2º. Museu da Maré/ Centro de Estudo e Ações Solidárias da Maré (Rio de Janeiro – RJ)
3º. Grupo Teatro da Laje/ Grupo informal (Rio de Janeiro – RJ)

Manifestação Tradicional

1º. Pelos caminhos do Jongo/ Grupo informal (Angra dos Reis – RJ)


2º. Guarda de Moçambique e Congo 13 de Maio/ Guarda de Moçambique e Congo 13 de Maio de Nossa Senhora do Rosário (Belo Horizonte – MG)
3º. Maracatu Leão Coroado (Olinda – PE)


Gestão Pública

1º. Programa de Valorização das Culturas Regionais: Cultura em Movimento/ Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (184 municípios – CE)


2º. MoVa Caparaó – Mostra de Vídeos Ambientais na Região do Caparaó Secretaria de Estado da Cultura (10 municípios – ES)
3º. Centro de Pesquisas Museológicas: Museu Sacaca/ Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Macapá – AP)
Durante o evento, os 30 finalistas receberam um certificado de reconhecimento da ação. Além disso, no segundo semestre desse ano, receberão oficinas de apoio técnico nas áreas de gestão, expressão artística ou reflexão sobre a ação empreendida. “Todo o processo, iniciado com o preenchimento da ficha de inscrição, tem a intenção de agregar caráter formativo e não estabelecer um “ranking” entre as iniciativas inscritas”, completa Ana Regina Carrara, coordenadora do Prêmio no Cenpec.
Prêmio Cultura Viva - O Ministério da Cultura reconhece que não é apenas nos palcos, nos museus e nas grandes telas que a cultura brasileira se faz presente. Milhares de iniciativas culturais, resultantes do esforço, da vocação e da mobilização de pessoas, grupos e organizações, compõem um dinâmico e diversificado panorama de manifestações culturais espalhado por todo o território brasileiro. Iniciativas formais ou informais, de extrema importância para as comunidades nas quais estão inseridas, essas experiências valorizam a cultura como meio de construção de identidade e cidadania. O prêmio visa tirar do anonimato e lançar no centro das atenções essas iniciativas, incentivando e reconhecendo essas realizações que constituem o maior patrimônio de desenvolvimento social, econômico e humano do País.
Para coordenação técnica do Prêmio Cultura Viva, o Ministério estabeleceu uma parceria com o Cenpec, uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, criada em 1987, que tem como finalidade o desenvolvimento de ações que contribuam para a melhoria da qualidade da educação pública e para a formulação de políticas públicas.
O Prêmio Cultura Viva favorece o conhecimento, o mapeamento e a divulgação da diversidade cultural brasileira. O projeto vai disponibilizar um banco de dados virtual com informações sistematizadas sobre as iniciativas inscritas. Ao final, será lançado um livro retratando toda metodologia da iniciativa.
Categorias – O Prêmio foi pensado em três diferentes categorias: Tecnologia sociocultural, para os projetos de cultura que pratiquem intervenções sociais, que propiciem formas democráticas de tomada de decisão, a partir de estratégias de mobilização e de participação da população, envolvendo apropriação e aprendizagem por parte da população e de outros atores e gerando modelos que servem de referência para novas experiências naquela ou em outras comunidades; Manifestação Tradicional, para práticas que valorizam as tradições culturais locais e que buscam traçar uma continuidade com o passado, contribuindo para sua renovação e valorização; e Gestão Pública, para inciativas de órgãos da administração pública direta ou indireta que possibilitem parcerias com a comunidade, fortalecimento do espaço público e favoreçam a participação da população nas decisões referentes às políticas culturais e de outras ações que contribuam para construção da cidadania plena.
Assessoria de Imprensa - Cenpec

Luciana Branco - luciana@lucianabranco.com.br

Vanessa Guerreiro – vanessa@lucianabranco.com.br

Letícia Pontes – leticia@lucianabranco.com.br

Tels: 11 - 3814 1071 e 3031 9050
Assessoria de Comunicação – Ministério da Cultura

Sara Correia - sara.correia@minc.gov.br / sscorreia@gmail.com

Tel. 61 - 3901 3815


OS VENCEDORES DO PRÊMIO CULTURA VIVA


Categoria Tecnologia Sociocultural

1º) O museu na aldeia: comunicação e transculturalismo/ Museu Dom Bosco (Aldeia Bororo de Meruri / General Carneiro MT)

A idéia de criação de um Museu de Preservação da Técnica na aldeia Bororo de Meruri surgiu em 1997, a partir do contato que pessoas da aldeia tiveram com imagens da cultura material Bororo, estudadas por uma pesquisadora brasileira no Museo Colle Don Bosco, na Itália. Esses objetos tinham sido levados pelos missionários salesianos por volta de 1925 e sua visualização gerou um desejo do grupo de reconstruir historicamente sua vida cultural. Oficinas de revitalização técnica foram organizadas e cada objeto refeito despertava lembranças, acordava a memória coletiva e reconstituía o patrimônio cultural Bororo. Pela necessidade de preservar tais objetos, decidiu-se criar um museu comunitário, no qual os objetos estão em contínuo movimento entre a exposição e os rituais. A iniciativa contribui para a valorização da cultura tradicional, principalmente entre os mais jovens.



