Mudança psíquica e crescimento emocional



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MUDANÇA PSÍQUICA E CRESCIMENTO EMOCIONAL
Rosane Muller Costa

Na natureza o dado primeiro é a observação de ciclos; a existência consiste em movimento e mudança. Sendo a transformação intrínseca aos seres viventes, as ciências que os estudam se debruçam na investigação desse grande enigma . No que se refere à mente humana, não é diferente, pois, mesmo que Freud não tenha dedicado um trabalho especificamente à noção de mudança psíquica, toda sua obra pode ser focalizada a partir desse ângulo, desde o seu mais precoce início. Com efeito, a invenção da Psicanálise decorre do esforço do seu criador para operar mudanças no interior do aparelho psíquico. Foi assim que, no tratamento das pacientes histéricas, Freud chegou à descoberta da realidade psíquica e da eficácia da sexualidade infantil atuante no adulto. Vislumbrar o infantil como determinante das manifestações psíquicas mais elementares da vida adulta, não só dos sintomas, inspirou a criação de conceitos como inconsciente, repressão e transferência entre outros que convergem nas grandes descobertas da Psicanálise. Ficou, então, aberto o caminho para a investigação do ponto de vista genético da metapsicologia. A presente comunicação visa a abordar esse ponto, mais especificamente, a evolução do narcisismo às relações de objeto na perspectiva de Freud, Ferenczi e Klein, focalizando a contribuição do objeto nesse percurso . Ilustraremos as idéias apresentadas com o conto de fadas A Bela e a Fera, que tão bem expressa a feição mágica das transformações e os ingredientes necessários para produzi-las.


Os estados mentais são dotados de grande mobilidade, mesmo no que concerne à passagem de um estado mais saudável para outro mais patológico como se vê no seguinte trecho de Freud (1907) : “... o limite entre o que se descreve como estado mental normal e como patológico é tão convencional e variável, que é provável que cada um de nós o transponha muitas vezes no decurso de um dia” ( pág 50). A esse fenômeno convencionou-se chamar de mudança psíquica e a sua investigação conduz à questão de como o aparelho mental realiza mudanças mais duradouras, de como evolui ao longo do tempo.
Em linhas gerais, a metapsicologia mostra uma tendência no sentido de uma crescente “complexificação” nas estruturas psíquicas, que acompanha as transformações na organização defensiva do sujeito em relação à sua vida pulsional (BLEICHMAR,1993) . O desenvolvimento do aparelho psíquico tende para formas superiores de organização, o que está associado, na concepção de autores diferentes, à noção de diferenciação ( Spitz e os organizadores da psique) , de vir a ser mais o que se é (Winnicott e o verdadeiro self) ou de desenvolvimento do senso de identidade (Mahler e o processo de separação-individuação).
Freud considerava o desenvolvimento emocional como uma decorrência do crescimento psíquico e este como um processo natural, que acontecia de acordo com os sucessivos rearranjos da relação pulsional com os objetos organizados em fases. Deve-se a Karl Abraham, segundo Roudinesco e Plon (1998), a introdução da idéia de que as atividades do sujeito são moldadas pelos próprios objetos, mais precisamente, pela maneira como o sujeito se constrói na relação com os objetos parciais vinculados às pulsões orais, anais e uretrais. Abraham também estava interessado em demonstrar como se articula a atividade de fantasia na criança, conforme os tipos de relações objetais alcançados, tema que foi extensamente desenvolvido por Klein, cujo trabalho incide no modo como se constrói e se modifica a fantasia inconsciente no contexto das relações de objeto. Para Klein, o crescimento psíquico decorre sempre do desenvolvimento emocional e, embora resultante de um processo natural, precisa ser alcançado pelo sujeito, haja visto as inúmeras forças que se opõem a ele desde os primórdios da existência.
Há registros de que o movimento psicanalítico da segunda metade do século XX em diante dedicou-se à reflexão sobre a maneira pela qual o sujeito humano constrói sua personalidade na relação com o meio social, sobretudo com o outro significativo, não qualquer outro, mas aquele cuja ligação é mediada pelos investimentos pulsionais do sujeito.

A Bela e a Fera
A noção de crescimento psíquico como uma transformação, em que a importância do objeto é, sobremaneira, evidente foi magnificamente retratada no conto A Bela e a Fera . Os contos de fadas, assim como os mitos e as lendas, transmitem uma verdade universal, impregnada de sentimentos atemporais e comuns a toda a humanidade. Conferem expressão de modo metafórico, tanto quanto os sonhos e os sintomas, a um saber do inconsciente passível de ser captado em seus múltiplos significados pela mente consciente, pré-consciente e inconsciente.
