Moura, Leonardo. Como escrever na rede



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MOURA, Leonardo. Como escrever na rede: manual de conteúdo e redação para Internet. Rio de Janeiro: Record, 2002 109 p


Sumário

1 — Primeiros Toques 9

2— Para Entender a Internet 13

2.1 —Tudo começou assim... 13

2.2—O starté dos americanos 16

3— Conectando o Brasil 21

3.1 — Nossa breve história 21

3.2 — Internauta Brasil 2000 — O futuro 25

4— O Futuro, a Quem Pertence? 27

5—A Era dos Portais 31

5.1 — Globo.com: A lnternet para todos 33

6— Hipertexto: Produto da Redação para a lnternet 37

7 — Jornalismo On Line 45

7.1 — Redação virtual 47

7.2 — O conteúdo jornalístico na rede 48

7.3 — Jornal digital: Os novos empregos

e o acúmulo de funções por parte do jornalista 50

7.4 — O novo profissional: Jornalista da web 51

7.5 — Rádio e 111 na lnternet 52

8 — Introduzindo o Texto na Rede 55

8.1 — A primeira de todas as dicas 56

8.2 — E mais dicas... 57

9 — Redação Web e Marketing 69

9.1 —A divulgação 69

9.2 — Elaborando o conteúdo 76

9.3 — Mais dicas para um bom texto de venda ou divulgação

10— “Amarrando” o Conteúdo

11 — Um Bom Exemplo: Forma e Conteúdo

12—O Nosso Papel

13— Referências 107

13.1 — Bibliográficas 107

13.2 — Audiovisuais 108

13.3 — Virtuais 108
Capítulo 1
Primeiros Toques

O profissional de comunicação de hoje tem um novo desafio: trabalhar com a Internet, entender sua evolução e estar pronto para as modificações que a grande rede mundial fará na economia, na cultura e na linguagem entre os seres humanos. Por congregar todas as mídias numa só sem substituir qualquer outra, ao contrário do que muitas pessoas ainda acreditam, a Internet veio para acelerar as relações do ser humano com o mundo e com os outros seres humanos. Na rede, o acesso a notícias e a diferentes pontos de vista é mais viável do que em qualquer outra mídia. E o indivíduo não precisa mais esperar para ir ao supermercado, ao banco ou a uma loja de discos, pois pode fazer todas as suas compras e negócios on-line. Internet é sinônimo de velocidade.

Cabe agora ao profissional de Comunicação Social preparar a interface de cada uma dessas atividades para o usuário da web. A responsabilidade por um bom trabalho de programação visual, o webdesign, é fundamental para conceber a interface que melhor [pag.9] agrade o internauta e o prenda de uma só vez, facilitando o acesso rápido às informações e aos serviços de que precisa. Mas, junto ao trabalho de construção de interface e todo o resto da criação para a rede em forma de vídeos, banners e conteúdo dinâmico (cadastros, webmails, enquetes, jogos etc.) vem um item essencial, presente em todas as mídias e que, por um bom tempo, vai continuar sendo o fundamento de todas elas: o texto. Dependendo do meio em que circula e do veículo que o suporta, o texto precisa de diferentes adaptações. foi assim com o surgimento do rádio e da televisão. Agora, é com o amadurecimento da Internet. Apesar de muitos jornalistas talvez até mesmo pelo temor de não sustentarem seus empregos em vista das novas tecnologias (como em qualquer época da história marcada por mudanças fortes) continuarem duvidando da necessidade de adaptar um texto à rede, a Internet é uma realidade que abriga, como qualquer outro veículo, profissionais talentosos e profissionais medíocres. Os talentosos crescem, pois, além de dominarem as técnicas da boa redação, sabem transmitir o conteúdo de forma pessoal e diferente.

Para o profissional que já trabalha como redator de veículos on line, adotou-se o nome de webwriter. Mas, até o momento, nenhum veículo definiu um padrão para o texto na rede. Este livro traz as principais observações para se redigir um bom texto na Internet.

