Motivos que interferem na continuidade do aleitamento materno: Uma revisão de literatura



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Motivos que interferem na continuidade do aleitamento materno: Uma revisão de literatura
Thaís Aparecida Tomiazzi(ICV/Unioeste/PRPPG), Gicelle Galvan Machineski(Orientadora), e-mail: thais_2908@hotmail.com.
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel, PR.
Ciências da Saúde - Enfermagem.
Palavras-chave: Aleitamento Materno, Puericultura, Desmame.
Resumo

A prática a respeito do aleitamento materno vem sendo abordada com frequência no meio social. A amamentação é o ato mais natural e o melhor alimento para o bebê devido aos benefícios nutricionais, emocionais e econômicos. Este estudo teve como objetivo identificar os motivos que interferem na continuidade do aleitamento materno. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada na base de dados da Biblioteca Virtual em Saúde. A busca dos artigos foi realizada no período de fevereiro a maio de 2016. Sendo incluídos artigos em português, publicados a partir de 2009. Foram utilizados os seguintes descritores: Aleitamento Materno, Desmame e Aleitamento Materno Exclusivo. Após a análise dos artigos encontrados foram construídas três categorias: manutenção do Aleitamento Materno Exclusivo (AME); manutenção do Aleitamento Materno (AM) e; interferência de crenças culturais no aleitamento materno. Nas duas primeiras categorias identificou-se que os fatores que prejudicam e favorecem a continuidade do AME e do AM são semelhantes e se relacionam, como a escolaridade, a idade e o trabalho maternos; ser primípara; tipo de parto e uso da chupeta. E na terceira categoria, identificou-se a necessidade de introdução de água, chás e outros alimentos, o que leva ao desmame precoce. A realização deste estudo possibilitou identificar os fatores que interferem no aleitamento materno. Assim, salienta-se a importância dos profissionais da saúde para a atenção às puérperas e lactantes, buscando sanar as dúvidas das mães sobre o AM e incentivando esta prática que é de suma importância para o crescimento e desenvolvimento da criança.


Introdução
A prática a respeito do Aleitamento Materno (AM) vem sendo abordada com frequência no meio social. Pesquisas realizadas nas últimas décadas contribuíram muito para uma melhor compreensão dos benefícios do aleitamento materno para a criança e para a mulher (Toma & Rea, 2008). E ainda, a amamentação é o ato mais natural e o melhor alimento para o bebê devido aos benefícios nutricionais, emocionais e econômicos (Casagrande et al., 2008).

As evidências científicas sobre o AM e o Aleitamento Materno Exclusivo (AME) estão aumentando de forma considerável. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o AME até o sexto mês de vida, e o AM é aconselhável permanecer até os dois anos de vida no mínimo (Brasil, 2001).

Quando a prática do AME até os seis meses de vida não é realizada, muitos são os agravos que podem, a longo prazo, comprometer a criança, deixando-a suscetível a possíveis infecções. Nesse sentido, a OMS reforça que a introdução precoce de outros alimentos, antes dos seis meses de vida, além do leite materno, interfere negativamente na absorção de nutrientes e em sua biodisponibilidade, podendo diminuir a quantidade de leite materno ingerido e levando com isto ao menor ganho ponderal. Desta forma, este estudo visa identificar os motivos que interferem na continuidade do AM (Brasil, 2001).
Material e Métodos
Trata-se de uma revisão integrativa de literatura realizada, no período de fevereiro a maio de 2016, a partir da base de dados Biblioteca Virtual em Saúde (Mendes et al., 2008). Foram utilizados artigos publicados a partir de 2009, em texto completo, em português, com os seguintes descritores: Aleitamento Materno, Puericultura e Desmame, dos quais foram encontrados 83, 2 e 20 artigos respectivamente para cada descritor. Desses foram analisados 19 artigos que atenderam aos requisitos para inclusão no estudo, sendo dispostos em um quadro sinóptico para posterior levantamento dos dados acerca dos mesmos.
Resultados e Discussão
A partir da análise dos artigos foram identificadas três categorias: manutenção do Aleitamento Materno Exclusivo (AME); manutenção do Aleitamento Materno (AM) e; interferência de crenças culturais no aleitamento materno.

Na primeira e segunda categoria foi possível entender que os fatores que prejudicam e favorecem a continuidade do AME e do AM são semelhantes e estão relacionados entre si.

As mães com maior nível educacional praticam o AME com maior frequência, sendo este fator considerado protetor do AME (Souza et al.,2012). Além disso, mães que trabalham fora com licença maternidade teriam melhores condições para manter o aleitamento materno exclusivo durante o período da licença (Boccolini et al.,2015)

Acerca do trabalho materno fora de casa, este se apresenta como um fator relevante que agrava a interrupção do AME. Isso porque mães que trabalham fora de casa possuem 3,92 vezes mais chances de não amamentarem exclusivamente seus filhos até os seis meses (Brecailo et al., 2010).

Em relação à prática do AME associada ao número de filhos, percebe-se que os bebês de mães multíparas tinham quatro vezes mais chances de serem amamentados exclusivamente que os de mães de primeiro filho (Souza et al., 2012).

A idade materna também está diretamente ligada com a experiência relacionada ao AM, sendo que mães com idades intermediárias demonstram ser mais protetoras para o AME, pois mães adolescentes ou com 35 anos ou mais geralmente interrompem o AME mais precocemente (Vitor et al., 2010).

