Nick vujicic inspiraçÃo para uma vida absurdamente boa



Baixar 0.67 Mb.
Página1/17
Encontro03.03.2018
Tamanho0.67 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   17

NICK VUJICIC
INSPIRAÇÃO PARA UMA VIDA ABSURDAMENTE BOA


UMA

VIDA SEM

LIMITES

EDITORA

Novo Conceito


Nick Vujicic

Uma vida sem limites

Inspiração para uma vida absurdamente boa

Tradução

Renato Marques de Oliveira

Editora Novo Conceito

Deus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo
Eu gostaria também de dedicar este livro à família Torth, em San Diego, Califórnia, pois jamais me esquecerei do alicerce de fé que Phil assentou na minha vida. Sua chama contagiante de evangelismo marcou o início da minha própria chama.
Introdução

Meu nome é Nick Vujicic (pronuncia-se Vuichich). Tenho 27 anos de idade. Nasci sem os braços e sem as pernas, não deixo que a minha condição me imponha limites. Viajo pelo mundo incentivando as pessoas a superarem suas adversidades por meio da fé, da esperança, do amor e da coragem, para que, assim, possam batalhar por seus sonhyos. Neste livro, compartilharei com voce as minhas experiências em uma luta com dificuldades e adversidades, algumas delas exclusivas da minha condição, mas, em sua maioria, obstáculos universais e comuns a todos nós. Meu objetivo é encorajá-lo a encarar os seus próprios problemas e dissabores, de modo que poissa encontrar o sentido da sua própria existência e o caminha para uma vida absurdamente boa.

Muitas vezes achamos que a vida é injusta. O sofrimento e as circunstâncias adversas podem suscitar a dúvida e o desespero. Disso eu entendo muito bem. Mas a Bíblia diz: “Meus irmãos, considerai uma grande alegria quando tiverdes de passar por provações”. É uma lição que levei anos para aprender. No fim das contas, entendi, e, por meio das minhas experiências, posso ajudá-lo a enxergar que a maior parte das provações que temos de enfrentar nos propicia oportunidades para que descubramos que estamos destinados a ser e como podemos usar nossos dons para ajudar outras pessoas.

Meus pais são cristãos devotos, mas depois que nasci sem os braços e sem as pernas se perguntaram o que Deus tinha em mente ao me criar. No começo, eles achavam que não podia haver esperança e futuro para alguém como eu, e que jamais levaria uma vida normal ou produtiva.

Hoje, porém, a minha vida é muito mais do que poderia ter imaginado. Todos os dias converso com desconhecidos, via telefone, e-mail, mensagens de texto e Twitter. As pessoas abordam-me em aeroportos, hotéis e restaurantes, abraçam-me e dizem que, de alguma maneira, toquei a vida delas. Sou verdadeiramente abençoado. E absolutamente feliz.

O que nem a minha família enm eu podíamos ter antevisto era que a minha deficiência, o meu “fardo”, podia também ser uma benção, propiciando-me oportunidades únicas de me relacionar com as pessoas, chegar ao seu coração, solidarizar-me com elas, entender sua dor e oferecer-lhes alívio e conforto. Sim, de fato tenho necessidades especiais, mas também sou abençoado por ter uma família amorosa, uma mente perspicaz e uma fé profunda e tolerante. Aqui e ao longo do livro serei sincero a ponto de confidenciar a minha fé e o meu senso de propósito na vida só se fortaleceram depois que enfrentei alguns períodos bastante assustadores.

Na adolescência, quando cheguei àquela época em que todos temos dúvidas acerca de nós mesmos e sobre qual é o nosso lugar no mundo, a minha sitação me deixou desesperado, porque senti que nunca seria normal. Não havia como esconder o fato de que meu corpo não era como o dos meus colegas de classe. Por mais que tentasse fazer as atividades normais, coisas como nadar e andar de skate, isso só aumentava a minha consciência de que simplesmente existiam coisas que jamais conseguiria fazer.

Também não ajudou em nada o fato de que algumas crianças cruéis me chamavam de “aberração” e “alienígena”. Obviamente, sou humano, e queria ser como todo mundo, mas aparentemente as chances de isso acontecer eram mínimas. Eu queria ser aceito. Mas sentia que não era. Queria me encaixar, me ajustar, achar meu lugar. Mas não conseguia. Dei de cara com a parede. À minha frente havia uma montanha de dificuldades.