É bom lembrar que escrever não é fácil. A boa redação, se não foi inicialmente apreciada na infância, e mais tardiamente adquirida na adolescência, torna-se tarefa complicada para quem sonha em trabalhar com o texto. Não são as instituições de ensino que formam grandes jornalistas, redatores ou escritores. A boa escrita vem do prazer que o ser humano tem em disparar palavras num caderno ou, simplesmente, em ouvir o clique do [pag.10] teclado no momento em que passa uma idéia para o computador. Portanto, este não é um livro que ensina a escrever mas, sim, um trabalho que, além de explicar toda a evolução da grande rede e do mercado de jornalismo on line, traz conceitos e dicas de adaptação do conteúdo escrito para o novo veículo, tanto para a divulgação de notícias quanto para a venda de um produto.[pag.11]

Capítulo 2
Para Entender a Internet

2.1 -Tudo começou assim...

Iniciada dentro do Pentágono, em Washington, ninguém poderia imaginar as proporções que a Internet iria tomar na vida de milhões de seres humanos. Quem dirá em relação às múltiplas utilidades que ela iria proporcionar a usuários de computador em todo o mundo.

A rede, que é fruto de experiências militares americanas desde a década de 1960, só começou mesmo a ter o seu potencial explorado nos campi universitários dos Estados Unidos em meados da década de 1980. A partir dai, não teve jeito: a Internet cresceu, fugiu do controle de seus criadores e pioneiros para, hoje, ter um número de usuários que só aumenta.

Para se ter uma idéia do crescimento do número de internautas, em 1993, apenas quatro milhões de pessoas utilizavam a grande rede. Hoje, há com certeza mais de 100 milhões de usuários [pag.13] de Internet no mundo inteiro e estima-se que, em 2005, essa quantidade dispare para um bilhão. Isso graças à popularização da Internet. Mas há quem diga que o boom ainda nem começou. Mesmo com acesso em casa ou no trabalho, muita gente ainda não vive o estilo de vida virtual que o próprio Bill Gates explica: "Você vive o estilo de vida web quando faz compras pela rede, planeja uma viagem no computador, ou seja, usa a Internet como ferramenta."

De qualquer maneira, a Internet vem conquistando usuários de forma rápida. Foram necessários aproximadamente sete anos, desde 1991, para que ela se estabelecesse com uma grande massa de internautas que navega, pelo menos, uma hora por dia. Para se fazer uma comparação, a imprensa levou quatrocentos anos, desde a invenção por Gutenberg em 1454, para a sua aceitação generalizada. O telefone, inventado por Graham Bell em 1876, só entrou em uso comum depois da Segunda Grande Guerra. O rádio, invenção de Guglielmo Marconi em 1885, tornou-se popular somente no período entre as duas guerras mundiais passaram-se, portanto, quarenta anos até sua plena aceitação. E a televisão, para quem não sabe, levou 25 anos para se difundir em massa nos anos 50, pois sua invenção pelo escocês John Baird data de 1925.

É claro que as condições do mundo no qual nasceu a Internet e as dos mundos em que nasceram os outros veículos de comunicação de massa são diferentes. Hoje, como se sabe, a riqueza mundial está muito mais bem distribuída, apesar de quase um terço da população terrestre ainda viver em más condições de vida e de o planeta estar superpovoado. Mas, enfim, maior é o número de pessoas com acesso a computadores, maior é a necessidade de se estabelecer comunicação entre indivíduos de todo o mundo, maior é a vontade pessoal de cada um de se integrar em [pag.14] um determinado patamar de consumo e de articulação cultural que só os meios de comunicação podem dar. Maior ainda é o poder da mídia em baratear todos os custos para que um número cada vez maior de pessoas possa ter acesso aos veículos telefone, rádio, televisão e computador pessoal, o PC (personal computer). E foi graças ao computador pessoal que os diversos tipos de rede que surgiram antes da Internet começaram a fazer sucesso na década de 1980. Os PCs levaram as redes dos campi universitários aos escritórios e residências.

Se pegarmos os Estados Unidos como exemplo de pais rico, onde todos os consumidores têm acesso fácil aos serviços que desejam, vamos ver os seguintes números: em 1997, 33% dos americanos já tinham endereço de e-mail. Desses, 10 milhões utilizaram a rede para compras. E a nova geração de usuários vai vir com tudo na terra do Tio Sam. Mais de 70% das escolas americanas já têm acesso à Internet. Os jovens e os adultos do futuro, com certeza, vão estar imersos no estilo de vida web.

