No palco da vida



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CAPÍTULO XVII
A primeira pessoa que Vicki e Paula encontraram ao chegarem à "Hospedaria dá Árvore que Canta" foi David. Ele estava encostado no balcão da recepção, conversando descontraidamente com Kim. Quando viu as duas ele se empertigou, arrumando a gravata, meio sem jeito.

- Ué, voltaram antes!... - disse ele. - Aconteceu alguma coisa?

- Eu já aprontei mais uma das minhas! - foi dizendo Paula, com uma careta.

- Meu Deus, o que foi que você fez dessa vez? - perguntou David, fingindo cara de mártir.

- Vicki conta pra vocês - disse a garota, já indo para o elevador.

Em poucas palavras Vicki explicou o que acontecera. Quando David foi acompanhá-la até o apartamento de Gail, fez um galanteio, no caminho, dizendo que estava contente pelo incidente que a fizera voltar antes.

- Olhe, David, não vamos começar de novo com essa história. Eu disse que seria sua amiga, só isso, nada mais.

- Está bem, desculpe, prometo que não vai se repetir...

- Acho bom.

Ele sorriu e convidou-a para tomarem lanche juntos no dia seguinte. Vicki resolveu aceitar. Seria bom distrair-se um pouco, para não pensar tanto em Jason. Com isso despediram-se e ela entrou. Gail não estava no apartamento e Vicki resolveu desfazer as malas e trocar de roupa, antes de ir procurar a tia.

Em seu quarto havia duas cartas sobre a mesinha de cabeceira: uma da mãe e outra de Josh Hendrickson. Vicki abriu primeiro a da mãe, que contava, eufórica, como Ken Marriott, ex-patrão de Vicki, tinha recebido o merecido castigo: tentara seduzir, da mesma maneira, a moça nova que fora trabalhar na firma. Só que ela era uma feminista militante e tinha feito o maior escândalo, denunciando-o publicamente. Josh ficou mortificado quando tudo veio à tona e acabou até desfazendo a sociedade. Assim, com tudo esclarecido, a reputação de Vicki estava restabelecida.

Com um sorriso de satisfação, Vicki largou essa carta e pegou a outra.

Josh dizia ter ficado horrorizado com a atitude do ex-sócio de quem tinha descoberto também outras indiscrições e comportamentos indevidos inclusive com clientes. Queria reparar a injustiça e por isso readmitia Vicki a partir da data em que fora demitida, esperando que -ela voltasse ao seu cargo anterior assim que terminassem suas “férias”.

Vicki dobrou de novo a carta, guardando-a no envelope com cuidado. Estranho, mas não se sentia tão entusiasmada quanto imaginava que deveria estar! Sentia-se aliviada, é claro, por seu nome ter ficado limpo de novo.

Agora poderia voltar para casa quando terminasse a redecoração do hotel e reassumir o trabalho de que tanto gostava. Engraçado, mas essa perspectiva não a animava tanto.

Com um suspiro, colocou a mala em cima da cama. Se não tivesse conhecido Jason, teria ficado eufórica com a boa notícia. Mas, além de havê-lo conhecido, tinha se apaixonado por ele e, quando fosse embora da Inglaterra, não o veria nunca mais. Como poderia ficar contente com isso?!

Uma hora mais tarde, depois de ter tomado banho e colocado seu confortável jeans com uma blusa de algodão, Vicki foi à procura de Gail.

Ela estava no escritório conversando com um homem de cabelos grisalhos, simpático e bem apessoado.

- Este é Ian McAdam - apresentou Gail -, é inspetor de polícia aposentado, e trabalhava na Scotland Yard.

- Não me diga que os roubos continuaram! - exclamou Vicki, alarmada.

- Não, felizmente. Ian é... é um amigo e ofereceu-se para ajudar nas investigações.

A hesitação de Gail deixou Vicki intrigada e ela olhou com mais atenção para o homem. Ele era bonitão, muito atraente para seus cinqüenta e poucos anos e o jeito com que olhava para Gail não era só de amigo. Quanto a Gail, parecia bem mais jovial e radiante.

- Se você quer conversar com sua tia, ela e eu podemos deixar para mais tarde a nossa conversa -disse o inspetor, com um adorável sotaque escocês.

- De modo algum! Eu falo com ela depois. - Virou-se para a tia e deu uma piscada maliciosa que a fez corar. – Vou dar uma olhada na sala de refeições. Por acaso os tapetes chegaram?

- Chegaram, sim, ontem. E o pintor trouxe umas amostras de tinta para você escolher. Está tudo guardado lá na sala de conferências do segundo andar.

- Ótimo, então já vou começar - disse Vicki, encaminhando-se para a porta.

- Foi um prazer conhecê-la, Victoria.

Vicki virou-se, sorrindo.

O prazer foi todo meu.

Quando se viu sozinha, sentiu um aperto no coração de saudade de Jason e uma tristeza doída tomou conta dela. Por que fora se apaixonar, logo por um homem assim que não iria nunca retribuir seu amor? Jamais iria esquecê-lo e nunca mais amaria ninguém. Perto de Jason todos os outros homens ficavam insignificantes!