2º) Museu da Maré/ Centro de Estudo e Ações Solidárias da Maré (Rio de Janeiro/ RJ)

O Museu da Maré, criado em 1997, é uma iniciativa voltada para o registro, preservação e divulgação da história das comunidades faveladas da Maré, em seus diversos aspectos, sejam eles culturais, sociais, econômicos ou religiosos. O centro das ações é a exposição permanente, mas que se desdobra em ações como a organização de acervo documental, a realização de pesquisa em história oral, o grupo de contadores de história além da realização de eventos como exposições itinerantes, seminários, oficinas e produção de material temático sobre a Maré. A iniciativa visa favorecer a criação de canais que fortaleçam os vínculos comunitários entre os moradores não mais calcados na experiência coletiva de desigualdade e discriminação, mas sim no sentido comunitário orientado pela identidade histórica e cultural.



3º) Grupo Teatro da Laje (Rio de Janeiro/ RJ) - Grupo informal

O Grupo Teatro da Laje é um desdobramento das aulas de artes cênicas de uma escola pública da favela de Vila Cruzeiro. Em 2003, essa iniciativa ampliou sua ação para fora da escola, realizando seus primeiros ensaios e apresentações nas lajes dos barracos da favela. Como parte de sua formação os participantes, jovens da comunidade, costumam assistir a outros espetáculos teatrais, a filmes e palestras. A iniciativa trabalha com pesquisa de linguagem valorizando as manifestações artísticas e culturais locais, promovendo o diálogo com a chamada cultura erudita e identificando semelhanças entre temas de seu cotidiano e aqueles presentes na dramaturgia universal. Foi assim que desenvolveu seu mais recente espetáculo, uma versão contemporânea de Romeu e Julieta denominada Montéquios, Capuletos e nós.



Categoria Manifestação Tradicional


1º) Pelos caminhos do Jongo/ Grupo informal (Angra dos Reis/ RJ)

Em busca da recuperação das manifestações culturais tradicionais realizadas em Angra dos Reis, o movimento negro da cidade identificou a prática do jongo como a mais antiga na memória dos moradores da cidade. Em 1995, a partir da identificação das antigas lideranças do jongo, o movimento investiu na recuperação dessa prática, oriunda do continente africano. Foi criado um grupo, descendente dos antigos praticantes, para desenvolver atividades de jongo e capoeira. Atualmente, crianças, jovens e adultos participam do conhecimento e da valorização da cultura negra por meio de oficinas de jongo, percussão, expressão corporal, maculelê, malabares, capoeira Angola e aulas de história da África. A iniciativa participou do movimento que conseguiu o tombamento do jongo, pelo IPHAN, como patrimônio nacional.



2º) Guarda de Moçambique e Congo 13 de Maio de Nossa Senhora do Rosário (Belo Horizonte/ MG)

A Guarda de Moçambique e Congo 13 de Maio foi fundada em 1944 por Maria Cassimira das Dores, descendente de escravos africanos. Essa iniciativa constitui um dos mais antigos registros da cultura de matriz africana sincretizada ao catolicismo popular, em Belo Horizonte. Mantém-se há mais de 60 anos na sede original, no bairro Concórdia, que se tornou um espaço aglutinador da comunidade. Tem como objetivos a manutenção e a transmissão dos conhecimentos tradicionais ligados às Irmandades de Nossa Senhora do Rosário, como orações, músicas, cantigas e demais saberes e fazeres associados às tradições orais. Por meio de cortejos, danças, canções e rezas os participantes da festa mantêm as tradições de suas raízes. Em 2004 foi lançado um CD contendo o registro sonoro dos cantos, rezas e danças mais importantes da Guarda de Moçambique e Congo 13 de Maio.



3º) Maracatu Leão Coroado (Olinda/ PE)

Fundado em 08 de dezembro de 1863, o Maracatu Leão Coroado é um dos grupos conhecidos como maracatu de baque virado, típicos do carnaval do Recife e sua região metropolitana, considerados como a manifestação lúdica mais próxima das raízes africanas no folclore brasileiro. Com 143 anos de existência e em contínua atividade, o Leão Coroado é considerado o maracatu mais antigo e constitui símbolo da resistência negra em Pernambuco. O incentivo, a pesquisa, a defesa e a divulgação das manifestações carnavalescas e de outras expressões culturais promovidos pela iniciativa, procuram associar a tradição com a modernidade. A iniciativa oferece oficinas regulares de confecção de instrumentos musicais, batuque, crochê e corte e costura de figurinos de maracatu, especialmente voltadas para adolescentes.