Meu coração ficou apertado de tanta dor. Fiquei deprimido, esmagado por pensamentos negativos, e minha vida parecia não ter sentido. Sentia-me sozinho, mesmo estando rodeado pela família e pelos amigos. Tinha medo e me angustiava ao pensar que seria eternamente um peso para as pessoas que amava.

Mas eu estava muito, muito errado. As coisas que ainda não sabia, naqueles dias sombrios e desesperançados, dariam para encher um livro inteiro. Na verdade, este mesmo livro que voce tem nas mãos. Nas páginas que se seguem vou mostrar métodos para encontrar esperança mesmo em meio a terríveis provações e atribulações. Vou iluminar o caminho para o outro lado que existe depois do sofrimento, aonde você pode chegar mais forte, mais determinado e fortalecido para batalhar pela vida que quiser levar, e, quem sabe, até mesmo encontrar uma existência além do que poderia imaginar.

Se voce tiver desejo e paixão para fazer uma coisa, e se ela estiver ao alcance de Deus, vai conseguir. Essa é uma frase poderosa. Para ser sincero, eu mesmo nem sempre acreditei nisso. Se já assistiu a algumas das minhas palestras ou pregações postadas na Internet, a felicidade que exala do meu rosto naqueles vídeos é resultado da jornada que fiz. No começo, não tinha tudo de que necesitava, e precisei encontrar essas coisas ao longo do caminho. Para viver sem limites, encontrei tudo de que precisava:


  • Um poderoso senso de propósito na vida;

  • Uma esperança tão forte que é impossível diminuí-la;

  • Fé em Deus e nas infinitas possibilidades;

  • Atitude com altitude;

  • Um espírito corajoso;

  • Vontade de mudar;

  • um coração confiante;

  • a fome de aproveitar as oportunidades;

  • a capacidade de avaliar riscos de rir da vida e

  • a missão de ajudar as pessoas e colocá-las em primeiro lugar.

Cada capítulo deste livro é dedicado a um desses atributos, explicados de tal maneira que – assim espero – você possa usá-los e colocá-los em prática em sua própria jornada, rumo a uma vida plena e repleta de significado. Ofereço essas diretrizes porque compartilho do amor que Deus sente por você. Quero que experimente toda a alegria e as realizações que Ele planejou para sua vida.

Se você é uma das muitas pessoas que lutam todos os dias contra as dificuldades da existência, tenha em mente que, em um lugar além das minhas adversidades, havia um propósito de vida à minha espera. E até aqui ficou evidente que esse desígnio era algo muito, muito maior do que qualquer coisa que eu poderia imaginar.

Talvez você passe por períodos difíceis. Talvez caia e sinta que não tem forças para se levantar. Conheço essa sensação, meu amigo. Todos nós a conhecemos. A vida nem sempre é fáciulo, mas, quando superamos as adversidades, nos tornamos mais fortes e mais gratos pelas oportunidades. O que relamente importa são as vidas que você consegue tocar e influenciar de maneira positiva ao longo do caminho, e como completa a sua jornada.

Amo a minha vida com a mesma intensidade com que amo a sua. Juntos, as possibilidades para nós são absurdamentes maravilhosas. Então, o que me diz? Vamos nessa, camarada?



Uma vida sem Limites


Capítulo I

E você não consegue um milagre, torne-se um!
Um dos meus vídeos mais populares e acessados do Youtube é uma filmagem que sou protagonista: ando de skate, surfo, toco instrumentos musicais, dou uma tacada de golfe, caio e me levanto, converso com plateias... E o melhor de tudo é que recebo abraços de todo tipo de pessoas sensacionais. No fim das contas, essas são atividades rotineiras, coisas que praticamente qualquer pessoa pode fazer, certo? Então por que esse vídeo já foi visto milhões de vezes?

Minha teoria a respeito do interesse das pessoas pelo vídeo é a seguinte: apesar das minhas limitações físicas, vivo como se não tivesse limites. Quase sempre as pessoas esperam que alguém que tem uma grave deficiência seja uma criatura inativa... talvez furiosa, introvertida, excessivamente tímida ou inquieta. Gosto de surpreendê-las mostrando que levo uma vida aventureira e cheia de realizações.

