Não temos direito de ser felizes



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Encontro27.01.2018
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Será Que Temos Direito A Felicidade (Sexual)?

Fico muito contente de ver que entre nós evangélicos as questões de sexualidade e casamento são hoje debatidas de forma muito aberta e franca e que o preconceito e a discriminação com aqueles que tem passados por dificuldades nessa área tem reduzido significativamente. Devemos dar graças a Deus por tal mudança de comportamento. Mas será que não temos ido alem dos limites e tratado o sexo de forma inconsistente e improcedente? Essa questão faz lembrar de um ensaio [1] escrito pelo pensador inglês CS Lewis o qual uso como base para as observações que se seguem.


“Eles tinham direito de serem felizes” disse Clara, ao se referi a algo que tinha acontecido recentemente. O senhor “A” deixou a senhora “A” e pediu divórcio para casar-se com a senhora “B”, que tinha também pedido divórcio para casar-se com o senhor “A”. Certamente não havia dúvidas de que o senhor “A” e a senhora “B” estavam apaixonados um pelo outro.
Uma analise mais detalhada da situação mostra que o casal apaixonado não estava feliz com seus antigos parceiros. No inicio do casamento a senhora “B” adorava seu marido, mas ele ficou invalido. Cogitava-se que ele havia perdido sua virilidade e se sabia que ele perdera o emprego. A vida com ele não era mais tão vantajosa quanto senhora “B” tinha sonhado. Pobre da senhora “A”: ela também havia perdido sua aparência e toda sua vitalidade. Ela gastou sua saúde criando seus filhos e cuidando do marido durante uma longa doença que ofuscou o inicio da vida de casados.
Não devemos pensar também que o senhor “A” era o tipo de homem que friamente jogasse fora a esposa como um bagaço de cana. O suicídio dela foi um terrível choque para ele. Todos nós sabíamos disso, pelo que ele próprio nos contou: “Mas o que eu poderia fazer?” disse. “Um homem tem o direito de ser feliz. Eu tive que agarrar a única chance quando ela apareceu”.
Essa situação, portanto, nos leva a pensar sobre o conceito "do direito de ser feliz?".
Em primeiro lugar este direito parece ser tão estranho como o “direito de ter boa sorte.” Pois a nossa felicidade ou miséria depende em grande parte de circunstâncias alem do controle humano. O direito à felicidade não faz muito mais sentido que o direito de ser alto, de ter um pai milionário, ou de fazer tempo bom quando queremos ir a praia.
É possível entender o direito como uma liberdade garantida pelas leis da sociedade. Assim, temos o direito de viajar pelas rodovias públicas porque a sociedade nos dá essa liberdade; por isso é que se chamam estradas “públicas”. Também entendemos o direito como uma reivindicação garantida pelas leis e que, em contrapartida, é a obrigação de outrem. Portanto, se as leis permitem que o senhor “A” deixe a sua esposa e seduza a mulher do vizinho, então por definição o senhor “A” tem o direito legal de fazê-lo, e nós não precisamos falar sobre “felicidade”.
Mas é evidente que não é isso que normalmente queremos dizer. A maioria das pessoas hoje em dia quer dizer que o senhor A não tinha somente o direito legal, mas também o direito moral de agir como agiu.
O direito de “procurar a felicidade”, tão almejado pelos homens civilizados, mas especialmente pelos norte-americanos, e o qual é ratificado na da declaração de independência dos Estados Unidos, tem se proclamado com um dos direitos básicos do homem.
Mas o que os escritores dessa declaração queriam realmente dizer? Eles não queriam dizer que o homem foi autorizado a buscar a felicidade através de todos e quaisquer meios incluindo, por exemplo, assassinato, estupro, roubo, traição e fraude. Nenhuma sociedade poderia ser construída sobre essas bases. Eles queriam dizer "buscar a felicidade através de todos os meios legais", isto é, através de todos os meios que a Lei da Natureza eternamente permitem e sancionadas pela nação.
E a pergunta sobre o é legal permanece exatamente como antes. É aqui é que como Cristãos devemos discordar de Clara e dessa posição predominante em nossa sociedade e igrejas. Não é óbvio que as pessoas tenham direitos ilimitados à felicidade da maneira com é sugerida.

A realidade é que o termo “felicidade”, quer dizer simples e exclusivamente “felicidade sexual”.