Como todas as manifestações do id, os contos de fadas têm um surgimento aparentemente espontâneo. Ninguém sabe de onde vieram, qual a sua origem ou as leis que regem ao seu aparecimento. Supõe-se que tais leis existam e possam ser formuladas, pois há semelhanças nos contos encontrados nas mais longínquas regiões do planeta (NISSENBAUN e LEVY, 1998). Os contos tiveram início como parte de uma tradição oral preservada por sucessivas gerações de contadores até que na França, na segunda metade do século XVII, Charles Perrault (1628 – 1703) entre outros escritores, contribuiu para sua divulgação como literatura, gênero bastante apreciado desde então. Em função desta característica – o anonimato da autoria do conto e a existência de um trabalho psíquico coletivo sobre este – é que não importa de quem é a versão relatada, pois todas são igualmente relevantes, desde a última da Disney encenada no teatro e levada para o cinema de animação até as primeiras e mais remotas.
O resumo de A Bela e a Fera apresentado a seguir foi baseado na narrativa de Marianne Mayer, cuja versão para o inglês, editada em 1978, baseia-se na escrita por Madame Leprince de Beaumont, de 1757, que por sua vez se remete à versão francesa original elaborada por Madame de Villeneuve em 1740. Segundo Bettelheim (1980), este é o relato mais popular do conto.
Era uma vez ... uma assustadora fera que vivia sozinha em seu castelo numa floresta distante. Um dia um homem bateu em sua porta tendo se perdido em meio a uma noite escura e tenebrosa. Fera o recebeu com a mesa posta e um quarto aquecido, porém como de hábito, nada quis com aquele visitante, até que quando já ia indo embora o homem arrancou uma das rosas do seu jardim. Furioso Fera apareceu e falou “Eu lhe dou comida e abrigo e você me agradece roubando. Prepare-se para morrer por sua ousadia”. O homem, então, contou sua história. Tinha sido um mercador rico, mas perdeu suas posses na tempestade que naufragou seus navios, tendo então que se mudar com a família para o campo. Tinha seis filhos, três mulheres e três homens, que passaram a sofrer com o trabalho duro , à exceção de Bela, das filhas a mais nova e a mais ligada a ele. Recentemente, teve a notícia de que um de seus navios retornou ao cais e fez essa viagem para ver se recuperava algo, mas em vão, nada tinha restado da rica carga de outrora. Essa rosa que ele colhera do seu jardim tinha sido um pedido de Bela a ele, o único que pode atender, já que o pedido das outras filhas tinha a ver com ricos presentes. Fera ouvindo isso teve uma idéia e disse: “se sua filha ama você o bastante para vir aqui em seu lugar, eu a tomarei em vez de você; mas se ela recusar você deverá voltar ao castelo para ser punido”. O mercador protestou, mas Fera determinou que deveria ser escolha da jovem. Desolado, o homem partiu levando também os tesouros que Fera lhe presenteara.
Chegando em casa contou o ocorrido e Bela, apreensiva, rumou para o castelo. Lá foi recebida pelo anfitrião que lhe comunicou as regras: “tudo aqui lhe pertence, mas você não poderá jamais deixar o castelo”. Dito e feito. Os dias foram se passando e ela encontrava tudo de que necessitava num passe de mágica, numa torre descobriu muitos livros e se entretinha lendo. Via Fera apenas no jantar, quando este lhe contava estórias de países e povos estrangeiros e, invariavelmente, antes de se retirar, perguntava se Bela queria casar com ele. Ela sempre recusava, mas com o tempo passou a esperar por esses encontros . Também passou a querer saber mais sobre Fera , que nada lhe contava de si mesmo . Ela, então, começou a ter sonhos nos quais via um jovem que dizia ter sido vão e orgulhoso até que tendo recusado comida a uma mendiga, esta, na verdade uma feiticeira, o condenou a vagar sozinho, encanto que só seria quebrado se alguém nele visse alguma beleza.