Entre as centenas de comentários a respeito desse vídeo, eis que um é típico. "Ver que um cara como você é tão feliz me faz parar para pensar porque às vezes sinto pena de mim mesmo! Sinto que não sou bonito, muito engraçado, ou... sei lá! Como posso ter pensamentos desse tipo, quando esse rapaz não tem braços, nem pernas, e ainda assim é feliz?"

Ouço sempre a mesma pergunta: "Nick, como você pode ser tão feliz?" Talvez você lide com suas próprias adversidades, então vou dar uma resposta curta e grossa, logo de cara. Encontrei a felicidade quando entendi que, por mais imperfeito que eu seja, sou perfeito Nick Vujicic! Sou uma obra de Deus, criado de acordo com o plano que designou para mim. Isso não é o mesmo que dizer que não há espaço para aperfeiçoamento. Sempre tento melhorar para que assim, possa servir melhor a Ele e ao mundo. Acredito do fundo do coração que a minha vida não tem limites. Quero que sinta a mesma coisa em relação À sua vida, qualquer que sejam seus problemas.

Agora que iniciamos a nossa jornada juntos, por favor, reserve alguns minutos para pensar nas limitações que você mesmo impôs à sua vida - ou que permitiu que outras pessoas impusessem. Agora pense em como seria se você se visse livre dessas limitações. Como seria a sua vida se tudo fosse possível?

Oficialmente sou deficiente, mas na realidade, a ausência de braços e pernas me deixou bastante eficiente. Meus problemas físicos me propiciaram incríveis oportunidades de conhecer pessoas "necessitadas", e entrar na vida delas. Então, imagine só o que você pode fazer!

Muitas vezes acabamos nos convencendo de que não somos suficientemente bonitos, ou não somos inteligentes o bastante. Acreditamos no que os outros dizem sobre nós,, ou impomos restrições à própria existência. O pior é que, quando você se considera indigno, cria obstáculos ao que Deus poderia fazer por você. Quando você desiste de seus sonhos, coloca Deus dentro de uma caixa. Afinal, você é criação dele: Ele o criou por um motivo, por um propósito; portanto, sua vida não pode ser limitada. Assim como é impossível refrear o amor de Deus. Tenho a chance de escolher: você tem a chance de escolher...

Podemos optar por indivíduos que dão importância apenas às decepções e insistem em enfatizar as falhas e deficiências. Podemos decidir em ser pessoas amargas, raivosas ou tristes. Ou o contrário: quando tivermos de encarar períodos difíceis e lidar com pessoas daninhas, podemos optar por aprender com a experiência e seguir em frente, assumindo a responsabilidade por nossa própria felicidade. Por ser filho de Deus, você é bonito e precioso, e vale mais do que todos os diamantes do mundo.

Somos perfeitamente adequados para cumprirmos nossos propósitos. Mesmo assim, nosso objetivo deve ser sempre o de nos tornarmos ainda melhores, forçando nossos limites, ampliando horizontes, sonhando alto.

Ao longo do caminho são necessários ajustes, porque a vida nem sempre é um mar de rosas; mas sempre vale apena ser vivida. Estou aqui para dizer que, quais forem as circunstâncias - enquanto você estiver respirando -, tem uma contribuição a dar.

Não posso colocar a mão sobre seu ombro para tranquilizá-lo e renovar a sua confiança, mas posso falar do fundo do coração: por mais desesperada que a sua vida possa parecer, existe esperança! Por piores que sejam as circunstâncias, dias melhores virão. Não importa que a sua situação pareça medonha, você pode se esforçar para enfrentá-la. Apenas desejar a mudança não vai mudar nada; tomar a decisão e agir imediatamente vai mudar tudo!

Todos os eventos conspiram para o bem. Tenho certeza disso porque aconteceu comigo. Uma vida sem braços e pernas pode ser boa?

Só de olhar para mim as pessoas podem ver que encarei e superei muitas dificuldades e muitos empecilhos. Isso faz com que sintam dispostas a me ouvir como fonte de inspiração, e permitem que compartilhe com elas a minha fé, que lhe diga que são amadas e que eu lhes dê esperança.

