Modernidade, estepes e desertos: apreensão do mundo num trecho de alexander von humboldt



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MODERNIDADE, ESTEPES E DESERTOS: APREENSÃO DO MUNDO NUM TRECHO DE ALEXANDER VON HUMBOLDT

Igor Antonio Marques de Paiva*


Resumo: Nesta comunicação pretendemos avaliar o impacto das transformações sociais e culturais dos oitocentos no modo como Humboldt coloca na forma de literatura as suas experiências ao longo do primeiro ano de sua viagem as colônias americanas. Esta questão implica considerar os conceitos de homem de ciência, e como desdobramento a definição dicotômica de sociedade moral e sociedade política tecidos no momento de crise do Ancién Régime. A partir do diálogo da análise da narrativa e da constituição de conceitos chaves, avaliaremos a emergência de uma maneira moderna de apreender a realidade, ainda em processo cataclismáticos de transformação, enunciada nos textos do naturalista prussiano.

Palavras Chave: Narrativa de viagem, naturalistas, crítica moderna


Abstract: In this communication we want to assess the impact of social and cultural transformations in the way of eight hundred Humboldt places literature as their experiences during the first year of their journey the American colonies. This issue requires to consider the concepts of man of science, and split the dichotomous definition of moral society and political society, fabric in time of crisis the Ancien Régime. From the dialogue analysis of the narrative and the formation of key concepts, review the emergence of a modern way of understanding the reality, still in the process of transformation cataclysmatics set out in the texts of the Prussian naturalist.

Key words: Narrative of travel, naturalists, modern criticism


O barão prussiano Alexander von Humboldt, entre os anos de 1799 e 1804, deixou as comodidades da vida européia para empreender uma viagem de finalidades científicas nas colônias hispânico-americanas. Os resultados científicos desta expedição são proporcionais aos trinta volumes de sua interminável Édition monumentale Voyage aux regions equinoxiales du Nouveau Continent, impressa a partir de 1807.

No texto que segue, a proposta é avaliar o diálogo estabelecido entre a formatação da narrativa da viagem e os discursos enunciados a partir das instituições de saber. Especialmente, o viajante naturalista construído nas narrativas do sábio prussiano. A figura do viajante humboldtiano encarna os enunciados proferidos pelas instituições de saber, que desde o século XVIII, adquiriram uma sólida maturação institucional.

Atualizando os enunciados da República das Letras através da configuração do viajante naturalista, Humboldt elimina o fundo social que dava lugar as práticas e os interesses que permeavam a sua expedição americana. Traçando o perfil de si como “homem de ciência”, através da imagem do viajante impessoal, o barão prussiano aumentava a sua área de mobilidade num campo de tensões e rivalidades (colonos e metropolitanos; franceses, espanhóis e ingleses).

No texto Steppes et Déserts1 o naturalista viajante Alexander von Humboldt (1769-1859), pouco depois de seu retorno a Europa após cinco anos de viagem pelas colônias espanholas da América escreveu:


Dans l'intérieur de la steppe, c'est le tigre et le crocodile qui font la guerre au cheval et au taureau; sur ses bords boisés, dans les régions sauvages de la Guyane, c'est l'homme qui s'arme perpétuellement contre l'homme. Là, quelques peuplades dénaturées boivent avidement le sang de leurs ennemis; d'autres, en apparence sans armes, mais préparées au meurtre, donnent la mort avec l'ongle empoisonné de leur pouce; les tribus plus faibles, en foulant la rive sablonneuse, effacent soigneusement avec leurs mains la trace de leurs pas timides. Ainsi, dans la barbarie la plus abjecte comme dans l'éclat trompeur d'une civilisation raffinée, l'homme se crée toujours une vie de misère. Le voyageur qui parcourt l'espace, comme l'historien qui interroge les siècles, a devant lui le tableau attristant, uniforme, de la discorde humaine. Aussi, quiconque aspire au repos de l'âme au milieu des dissensions permanentes des peuples, aime a plonger ses regards dans la vie tranquille des plantes et dans le sanctuaire des forces naturelles ; ou bien, s'abandonnant à cet instinct inné dans le coeur de l'homme, il lève, dans un saint pressentiment, les yeux vers les astres, qui, dans une harmonie jamais troublée accomplissent leur révolution éternelle” (HUMBOLDT, 1849:42). 