O tempo passou mais um pouco até que Bela foi novamente surpreendida pela descoberta de um espelho. Neste viu seu pai muito doente e seus familiares pranteando à sua volta. Bela aflita comunicou o ocorrido a Fera que confirmou que o espelho dizia a verdade, aí a jovem implorou para visitar o pai, ao que Fera relutante concordou desde que ela retornasse em três semanas. Em casa seu pai recuperou-se com a visão da filha, mas uma armadilha a aguardava. As irmãs invejosas da boa aparência da caçula a convenceram a ficar, certamente, Fera entenderia que o pai precisava mais dela do que ele. Assim, Bela não voltou ao castelo no tempo combinado e quando olhou novamente o espelho, foi Fera quem ela viu, dessa vez era ele quem estava desfalecido e parecendo muito doente. Ela, então, regressou apressada ao castelo e encontrando Fera como na visão do espelho não se conteve e disse “eu te amo Fera”. Nesse momento a aparência animalesca desapareceu e em seu lugar surgiu um príncipe, o palácio voltou a ter vida e uma grande festa foi realizada para celebrar o casamento de ambos. Eles, assim, viveram com amor e alegria para todo o sempre.
A essência do conto é a passagem de uma existência biológica para outra, humana, transformação efetuada mediante a presença do objeto no contexto de uma relação prenhe de significado. Essa travessia, que é o destino da cria humana, se opera sob uma lei que se funda na linguagem e no simbólico. Na ordem humanizante, existem trocas – os bens, a linguagem – e se estabelecem valores morais e éticos .
Barthes (1991) comenta o aspecto transformador do simbólico e seu caráter essencialmente humano, atentando para o fato de que Fera espera receber a palavra cujo efeito a livrará do encantamento . Diz ele : “... a Fera – que foi encontrada na sua feiúra – ama a Bela; a Bela, evidentemente, não ama a Fera, mas, no final, vencida (pouco importa por quê; digamos : pelas conversas que tem com a Fera), lhe diz a palavra mágica: “Eu te amo, Fera”; e imediatamente, através do rasgo suntuoso de um acorde de harpa, aparece um novo sujeito.” (p.102).
Muito cedo em seu trabalho, Freud descobriu o poder mutativo da palavra e dele fez nascer a psicoterapia, desde que o que transita entre os seus participantes é tão-somente o verbo. No artigo “Tratamento psíquico (ou mental)”, de 1905, ele afirma: “Agora, também, começamos a compreender a mágica das palavras. As palavras são o mais importante meio pelo qual um homem busca influenciar outro; as palavras são um bom método de produzir mudanças mentais na pessoa a quem são dirigidas! Nada mais existe de enigmático, portanto, na afirmativa de que a mágica das palavras pode eliminar os sintomas das doenças, e especialmente daquelas que se fundam em estados mentais” (p.306).
O conto evoca de forma mais imediata a mudança que acontece numa relação amorosa e, por alusão, aproxima-se da transformação presente no processo de crescimento e na que acontece por intermédio da Psicanálise. Ao longo desta exposição, abordaremos esses três tipos de mudança e os aspectos de intersecção destas . As personagens do conto, Bela, o pai e Fera, constituem uma tríade, o que é sugestivo da compreensão que a psicanálise tem do crescimento mental no que se refere à importância da triangulação edípica, porém até que se tenha chegado a esse ponto algumas transformações devem ocorrer.
Freud e o ponto de vista genético
A fera representa a cria humana em vias de humanizar-se, já que o homem em status nascendi nada tem de civilizado. Freud fez várias referências em seus textos à proximidade entre as crianças, os animais e os homens primitivos. Nos Três Ensaios ..., ele se refere à criança como “ o perverso polimorfo”, meio animal, meio homem primitivo, para falar da pulsão em seu estado original, entregue ao seu curso, dominada pela excitação sexual e pela urgência do prazer, pelo do sadismo, que, eventualmente, transborda no comportamento infantil. Assinala que a disposição para a perversão da pulsão sexual humana é um dado primário e universal .
Na infância encontramos a criança entregue ao prazer pulsional, mas isso, deve-se ressaltar, é bem diferente da perversão sexual, mais tarde, encontrada no adulto . No caso da criança, uma renúncia acontece, à medida que as repressões vão sendo construídas e a luta entre as forças que visam ao prazer de modo irrestrito cedem lugar àquelas que o limitam. Assim, a fera, o perverso polimorfo, é o tempo da infância, quando estão se formando as forças restritivas da pulsão. Nos Três Ensaios ..., Freud menciona a vergonha, a repugnância, a piedade e as concepções de normalidade, edificadas socialmente. O princípio da realidade instala-se muito lentamente, sendo os feros aspectos progressivamente empurrados para os domínios do inconsciente.