Entrou na sala de conferências, decidida a mergulhar no trabalho e tentar esquecer aquele amor impossível, ao qual se entregara de corpo e alma.

No dia seguinte, durante o lanche com David, foi difícil para Vicki manter sua decisão, pois o rapaz resolveu falar sobre o temperamento de Jason, querendo consolá-la pelo que tinha acontecido em Strattord.

- Sabe, você não precisa ficar preocupada - dizia ele -, o sr. Jason sempre acaba desculpando as travessuras da irmã... é só uma questão de tempo. Ele já devia estar muito nervoso com o problema que surgiu a respeito do teatro...

Vicki sobressaltou-se e olhou para ele, intrigada.

- De que problema você está falando, David?

- Ué, Sabrina não se encontrou com o sr. Jason?

- Encontrou, sim. Mas, com toda essa confusão que Paula aprontou, nós acabamos nem falando no assunto... O que foi que aconteceu, afinal?

David suspirou.

- Essas coisas sempre acontecem quando o sr. Jason está fora da cidade. A firma contratada para fazer o estudo do solo na área a ser construída apresentou o relatório. Parece que o terreno fica muito perto do rio e com a infiltração de água não suportaria uma construção grande sem drenagem e pilares de sustentação, o que, naturalmente, vai encarecer a obra. A alternativa seria procurar um terreno em outro local. Sabrina foi para lá às pressas, discutir o assunto com ele. Sabe como o sr. Jason está empenhado na construção desse teatro, não é?

- Naturalmente.

Então, eles tinham mesmo um assunto importante a tratar. Mas por que Sabrina não lhe dissera nada? Ora, mas era evidente! Ela queria justamente provocar ciúme e atrapalhar! Como não pensara nisso antes? Será que Sabrina mentira ao dizer que ela e Jason eram amantes? Será que ela seria capaz disso?!

- Vicki! - exclamou David.

- Desculpe, David, estou meio distraída hoje. É que tenho tanta coisa para fazer no hotel... acho até que é melhor voltarmos logo.

Pela cara dele, David parecia ter ficado ofendido. Será que pensara que ela estava se chateando na companhia dele? Precisava ser mais cautelosa para não melindrá-lo. Já reparara que ele era muito suscetível. Vicki achou melhor elogiar o lugar que, aliás, tinha um jardim muito bonito e ficava perto de um bosque.

Depois do chá David sugeriu que fossem até um outro vilarejo visitar lugares históricos. Vicki achou melhor aceitar para se redimir da anterior desatenção e também porque sabia que se voltasse para o hotel ia ficar pensando em Jason, imaginando se não haveria um jeito de consertar a situação. Ele a chamara de ciumenta e possessiva, comparando-a com Claire... Como poderia remediar isso, fazê-lo ver que ela fora induzida a esse comportamento? Será que adiantaria?

- Chegamos - disse David, meio contrariado.

- Ah, desculpe-me, outra vez. Você já deve estar chateado comigo!

- Não precisa se desculpar, eu entendo muito bem! Já percebi que você está apaixonada, pensando em alguém!

Vicki ficou olhando para ele, desconcertada, sem saber o que dizer. Percebeu o tom amargo do rapaz.

- Paula me contou que o sr. Jason simplesmente "adora" você - disse ele, em tom ferino. - Eu não a condeno por preferir a companhia dele. O grande Jason Meredith tem muito mais a oferecer do que seu humilde secretário. Nem sei como você concordou em perder seu tempo comigo, hoje!

- Escute aqui, David - disse Vicki, afinal, recuperando o controle. - Eu saí com você hoje, porque você me convidou e até agora achei o passeio bastante divertido e agradável. E de modo algum considero você o “humilde secretário” do grande astro. Pensei que fôssemos amigos, fui bem clara quando lhe disse. Mas se isso não lhe basta é melhor dizer logo e pormos um fim nesse relacionamento. Agora, se pensa que vai ficar fazendo críticas pessoais sobre Jason e eu, está muito enganado, porque não vou permitir! Além do mais, o que você está supondo não é verdade!

A última frase soou falsa, apesar dela estar indignada.

Imediatamente David começou a desculpar-se.

- Sinto muito, Vicki, por favor, me perdoe.

- Está bem - disse ela, com um pouco de má vontade.

David analisou bem o rosto dela.