A grande rede, portanto, apesar dos muitos altos e baixos que assolam a bolsa eletrônica Nasdaq, ainda promete ser uma das maiores portas para novos negócios já no compaço deste novo milênio. Além de promover pesquisas, bate-papos e outras interatividades, a Internet já movimenta quantias que formam uma parte significativa do PIB de países como os Estados Unidos tudo, é claro, a partir do comércio eletrônico, o e-commerce. As empresas que não são exatamente pontocom (dedicadas exclusivamente à Internet) já vêem a rede como uma grande fonte de promoção e fortalecimento da imagem, informação aos clientes, redução de custos operacionais e expansão de mercado.

Mas é bom lembrar que nem tudo na rede são flores. As transformações que a Internet sofre diariamente, tentando cada vez mais se adaptar ao gosto do usuário esse é o segredo do negócio, [pag.15] parecem não ser acompanhadas por muitos micreiros que aplicam suas idéias na rede. Muitos produtos lançados na web, ou mesmo aqueles que são frutos de outras fontes que tentam se adaptar à Internet (como a TV e os jornais), podem estar passando por dificuldades por não conseguirem envolver o usuário, seduzi-lo com as famosas stick aplications (aplicações de valor utilitário, como e-mails gratuitos, promoções e downloads) ou simplesmente por não agregarem valor útil ou de prazer à vida de quem navega. Por isso, é bom estar atento ao funcionamento dessa mídia interativa que congrega todas numa só (leitura, rádio, escrita, televisão, cinema, jogos: tudo está na rede) para saber em que ramo atuar, como se especializar e o que, definitivamente, vai estar valendo ainda por um bom tempo na Internet. O texto escrito, com certeza, vai estar.
2.2- O start é dos americanos

Já sabemos que o sucesso da Internet esteve, a princípio, ligado ao crescimento do número de computadores pessoais nos lares de todo o mundo. Sem eles, a rede não existiria e nem teria os potenciais que tem hoje.

Afinal, quando o engenheiro americano Bob Taylor teve a brilhante idéia de ligar em rede os computadores no Pentágono para facilitar a vida de quem trabalhava na ARPA (Advanced Research Project Agency), ele não poderia imaginar as proporções que sua invenção assumiria. A ARPA era a agência espacial [pag.16] americana que funcionava dentro do Pentágono antes de o governo decidir entregar o controle das pesquisas espaciais a uma instituição civil: a NASA. Ela nasceu depois que os Estados Unidos pasmaram diante do lançamento do Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra, pelos russos. Na época, a corrida espacial era noticia em todo o mundo, enquanto as primeiras conexões em rede nasciam em silêncio. Hoje, especialistas que estiveram envolvidos na criação da Internet desde o inicio garantem que o surgimento da grande rede mundial foi mais importante do que a própria chegada do homem à Lua em 1969.

Em 1973, depois de já ter conectado algumas universidades americanas, a ARPAnet se conectava à Universidade de Londres. Nascia a primeira conexão internacional. No mesmo ano, um estudo feito pela própria empresa, pioneira na rede, mostrou que 75% do seu tráfego era de e-mails.

Assim como a ARPAnet no Pentágono, outras empresas começaram a desenvolver suas próprias soluções para o trabalho em rede. O engenheiro Bob Metcalfe, também americano, foi quem descobriu como conectar todos os PCs em redes empresariais. Não foi à toa que ele se tornou o primeiro milionário da comunicação via web. Na Xerox, onde trabalhava no final da década de 1970, Bob usou as idéias das conexões da ARPAnet para conectar os computadores pessoais da empresa. O empreendimento funcionou tão bem que passou a ser vendido para outras empresas com o nome de Ethernet uma solução desenvolvida pela empresa que Bob rapidamente fundou, a 3Com. Os anúncios da 3Com garantiam que a Ethernet otimizaria o trabalho em empresas e escritórios. Logo depois, uma outra empresa de Utah, a Novell, desenvolveu uma novidade para as conexões em rede que superava a Ethernet: a capacidade de os PCs armazenarem dados em servidores e compartilhá-los com outros usuários. Derrotada, a [pag.17] 3Com, com sua Ethernet, passou a contar com a parceria da Microsoft, que ainda tateava o mercado de conexões em rede. A idéia das duas empresas era derrotar a Novell, o que não aconteceu por desentendimentos na parceria.

