Modernismo em Portugal (História)



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Modernismo em Portugal (História)
- O Modernismo português surgiu sob um clima de grande instabilidade interna, com greves sucessivas, aliado às dificuldades trazidas pela eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914 -1918)

- Os primeiros vinte anos do século XX presenciaram um notável desenvolvimento cientifico e tecnológico.

- As inúmeras invenções e descobertas realizadas entre 1900 e 1920 mudaram profundamente a face do mundo, criando um novo ritmo de vida para a maior parte da humanidade.

- O fim do regime monárquico e a instalação da república, em 1910, é o fato político marcante do início do século XX em Portugal.

- Na década de 1920, o nacionalismo que empolgava a jovem República sofre forte influência do fascismo italiano e do nazismo alemão, assumindo uma forma radical que leva ao poder um governo de direita extremamente autoritário

- Em 1928, começava a ditadura de Oliveira Salazar. Esse regime ditatorial perdurou até 1974. Nesse ano, a revolução dos cravos pôs fim a uma das mais longas e opressoras ditaduras da história européia .


O Modernismo em Portugal (Arte e Literatura) – 1915 - 1970
- O marco inicial do modernismo português é o lançamento da revista literária Orpheu, em 1915

- A revista teve apenas dois números (março e junho de 1915) e sofreu ataques furiosos da imprensa conservadora, que chamou os modernistas de ¨ loucos futuristas¨.

- As grandes revelações literárias desse período, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa, surgem justamente nas páginas de Orpheu.

- Conteúdo da revista baseava-se no questionamento dos valores estabelecidos estética e literariamente, na euforia frente às invenções oriundas da Revolução Industrial e na libertação de todas as regras e convenções referentes à produção artística da época.


- Os ecos Futuristas na valorização da máquina e da velocidade aparecem já no primeiro número dos versos do poema “Ode triunfal”, de Álvaro de Campos, um dos heterônimos do poeta Fernando Pessoa.
- As idéias provocantes dos jovens artistas da época marcaram presença e abriram espaço para a manifestação de novas concepções estéticas, numa tentativa de integrar Portugal no clima de renovação que agitava o ambiente artístico europeu.

- Em 1927, uma segunda geração de escritores, surgida em Coimbra, marca seu espaço no panorama cultural português com o lançamento da revista Presença, uma ¨ folha de Arte e Crítica¨.

- Além da revista reafirmar idéias de renovação lançadas pela geração da revista Orpheu, procurava desenvolver uma exigente consciência crítica, ausente nos primeiros modernistas, exceto em Fernando Pessoa.
Vanguardas europeias:
- A arte moderna rompe com os valores artísticos dos séculos anteriores;

- Um novo modelo artístico é impulsionado pelas vanguardas europeias (inquietas e revolucionarias) do início do século XX;

- Defesa de uma arte mais livre do controle da razão e mais próxima da possibilidade de representar a vida em movimento;

- Movimentos inovadores:

- Expressionismo (expressão do mundo interior);

- Cubismo ( destruição das imagens convencionais);

- Futurismo (Coragem, revolta, mundo moderno feito por máquinas);

- Surrealismo (liberdade, guiar-se pelo inconsciente)



Características gerais:  
- crise de valores e necessidade de provocações;

- atitude irreverente em relação aos padrões estabelecidos;

- reação contra o passado, o clássico e o estático;

- temática mais particular, individual e não tanto universal e genérica;

- preferência pelo dinamismo e velocidade vitais;

- busca do imprevisível e insólito

- abstenção do sentimentalismo fácil e falso;

- -comunicação direta das idéias: linguagem cotidiana.

- esforço de originalidade e autenticidade;

- interesse pela vida interior (estados de alma, espírito..)

- aparente hermetismo ( estudo e prática da filosofia oculta e da magia), expressão indireta pela sugestão e associação verbal em vez de absoluta clareza.

- valorização do prosaico ( prosa, narrativa) e bom humor;

- liberdade forma: verso livre, ritmo livre, sem rima, sem estrofação pre-estabelecida. 

As três gerações do Modernismo português
Primeira geração: Orpheu

Início: 1915 – Fundação da revista Orpheu (decreta o fim dos valores artísticos do século XIX)

Término: 1927 – Fundação da revista Presença.

Principais escritores: Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro

Principal característica do grupo: comportamento iconoclasta (pessoa que destroi ou estraga imagens religiosas)


Características:
- Desejo de “escandalizar” o burguês.