- Ele magoou você, não foi? - Antes que ela pudesse contestar, ele continuou. - Não, Vicki, não fique brava comigo. Não quero ser intrometido, mas é que detesto ver você ser atingida assim pelo tão proclamado charme de Jason. Fazem tanta publicidade dele como destruidor de corações femininos que ele próprio já acredita nisso! E eu detesto ver alguém tão sensível e vulnerável quanto você ser magoada por ele. Estou realmente admirado com a sua ingenuidade! Você deve saber que, se ele se casar de novo, vai ser com Sabrina. - David fez uma pausa e continuou. Sei que ela vai se divorciar do marido assim que o teatro estiver construído. Foi por isso que Sabrina correu para Stratford. Ficou preocupada com o possível atraso nos planos dela. O divórcio, aqui na Inglaterra, não é tão simples quanto nos Estados Unidos. É claro que nem ela nem o sr. Jason querem que o marido saiba antes que tenha feito a doação para o fundo de construção... E Sabrina morre de medo de perder o sr. Jason! Ela já me fez umas mil perguntas sobre o seu relacionamento com o meu patrão. Falou-me de um noivado de mentira entre você e ele. Eu não disse nada, é claro, não por lealdade ao sr. Jason, devo confessar, mas porque gosto muito de você.

Vicki respirou fundo. Mas que sujeito mais desagradável e despeitado! Como não percebera isso antes? O que estava fazendo ali, na companhia dele? Por que se sujeitava a ouvi-lo? Em lodo caso, o que ele estava dizendo confirmava as palavras de Sabrina.

Que trama mais sórdida! Jason e Sabrina enganando Sig daquela maneira e, ainda por cima, usando-a para isso! Ela, Vicki, a inocente útil! Que coisa mais absurda! E Jason precisava ter chegado ao extremo de fazer amor com ela?! Era demais!

Percebeu que David, a olhava com uma piedade que mal ocultava um laivo de satisfação.

- Pois você está muito enganado, David - Vicki conseguiu falar, afinal, em tom bastante convincente. - Fantasiou demais as coisas. Jason e eu somos apenas conhecidos. Eu o admiro muito como ator, é claro, e sou muito amiga de Paula, mas isso é tudo.

Sem esperar para ver se ele acreditava ou não no que dissera, Vicki abriu a porta do carro e desceu. Chegou até a sorrir quando David ofereceu-lhe o braço para entrarem na velha casa histórica que tinham ido visitar.

Vicki mal viu as coisas e se lhe perguntassem mais tarde nem saberia descrever. Nem sabia como conseguiu agüentar até o fim do passeio sem perder a pose e despedir-se polidamente de David, quando ele a deixou diante do apartamento de Gail.

Assim que fechou a porta de seu quarto, Vicki atirou-se de bruços na cama e chorou sentidamente. Gail encontrou-a assim, pouco mais tarde, e ela estava tão arrasada que nem se preocupou em disfarçar. Acabou contando tudo o que acontecera entre ela e Jason.

Depois de acalmar um pouco o choro convulsivo da sobrinha, Gail sentou-se na beirada da cama e confessou que já imaginava mais ou menos o que estava acontecendo entre eles. Depois disse que não acreditava que houvesse algo entre Sabrina e Jason.

- Eu não conheço essa mulher, mas Simon a conheceu e falou-me da fama que tinha. Jason não é nenhum bobo para se deixar levar por uma interesseira e volúvel! Ele sabe muito bem quem é essa Sabrina!

- Mas David disse...

- Ora, esse rapaz não é tão inteligente quanto eu pensava! Ele está com ciúme e inveja de Jason! E você, Vicki, não pode dar ouvidos a tudo o que lhe dizem! Francamente! Estou admirada com a sua atitude! Devia ao menos pedir que Jason lhe dissesse a verdade. Até agora você só o acusou, sem ouvi-lo.

- Eu não tenho o direito...

- Que bobagem é essa? Tem direito, sim senhora! Afinal, houve uma intimidade entre vocês e, além do mais, Jason merece saber o que Sabrina disse.

- Ele não negou que Sabrina seja amante dele.

- Nem vai negar. Isso é típico dos homens. Lembre-se que sob a fachada de grande astro ele é um homem como os outros. Jason é muito dedicado ao trabalho e é um bom sujeito. O resto são lendas que criaram em torno dele. Simon gostava muito dele... Você devia ao menos dar a Jason a chance de explicar-se.

- Duvido que ele queira fazer isso, agora...

Gail ergueu-se.

- Por que não esperamos para ver, hein? - Ela sorriu para Vicki. - Venha, vamos jantar, que vou lhe contar tudo sobre Ian. Sei que você já está imaginando coisas... - Fez uma pausa, depois acrescentou - O que achou dele?

- Parece simpático - Vicki conseguiu dizer, esboçando um sorriso.

Gail estava alegre e pôs-se a falar de Ian com entusiasmo.

Vicki sentia-se um pouco melhor e menos desesperada depois de ter desabafado. Será que teria oportunidade de ver Jason de novo? E de falar com ele? Será que ia poder fazer o que a tia aconselhara? De uma coisa, porém, tinha certeza absoluta: iria evitar David a todo custo.



CAPÍTULO XVIII
No dia seguinte, à tarde, Vicki estava no refeitório às voltas com tapeceiros, eletricistas que trocavam os lustres, quando David foi procurá-la. Ela, que já não estava com vontade de falar com ele, ficou ainda mais contrariada de ser interrompida no serviço.

- Eu estou muito ocupada, David...

- Mas eu só queria um minuto de atenção. É importante - insistiu ele.