O mundo seguiu com diversas redes separadas umas das outras, fossem elas da Novell, da 3Com ou de qualquer outra empresa. O mistério de ligar todas as redes precisava ser solucionado. Afinal, cada uma trabalhava com configurações próprias.

Na década de 1980, entraram em cena os estudantes Sandy Lerner e Len Bosak, fundadores da empresa Cisco Systems, nascida dentro do campus da Universidade de Stanford, na Califórnia. Juntos, eles cabearam toda a instituição (que ocupa uma área de 25km), ligando em uma só rede os cinco mil computadores que estavam separados em prédios diferentes. Cada edifício, é claro, já tinha sua própria rede. O fenômeno da Internet estava se consolidando. O casal Sandy e Len, na verdade, desenvolveu a tecnologia dos roteadores, que possibilitava a comunicação de redes, e queria levá-la a outras universidades americanas. Mas Stanford não permitiu. Obstinados, os dois não desanimaram. Fundaram a empresa Cisco Systems para colocar a novidade tecnológica no mercado. Depois disso, as outras universidades americanas tiveram suas redes também cabeadas, formando uma grande rede nacional. Mas a Internet ainda não estava formada. Foi só em 1991, graças a Tim Berners-Lee, um jovem técnico em informação inglês que trabalhava no Laboratório Europeu de Física de Partículas, o Sam, em Genebra, que a World Wide Web (grande rede mundial) foi criada. Pelo hyper text transferprotocol (http), rim descobriu que se poderiam levar usuários de todas as redes a qualquer tipo de informação que estivesse disponível em servidores aqueles inventados pela Novell. Para isso, bastava ter [pag.18] um endereço eletrônico. Não é à toa, portanto, que digitamos em nossos computadores os endereços http://www... para chegarmos aonde quisermos pela Internet.

Com o mundo conectado e o comércio na grande rede liberado pelo governo americano, a Internet começou a ganhar força nos anos 90. No entanto, os raros usuários do início da década tiveram de se contentar por um tempo com as listas de textos que as redes utilizavam para disponibilizar o conteúdo em cada um dos poucos sites que eram acessados mundialmente. Procurar o que se desejava não era nada fácil.

Mas logo em 1993 uma novidade surgiu para mudar a cara da rede e facilitar a vida de quem já navegava: o browser, ou navegador. O primeiro deles, o Mosaic (1993), não era lá grandes coisas, mas já apresentava algumas imagens e o conteúdo indexado de maneira mais interessante. Quem surgiu para arrebatar o mercado foi o Netscape, que em um ano e meio abocanhou 65 milhões de usuários. A Internet começava a crescer pela facilidade que dava ao internauta para achar o que quisesse e pela atração que exercia sobre os que estavam fartos da arbitrariedade dos outros veículos de comunicação. A web é interativa muito antes de qualquer outro veículo. Só pelas conexões em rede o internauta participa de chats, comunidades, fóruns e torna-se um consumidor voraz daquilo que é vendido exclusivamente através da Internet. É claro que o sexo, com suas inúmeras subdivisões, foi o primeiro produto a marcar pontos na web. Acessos a sites de conteúdo erótico sempre foram constantes e os internautas, fidelíssimos. De graça, sem censura, na hora e da maneira que se quer, só mesmo na Internet nem que seja apenas virtual.