A infância é o tempo de estruturação do aparelho psíquico, exatamente porque o inconsciente não existe desde as origens do indivíduo, sendo produto de relações humanizantes. Em Freud, a origem do inconsciente define-se em relação à sexualidade infantil, que encontra o clímax no drama edípico, mas é inicialmente auto-erótica e pré-genital, ligada a um corpo fragmentado e a uma personalidade em formação. A pulsão em si só vai em busca da descarga, sendo que aquilo que se torna um obstáculo a essa descarga leva a mudanças nas defesas mentais, o que vai culminar nos processos fundantes da tópica psíquica. Acontece uma clivagem, o surgimento de uma ordem consciente e outra inconsciente pelo efeito do recalcamento, sendo que o infantil passa a ser a sexualidade reprimida, recalcada, que está na origem da estruturação do aparelho psíquico. O infantil em Freud, portanto, é o próprio inconsciente.
A fera como o infantil resultante do recalcamento é o animal que continua à espreita, uma condição situada na área do conflito psíquico. Sua aparência assustadora no conto remete ao surgimento da angústia diante de figuras que evocam o recalcado, uma menção de Freud no texto O Estranho (1919) quanto às representações figuradas da castração, à fantasia do duplo e o movimento do autômato encontrados nas histórias de ficção.
O animal lembra o desejo humano insatisfeito, que cobra realização, mas que permanece proibido. Foi, contudo, essa proibição que organizou a psique, lhe deu uma forma, uma direção e gerou a capacidade de produzir sentido. É a tensão entre o desejo e a sua interdição que funda o simbólico, sendo por amor ao objeto que a criança renuncia aos seus impulsos agressivos e sexuais imediatos.
Bela, como contrapartida da fera, é o tempo do narcisismo, representado pelo isolamento num castelo onde todos os desejos se tornam realidade, onde não há falta, o que dá ensejo ao sentimento de ter um poder ilimitado, corolário da onipotência de pensamentos . A ilusão de onipotência é necessária nos primórdios da existência e o narcisismo daí advindo é narcisismo de vida. Uma tal ilusão acontecendo num momento evolutivo de total passividade, depende de uma mãe – metaforizada também por Bela – que ali está para atender incondicionalmente o filho. Ela mantém a situação de isolamento, refletindo no seu rosto – esse espelho que só diz a verdade – os sentimentos e estados da criança, como sugere Winnicott (1975) . A função da mãe para Bion (1988) depende da rêverie materna, que é a capacidade de captar os estados infantis com sua própria mente, significá-los e devolvê-los à criança num contexto atenuado onde ela parece dizer: “o que você tem é isso, mas esteja tranquila”. Essa capacidade materna torna as experiências infantis dotadas de significado e, em conseqüência, toleráveis, constituindo uma comunicação extremamente poderosa, enquanto troca estabelecida muito antes que as palavras adquiram significado e sejam usadas como forma prioritária de expressão .
A cria humana, entretanto, para desenvolver sua personalidade precisa caminhar para além do narcisismo primário. Assim, o mundo onde tudo é concedido de imediato, num passe de mágica, torna-se monótono e vazio e Bela passa a esperar – este signo do desejo – os encontros com Fera. Chega um tempo em que self e objeto se separam. A mãe passa a existir para o bebê como um outro que se interpõe ao seu desejo, que frustra, não estando onde deveria, nem fazendo o que seria preciso e por isso desperta a ira da criança.
No escrito Sobre o narcisismo de !914, Freud afirma existir uma relação inversa entre a libido, que é dirigida a si mesmo - libido narcísica - e a libido objetal ou a libido dirigida a outrem : “a libido objetal é uma antítese da libido narcísica”, o que quer dizer que, quando a primeira está em alta como na paixão, a libido narcísica está em baixa. Se a libido narcísica predomina, como na megalomania, é o investimento no mundo dos objetos e das coisas que fica deficitário.