Essa é a minha contribuição. É importante reconhecer seu próprio valor - saber que tem uma contribuição a fazer. Se neste momento você está se sentindo frustrado, tudo bem! Seu senso de frustração significa que você quer mais do que teve até agora e é bom! Muitas vezes, são os obstáculos que nos mostram quem realmente estamos destinados a ser.



Uma vida de valor

Levei bastante tempo para reconhecer os benefícios das circunstâncias em que nasci. Minha mãe tinha 25 anos quando engravidou (eu seria seu primeiro filho), trabalhava como parteira e enfermeira pediátrica, e era encarregada de uma sala de parto onde cuidava de centenas de mães e seus recém-nascidos. Quando ficou grávida, ela sabia o que fazer. Seguiu dieta, tomou remédio, não consumiu álcool, nem aspirina e outros analgésicos. Consultou-se com os melhores médicos e eles garantiram que tudo "ia muito bem".

Mesmo assim, minha mãe continuou apreensiva. à medida que foi se aproximando a data do parto, em várias ocasiões manifestou para o meu pai a sua preocupação. "Espero que esteja tudo bem com o bebê!"

Durante a gravidez, os médicos fizeram dois ultra-sons e nada de estranho foi detectado. Disseram a meus pais que o bebê era um menino, mas nenhuma palavra sobre a ausência de braços e pernas.

Assim que nasci, no dia 4 de dezembro de 1982, não deixaram que minha mãe me visse e a pergunta que ela fez A UM DOS MÉDICOS FOI: "Tudo bem com o bebê?"

Silêncio... à medida que os segundos passavam e a equipe médica não me colocava nos braços dela, minha mãe sentiu que havia algo errado. Em vez de me entregarem a ela, como seria normal, as enfermeiras chamaram um pediatra e foram para o canto oposto do quarto, onde ficaram me examinando e conferenciando aos sussurros. Quando minha mãe ouviu um grito agudo e saudável do bebê, ficou aliviada.

Mas meu pai, que durante o parto tinha notado que eu nascera sem um dos braços, passou mal e foi levado para fora da sala de parto.

Chocados diante da visão do meu corpo, médicos e enfermeiras rapidamente me embrulharam em panos. Minha mãe, que tinha participado, como enfermeira de centenas de partos, não se deixou enganar. Leu a aflição no rosto da equipe médica e na mesma hora soube que havia algo muito errado.

- O que foi? O que há de errado com o meu bebê?

O médico não respondeu de imediato, mas quando ela insistiu, exigindo uma resposta, a única explicação que ele deu foi expressa por um termo especializado: focomelia.

Por causa de sua experiência em enfermagem, ela reconheceu o termo médico como a condição de má formação congênita, em que bebês nascem com os membros pouco desenvolvidos, ou até mesmo ausentes.

Enquanto isso meu pai, atônito, estava lá fora, perguntando a si mesmo se tinha mesmo visto que achava o que vira. Quando o pediatra foi falar com ele berrou:

- Meu filho não tem braços!

- Na verdade, seu filho não tem braços nem pernas - respondeu o médico, da maneira mais sensível que podia.

Meu pai perdeu as forças. Suas pernas ficaram bambas, tamanha sua perplexidade e angústia. Ele desabou sobre a cadeira, incapaz de articular sobre as palavras, mas logo depois, entraram em sena seus instintos de proteção. Foi imediatamente conversar com a minha mãe antes que ela me visse, mas, para seu desalento, encontrou-a chorando na cama.

A equipe do hospital já tinha lhe dado a notícia. Eles haviam se oferecido para me mostrar para ela, mas minha mãe tinha se recusado para me segurar nos braços e pediu que me levassem para longe. As enfermeiras choravam, a parteira também, e é claro, eu estava chorando.

Por fim, colocaram-me ao lado de minha mãe e ainda embrulhado. E ela achou insuportável aquela visão: seu filhinho sem os braços e as pernas.

- Levem este bebê daqui! Não quero tocar nele, nem vê-lo!

Até hoje meu pai lamenta o fato de que a equipe médica não tenha lhe dado tempo de preparar adequadamente a minha mãe.