- Desajuste social e cultural.

- Cosmopolitismo (pensamento filosófico que despreza as fronteiras geográficas.

- Elitismo (poder político na mão da elite)

- Incorporação das propostas das vanguardas.

- Idolatria do poético, do não-prático, do não-burguês.

- Embora tenha chocado a sociedade, o orfismo (Revista Orpheu) não conquistou grande público.

Principais autores:
Mário de Sá-Carneiro (1890 – 1916) - influenciado pelo decadentismo e pela estética simbolista, construiu uma obra marcada por inesperada e inquietante angustia existencialista. Afastando-se da preocupação meramente estética, aborda o tema da cisão do sujeito na enunciação de si próprio e na formulação de sua percepção de mundo.

Fernando Pessoa (1888 – 1935) - sua obra é caracterizada pela busca da despersonalização e da fragmentação do “eu” do poeta em múltiplas personalidades – o que possibilita a criação de um universo literário em que sinceridade e fingimento são discutidos de maneira rica, densa e intrigante. Para compreendê-lo é fundamental conhecer a produção de seus heterônimos.

Heterônimos de Fernando Pessoa


Alberto Caeiro: poeta bucólico, está em contato direto com a natureza, aproximando a sua lógica da ordem natural das coisas. Caeiro “pensa” com os sentidos e vê as coisas como elas são, desprovidas de conceitos e valores pré-concebidos. 

Ricardo Reis - poeta de inspiração neoclássica, é um latinista cuja preocupação em gozar o momento remete ao “carpe diem”. Para ele, é preciso estar atento para aproveitar os instantes volúveis da vida, com serenidade e sem excessos.

Álvaro de Campos - poeta inquieto e adepto do decadentismo, constrói sua obra a partir de experiências futuristas,nas quais é nítida a influência do norte americano Walt Whitman. Mas Campos esgota essa vertente e adere à poesia intimista e melancólica, evoluindo ao sensacionismo – para o qual a sensação é a única realidade da vida.

Fernando Pessoa (ele mesmo) - considerado por alguns críticos também uma espécie de heterônimo, o Fernando Pessoa ortônimo produz uma poesia lírica de tendência saudosista e nacionalista.

Segunda geração: Presença

Início: 1927 – Fundação da revista Presença.

Término: 1940 – Eclosão do Neo-realismo.

Principais escritores: Branquinho da Fonseca, José régio e João Gaspar Simões

Principal característica do grupo: elitismo “arte- pela- arte”

Esse segundo momento, trouxe uma literatura intimista, ligada ao “eu”, sem compromissos com as instabilidades. Apesar da diferença, o segundo momento jamais negou o primeiro.



A influência das idéias da psicanálise freudiana foi grande no sentido de reforçar os universos da individualidade criativa, da análise psicológica e da intuição.

A Revista Presença inaugura um período de ceticismo em relação aos ideais republicanos. O objetivo de seus integrantes é dar continuidade ao projeto de modernidade iniciado com a Orpheu, mas sem os radicalismos que marcaram essa publicação e chocaram a burguesia.
Terceira geração: Neo-realismo

Início: 1940

Principais escritores: Ferreira de Castro, Carlos de Oliveira, Fernando Namora, Alves Redol, José Cardoso Pires e Virgílio Ferreira.

Principal característica do grupo: literatura engajada.

Teve influências de modernistas brasileiros para a construção de uma literatura engajada, que fazia uma denuncia social, ficando afastada do subjetivismo e do intimismo do segundo momento, tendo forte relação com o momento histórico (Segunda Guerra Mundial), que pedia este olhar para a sociedade.



Caracteriza-se pelo combate ao fascismo e defende a literatura como uma forma de crítica e denúncia social com uma postura combativa e reformadora, a serviço da sociedade. Seu nome provém do diálogo com a literatura brasileira, principalmente com escritores como Jorge Amado e Graciliano Ramos, justamente pela proposta de trazer um alerta contra a exploração do homem pelo seu semelhante. O socialismo marxista é a ideologia utilizada para combater a opressão. 

Conclusão
Desde o marco inicial, a publicação da revista Orpheu, em 1915, influenciada pelas grandes correntes estéticas europeias, como o Futurismo e o Expressionismo, ao neo-realismo, houve uma alteração de percurso. Passou-se de uma poesia mais complexa e de difícil acesso ao engajamento explícito dos neorrealistas. Em comum, porém, está a busca de um rompimento com o passado e uma visão crítica, demolidora e irreverente da arte, da política e da cultura portuguesas.
Modernismo no Brasil

Produto das transformações sofridas pelo Brasil nas duas primeiras décadas do século XX, o período modernista brasileiro começou com a Semana de Arte Moderna de 1922.