No conto, o principezinho recusa comida à mendiga e esta põe Narciso diante de outro espelho, onde ele descobre sua imperfeição, sua feiúra: a alteridade quebra a ilusão de onipotência, interrogando o sujeito e ele se dá conta da falta. Isso que falta toma a forma de ser o reconhecimento, a aprovação ou o amor do outro, o qual passa a ser aspirado com fervor como modo de recuperar o narcisismo perdido. Em estreita relação com esse aspecto, o indivíduo passa a desenvolver um modelo interno, como padrões de conduta e qualidades, ao qual busca se conformar. Esse modelo, uma mescla do narcisismo infantil perdido, dos ditames parentais e de seus representantes sociais, é a instância psíquica denominada ideal do ego, o qual determina que o amor-próprio seja pautado em qualidades que o indivíduo realisticamente possui e possam ser expressas em ações que acontecem no mundo compartilhado. Acentuando o aspecto em que o ideal do ego é imposto a partir de fora, no conto, a velha feiticeira decreta que o jovem permanecerá fera e, nesse caso, feio, até que alguém veja beleza nele. Essa passagem traduz a dependência que o amor a si tem do olhar do objeto e a idéia de que o narcisismo – no conto, a beleza – possa ser recuperado por este olhar.
O objeto amado, como Freud observou, é elevado às alturas da idealização, de maneira que a pessoa que ama é sempre humilde e não ser correspondido em seu amor provoca grande sofrimento. Já a ameaça de perder o amor do objeto é fonte, por excelência, da experiência de angústia (FREUD, 1926). O fato é que os investimentos objetais são sempre um risco para o sujeito, pois “o estar apaixonado consiste num fluir da libido do ego em direção ao objeto”, uma espécie de hemorragia. Ao investir os objetos, coisas e pessoas do mundo, o ego torna-se empobrecido em benefício desses investimentos e se enriquece mais uma vez a partir da satisfação que obtém de volta. O movimento incessante das relações com os objetos afeta muito particularmente a vida psíquica, tendo repercussões em campos onde sua influência não é evidente.
O vislumbre da importância do objeto para o sujeito pode remeter determinado tipo de pessoa a sentimentos dolorosos de humilhação e com isso impedir a libido de investir as representações dos objetos, paralisando trocas potencialmente significativas com o mundo. Essa condição, quando tornada crônica, revela o estado de adoecimento e tem relação com o sentimento de isolamento presente nos mais diversos tipos de patologia. A fera sozinha no seu castelo é a pessoa que sofre pela impossibilidade de se relacionar.
Ainda no texto Sobre o narcisismo, Freud faz uma diferenciação entre a escolha de objeto narcísica, quando amamos uma representação de nós mesmos reencontrada no objeto e o tipo anaclítico (ou de ligação) de escolha objetal, onde “o estar apaixonado ocorre em virtude da realização das condições infantis para amar” (p.118), assim, amamos pessoas que satisfazem nossa necessidade de proteção e cuidados e com isso, reproduzimos nossa ligação com os objetos primários. Pensamos, contudo, que essa diferenciação é arbitrária, pois o objeto eleito contém tanto aspectos do sujeito quanto dos primeiros objetos de amor. A questão que surge a essa altura é sobre a especificidade da pessoa que escolhemos como objeto de amor, a pessoa a quem destinamos a importante missão de dizer a palavra que nos transformará.
Algumas considerações sobre o objeto do desejo
Nasio (1997) tem idéias interessantes sobre o que em psicanálise se denomina desejo. Diz ele que o desejo pode ser compreendido como o estado de tensão próprio do funcionamento do aparelho psíquico, que se expressa para o sujeito como um estado de insatisfação perene. Essa insatisfação é associada ao objeto, pois a sua existência determina, por natureza, um estado de carência no sujeito, daí por que, ele é motivo de queixas e acusações, ao mesmo tempo em que é visualizado como tendo o poder de nos satisfazer e finalmente nos conduzir ao prazer absoluto que acreditamos existir. Ele é, portanto, aquele que garante uma insatisfação necessária para viver. Nas palavras de Barthes : “se queres saber onde se encontra o teu desejo basta proibi-lo um pouco”.
O objeto de amor dá um estatuto ao desejo, resultando ser um elemento organizador do mundo mental. O seu papel no seio do inconsciente é ocupar “...o buraco de (uma) insatisfação interior, como se a carência fosse finalmente um lugar vacante, sucessivamente ocupado pelos raros seres e coisas exteriores que consideramos insubstituíveis e cujo luto deveríamos realizar caso desaparecessem”(NASIO, 1997, p.36).
O desejo que se define em relação à falta pode ser assim formulado: desejo é “desejo do desejo do outro”. Isso quer dizer: desejo de ser amado, situação expressa no pedido que Fera, noite após noite, faz a Bela . O amor leva à presença em fantasia do(da) amado(a) no inconsciente. Amamos sempre um ser que é constituído pela pessoa real e viva do outro e pela sua presença fantasiada e inconsciente em nós mesmos. Das duas presenças, a real e a fantasiada, a segunda é mais importante como organizadora do mundo mental, se bem que é a existência viva do objeto que sustenta a fantasia inconsciente, que não se mantém quando este desaparece além de um certo tempo .