Mais tarde, enquanto ela dormia, ele me visitou no berçário e, ao voltar para o quarto dela, disse:

- Ele é bonito...

Perguntou se já queria me ver, mas ela, ainda muito abalada, recusou-se. Ele entendeu seus sentimentos. Em vez de comemorar meu nascimento, meus pais e as pessoas da igreja que frequentavam ficaram de luto.

- Se Deus é um deus de amor, por que deixaria uma coisa dessas acontecer? - perguntavam-se.

A tristeza da minha mãe
Fui o primeiro filho dos meus pais. Em qualquer família, isso seria motivo de grande festa e de alegria, mas quando nasci ninguém mandou flores para minha mãe. Isso só serviu para deixá-la ainda mais magoada e aprofundar seu desespero. Triste, com lágrimas nos olhos, perguntou ao meu pai:

- Será que mereço flores?

- Sinto muito, mas... é claro que merece.

Ele foi à floricultura do hospital e logo depois voltou para o quarto e presenteou-a com um buquê.

Só fiquei sabendo dessas coisas aos 13 anos de idade, quando comecei a questionar meus pais sobre meu nascimento e à reação inicial deles à minha falta de braços e pernas. Tivera um dia péssimo na escola e quando relatei minhas agruras à minha mãe, ela chorou comigo. Disse-lhe que estava farto de não ter braços e pernas. Com lágrimas nos olhos, minha mãe me disse que ela e meu pai entenderam que Deus tinha um plano para mim e que Ele o revelaria.

O tempo passou e eu continuei fazendo perguntas - às vezes para minha mãe, às vezes para meu pai, ora com ambos... Em parte, a minha busca por respostas era curiosidade natural; em parte, era uma reação aos insistentes questionamentos que eu ouvia dos meus curiosos colegas de classe.

No começo, fiquei com um pouco de medo do que meus pais poderiam me dizer e uma vez que esse era um tema difícil para eles, não queria colocá-los na berlinda.

Em nossas primeiras conversas, minha mãe e meu pai deram respostas cautelosas, com a intenção de me proteger. À medida que fui ficando mais velho e mais insistente, revelaram-me mais detalhes sobre seus sentimentos e temores porque agora sabiam que eu podia aguentar o tranco. Mesmo assim, quando minha mãe contou que quando nasci, não queria me segurar nos braços, foi difícil (para dizer o mínimo) de que era bastante inseguro, mas ouvir que minha mãe não suportava sequer olhar para mim foi... Bom, imagine só o que você teria sentido!

Fiquei arrasado e me senti rejeitado. Mas depois pensei em tudo que eles tinham feito por mim. Já tinham dado inúmeras provas do seu amor.

Quando iniciei essas conversas com minha mãe, já tinha idade suficiente para me colocar no lugar dela. Além de sua própria intuição, durante a gravidez não contou com nenhum tipo de alerta e não teve como saber o que aconteceria. Estava apavorada e em estado de choque.

Como eu teria reagido nessa situação,? Não sei ao certo se lidaria tão bem com isso quanto os meus pais. Fiz questão de dizer-lhes isso e, com o passar do tempo, nossas conversas ficaram cada vez mais profundas.

Fico feliz que tenhamos esperado até que me sentisse seguro sabendo, no fundo do coração, que os meus pais me amavam.

Conversamos muitas vezes e trocamos ideias e impressões, e sua fé me permitiu ver que estava destinado a servir aos propósitos de Deus. Fui uma criança bastante determinada e, na maior parte do tempo, feliz e otimista. Meus professores, os pais de outras crianças e até mesmo muita gente que meus pais sequer conheciam, diziam a eles que a minha atitude era muito inspiradora.

De minha parte entendi que por maior que fossem os obstáculos da minha vida, muitas pessoas carregavam fardos bem mais pesados que o meu.; Hoje, em minhas viagens pelo mundo afora, vejo situações de inacreditável sofrimento. Isso faz com que sinta grato por aquilo que tenho, e menos propenso a me concentrar apenas no que me falta.

Já vi crianças órfãs, paralíticas e com doenças paralisante e degenerativas; mulheres forçadas a se submeter à escravidão sexual; homens presos porque eram tão pobres que sequer conseguiam pagar suas dívidas.

