Modelo de ensino por mudança conceitual



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ISBN 978-85-7846-455-4

MODELO DE ENSINO POR MUDANÇA CONCEITUAL
Bianca Cristina dos Santos

Universidade Estadual de Maringá (UEM)



bianca.csantos32@gmail.com.br

Eixo 1: Formação e Ação Docente


Resumo: A presente pesquisa teve como objetivo investigar as concepções espontâneas dos estudantes acerca do mundo físico e dos temas abordados em sala de aula, a fim de propiciar a compreensão e a transformação dessas concepções por novas ideias. Nesta perspectiva, Posner e seus colaboradores em 1982 desenvolveram uma proposta de ensino que pudesse possibilitar aos estudantes substituir suas crenças por conceitos fundamentados e cientificamente aceitos que ficou caracterizado por modelo de mudança conceitual. Chegou-se à conclusão que este modelo de ensino possibilita fornecer estratégias que instruam o ensino e torne o indivíduo ativo no processo de aprendizagem.
Palavras-chave: Ensino, Aprendizagem, Concepções Espontâneas.
Introdução

Nas últimas três décadas, algumas discussões foram estabelecidas acerca dos processos de ensino e aprendizagem por meio conceitos são estruturados pelos estudantes. Tais discussões deram início ao “Movimento das Concepções Alternativas” que ampliam a conexão entre conhecimento, aprendizagem e ensino, “procurando responder como os conhecimentos espontâneos se modificam por conhecimentos científicos” (LACANALLO, 2005).

De acordo com Nardi e Gatti (2005), os estudos ganharam destaque na década de 70 e deram origem ao Modelo de Mudança Conceitual (MMC) que ganhou força com a forte influência da abordagem construtivista no ensino de ciências e com a ênfase em compreender as concepções espontâneas acerca dos diversos conteúdos que os alunos em idade escolar carregam consigo a sala de aula.

Autores como Doran (1972), Viennot (1970), Driver (1985) e Watts e Zylbertajn (1981) estudados por Nardi e Gatti (2005) exemplificam que tais concepções foram denominadas também como “conceitos espontâneos”, “conceitos intuitivos”, “formas espontâneas de raciocínio”, dentre outras, que foram atribuídas com a mesma intencionalidade.

Os estudos realizados sobre o assunto contribuíram para que a abordagem construtivista se fortalecesse e para que se pudesse repensar o ensino, que decorria somente do conhecimento centrado no professor sem considerar as noções prévias dos estudantes, bem como outros fatores que também estão envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Neste sentido, os investigadores desenvolveram o modelo de mudança conceitual.
Metodologia

A fim de possibilitar modelos que pudessem considerar as noções prévias dos estudantes, de modo que estes pudessem rejeitar suas concepções antigas em função dos conhecimentos científicos, Posner e seus colaboradores introduziram em 1982, o primeiro modelo de mudança conceitual que ficou caracterizado por modelo PSHG. Este modelo ficou assim denominado em razão dos nomes dos autores: Posner, Strike, Hewson e Gertzog e representou um marco importante para a Educação em Ciências. Os autores, segundo Nardi e Gatti (2005) supracitados buscavam responder como os estudantes poderiam transformar suas concepções espontâneas em concepções científicas a partir da existência de novas ideias.

Para Driver (1989 apud NARDI; GARDI, 2005), pode-se observar que as noções dos estudantes levadas à sala de aula, muitas vezes, distorcem a ciência que se pretende ensinar e podem ser resistes à mudança.

El- Hania e Bizzo (2002), citam que o modelo por mudança conceitual ao centrar-se na modificação de concepções prévias em função de concepções científicas, propõe que, caso haja o conflito entre ambas, é necessário que o estudante estabeleça uma insatisfação com a primeira concepção, de modo que possa apreciar as novas informações recebidas e conscientemente reestruturá-las.