Muitos de nós lembramos as pessoas nos dizendo “Porque todo esse puritanismo? Vamos tratar sexo assim como tratamos todos os outros impulsos” Muitos de nos éramos tolos para acreditar que eles queriam realmente dizer o que diziam. Não demorou muito a entender que eles queriam dizer exatamente o oposto. Eles queriam dizer que sexo era para ser tratado como nenhum outro impulso em nossa natureza jamais foi tratado pelas pessoas civilizadas. Todos os outros impulsos, nós admitimos, devem ser domados. Obediência absoluta aos seus instintos para a autopreservação é o que chamamos de covardia; ao impulso de propriedade, avareza. Até o sono deve ser resistido se estiver de guarda. Mas toda falta de gentileza e desrespeito a confiança parece ser perdoada posto que o objeto desejado são quatro pernas nuas em uma cama!
Isso é equivalente a ter uma moral na qual roubar fruta é considerado errado – a não ser que você roube só laranja.
E se você protestar contra essa visão você é geralmente confrontado com uma conversa sobre a legitimidade, beleza e santidade do "sexo" e é acusado de possuir um vergonhoso preconceito puritano contra sexo.
A realidade é que a ação do senhor A é uma ofensa contra a boa fé (a promessas solenes), contra a gratidão (a alguém a quem ele muito devia) e contra o bom senso humano.
Nossos impulsos sexuais tem sido colocado em uma posição de privilégio absurda. A causa sexual é usada para perdoar todos os tipos de comportamento que, se tivessem qualquer outro fim, seria condenado como impiedosos, desleais e injustos.
Apesar de não ver nenhuma boa razão para dar ao sexo este privilégio, devemos reconhecer uma forte causa: É parte da natureza de uma forte paixão erótica – ao contrário de um impulso transitório de apetite – que ela faça promessas mais grandiosas que qualquer outra emoção. Sem dúvida, todos os nossos desejos fazem promessas, mas não de forma tão impressionante. Estar apaixonado envolve a praticamente irresistível convicção que se permanecerá apaixonado até a morte, e que a posse do ser amado trará, não somente êxtases freqüentes, mas felicidade sólida e frutífera por toda a vida. Desta forma, tudo parece estar em jogo. Se perdermos esta oportunidade, teremos vivido em vão. Ao simples pensamento desta perdição mergulhamos nas enormes profundezas da autopiedade.
Infelizmente, estas promessas são freqüentemente muito falsas. Todo adulto experiente sabe que isto é assim com relação a todas as paixões eróticas. Sabemos que estas coisas às vezes duram e outras vezes não. E quando duram, não foi porque no início havia a promessa de ser assim. Quando duas pessoas atingem uma felicidade duradoura, isto não se deu somente por serem excelentes amantes, mas por também pessoas boas, controladas, leais, honestas, mutuamente adaptáveis.
Se estabelecermos um "direito à felicidade (sexual)" que suplanta todas as regras comuns de comportamento, não o fazemos em função do que a nossa paixão demonstra ser na prática, mas devido ao que ela promete ser enquanto estivermos de posse dela. Daí, enquanto o mal-comportamento é real e causa miséria e degradação, a felicidade, que era o objeto do comportamento, se revela ser continuamente ilusória. Qualquer um sabe que o senhor “A”, em mais ou menos um ano, poderá ter as mesmas razões de deixar a sua nova esposa como deixou a anterior. Ele novamente sentirá que tudo está em jogo. Ele se verá novamente um grande amante, e a sua autopiedade excluirá toda e qualquer compaixão pela mulher presente.

Observações finais:


Uma sociedade na qual a infidelidade conjugal é tolerada, será necessariamente, ao longo prazo, uma sociedade mais adversa à mulher, as quais se tornam mais freqüentemente as vítimas de que as culpadas. Além disto, a felicidade doméstica é mais importante para elas que para os homens. Portanto, na impiedosa guerra da liberdade sexual, as mulheres estão em dupla desvantagem. Elas arriscam mais e também têm as maiores chances de perder.
Apesar de o "direito à felicidade" ser principalmente reivindicado pelo impulso sexual / sentimental, parece ser impossível reduzir a questão a essa dimensão. O princípio fatal da falta de infidelidade, uma vez permitido neste departamento, permeará todas os aspectos das nossas vidas. Conseqüentemente, avançaremos em direção a uma sociedade na qual não somente cada indivíduo, mas todo impulso do indivíduo, reivindicará carta branca. Será que poderemos ser felizes sob estas condições? Não, de acordo com a Palavra de Deus que nos diz: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.” Mateus 5: 27-29.
[1] CS Lewis, God in the Dock, Eerdmans, 1970

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