Vicki suspirou e ergueu-se de má vontade. O rosto de David estava tenso.

- Houve mais um roubo - disse-lhe ele, assim que chegaram ao hall.

- Essa não! Coitada de tia Gail! O que foi dessa vez?

- Uma valise cheia de dinheiro... duas mil libras! Foi roubada ontem à noite do quarto 302. Kim acabou de me contar.

Vicki franziu atesta.

- E por que você está me contando?

Ele se admirou.

- Ué, pensei que você quisesse saber!

- Não sei por quê. Eu não posso fazer nada, a não ser lamentar. Tenho certeza de que tia Gail e o amigo dela inspetor é que podem cuidar bem do caso. Agora, se você me dá licença...

David a deteve, segurando-a pelo braço com firmeza.

- Você não entendeu, Vicki. Eu... - Respirou fundo, parecendo bastante nervoso. - Paula estava com você ontem à noite?

- Paula? Não, eu não a vejo desde que voltamos de Stratford... Mas, espere aí, por que está me perguntando isso? Ela desapareceu de novo?

Os lábios contraídos, a testa franzida, David ficou alguns instantes em silêncio.

- Não, agora ela está aqui. Mas é que... eu não tenho certeza... não posso ter certeza... - Ele hesitou por um momento, depois continuou, com expressão de candura. - Eu não queria dizer nada, Vicki... mas esses roubos sempre acontecem quando Paula desaparece, sentindo-se abandonada pelo irmão.

- E daí?


- Ontem à noite ela sumiu por mais de uma hora.

- Você perguntou a ela onde esteve?

- É claro. Ela me disse que estava caminhando perto do hotel. Disse que estava inquieta.

- Isso não quer dizer que estivesse roubando, David. Não acha que está tirando conclusões apressadas?

Vicki lembrou-se de que a própria Gail chegara a pensar que Paula estivesse roubando.

- Não - continuou ela com convicção. - Eu a conheço muito bem! Não acredito no que está me dizendo.

- Paula comprou um violão hoje de manhã, Vicki.

Ela olhou para David, achando-o cada vez mais antipático. Nem sabia como chegara a considerá-lo atraente!

- Paula disse que o irmão deu um dinheiro a ela lá em Stratford - continuou David. - Você sabe se é verdade?

- Não, não sei. Ele pode ter dado sem que eu soubesse!

Francamente, David, isso é assunto deles, eu não tenho nada com isso! Por que não fala com Jason?

- Não posso! Ele ficaria furioso comigo se eu dissesse essas coisas...

- Pois eu é que não vou falar com ele sobre isso. Talvez converse com Paula mais tarde, mas pode estar certo de que não vou acusá-la de nada.

- Obrigado, Vicki. Sabia que você ajudaria. Estou um pouco preocupado, sabe, há uma porção de cartas daquele rapaz para ela...

- De Colly?

- É. Tenho a impressão de que ela está tramando alguma coisa de novo. Sei que sou responsável por ela, mas não quero encrencá-la sem necessidade...

- Você não vai encrencá-la.

Havia uma ponta de satisfação na atitude de David, como se ele ficasse contente de saber que Paula era a autora dos furtos.

- Vou ver o que posso fazer - disse Vicki, querendo se livrar de David o mais depressa possível e voltar para seu trabalho. - Conversarei com ela mais tarde. Agora, com licença...

E dessa vez ela encerrou mesmo a conversa.


Mas Vicki estava tão atarefada que só teve tempo de conversar com Paula no dia seguinte. Gail já havia lhe contado sobre o furto e ela quase contara à tia a conversa que tivera com David.

Paula, entretanto, não facilitou o assunto, estava encantada com seu novo violão e só falava nisso. Quando Vicki lhe perguntou como arranjara dinheiro para comprá-lo, ela respondeu, com cara de inocência, que Jason havia lhe dado. Disse que Colly estava para chegar dali a um dia ou dois para visitá-la.

- Preciso praticar bastante para tocar pra ele! - disse Paula, toda animada.

Vicki prometeu ajudá-la e ficou sem saber como fazer qualquer outra pergunta sem despertar a desconfiança da amiga, ou sem parecer uma acusação. E isso não queria de modo algum. Entretanto, estava preocupada com a compra daquele bendito violão! Afinal, era mesmo muita coincidência Paula tê-lo comprado no dia seguinte do furto do dinheiro. Vicki não queria nem pensar na hipótese de Paula ter roubado, sabia que deveria haver alguma outra explicação, mesmo que a garota estivesse mentindo ao dizer que ganhara dinheiro do irmão.

Afinal, depois de alguns dias de preocupação, o dono da valise roubada, ao ser interrogado, acabou dizendo que saíra com a valise contendo o dinheiro para fechar um negócio. Mas não fizera negócio nenhum e havia voltado para o hotel com a valise sem tê-la aberto. Quer dizer, não tinha certeza se o dinheiro estava lá ou não quando voltara. A história parecia muito esquisita.
Vicki achou que não precisava mais se preocupar com aquilo. Uma tarde estava em seu quarto, diante da janela, olhando o céu cinzento e pensando no que fazer de sua vida. A sala de refeições já estava pintada, os lustres novos colocados e, no dia seguinte, seria posto o carpete. Só então é que iria supervisionar a colocação da mobília. Por enquanto não tinha nada para fazer.