E para facilitar ainda mais a vida daqueles que estavam ávidos por uma navegação erótica, bem como os que já usavam a [pag.19] rede para pesquisas mais sérias, a Microsoft, que saiu atrás no mercado da web, lançou sua versão de browser: o Explorer. Enquanto o Netscape custava U5$ 49,00, o Explorer, numa estratégia selvagem da turma de Bill Gates, era fornecido gratuitamente junto com o Windows 95.[pag.20]



Capítulo 3
Conectando o Brasil
3.1 -Nossa breve história

O Brasil faz parte da história da Internet. Num país de dimensões continentais, as conexões propiciadas pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) em 1991 foram importantes no cenário mundial, principalmente para acelerar o processo de conexão e implantação de redes na América Latina.

As iniciativas começaram em 1987, quando pesquisadores da área de tecnologia e de informática de todo o país se reuniram na USP (Universidade de São Paulo), junto a representantes do governo e da Embratel, para discussão do estabelecimento de uma rede nacional com fins acadêmicos. Já no ano seguinte, o LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica), do CNPq (Centro Nacional de Pesquisas), no Rio de Janeiro, e a Fapesp ligam- se a redes internacionais (no caso, à Bitnet e à Hepnet), por [pag.21] intermédio do auxílio de instituições de ensino e laboratórios americanos.

Em maio de 1989, a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) liga-se à Bitnet, auxiliada pela UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles). Era o terceiro ponto de acesso ao exterior. Em julho do mesmo ano, o Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), fundado em 1981 pelo sociólogo Herbert de Souza (o Betinho) e pelo economista Carlos Alberto Afonso, coloca em operação o Alternex o primeiro serviço internacional de correio e conferências eletrônicos do Brasil operado por entidade privada, utilizando um sistema básico que, em breve, comportaria a Internet. Mas o fato mais importante de 1989 foi a criação da RNP (Rede Nacional de Pesquisas), que desenvolveria a rede em âmbitos nacional e internacional, contando com iniciativas complementares em cada um dos estados brasileiros para uma integração total em uma grande rede nacional e, posteriormente, à Internet.

Em novembro de 1990, um membro da CCIRN (Coordinating Committee for International Research Networks) veio ao Brasil para estudar a instalação de múltiplas conexões entre o país e os Estados Unidos. No ano seguinte, foi implantada em território nacional uma rede que interligaria 11 capitais brasileiras com conexão. A princípio, a rede foi crescendo entre as instituições de ensino de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul e, posteriormente, de Pernambuco e do Distrito Federal. Só em 1993 a RNP finalizou seu projeto de construção da espinha dorsal da rede, ligando dez estados: Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Na época, o entendimento que os leigos e os mass media tinham da rede nacional era o de um sistema de tráfego de correio [pag.22] eletrônico. Os outros serviços eram praticamente desconhecidos, apesar do esforço da RNP de levar seminários às instituições de ensino brasileiras para mostrar as potencialidades das conexões em rede.

De 1994 a 1996, a RNP dedicou-se à implantação de uma infra-estrutura que integraria todos os estados brasileiros numa conexão mais rápida. Com vinte estados conectados, os BBss (Bullettin Board systems) já ofereciam os serviços de e-mail e acesso à rede nacional. No final de 94, o governo decide que a exploração comercial da Internet seria de responsabilidade da Embratel e da RNP. A Embratel logo lançou o Serviço Internet Comercial, em caráter experimental, escolhendo cinco mil usuários para fazer o teste. A Internet aterrissava no Brasil.

Não demorou muito para que a iniciativa privada reclamasse do monopólio da Embratel no serviço de acesso à grande rede mundial. Em 1995, então, o governo optou por criar o Comitê Gestor da Internet para traçar os rumos da implantação, administração e uso da Internet no Brasil. No mesmo ano, já nascia a primeira publicação nacional especializada na grande rede, a Internet World, e, na Escola Técnica Federal do Ceará, o primeiro chat.

Mas a maior parte da população brasileira mal sabia do que se tratava a Internet. Foi com a novela Explode Coração, de Glória Perez, transmitida pela Rede Globo de Televisão, que milhões de brasileiros começaram a ver como funcionava a comunicação em rede. Quase que em conseqüência da trama televisiva, o primeiro boom da Internet no Brasil aconteceu ao longo de 1996, tanto pelo crescimento do mercado (que já apontava diversos provedores de acesso) como pela melhoria dos serviços, graças à Embratel. Em abril desse mesmo ano, nasceu o UOL (Universo On Line), lançado pelo Grupo Folha, de São Paulo. Hoje ele é [pag.23] um dos maiores provedores do mundo, sendo um dos portais mais acessados na rede mundial. O extinto Zaz, que hoje leva o nome de Terra, foi criado no mesmo ano pelo grupo gaúcho RBS e, durante um bom tempo, foi um dos maiores provedores brasileiros na web.