Ele evolui em três gerações, marcadas pela busca de inovações capazes de amadurecer a literatura nacional.
Fase heróica do Modernismo

Antecedentes
• 1917 – Exposição de pinturas de Anita Malfatti gera polêmica em São Paulo.

• 1921 – Vitor Brecheret (escultor) e Heitor Villa-Lobos (músico) já apresentavam trabalhos influenciados pelas vanguardas europeias.


A Semana
*  1922 – A Semana de Arte Moderna durou três dias: 13, 15 e 17 de fevereiro, no Teatro Municipal de São Paulo, iniciada com a conferência “A emoção estética na arte moderna”, de Graça Aranha. Vários poetas leram seus trabalhos, às vezes sob vaias. Mário de Andrade leu seu ensaio “A Escrava que não é Isaura” na escadaria do teatro. Houve exposições de arte. Heitor Villa-Lobos foi vaiado.

*O movimento redescobriu o Brasil, revitalizando os temas nacionais e reinterpretando nossa realidade.

*Seu objetivo era romper definitivamente com o passado e criar uma arte nova e independente.
Os modernistas ridicularizavam o Parnasianismo, movimento artístico em voga na época que cultivava uma poesia formal.

Propunham uma renovação radical na linguagem e nos formatos, marcando a ruptura definitiva com a arte tradicional.

Cansados da mesmice na arte brasileira e empolgados com inovações que conheceram em suas viagens à Europa, os artistas romperam as regras pré-estabelecidas na cultura.
Na Semana de Arte Moderna foram apresentados quadros, obras literárias e recitais inspirados em técnicas da vanguarda europeia, como o dadaísmo, o futurismo, o expressionismo e o surrealismo, misturados a temas brasileiros.
Os participantes da Semana de 1922 foram Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Cassiano Ricardo, Guilherme de Almeida e Menotti Del Picchia e causaram enorme polêmica na época. Sua influência sobre as artes atravessou todo o século XX e pode ser entendida até hoje.
Princípios básicos dos participantes

- Desejo de expressão livre e a tendência para transmitir, sem os embelezamentos tradicionais do academicismo, a emoção e a realidade do país;

- Rejeição dos padrões portugueses, buscando uma expressão mais coloquial, próxima do falar brasileiro;

- Valorização do prosaico(que se refere à prosa) e do humor, que em todas as suas gamas, lavou e purificou a atmosfera sobrecarregada pelos acadêmicos;

- Libertação dos modelos acadêmicos, experimentalismo em novas formas de expressão e rompimento com o nacionalismo tradicional.
Consequências
• Artistas se reúnem, em diferentes grupos, para difundir suas ideias. Surgem os movimentos (e manifestos) Pau-Brasil, Antropofágico, Verde-Amarelo e Anta.

Esses movimentos representavam duas tendências ideológicas distintas, duas formas diferentes de expressar o nacionalismo.


O movimento Pau-Brasil defendia a criação de uma poesia primitivista, construída com base na revisão crítica de nosso passado histórico e cultural e na aceitação e valorização das riquezas e contrastes da realidade e da cultura brasileiras.
A Antropofagia, a exemplo dos rituais antropofágicos dos índios brasileiros, nos quais eles devoram seus inimigos para lhes extrair força, Oswald propõe a devoração simbólica da cultura do colonizador europeu, sem com isso perder nossa identidade cultural.
Em oposição a essas tendências, os movimentos Verde-Amarelismo e Anta, defendiam um nacionalismo ufanista, com evidente inclinação para o nazifascismo.

• Aparecem também as primeiras publicações modernistas, dentre as quais a Revista Klaxon e a Revista de Antropofagia.



Características gerais:
- Desejo de liberdade de criação e expressão;
- Ideias nacionalistas;
- Visava emancipar-se da dependência europeia;
- Três fases como características particulares
- Busca do moderno, original e polêmico.
- Nacionalismo em suas múltiplas facetas
- Volta às origens e valorização do índio verdadeiramente brasileiro.
- “Língua brasileira” - falada pelo povo nas ruas.
- Paródias - tentativa de repensar a história e a literatura brasileira.
- A postura nacionalista apresenta-se em duas vertentes:

→ nacionalismo crítico, consciente, de denúncia da realidade, identificado politicamente com as esquerdas.