O rio refletia o cinza do céu e arrepiava-se com os pingos da chuva. Não era um bom dia para se passear, mas Vicki sentia necessidade de sair do hotel.

Olhava ao longe a bela casa dos Meredith e sentia-se atraída por ela. Jason não lhe dissera que podia visitá-la quando quisesse? Mesmo ele estando ausente?

Não! Isso já seria até masoquismo! Ir lá na casa dele, tão impregnada da presença querida... mas...

Quando deu por si estava vestindo a capa de chuva. Jason ainda estava em Stratford, só o caseiro estaria na casa e talvez alguns pedreiros. Que mal haveria? Talvez lhe fizesse bem ver de novo aquela casa que lhe dava uma sensação de bem-estar.

Pegou o bloco de desenho, caso tivesse alguma idéia, e saiu.

O caseiro não ficou surpreso ao vê-Ia chegar. Estava no jardim, ajudando a replantar umas mudas. Assim que Vicki se apresentou ele a fez entrar, dizendo que o patrão o avisara e deixara ordens para recebe-la.

Vicki percorreu os aposentos do andar térreo. Ao entrar numa saleta de janela ampla que dava para o jardim, não pôde resistir ao impulso de desenhar como ficaria se fosse decorá-la. Depois foi para o outro andar e fez a mesma coisa. Cada vez mais empolgada, ia desenhando todos os aposentos. O quarto de Paula ela fez com todo carinho, conhecendo o gosto da garota, sabendo que gostava de mobília moderna. Gostou do resultado final. Daria o desenho a Paula, quem sabe ela aproveitaria alguma coisa!

Depois de alguma hesitação resolveu ir ao quarto de Jason. Não resistiu à tentação. Respirou fundo, abriu a porta e entrou.

- Olá, Victoria - disse Jason.

Vicki ficou paralisada onde estava, olhando-o como se fosse um fantasma. Ele estava sentado na beirada de sua enorme cama com dossel, meio virado para ela, o olhar triste. Parecia uma cena de filme.

- O que está fazendo aqui?! - perguntou Vicki quando conseguiu falar. - O caseiro me disse...

- Ele não me viu chegar. Eu queria ficar um pouco sozinho... para mim isso é um raro prazer.

- Então eu vou indo.

Vicki fez menção de abrir a porta, mas ele a impediu, erguendo-se num gesto rápido e ágil.

- Por favor, fique! Não era para você que eu estava falando e, depois, quero falar com você.

Só então Vicki notou que a mão direita dele estava enfaixada.

- O que foi que aconteceu, Jason?

Ele ergueu um pouco a mão machucada.

- Ah, isso... Acho que eu e Trevor nos empolgamos demais na cena final do duelo, ontem à noite. Parece que a superstição teatral a respeito de Macbeth tem um fundo de verdade!

- Foi muito feio o machucado?

- Não tanto quanto pareceu na hora. O palco se encheu de sangue... O público adorou! Levei só alguns pontos, mas o médico me proibiu de representar durante uma semana. Uma chateação! Mas para o Trevor foi bom. Ele estava louco para interpretar Macbeth! - Dando o assunto por encerrado com um encolher de ombros, Jason olhou direto para ela. – Eu estava aqui pensando se devia ou não ir procurá-la, Victoria.

Vicki, em suspense, esperou o que ele iria dizer.

- Acho que me portei mal em Stratford, não fui nada sensato... - Passou a mão esquerda pelos cabelos, num gesto nervoso. - Mas que diabo! Quer sair de perto dessa porta!! Eu não vou atacar você!

Ele se sentou de novo na beirada da cama, único móvel no aposento, e indicou o lugar a seu lado para que ela se sentasse também.

- Sente-se aqui, vamos. Não podemos conversar direito, assim, em pé no meio do quarto.

Vicki não se moveu.

- Por que não vamos conversar em outro lugar, então?

- Pelo amor de Deus, Victoria! Não tem outro lugar. Está chovendo e o terraço está todo molhado. Você não vai querer ir conversar na casa do caseiro, não é?

Relutante, Vicki sentou-se ao lado dele, mas não muito perto. Mesmo assim já se sentiu perturbada com a proximidade daquele corpo que tanto a atraía. Tinha vontade de agradá-lo, acariciá-lo.

- Por que não tira esse casaco? - disse Jason, com um suspiro.

- Não é necessário.

- O que você desenhou aí? - perguntou ele, indicando o bloco nas mãos dela.

- Ah, algumas idéias que tive para o quarto de Paula e a saleta, lá embaixo...

- Posso ver?

Sem esperar permissão, ele pegou o bloco e começou a virar as páginas.