Em 1997, a Internet estava consolidada no Brasil, com muito conteúdo em língua portuguesa sendo facilmente achado por sites de busca e uma grande massa de internautas brasileiros batendo papo, trocando e-mails, fazendo downloads, criando sites e acessando todo tipo de informação. Em junho de 1998, segundo a Folha de São Paulo e o Datafolha, o número de internautas brasileiros já chegava a dois milhões. Em número de internautas, o Brasil só ficava atrás de sete países: Estados Unidos, Japão, Canadá, Grã-Bretanha, Alemanha, Austrália e Suécia. Nesse mesmo ano, os serviços pela rede cresceram muito, pois o brasileiro já optava por utilizá-la como ferramenta. Naquele ano, a Secretaria da Receita Federal informava que 26% das declarações de Imposto de Renda haviam sido entregues via Internet. E, no final de 1998, surgia na web uma novidade que atraiu em cheio os internautas brasileiros: o Zipmail, lançado pelo grupo paulistano Internetcom. O Zipmail era o primeiro serviço brasileiro de e-mail gratuito, a exemplo do Hotmail, da Microsoft, que já agia no mercado mundial. De início, o grupo optou por Luana Piovanni para ser a garota-propaganda da stick application que chegava ao mercado, gratuitamente e com sucesso. Muita gente ainda não tinha Internet em casa e acessava a rede do local de trabalho. É claro, portanto, que um endereço de e-mail, que antes era limitado aos que assinavam um provedor ou conheciam o Hotmail, cairia nas graças dos "micreiros". Seis meses depois de seu lançamento, o Zipmail já tinha um milhão de usuários cadastrados. Depois de mais seis meses, eram dois milhões de usuários. [pag.24]



3.2 -Internauta Brasil 2000 - O futuro

O internauta brasileiro se assemelha em muito ao americano: a maioria do grupo possui carro, celular, renda mensal superior a vinte salários mínimos, assinaturas de jornal e revista e cartão de crédito. A maioria, como em todo o mundo, também garante que o principal interesse na rede são as notícias. Mas, no Brasil, sabemos que o computador ainda não é um equipamento encontrado na maioria das residências. Na verdade, são poucos os brasileiros que têm acesso direto a um microcomputador quem dirá à rede. Felizmente, essa realidade muda aos poucos com escolas e empresas que estão se conectando e dando a seus funcionários ou alunos a oportunidade de navegar.

De qualquer maneira, a Internet não precisa de mais usuários conectados a computadores para continuar crescendo. A rede ganhou um grande aliado, que está cada vez mais presente no dia-a-dia até mesmo das classes brasileiras mais populares: o telefone celular.

Com a tecnologia WAP (Wireless Application Protocol), os celulares do mundo inteiro podem discar para o provedor e interagir de maneira semelhante à da rede no computador: mandando mensagens e acessando conteúdo. É claro que, à medida que os aparelhos portáteis vão evoluindo, novas tecnologias e interfaces já foram criadas e adaptadas.

A Internet não vai parar por aí. Além dos celulares, pagers, laptops, rádios de carros e a própria televisão estarão aptos a receber a Internet. Funcionarão de maneiras diferentes, mas com base num mesmo conceito-chave: a interatividade.

Além de agregar todas as tecnologias a que estamos acostumados a ver em filmes futuristas nas telas de cinema (como [pag.25] videofone, televisores, termômetros e muito mais), o celular e a TV serão os primeiros itens a sanar a desconfiança que o consumidor tem ao comprar na rede com seu cartão de crédito. Será simples: para comprar um produto em um portal de venda de livros e CDs, o consumidor irá apenas passar a tarja magnética de seu cartão em um pequeno compartimento do celular ou do controle remoto preparado para isso.[pag.26]




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