Notícias do Japão



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BOLETIM INFORMATIVO

DA PROVÍNCIA SÃO PAULO

Outubro - Dezembro / 2009 - N º 281

Boletim Informativo

Província São Paulo, Outubro-Dezembro de 2009, nº 281
Estimados coirmãos
O Boletim Informativo de nº 281 chega até nós em pleno tempo do advento. Aproximam-se as luzes e estrelas do Natal . Um ano novo em breve começa. Os profetas Isaías e João Batista, entre outros, serão nossos companheiros na liturgia de preparação ao Mistério da Encarnação. Somos todos convidados a renovar as relações interpessoais, comunitárias, sociais e políticas. No cenário de crescente pluralismo cultural e religioso, as festas natalícias exigem novos laços entre povos e nações. O Menino nasceu à margem da sociedade para nos alertar que, nesta, todos devem ter seu lugar. Está em jogo o sonho do Bem-aventurado João Batista Scalabrini, de que o mundo será a pátria de todos.
Tomo emprestadas algumas observações de Joseph Moingt que nos ajudam a vivenciar mais profundamente este tempo de Natal: segundo ele, o Verbo encarnado é o projeto de Deus para todo ser humano, a gratuidade do amor do Pai oferecido em oblação a toda humanidade. É também a irrupção de Deus na história, como possibilidade de nova alternativa ao rumo da mesma, simbolizada na construção do Reino de Deus. Cristo revela uma nova relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, na comunidade da Santíssima Trindade. Por fim, a presença de Jesus entre nós manifesta a predileção de Deus pelos pobres, indefesos e desvalidos. Não custa acrescentar os migrantes, refugiados, itinerantes (Cfr. MOINGT, Joseph. L’home qui venait de Dieu, Editions du Cerf, Paris, 1993).
Em termos de Congregação, vamos entrar no ano da Comunidade e Missão. Constituem duas dimensões de um mesmo projeto. Elas não se excluem, ao contrário, uma requer e fortalece a outra. Quanto mais vivo o amor na comunidade religiosa, mais intensa a missão; e inversamente, quanto mais desafiadora a missão, mais a comunidade pode oferecer-lhe uma retaguarda e um alimento sólido. Ambas se entrelaçam no caminho dos migrantes.
Um Natal de muita saúde e paz a todos e que o Ano Novo possa renovar nossa vocação e nosso empenho no mundo da mobilidade humana.
Abraços fraternos,
Pelo Conselho Provincial,

Pe. Alfredo J. Gonçalves e Pe. Alceu Bernardi

Superior Provincial e Ecônomo)

CONGREGAÇÃO DOS MISSIONÁRIOS DE SÃO CARLOS

SCALABRINIANOS

Via Ulisse Seni, 2 - 00153 ROMA - Tel. (0039) 06.58.33.11.35 - Fax (0039) 06.580.38.08



O Superior Geral



Mensagem por ocasião da celebração do Sínodo dos Bispos

II Assembleia Especial para a África

Cidade do Vaticano, 4-25 de outubro de 2009
Queridos Coirmãos,
O Santo Padre, o Papa Bento XVI, convocou no Vaticano a Segunda Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para África, que se realizará de 4 a 25 de outubro de 2009. Como resultado da Exortação Apostólica Pos-sinodal “Ecclesia in Africa”, que João Paulo II publicou em 14 de setembro de 1995, após a Primeira Asembleia Especial para a África, agora os padres sinodais, guiados pelo Sumo Pontífice, querem aprofundar os temas da reconciliação, da justiça e da paz, para que a Igreja no seu todo e cada cristão possa se tornar cada vez mais o sal da terra africana e a luz do mundo social, cultural e religioso na África.

Nossa Congregação, convidada pelo Arcebispo da Cidade do Cabo, S. Ex.cia Dom Lawrence Henry, no dia primeiro de julho de 1995, começava sua presença oficial na África, na paróquia territorial de Holy Cross, confiada ao Pe. Mário José Zambiasi, para o cuidado da comunidade italiana e portuguesa, além do Apostolado do mar. Outros missionários foram chegando no continente nos anos sucessivos, empenhando-se também com os refugiados e no âmbito da formação: Pe. Mario Tessarotto, Pe. Sérgio Durigon, Pe. Isaia Birollo, Pe. Arcangelo Maira, Pe. Michele De Salvia, Pe. Gerald Garcia Ponce, Pe. Ivaldo Bettin, Pe. Rodenei Sierpinski, Pe. Arlain Pierre e outros por períodos de tirocínio ou para uma experiência pastoral, além de

muitos voluntários e simpatizantes.

Fenômeno novo, para nossa família religiosa, foi, sem uma dúvida, a experiência com os refugiados das guerras africanas, a partir da presença do Pe. Florenzo Rigoni na diocese de Xai-Xai, na fronteira entre Moçambique e Zimbábue, até a solicitude pastoral de muitos scalabrinianos, nas várias comunidades africanas espalhadas pelo mundo inteiro. Eis como a descrevem os coirmãos da Cidade do Cabo: “Desde o início, em 1995, estivemos em contato com eles. Não havia nenhuma norma por parte da Direção Geral, mas não podíamos deixar sozinhos aqueles primeiros 500 refugiados que, de noite, aglomeravam-se em uma velha igreja Batista, fechada ao público e pertencente ao município da Cidade do Cabo, e, de dia, batiam à nossa porta para pedir ajuda. No começo, eram quase todos angolanos, hoje, a grande maioria vem da República Democrática do Congo, mas também do Congo Brazzaville, Ruanda, Burundi, República dos Camarões, Sudão e, ultimamente, do Zimbábue. São aproximadamente um milhão e meio. São os novos “filhos da miséria”, escravos dos interesses econômicos e políticos das potências mundiais, brutalizados pela corrupção das administrações públicas, sobreviventes de genocídios e de massacres em massa”.



O que fazem os Scalabrinianos na África? A experiência amadurecida com mais de cem anos de atividade no campo das migrações sugeriu, antes de mais nada, um profundo empenho na promoção humana e social dos refugiados por meio da distribuição de alimento e roupa, de cursos de língua e informática, aconselhamento e informações, ajuda na busca de emprego, assistência médica e formação profissional, de modo especial através de uma cooperativa de corte e costura. Tudo isso distribuído em três estruturas: o “Centro Scalabrini”, no coração da cidade, bem na frente dos prédios do Parlamento, a “casa Lawrence”, orfanato para crianças refugiadas, e um edifício apropriado, alugado, para a formação específica de adolescentes. Sem esquecer a dimensão pastoral, voltada para criar comunidades de fiéis a fim de facilitar a inserção no contexto dinâmico da Igreja local.

Segue o testemunho de nossos coirmãos: “Os atos recentes de xenofobia, causando a morte de 20 pessoas na Cidade do Cabo, envolveram-nos na linha de frente. Desde a ajuda a 500 fugitivos durante a noite, a milhares de cobertores, roupa, 800 refeições quentes por dia: uma atividade de ampla acolhida e generosidade, que nos tornou conhecidos em toda a região. Um elemento importante, especialmente em Moçambique, é a ajuda também aos pobres locais, até mesmo para não alimentar “uma guerra entre pobres”, dando a uns e não a outros. Isto fez com que muitos párocos e conselhos pastorais não somente se dirigissem a nós, mas nos ofereceram até as estruturas paroquiais para as atividades pastorais, tais como catecismo, grupos de oração, movimentos bíblicos, sobretudo para a recuperação da fé e a preparação aos sacramentos da iniciação cristã. Atualmente, em uma das três comunidades, dezessete adultos estão se preparando para receber o Batismo. Sem falar que também nós estamos aprendendo deles: suas manifestações de piedade popular, o sentido da festa e a alegria comunitária das celebrações são expressão de fé viva e vivida. Há maneiras típicas africanas que estamos aprendendo. Por exemplo, uma senhora, a quem dei uma bênção, disse-me: você não me fez nada, nem sequer me tocou. Compreendi que devo impor-lhe as mãos ou, pelo menos, pôr uma mão no ombro, caso contrário o “fluxo” da bênção não teria passado”.

De nossa experiência africana nasceu, então, a iniciativa de abrir um propedêutico, a “casa Scalabrini de estudos”. Resultado: um estudante de teologia encontra-se hoje em Roma, um de filosofia está indo para o Noviciado nas Filipinas e há um número constante de 5 ou 6 estudantes, fascinados pelo carisma scalabriniano, que fazem o curso de filosofia no seminário diocesano.

Por último, faz parte do projeto da Congregação em terras africanas também nossa presença no Moçambique. Pe. Rodenei Sierpinski está em Maratane, diocese de Nampula, num campo que acolhe refugiados vindos da região dos Grandes Lagos. Em breve, entrará na paróquia São Francisco Xavier, em cujo território está este campo, e um outro coirmão assumirá o encargo da pastoral vocacional e dos migrantes, à disposição da comissão diocesana para as migrações e, no futuro, provavelmente também em nível nacional.

Nossos coirmãos confirmam que “a assistência às populações de Maratane, financiada pelos projetos de nossa Associação Scalabrini para a Cooperação e o Desenvolvimento, a quem devemos agradecer de coração, é semelhante àquela da Cidade do Cabo. Os projetos, se forem bem sucedidos, darão uma contribuição grande àquela terra, que está entre as mais pobres do mundo. As oito capelas da paróquia estão estruturadas segundo critérios diocesanos. Para melhorar servir a população autóctone, Pe. Rodenei aprendeu a língua local: o Macwa. Com certeza, a África, com seus 15 milhões de refugiados, é uma fronteira scalabriniana, a ser abordada com paixão e respeito”.

Queridos coirmãos, no mês de outubro, dedicado tradicionalmente à sensibilização missionária, a Assembleia Especial para a África aproxima-nos mais do continente africano, estimula-nos a valorizar com gratidão fraterna a ação missionária de nossos coirmãos, que trabalham por lá e amplia os horizontes de nossa família scalabriniana, ajudando-nos a repetir com o Bem-aventurado João Batista Scalabrini: “Onde está o povo que trabalha e sofre, aí está a Igreja, porque a Igreja é a mãe, a amiga, a protetora do povo e terá para ele uma palavra de conforto, um sorriso, uma bênção”.1


Roma, 23 de setembro de 2009


Fé e serviço”

28 de Novembro de 2009

122° aniversário de fundação

Queridos coirmãos,

Em 15 de novembro de 1887, com a bula “Libenter Agnovimus”, o papa Leão XIII aprovava a fundação de uma Congregação religiosa para os migrantes. Poucos dias depois, em 28 de novembro, o Bem-aventurado João Batista Scalabrini dava início à obra que, mais tarde, chamará de Congregação dos Missionários de São Carlos.

Desde então, passaram-se 122 anos. Cada aniversário é uma ocasião para refletir sobre a vida de nosso Instituto, iluminados também pelos fatos que temos diante de nós, como o apelo ao compromisso nos vários campos da formação, da comunhão fraterna e das relações humanas, no estudo e na ação pastoral no mundo da emigração e nos permite compartilhar dons recíprocos.

Mais vezes interrogamo-nos, especialmente durante este momento da visita canônica: que tipo de Congregação fundaria hoje o Bem-aventurado Scalabrini, em resposta às problemáticas atuais, no contexto da globalização. Que caminhos aconselhar-nos-ia para reavivar a vida de fraternidade nas comunidades e para uma eficácia maior na missão?

Para responder, é importante lembrar que neste ano celebramos a festa da fundação em meio a eventos particulares. De fato, foi apenas concluído em Roma o VI Congresso Mundial da Pastoral para os Migrantes e Refugiados, que foi aberto providencialmente e precisamente no dia do aniversário da beatificação de Scalabrini, no último 9 de novembro. Deste Congresso participaram cerca de 13 coirmãos a serviço das Conferências Episcopais e provenientes das várias áreas da Congregação. Agradecemos a Deus por esta participação eclesial e pela possibilidade de ritmar as batidas do coração de nosso carisma missionário com aquelas da missão da Igreja universal.

Este ano também recordamos nossos passos no contexto do ano dedicado à Comunidade e à Formação inicial e permanente, com a difusão do Projeto Geral da Formação Scalabriniana. Este instrumento é uma ajuda para crescer na identidade, no sentido de pertença, na comunhão entre nós, tão diferentes uns dos outros seja pela origem como por experiência, mas unidos no mesmo chamado à vida consagrada, atualizada no serviço aos irmãos e irmãs em emigração. Trata-se, em suma, de formação da diversidade à unidade, onde esta última se torna promessa rumo à qual direcionamos os esforços de nossa caminhada de formação.

Enfim, estamos no centro do ano sacerdotal. O Bem-aventurado Fundador expressou pensamentos profundos sobre o sacerdócio, que proponho reler na reflexão comunitária e pessoal. Gostaria de recomendar que, nas casas de formação e nas comunidades pastorais, tanto em nível de área como de Província/Região, organizem-se encontros específicos sobre este tema, a partir das considerações de Scalabrini, que poderiam ser o ponto de partida também para os retiros anuais, sobretudo nas Províncias.

O Bem-aventurado João Batista Scalabrini prezava muito a solicitude para com os migrantes e estava convencido de que também os projetos mais urgentes e válidos teriam obtido pouco sucesso sem os vínculos da caridade, na pobreza, na castidade e na obediência. Por isso quis que fôssemos uma Congregação religiosa.

Fazer memória de um aniversário, portanto, é tarefa de responsabilidade, pois exige que acolhamos o desafio para levar adiante com humildade o que recebemos do Bem-aventurado Fundador com a fé e oração, com coragem e determinação profética. Hoje cabe a nós confirmar a importância prioritária da centralidade da pessoa humana migrante, preservando sempre sua dignidade, prescindindo de seu status jurídico - na legalidade ou ilegalidade -, e promovendo seu desenvolvimento integral. A pessoa, orientada para os valores transcendentes, vale mais do que todas as estruturas e instituições. É nossa tarefa, assim, denunciar quem tira proveito das vidas dos migrantes, sobretudo alimentando o deplorável tráfego de seres humanos, a trata e o sequestro de quem se encontra, sem querer, em condições de vulnerabilidade. Logo, cabe a nós também a promoção de uma atividade pastoral atualizada, atenta às dinâmicas da evangelização e capaz de suscitar novas vocações a serviço do Evangelho no imenso mundo das migrações. A este propósito, são sinais de esperança os noviços que, em breve, farão sua primeira profissão religiosa em Purépero e em Porto Alegre, assim como os coirmãos que serão ordenados diáconos em Bogotá.

A vida nova e abundante é o prêmio dado a quem aceita o risco da fé que se faz serviço, segundo as palavras de nosso Bem-aventurado Fundador: “O Instituto subsistirá, não subsistirá? Existirá até que a Deus aprouver. Quem tem verdadeira vocação entra nele, sem se preocupar com o futuro, sabendo que ele está nas mãos de Deus. Confiar nele com toda simplicidade vale bem mais que a busca de qualquer garantia moral, econômica e condições estáveis acerca do mesmo Instituto”.2

Saúdo-os de coração, desejando boa festa de aniversário!



P. Sérgio O. Geremia, C.S, Superior Geral e seu Conselho

Roma, 28 de novembro de 2009
CONGREGAÇÃO DOS MISSIONÁRIOS DE SÃO CARLOS
Roma, 28 de outubro de 2009

Caros coirmãos,

Nos últimos meses, fatos significativos envolveram nosso Instituto Internacional Scalabrini de Migração (SIMI) e com este comunicado desejo partilhar com vocês o que aconteceu e como atualmente se apresenta a situação.

Como sabem, a Congregação para a Educação Católica, com o decreto N. 540/97 de 2 de abril de 2004, tinha erigido e constituído, por cinco anos “ad experimentum”, o SIMI como Instituto incorporado à Faculdade de Teologia da Pontifica Universidade Urbaniana, em Roma. Quando foi pedido para renovar a incorporação, no último mês de março, a Congregação para a Educação Católica havia respondido com um adiamento, motivado pelo fato de que se devia apresentar, pelo menos, quatro professores titulares, ou seja, dedicados ao Instituto e possuindo graus acadêmicos reconhecidos no âmbito da Teologia para o ensino no SIMI. A situação apresentada tinha sido considerada insuficiente porque faltavam os requisitos necessários para o ensino.

Enquanto isso, a XXI Assembleia dos Superiores Maiores, que se realizou em Guaporé (RS, Brasil), de 9 a 15 de fevereiro de 2009, havia publicado seu Documento Final, usando expressões que levaram ao Pe. Graziano Battistella, diretor do SIMI, ao Pe. Lorenzo Prencipe, vice-diretor, e ao Ir. Gioacchino Campese, administrador, a dar as demissões, no começo de abril. Logo após, houve vários momentos de confronto e diálogo, a fim de buscar a melhor solução diante das dificuldades surgidas. Mas, no fim de julho, a Direção Geral achou oportuno aceitar as demissões dos coirmãos e tentar uma nova configuração do SIMI.

Com efeito, a Direção Geral e toda a nossa Congregação religiosa, consultada através dos Superiores Maiores, confirmaram sempre a utilidade do SIMI, desejando que possa continuar a oferecer um serviço específico à nossa Congregação e à Igreja, por meio do estudo, da reflexão e do ensino das ciências teológicas em diálogo e com a ajuda das ciências sociais, no âmbito muito atual da pastoral da mobilidade humana.

Assim, a Congregação para a Educação Católica, por meio das Autoridades Acadêmicas da Pontifícia Universidade Urbaniana, com o decreto de 7 de outubro de 2009, aprovou a renovação da incorporação do SIMI para mais um quinquênio, acatando a minha proposta, como Moderador Geral do Instituto, de atribuir as cátedras fundamentais, previstas no art. 16 dos Estatutos do SIMI, ao Pe. Giovanni Terragni (“Teologia Pastoral das Migrações”), ao Pe. Gabriel Bentoglio (“Fundamentos Bíblicos da Pastoral da Mobilidade Humana”), ao Pe. Vincenzo Rosato (“Teologia e Ética das Migrações”) e ao Pe. Fabio Baggio (“Dinâmicas e Políticas das Migrações”). Estamos aguardando agora que o próprio Dicastério Vaticano se pronuncie sobre a nomeação do novo diretor.

Com este comunicado, desejo expressar gratidão aos coirmãos Pe. Graziano Battistella, Pe. Lorenzo Prencipe e Ir. Gioacchino Campese pelo serviço prestado ao SIMI nestes anos e, ao mesmo tempo, quero desejar à nova equipe de professores titulares todo sucesso, para o bem dos estudantes que chegarão ao SIMI (e esperemos que sejam muitos, também de nossa Congregação) e para o benefício de nossa Família Religiosa, assim como também da Igreja e da sociedade.



Pe. Sérgio O. Geremia, C.S.



Superior Geral
MIGRANTES DA PAZ

COTIDIANO NA PASTORAL

A anistia continua vigente e com muita gente buscando a regularização. Passam em media por dia entre 150 a 200 pessoas por dia buscando orientação e informação de todo o tipo e são pessoas dos mais diversos Países do mundo inteiro. A Casa do Migrante também segue sempre lotada entre 95 e 100 pessoas diárias.

A presença do Consulado Paraguaio e da Policia Nacional para atualização da cédula de identidade e para o certificado consular permanecerão até o fim do ano nas dependências da Igreja da paz, prestando um bom trabalho a todos os Paraguaios residentes em São Paulo

A presença da Corte eleitoral nacional da Bolívia concluiu seus trabalhos no dia 15 de outubro aqui na Pastoral do Migrante



INCIDÊNCIA POLITICA GARANTINDO

DIREITOS

Tivemos uma grande importante atividade junto ao Governo em Brasília e depois aqui em São Paulo no sentido de pressionar sobre uma solução positiva em relação ao acordo bilateral ente Brasil Bolívia o qual estava sendo posto em risco pelo Governo Brasileiro alegando a falta de reciprocidade do Estado Boliviano.

Foi publicado pelo Comitê Paulista de Migrações as Orientações Gerais sobre a anistia em quatro idiomas, para todo o Estado de São Paulo e já está pronto o Guia do Migrante que ainda neste ano vai ser Publicado y divulgado para todos os migrantes e Instituições...

Tivemos a presença do ministério da justiça e do departamento de migrações na Pastoral no dia 23 com a presença de uns 700 migrantes de várias nacionalidades e várias Instituições para tratar justamente sobre o tema da anistia e do acordo. Foi Muito bom o encontro porem com poucas perspectiva da parte do Governo Brasileiro. A raiz deste importante evento o povo se mobilizou e deu-se inicio a um processo de pressão e de organização das várias organizações. No dia 30 foi quando ambos governos se reuniram e tivemos uma resposta positiva em relação ao acordo no sentido de que ambos os governos em poucos dias daria oficialmente uma resposta oficial para a transformação dos provisórios em permanente.

Estivemos também presentes em vários canais de Televisão e dando entrevistas em muitas revistas , jornais e rádios sobre o tema da anistia. Na TV Senado tivemos um espaço de 1 hora num programa sobre as migrações e a anistia, orientado pelo vereador Jucelino Gadelha.

Confeccionamos também um documentário muito importante para a AI Anistia Internacional sobre o tema da anistia.

Estivemos participando do processo de reuniões para construir e organizar o dia Internacional do Imigrante para o dia 13 de dezembro.

Tivemos um debata sobre a INVISIBILIDADE DOS MIGRANTES na UNESP com a presença de estudantes e professores de deferentes áreas. Foi muito bom para divulgar o trabalho e de modo especial dar uma maior visibilidade aos próprios migrantes. Os debatedores foram Centro de Estudos Migratórios e a Pastoral do Migrante.


FORTALECENDO A CULTURA E CELEBRANDO A FÉ.

Tivemos vários momentos bonitos e de grande transcendência junto à comunidade Chilena em suas festas Pátrias. Estamos possibilitando seus encontros da UNECHILE (União dos grupos Chilenos) aqui na pastoral todas as quintas feiras e estivemos participando de vários eventos no mês de setembro em que a Comunidade Chilena celebrou suas festas Pátrias.

Tivemos também a alegria de participar da 7ª Edição da Festa Latino Americana em Curitiba PR, organizada pela Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Curitiba, com o Lema: “SUEÑA, CANTA Y CAMINA AMERICA LATINA”

Tivemos também um momento especial com a Comunidade Peruana com a celebração da grande festa do seu Padroeiro EL SEÑOR DE LOS MILAGROS” a qual foi precedida por uma procissão na rua do Glicério e pelas nove novenas em sua preparação. Foi um momento muito importante para toda a comunidade e a participação foi massiva.

Tivemos a confirmação de 28 migrantes de vários Países na Igreja N. S. Das Graças do Bom Retiro junto com o Pe. Osvaldo e a presença de Dom Tarcisio. Também foi uma conclusão de toda uma caminhada feita de formação com o grupo em muitos deles receberam o batismo e a primeira comunhão e agora alguns deles estão se preparando para o Matrimonio.

Outro momento importante foi o dia dos Santos e Defuntos em que estivemos celebrando e participando nos cemitérios para a oração com as mesas dos falecidos.

Estamos ainda acompanhando algumas novenas com a Comunidade Paraguaia em preparação à grande festa da Padroeira no dia 05 de dezembro.
Acabamos de celebrar a última novena em preparação à festa de São Martim (Santo Peruano)

Foram dois meses de intenso trabalho nos vários níveis de ação, num grande esforço irmanado entre voluntários, profissionais e migrantes juntamente com as Instituições.

Saudações Fraternais a todos

Pe. Mário Geremia CS, Coordenador do CPM


A TRAVESSIA, AGORA COM UM NOVO FORMATO

Ao receber esta Travessia – revista do migrante, de número 64, você perceberá imediatamente que alguma coisa mudou. As mudanças por que passa a revista tinham sido anunciadas, porém agora elas ficarão mais evidentes.

O formato é novo, com uma divisão em seções que se faz sentir desde o sumário, e o fim da obrigatoriedade do tema geral referente a todo número. Os artigos são agora acompanhados por resumos e palavras-chaves. Continuam presentes, e valorizados, textos de formato não estritamente acadêmico, além de literatura, depoimentos, relatos de experiências e documentos relevantes para a temática da migração.

Mais importante, porém, que as mudanças, é o que não mudou. A Travessia nasceu em 1988, fruto da iniciativa do CEM e de um grupo de pesquisadores que buscava atuar solidariamente junto aos imigrantes, nas suas necessidades e reivindicações, mas também conhecer profundamente a sua realidade, produzindo um conhecimento que circulasse entre academia, ensino e movimentos sociais.

Hoje é ainda mais importante conhecer a migração, compreender os migrantes, e estar a seu lado. A Travessia mantém assim o seu compromisso social e político, reforçando algumas características de publicações acadêmicas, mas persistindo no intuito de reunir nas suas páginas a palavra do migrante, do agente de pastoral, do ativista, como também a do estudante, do professor, do pesquisador.
Helion Póvoa Neto

COMUNICADO DE MANAUS



Estimada equipe provincial e caros coirmãos, saudamos a todos. Nós três de Manaus não somos muito fortes em escrever. Aqui vai o comunicado de algumas coisas que aconteceram nestes dois meses de outubro e novembro.

A comunidade local. Os três estamos bem, saúde forte, bastante alegria e contentes por estarmos nesta missão.

3-8 de outubro. Promovido pelo CIMI e pela Equipe Itinerante, aconteceu o encontro das três fronteiras, foi numa área indígena na Colômbia ao lado de Letícia. Porém o encontro esteve mais voltado para a questão indígena.

8-18 de outubro. Houve a novena e a festa de São Geraldo padroeiro da paróquia. Foi um momento forte de animação. Na novena a participação foi razoável, ficando o povo muito contente, sobretudo com a celebração da festa de São Geraldo e do Arraial (é como eles chamam de quermesse por aqui).

23-25 de outubro. Aconteceu a Assembléia Arquidiocesana de Pastoral. Foi um momento eclesial muito bonito, onde a igreja da Arquidiocese procurou selecionar os desafios e as metas principais e também algumas pistas de ação a partir dos três âmbitos: pessoa, igreja (comunidade) e sociedade.

27-30 de outubro. Encontro Regional (Amazonas e Roraima) do clero. Aconteceu na cidade de Maués a 21 horas de barco de Manaus. Pela comunidade religiosa participou o padre Valdecir.

31/10 a 1º. de novembro. Encontro Regional do Serviço Pastoral do Migrante. Aconteceu aqui em Manaus e teve a participação da equipe da pastoral do migrante (com alguns representantes de Roraima) e de alguns imigrantes. Serviu para aprofundar alguns temas pertinentes à vida dos migrantes.

7-8 de novembro. Fomos a uma cidade não tão distante daqui, Manacapuru. Ela concentra um bom grupo de limítrofes, sobretudo peruanos. O objetivo imediato foi motivar os imigrantes para que façam a anistia. Porém, foi um tempo de diálogo com os padres, de ‘corpo a corpo’ com alguns migrantes, pensando algo para Natal e para o próximo ano, talvez se possa constituir uma pequena comunidade de migrantes por lá.

12-22 de novembro. Novenário e festa de Cristo Rei. A paróquia tem uma única comunidade (fraquinha, fraquinha). Tentamos então fazer uma novena. Durante nove dias visitamos as famílias de algumas ruas e no final do dia celebramos na casa de uma dessas famílias. A missa foi celebrada numa escola, isso porque a ‘comunidade’ ainda não tem uma capelinha. Está no projeto do próximo ano a sua construção.

19-22 de novembro. Fomos a cidade de Coari (cidade do gás e do petróleo), distante um pouco mais de 250 km (por água) de Manaus. É uma cidade que concentra um bom grupo de imigrantes. O objetivo da visita também foi para conversar com a igreja local (bispo, padres e outros) e encontrar os imigrantes, motivando-os para a anistia e vendo a possibilidade de, a partir do próximo ano, levarmos em frente algumas iniciativas com eles.

27/11 a 02 de dezembro: Pe. Valdecir participa em São Paulo da Assembléia do SPM e da programação do próximo ano.

NOTÍCIAS DO JAPÃO


  1. Assembléia da CAPB(Comissão de Agentes de Pastoral Brasileira)

Como acontece todos os anos os missionários e missionárias que trabalham em comunidades com migrantes brasileiros se reuniram em assembléia de 8 a 10 de setembro na localidade de Takarazuka, nas proximidades de Osaka.

Neste ano tivemos a alegria de acolher alguns missionários recém-chegados, como Padre Osmar Padovan,Padre Aparecido Maciel Donizete e irmã Eunice. Contudo além de alguns que já retornaram ao Brasil, como as irmãs Kazuko e Theodora, Padre Evaristo Higa,agora é a vez do padre Zeca nos deixar. Significa que o quadro precisa de refôrço e renovação. Que venham os valentes. A messe é grande.

Desta vez tivemos a oportunidade de refletir sobre alguns tópicos significativos da Intrução Pastoral “Erga Migrantes, caritas Christi,” relacionados com a situação dos migrantes no Japão.

Como não podia deixar de ser, nossa atenção voltou-se também para a crise econômica mundial e seus efeitos sobre as comunidades. Ao mesmo tempo que constatamos sofrimentos nas famílias e comunidades, notamos maravilhosos testemunhos de solidariedade, fraternidade, doação e desprendimento de muitos migrantes indo ao encontro dos desempregados.
B) Brasileiros e a crise e alguns programas de governos no Japão.
Calcula-se que aproximadamente 54.400 brasileiros tenham retornado ao Brasil por causa da crise econômica.

As manchetes continuam a aparecer nos jornais, mais ou menos assim: “Governo do Japão ajuda brasileiros que desejam retornar ao Brasil”; “Prefeituras aumentam a ajuda aos migrantes desempregados”. Cuidado! Essa generosidade pode significar algo bem trágico.

O Japão que abriu as portas aos trabalhadores brasileiros, que abriu as portas para virem trabalhar aqui, parece ter formas sutis para fazer com que os desempregados deixem o país. Vejamos como funciona:
1- No Província de Gifu, o governo local disponibilizou até 700.000 yens(USD 7.000,00 aproximadamente) por família que desejasse retornar ao Brasil, com o compromisso de iniciar a devolução depois de três meses do retorno, com um prazo de três anos, ficando aberta a possibildiade de voltar. É facil entender estar o governo consciente da falta de condições de uma pessoa desempregada reembolsar a importância. A inadimplência será impedimento para que um novo visto seja emitido para quem for embora nessas condições.
2- O governo federal também quer ajudar os brasileiros desempregados para que voltem ao Brasil. Oferece 300.000 yens(aproximadamente USD 3.000,00), sem compromisso de devolver, sob a condição de cancelamento do visto de residência dos adultos e das crianças, sem dizer como poderiam reaver um novo visto no caso de querer retornar ao Japão depois de três anos de ter saído do país. Este programa está sendo considerado uma deportação difarçada.
3- O Governo to Japão tem o “auxílio-subsistência” para apoiar famílias de desempragados, sejam eles japoneses ou não. Nas Províncias de Aichi e Shizuoka, esse auxílio está sendo transformado em uma armadilha para os estrangeiros. Os funcionários dos governos provinciais condicionam o repasse da ajuda ao compromisso de que o migrante brasileiro ou peruano solicite a ajuda de 300.000 yens do governo federal para ir embora, renunciando ao visto de residência. Não é condição essencial para receber a ajuda, mas a tentativa é fazer pressão ou chantagem para que os trabalhadores desempregados abandonem o Japão.
Os migrantes, nessas condições se sentem muito mal-reconhecidos e injustiçados pois sua força de trabalho foi requisistada para vir ao Japão manter a economia do país em alta no tempo da famosa “bolha econômica”. Agora que a crise afeta especialmente os setores industriais, governo, empresários e empreiteiras de mão-de-obra, querem se desfazer deles de forma sutil, mas real.
Missionário Padre Olmes Milani (cs)

Tóquio- Japão, dia 23 de setembro de 2009.



MISSIONÁRIOS ESCALABRINIANOS

NO SUL DE MINAS GERAIS

Uma missão de vida, integração e animação nas cidades receptoras de migrantes para a colheita do café.







O mundo caminha de pressa e nós não podemos ficar parados (Scalabrini)

Á quatro anos iniciou-se, com o Padre Alejandro Cifuentes e Padre Emidio Girotto, a experiência missionária nas dioceses da Campanha e Guaxupé. Tal experiência continua levando vida, animação e integração nas escolas, nas fazendas (sítios) e comunidades rurais das paróquias nas típicas e tradicionais pequenas cidades do sul de Minas Gerais. Este trabalho vem facilitando o acesso e aproximação dos missionários junto aos migrantes procedentes da Baia, do Norte de Minas e do Norte do Paraná.

Um dos desejos dos missionários é fazer do espaço residencial temporário dos migrantes um lugar de fraternidade, paz, fé, amor e esperança. Para concretizar este ideal exige-se, fora do tempo da migração, uma amistosa visita aos párocos, aos presidentes de sindicatos e a outros representantes de órgãos públicos que são conhecedores da realidade dos migrantes nas respectivas cidades produtoras de café. Este primeiro contato marca a abertura para o trabalho missionário junto aos chamados “nordestinos”, “baianos”, migrantes que permanecem por um tempo limitado na região cafeeira de Minas.

Pelo fato de permanecerem entre quatro a cinco meses, os migrantes não conseguem acompanhar o ritmo da comunidade local, nem mesmo conseguem aproximarem-se dela. Mesmo estando alojados nas proximidades da capela, lugar do encontro fervoroso das comunidades rurais, as celebrações não os atraem.


Uma devoção, um sonho, um retorno

O fato de não se integrarem é uma alerta ás lideranças das comunidades. Tanto os leigo quanto os padres são chamados a dar uma atenção especial a estas “ovelhas sem pastor” que estão fora das comunidades de origem, desprotegidos, desorientados e sem nenhum referencial onde posam expressar a sua própria fé. Muitos deles buscam em suas devoções a subsistência da própria fé, ou seja, levam consigo um pequeno símbolo, um santinho em um dos compartimentos da carteira, uma fitinha enrolada no braço, ou um terço dependurado no pescoço.

Junto com alguns subsídios devocionais, o migrante temporário, como todos os migrantes, leva consigo a dor da saudade, a revolta da discriminação, mas acima de tudo, carrega a esperança de que no retorno ao lar possa dar um pouco mais de dignidade à esposa e filhos, no caso de alguns solteiros, a esperança de realizarem o sonho de possuir uma bela moto, um aparelho de som potente e outras novidades que a fantasia do mundo moderno lhes oferece.
Os missionários dos migrantes

A estrutura do trabalho dos missionários também contempla a visita nas escolas. À noite celebra-se com os migrantes e durante o dia, de sala em sala, os jovens recebem a agradável visita com palestras sobre a mobilidade humana, os valores cristãos e a valorização da vida. Tudo isso intercalado com momentos de descontração.

Os missionários se alojam no Santuário do Bom Jesus dos Aflitos no distrito de Itacy, dentro do território da diocese da Campanha, município de Carmo do Rio Claro que pertence à diocese de Guaxupé. O lugar cedido pelo padre Simão Stock, pároco de Campo do Meio, oferece aos missionários um espaço de recolhimento, a própria natureza do ambiente leva á oração e restauração das forças para depois, de no máximo três dias retomarem o novo rumo da missão.
Disposição ao serviço

Na entressafra o tempo fica disponível ao trabalho voluntário nas paróquias das dioceses citadas. Quando termina “o tempo do migrante”, os párocos da região já sabem que podem contar com a colaboração dos “padres dos migrantes” na substituição em suas respectivas paróquias para uma eventual ausência ou um descanso merecido. Os padres saem de seus postos deixando com toda confiança e segurança o espaço pastoral e celebrativo na responsabilidade dos missionários.

Por fim, vale ressaltar que como um pequenino trabalho de beija-flor, os missionários viajam por varias direções, tirando das pequenas comunidades o doce mel da espiritualidade mineira e levando o pólen do amor e da acolhida aos migrantes, que os aguardam sedentos da essência que dá o tom colorido da beleza da flor, e que favorece a fertilidade da semente da palavra de Deus no coração do peregrino.

Hoje são três os padres, missionários Carlistas-Scalabrinianos, que realizam este trabalho, Pe. Emidio Girotto, Pe.Leonir Peruzzo e Pe. Camilo Maforte. Atualmente todos os gastos da missão estão sob a responsabilidade da Província São Paulo, contamos também com a generosidade dos fiéis que contribuem, fazendo a sua parte, de discípulos missionários colaboradores da missão.

                                                                                                        
Pe. Camilo Maforte

FESTA LATINO-AMERICANA EM CURITIBA-PR
Realizou-se em Curitiba-PR, no Dia de Nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro/2009, a sétima Festa Latino-americana. A festa teve início com a celebração eucarística, às 10:30 horas, presidida por Pe. Camilo Maforte e concelebrada pela maioria dos padres scalabrinianos que atuam na área de Curitiba, além dos padres visitantes Mário Geremia, Jean Jack Genesté e Nivaldo Feliciano. Também marcaram presença o Diácono permanente Dacir da Paróquia São José, bairro Santa Felicidade, e os seminaristas dos institutos de filosofia (Curitiba) e teologia (São Paulo). Assinalamos, ainda, a participação de um Pastor argentino, da Igreja Batista, juntamente com seus colaboradores, que trabalham no campo das migrações.

Após a celebração eucarística, serviu-se o almoço com pratos típicos dos vários países que integram a comunidade hispano-americana da grande Curitiba. Nesse clima de encontro, a festa foi caracterizada por uma tríplice significação: um momento de comunhão entre os religiosos locais e visitantes, um sinal positivo de solidariedade para como a comunidade de imigrantes hispano-americanos e um toque ecumênico junto a um povo que, devido à luta por melhores condições de vida, não conhece fronteira.

No decorrer do dia, foram apresentadas danças folclóricas, expressões vivas de cada etnia e de cada cultura. Evidenciou-se, com isso, simultaneamente, a unidade na diversidade dos distintos povos latino-americanos. Ficou claro, por outro lado, que as diferenças, longe de nos empobrecer, enriquecem mutuamente aqueles que estão abertos ao encontro e ao diálogo inter-cultural. Além disso, sendo o Dia das Crianças, estas foram envolvidas em várias atividades que transcorreram na parte da tarde.

A festa contou com a cobertura das seguintes emissoras de televisão: TV Mercosul, canal 12 e TV Educativa, as quais garantiram o registro das imagens e das atividades realizadas, além de divulgar o trabalho que realiza a Pastoral dos Migrantes na arquidiocese de Curitiba. De nossa parte, registramos um especial agradecimento a todos que contribuíram para a realização do evento, com destaque especial para os padres e leigos/as scalabrinianos.


Pe. Gustot Lucien e Elizete
Calaram mais um profeta na Amazônia

Márcia Maria de Oliveira *

            Na tarde escaldante deste dia 20 de setembro, milhares de pessoas, entre lágrimas e cantos, deram seu último adeus ao Pe. Ruggero Ruvoletto. O missionário de 52, da Diocese italiana de Pádua fora, covardemente, alvejado por um tiro certeiro, preliminarmente planejado nas rodas de "boca-de-fumo" do crime organizado de um dos bairros mais violentos da periferia da cidade de Manaus.

Na manhã do dia 19 de setembro, seu sangue profético regou o chão da Amazônia. O último gesto corajoso de Pe. Ruggero foi estampado na capa dos jornais da cidade: de joelhos junto de sua simples cama oferecera a Deus, em oração, talvez, seus últimos minutos de vida. Uma vida marcada pela missão corajosa junto aos mais pobres e excluídos da sociedade.

Desde que chegara à Amazônia no início de 2008, Pe. Ruggero iniciou sua caminhada de oblação. Com um histórico missionário de opção evangélica pelos mais pobres e esquecidos do nordeste brasileiro, em Manaus, foi designado a uma região da periferia da cidade. Aqui, encontrou inúmeros agentes de pastoral ansiosos por sua sábia ajuda. Também encontrou muitos desafios pastorais e um silêncio da população com relação à atuação do crime organizado do tráfico de drogas na região.

Sua missão, no início, desenvolveu-se timidamente num processo intenso de visita às famílias, de escuta, de abertura ao novo. Freqüentemente solicitava ajuda, nos nossos "debates sociológicos", para melhor compreender a dinâmica da cidade. Queria conhecer mais sobre os indígenas e ribeirinhos e entender porque continuam migrando, sempre em ordem crescente, para as periferias da cidade. Logo entendeu que a Amazônia vive um histórico de descaso dos poderes públicos nos municípios do interior e centraliza todos os bens e serviços nas capitais, principalmente na cidade de Manaus com seu fantasmagórico projeto de Zona Franca que canaliza todos os recursos federais para uma elite da indústria de montagem. Por isso essa realidade marcada pelo êxodo rural, pelos crimes ambientais, pelos conflitos agrários e pelas ocupações urbanas que indicam o grande déficit de políticas públicas de moradia, educação, emprego e segurança.

Sua presença simpática e acolhedora foi cirando laços de amizade e comprometimento. Sempre preocupado com as questões sociais, sugeriu a organização de um calendário permanente de debate sobre a situação das várias comunidades que atendia na Área Missionária Imaculado Coração de Maria (AMICOM). Sua intuição profética motivou várias iniciativas por parte das lideranças das comunidades e dos movimentos sociais na criação de espaços de formação permanente de lideranças tais como a Escola de Fé e Cidadania que abrange outras áreas. Não era presença somente na AMICOM. Logo passou a acompanhar a organização pastoral de outras áreas missionárias da Zona Norte da cidade. Passou a apoiar os organismos arquidiocesanos ligados à dimensão missionária e às Comunidades Eclesiais de Base.

Com uma prática litúrgica muito sensível e inculturada, fazia das celebrações eucarísticas momentos fortes de celebração da vida, das esperanças e do compromisso evangélico. Nas reflexões com os grupos nas comunidades ou nas famílias, embaixo das árvores, ou nas áreas externas nas pequenas casas, estava sempre atento aos clamores e lamentos das pessoas. Suas palavras davam novo alento e fazia o povo voltar a ter esperança em uma realidade marcada pela violência e pelo descaso das políticas públicas.

Depois de intensas reuniões e debates, juntamente com os agentes de pastoral, elaboraram uma carta-denúncia que foi lida, rezada e reformulada nas várias celebrações comunitárias. Na carta estava contido o clamor do povo que já não suporta mais tanta violência resultante do tráfico de drogas na região. Denunciava o descaso público para com a educação, o transporte coletivo, o abastecimento d?água e tantas outras deficiências por parte dos poderes públicos.

Com a carta-denúncia em mãos, o povo resolveu se pronunciar. Na manhã do dia 15 de agosto as ruas do bairro de Santa Etelvina foram tomadas pelos cantos e frases de protesto. Uma manifestação pacífica de centenas de pessoas cobrando o exercício pleno da cidadania. Esse dia marca o fim do silêncio e do medo histórico que amordaçava os moradores deste bairro. Durante a caminhada, Pe. Ruggero, o homem da palavra, não fez uso dos microfones. Sob um sol de quase 40 graus, acompanhou tudo de forma muito discreta, fotografando e distribuindo panfletos aos transeuntes e curiosos que saíam às portas para ver o povo passar.

Em dado momento, já na metade da manifestação, quando algumas pessoas lhe pediam para se pronunciar aos microfones, se aproximou e disse: "Márcia, estou pensando que é melhor eu não me pronunciar porque já vi passando algumas pessoas ligadas ao tráfico de drogas que vêm me ameaçando e me ?aconselhando? a deixar essas denúncias de lado. Eu lhe garanto que não vou deixar a luta porque já não é mais possível ficar calado diante de tanta violência e injustiça. Não agüento mais ouvir tantas mães desesperadas com seus filhos nas drogas sem poder fazer nada. Sei que é arriscado, mas não tenho medo".

Foi uma das últimas conversas que tivemos. Uma semana depois passou rapidamente por minha casa depois da celebração e comentou que estava animado com a repercussão da carta e da manifestação. Novamente afirmou que se sentia ameaçado por pessoas ligadas ao tráfico de drogas do bairro de Santa Etelvina que atuavam também nos bairros visinhos, especialmente no Lagoa Azul. Parecia muito preocupado, mas sempre destemido, reafirmava o compromisso com a causa da justiça. Como sempre fazia, pediu algumas orientações no campo sociológico. Queria entender por que a pouca polícia que atua nos bairros da periferia não inspira a confiança do povo? Por que os assaltos aos ônibus coletivos e residências continuam aumentando e por que o 12º Distrito Policial do Bairro continuava desativado e sem nada que o substituísse? Comentou ainda sobre o alto índice de assassinatos no bairro, quase todos ligados ao tráfico de drogas. Estava muito preocupado, principalmente com os jovens, vítimas das drogas e da prostituição. Ao se despedir toquei no assunto das ameaças. Olhou-me sereno e, sorrindo me disse: "estou tranqüilo. Sei que esse tipo de gente, quando quer matar, não manda recados".

Nas semanas que se passaram continuou se pronunciando sobre a necessidade da organização popular. Mas, parecia mais discreto do que o habitual. Talvez percebera que era preciso ter mais cautela pois estava mexendo numa "caixa preta" que envolve grandes traficantes e gente da polícia.

Após seu assassinato, a polícia trabalha com a suspeita de latrocínio. Pode ser que vão seguir com esta versão para não ter muito trabalho com a investigação. É mais simples afirmar que foi roubo seguido de assassinato. Muitos dos que estavam no velório também acreditam nesta versão. Talvez porque já estão habituados a acreditar em tudo o que a polícia diz, mesmo quando não se tem fundamentos convincentes. Entretanto, várias das milhares de pessoas que lotaram o ginásio de esportes do Santa Etelvina para se despedir do Pe. Ruggero, não acreditam nessa "orquestração". O povo sabe a verdade. Talvez tenha medo de dizer, mas o certo é que sabe que não foi nenhum "ladrãozinho", como afirma a polícia que alvejou o padre. Pode até ser que um ladrãozinho tenha sido contratado para disparar o tiro certeiro. Mas, todos sabem que por traz disso estão os controladores do tráfico que se sentiam incomodados com a atuação do Pe. Ruggero.

Desde que se espalhou a notícia, a comoção tomou conta de todos. Centenas de pessoas, durante todo o dia de sábado estiveram organizando o local do velório, preparando os cartazes de despedida, ensaiando os cantos e o último adeus. A chegada do corpo tomou a todos de grande comoção. Durante toda a noite de sábado e a manhã deste domingo, as comunidades se revezaram para prestar sua última homenagem. Algumas pessoas vinham de longe, trazendo flores dos seus jardins, como é costume na região. Uma adolescente "coroinha" trouxe pétalas vermelhas e espalhou ao redor do caixão. Chorava e falava baixinho com ele certa de que era escutada. Os idosos se aproximavam e o chamavam de "filho querido". Foram inúmeras as demonstrações de carinho e emoção junto ao caixão. Na celebração da oblação, um gesto muito forte: representantes das várias comunidades se aproximaram do caixão no momento do ofertório, o levantaram e o ofereceram ao altar da imolação. Nas falas e nos cartazes o destaque era o clamor por justiça.

Até a hora da despedida, o povo seguiu cantando "se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão!" Todos os momentos de oração e celebração foram marcados por muitos gestos que falavam por si e por cânticos alegres e muito bem cantados seguindo o ritmo das águas dos rios e da sinfonia da floresta e das coisas bonitas da Amazônia.

No início desta manhã, um sinal importante indicava que "a semente que caiu na terra vai logo brotar": Os agentes de pastoral da AMICOM e as lideranças dos movimentos sociais se reuniram logo cedo, ali mesmo, num cantinho do ginásio e formularam um pequeno panfleto exigindo justiça.. Deliberaram as tarefas e em poucas horas, o folheto já havia sido digitado, fotocopiado e distribuído a todas as pessoas que estiveram na celebração enquanto alguns jovens saíram pelas ruas do bairro distribuindo-o a todos e convocando para uma manifestação no dia seguinte à missa de sétimo dia. O resumo do folheto afirma que a morte do Pe. Ruggero não será em vão. O último parágrafo é digno de reprodução neste breve ensaio: "Por isso gritamos que chega de violência! Queremos paz e ação enérgica do governo que tem sido incompetente e mentiroso afirmando que, por causa dele, devemos ter orgulho de ser amazonenses".

Resta concluir que o Pe. Ruggero é mais um mártir da Amazônia e que sua luta seguirá na vez e na voz de todos aqueles e aquelas que descobriram que sua esperança está na força da união. Essa gente, ninguém mais segura. Oxalá que o sangue derramado deste profeta regue o chão da Amazônia e produza muitos frutos de justiça.

Manaus, 21 de setembro de 2009.



Socióloga e Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia. Coordenadora do Departamento de Educação do Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social – SARES
7ª GRANDE FESTA DA INTEGRAÇÃO

DOS POVOS E CULTURAS LATINO-AMERICANAS.



(LOGOTIPO ACIMA É A BANDEIRA DA AMÉRICA LATINA), TIRADA DA PÁGINA:

www. latinoamerica.org


A FESTA LATINO-AMERICANA EM CURITIBA TEM A PROPOSTA DE CONSTRUIR A COMUNHÃO E A INTERAÇÃO E SOLIDARIEDADE DOS POVOS E CULTURAS A PARTIR DA AMÉRICA LATINA; CELEBRAR A FÉ PROMOVENDO A JUSTIÇA E A PAZ NA CONVIVÊNCIA FRATERNA E NA PARTILHA DE TODOS OS VALORES HUMANOS, CULTURAIS, RELIGIOSOS, SOCIAIS...



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