- Muito bonito! Você tem talento, Victoria.

De repente, olhando para o bloco que ele continuava a folhear, Vicki sentiu um calafrio. Tinha se esquecido dos desenhos que fizera de Jason, quando sentia muitas saudades! Ele viu, depois ergueu o rosto, com um sorriso e um brilho no olhar.

- Estou muito lisonjeado.

Vicki achou melhor não dizer nada e depois de alguns instantes o rosto dele mudou de expressão.

- Sinto muito que você tenha presenciado aquela cena com Paula em Stratford. Detesto escândalos e gritarias.

- Você é que estava bravo, fazendo sermão e falando alto.

- E você acha que não tinha razão de estar bravo?

- É claro que tinha, mas Paula teve seus motivos... Bom, mas não vamos discutir agora -disse Vicki, não querendo revelar os planos de fazer teatro que a garota lhe contara em segredo. - Acho que isso é assunto para você e ela, só.

- Está bem, então, que tal falarmos de nós, você e eu?

- Nós não existimos!

Jason sorriu, ergueu a mão e tocou de leve o rosto dela.

- Não me parece que você é irreal...

Vicki ficou imóvel, decidida a não demonstrar o quanto aquele contato a deixava perturbada.

- Jason, eu queria lhe fazer uma pergunta.

- Então faça. - Ele agora acariciava-lhe o cabelo e o pescoço. - Você tem um cheiro tão gostoso!

Ela continuou fria e ele parou de acariciá-la.

- Sabe, é que percebi que não tenho o direito de acusar você, então resolvi perguntar direto: você tem um caso com Sabrina?

Jason empertigou-se e Vicki pensou que ele não fosse responder, mas depois de instantes disse apenas.

- Não.

Como ele não disse mais nada, Vicki continuou.



- Ela me disse que vocês eram amantes.

- Ah, sei. - Ele suspirou fundo. - Desculpe, Victoria, pensei que você tivesse tirado conclusões precipitadas. Não sabia que tinha um motivo concreto. Sabrina mentiu.

- Mas por quê?

- Ah, coisas de mulher! Eu não posso entender.

Ele sorriu. Lá fora o céu ficara mais escuro e a chuva mais pesada. Jason acendeu um cigarro, foi até a janela e abriu uma fresta, já que não havia cinzeiros naquele quarto. De costas para Vicki, ele falou. de novo quebrando o silêncio.

- Eu admiro a sua capacidade de encarar as coisas de frente, Victoria. Gostaria de ser assim como você. Eu e Sabrina fizemos amor, sim, uma vez, enquanto eu estava casado com Claire. Aconteceu... e me arrependi imediatamente depois. - Jason virou-se e encarou Vicki. - Como já lhe disse, Claire vivia me acusando injustamente de ter casos com outras mulheres. Não vou lhe dizer que sou um santo, mas enquanto estive casado fui fiel. Um dia em que eu estava chateado, achei que, se era sempre acusado sem motivo, seria melhor então ter um motivo real... Sabrina estava disponível, não estava casada com Sig ainda, embora nós todos o conhecêssemos muito bem. Aliás, ele era amigo íntimo de Claire. E Sabrina casou-se com ele logo depois do que houve entre nós, quando eu disse que estava arrependido e que aquilo jamais iria se repetir. - Ele suspirou. - Nunca mais senti nem tentação de fazer amor com Sabrina.

- É, mas parece que Sig pensa de outro modo.

- É, eu sei. É possível que ele tenha sido levado a isso...

- Por Sabrina?

- É. Pode parecer pouco delicado de minha parte dizer isso, mas acho que Sabrina queria que Sig pensasse que ela e eu ainda tínhamos algum envolvimento. E, evidentemente, ela queria que você pensasse a mesma coisa. Só não sei por quê.

- Talvez ela espere que aconteça de novo...

- Mas não vai acontecer.

- Eu queria lhe pedir desculpas, Jason... Eu não devia ter acreditado em Sabrina sem perguntar para você primeiro. Pensei que... bem, ela me disse que você insistiu para que ela fosse a Stratford fazer-lhe companhia.

- Insisti mesmo. Mas por outros motivos. Tínhamos que tratar de um assunto a respeito do teatro...

- É, eu sei. David me contou. Já está tudo resolvido, agora?

- Já vamos drenar o terreno e usar pilastras. - Ele jogou o cigarro pela fresta da janela, voltou para a cama e sentou-se. - Você deve me achar um grande egoísta. E eu devo ser mesmo. Suportei a insensatez de Sabrina e tratei de deixar Sig contente, só por um motivo: o futuro do meu teatro. É muito importante para mim. Sempre foi meu sonho fundar uma nova companhia, acompanhar seu crescimento e desabrochar. Não é fácil atrair os jovens atores para o teatro, quando a televisão e o cinema acenam com promessas de fama e fortuna! O meu teatro vai ser Elisabetano, com uma parte ao ar livre. Quero que seja um lugar onde os jovens possam se iniciar, sejam incentivados e recebam orientação. E não pretendo ficar só na linha de Shakespeare, quero contato com autores novos, contemporâneos. Sabrina, apesar de tudo, conhece bem o teatro, é uma brilhante perita no assunto e é disso que eu preciso. Ela sabe o que dá certo e o que não dá. O dinheiro de Sig também é muito importante. Eu não tenho condições de custear o projeto sozinho. - Ele se interrompeu e olhou para Vicki, com um sorriso. - Nossa, parece até que estou fazendo um discurso para levantar fundos, não é mesmo?