É difícil distinguir que força é essa emanada do corpo e do inconsciente daquele que elegemos como objeto de amor e que o torna único, diferente. A percepção dessa diferença é o primeiro sinal manifesto de uma relação objetal em curso e pode ser observado já aos 8 meses de idade na reação de angústia da criança diante de pessoas estranhas (SPITZ, 1987), angústia sempre associada ao medo de perder ou de ter perdido o objeto . Existe algo, definitivamente, inconsciente que permeia nossa ligação com este e que leva a marca do constitutivo.
A perspectiva de Ferenczi
As colocações de Nasio sobre a existência inconsciente do objeto no nosso mundo mental encontram ressonância no pensamento pioneiro de Ferenczi (1991), fecundo em reflexões sobre esse tema. Para ele, a noção de investimento no objeto corresponde à idéia de introjeção, pois “amar a outrem equivale a integrar esse outrem no seu próprio ego. (...) É essa união entre os objetos amados e nós mesmos, essa fusão desses objetos com o nosso ego, que designamos por introjeção e – repito-o – acho que o mecanismo dinâmico de todo amor objetal e de toda transferência para um objeto é uma extensão do ego, uma introjeção” (p.182). Dessa maneira, todo investimento objetal é de natureza narcísica, sendo o objeto incluído no eu a partir do deslocamento para ele de sensações, sentimentos e afetos do próprio sujeito. É sempre de acordo com uma lógica afetiva que a relação do sujeito com o objeto é construída e mantida.
Na concepção de Ferenczi, conforme a revisão efetuada por Mezan (2002), o movimento de inclusão dos objetos no eu acontece mediado pela sexualidade, a partir da ampliação dos interesses auto-eróticos do sujeito para incluir o mundo exterior, ocorrendo uma “objetalização do auto-erotismo primitivo”. Esse pensamento está de acordo com a teoria das pulsões expressa por Freud no texto de 1914 sobre o narcisismo, citada há pouco. Podemos deduzir também que a transferência erótica, freqüente nos processos analíticos, não faz mais do que reproduzir o percurso pelo qual o eu investe o mundo dos objetos, isto é, a sexualização da relação com o analista é parte natural do processo de investimento no mundo.
Ferenczi sustenta o argumento de que o estado inicial de indiferenciação é modificado muito lentamente, contando para isso o desprazer decorrente da percepção de que não basta a onipotência de pensamento para satisfazer as necessidades e desejos, ou seja, a frustração é o móvel por excelência da constituição do psiquismo e o trajeto em direção à tolerância da realidade deixa marcas profundas na vida mental.
Numa etapa precoce da existência mediante o choro, a criança traz o adulto para perto e este elimina a sensação de desconforto. Nesse momento, os movimentos do seu corpo parecem ter produzido a satisfação, por isso são vivenciados como “gestos mágicos”. As sensações agradáveis proporcionadas pelos cuidados maternos vão sendo introjetadas e constituem as etapas iniciais da introjeção do objeto. O movimento de cisão que vai fazer surgir um eu e um mundo externo acontece mediado pela frustração mais prolongada. Nesse momento a criança vê-se forçada a representar o exterior e o faz com as qualidades descobertas em si mesma; essa é a fase “animista” em que as coisas parecem dotadas de vontade, vida e poder.
Ferenczi acredita que nesse estágio a criança encontra seus órgãos e o funcionamento destes no mundo externo. Do auto-erotismo de onde parte, só se interessa pelo seu corpo e pela satisfação que pode obter do funcionamento pulsional relacionado com as atividades de excreção, sucção, alimentação, toque dos genitais . Com efeito, o que a atrai no mundo são as coisas que a fazem lembrar de suas experiências com esse corpo. Resulta que relações profundas se estabelecem entre o corpo humano e o mundo dos objetos, relações que têm a qualidade de ser simbólicas. O símbolo, portanto, aparece na etapa animista e como conseqüência do processo de introjeção dos objetos. Com a formação do símbolo, a criança é introduzida numa nova modalidade de existência .