O sentimento é universal - e inacreditavelmente cruel -, mas mesmo nas piores favelas, e depois das mais horríveis tragédias, meu coração se alegrou quando vi pessoas que não apenas sobreviviam, mas também prosperavam. Alegria era certamente a última coisa que eu esperava encontrar em um lugar chamado "Cidade do Lixo" - a pior favela do Cairo, Egito -, no subúrbio de Manshiet Nasser. Fica exprimido entre colinas rochosas. Lamentável apelido, assim como o mau cheiro que inevitavelmente se instalou em toda a região, vem do fato de que a maior parte dos 50 mil residentes tira seu sustento da coleta do lixo.

Todos os dias os homens saem de casa logo cedo - por volta das 4 horas da manhã - em carroças puxadas por jegues e vão coletar todo o lixo que podem levar para casa. No lar, as mulheres (mães e filhas) separam o que é reciclável de tudo o que foi coletado no dia anterior. O lixo orgânico não aproveitado é dado aos porcos que são criados por ali também.

Cada centímetro das ruelas é usado para armazenar dejetos e daí veio a alcunha de "Cidade do Lixo". Todos os dias, eles vasculham montanhas de dejetos, produzidos por uma cidade com 18 milhões de habitantes, na esperança de encontrar objetos para vender, reciclar ou utilizar de alguma forma.

Em meio Às ruas atravancadas de chiqueiros e pilhas de lixo fétido, o normal seria esperar um punhado de gente massacrada pelo desespero. Mas quando lá estive, em 2009, encontrei exatamente o contrário. É claro que os catadores de lixo, chamados de "zebalinn" levam uma vida dura, mas encontrei gente generosa e carinhosa, aparentemente feliz, cheia de fé.

No Egito, 90% da população é muçulmana, mas a cidade do lixo é a única comunidade majoritariamente cristã. Quase 98% dos residentes são cristãos, coctas.

Já estive em algumas das favelas mais pobres do mundo. Em todos os cantos do planeta, o que diz respeito ao ambiente, a cidade do lixo foi um dos lugares mais degradantes que já vi, mas em relação ao espírito, foi um dos mais acolhedores. Conseguimos acolher quase 150 pessoas dentro de um prédio acanhado, que funcionava como igreja local.

Quando comecei a falar, fiquei arrebatado pela felicidade que emanava da minha plateia. Estavam simplesmente sorrindo, radiantes! Poucas vezes na minha vida me senti tão abençoado! Agradeci aos céus pelo fato de que, por meio da fé, aquelas pessoas conseguiam superar as vicissitudes das circunstâncias em que viviam. E disse a elas que Jesus tinha mudado a minha vida também.

Conversei com os líderes da igreja sobre a mudança da vida naquele vilarejo, graças ao poder de Deus. A esperança daquelas pessoas não estava depositada nessa terra, mas na eternidade (nesse ínterim), enquanto estão neste mundo, aquelas pessoas acreditam em milagres e agradecem a Deus por quem Ele é e por tudo que Ele faz.

Antes de irmos embora, presenteamos algumas pessoas com arroz, chá e uma pequena soma em dinheiro, suficiente para que comprassem comida por algumas semanas. Também distribuímos equipamentos esportivos (bolas de futebol e cordas) para as crianças. Imediatamente elas convidaram nosso grupo para brincar e nos divertimos à beça, - rindo e saboreando o momento -, embora estivéssemos rodeados pela miséria.

Jamais me esquecerei daquelas crianças que jogavam bola e pulavam corda, e do sorriso estampado no rosto de cada um. Aquilo provou mais uma vez que a felicidade pode surgir em qualquer circunstância e situação, desde que depositemos nossa total confiança em Deus.

Como crianças tão pobres podem sorrir? Como presidiários podem cantar com tamanha alegria? Essas pessoas transcendem as adversidades, aceitando que certos eventos estão acima de seu controle e também de sua compreensão. E se concentram naquilo em que conseguem acreditar e compreender.

Meus pais fizeram exatamente isso: seguiram em frente no momento em que decidiram acreditar na palavra divina, de que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus; daqueles que são chamados segundo seu propósito. (1)

1. Romanos, Cap. 28-28.




Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   17


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal