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Universidade Federal de Minas Gerais

Pró-Reitoria de Pesquisa



Revistas científicas na UFMG


Bernadete Santos Campello

Paulo da Terra Caldeira

Professores da Escola de Ciência da Informação

Belo Horizonte

2003

SUMÀRIO




LISTA DE QUADROS 3

1 INTRODUÇÃO 4

2 METODOLOGIA 4

3 ANÁLISE DOS RESULTADOS 7

3.1 O periódico como componente do processo de comunicação científica 7



      1. A importância do periódico como veículo de comunicação científica 7

      2. Características do periódico científico 9

        1. Título 9

        2. Periodicidade 9

        3. Número de artigos publicados 10

        4. Caráter científico 10

Público 10

Natureza dos artigos 11

Avaliação por pares 11

Formalização do processo de avaliação 12

Número de pareceristas 12

Tempo de avaliação 13

Abrangência das revistas 13

Origem dos autores 13

Origem dos avaliadores 14

Idioma 14

Programas de permuta 15

Presença em coleções 15



        1. Índice de impacto, ISSN, indexação e classificação Capes 16

Índice de impacto 16

ISSN 16

Indexação 17

Classificação Capes 19



        1. Normalização 19

Lombada 20

Capa 20

Folha-de-rosto 20

Sumário 20

Artigos 20

Instruções para os autores 21



    1. O periódico como empreeendimento 21

      1. Formalização da revista na instituição 21

Existência de documentos institucionais 21

Processo de escolha dos editores 21

Período de mandato do editor 22

Participação na ABEC 22



      1. Distribuição de funções nas revistas 22

      2. Captação de recursos 23

Recursos da UFMG 24

Apoio de entidades governamentais 24

Apoio de instituições não-governamentais 25

Assinaturas 25

Outras formas de comercialização 26


      1. Tiragem 26

      2. Custos de impressão 27

      3. Doações 27

      4. Permuta 27

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS 28

REFERÊNCIAS 29

ANEXOS 30

1 Situação das coleções das revistas da UFMG no CCN/IBICT

2 Roteiro utilizado para análise da normalização

3 Fascículos utilizados para análise da normalização




LISTA DE QUADROS


QUADRO 1 – Periódicos analisados 5

QUADRO 2 – Posição das revistas impressas em todas as áreas pesquisadas 7

QUADRO 3 – Ano de criação e periodicidade das revistas da UFMG 8

QUADRO 4 – Periodicidade exigida pelo Scielo 10

QUADRO 5- Número de artigos por ano exigido pelo Scielo 10

QUADRO 6 – Público das revistas da UFMG por categoria 11

QUADRO 7 – Origem dos avaliadores das revistas da UFMG 14

QUADRO 8 - Presença das revistas da UFMG em coleções de bibliotecas brasileiras 15

QUADRO 9 – ISSN, indexadores, classificação Capes e abrangência das revistas da UFMG 17

QUADRO 10 - Situação da indexação das revistas da UFMG em 1992 e em 2003 18

QUADRO 11 -Tarefas desempenhadas pelos editores e outros membros das revistas

da UFMG 22

QUADRO 12 - Origem dos recursos para impressão das revistas da UFMG 23

QUADRO 13 - Origem dos recursos financeiros da UFMG alocados às revistas 24

QUADRO 14 – Número de assinantes das revistas da UFMG 25

QUADRO 15 – Outras formas de comercialização das revistas da UFMG 26

QUADRO 16 –Tiragem, custo de impressão e custo por exemplar das revistas da

UFMG 26

QUADRO 17 - Relação entre exemplares das revistas da UFMG impressos e

Distribuídos 27

1 INTRODUÇÃO

Desde que foi inventado no Século XVII, com a finalidade agilizar o processo de comunicação entre pesquisadores, o periódico científico tem se mantido, de maneira geral, como o mais importante veículo de disseminação da ciência entre pares. Com o passar do tempo o periódico veio a assumir outras funções, o que levou ao estabelecimento de um complexo aparato bibliográfico destinado ao seu controle, envolvendo diferentes atores.


O advento das tecnologias de informação eletrônica abriu novas perspectivas para a comunicação científica e o periódico começou a migrar para o meio digital. Assim, a forma do veículo se modifica, mas a necessidade de se preservar a essência do processo de comunicação (a validação do conhecimento), do qual o periódico científico é um componente essencial, é percebida e se mantém no ambiente virtual.
Esse momento de transição exige criatividade e flexibilidade de todos os envolvidos na questão da comunicação científica e decisões difíceis precisam ser tomadas por aqueles responsáveis pela eficácia dos meios de disseminação da ciência, em particular os responsáveis pelos periódicos científicos.
Na Universidade Federal de Minas Gerais, em cujo âmbito se publica um número significativo de periódicos, existe preocupação não apenas com a manutenção das revistas, mas com a busca de excelência desses veículos. O presente estudo reflete essa preocupação. Foi proposto pela Pró-Reitoria de Pesquisa com o objetivo de elaborar um diagnóstico das revistas científicas produzidas no âmbito das Unidades da UFMG, de forma a melhor compreender a problemática de sua produção, servindo como subsídio para embasar propostas de apoio à essas publicações. As revistas foram estudadas a partir de duas perspectivas:



  1. Como veículo de comunicação científica, isto é, como parte da atividade de produção do conhecimento. Nesse sentido foram analisadas questões relativas aos indicadores intrínsecos que influenciam a qualidade do periódico;

  2. como empreendimento, ou seja, como parte da questão do financiamento da pesquisa. Aqui foram analisadas questões ligadas ao processo de gestão das revistas.


2 METODOLOGIA
Os dados foram coletados em dois períodos e de maneiras distintas. Em junho de 2002 a Pró-Reitoria de Pesquisa encaminhou aos Diretores de Unidades um questionário com 34 questões sobre as revistas publicadas sob sua responsabilidade. Obtiveram-se respostas de 17 revistas. Posteriormente, no período de maio a julho de 2003, foram realizadas entrevistas com os editores para complementação dos dados obtidos pela PRPq. Além disso, os editores que não haviam respondido ao questionário da PRPq o fizeram neste momento e, ao final, obtiveram-se dados de 26 periódicos1, que constituíram a amostra do presente estudo (QUAD. 1). Foi realizado também o exame documental das revistas, para verificação de pontos relacionados à normalização bibliográfica e à transparência do processo de avaliação de artigos, além de consulta ao Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas-CCN/IBICT, para averiguar a presença das revistas em coleções de bibliotecas brasileiras.
QUADRO 1 - Periódicos analisados


Revistas

Instituições responsáveis

Editores

Endereços eletrônicos

Internet


Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Escola de Veterinária/Sociedade Brasileira de Melhoramento Animal/ Sociedade Brasileira de Transferência de Embrião

Martinho de Almeida e Silva

journal@vet.ufmg.br

http://journal.vet.ufmg.br


Arquivos em Odontologia

Programa de Pós-Graduação em Odontologia - Faculdade de Odontologia

Isabela Almeida Pordeus/Saul Martins de Paiva






Cadernos de Psicologia

Departamento de Psicologia - FAFICH

Marco Aurelio Máximo Prado

caderpsi@fafich.ufmg.br

www.psi.fafich.ufmg.br/cadernos

Caligrama: Revista de Estudos Românicos

Departamento de Letras Românicas - Faculdade de Letras

Maria Miquelina Barra Rocha

caligram@letras.ufmg.br




Casos Clínicos em Psiquiatria

Departamento de Psiquiatria e Neurologia - Faculdade de Medicina/Residência de Psiquiatria do Hospital das Clínicas/UFMG/Associação Acadêmica Psiquiátrica de MG

Maurício Viotti Daker

ccp@medicina.ufmg.br

http://www.medina.ufmg.br/ccp

Contabilidade Vista & Revista

Departamento de Ciências Contábeis - FACE

Geová José Madeira

seccic@face.ufmg.br




Educação em Revista

Faculdade de Educação

Dalila Andrade de Oliveira

revista@fae.ufmg.br




Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências

CECIMIG - Centro de Ensino de Ciências e Matemática

Arnaldo Vaz

ensaio@cecicmig.ufmg.br

http://www.cecimig.ufmg.br/ensaio/

Geonomos: Revista de Geociências

Centro de Pesquisas Prof. Manoel Teixeira da Costa – Instituto de Geo-Ciênicas

Tânia Mara Dussin







Geraes

Departamento Comunicação Social e Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social – FAFICH

Carlos Camargos Mendonça


geraes@fafich.ufmg.br




Kriterion: Revista de Filosofia

Departamento de Filosofia - FAFICH

Francisco Javier Herrero Botin

kriterion@fafich.ufmg.br




Licere: Revista do Centro de Estudos de Lazer e Recreação CELAR/EEF/UFMG

Centro de Estudos de Lazer e Recreação - Escola de Educação Física

Christianne Luce Gomes Werneck,

Hélder Ferreira Isayama

licere@eef.ufmg.br




Lundiana: International Journal of Biodiversity



Comitê de Coleções Taxonômicas - Instituto de

Ciências Biológicas

Alan Lane de Melo

lundiana@icb.ufmg.br


http://wwww.icb.ufmg.br/~lundiana

Memorandum

Grupo de Pesquisa Estudos em Psicologia e Ciências Humanas: História e Memória - Departamento de Psicologia da FAFICH - UFMG, Departamento de Psicologia e Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - USP

Miguel Mahfoud,

Marina Massimi

Miguel Mahfoud/PROF/PSI/FAFICH/UFMG

http://www.fafich.ufmg.br/~memorandum

Música Hoje: Revista de Pesquisa Musical

Departamento de Teoria Geral da Música - Escola de Música

Gilberto Machado







Nova Economia

Departamento de Ciências Econômicas - Faculdade de Ciências Econômicas

João Antônio de Paula

ne@face.ufmg.br

http://www.face.ufmg.br/novaeconomia/

Per Musi: Revista de Performance Musical

Pós-Graduação em Música - Escola de Música

André Cavazotti

permusi@musica.ufmg.br




Perspectivas em Ciência da Informação

Escola de Ciência da Informação

Paulo da Terra Caldeira


pci@eci.ufmg.br

http://www.eci.ufmg.br

REME: Revista Mineira de Enfermagem

Escola de Enfermagem UFMG, Esc. Enfermagem Wenceslau Braz, Esc. de Farmácia e Odontologia de Alfenas, Escola Técnica de Saúde UNIMONTES, Fac. Federal Odontologia Diamantina, Fac. Enfermagem e Obstetrícia Fund. Ensino Superior Passos, Fac. Enfermagem UFJF, Fac. Medicina Triângulo Mineiro, Fund. Ensino Superior Vale do Sapucaí, Univ. Estadual de Montes Claros

Roseni Rosângela Sena

napq@enf.ufmg.br

www.bireme.br www.bibliomed.com.br

Revista Brasileira de Lingüística Aplicada

Associação de Lingüística Aplicada do Brasil – Programa de Pós-Graduação em Estudos Lingüísticos da Faculdade de Letras

Deise Prina Dutra







Revista da Faculdade de Direito


Faculdade de Direito

Washinton Peluso Albino de Souza

revista@direito.ufmg.br




Revista Geografia & Ensino


Instituto de Geociências

Cássio Eduardo Vianna Hissa

rge@igc.ufmg.br




Revista Médica de Minas

Gerais

Associação Médica de MG, Centro Ciências Biológicas e da Saúde – UNIMONTES, Centro e Ciências Biológicas e Saúde –Fund., Univ. Fed. Uberlândia, CRM MG, Coop. Edit. e Cultura Médica, Fac. Ciências Médicas Dr. José A. G. Coutinho, Fac. Ciências Médicas da Unifenas, Fac. Méd. Barbacena, Fac. Méd. Itajubá, Fac. Méd. UFJF, Fac. Med. UFMG, Fac. Med. Triângulo Mineiro, Sindicato dos Médicos do Estado MG

Enio Roberto Pietra Pedroso

coopmed@coopmed.com.br

www.bibliomed.com.br


Teoria & Sociedade


Departamento de Ciência Política e Departamento de Sociologia e Antropologia - FAFICH


Eduardo Viana Vargas, Bruno Pinheiro Wanderley Reis


ts@fafich.ufmg.br




Trabalho & Educação

Núcleo de Estudos sobre Trabalho e Educação - Faculdade de Educação

Fernando Fidalgo

revistan@fae.ufmg.br

www.fae.ufmg.br/nete

Vária História

Departamento de História, Programa de Pós-Graduação em História - FAFICH

Júnia Ferreira Furtado


Varia@fafich.ufmg.br

www.fafich.ufmg.br/his/revista.htm

Para a análise dos dados utilizaram-se como parâmetros as exigências feitas pelo CNPq no seu programa de apoio a revistas científicas (Brasil, sd.), pelo Scielo (2003) e pelo Institute for Scientific Information - ISI (Testa, 2003), serviço de indexação que publica índices de citação multidisciplinares2.


Foi também utilizado na análise um estudo divulgado em 1992, realizado sob a responsabilidade da Editora UFMG (UFMG, 1992) que analisou 28 revistas publicadas na época por Unidades e órgãos da UFMG. Doze revistas estão presentes nos dois estudos e, na medida em que vários dados são comuns, foi possível analisar a evolução das revistas em alguns aspectos.
3 ANÁLISE DOS RESULTADOS
A apresentação dos resultados será feita a partir das duas perspectivas que embasaram o estudo, isto é, o periódico visto como componente do processo de comunicação científica e como um empreendimento.
3.1 O periódico como componente do processo de comunicação científica

3.1.1 A importância do periódico como veículo de comunicação científica

O pressuposto de que as revistas científicas constituem importante veículo de comunicação do conhecimento em diversas áreas embasou o presente estudo, tendo sido confirmado no decorrer da pesquisa, que procurou, preliminarmente, verificar a posição do periódico científico como veículo de comunicação na área. Assim, solicitou-se aos editores entrevistados que estabelecessem, com base na sua opinião, um ranking dos tipos de publicação mais importantes na área coberta pela revista. O QUAD. 2 apresenta a posição das revistas impressas em relação a outros tipos de publicação, em todas as áreas pesquisadas.
QUADRO 2 – Posição das revistas impressas, em todas as áreas pesquisadas


Tipo de publicação

Peso

Revistas impressas

6.34

Livros/coletâneas

5.56

Anais de eventos

3.95

Teses/dissertações

3.56

Revistas eletrônicas

3.39

Documentos da internet

2.17

Relatórios técnicos

0.65

A metade dos 26 editores considerou a revista impressa como o tipo de publicação mais importante na sua área; 8 como o segundo mais importante e 1 como o terceiro, em uma lista com 7 opções. Apenas um editor considerou revistas impressas pouco importantes, colocando-as em sexto lugar entre as sete opções apresentadas. Livros e coletâneas são considerados mais importantes que revistas por 7 editores. A posição das revistas eletrônicas é pouco significativa: elas suplantam as revistas impressas em apenas uma das áreas e em duas elas estão no mesmo nível de importância.


A importância conferida às revistas é, sem dúvida, um entre diversos fatores que contribuem para sua sobrevivência. Na UFMG, 9 revistas existem há mais de 20 anos (uma delas interrompida por 19 anos), 7 entre 19 e 10 anos e 10 entre 7 e 1 anos (QUAD. 3). A permanência de algumas revistas parece ser um fator de reconhecimento, que a coloca entre as mais importantes de sua área. É o que ocorre com o Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia e Kriterion (ambas criadas na década de 1940), consideradas muito importantes em suas respectivas áreas.
QUADRO 3 – Ano de criação e periodicidade das revistas da UFMG


Revistas

Ano de criação

Periodicidade

Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

1943

Bimestral

Arquivos em Odontologia

1965

Semestral

Cadernos de Psicologia

1984

Anual

Caligrama: Revista de Estudos Românicos

1981

Anual

Casos Clínicos em Psiquiatria

1999

Semestral

Contabilidade Vista e Revista

1989

Quadrimestral

Educação em Revista

1985

Semestral

Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências

1999

Semestral

Geonomos: Revista de Geociências

1993

Semestral

Geraes

1962

Semestral

Kriterion: Revista de Filosofia

1947

Semestral

Licere: Revista do Centro de Estudos de Lazer e Recreação CELAR/EEF/UFMG

1998

Anual

Lundiana

1980

Semestral

Memorandum

2001

Semestral

Música Hoje: Revista de Pesquisa Musical

1993

Anual

Nova Economia

1990

Semestral

Per Musi: Revista de Performance Musical

2000

Semestral

Perspectivas em Ciência da Informação

1972

Semestral

REME: Revista Mineira de Enfermagem

1997

Semestral

Revista Brasileira de Lingüística Aplicada

2001

Semestral

Revista da Faculdade de Direito

1894

Semestral

Revista Geografia & Ensino

1982

Anual

Revista Médica de Minas Gerais

1990

Trimestral

Teoria & Sociedade

1997

Semestral

Trabalho & Educação

1996

Semestral

Vária História

1985

Semestral

Algumas tendências gerais podem ser observadas, comparando-se com a situação relatada no estudo de 1992: a maior presença de programas de pós-graduação como responsáveis pela manutenção e/ou gerenciamento das revistas e o surgimento de revistas ligadas a grupos de pesquisa. Em 1992 apenas uma das revistas era de responsabilidade de programa de pós-graduação; hoje 7 recebem recursos dos programas a que se vinculam. Enquanto em 1992 todas as revistas eram de responsabilidade das Unidades ou de Departamentos, este estudo identificou 5 revistas de conteúdo especializado, criadas no âmbito de grupos ou órgãos de pesquisa. Observa-se também a existência de parcerias, com associações, faculdades, departamentos e grupos de pesquisa para manutenção das revistas: 7 delas mantêm parcerias, embora as características dessa modalidade não tenham sido examinadas no presente estudo (QUAD. 1).



O surgimento de revistas eletrônicas é incipiente (existe apenas uma na UFMG), embora a maioria das impressas mantenha sites para divulgação de partes do seu conteúdo (geralmente sumário e resumos).
3.1.2 Características do periódico científico
3.1.2.1 Título
A necessidade de portar um título que represente com precisão o seu conteúdo (o que o ISI chama de informative journal title), e que impeça que se tenha dúvidas quanto a endogenia da revista3, levou alguns periódicos da UFMG a mudar seus nomes. Desde 1992, 3 periódicos realizaram essa mudança (Arquivos dos Centros de Estudos da Faculdade de Odontologia da UFMG, Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG e Revista do Departamento de História), eliminando o nome da instituição e passando a ter títulos mais significativos (Arquivos em Odontologia, Perspectivas em Ciência da Informação e Varia História, respectivamente). Dos 26 periódicos analisados, apenas um mantém título que faz supor uma característica endógena (Revista da Escola de Direito) e outro mantém título que implica certa limitação de conteúdo (Cadernos de Psicologia).
Outra utilidade do título é a individualização da revista, uma marca registrada que a distingue de outras. Das 26 revistas pesquisadas 4 portam títulos semelhantes aos de outras revistas brasileiras: Revista da Faculdade de Direito (34 revistas têm esse título), Ensaio (4 revistas têm esse título), Educação em Revista (2 revistas têm esse título) e Cadernos de Psicologia (2 revistas têm esse título).4
3.1.2.2 Periodicidade
Com relação à periodicidade (número de fascículos publicados por ano) percebe-se nas revistas analisadas uma tendência à semestralidade: 18 das 26 publicam dois fascículos por ano (QUAD. 3). Apenas 3 conseguiram suplantar esse patamar (embora duas dessas estejam atrasadas) e 5 são anuais. Nove revistas mantêm a mesma periodicidade de 11 anos atrás e 3 aumentaram o número de fascículos por ano nesse período.
Vinte e uma das revistas analisadas atendem a exigência mínima de periodicidade (semestral) do CNPq. Com relação ao Scielo, que tem critérios mais rígidos e por área (QUAD. 4), 16 revistas estão dentro dos patamares (14 no patamar mínimo, 1 no desejado e 1 ultrapassa o desejado). Quatro revistas da área de humanas (Caligrama, Música Hoje, Cadernos de Psicologia e Revista Geografia e Ensino) deveriam dar o salto da periodicidade anual para a semestral, se quiserem chegar ao patamar mínimo do Scielo. De 5 revistas da área biológica (Arquivos em Odontologia, Casos Clínicos em Psiquiatria, Licere, Lundiana e REME) seria exigido o maior esforço: atingir a periodicidade trimestral (de 1 ou 2 para 4 fascículos por ano). Uma revista da área de exatas (Geonomos) teria de passar de semestral para quadrimestral (3 fascículos por ano).
QUADRO 4 - Periodicidade exigida pelo Scielo


Áreas

Mínima

Desejada

Biológicas

Trimestral

Trimestral

Exatas

Quadrimestral

Trimestral

Humanas

Semestral

Quadrimestral

Fonte: Scielo, 2003

3.1.2.3 Número de artigos publicados

O número de artigos publicados é um indicador de qualidade. O CNPq exige pelo menos 5 artigos por fascículo. O critério do Scielo é mais rígido: há diversificação por área e são indicados os patamares mínimo e desejado de artigos por ano. O QUAD. 5 mostra os níveis mínimo e desejável por área.


QUADRO 5 - Número de artigos por ano exigido pelo Scielo


Áreas

Mínimo

Desejado

Biológicas

32

60

Exatas

18

40

Humanas

10

24

Fonte: Scielo, 2003
Todas as revistas da UFMG estão dentro do exigido pelo CNPq, pois publicam de 5 a 22 artigos por fascículo. Seis estão muito próximas do mínimo, com 6 artigos e 2 estão no mínimo (com 5 artigos). No que diz respeito às exigências do Scielo, para as revistas da área de humanas o critério é semelhante ao CNPq (10 artigos por ano). Essas revistas estão, portanto, em melhor posição, pois todas já publicam pelo menos cinco artigos por número (em média). Com relação ao patamar desejado, entretanto, apenas 5 revistas estão em condições positivas. As outras 21 precisariam fazer um esforço para aumentar o número de artigos publicados. As das áreas de exatas e biológicas precisariam incluir mais artigos até para atingirem o mínimo exigido pelo Scielo, pois só uma delas ultrapassa o desejado.
3.1.2.4 Caráter científico
Três aspectos são considerados importantes para caracterizar a revista como científica: o público, a natureza dos artigos e o processo de avaliação por pares.
Público
A caracterização das revistas da UFMG feita com base no público, isto é, nas categorias de usuários que mais as utilizam, reflete seu caráter científico (QUAD. 6).
QUADRO 6 – Público das revistas da UFMG, por categoria


Público das revistas

Peso

Pesquisadores/professores

5.64

Alunos de pós-graduação

4.76

Alunos de graduação

3.32

Profissionais

3.24

Pessoas de outras áreas

1.04

Outros

0.2

Os pesquisadores predominam como público das revistas na opinião de seus editores: em 22 de 25 revistas estudadas os pesquisadores constituem o público principal, seguidos de alunos de pós-graduação. Duas revistas têm público predominante entre profissionais, sendo que, em uma delas, os pesquisadores aparecem em segundo lugar e a outra não tem pesquisadores como público. Em uma das revistas pesquisadores e profissionais empatam, como categoria de usuário mais importante. Uma das revistas é mais utilizada por alunos (de pós-graduação em primeiro lugar e de graduação em segundo), aparecendo os pesquisadores em terceiro. Um editor não respondeu a esta questão. Assim, o que se percebe é um número significativo de revistas de caráter científico, fato reforçado pela natureza dos artigos publicados.


Natureza dos artigos
Nesse sentido, há predominância de “contribuições originais resultantes de pesquisa científica e/ou significativas para a área específica do periódico”, conforme exigência do Scielo (2003). Também o CNPq exige que as revistas publiquem “mais de 50% de artigos científicos e/ou técnicos, gerados a partir de pesquisas originais, não divulgados em outras revistas” (Brasil, s.d.). Percebe-se que esses critérios reforçam dois aspectos: o artigo tem que ser resultante de pesquisa e ser inédito.
Todos os artigos publicados em 10 das 26 revistas atendem a esse critério. Em 11 revistas, de 90% a 63% dos artigos estão nessa categoria. Nas duas restantes a porcentagem de artigos resultantes de pesquisa e inéditos cai para 30%. Um editor disse só se preocupar com o ineditismo e um não respondeu à questão.
Avaliação por pares
O processo de avaliação por pares é uma prática estabelecida há muito tempo pelos periódicos; atualmente a questão a ser trabalhada consiste na ampliação do corpo de avaliadores, de forma a evitar qualquer conotação de endogenia/paroquialismo da revista.
a) Formalização do processo de avaliação
Quanto ao processo de avaliação propriamente dito, há sugestões específicas para seu aperfeiçoamento. O Scielo recomenda que se especifique “formalmente qual o procedimento seguido para aprovação de artigos” (Scielo, 2003), e esclarece que, ao ser admitido no programa, o periódico deve documentar o processo de arbitragem, sendo obrigatório indicar as principais datas do processo (recepção e aprovação).
A formalização do processo de avaliação pressupõe uma transparência que deveria se concretizar na indicação de três pontos: quem faz a avaliação (conselhos, ad hoc); como é feito e quantos pareceristas avaliam cada artigo. Esses pontos devem estar claramente indicados nas normas para publicação.
Das revistas da UFMG, apenas uma inclui todos os três itens acima mencionados nas normas para publicação. Quatro informam quem avalia e como o processo é realizado; 11 revistas informam apenas qual conselho é o responsável pela avaliação; uma informa apenas o número de pareceristas; uma informa apenas como o processo é realizado; 6 não fornecem quaisquer informações sobre o assunto e, finalmente, uma não tem normas para publicação no fascículo analisado. A publicação dos nomes dos integrantes dos conselhos (prática que ocorre em todas as revistas) garante um mínimo de transparência ao processo.
Pode-se perceber que há uma preocupação com a qualidade do processo, na medida em que os pareceres são apresentados por escrito em 24 revistas. Em uma não há pareceres por escrito e outra não respondeu à questão.
A prática do blind review5 também é comum: 18 revistas a utilizam e apenas 7 não o fazem (1 editor não respondeu à questão)6. Essa prática representa um esforço em direção ao aperfeiçoamento do processo de avaliação. Por outro lado, as revistas preservam a identidade dos pareceristas: apenas 1 afirmou que envia o parecer para o autor com o nome do parecerista.
b) Número de pareceristas
O número de pareceristas que avalia cada artigo varia de 1 a 4. O mais comum é que dois pareceristas façam a avaliação: é o que ocorre no caso de 10 revistas. Algumas têm número flexível (de 2 a 3, no caso de 7 revistas). Em 1 revista os artigos são enviados para 4 pareceristas; em 2 há 3 pareceristas; e em 2, apenas um. Essa é uma questão complexa, pois a quantidade de avaliadores por artigo, embora não seja uma garantia absoluta de qualidade é um indicador forte. Por outro lado, o aumento do número de pareceristas por artigo pode levar a demora no tempo de avaliação e colocar em risco a pontualidade da revista, embora no caso das revistas da UFMG, as que têm mais de 2 avaliadores por artigo não tenham mencionado atraso no processo de avaliação como causa de atraso da publicação da revista.
c) Tempo de avaliação
O período entre a submissão do artigo e sua aprovação deve ser indicado na revista: para o Scielo é obrigatória a publicação das datas de recebimento e aprovação dos artigos (Scielo, 2003), o que implica que há expectativa de que a revista tenha capacidade de encurtar esse prazo. A prática de publicar as datas do processo de arbitragem não é comum entre as revistas da UFMG: das 26 revistas analisadas, apenas 6 a utilizam e 18 não; duas revistas incluem apenas a data de recebimento do trabalho.
Abrangência das revistas
A abrangência foi aqui considerada como a capacidade da revista de ampliar seu raio de ação, não só do ponto de vista de seu conteúdo (origem dos autores, origem dos pareceristas e idioma), como também de sua disseminação (programas de permuta e presença em coleções).
a) Origem dos autores
O CNPq reafirma a necessidade de se eliminar a endogenia das revistas no que diz respeito à origem dos autores dos artigos, ao incluir entre seus critérios a exigência de que elas possuam “abrangência nacional/internacional quanto a colaboradores” e não tenham caráter “departamental, institucional ou regional que publique predominantemente trabalhos localizados” (Brasil, s.d.). O Scielo reforça isso ao definir que periódicos “com artigos provenientes em sua maior parte de uma única instituição ou de uma região geográfica não serão admitidos” (Scielo, 2003) no programa.
Poucas das revistas pesquisadas indicaram separadamente as porcentagens de artigos publicados, provenientes do Departamento, da Unidade, da UFMG, de outras instituições do país e do exterior, o que indica que não há um controle com relação a esse tipo de dado. Seis editores não responderam à questão e duas respostas tiveram de ser anuladas. A partir das 17 respostas válidas pode-se perceber predominância de autores do País: 8 revistas indicaram ser essa a origem da maioria da autoria dos artigos que publicaram, em porcentagens que vão de 55% a 90%. Acrescentando-se os artigos oriundos do exterior (publicados por 10 revistas, em porcentagens de 20% a 5%) pode-se perceber um quadro de baixa endogenia, reforçado pelo fato de que apenas 6 das 17 revistas publicam artigos oriundos do Brasil e do exterior em proporção igual ou maior aos da instituição da revista (Departamento, Unidade, UFMG). As porcentagens de artigos do Departamento variam de 30% a 3%; da Unidade variam de 75% a 3% e da UFMG de 20% a 3%. Assim, observa-se um esforço de 11 revistas contra a endogenia no que diz respeito à autoria, enquanto 6 ainda mantêm essa prática.

b) Origem dos avaliadores

Segundo o Scielo, os avaliadores “devem ser especialistas reconhecidos, de origem nacional e internacional” e o periódico cujo corpo de avaliadores seja integrado predominantemente por especialistas de uma única instituição não será aceito no Programa (Scielo, 2003). O CNPq também recomenda que a revista busque abrangência nacional/internacional quanto ao seu corpo de avaliadores. Embora Scielo e CNPq utilizem terminologia diversa7, sua expectativa com relação ao corpo de avaliadores é que ele seja integrado por especialistas de alto nível, de origem variada, tanto em termos institucionais quanto geográficos.


Os avaliadores das revistas da UFMG são predominantemente de origem nacional, isto é, de outras instituições do País que não a UFMG. Vinte e quatro revistas responderam a questão sobre a procedência de seu corpo de avaliadores, se do departamento, da Unidade, da UFMG, do país e do exterior. O resultado pode ser visto no QUAD. 7.



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