A construção deste quadro do mundo humboldtiano assumiu a forma dos padrões iluministas de reflexão histórica. Hayden White, na sua Meta-história: A imaginação histórica no século XIX, interpreta as narrativas históricas iluministas como uma tentativa de apreender a história geral da humanidade a partir de acontecimentos exemplares, que, por seu turno, teriam a qualidade de fatos sintetizadores da condição humana de determinado período. Este modelo de história, que reduzia as narrativas do mundo a casos ilustrativos da história humana, refletia a crença na possibilidade da existência de uma comunidade planetária unida por uma essência imanente ao humano. Nesta formatação narrativa, a história torna-se um discurso moralizador, ao mesmo tempo em que, organizada a partir de relações de causa e efeito2 (WHITE, 1995: 59).

Humboldt, seguindo a sensibilidade iluminista da história, encontra nos interiores do continente americano o cenário sintetizador da condição humana no momento das guerras napoleônicas. A descrição do mundo, a partir das selvas das Guianas espanholas, é vazada num enredo satírico. Significa que o cenário das selvas americanas revela o drama da disjunção entre os seres viventes, dominado pelo temor de que o homem é cativo do mundo. Segundo White, passa pelo reconhecimento de que, em última análise, a consciência e a vontade humana são sempre inadequadas para a tarefa de sobrepujar em definitivo a força obscura da morte Por força da inadequação humana, o tempo tende a imobilidade, a continuidade da mesma condição de infortúnio, em uma palavra, a sincronia (WHITE, 1995: 26).

A narrativa de sua viagem pelas regiões das guianas espanholas delineia uma separação profunda entre a figura do naturalista viajante e o restante da sociedade mundial. Numa linguagem satírica, a Europa das primeiras décadas dos oitocentos está posta em tábua rasa com os elementos tópicos definidores do que era tomado como selvagem. A guerra dos tigres e crocodilos contra os cavalos e touros, a guerras das sociedades indígenas das Guianas, e, finalmente, as guerras européias (sempre presente as margens dos relatos científicos humboldtianos) são parte de um mesmo quadro da humanidade. Neste momento específico, o abismo que separa as dicotomias da civilização e da barbárie foi eliminado para a enunciação de uma terceira categoria: o naturalista viajante.

Humboldt se apropria dos interiores da América meridional para, a partir da diluição do espaço operada no não-lugar do texto, despertar em seus leitores um sentimento de estranhamento criado pelo olhar esclarecido do naturalista. A apreensão do mundo como uma dicotomia de civilizados e selvagens está substituída pela composição de um quadro uniforme da humanidade – seja nos esmos das planícies alagadas americanas ou nas pompas da civilização.

Nesta cena, o conceito de progresso iluminista foi substituído por uma névoa pessimista diante das batalhas espalhadas pelos continentes e oceanos ao largo das primeiras décadas do século XIX. A busca por outros mundos possíveis, no espaço ou no tempo, na apreensão de Alexander von Humboldt, figuram com a mesma leviandade. A imagem planetária humboldtiana executa uma paralisação do tempo e a abolição do espaço. Passado e presente são fundidos numa representação satírica de continuidade temporal, onde a idéia de progresso é o maior alvo da sátira. O “viajante que percorre o espaço”, assim como o “historiador que interroga os séculos”, encontram um mesmo “quadro entristecedor, uniforme, da discórdia humana”. Espaço e tempo estão superpostos, diluídos espacial e temporalmente num campo de continuidade. O espaço de experiências da história humana e o horizonte de expectativas3 formam um quadro de cores únicas que retratam a “miséria da vida humana”.

O mundo narrado neste trecho, ainda sob o calor da pólvora dos canhões, forma uma imagem irônica e pessimista do mundo. Todavia, todos os caminhos não figuram prostrados na imobilidade desgraçada da história da humanidade. A diacronia do tempo progressivo, a possibilidade da transformação do quadro da humanidade, se manifesta nas práticas de uma terceira personagem incluída na trama do mundo.

As avessas dos “povoados desnaturados” das Guianas ou dos “enganos da civilização refinada” oriundos do continente europeu, Humboldt traça os contornos do naturalista viajante. O tom pessimista da elaboração satírica tem nas práticas do explorador ilustrado o limite, assim se abre o deslocamento para outro enredo. Portadora da qualidade de engendrar na história da humanidade o movimento do tempo, a figura do naturalista viajante, a contrapelo dos conflitos das selvas americanas e dos distúrbios políticos do mundo civilizado retoma o progresso do tempo.