→ nacionalismo ufanista, utópico, exagerado, identificado com as correntes de extrema direita.


Primeira geração (1922-1930):  Tida como iconoclasta (que ataca crenças estabelecidas ou instituições veneradas ou que é contra qualquer tradição), caracterizou-se pela negação do passado, pelo caráter destrutivo de suas propostas, pelo nacionalismo e pela valorização do cotidiano como matéria prima da Literatura. Liberdade estética, redescoberta da realidade brasileira e do coloquialismo da fala brasileira também marcam sua produção.

A grande maioria dos escritores modernistas colaborou em periódicos como articulistas, críticos ou cronistas. As crônicas de Mário de Andrade Oswald de Andrade Manuel Bandeira são representativas do envolvimento dos modernistas com a realidade brasileira e também da importância que os periódicos tiveram como veículos de difusão das propostas artísticas do movimento.


Seus expoentes máximos são:

- Mário de Andrade (1893-1945) ,

- Oswald de Andrade (1890-1954),

- Manuel Bandeira ( 1886-1968).


Segunda geração (1930-1945): fase de consolidação do Modernismo no Brasil. Na poesia, autores como Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles apresentam preocupação acentuada com a análise do ser humano e suas angústias - reflexo da sociedade em crise, na qual é essencial indagar o sentido da existência.
A poesia da 2ª fase modernista percorreu um caminho de amadurecimento. No aspecto formal, o verso livre foi o melhor recurso para exprimir sensibilidade do novo tempo, se caracteriza como uma poesia de questionamento: da existência humana, do sentimento de “estar-no-mundo”, inquietação social, religiosa, filosófica e amorosa.


Na prosa: o Neorrealismo do romance regionalista apresenta a problematização da luta pela sobrevivência em uma sociedade dominada pela exploração e pelas intempéries.

Dentre os muitos escritores destacamos:


- Graciliano Ramos (1892-1953)
- Rachel de Queiros (1910-2003)
- Jorge Amado (1912-2001)
- José Lins do Rego (1901-1957)
- Érico Veríssimo (1905-1975)

Na poesia:
- Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987)
- Cecília Meireles (1901-1964)
- Vinícius de Morais (1913-1980)

- Murilo Mendes (1901-1975)
- Jorge de Lima (1893-1953)

Terceira geração (1945-1960):  conhecida como pós-modernismo.Foi um excelente momento, pois ao mesmo tempo em que a prosa (romance, conto) buscava caminhos para prosseguir, renovando brilhantemente as técnicas de expressão - como fizeram Guimarães Rosa e Clarice Lispector -, a poesia moderna encontrava ainda maior profundidade de temas, de preocupação social e investigação psicológica, com Carlos Drummond de AndradeMurilo MendesCecília Meireles,João Cabral de Melo NetoVinicius de Moraes e outros.

Aliás, a poesia fez até mais crítica social do que a prosa durante o período entre 1945 e 1965.



Autores principais:
- João Guimarães Rosa (1908-1967), criador de uma prosa universal, em que o sertão é palco para discussão de dramas humanos, narrados em linguagem poética e inventiva,

- Clarice Lispector (1920-1977), que aparece com uma literatura introspectiva, marcada pela quebra da linearidade discursiva e pela epifania ( tornar legível aquilo que só o autor compreende, e quer que todos vejam do mesmo jeito)



- João Cabral de Melo Neto (1920-1999), cuja obra caracteriza-se pelo rigor formal, pelo equilíbrio e pela busca da significação máxima da palavra.
Atividades:


  1. Quando e como começou o período modernista brasileiro? E o que esse movimento buscava?

  2. O que o movimento modernista representou para o Brasil?

  3. O que foi a Semana de Arte Moderna, quando foi realizada e como ficou conhecida?

  4. Qual era o objetivo da Semana de 22?

  5. Quais foram os eventos que antecederam a Semana de Arte Moderna?

  6. Quem foram os participantes da Semana de 22?

  7. A Semana de Arte Moderna fazia uma critica a que escola literária? Por quê?

  8. Quais os princípios básicos divulgados pelos participantes da Semana de Arte Moderna?

  9. Quais as consequências dessa Semana?

  10. Explique o que cada um dos movimentos (manifestos) representavam.

  11. Quais foram as primeiras publicações modernistas?

  12. Descreva rapidamente cada uma das 3 gerações modernistas e seus principais autores.


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