Categoria Gestão Pública

1º) Programa de Valorização das Culturas Regionais: Cultura em Movimento Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (184 municípios/ CE)

A iniciativa surgiu em 2003 e constitui um mecanismo da política governamental que visa propiciar uma nova alternativa de desenvolvimento social e econômico aos cearenses, gerando oportunidades de trabalho e renda, estimulando produtos e serviços no campo cultural de acordo com as vocações regionais; dinamizando as expressões artísticas por meio do apoio à sua criação, produção e difusão; capacitando para as cadeias produtivas da arte e da cultura; qualificando os equipamentos culturais existentes; implantando novos equipamentos e desenvolvendo mecanismos de fomento às diversas áreas de expressão da cultura. A iniciativa estabeleceu ações para garantir a democratização do acesso aos recursos públicos destinados à cultura por meio da atuação regional da instituição e da valorização da vocação e do potencial de cada região.



2º) MoVa Caparaó – Mostra de Vídeos Ambientais na Região do Caparaó Secretaria de Estado da Cultura (Gaçuí, Irupí, Ibitirama, Dores do Rio Preto, Ibatiba, Divino São Lourenço, Muniz Freire, São José do Calçado, Alegre e Jerônimo Monteiro/ ES)

Mostra anual de vídeo ambiental nacional, competitiva e itinerante, que acontece desde 2004 na região capixaba do entorno do Parque Nacional do Caparaó, envolvendo 10 municípios dos quais nenhum conta com salas de cinema. A programação do evento acontece durante quatro dias, em espaços públicos alternativos e associa a cultura popular regional ao melhor da produção ambiental nacional e estrangeira. Oficinas, palestras e debates antecedem o evento. Os convidados, realizadores e técnicos participantes da Mostra utilizam o sistema de hospedagem solidária no formato de “Cama e Café”, promovendo uma significativa geração de renda no município, envolvendo grande parte da comunidade que, em sua maioria é rural. A partir de 2005 a Mostra passou a apresentar documentários produzidos pelos jovens da região.



3º) Centro de Pesquisas Museológicas - Museu Sacaca/ IEPA - Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Macapá/ AP)

O Centro de Pesquisas Museológicas - Museu Sacaca tem como meta principal a apropriação e a reapropriação do patrimônio cultural por meio das ações museológicas de pesquisa, preservação e comunicação, tornando possível ao cidadão considerá-lo como um referencial para o exercício da cidadania. Inaugurado em 2002, o museu conta com uma Exposição a Céu Aberto de 20.000 m² que reúne representações dos diversos grupos culturais do Estado do Amapá (caboclos, índios e negros). Com a participação da comunidade, a iniciativa realiza constante busca pelo conhecimento, desenvolvendo programas educativos que valorizam as tradições culturais e criam maior interação entre o museu e a população local. Em 2005 o museu registrou a freqüência de 78.534 visitantes, englobando alunos da rede de ensino público e privado, comunidades dos demais municípios e do entorno, turistas nacionais e estrangeiros.



COMISSÃO JULGADORA

Alberto Ikeda

Especialista em música e cultura popular brasileira. Professor do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista/ Unesp.


Altair José Moreira

Coordenador do Laboratório Cultural do Instituto Pólis e assessor técnico do Programa Fábricas de Cultura da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.


Benjamim Taubkin

Pianista, produtor musical, curador de música e coordenador da gravadora Núcleo Contemporâneo.


Eliane Costa

Gerente de Patrocínios da Petrobras.


Ernesto Valença

Consultor da Unesco, desenvolve consultoria no Ministério da Cultura na área de culturas populares.


Fernando Rios

Jornalista, antropólogo, poeta e consultor em Comunicação Empresarial Integrada.


Ivaldo Bertazzo

Produtor de espetáculos, coreógrafo, professor de dança e terapias culturais. Dirige a Escola de Reeducação do Movimento, em São Paulo.


José Carlos Durand

Desenvolve pesquisas sobre temas que envolvem Sociologia da Cultura, Sociologia da Publicidade e da Moda, Política, Administração e Economia da Cultura. É também professor titular aposentado da FGV/SP.



Jurema Machado

Coordenadora do setor de cultura do escritório da Unesco no Brasil.


Lélia Coelho Frota

Escritora e historiadora da arte, tem diversos livros publicados sobre cultura popular, entre eles, Pequeno dicionário da arte do povo brasileiro (2005).


Luiz Carlos Merege

Coordenador do CETS – Centro de Estudos do Terceiro Setor, da FGV-EAESP. Editor chefe da revista IntegrAção, revista eletrônica do Terceiro Setor.


Maria do Carmo Brant de Carvalho

Docente do programa de pós-graduação em Serviço Social da PUC-SP e coordenadora-geral do Cenpec.


Pablo Gentili

Pesquisador sobre Políticas Educacionais e Políticas Públicas de Cultura, coordena o Projeto de Avaliação do Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura.


Paulo César Garcez Marins

Doutorado em História Social, é docente do Museu Paulista da USP, historiador e curador de acervos e exposições.
Rosana Cunha

Gerente adjunto da Gerência de Ação Cultural do Sesc.

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