Através da formalização satírica, na comparação do que convencionalmente deveria ser incomparável, desdobra-se a possibilidade para a emergência do naturalista viajante. Antes de qualquer coisa, trata-se de uma apropriação dos enunciados proferidos a partir das agencias normatizadoras da produção do conhecimento científico – sobretudo as academias e sociedades científicas. O naturalista viajante conforma as sensibilidades dos letrados voltairianos, o vigor do explorador ilustrado e, sobretudo, a instrução do homem de ciência4.

A composição humboldtiana da figura do naturalista emerge em meio ao palco de uma guerra generalizada, onde “o homem está perpetuamente armado contra o homem”. As sociedades da “região selvagem das Guianas”, descreve o narrador, são “povos desnaturados que bebem avidamente o sangue de seus inimigos”[...] “aparentemente sem armas, mas preparadas para o assassinato, dão a morte com a unha envenenada com a sua poção”. Escondendo-se em nome da própria sobrevivência “as tribos mais fracas”, escreve o prussiano, procuram escapar de seus inimigos apagando com as mãos as marcas de seus passos tímidos.

Na continuação do quadro da humanidade, relata: “na barbárie mais abjeta como nas fendas enganosas de uma civilização refinada, o homem sempre cria uma vida de miséria”. Como personagem principal de uma trama desenvolvida entre a barbárie das sociedades das Guianas e os embaraços provocados pelas guerras européias, o naturalista viajante se contabiliza em uma terceira categoria.

O naturalista viajante sai da Europa em busca de percorrer o mundo na busca pelos campos da “vida tranqüila das plantas”. No “santuário das forças naturais”, espera recompor a sua alma e se distanciar do “quadro entristecedor, uniforme, da discórdia humana”. Afasta-se das querelas das disputas territoriais quando “volta os seus olhos para os astros” para admirar a eterna harmonia dos céus. Na tradução humboldtiana da organização política do mundo, profundamente conturbado em razão das investidas belicosas que já encurralavam as tropas napoleônicas, a única figura que escapa ao obscurantismo do tempo sincrônico da sátira é o viajante ilustrado. A condição de possibilidade para o tempo novo aberto pelo progresso dos povos está visceralmente atada ao êxito final dos sábios encarregados de desvendar à humanidade os segredos das forças naturais (BOURGUET, 1997: 207-249). Colocado entre as figuras do “selvagem” e do “civilizado satirizado”, o homem ilustrado volta os olhos para as paisagens naturais e para os astros como meio de romper com a miséria dos tempos. Nesta operação, assume uma constituição de uma imagem distinta.

A estratégia discursiva manejada na construção da subjetividade do naturalista viajante em Steppes et Déserts, remete à um recurso comum aos textos formatados como crítica política no período do Antigo Regime. O historiador alemão Reinhart Koselleck, em Crítica e crise: uma contribuição à patogênese do mundo burguês, oferece uma contribuição para o esclarecimento do recurso literário enciclopédico utilizado por Humboldt. Segundo a “história dos conceitos” deste alemão, ao longo do período de crise do Antigo Regime, as categorias sociais apartadas do poder no Estado formaram campos de atuação política que se definiam como lugares da sociedade. Estes lugares, definidos como lugares públicos, foram o palco das primeiras organizações que disputavam com o poder real a hegemonia sobre o controle da sociedade. Humboldt, ao definir a imagem que naturalista viajante, se apropriava da separação operada no período de crise do Antigo Regime entre a sociedade e a política.

No texto de John Locke Ensaio sobre o entendimento humano, de 1670, estão consolidadas as bases conceituais expressas na figura do viajante naturalista como foi composta por Humboldt. Para explicar as formas de organização social do homem, Locke elabora uma separação entre leis morais e leis políticas. As leis morais são essencialmente civis, só existem de maneira tácita, mediante o consentimento secreto dos cidadãos. A agência legitimadora das leis morais é a sociedade (society) que se forma nos clubes (clubs), onde os filósofos se dedicam a investigar as leis morais. Os cidadãos, membros da sociedade dos clubes, além de se submeter às leis do Estado, se submetem as leis morais resultado do consenso da sociedade. Deste modo, as leis morais, protegidas pelo segredo da sociedade, entram no espaço público dividindo o poder com a legislação política do soberano (KOSSELECK, 1999: 51).

A legislação moral se realiza de modo distinto das leis políticas. A legislação do Estado se realiza diretamente pelo poder político; enquanto as leis morais agem indiretamente pela pressão da opinião pública – chegando a formar um terceiro poder ao lado das instancias estatais e religiosas. Nas palavras de Locke: “assim eles [os homens da sociedade] fazem aquilo que lhes preserva a boa reputação entre os seus e pouco consideram as leis de Deus ou do magistrado” (KOSSELECK, 1999: 44-45). Esta é a base conceitual da separação da legislação moral da sociedade e a legislação política, fundamental para o desenvolvimento da crítica ao absolutismo anos antes da revolução de 1789.

No Antigo Regime, os cidadãos fizeram da separação entre a moral e a política um ato de julgamento: transformou-a em uma resposta específica à sua situação no Estado. Nos lugares públicos radicalizaram a antinomia, que, ao mesmo tempo, era sintoma e fator da crise do absolutismo (KOSSELCK, 1999: 56). A partir dos lugares públicos de formação e discussão filosófica, o extrato da sociedade excluído das instâncias do Estado puderam se organizar politicamente, protegidos pelo segredo da sociedade, no Antigo Regime.

O cenário da distinção entre sociedade moral e sociedade política tem a imagem central do Estado absolutista, em França, que carecia cada vez mais de uma camada da população que, embora tivesse o Estado como seu credor, estava isenta da participação naquela instância. Em virtude desta comunidade de súditos, de importância social crescente, "formou-se uma esfera de interesses exteriores ao Estado absolutista, uma esfera da própria société, na qual diversos grupos encontravam um lugar independente (KOSSELCK, 1999: 58-60). Os homens da sociedade, excluídos da política, reuniam-se em lugares conceitualmente “apolíticos”: bolsa de valores, cafés, salões sociedades literárias ou academias. Nestes lugares públicos, onde a crítica, sob o páthos da inocência escorado na separação conceitual entre moral e política, se exercia sob a proteção do segredo. Nestas agencias da sociedade moral, os cidadãos não podiam exercer a política abertamente – mas discutiam os direitos vigentes num local público onde o espírito poderia reinar livremente. “A nova sociedade criou suas instituições sob a proteção do Estado absolutista, cujas tarefas - toleradas, promovidas ou ignoradas pelo Estado - eram sociais” (KOSSELEK, 1999: 60). Neste processo de contestação indireta do poder absolutista, “pela rejeição de todas as ordens sociais, religiosas ou estatais vigentes”, diluídas em uma harmonia conceitual, “desenvolveu-se uma nova elite que se concebia como "humanidade” (KOSSELCK, 1999: 69).

Nas primeiras décadas dos setecentos, os lugares sociais capturados pela “República das letras” exerceram uma função fundamental no desenvolvimento da crítica ao Estado Absolutista. Na República das letras, assim como na maçonaria, a crítica, se separa do Estado, para logo em seguida, com base nesta separação, estender-se de maneira aparentemente neutra até submetê-lo à sua sentença (KOSSALECK, 1999: 88).

O páthos da inocência da crítica, o mecanismo que tornou possível a organização política das sociedades dos sábios, aparece no verbete sobre o filósofo epicurista “Catius” do Dictionnaire historique et critique (1695), de Pierre Bayle. Como a anteposição da revelação divinatória, a crítica significa autentico e verdadeiro, trata-se da “verdadeira atividade da razão”. Ultrapassou os limites da história, estética e filologia; "tornou-se, de modo geral, a arte de alcançar, pelo pensamento racional, conhecimento e resultados justos e corretos”. A crítica, nesta formulação iluminista, caracteriza-se por uma disputa pelo pensamento verdadeiro em uma sucessão de proposições contra e a favor de alguma elaboração, que, até a crítica da razão sobre a razão de Kant, poderia chegar ao infinito. “A pretensão de alçar-se acima dos partidos impulsionava o processo para frente na mesma medida em que seu fim não estava a vista”. A vinculação com o futuro garantiu a República das letras a possibilidade da crítica no presente(KOSELLECK, 1999: 96-97).

Todavia, a crítica aos domínios políticos na formatação dada por Pierre Bayle não explica ainda a separação operada por Alexander von Humboldt na descrição do naturalista viajante. A figura humboldtiana está mais próxima dos enunciados voltairianos. A crítica de Voltaire é a porta-voz da opinião pública: investida de um caráter apolítico são as críticas a literatura, a arte e a estética que, indiretamente, expressam a opinião da sociedade pública em relação à religião e o Estado. Assumindo uma formalização incorpórea, ou seja, não remete diretamente a personalidades, a crítica voltairiana torna-se aparentemente capaz de desligar-se não apenas do Estado – e os partidos contra e a favor – mas também de todo o pano de fundo social. Nesta forma, a crítica arraigou a liberdade para o seu exercício pleno no período de crise do Absolutismo (KOSELLECK, 1999: 103).

Amparado pela separação conceitual entre sociedade política e sociedade moral estabelecida desde o ensaio de Locke, Humboldt elaborou a narrativa de suas viagens se fazendo personagem através da figura do naturalista viajante. Através da apropriação do modelo de crítica voltairiana, o naturalista viajante funciona como recurso de diluição do indivíduo na opinião pública. Apartidário, viaja em busca da contemplação da natureza para descansar a seu espírito, narrado na terceira pessoa, cria o efeito de representar a voz de um lugar público. Assim, desligado do fundo social, põe-se livre para exercer uma crítica metonímica aos Estados europeus sob a forma de um olhar pessimista sobre o mundo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOURGUET, Marie-Noëlle. "O explorador". In: [Org] VOVELLE, Michel. O homem do iluminismo. Lisboa: Editorial Presença, 1997; p.207-249.

CHARTIER, Roger. “O homem de letras”. In: O homem do iluminismo. [Org.] Michel Vovelle. Lisboa: Editorial Presença, 1997; p.199-153.

FERRONE, Vicenzo. "O homem de ciência". In: [Org] VOVELLE, Michel. O homem do iluminismo. Lisboa: Editorial Presença, 1997; p.155-182.

HUMBOLDT, Alexander. Tableaux de la Nature. 3° edição – Paris: 1849; tomo I.

KOSELLECK, Reinhart. Crítica e crise: uma contribuição à patogênese do mundo burguês. Rio de Janeiro: EDUERJ: Contraponto, 1999.

KOSELLECK, Reinhart."História, histórias e estruturas temporais formais". In: Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto e Ed. PUC-Rio, 2006; p.119-132.

MINGUET, Charles. Alexandre de Humboldt historien et géographe de l’Amérique espagnole 1799-1804. Paris: Éditions L’Harmattan, 1997.

VOVELLE, Michel. "Introdução". In: [Org] VOVELLE, Michel. O homem do iluminismo. Lisboa: Editorial Presença, 1997; p.7-28.

WHITE, Hayden. "A imaginação histórica entre a metáfora e a ironia". In: Meta-história: A imaginação histórica do século XIX. 2° edição - São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1995; p.59-93.



1* Mestrando do Programa de Pós-Graduação do Departamento de História da UFMT. Bolsista CAPES desde 2008.

1- Estamos fazendo uso da edição da terceira edição, publicada em 1849 na cidade de Paris. A primeira tradução do alemão para o francês é de 1808, e, a segunda de 1826. A Tableau de la Nature está disponível no sítio virtual da Biblioteca Nacional Francesa, e aberta para acesso.



2A seguir a transcrição do trecho de Meta-história que interpretamos e inserimos no corpo do texto: “A reflexão histórica do século XVIII teve origem numa tentativa de aplicar as estratégias metonímicas de redução aos dados da história, de modo a justificar a crença na possibilidade de uma comunidade humana concebida no modo sinedóquico. Dito de outro modo, o Iluminismo tentou justificar uma concepção organicista da comunidade humana ideal que era moral e valorativo, mas intentou basear essa crítica numa análise puramente causal dos processos históricos. Como conseqüência, o fim para qual ela deve contribuir foi a instalação do pensamento sobre a história numa posição que era notória e militantemente irônica.


3 A análise de “espaço de esperiência” e “horizonte de expectativa” estão em: KOSELLECK, Reinhart."História, histórias e estruturas temporais formais". In: Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto e Ed. PUC-Rio, 2006; p.119-132.

4 Nestas denominações estamos fazendo referência aos artigos: “O explorador” de Bourguet; “O homem de ciência” de Ferrone; “O homem de letras” de Chartier. Todos os artigos estão compilados na obra O homem do iluminismo, de 1995, organizada por Michel Vovelle.



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