O modelo contempla duas fases. Primeiramente, ao utilizar conceitos já conhecidos para compreender um novo fenômeno, desde que não haja contradição, o aluno estaria fazendo uso da assimilação, ou seja, o aluno assimilaria o novo conhecimento com àquele já existente. Porém, nem sempre os conceitos prévios dos estudantes estavam corretos para permitir a compreensão deste novo fenômeno de modo satisfatório. Isto significa que os alunos precisariam reorganizar ou substituir seus conceitos já existentes de uma forma mais radical, chamada de acomodação.

Para Franzonni (2016), o processo de aprendizagem por meio do modelo proposto consiste numa atividade racional, capaz de fazer com que o estudante compreenda e rejeite suas antigas crenças em razão de novos conceitos fundamentados. Em outras palavras, o indivíduo superaria seus conhecimentos de senso comum para uma visão sustentada cientificamente.

Cabe frisar que pode haver dificuldade em considerar que as informações científicas são “superiores” as noções que os estudantes possuem. Além disso, para que as informações sejam aceitas pelos estudantes, elas precisam primeiramente, causar-lhes sentido,

[...] a ruptura instala um movimento de reconstrução do saber científico, em todo e qualquer momento da vida do homem, exigindo o confronto de diferentes pontos de vista e o levantamento de perguntas. O espaço para o erro e sua retificação permite a circulação de valores e verdades e evita a inércia de pensamento, característica do conhecimento empírico que impede o avanço do espírito científico (BACHELARD, 1996, apud LACANALLO, 2005, p. 52).


Para o autor, o homem só desenvolve suas habilidades se romper com as suposições no cotidiano. Cada pessoa apropria-se dos conhecimentos de um determinado modo. Portanto, [...] “as mudanças dependem do quanto o paradigma conceitual é atingido pelos conhecimentos aprendidos na escola” (BACHELARD, 1996, apud LACANALLO, 2005, p. 53), onde se desempenha o papel de provocar questionamentos e mudanças que expandem as concepções prévias dos estudantes
Considerações finais

A investigação sobre mudança conceitual suscitou em diversas sugestões que pudessem contribuir e repensar a prática docente, o desenvolvimento do currículo, a capacitação dos profissionais e melhorias no aprendizado dos estudantes.

A mudança conceitual seria capaz de transformar o indivíduo, em mero receptor para se tornar ativo na construção do conhecimento “[...] a partir não somente de suas estruturas cognitivas, mas também do quadro epistêmico aceito naquele determinado momento pela ideologia dominante” (LACANALLO, 2005, p. 48).

Portanto, pensar sobre o ensino e aprendizagem consiste num desafio para o professor, que precisa desenvolver uma interação pessoal com seus alunos, a fim de que ocorra uma conexão entre os fatos, permitindo que os indivíduos tenham a opção de escolher e se posicionar diante do conhecimento científico. Assim, a mudança na prática de ensino constitui-se de suma importância para que se criem condições que sejam efetivas frente à aprendizagem.



REFETÊNCIAS
EL-HANIA, Charbel Niño. BIZZO, Nelio Marco Vincenzo. Formas de Construtivismo: Mudança Conceitual e Construtivismo Contextual. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, 2002. Disponível em > Acesso em 20 de mai de 2017.
FRANZONI, Marisa. Os modelos de mudança conceitual e a subjetividade: o caso do ensino de ciências. Revista Ciência e tecnologia, v 9, n 5, 2006. Disponível em <http://revista.unisal.br/sj/index.php/123/article/view/28>. Acesso em 30 de mai de 2017.
LACANALLO, Luciana Figueiredo. O processo de mudança conceitual no ensino de Ciências Naturais na perspectiva dos professores das séries iniciais do Ensino Fundamental. Dissertação (Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Estadual de Maringá, 2005.
NARDI, Roberto. Gatti, Sandra Regina Teodoro. Concepções espontâneas, mudança conceitual e ensino de ciências: uma revisão sobre as investigações construtivistas nas últimas três décadas. Revista de educação em Ciência e Matemática, v 1, n 1, jul/dez 2014, v 1, n 2, jan/jun 2015.




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