Ela sorriu também.

- Mas você me convenceu! Garanto-lhe que é uma causa justa. - Depois olhou-o com serenidade. - Então, não está pensando em se casar com Sabrina?

- Ela lhe disse isso?

- Não... - Ficou indecisa, não querendo complicar David.

- Não vou me casar com ninguém. Já lhe disse isso. Agora, que tal falarmos de nós, hein, Victoria?

Ela sentiu um nó na garganta.

- Não sei, Jason... as coisas continuam nas mesmas condições?

- Você quer dizer quanto a compromissos e promessas?

- É...

- Mas para que precisamos de promessas? Temos ternura, carinho, intimidade, amor... Você acha que podemos ter uma relação sólida e duradoura? Acho que já vimos o que pode acontecer... Eu vou ser sempre um ator e ter essa vida que você conhece... é difícil! Não acho justo que uma mulher tenha que suportar todas as minhas exigências e eu não tolero cenas de ciúmes nem escândalos, Victoria. Por isso, acho que eu não posso me ligar permanentemente a ninguém. Não posso ter laços com nada. Sei que é uma atitude egoísta, mas acho que seria mais egoísmo eu querer que uma mulher se submetesse.



Vicki olhou para as mãos que estavam cruzadas, no colo. Tinha vontade de dizer a ele que nenhum casamento é um mar de rosas. Há sempre algumas brigas, crises. Quantas vezes não tinha ouvido o pai e a mãe discutirem, ou Gail e seu primeiro marido... no entanto seus casamentos não tinham sido destruídos. Quando há um sentimento forte unindo o casal, as discussões até servem para melhorar o relacionamento. E, além do mais, não existem relacionamentos feitos só de momentos bons. Que valor há, se um não apóia o outro num momento difícil? Que coisa superficial e fútil encontrarem-se só para o sexo, sem maiores envolvimentos! Uma relação vazia, pobre, que não podia satisfazer ninguém, muito menos pessoas sensíveis. E presume-se que um artista seja uma pessoa sensível!

Vicki, entretanto, não disse nada disso. E como poderia fazê-lo sem parecer que estava implorando para que ele se casasse com ela? Afinal, tinha amor-próprio e dignidade!

Fazer o que ele queria era-lhe impossível! Viver apenas o momento, saciar o desejo, aproveitarem os instantes que tivessem para ficar juntos... O que sobraria, depois, quando a paixão se acalmasse? O fim mais provável era que Jason se cansasse dela e fosse embora. Será que aceitaria essa rejeição dele, depois de terem partilhado a intimidade? O que restaria de sua integridade como pessoa? Não seria melhor terminar o relacionamento no ponto em que estavam, enquanto ainda havia respeito mútuo?

- Sinto muito, Jason - disse ela, com grande dificuldade. - Acho que seria melhor nós não nos vermos mais.

- Entendo... - Sabe, na verdade não acredito que você seja capaz de sair daqui e afastar-se de mim.

Ela o fitou de olhos arregalados.

- Mas é claro que sou capaz!

- Será que você consegue mesmo, Victoria? – Ele começou a afagar de leve o braço dela. Foi deslizando a mão até o ombro e puxando-a para perto de si. - Você não se lembra daquele dia, na margem do rio?...

- Lembro, sim.

- E lembra-se disso?

Jason roçou de leve a mão nos seios dela, despertando-lhe toda a sensualidade. Era como se Vicki estivesse nua, totalmente exposta àquela carícia. Ele sabia como lidar com as mulheres, como despertar reações instintivas do corpo... Não fazia nenhum gesto brusco ou afoito, como David, por exemplo. Era tudo muito leve e delicado.

- Jason...

Vicki protestou com voz fraca, mas ele a impediu de continuar, fechando-lhe a boca com um beijo. Vagamente ela percebeu que, apesar da mão enfaixada, Jason só com a outra conseguia com agilidade livrá-los das roupas.

Só sabia que, de repente, estavam os dois nus, e o contato da pele dele era agradável e provocante. Agora ela também o abraçava, deslizando as mãos pelos músculos firmes daquelas costas. Ele gemia baixinho com os agrados dela, deixando-a cada vez mais louca. Sem pensar em mais nada, Vicki apenas retribuía os beijos com a mesma avidez. Agora o momento já não era de ternura e sim de paixão, o desejo tornando os agrados mais violentos. Seus corpos se buscavam com uma fúria abrasadora.

Vagamente, no fundo da consciência, Vicki tinha uma noção de que iria arrepender-se depois. Entretanto, nada mais importava naquele momento. Só queria sentir o corpo dele contra o seu!

