Neste ensaio nos propormos a relatar a experiência de organização, planejamento e participação na oficina “Memória e Cidadania Cultural”, oferecida pelo projeto de ação continua Abrigos da Memória na Região de Brasília



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MEMÓRIAS DE ANGOLA: TRÂNSITOS IDENTITÁRIOS EM PROCESSOS NARRATIVOS

Nancy Alessio Magalhães

Professora/pesquisadora-NECOIM/CEAM e PPGHIS/UnB

e-mail necoim2@gmail.com

Dayane Augusta dos Santos Silva

Estagiária-NECOIM/CEAM/UnB

e-mail dayaneaug@gmail.com

Edymara Diniz Costa

Bolsista-NECOIM/CEAM/UnB

e-mail dymaradiniz@gmail.com

Entre as ações realizadas no projeto de pesquisa e extensão “Abrigos da memória na região de Brasília” interpretamos impactos de processos histórico-culturais nesta cidade, na (re) criação de identidades de trabalhadores (as), entre elas costureiras ambulantes, moradores Kalunga, de Cavalcante-Go, assim como de estudantes angolanos na Universidade de Brasília - UnB. Utilizamos os recursos da história oral e da fotografia para registrar e ampliar relações sociais nos processos de construção da memória e poderes, que emergem a partir das interações que são construídas entre nós e os/as entrevistados/as. Através do diálogo entre essas oralidades/fotos, podemos criar outras versões da história, movimentando identidades, negociando interesses e projetos de (re) apropriação de tempos e espaços.

Neste artigo nos propomos a interpretar experiências envolvidas no planejamento, na organização e participação na oficina “Memória e Cidadania Cultural” na VIII Semana de Extensão1, pela equipe desse projeto de pesquisa, também apoiado pelo Decanato de Extensão – UnB, oficina com a qual procuramos promover interação entre produção de conhecimento e conquista da cidadania, na ampliação de percepções e concepções acerca de diversas culturas, por meio da oralidade e da expressão corporal.

Além da equipe desse projeto, essa atividade dessa semana de extensão contou com a presença de oito alunos de graduação e pós-graduação da UnB e 11 jovens remanescentes quilombolas, moradores da comunidade Kalunga no município de Cavalcante Goiás2. Presença está que foi crucial nos diálogos entabulados no transcorrer desta já referida.

Realizar esta oficina foi uma oportunidade para cotejarmos materiais constituídos e constituintes de experiências, memórias e imaginários de estudantes angolanos/as e de trabalhadores/as em Brasília, já registrados/as nesse projeto, em áudio-visuais e por escrito. Durante o período de planejamento, realizamos reuniões com o objetivo de debater e selecionar entre esses registros, aqueles que potencialmente pudessem viabilizar processos de elaboração narrativa e composição dramática pelos participantes dessa oficina em geral. Essas narrativas seriam e são por nós encaradas como instrumento de sensibilização desses participantes, a partir de leitura de textos e relatos de vida, de análise de imagens e de cenas de ação nesses materiais gerados nesse projeto.

Neste sentido, discutimos também a eventual possibilidade de registro de atividades nessa oficina, através de áudio-visuais. Deste modo, as dramatizações encenadas na parte final da mesma foram gravadas com câmera e máquina digitais, condicionadas à cessão de direitos pelos que as apresentaram.3

O aquecimento corporal, a sensibilização, a composição dramática de cenas foi todo um processo pensado na perspectiva de se estar percebendo como a memória seria acionada, na medida em que houvesse identificação ou não com o material trabalhado.

Então, como uma dessas atividades iniciais, propôs-se um aquecimento através de jogos de improvisação. Caminhando pelo espaço de uma sala (destinada para aulas práticas no Departamento de Artes Cênicas/UnB), cada participante se apresentou ao outro dizendo o seu nome, de onde vinha e o que fazia. Em seguida, e em círculo, cada um cantou seu nome para os demais, como mais uma alternativa de se identificar e reconhecer o outro.

Em seguida, foi realizado um exercício com bastões, com o objetivo de trabalhar o foco, a atenção e a corporeidade desses participantes. Este mesmo recurso permitiu que fizéssemos associações como: bastão/coluna vertebral/e mastro. Com a intenção de dividi-los em grupos, conjuntos de participantes acompanharam alguém que se oferecesse para ser representante de um determinado grupo, que seguia dançando ao som musical de uma Folia de Reis e levantava um dos mastros, como se fosse uma bandeira, até encontrar um lugar apropriado para o início dos trabalhos com as narrativas a eles propostas por nossa equipe.

Foi pensando num movimento de memórias, enquanto instrumento do cotidiano, que viabiliza espaços e acepções históricas de relações sociais, que selecionamos aqueles relatos orais já transcritos; assim, cinco foram escolhidos, com temáticas diferenciadas, tanto uma entrevista recente com costureira ambulante, como os roteirizados anteriormente na exposição “Memórias: estudantes angolanos na UnB” (VI Semana de Extensão/UnB, 2006), e os que fazem parte do livro “Memórias e direitos: abrigos e moradas em Brasília” ( MAGALHÃES e SINOTI, 2001).

Pensando na socialização e na apresentação de contextos dessas dramatizações, dividimos os participantes em grupos, de maneira que eles pudessem relacionar as narrativas propostas com as diferentes concepções que os mesmos têm ao conceber os outros, num movimento contínuo de alteridades. O que nos levou a perceber que “... um dos elementos mais essenciais para a consolidação da identidade é justamente o jogo dialético entre semelhança e diferença” (BRANDÃO, 1986, p. 32 apud MAGALHÃES e LITWINCZIK, 2000, p. 17), jogo este que muitas vezes pode subtender um diálogo, em que há conflitos em negociação.

A apresentação dessas dramatizações fez parte de situações imprevistas, do acaso, que nos trouxe outras possibilidades para (re) pensar memórias, identidades e o conjunto de lutas por direitos que são travadas no cotidiano, como conteúdos de um diálogo entre saberes daqueles que pensam diferentes espaços, tempos e lugares.

Cada narrativa nos trouxe uma reflexão mais acurada sobre a ação e importância da memória. Nessas apresentações, a memória de cada um pode garantir uma capacidade de projeção para pensar semelhanças, diferenças, sonhos, como dimensões de identidades múltiplas em constante elaboração e destacadas por diversos sujeitos, na (re) criação de diferentes projetos.

Em nossa proposta de pesquisa e extensão, a linguagem corporal é encarada como modo de expressar e (re) criar um outro mundo, configurando um outro sentido para a história. Esse processo depende da criação de um movimento intenso entre o eu e o outro, em que situações de similaridade e diferença abrem espaços para o retorno e a troca de saberes e conhecimentos, num movimento contínuo de transformação e afirmações de identidades.

Nesse trabalho, tivemos a oportunidade de perceber o movimento de identidades entre as memórias destes participantes, e as de estudantes angolanos, registradas em relatos e fotografias. Em suas práticas cotidianas, presentificam ausências pela rememoração (MATOS, 2001) ao serem estimulados (as) por diálogos conosco, e com demais participantes neste trabalho, que também é de pesquisa.4

Nesse vir-a-ser interativo, temos considerado, assim como os demais, também os estudantes de Angola como narradores-pensadores (MAGALHÃES, 2001/2002), que em suas experiências relacionais com lugares, personagens e temas (POLLAK, 1989, p.10-11) criam concepções e imagens, que incluem temporalidades e espaços plurais, os quais podem ultrapassar os de sua terra natal (MAGALHÃES, 2008).

Dois grupos dramatizaram dois temas da narrativa de Alexandra Aparício, entrevistada em 2004 (MAGALHÃES, op.cit.), evocando e nos trazendo ao presente toda uma trama histórica de relações que não só acontecem em Angola, mas que no seu tecido sugere fortes ligações culturais com a sociedade brasileira. Em seu relato, Alexandra diz:

Tem, tem muitas feiras em Angola, existe inclusive a maior feira da África, que é chamada Roque Santeiro e que tem esse nome devido à novela brasileira, que fez um sucesso enorme. É uma feira que se vende tudo e quando é tudo, é tudo literalmente, quer comprar, quer comprar carne, roupa, comida, casa quer fazer uma tocaia, quer mandar matar alguém, mandar dar uma surra, aquela feira tem tudo. Eu não vou a Roque Santeiro há muitos anos. Existem várias outras feiras, há feirinhas pequeninas, elas vendem comida porque na tradição africana, de comida, vende-se na feira aos montinhos do tomate, da cebola, de não sei o que, acho que existe em todos os países africanos.

A história da África nos conta: feira era um encontro de pessoas onde trocavam as novidades de regiões diferentes, trocar suas mercadorias, trocar, trocar sal por peixe, gado por verdura, os panos para vestir, saber notícias de uma terra da outra, foram o ponto de encontro e talvez aí minha fascinação pelas feiras, porque nós na feiras sabemos de tudo...



Por meio da linguagem cênica, ao percebermos a composição dramática dessa temática acima acentuada, falas e gestos nos surpreenderam na criação artística e na dinâmica própria da apresentação do grupo que com ela se envolveu. Houve uma instauração de espaços e temporalidades diferenciadas, conforme a memória seletiva de cada participante, que recuperou os movimentos da feira em diferentes situações, em encontros e trocas.

Foi uma entre as dramatizações em que se pensou na (re) organização de modos específicos de se viver e se relacionar em Angola, com certa iniciativa, autonomia e criatividade, frente ao que entendemos em geral por cotidiano da feira na sociedade brasileira, (re) interpretando-o, pela encenação de correspondências inclusive com situações de violência (Foto 1).

Em outras passagens dos testemunhos de Alexandra Aparício, resistências passadas silenciosas são trazidas para o atual pela narrativa, que desperta cenas decisivas, relampejantes de experiências que carecem de ser comunicadas, que fazem parte também da história da humanidade, entretecendo espaços e lugares. É a figura da avó, que parece aspirar por imortalidade, pelo legado em aberto do que ela tem ainda a transmitir no presente. Ela, e sua atitude instituinte de desejo de autonomia e independência (“ninguém sabia quando ia aparecer”), estariam fadadas a desaparecer, se palavras e fotografia não cartografassem experiências, a partir de um tempo ausente, tornado presente pela linguagem.

Eu nasci em Angola a 22 de maio de 1965. Quando eu era criança, como Angola era uma colônia de Portugal e Portugal não era um estado laico, além do fascismo, a religião era a católica, então no colégio nós tínhamos que rezar. Foi no colégio particular que eu fiz a primeira comunhão, crisma e tudo isso. Tem coisas que eu não lembro muito. As minhas duas avós já faleceram. A mãe do meu pai aparecia de vez em quando e era uma figura tradicional de Luanda e era ao que se chamava, era conhecida como Bessangana, da etnia Quimbundo, hoje são identificadas como senhoras de idade, 70, 80 anos, acho que originárias da ilha de Luanda. Vestia à maneira tradicional, com panos, não usava roupas européias e eu nunca soube muito bem que é que ela fazia, ela andava pela cidade inteira, ia aos funerais. Hoje depois de adulta, eu soube que ela era uma espécie de, como diria, mãe-de-santo talvez, que ela era chefe dos Calundus e Calundus são espíritos, nem sei qual era o Calundu dela e então ela tinha que andar nos funerais das pessoas que eram do mesmo Calundu e então ela tinha que fazer cerimônia, algumas meio públicas e outras já fechadas. Como eu não estava lá, minha irmã mais nova me contou que pôde assistir a determinados rituais, quando ela fazia, outros ela não pôde assistir. Por exemplo, minha irmã contou que o caixão não pode entrar de qualquer forma dentro da igreja, tem que ser numa determinada posição, são entoados uma série de cânticos, de rituais, as companheiras dela faziam alguns passos de dança e cantavam certas músicas e isso foi o que minha irmã contou ( Alexandra Aparício, 2004).

O grupo que se concentrou nesta temática, optou por uma encenação de um funeral, tornando próxima a figura do avô, no caso de Evaleison, movimentando uma narrativa dramatizada com cântico religioso que evocava a importância ancestral desse personagem, ao mesmo tempo, por semelhança e descontinuidade com a avó de Alexandra, pois os rituais não são os mesmos (Foto 2),

Foto 4

Foto 3 .

No momento da discussão final de todas as dramatizações, foi apresentada a foto da avó Madalena, de outra mulher angolana negra e de Alexandra, sem declarar os nomes destas duas últimas. De imediato, a foto da avó foi identificada pela maioria com a mulher negra e não com a de Alexandra, o que sugere uma atitude cristalizada de identificação de nativos na África com a cor da pele negra, questão também abordada pela mesma Alexandra em sua entrevista a nós concedida, à qual os participantes só tiveram acesso neste momento dessa oficina (Fotos 3 e 4).

É pertinente acentuar que nem sempre ocorreu identificação por proximidade e semelhança. Houve uma situação em que o relato por nós proposto para dramatização provocou desconforto e expressões de olhares e perspectivas preconcebidas, formatadas por lugares comuns naturalizados, por rejeição e/ou não aceitação para si e para seu grupo de referência das experiências narradas, como foi o caso das de Dona Fátima, costureira ambulante, também por nós entrevistada, em 2008. Neste caso, o grupo assumiu a mesma postura daquele homem, que no relato da mesma Dona Fátima, imagina que ela estaria passando fome e, por isso, estaria recolhendo comida do lixo para ela e seus filhos.
Diz ela:

Então, a gente é, ganhou lote, quando chega, pegam aquela multidão de barracos, madeira, pau, essas coisa assim. Nós tinha tanto porco aqui! Teve um dia que eu fui, peguei um carrinho de mão, aí fui né? E foi engraçado. Eu peguei aquelas sete criancinhas, sete não, seis (sete foi a da outra mulher) seis crianças, tudo pequenininha, aí pegamos o carrinho, atravessamos a pista e fomo lá pro restaurante, né? Aí tô lá, né? Abrindo os sacos, tirando, tirando comida e botando dentro do carrinho. Aí chega um homem, aí meteu a mão no bolso, aí tirou o dinheiro e me entregou. Aí eu disse assim “Ué, porque que você tá me dando esse dinheiro?”. “Porque você tá juntando esse lixo aqui, olha esse tanto de criança, esse lixo é pras criança?”, eu digo “Não senhor”, digo “Não é não, esse lixo é pros meus porcos.”

Porque eu tinha porco e muita galinha para criar.

A dramatização, por um outro grupo, do relato de Dona Antônia, barbeira entrevistada na Vila Planalto, em 1993 (MAGALHÃES, 2005, p.41-43) ocorreu da seguinte maneira: Fabrício foi fazer a barba, mas quando se deparou com uma barbeira ele se recusou a ser atendido por ela, alegando que isso não era trabalho para mulher. Ele então diz que se não achasse um barbeiro homem, talvez voltasse lá. Porém, ele muda de idéia depois de se encontrar com um amigo seu, na rua, que diz a ele que ela é a melhor barbeira da cidade. Aí, ele retorna à barbearia para se desculpar com ela e fazer a sua barba.

Em todas essas situações, sempre há uma questão de diálogo, de negociação de conflitos, de um auto-convencimento, que é um processo que não se prevê. Por mais que a gente tenha planejado o que seria essa oficina, para que seus participantes pudessem perceber a nossa proposta de trabalho, alguma coisa sairia além do que nós esperávamos.

Tal experiência implica, então, num exercício que faz mudar o nosso ponto de vista e, com isso, construir uma outra visão da nossa sociedade e dos sujeitos que a constituem num "movimento que nos leva para fora do nosso próprio mundo, mas que acaba por nos trazer mais para dentro dele", de modo mais profundo, modificados por essa própria experiência de interpretação. ( DA MATTA, 1987, p.153, apud MAGALHÃES e LITWINCZIK, 2000, p.21).

Porque um de nossos princípios metodológicos é de que temos que admitir, na prática, que o imprevisível faz parte da vida. O que torna qualquer processo de trabalho mais difícil porque mais complexo, quando as escolhas, em negociação, também são internas e externas a cada um dos outros, além de serem nossas. Poderíamos ter usado com esses participantes um roteiro prévio, no caso, com algumas noções e conceitos de identidade, tais como os de HALL (1998) e os do livro de SILVA (2000), que teria que ser seguido e/ou recheado com as experiências dos diferentes grupos nessa oficina. Não foi esta nossa opção. Essas noções e conceitos foram pontos de chegada, em aberto, daqueles que se experimentaram nas atividades dessa oficina, e não somente pontos de partida da equipe desse projeto.

Ainda que quiséssemos obter um produto final deste trabalho, realizado com moradores Kalunga, estudantes graduandos e pós-graduandos da UnB, nós não conseguiríamos. O relato se move numa dinâmica ilimitada. Benjamin afirma que há legados da grande tradição narrativa a qual

“... não se entrega. Ela conserva suas forças e depois de muito tempo ainda é capaz de se desenvolver... Ela se assemelha a essas sementes de trigo que durante milhares de anos ficaram fechadas hermeticamente nas câmeras das pirâmides e que conservam até hoje suas forças germinativas.” (1987, p. 204).

Assim podemos perceber uma constante (re) construção de experiências comunicáveis, entre tradição e modernidade. Daí a razão do não limitado, do não acabado.

As tradições permanecem quando elas se modificam. Porque quando as pessoas querem impor algo cristalizado, mesmo assim as outras gerações não vão experimentá-las do mesmo modo necessariamente. É desse diálogo de confronto e de consenso que saem essas escolhas e negociações (BHABHA, 1998, p.20). Durante o planejamento dessa oficina, no seu desenrolar, o tempo todo se fez isso, mesmo que não se tivesse percebido. Foi matéria de decisão e de entendimento entre partes, nessa oficina, como em qualquer outra atividade na vida: participar ou não da mesma; a quem se ia jogar o bastão; alternativas de encenar um tema, e compor um personagem, entre outras.

No debate final, à pergunta lançada em geral “Vocês acham que só existe uma identidade dos Kalunga?”, Elias responde: “ Não, porque existem diversas. Porque identidade quer dizer uma e identidades são mais. Então, na cultura lá, a gente não segue uma coisa só, a gente segue os dois lados ”.

Oralidades e visualidades, então, puderam ser transformadas pela experiência e interpretação de quem dramatizou as narrativas propostas. A imagem e a oralidade não foram simulacros sem vida, instituíram significados que puderam ser reconstruídos em seus excessos de significação, deixaram um legado em aberto. Algo sempre restará para ser interpretado no futuro, como nos lembra Benjamin. (MAGALHÃES, MATSUMOTO e NUNES, 2004, p. 93).

Um movimento que nos leva a repensar o que o diferente nos provoca: “que vocês aprendam um pouquinho da gente e a gente um pouquinho de vocês, esse foi o nosso interesse e a nossa escolha”. (Dalila Reis Martins, moradora Kalunga, 2008).

Notas


1 Fizeram parte da equipe desta oficina, em 2008, sob a coordenação da professora Nancy Alessio Magalhães: como colaboradoras, as professoras Cecília de Almeida Borges e Roberta Kumasaka Matsumoto; como monitoras as bolsistas de extensão, Mariana Souza Silva; Dayane Augusta dos Santos Silva e Edymara Diniz Costa; como apoio técnico na gravação com câmera digital, Luana Mechica Miguel Bellino.

2 Em geral, a comunidade remanescente quilombola Kalunga se localiza nos municípios de Cavalcante, Teresina e Monte Alegre, em Goiás. No caso dos participantes dessa oficina, esses 11 jovens são moradores do povoado Engenho 2, em Cavalcante, cerca de 330 km de Brasília e 600 km de Goiânia. Seu deslocamento foi viabilizado pelo Decanato de Extensão da Universidade de Brasília.

3 As fotos nºs 1, 2 e 5 foram registradas por Edymara Diniz Costa, durante a realização da oficina de extensão em 2008, na UnB. A foto nº3 foi cedida por Alexandra Aparício, de seu acervo particular (s/data, de autoria desconhecida). A foto nº4, de Alexandra Aparício, foi registrada por Nancy Alessio Magalhães, na UnB, em 2005.


4 Até o momento, participaram desta pesquisa os alunos de graduação da UnB: Ester de Souza Oliveira (2006-2007); Israel Lucas de Carvalho(2006); Mariana Souza Silva (em 2008); Dayane Augusta dos Santos Silva e Edymara Diniz Costa (ambas em 2008-2009), como bolsistas de extensão (DEX). Como bolsista de iniciação científica voluntária-PIBIC, Cândida Carolina de Andrade e Silva (08/2004 a 06/2005). Os materiais aqui tratados fizeram parte de uma exposição fotográfica, com outros também resultantes dessa pesquisa, na UnB, em 2006/2007, intitulada “Memórias: estudantes angolanos (as) na Universidade de Brasília”, difundida na VI Semana de Extensão/UnB. No acervo do NECOIM_CEAM/UnB, estão arquivados termos de cessão de direitos, assinados por escrito, por cada um(a) desses(as) entrevistados(as), autorizando a Nancy Alessio Magalhães, nominalmente, como pesquisadora, para usar suas falas e imagens (inclusive fotografias) dos(as) mesmos(as), em publicações, com seus nomes próprios.

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BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Identidade e etnia. Construção da pessoa e resistência cultural. São Paulo: Brasiliense, 1986.

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