Além disso, crianças cujo parto tenha sido por cesariana eletiva apresentam um risco aumentado em três vezes de serem desmamadas até o fim do primeiro mês de vida, quando comparadas com as que nasceram via parto vaginal ou cesárea de emergência (Vitor et al., 2010).

Diversos estudos também apontam o uso da chupeta como um fator que determina a interrupção do AM, sendo que o principal motivo descrito pelas mães para usar a chupeta foi acalmar o bebê. Assim, nota-se a importância das consultas pré-natal e do acompanhamento do bebê na puericultura para esclarecimentos e orientação (Kaufmann et al., 2012).

Já na terceira categoria, denominada “Interferência de crenças culturais no Aleitamento Materno”, observou-se que os fatores culturais e crenças que são impostas à mulher no primeiro parto, interferem significativamente no aleitamento materno, e isto acarreta na introdução precoce de alimentos na dieta da criança. E a isso, soma-se também a insegurança da “mãe de primeira viagem”, que normalmente está interligada ao fato de ser mais jovem, com menor grau de instrução e menor experiência de vida (Martins et al., 2011).

Os familiares também apresentam crenças em relação à alimentação do bebê de baixo peso. Dentre elas destacamos algumas relacionadas à morfologia da mama materna, sendo que estes familiares apontam a mama grande da mãe como um elemento que impede o bebê de esvaziar a mama. E a essa, somou-se a crença de que a ausência e/ou tamanho do mamilo, interferiam na pega adequada do bebê (Pacheco & Cabral, 2011).

Outra crença mencionada pelas famílias foi a introdução do chá de erva-doce. Esta prática deve ser evitada, pois há evidências que ligam o seu uso com o desmame precoce e um aumento nas taxas de morbimortalidade infantil (Pacheco & Cabral, 2011).



Conclusões
O presente estudo proporcionou a identificação dos motivos que interferem na continuidade do aleitamento materno, a partir da análise de publicações científicas dos últimos sete anos. Os resultados foram divididos em três categorias temáticas: manutenção do aleitamento materno exclusivo, manutenção do aleitamento materno e interferência de crenças culturais no aleitamento materno. Na primeira e segunda categoria foi possível observar que os fatores que auxiliam e prejudicam o AME e AM são basicamente os mesmos, e possuem relação entre si. Alguns dos principais fatores encontrados foram: escolaridade, trabalho materno, número de filhos, idade materna, tipo de parto e uso de chupeta. Na terceira categoria, observou-se que existem tabus acerca da prática da amamentação que podem por gerar graves complicações na saúde da criança. Assim, salienta-se a importância dos profissionais da saúde para a atenção às puérperas e lactantes, buscando sanar as dúvidas das mães sobre o AM e incentivando esta prática que é de suma importância para o crescimento e desenvolvimento da criança.
Agradecimentos

Agradecemos ao Programa de Iniciação Científica Voluntária da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.


Referências
Boccolini, C. S., Carvalho, M. L. & Oliveira, M. I. C. (2015). Factors associated with exclusive breastfeeding in the first six months of life in Brazil: a systematic review. Revista de Saúde Pública 49, 1-16.
Brasil (2001). Evidências científicas dos dez passos para o sucesso no aleitamento materno. Brasília: OPAS/OMS.

Brecailo, M. K., Corso, A. C. T., Almeida, C. C. B. & Schmitz, B. A. S. (2010). Fatores associados ao aleitamento materno exclusivo em Guarapuava, Paraná. Revista de Nutrição 23, 553-563.

Casagrande, L., Ferreira, F. V., Hahn, D., Unfer, D. T. & Praetzel, J. R. (2008). Aleitamento natural e artificial e o desenvolvimento do sistema estomatognático. Revista da Faculdade de Odontologia 49, 11-17.


Kaufmann, C. C., Albernaz, E. P., Silveira, R. B., Silva, M. B. & Mascarenhas, M. L. W. (2012). Alimentação nos primeiros três meses de vida dos bebês de uma coorte na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. Revista Paulista de Pediatria 30, 157-165.
Martins, C. C., Vieira, G. O., Vieira, T. O. & Mendes, C. M. C. (2011). Fatores de riscos maternos e de assistência ao parto para interrupção precoce do aleitamento materno exclusivo: estudo de coorte. Revista Baiana de Saúde Pública 35, 167-178.

Mendes, K. D. S., Silveira, R. C. C. P., Galvão, C. M. (2008). Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto contexto enfermagem 17, 758-764.

Pacheco, S. T. A. & Cabral, I. E. (2011). As crenças culturais dos familiares no manejo da alimentação do bebê de baixo peso. Revista de Enfermagem 19, 558-563.


Souza, S. N. D. H., Migoto, M. T., Rossetto, E. G. & Mello, D. F. (2012). Prevalência de aleitamento materno e fatores associados no município de Londrina-PR. Acta paulista de enfermagem 25, 29-35.
Toma, T. S. & Rea, M. F. (2008). Benefícios da amamentação para a saúde da mulher e da criança: um ensaio sobre as evidências. Cadernos de Saúde Pública 24, 235-246.
Vitor, R. S., Vitor, M. C. S., Oliveira, T. M., Corrêa, C. A. & Menezes, H. S. (2010). Aleitamento materno exclusivo: análise desta prática na região Sul do Brasil. Revista da Associação Médica do Rio Grande do Sul 54, 44-48.





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