Sem interromper o beijo, Jason foi se deitando na cama, puxando-a consigo. Sua respiração ofegante e os murmúrios ininteligíveis deixavam-na cada vez mais excitada. De repente, entretanto, ele gemeu mais alto e dolorido. É que tinha apertado a mão machucada. Fez uma careta, depois sorriu e aproximou-se de novo pata mais um beijo, desculpando-se.

A interrupção, porém, serviu para que Vicki recuperasse a razão e percebesse que estava cedendo. Afastando-se dele, rolou para a beirada da cama, sentou-se e vestiu a blusa depressa.

- Victoria!...

Ela não se virou.

- Não queria que isso acontecesse, Jason.

- Nem eu. Parece que é inevitável, não é mesmo?

- Nós não somos animais, Jason. Podemos muito bem controlar... o que fazemos...

- Pode ser que você não seja, mas tem certeza de que eu não sou?

Ele estava agora ajoelhado na cama, ao lado dela e, ao falar isso, beijou-a na nuca.

Vicki empertigou-se.

- Não, Jason... Por favor, você não está sendo justo. Eu não quero... não quero fazer amor com você. Não posso suportar ser apenas um brinquedo, uma diversão... Sei que depois vou me sentir humilhada, diminuída...

Houve um pesado silêncio, depois Vicki percebeu que ele se levantou, parou diante dela e fitou-a enquanto abotoava a camisa, sorrindo.

- Você vai mudar de idéia. E bobagem sentir-se assim, você não é uma mulher promíscua, Victoria. Nós nos amamos. É diferente, não é como se...

- Não, não vou mudar de idéia.

- Eu amo você, Victoria.

- Você não sabe amar. O amor não é algo que você oferece apenas por alguns momentos. Amar significa assumir um compromisso afetivo, com todos os riscos...

- Casamento?

Ela se empertigou e encarou-o bem.

- É, casamento, sim: Mas não precisa se preocupar, não estou pedindo que se case comigo. Prefiro esperar alguém que não use um sentimento de culpa para se esquivar das responsabilidades.

Ela sabia que dissera algo pesado, antes mesmo de ver a expressão dele. Mas tinha que dizer!

Por instantes Jason a contemplou, hesitante, como se quisesse dizer algo. Depois suspirou, curvou-se e beijou-a de leve na boca.

- Eu magoei você, não foi? Você tem razão. Não tenho nada para lhe oferecer - o olhar dele ficou distante. – Você trouxe uma nova luz à minha vida... e eu lhe agradeço por isso. Pode ficar tranqüila que não vou importuná-la mais. Sei que já disse isso antes, mas desta vez é sério mesmo. Eu não sirvo pra você. Desculpe-me, Victoria. Você tem todo o direito de agir assim. Não foi justo de minha parte...

Vicki olhava para o chão, com medo de começar a chorar. O silêncio pesava. Ouviu-o vestir o paletó e acender o isqueiro, mas Jason não saiu. Lembrou-se então que estava na casa dele e ela é que deveria sair. Só que não tinha forças para erguer-se e ir embora daquele quarto.

Procurando ganhar tempo, resolveu falar de Paula para neutralizar o clima.

- Queria lhe fazer outra pergunta, Jason. É sobre Paula. Você deu a ela dinheiro para comprar um violão?

Ele se admirou.

- Um violão?! Não, por que, ela está querendo? Eu ainda não estive no hotel e não falei com Paula.

- Paula me disse que você deu dinheiro a ela, lá em Stratford.

- Mas por que ela lhe disse isso?

- Se você não deu, onde ela arranjou esse dinheiro, então?

- Com David, quem sabe...

- Não. David acha que... bem... acha que pode haver uma possibilidade...

Jason foi até a janela e jogou fora o cigarro.

- Fale logo, Victoria!

- Houve outro roubo no hotel. Dessa vez foi dinheiro.

Ele a puxou pelo braço com força, fazendo-a erguer-se.

- O que está querendo dizer, afinal? Está acusando Paula de roubo?

- Não. Mas acho bom você saber o que David pensa. Não se sabe onde ela arranjou dinheiro...

Quando ele a soltou, foi com tanta força que Vicki quase caiu sentada de novo na cama.

- Jason, eu não quis dizer que acho que Paula roubou...

- Não mesmo? - A voz era ríspida. - Você parece ser muito desconfiada, Victoria. Primeiro foi comigo, agora é com minha irmã. - Ele a olhou com frieza. - Paula faz muitas travessuras, mas isso é demais! Essa acusação é indesculpável!

- Eu não fiz acusação alguma.

Mas Jason não mais a ouvia. Saiu do quarto pisando duro, dizendo que ia acertar contas com David.

Desceu as escadas e saiu, batendo a porta da rua.

Desesperada, Vicki percebeu que tinha feito tudo errado. Agora era irremediável! Ficou ali, sentada na cama, encolhida, sem ânimo para levantar-se e ir embora.




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