Seguindo-se aos “gestos mágicos” , à medida que a criança adquire os rudimentos da linguagem, vem a etapa das “palavras e pensamentos mágicos”. Nesse período, a linguagem assume uma função evocativa, sendo esta a essência da magia: “fazer ser o que não é por meio da palavra”. Essa função da linguagem está presente na sessão analítica, onde a palavra mais parece evocar do que denominar as coisas. Esse enfoque torna a transferência diferente de um deslocamento de afetos e a concebe como uma atividade produtiva, na qual a linguagem transforma o analista nisso ou naquilo, segundo a fantasia predominante. Acrescentamos que a faculdade evocativa da palavra na análise é potencializada, haja visto um contexto onde os limites entre a fantasia e a realidade estão meio confusos, residindo nisso um dos móveis pelos quais as mudanças psíquicas se tornam efetivas para a dupla analítica. Essa abordagem do poder mutativo da análise a aproxima da hipnose e da sugestão, perigo já advertido por Freud, mas, muito além disso, tem algo de mais profundo nessa questão, pois a transferência, como Ferenczi observou, é um caso particular de introjeção, não só de projeção ou deslocamento, com o analista desempenhando um papel largamente inconsciente no mundo mental do analisando.
Analisanda de Ferenczi, Melanie Klein absorveu muito de suas idéias tendo construído um sistema teórico no qual centra suas concepções sobre a mudança psíquica na evolução da relação de objeto.
A perspectiva de Melanie Klein
Klein assinala que a relação que a criança estabelece com um outro significativo e a fantasia inconsciente que perpassa essa relação constituem as unidades organizadoras da vida psíquica. Tais relações são iniciadas muito cedo pelos processos de projeção e introjeção ligados às emoções e angústias . Em virtude do estado de não-integração mental de onde começa, a criança vai se relacionar com partes do objeto sendo seus impulsos e ansiedades cindidos e absolutos. A criança verá a mãe, ou mais precisamente, o seio materno, como um objeto inteiramente mau e perseguidor, se estiver imersa em raiva e frustração e, ao contrário, a sentirá como um objeto extremamente bom, caso seu humor seja de contentamento. Não existe ausência ou terceiros, além da díade mãe-criança nesse primeiro vínculo.
A relação diádica original caracteriza-se por uma ligação em que o objeto é visado apenas como possibilidade de satisfazer necessidades e desejos. Esse é o chamado objeto parcial, alvo das identificações-projetivas do sujeito. Tal como esclarece Joseph (1992): “Nas suas formas iniciais a identificação-projetiva não tem consideração pelo objeto e, na verdade, freqüentemente ela é anti-consideração, quando se destina a dominar, independentemente do custo para o objeto.”(p. 174). Voltando ao conto, Fera torna o pai e depois Bela cativos da sua vontade. Bela pode compartilhar do seu poder desde que submeta sua liberdade a ele.
Comentando esse aspecto das relações objetais na posição esquizo-paranóide , a tirania, Kristeva (2002) a encontra como parte da relação com o objeto idealizado. Assinala que a idealização depende mais da angústia persecutória do que da capacidade de amar e decorre de uma fantasia inata referente à existência de um objeto cuja bondade seria total e ilimitada, um objeto que tudo satisfaria. Esse objeto, o seio idealizado, é fundamental como esteio do crescimento mental, pois sem ele a criança ficaria entregue ao inferno do ódio e da perseguição. Se por um lado, entretanto, ele mitiga as angústias persecutórias, por outro ele é, igualmente, um objeto perseguidor, pois, sendo a criança imperativa nesse momento, seu objeto idealizado também refletirá esse aspecto de si mesma , o controle e a dominação.
Klein, citada por Kristeva, diz que “O seio ideal é o complemento do seio devorador”; mas “as crianças dotadas de uma forte capacidade de amor” sentem menos a necessidade de uma idealização excessiva, a qual “indica que a perseguição constitui a principal força pulsional” (p.123). Indagamo-nos até que ponto a circunstância em que o estado amoroso é visado com a força de uma compulsão não estaria melhor revelando uma organização mental dominada pela hostilidade e pela perseguição mais do que uma psicologia verdadeiramente amorosa, já que este, o estado amoroso, pode amenizar os males da alma ao menos por certo tempo.
A crescente integração do psiquismo na criança com o crescimento vai capacitando-a a perceber que o objeto que frustra e o que satisfaz são uma só e mesma pessoa. Assim ela chega a compreender que o seu objeto de amor é também objeto de ódio. O passo seguinte no desenvolvimento consiste na instalação da posição depressiva e depende da possibilidade do amor que o sujeito sente pelo objeto sobreviver ao seu ódio, passo que só poderá ser dado se a criança for capaz de tolerar frustração . Se isso acontecer, um objeto interno bom poderá ser estabelecido, emanando dele o sentimento de segurança interior e o gosto pela vida. Resulta dessa mudança uma nova maneira de ser e relacionar-se com o mundo e com as pessoas, a ampliação para relações triangulares e a emergência da constelação edípica.
A Fera, que tiranizou o pai por haver se sentido atacado no episódio da rosa, com as conversas que tem com Bela e com o tempo, modifica-se ao ponto de expressar consideração, permitindo que a jovem se afaste para visitar o pai mesmo arriscando-se a perdê-la. Depois, quando acredita que ela não vai voltar, Fera, contradizendo a postura violenta e ameaçadora do princípio da narração, fica muito triste, pensa que a perdeu definitivamente e com isso perde a motivação para viver.
Os impulsos agressivos dirigidos ao objeto de amor dão origem a sentimentos de culpa, os quais são a base do medo de perder a pessoa amada, mas também dos sentimentos de consideração por esta. A partir daí, a consciência da separação entre o self e o objeto é firmemente estabelecida e o sujeito torna-se capaz de enfrentar o doloroso fato de que o objeto mantém relações com outros objetos das quais ele está excluído. O medo de perder o amor intensifica-o, mas também faz com que o sujeito se afaste até certo ponto da pessoa amada, uma fuga parcial, já que ele tentará reencontrá-la em cada nova pessoa, projeto ou atividade que realizar. Uma tal disposição torna possível o alargamento do espaço psíquico, a simbolização dos conflitos e a mitigação das angústias.
A teoria de Klein (1937) sobre o simbolismo diz que “a criança introjeta e simboliza o corpo da mãe e essa mãe internalizada é deslocada para o mundo externo (...). Através de um processo gradual, tudo aquilo que parece emanar bondade e beleza e que provoca prazer e satisfação num sentido físico ou mais amplo, pode tomar o lugar desse seio generoso ou da mãe total na mente inconsciente”(p.347) . Isso faz com que todo objeto de amor do presente ocupe na mente inconsciente o lugar do primeiro objeto, sendo com ele resgatada a relação dual de colorido esquizo-paranóides.
Se para Ferenczi a criança redescobre o seu corpo no mundo externo que passa a representá-lo , para Klein é o objeto que é buscado e reencontrado por meio do símbolo e um registro primitivo de prazer é atualizado sempre que uma nova relação é capaz de evocar a primeira . O modelo de relação triangular, próprio da posição depressiva, só se sustenta sob essa fundação, a capacidade da mente para cindir, excluir terceiros e fusionar-se de maneira a que na Bela possa haver algo de Fera e vice-versa.
A relação da criança com as pessoas da sua infância interfere na escolha objetal da vida adulta, já o disse Klein. O objeto eleito retira sua força de atração de impressões arcaicas tendo sido o desejo articulado num tempo muito antigo. Apesar disso, os novos relacionamentos não são meras repetições, contêm elementos das circunstâncias atuais e da personalidade das pessoas em questão. É assim ainda no caso da transferência (KLEIN, 1952), em que está em pauta a projeção na pessoa do analista de sentimentos, objetos internalizados e situações vivenciadas . A transferência, mesmo atravessada por fantasias, contém elementos da experiência real com o analista, uma vez que o desejo é despertado e mantido pela narração em processo da dupla e não por algo, unicamente, pré concebido. Essa talvez seja a magia da linguagem de que as teorias suspeitem, havendo algo de indizível na comunicação de dois sujeitos, algo na linha do sexual que perpassa sempre que dois se põem a falar.
O casamento de Bela e Fera, a própria transformação, expressa a tendência à integração do psiquismo para onde caminha o crescimento mental e emocional, se as pulsões de vida vencerem as pulsões de morte, se houver uma conciliação entre o amor e o ódio; as partes boas e más do self; o id, o ego e o superego. Poder-se-ia pensar que uma pessoa que atingisse esse ponto viveria, definitivamente, com amor e alegria, mas não é assim. Há um trabalho psíquico eternamente em curso, porque a realidade, mais cedo ou mais tarde, vai impor-se ao desejo, havendo sempre o recurso da regressão às cisões até que o perseguidor e o ideal possam ser novamente conciliados para formar o bom. Nisso, a sombra do objeto pode ser edificante a partir de uma construção, onde contam tanto as potencialidades do sujeito quanto as do objeto.

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Fortaleza, 22 de julho de 2004



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